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domingo, 10 de novembro de 2013

PESSOAS ADMIRADAS E RESPEITADAS 09


José Eduardo Garcia Leandro na posição de Presidente do OSCOT (Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo), tem aparecido na Comunicação Social com opinião bem fundamentada e sugestões que, se fossem tomadas na devida consideração, a tranquilidade e segurança pública seriam menos preocupantes.

A sua nomeação para tal cargo não foi por acaso, pois tem uma vasta experiência em altos cargos de comando e direcção nas Forças Armadas e em instituições internacionais como a Nato e a ONU. O seu saber académico e experiência foi também posto à prova como docente no IAEM (Instituto de Altos Estudos Militares), no ISCSP (Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas), na UNL (Universidade Nova de Lisboa), na UAL (Universidade Autónoma de Lisboa), no IEP/UCP (Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa) e no ISCIA (Instituto Superior de Ciências de Informação e Administração de Aveiro).

Por isso e pela forma como se apresenta a argumentar em programas de TV, é considerado uma pessoa muito conceituada para colaborar em análises e discussões sobre problemas estratégicos e de segurança, para garantir o futuro de Portugal, para os quais não basta o «saber» de «boys» imaturos.

Imagem de arquivo

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quinta-feira, 10 de julho de 2008

Análise do estado da Nação

Transcrição da entrevista do General Garcia Leandro - Presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo – à TSF, em 08/08/2008. A entrevista foi concedida sem papel de suporte, de improviso, pelo que após elaborado o escrito com base em gravação de áudio, foi pedida ao autor a revisão e eventuais alterações gramaticais, o que não lhe foi possível por carência de tempo. Fica este alerta aos leitores.

TSF - …

Gen. G. Leandro - Estamos numa mudança de época histórica e estamos a apanhá-la num País que está a fazer grandes reformas e agora sofre esta crise em cima de si. Quando o PM diz que tem azar, eu acho que realmente tem razão, porque a crise veio do exterior, embora tenha encontrado o País em estado de fraqueza.

Agora, o País está muito frágil para esta grande mudança em que vinha sendo feito um trabalho que, se vivêssemos numa ilha isolada no Atlântico, poderia ser realizado com alguma tranquilidade mas, como vivemos num mundo a caminho da globalização, somos afectados por múltiplos problemas vindos do exterior.

Quais são as grandes fragilidades que eu considero que existem? Verdade seja dita que os caminhos apontados pelo Governo parece que são correctos; porém, têm de ser seguidos com mais rigor e honestidade. Muitas vezes, desconfia-se que não há honestidade e que a competência, em sempre existe em escala conveniente.

Onde é que me parece que isso é absolutamente importante? Na formação académica, nós temos que apostar claramente e com rigor e honestidade, não sendo essencial focar o esforço nas estatísticas, pois não é essencial nem prioritário apostar nas estatísticas dos resultados escolares, porque depois na vida prática, a vida real não vai corresponder a isso, mas será uma consequência do ensino técnico-profissional, com efeitos no conjunto da economia.

Outra fragilidade com grau de grande pecado mortal da nossa situação é, para mim, a promiscuidade entre os partidos políticos e o poder económico, num jogo de interesses que nos apanha como uma armadilha. Também a Justiça, onde há uma evolução, tem aspectos bons de que é grande exemplo a acção da Doutora Maria José Morgado, mas os tribunais continuam muito lentos, e a qualidade legislativa em que por vezes não se acredita, tem preceitos de que se desconfia terem coisas escondidas. Também, em termos estruturais, há algo que nós não podemos deixar que sejamos vítimas de uma ligação à Europa que tem obrigatoriamente de passar pela Espanha, pelas auto-estradas, o que obriga a recuperar a rede ferroviária. Outra tarefa a não descurar é a de recuperar a frota de comércio e, em termos económicos, há que apostar forte no controle e exploração das riquezas do nosso mar e, em termos internacionais, temos que diversificar alianças, (aliás as de carácter económico estão a ser feitas).

Além de tudo isto, há problemas internos que são insustentáveis o que dá origem, por vezes, a grande tensões e, por outro lado, a ocasionais sentimentos de revolta. Não pode ser ignorado o fosso entre os mais ricos e os mais pobres, a classe média está a desaparecer, uma classe média desprotegida que está sempre continuamente a ser mais sobrecarregada. É evidente que é um problema mundial deste capitalismo selvagem em que estamos a viver – que o Papa João Paulo II anunciou, logo após a queda do império soviético, que caía o comunismo mas não se deveria ir para o capitalismo selvagem. Portanto este problema do fosso entre os mais ricos e os mais pobres não é só nosso, mas estamos a falar do país. E há pessoas que não compreendem esta alteração das realidades nacionais e não percebem que o país está quase falido e continuam a viver como se estivessem na estratosfera, num mundo isolado.

O Governo, qualquer Governo, tem que ter a coragem para enfrentar estes senhores todos poderosos da finança, da economia e dos partidos; eles têm que sentir que são parte do conjunto nacional e que têm obrigações relativamente ao todo Nacional. Portanto, enquanto não houver, da parte dos entidades responsáveis que nos governam, alguma confrontação com essas entidades que têm muito poder mas que não estão no governo, nós vamos continuar com a nossa débil situação e as nossas fragilidades sócio-económicas.

TSF – Sr. General: esses problemas, não sendo irresolúveis, vão certamente demorar muito tempo a resolver; estamos perante um país adiado, o futuro vai continuar a ser muito sombrio?

Gen. G.Leandro – Eu penso que…eu não vejo… grandes indicadores para optimismo. Mesmo acreditando que a alternativa de poder com a Drª Manuela Ferreira Leite, no PSD, dá uma credibilidade grande, as soluções que daí advirão não serão muito diferentes das soluções que têm sido seguidas pelo actual Governo. Apesar do trabalho que tem vindo a ser feito em alterações estruturais, em grandes reformas por este Governo, há questões que, independentemente desta crise mundial, os governos não podem controlar a curto prazo. É o caso da qualidade do capital humano que nós temos, as capacidades das pessoas, a formação académica, a formação técnico-profissional, o tecido empresarial que é muito fraco, tirando algumas raras e honrosas excepções e, portanto, a construção de um futuro melhor é um trabalho que vai demorar tempo, que é agravado por esta actual situação da crise mundial. Portanto, não estou, realmente, a ver sinais cor-de-rosa.

TSF – Ainda assim, o que é que Portugal tem de bom Sr. General, o que é que o enche de orgulho em Portugal?

Gen. G.Leandro – Aquilo que me enche de orgulho em Portugal? Acho que há uma bondade natural nas pessoas; acho que são pessoas que estão sempre disponíveis para ajudar mas, ao mesmo tempo, há uma grande desconfiança. Há uma grande falta de confiança nestes mecanismos económicos, político-partidários, etc. Porém, temos que viver com isto, diariamente, onde a corrupção é algo permanente, é visível, sempre, todos os dias.

Agora comparando, e eu já visitei praticamente todos os países da Europa, vivi em alguns, vivi nos EUA, em Itália, Bruxelas, para além de outros sítios do nosso antigo Ultramar, e também vivi em Marrocos, eu não trocava este País por outro; quero dizer que penso que nós temos capacidade para nos corrigirmos.

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