Mesmo quando se anda distraído com coisas menores, algo surge que nos desperta para os excessos do neoliberalismo em que nos estão a enterrar.
«O Tribunal de Contas (TC) recusou o visto à prorrogação do prazo do contrato de gestão do Centro de Medicina Física e de Reabilitação do Sul (CMFRS), gerido em modelo de parceria público-privada». O «Ministérios da Saúde e das Finanças ignoraram avisos dos próprios serviços, que chegaram a alertar para a mais que provável recusa do visto por parte do Tribunal de Contas. Administração Regional de Saúde do Algarve vai assumir a gestão do centro.»
«O contrato de gestão do Centro de Medicina Física e Reabilitação do Sul, em São Brás de Alportel, foi assinado a 21 de Junho de 2006 com o Grupo Português de Saúde (GPS), que pertencia à Sociedade Lusa de Negócios, holding do BPN, actual Galilei.»
«O valor do contrato (31,5 milhões) desta parceria público-privada é o mais baixo das seis PPP actualmente em vigor no sector da saúde e foi uma das poucas cuja execução chegou a ser elogiada pelo Tribunal de Contas.»
Também sobre o serviço de Saúde, Álvaro Beleza afirmou em comentário que o Orçamento do Estado não deve servir para financiar interesses privados.
E, quanto a PPP e apoio a grandes grupos privados, em que estão interessados muitos políticos e ex-governantes, chegam notícias de Davos. «No seu último relatório global, o Fórum Económico Mundial concluiu que a desigualdade económica se transformou na principal ameaça à estabilidade mundial. Depois de a crise económica e financeira ter sido o tema central dos debates do fórum em 2013, este ano o presidente do FEM, Klaus Schwab, na abertura do evento, quis pôr no centro das discussões os valores humanos.»
«O Papa Francisco já tinha defendido que as sociedades actuais não deviam viver regidas pelo dinheiro (…) e. quis assim lançar um apelo aos decisores políticos, de que se responsabilizem pelos mais desfavorecidos e vulneráveis, promovendo uma justa distribuição da riqueza mundial ».
Entretanto, no nosso País impera uma política contrária às preocupações humanas e de redução da desigualdade e, assim, os rendimentos dos mais ricos duplicaram em Portugal. E noutro jornal conceituado vem a notícia de que os multimilionários portugueses são mais e estão mais ricos.
São sempre os menos providos de rendimentos que pagam as crises criadas e mantidas por maus governantes.
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
TRIBUNAL DE CONTAS CHUMBA CONTRATO DE PPP
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A. João Soares
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domingo, 7 de julho de 2013
ESTABILIDADE, CONTINUIDADE OU ESTAGNAÇÃO ???
Governantes e seus apoiantes «asseguram» que a estabilidade fica assegurada com o actual acordo da coligação e que o entendimento reforça a estabilidade. Isto pode ter um significado trágico para os portugueses principalmente os mais desprotegidos.
Estabilidade faz pensar em pântano ou águas paradas, isto é, continuidade da política que, durante dois anos, nos tem entrado pelos bolsos, pela boca, e pela pele (saúde) com austeridade em ondas sucessivas cada vez mais arrasadoras. Traz à memória os termos «pântano» usado pelo PM António Guterres, o de «Tanga» escolhido pelo PM Durão Barroso que se esquivou na primeira oportunidade e por outras situações ulteriores de que a urbanidade não me permite referir em público a adjectivação mais usada comummente.
Por outro lado as despesas da manutenção da máquina opressora do Estado, criadora de parasitas, de burocracias exageradas propiciadoras de corrupção em todos os níveis e desbaratando o dinheiro dos impostos ao mesmo tempo que enriquece uma «elite» cúmplice e conivente com o Poder, aumentando a injustiça social. E nunca mais se ouviu falar na REFORMA ESTRUTURAL DO ESTADO, já mencionada há cerca de dois anos.
E, o que se apresenta com grande gravidade, as pequenas mudanças que surgem não são motivadas pelos interesses nacionais, colectivos, dos cidadãos, mas sim por meras questiúnculas que procuram benefícios bem orientados para oportunistas sem escrúpulos. Por isso, se a estabilidade pode não ser um maná colectivo, as pequenas mudanças também não o serão. E continuaremos a aguardar uma alteração profunda da Constituição Portuguesa e uma adequada e modernizadora Reforma do Estado.
Assim, o novo acordo da coligação não parece augurar grande «opulência» aos portugueses, antes os faz augurar muitos atritos na cooperação entre dois teimosos e sem palavra credível, pelo que deve haver muito cuidado com as seis incógnitas do acordo.
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segunda-feira, 10 de junho de 2013
PR DISSE AOS MILITARES, EM 10 DE JUNHO, EM ELVAS
Transcrição integral do discurso do PR:
Discurso do Presidente da República nas Cerimónias Militares das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas
http://www.presidencia.pt/?idc=22&idi=74552
Elvas, 10 de junho de 2013
Comemoramos hoje o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Comemorar é revisitar o passado, o legado da cultura e da história, de referências e de valores que moldaram a nossa identidade. Porque esta Pátria em que nos revemos foi e sempre será determinada pelo querer e pela vontade dos portugueses. É este o sentido que devemos dar a estas Comemorações.
Fazêmo-lo em Elvas, Cidade-Quartel, cidade de longa presença e tradições militares, palco de batalhas, e onde se escreveram das mais belas páginas da nossa história. Aqui se travou uma das decisivas Batalhas da Restauração, nas Linhas de Elvas, onde, movidas pelo querer e coragem, as tropas portuguesas e a população obtiveram uma vitória de enorme importância política, militar e simbólica.
Envolvida pelo imponente Aqueduto da Amoreira, sob o testemunho das suas muralhas intemporais e o olhar distante do Forte da Graça, uma das jóias da arquitectura militar, a grandiosidade de Elvas materializa-se no seu vasto património de fortificações, simbiose perfeita entre o saber e o querer, o conhecimento da arte da guerra, a que se juntou a determinação e a ambição de um Povo.
É este o legado que deve ser exaltado, competindo a todos nós estar à altura desta herança, confiantes e seguros de que a alma e o sentir português se mantêm vivos e merecedores do seu passado.
Portugueses,
Uma vez mais contamos com a presença, nesta Cerimónia, dos Antigos Combatentes que, como tem acontecido nos últimos anos, ocuparão lugar de relevo no Desfile Militar. Destaco o extraordinário espírito de solidariedade que os Combatentes tão bem conhecem e que hoje, em Portugal, como tantos exemplos ilustram, se estende por toda a sociedade civil, no seio das famílias, nas instituições de apoio social e nas iniciativas que surgem a nível local para minorar as dificuldades dos que são mais atingidos pela crise que o País atravessa.
A Nação deve saber honrar aqueles que tudo deram por ela, prestando-lhes a devida homenagem e não esquecendo o apoio que lhes é devido..
Militares,
A situação de crise e de exiguidade de recursos que vivemos exige reformas, exige sacrifícios, exige a compreensão do que está em jogo, exige um arreigado patriotismo e um notável espírito de missão. Nenhuma instituição deve permanecer intocada. Mas nenhuma instituição deve ser descaracterizada na sua essência. Mais, ainda, quando se trata de pilares fundamentais do Estado, expressão de valores e de princípios que não se alienam.
Quero realçar, desde já, o comportamento exemplar das Forças Armadas.
As Forças Armadas compreendem e participam no esforço que a todos é pedido. Colaborando e procedendo a estudos no sentido de se encontrarem as soluções que melhor se harmonizem com os objectivos propostos. Prosseguindo uma reestruturação que prevê acomodar uma redução significativa de efectivos e que é bem reveladora do espírito e da atitude de cooperação demonstrados neste processo.
As Forças Armadas têm sido um referencial de estabilidade, coesão e disciplina, cumprindo as suas tarefas com grande competência, dedicação e profissionalismo.
As reformas devem ser cuidadosamente preparadas e calendarizadas, ser objecto de um consenso alargado entre os órgãos de soberania e envolver um diálogo aprofundado com os Chefes Militares, salvaguardando a razão de ser das Forças Armadas, a sua capacidade de combate, a sua motivação e a sua condição militar.
Aos órgãos de soberania compete definir o enquadramento político e jurídico da Defesa Nacional e das Forças Armadas. Compete-lhes a orientação política, a afetação de recursos, o acompanhamento e a supervisão da respetiva ação. É sua a responsabilidade primeira pelo bom funcionamento da Instituição Militar em face dos objetivos definidos e dos superiores interesses da Nação.
Aos militares compete cumprir as determinações e orientações dos agentes políticos. Mas têm também o direito e, diria até, o dever de contribuir, com lealdade e sentido de ajuda, para a formulação das melhores soluções em relação às Forças Armadas.
Os decisores políticos têm, por sua vez, a obrigação de com eles trabalharem para essa finalidade.
Estarão assim criadas as condições para que as reformas não se limitem a um mero exercício de rigor orçamental, antes incorporando um conjunto de princípios funcionais e de valores patrióticos, éticos e institucionais que caracterizam as Forças Armadas e que lhes são próprios.
Haverá, sem dúvida, margem para racionalizar na estrutura superior, nas áreas de comando, na logística e no ensino e no dispositivo territorial, mas sempre salvaguardando a componente operacional e não descaracterizando a Instituição Militar.
Militares,
O processo de reformas em curso nas Forças Armadas vai ainda requerer muito trabalho e especial cuidado, nomeadamente no tratamento das questões do âmbito do pessoal, reconhecidamente o seu principal ativo.
A área da Saúde reveste-se de vincada importância operacional e de especial sensibilidade para a Família Militar, possuindo uma natureza específica que importa contemplar na definição da sua estrutura e organização.
Ainda na área do pessoal, decorre a revisão do Estatuto dos Militares das Forças Armadas, que, sendo um documento definidor das carreiras, da formação, das funções, das relações hierárquicas e disciplinares, dos direitos e deveres e, no fundo, moldando o futuro da Instituição Militar e dos elementos que a servem, assume importância capital.
O processo de revisão deve ser conduzido com ponderação, sensatez e respeito pelos princípios, regras e valores da Instituição.
Por último, o Ensino é um verdadeiro esteio da estrutura e do funcionamento das Forças Armadas. Vocacionada para o desempenho técnico-profissional e para o Comando de pessoas, muitas vezes em situações de grande exigência e complexidade, a Formação Militar não se limita à componente académica.
Estando inserida de forma plena no sistema universitário nacional, a Formação Militar, é, antes de tudo, uma Escola de Chefes e uma escola de valores castrenses e de cidadania, o que lhe confere um caráter distintivo. Não é por acaso que as Escolas Militares têm Comandantes e não Reitores.
Portugueses,
As Forças Armadas têm cumprido as suas missões dentro e fora do território nacional, sendo de saudar a sua elevada operacionalidade. Para que esta se mantenha em elevados padrões, é importante garantir as condições para o treino e operação das forças.
No plano interno, para além das missões estritamente militares, as Forças Armadas atuam em apoio às populações e ao desenvolvimento nacional.
Na última década, foram empregues mais de 36 mil militares e percorridos mais de 3 milhões de quilómetros em defesa da floresta e na abertura de estradas, voaram-se mais de 28 mil horas e efetuaram-se 230 mil horas de navegação, envolvendo mais de 70 mil militares, em missões como a busca e salvamento no mar, a vigilância dos espaços marítimos sob jurisdição nacional, as operações de emergência na área da saúde. As capacidades e os recursos das Forças Armadas são postos, no dia-a-dia, ao serviço de Portugal e dos portugueses.
No plano externo, Portugal tem cerca de 700 militares destacados em cinco Teatros de Operações - Afeganistão, Kosovo, Mediterrâneo, Somália e Mali -, continuando também a assumir importantes compromissos, no âmbito da Cooperação Técnico-Militar, com os Países de Língua Oficial Portuguesa.
Destaco o sucesso no combate à pirataria marítima, onde Portugal comanda presentemente a Operação Atalanta no âmbito da União Europeia.
Também no Afeganistão, como parte da “estratégia de saída” da coligação internacional, as Forças Armadas Portuguesas estão a implementar uma nova configuração do dispositivo, com ênfase na formação dos militares locais, de modo a assegurar uma transferência progressiva das responsabilidades de segurança para os próprios afegãos.
Militares,.
A vossa determinação e disponibilidade, o vosso espírito de missão, constituem inquestionável exemplo de cidadania, de profissionalismo e dedicação à Pátria..
Os tempos que vivemos são tempos de riscos, incertezas e desafios. Mas, perante as dificuldades, não podemos perder a coesão e o sentido de comunidade e solidariedade. Não se pode esquecer quem mais precisa, tal como não podemos enveredar por um caminho de negativismo, resignação ou indiferença..
Perante vós, como Comandante Supremo, quero expressar a todos os militares o meu apreço e a minha confiança pela forma responsável como têm interpretado a dimensão e o sentir de ser Soldado de Portugal, manifestando um comportamento e um sentido de dever exemplares. Lembrando a coragem dos que nos antecederam, vamos transformar um tempo de incerteza em tempo de esperança e de mudança, de vontade autêntica em construir um destino comum que, juntos, conseguiremos alcançar: o destino de sermos Portugal.
Obrigado..
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segunda-feira, 14 de março de 2011
Estabilidade ou pântano putrefacto???
Não me parece que o mavioso Assis, ao dizer que posição do PSD face às novas medidas coloca em causa estabilidade política, esteja a ver bem o âmago do problema, com sentido de Estado e sem uma visão míope com óptica partidária, eivada de fanatismo.
Na realidade, aquilo a que ele chama «estabilidade» não passa de um deslizar sucessivo e persistente para um maior afundamento no pântano fétido, onde nos têm tentado afogar nos últimos meses
O povo português parece já não estar disposto a continuar sentado (assis, em Francês!) e acha que um cadáver em decomposição deve ser rapidamente incinerado para que os vivos possam continuar vivos, mesmo que apenas semi-vivos, como acontece agora com a maioria dos portugueses depois de o Governo tanto incidir no PECado.
Tal estabilidade só poderá ser útil aos coniventes e cúmplices para continuarem a sugar as últimas gotículas de sangue dos portugueses normais (não políticos). Se o PSD contribuir para pôr ponto final em tal estabilidade, então temos que o felicitar pela sua atitude patriótica.
Para melhor compreender estas reflexões aconselha-se uma visita aos posts mais recentes e a abertura dos links neles inseridos.
NOTA: Quando acima disse mavioso queria dizer mesmo isso (não houve troca de letra), depois de o meu dicionário me dizer que tal adjectivo significa: terno, afectuoso, carinhoso, compassivo, enternecedor, doce, suave, harmonioso, o que condiz com o seu rosto rosado e redondo, embora, por vezes, tenha uns olhares que parecem querer comer alguns dos cadáveres adiados do seu partido.
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sábado, 26 de fevereiro de 2011
Tempos difíceis focalizam reflexões
Esta manhã deparei com vários títulos que, de forma espontânea, pois ninguém coloca a hipóteses de ter havido concertação, orientam a atenção dos leitores para a gravidade da situação actual, não apenas no País, mas também no Mundo.
Há outros temas além do caso dramático da Líbia em que o ditador classifica a população manifestante de «inimigo» como se fosse inimigo do Estado e não apenas do regime ditatorial em que o «guia da revolução» se considera dono de todo o País e trata os habitantes como coisas de cujas existências pode dispor à sua vontade.
No post «Uma nova Era já começou?» há um esboço prospectivo da revolução social global que irá alterar profundamente a vida da humanidade. Embora sem indicar autor nem data, o texto tem muitas ideias credíveis e merece ponderação.
Também o post «Barragem do Tua - 3» além das palavras bem humoradas do PM, que fizeram rir as bancadas parlamentares, mostra um diálogo que faz pensar sobre a antinomia «ambiente versus economia» e, também o que foi dito sobre o desemprego de jovens que tem crescido de forma preocupante nos tempos mais recentes.
Sobre o desemprego dos jovens e um slogan em voga, o artigo «À rasca andamos todos» mostra que os tempos não vão de feição aos portugueses de todas as idades. Não refere a excepção dos que têm enriquecido à sombra do orçamentos, mas fica bem claro que uma família normal vítima de desemprego e com jovens a sustentar e idosos a ir mantendo, não pode deixar de puxar pelo cérebro para, no mínimo evitar morrer de fome.
Depois aparece o artigo «Ironia do destino» que não oculta o olhar para o que se passa no Magrebe e no Médio Oriente com tendência para alastrar e que faz temer o poder português que fala repetidamente no inconveniente da instabilidade política. As revoluções contra a ditadura na procura de democracia, por vezes, acabam por ter um resultado irónico, como ocorreu com a revolução de que Khadafi foi o «guia». Infelizmente, parece que muitas das mudanças que se esperava serem para melhor acabam por trazer males maiores, como dizia a velhinha de Siracusa ao imperador Dionísio.
Também o artigo «Estado incontinente, Governo impenitente» faz pensar na «impenitência» do esforço fiscal que esmaga os trabalhadores, para conseguir suprir a «incontinência» nas despesas públicas, muitas das quais têm sido repetidamente listadas como desnecessárias, inúteis e exageradas.
Será bom que os responsáveis políticos, meditem nestes aspectos e noutros de semelhante importância, por forma a estudarem medidas para gerir a entrada na «nova era» e evitar os inconvenientes da explosão social que pode chegar pela porta das trapeiras, por contágio externo, aproveitando o caldo biológico existente.
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Sócrates é o vencedor das presidenciais!!!
O título parece pouco sério, mas vem confirmar o que ficou escrito em «O amigo António à caça de insólitos». Até parece que Sócrates leu o artigo, meditou e, na sua perspicácia, persistência e espírito de luta, aproveitou a ideia e, no primeiro momento oportuno, expressou a sua posição, como se vê na notícia "Portugueses exprimiram com clareza o que queriam", de que se transcrevem duas frases, muito sintomáticas e com visão de futuro.
«O primeiro-ministro felicitou todos os candidatos às eleições presidenciais e abordou os resultados. "Os portugueses falaram e exprimiram com clareza o que queriam. É legítimo dizer que os portugueses optaram por não mudar. Optaram pela CONTINUIDADE E ESTABILIDADE política. Esta tem sido a regra em presidenciais", referiu.
Sócrates garantiu depois toda a sua disponibilidade e do Governo "para assegurar uma leal cooperação com o Presidente da República agora eleito". "É isso que os portugueses esperam", acrescentou.»
E digam lá se o homem não está com garra de continuar no lugar!!! E os seus adversários como irão reagir??? Estejamos atentos às manobras que os jogadores farão sobre a pobre relva que não pára de ser pisada pelos atletas dos vários clubes.
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domingo, 14 de fevereiro de 2010
Estabilidade ou estagnação?
Os políticos, principalmente quando estão bem instalados nas alcatifas do Poder, abusam da palavra estabilidade, deixando um sabor amargo a estagnação. Defendem a imobilidade, a ausência de reformas, de mudanças fazem poucos gestos para iludir os papalvos mas deixando tudo na mesma.
Comecei a magicar e recordei os meus tempos de jovem utilizador de bicicleta que, quando parada, não tem a mínima estabilidade, e só a adquire quando em movimento mais ou menos rápido. Lembrei-me de um jovem aviador que dizia, com muita graça, que teve que desobedecer à mãe que estava sempre a recomendar-lhe para não voar com muita velocidade.
Em contrapartida ao movimento, à dinâmica, ao progresso que são inerentes á estabilidade, a estagnação faz pensar na águas do charco, do pântano, que apodrece, gera cheiros pestilentos, nauseabundos e mata plantas e peixes.
Mas, não contente com os meus próprios pensamentos, quis confrontá-los com outras opiniões e acabei por encontrar na Internet o seguinte texto
Mudança e estabilidade
Você já pensou sobre os conceitos acima citados?
Sim! - Não!
Então vamos pensar um pouco.
O que significa estabilidade para você?
Estabilidade para muitas pessoas significa chegar a um ponto máximo de realização e desenvolvimento e então permanecer parado neste ponto.
Para outras significa conquistar segurança e conforto.
O que acha?
Você concorda com esta ideia?
Caso você concorde pense se estas definições acima... elas significam estagnação.
Estagnar significa parar, será que estabilidade e estagnação são sinónimos? Acredito que não!
Acredito que estabilidade significa conquistar segurança e conforto em várias áreas da vida, mas isto não quer dizer que chegamos ao nosso ponto máximo, pois estamos em constante crescimento e desenvolvimento, a evolução é um ciclo contínuo e não pára nunca. Portanto estabilidade está relacionada com conquistar a tão sonhada segurança, mas é preciso saber administrá-la para mantê-la, sendo assim são necessárias constantes mudanças e uma boa capacidade de adaptação.
Neste ponto vou introduzir o conceito de mudança.
Você acredita que a estabilidade só é possível com mudanças?
Se você respondeu que sim, Parabéns!
Pois é, para conquistarmos a estabilidade é necessário que mudanças ocorram em nossas vidas, sejam elas, afectiva, académica, profissional, ambiental, física ou profissional. A mesma afirmativa serve para a manutenção desta estabilidade.
Aquele que conquista estabilidade, mas não consegue se adaptar às mudanças sociais, económicas, políticas e etc. dificilmente manterá a estabilidade. Um exemplo desta situação, são as empresas que não acompanharam as mudanças tecnológicas, entre outras que estão acontecendo constantemente no mundo, a tendência dessas empresas é serem sugadas pelas oscilações e sumirem do mercado. Pense agora em você, que mudanças foram ou são necessárias para conquistar ou manter a estabilidade.
Fica aqui uma dica e uma reflexão:
A estabilidade só é possível com mudanças.
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quinta-feira, 4 de junho de 2009
Crise financeira. Lições a tirar
Uma transcrição de artigo do DN, de autor credenciado, que, em linguagem acessível para a generalidade dos leitores, explica as causas da actual crise financeira global e deixa pistas para evitar a sua repetição.
Economia internacional: Uma lição mal estudada
DN. 090604. por António Lopes, Economista, Professor de Matemática, E.U.A.
A crise económica e financeira que recentemente deflagrou no mundo inteiro, particularmente em países como os Estados Unidos da América, a Rússia e o Japão e na União Europeia, não é fruto do acaso ou do infortúnio, e vem finalmente ao encontro daquilo que, mais tarde ou mais cedo, já se esperava.
Tanto eu, como alguns dos mais ilustres economistas, alertámos para a real possibilidade de, a curto prazo, o mundo se vir a confrontar com uma hecatombe financeira de proporções ainda desconhecidas. Que o digam os círculos académicos, familiares e de amizade que, ao longo destes largos anos, têm sido testemunhas de tão acertadas e atempadas previsões. Quais as verdadeiras raízes desta crise e porque razão os políticos, líderes das principais organizações mundiais, dirigentes empresariais e financeiros não aprenderam com as lições de um passado ainda não muito distante?
Sempre entendi que as políticas económicas, fiscais e monetárias insustentáveis e levianas, empreendidas, entre outros, pelos países acima referidos iriam conduzir inevitavelmente a uma recessão cujas causas são equiparáveis às que originaram a Grande Depressão nos Estados Unidos e no resto do mundo nos anos trinta.
Se nos dermos ao cuidado de consultar as publicações da época, facilmente concluímos que os vírus que contaminavam as economias dos anos vinte são essencialmente os mesmos que a partir dos anos oitenta passaram a infestar as economias dos países mais influentes do mundo. Aqui estão algumas das causas que minaram as economias desse nefasto período:
I. Ausência de regulação dos mercados;
II. Gritantes assimetrias na distribuição da riqueza;
III. Insuportáveis níveis de endividamento dos sectores público e privado, incluindo as famílias;
IV. Políticas salariais assentes em baixos salários para a maior parte dos empregados por conta de outrem; e
V. Frenética especulação nos mercados bolsistas e imobiliário.
Mais uma vez a história se repete sem que os principais responsáveis pela condução dos destinos das principais instâncias supranacionais e nações do mundo fizessem alguma coisa para a evitar. A acrescentar às causas de então, tão actuais e semelhantes às do presente, existem outras que passo a referir:
1. Manifesta incompetência política e governativa dos principais líderes do mundo civilizado a partir da década de oitenta;
2. Ameaças à estabilidade económica, financeira e social do mundo moderno decorrentes da globalização;
3. Políticas fiscais irresponsáveis e levianas;
4. Políticas monetárias laxistas e negligentes;
5. Idolatração do materialismo, da fama e do dinheiro em prejuízo do ideal, da justiça e dos valores.
Decorrente desta conjuntura tão complexa, perniciosa e explosiva como a que acabei de descrever, facilmente se percebem os reais motivos porque o mundo da economia e das finanças entrou em iminente histeria, colapso e incerteza. Os dogmas económicos do neoliberalismo, assentes na mão invisível e no laisser faire, formulados pelo escocês Adam Smith (1723-1790) e adoptados a rigor, mais tarde, pelo prémio Nobel Milton Friedman (1912-2006) e outros discípulos, sucumbiram finalmente perante a penosa e dura realidade. Esta constatação não devia causar espanto a ninguém, já que outras teorias económicas e sociais tão radicais, como o feudalismo e o comunismo, conheceram o mesmo trágico e inglório fim.
Contudo, atribuir ao sector privado todos os males de que padece o mundo actual, da economia e das finanças, como muito boa gente pretende, não é correcto, justo e factual. Os governos de algumas das principais potências económicas do mundo, paralisados pelo abuso, corrupção e desperdício, foram incapazes de adoptar políticas fiscais e monetárias destinadas a promover o crescimento, a estabilidade do emprego e dos preços e a justiça social.
Como é possível, em tempos de vacas gordas, as contas públicas apresentarem défices crónicos sucessivos tão negativos?
Porquê os governos não aproveitam as grandes receitas, que deviam ser acumuladas em reservas, fundos de emergência, durante os ciclos económicos favoráveis, para depois as poderem disponibilizar em alturas conturbadas e difíceis como a que estamos a viver?
As respostas a estas interrogações evitavam muitas das turbulências económicas, financeiras e sociais do passado e do presente.
Afinal, o antigo Egipto e a Mesopotâmia, entre outros, e presentemente a China conseguiram acumular, os primeiros enormes reservas de cereais em tempos de abundância para as disponibilizarem em tempos de manifesta escassez, e o último sucessivas receitas fiscais excedentárias que lhe permitem enfrentar a actual crise com massivos meios financeiros que outros países não têm, a não ser que recorram ao agravamento acelerado das suas já incomportáveis dívidas públicas.
A presente crise ensina-nos a repensar os modelos dogmáticos preconcebidos e a adaptá-los às novas circunstâncias e realidades do mundo actual. O neoliberalismo económico ou economia pura de mercado, baseado no lucro fácil e a qualquer preço, na competição predominantemente especulativa dos mercados imobiliário e de capitais, na anarquia e indiferença dos mercados e na ausência de princípios legais, éticos e de justiça está a ser definitivamente enterrado, como aconteceu a outras teorias económicas do passado, de tão má memória. A resposta científica e pragmática à actual crise do modelo económico e social passam por aproveitar as contribuições positivas, as sinergias e a vitalidade do capitalismo e do socialismo. Estes sistemas económicos não são incompatíveis, bem pelo contrário, podem ser fundidos numa economia social de mercado, compósita e mista, onde a inovação, o lucro justo e fundamentado, a ética e a solidariedade social possam coexistir em plena harmonia, reciprocidade e complementaridade.
Aguardo, com esperança, que os ensinamentos de um dos maiores economistas de todos os tempos, John Maynard Keynes (1883-1946), incorporados no seu mais importante trabalho publicado em 1936, Teoria Geral do Emprego, Juros e Dinheiro, assim como, das políticas macroeconómicas superiormente definidas pelo irreverente John Galbraith (1908-2006) contribuam para a construção dum novo modelo económico e duma nova ordem económica internacional. Convém adoptar políticas tributárias bem mais progressivas a fim de penalizar, controlar e evitar as remunerações sumptuosas e exorbitantes como as de muitos gestores de cargos públicos e privados e de alguns dos protagonistas do mundo do espectáculo por forma a atenuar as gritantes assimetrias sociais e, desta forma, contribuir para o aumento do poder de compra das classes mais desfavorecidas e estimular o crescimento económico. Como, com enorme sabedoria, pregava sua Santidade o Papa Paulo VI, sem justiça nunca haverá paz e estabilidade no mundo.
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