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sábado, 11 de outubro de 2014

JORNALISTAS, COMENTADORES E A VERDADE


Transcrição de texto sobre a realidade nacional, acerca da verdade da informação, dos jornalistas e dos comentadores

BISCATES
por Carlos de Matos Gomes 140715

Para que servem as primeiras páginas dos jornais e os grandes casos dos noticiários das TV?

Se pensarmos no que as primeiras páginas e as aberturas dos telejornais nos disseram enquanto decorriam as traficâncias que iriam dar origem aos casos do BPN, do BPP, dos submarinos, das PPP, dos SWAPs, da dívida, e agora do Espírito Santo, é fácil concluir que servem para nos tourear.

Desde 2008 que as primeiras páginas dos Correios das Manhas, os telejornais das Moura Guedes, os comentários dos Medinas Carreiras, dos Gomes Ferreiras, dos Camilos Lourenços, dos assessores do Presidente da República, dos assessores e boys dos gabinetes dos ministros, dos jornalistas de investigação, nos andam a falar de tudo e mais alguma coisa, excepto das grandes vigarices, aquelas que, de facto, colocam em causa o governo das nossas vidas, da nossa sociedade, os nossos empregos, os nossos salários, as nossas pensões, o futuro dos nossos filhos, dos nossos netos. Que me lembre falaram do caso Freeport, do caso do exame de inglês de Sócrates, da casa da mãe do Sócrates, do tio do Sócrates, do primo do Sócrates que foi treinar artes marciais para a China, enfim que o Sócrates se estava a abotoar com umas massas que davam para passar um ano em Paris, mas nem uma página sobre os Espirito Santo! É claro que é importante saber se um primeiro ministro é merecedor de confiança, mas também é, julgo, importante saber se os Donos Disto Tudo o são. E, quanto a estes, nem uma palavra. O máximo que sei é que alguns passam férias na Comporta a brincar aos pobrezinhos. Eu, que sei tudo do Freeport, não sei nada da Rioforte! E esta minha informação, num caso, e falta dela, noutro, não pode ser fruto do acaso. Os directores de informação são responsáveis pela decisão de saber uma e desconhecer outra.

Os jornais, os jornalistas, andaram a tourear o público que compra jornais e que vê telejornais. Em vez de directores de informação e jornalistas, temos novilheiros, bandarilheiros, apoderados, moços de estoques, em vez de notícias temos chicuelinas.

Não tenho nenhuma confiança no espírito de auto critica dos jornalistas que dirigem e condicionam o meu acesso à informação: todos eles aparecerão com uma cara à José Alberto de Carvalho, à Rodrigues dos Santos, à Guedes de Carvalho, à Judite de Sousa (entre tantos outros) a dar as mesmas notícias sobre os gravíssimos casos da sucata, dos apelos ao consenso do venerando chefe de Estado, do desempenho das exportações, dos engarrafamentos do IC 19, das notas a matemática, do roubo das máquinas multibanco, da vinda de um rebenta canelas uzebeque para o ataque do Paiolense de Cima, dos enjoos de uma apresentadeira de TV, das tiradas filosóficas da Teresa Guilherme. Todos continuarão a acenar-me com um pano diante dos olhos para eu não ver o que se passa onde se decide tudo o que me diz respeito.

Tenho a máxima confiança no profissionalismo dos directores de informação, que eles continuarão a fazer o que melhor sabem: tourear-nos. Abanar-nos diante dos olhos uma falsa ameaça para nos fazerem investir contra ela enquanto alguém nos espeta umas farpas no cachaço e os empresários arrecadam o dinheiro do respeitável público.

Não temos comunicação social: temos quadrilhas de toureiros, uns a pé, outros a cavalo.
Uma primeira página de um jornal é, hoje em dia e após o silêncio sobre os Espirito Santo, um passe de peito. Uma segunda página será uma sorte de bandarilhas.
Um editor é um embolador, um tipo que enfia umas peúgas de couro nos cornos do touro para a marrada não doer. Um director de informação é um “inteligente” que dirige uma corrida.

Quando uma estação de televisão convida um Camilo Lourenço, um Proença de Carvalho, um Gomes Ferreira, um João Duque, um Judice, um Marcelo, um Miguel Sousa Tavares, um Angelo Correia, devia anunciá-los como um grupo de forcados: Os Amadores do Espirito Santo, por exemplo. Eles pegam-nos sempre e imobilizam-nos. Caem-nos literalmente em cima.

As primeiras páginas do Correio da Manhã podiam começar por uma introdução diária: Para não falarmos de toiros mansos, os nossos queridos espectadores, nem de toureios manhosos, os nossos queridos comentadores, temos as habituais notícias de José Sócrates, do memorando da troika, da imperiosa necessidade de pagar as nossas dividas.

Todos os programas de comentário político nas TV deviam começar com a música de um passo doble. Ou com a premonitória “Tourada” do Ary dos Santos, cantada pelo Fernando Tordo.

O silêncio que os “negócios “ da família "Dona Disto Tudo" mereceu da comunicação social, tão exigente noutros casos, é um atestado de cumplicidade: uns, os jornalistas venderam-se, outros queriam ser como os Espirito Santo. Em qualquer caso, as redacções dos jornais e das TV estão cheias de Espiritos Santos. Em termos tauromáquicos, na melhor das hipóteses não temos jornalistas, mas moços de estoques. Na pior, temos as redacções cheias de vacas a que se chamam na gíria as “chocas”.

O que o silêncio cúmplice, deliberadamente cúmplice, feito sobre o caso Espirito Santo, o que a técnica do desvio de atenções, já usada por Goebels, o ministro da propaganda de Hitler, revelam é que temos uma comunicação social avacalhada, que não merece nenhuma confiança.

Quando um jornal, uma TV deu uma notícia na primeira página sobre Sócrates( e falo dele porque a comunicação social montou sobre ele um operação de barragem pelo fogo, que na altura justificou com o direito a sabermos o que se passava com quem nos governava e se esqueceu de nos informar sobre quem se governava) ficamos agora a saber que esteve a fazer como o toureiro, a abanar-nos um trapo diante dos olhos para nos enganar com ele e a esconder as suas verdadeiras intenções: dar-nos uma estocada fatal!

Porque será que comentadores e seus patrões, tão lestos a opinar sobre pensões de reforma, TSU, competitividade, despedimentos, aumentos de impostos, gente tão distinta como Miguel Júdice, Proença de Carvalho, Angelo Correia, Soares dos Santos, Ulrich, Maria João Avilez e esposo Vanzeller, não aparecem agora a dar a cara pelos amigos Espirito Santo?

Porque será que os jornais e as televisões não os chamam, agora que acabou o campeonato da bola?

Um grande Olé aos que estão agachados nas trincheiras, atrás dos burladeros!

Carlos de Matos Gomes

Nascido em 24/07/1946, em V. N. da Barquinha. Coronel do Exército (reforma). Cumpriu três comissões na guerra colonial em Angola, Moçambique e Guiné, nas tropas especiais «comandos».

Imagem de arquivo.

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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Nós e as notícias

O meu amigo ALFA ofereceu-me ontem um recorte do semanário SOL com o artigo de José António Saraiva «Nós, os jornalistas» e, muito chocado com as realidades ali descritas, pediu-me opinião.

Embora os leitores deste blogue possam seguir o link do artigo, transcrevo as ideias que considero fundamentais:

« É sabido que nós, os jornalistas, gostamos das más notícias.»

Por isso,
«Há pessoas a dizer que já não ouvem os telejornais e evitam ler jornais. Umas por acharem que somos tendenciosos, outras por já não terem paciência para as notícias negativas ou por entenderem que os noticiários só contribuem para a depressão.»
E explica:
«Nós achamos que as más notícias vendem mais, sobretudo quando as pessoas andam revoltadas com o Governo.»

Nunca fui acomodado, sonolentamente, imbuído de intenções politicamente correctas, antes pelo contrário, se as opiniões de cada um pecam por interesses próprios, então fico-me com a minha, com os seus defeitos certamente, (porque não?), mas tenho direito a beber o meu próprio veneno.

E não me limito a dar opinião ao Amigo ALFA, mas torno-a extensiva a quem me queira ler. Nada daquilo que José António Saraiva aqui escreve me espanta, a não ser a sua frontalidade, a sua coragem, que elogio, de fazer uma auto-análise, um exame de consciência, uma confissão do nosso jornalismo, da Comunicação Social a que estamos sujeitos.

Reforço a minha posição de não dever consumir água inquinada sem a filtrar, ferver, desinfectar, para não ser mais uma vítima de venenos disfarçados. Com a comunicação social deve ser tomado cuidado semelhante, e usar os tópicos e as ideias apenas como estímulo para o nosso próprio raciocínio, que deve ser o mais isento possível, com base em dados anteriormente guardados nos ficheiros da nossa memória. Procuro não aderir, sem protecção, sem análise, às palavras que se ouvem vindas de qualquer dos lados. Por tal razão, não me alarmei com os tópicos para eventuais títulos de abertura de telejornais ou de notícias de primeira página indicados no artigo.

Caro ALFA, o que falta aos críticos sistemáticos, obsessivos, dos actos ou das palavras do Poder é uma atitude patriótica, positiva, construtiva, apresentando sugestões devidamente claras e explicadas, nos seus pressupostos e na previsão de resultados, de forma a contribuir para um futuro melhor para Portugal e para a vida dos portugueses. Isto seria uma correcta aplicação dos fundamentos da democracia, da colaboração de todos e de cada um para o melhor andamento da carruagem em que viajamos juntos.

Este conceito tem sido aqui referido e, quanto aos partidos da oposição, consta, entre outros, no recente post Façam propostas. Ajudem a sair da crise.

Enfim, seria bom que este «mea culpa» de um jornalista muito conceituado servisse para «reformar» ou «refundar» o estilo de fazer jornalismo no nosso pequeno rectângulo, a fim de podermos vir a contemplar belas auroras!!!

Imagem de arquivo

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Será cabala? Com tantos factos!!!

Tal como se cita de Constâncio, também fiquei «surpreendido» com tão grande lista de factos. Os jornalistas podem ser incómodos a quem tem telhados de vidro, mas há quem os saiba domar sem agressividade. Se Cavaco os hostilizou quando era PM, já Mário Soares sempre os acarinhou, lhes deu atenção e até lhes poupava trabalho dando-lhes as notícias em ponto de serem publicadas! Perante tais exemplos, os assessores e conselheiros do PM deverão pensar no alerta contido na última frase do texto do artigo que se transcreve.

Sócrates, o vilão
Correio da Manhã. 03 Fevereiro 2010. Por Domingos Amaral, Director da 'GQ’

Nunca pensei que o primeiro-ministro tivesse tempo para ver telejornais, quanto mais para os odiar e atacar!

Pé ante pé, com passos lentos mas firmes, José Sócrates prossegue a caminho de se tornar no primeiro-ministro mais odiado de sempre pela classe jornalística portuguesa. A lista de episódios já vai longa, e ao que parece não corre qualquer risco de chegar já ao fim. Tudo começou com um célebre congresso do PS, onde TVI e ‘Público’ foram eleitos os inimigos públicos número um do partido e do primeiro-ministro. Depois, na RTP, Sócrates lançou-se numa diatribe contra Manuela Moura Guedes e contra o seu ‘Jornal de Sexta’. Já na altura achei o episódio surrealista.

Alguém imaginaria Obama a vociferar contra um jornalista? Alguém consegue ver Sarkozy nesse papel? Berlusconi, sim, sem dúvida. Putin, obviamente, mas Sócrates?


Nunca pensei que o nosso primeiro-ministro tivesse sequer tempo para ver telejornais, quanto mais para os odiar e atacar! Mas, o erro foi meu. Não contente com essa excitação, Sócrates ganhou alento e prosseguiu. Atacou um cronista do ‘DN’, João Miguel Tavares, por este o ter vagamente comparado a Cicciolina. Depois, marchou alegremente contra José Manuel Fernandes, director do ‘Público’. A seguir, aumentou a pressão contra José Eduardo Moniz, ao fazer no Parlamento considerações nada abonatórias sobre a TVI. Com a tensão eleitoral ao rubro, Portugal inteiro percebeu que o primeiro-ministro queria ver o director-geral da estação fora dali, e depressa.

Infelizmente para nós todos, os jornalistas perderam sempre as guerras com o primeiro-ministro. Manuela foi tirada do ar, sem apelo. Moniz foi substituído na TVI, bem como José Manuel Fernandes, no ‘Público’.

A coisa parecia ter amainado, mas agora a vítima escolhida foi Mário Crespo, contra quem Sócrates parece ter uma embirração especial. Esperemos que o caso fique por aqui, e que a SIC não dobre a espinha ao Governo, mas seja o que for que aconteça nos próximos dias, os danos sobre a imagem de Sócrates já são irreparáveis. O primeiro-ministro será para sempre visto como um homem que aproveita o enorme poder que tem para perseguir quem, na televisão ou nos jornais, o critica. Demonstrando uma total ausência de "fair play", revelando que não consegue passar por cima ou esquecer os excessos ou as meras diatribes de quem não gosta dele, Sócrates parece ter como desporto preferido a tentativa de silenciamento de certas opiniões. E isso revela o quão próximo está de se perder...

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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Como chegámos aqui?

Quatro anos repletos de casos com jornalistas
DN. 090923. por MARINA MARQUES

Episódios como o da suspensão do 'Jornal Nacional de 6.ª Feira' são interpretados como a face visível das pressões do Governo sobre a comunicação social ao longo dos últimos quatro anos. Num mandato marcado pelas polémicas alterações ao Estatuto do Jornalista, pelo falhanço no lançamento do 5.º canal e ainda pelo veto presidencial à lei do pluralismo e da não concentração dos media.

"Em nenhum dos governos do pós-25 de Abril houve uma relação tão acintosa entre um primeiro-ministro e os jornalistas." A afirmação é de Francisco Rui Cádima, professor da Universidade Nova de Lisboa, e junta-se a várias vozes que têm criticado publicamente a actuação deste Governo na área da comunicação social. Num balanço da legislatura, Francisco Pinto Balsemão, presidente da Impresa, falou esta semana em "estratégia [do Executivo] de debilitar e enfraquecer os grupos privados" e classificou Augusto Santos Silva como "o pior ministro que houve desde o 25 de Abril". As alterações ao Estatuto do Jornalista, os poderes concedidos à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), a lei da concentração - vetada por Cavaco Silva - e o concurso do 5.º canal são alguns dos momentos críticos.

A estas questões gerais, juntam--se alguns casos concretos, nomeadamente o chamado caso TVI. José Sócrates, no Congresso do PS, em Espinho, no final de Fevereiro, falou numa campanha negra da comunicação social contra si, dando o exemplo concreto do Jornal Nacional de 6.ª Feira, da TVI, apresentado por Manuela Moura Guedes, ao qual voltou mais tarde na entrevista a Judite Sousa, na RTP. E referiu ainda "um director de um jornal", numa referência ao Público - que neste momento está no centro do mais recente episódio político, o caso das escutas de Belém.

Pelo meio ficou ainda por clarificar o que se passou em relação à compra de 30% da Media Capital, proprietária da TVI, por parte da PT. Se num primeiro momento, perante as acusações da oposição de que o Governo, através da golden share que detém na empresa de telecomunicações, estava a mandar calar o TVI, o primeiro-ministro disse não comentar o negócio privado, no dia seguinte fez saber que o Governo iria utilizar o poder de veto para travar a compra para afastar quaisquer suspeitas.

Só que, pouco mais de dois meses depois, o anúncio da suspensão do Jornal Nacional de 6.ª Feira, a dois dias do seu regresso à antena - uma decisão da administração espanhola da empresa, muito próxima do PSOE -, caiu que nem uma bomba, já em plena pré-campanha. Sócrates apressou-se a dizer que nem ele nem o Governo tinham tido a ver com a decisão, mas não evitou ficar colado ao caso.

Referindo ainda as pressões sobre outros órgãos e sobre os jornalistas, com as alterações aprovadas ao Estatuto do Jornalista, Francisco Rui Cádima considera que "desta legislatura fica um rasto de interferência e ingerência do Governo nos meios de comunicação social". Por isso considera que o Estatuto deveria ser corrigido, nomeadamente quanto aos direitos de autor e à protecção das fontes, e que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social "precisa de uma clarificação em relação aos poderes políticos e aos regulados".

Apesar da reformulação do contrato do serviço público realizado durante esta legislatura, o professor da Universidade Nova de Lisboa considera que "a sua independência face ao poder político ainda não está assegurada". Felisbela Lopes, professora da Universidade do Minho, adianta uma medida em concreto nesse sentido: "A nomeação do presidente do Conselho de Administração da RTP deve deixar de ser feita pelo Governo."

NOTA: Se os jornalistas se podem queixar de hostilidade, convém também recordar como foram tratados, os juízes, professores, médicos, enfermeiros, farmacêuticos, agricultores, PMEs, militares, polícias, etc ? É certo que o Governo prometeu reformas que já deviam ter sido feitas, mas orientou indevidamente a concretização, impondo as reformas contra os funcionários dos sectores em vez de apelar à sua boa vontade e colaboração de forma construtiva. Quis reformar contra e não com a cooperação dos mais interessados. Os portugueses de variados sectores têm sido muito mal tratados em benefício das ambições dos políticos, desde há algumas décadas.

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quarta-feira, 15 de julho de 2009

A comunicação social

Há a história do Rei que mandava matar o mensageiro para eliminar a notícia. Há a frase tapar o o sol com uma peneira e o caso do miúdo que exclamou «o rei vai nu». O jornalista está espelhado nestas imagens. Se diz a verdade que conhece pode ser acusado por incómodo, mas para lançar a boa imagem tipo propaganda é idolatrado, bajulado e muito querido'.
Os maiores escândalos nacionais. Os processos que foram motivo de mais conversas só existiram porque a comunicação social trouxe à luz do dia os respectivos crimes. Por isso, não podem ser ignorados quando se pretende a transparência democrática. Nestas condições, tem aqui lugar o artigo seguinte.

Essa coisa chata chamada comunicação social
DN. 090715. por João Miguel Tavares

Eu, que faço parte dessa terrível agremiação a que se costuma chamar "comunicação social", pergunto-me se haverá algum mal do país do qual esteja inteiramente inocente. Segundo as altas patentes da nação, a resposta é negativa. Fazendo uma breve compilação das suas queixas concluímos que o aumento do crime violento se deve ao excesso de cobertura do crime violento.
Que os sucessivos desastres na justiça se devem à falta de respeito pelo segredo de justiça.
Que os resultados das últimas eleições europeias se deveram à proliferação de sondagens falsas nos jornais e nas televisões.
Que o declínio da popularidade do primeiro-ministro se deve ao Público e à TVI.
Que os casos no futebol se devem ao excesso de programas sobre futebol e de diários desportivos.
E agora - esta confesso que nunca tinha ouvido - parece que os maus resultados nas provas de Matemática se deveram ao facto de a comunicação social ter andado para aí a dizer que os exames eram favas contadas, convidando os alunos portugueses - conhecidos pelo consumo frenético de notícias - a um ócio que se revelou trágico. Pelo andar da carruagem, só falta mesmo Maria de Lurdes Rodrigues vir queixar-se de ter deixado queimar o arroz do jantar de sexta-feira por causa de Manuela Moura Guedes.

Lembram-se daquele desagradável "chega para lá" da ministra da Educação aos jornalistas na noite das eleições europeias, à porta do Hotel Altis? Ele é sintomático da relação atribulada da senhora com a comunicação social, que é transversal a todo o Governo mas particularmente visível no Ministério da Educação. Não se trata aqui de defender a inocência angelical dos jornalistas. Quem já foi alvo de notícias - e eu fui-o recentemente, por causa do processo de José Sócrates - sabe que em metade dos casos há erros, citações enviesadas, imprecisões irritantes. Decerto que um ministro sente isso na pele, e nem sempre será fácil gerir situações que os próprios interpretam como grandes injustiças.

No entanto, eu também fui editor da secção de Sociedade deste jornal durante os primeiros anos do Governo Sócrates, e na altura o ministério de Maria de Lurdes Rodrigues batia todos os recordes de indelicadeza na sua (má) relação com os media. Os jornalistas telefonavam aos assessores de imprensa com as dúvidas mais singelas - da aclaração de um qualquer decreto à tentativa de obter uma reacção - e o que invariavelmente recebiam do outro lado era o silêncio ou a má educação. Ou seja, há ali um evidente problema cultural, uma dificuldade manifesta em lidar com o trabalho dos jornalistas, que me parece indesculpável - para não dizer patológica. É uma pena que não se vendam comprimidos de democracia nas farmácias. Quando as dificuldades apertam, há quem precise mesmo muito de os tomar.

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segunda-feira, 7 de abril de 2008

Indignação da professora Ana Maria Gomes

Sobre os Professores - a Miguel de Sousa Tavares

É do conhecimento público que o senhor Miguel de Sousa Tavares considerou 'os professores os inúteis mais bem pagos deste país.' Espantar-me-ia uma afirmação tão generalista e imoral, não conhecesse já outras afirmações que não diferem muito desta, quer na forma, quer na índole. Não lhe parece que há inúteis, que fazem coisas inúteis e escrevem coisas inúteis, que são pagos a peso de ouro? Não lhe parece que deveria ter dirigido as suas aberrações a gente que, neste deprimente país, tem mais do que uma sinecura e assim enche os bolsos? Não será esse o seu caso? O que escreveu é um atentado à cultura portuguesa, à educação e aos seus intervenientes, alunos e professores. Alunos e professores de ontem e de hoje, porque eu já fui aluna, logo de 'inúteis', como o senhor também terá sido. Ou pensa hoje de forma diferente para estar de acordo com o sistema?

O senhor tem filhos? – a minha ignorância a este respeito deve-se ao facto de não ser muito dada a ler revistas cor-de-rosa. Se os tem, e se estudam, teve, por acaso, a frontalidade de encarar os seus professores e dizer-lhes que 'são os inúteis mais bem pagos do país.'? Não me parece… Estudam os seus filhos em escolas públicas ou privadas? É que a coisa muda de figura! Há escolas privadas onde se pagam substancialmente as notas dos alunos, que os professores 'inúteis' são obrigados a atribuir. A alarvidade que escreveu, além de ser insultuosa, revela muita ignorância em relação à educação e ao ensino. E, quem é ignorante, não deve julgar sem conhecimento de causa. Sei que é escritor, porém nunca li qualquer livro seu, por isso não emito julgamentos sobre aquilo que desconheço. Entende ou quer que a professora explique de novo?

Sou professora de Português com imenso prazer. Oxalá nunca nenhuma das suas obras venha a integrar os programas da disciplina, pois acredito que nenhum dos 'inúteis' a que se referiu a leccionasse com prazer. Com prazer e paixão tenho leccionado, ao longo dos meus vinte e sete anos de serviço, a obra de sua mãe, Sophia de Mello Breyner Andersen, que reverencio. O senhor é a prova inequívoca que nem sempre uma sã e bela árvore dá são e belo fruto. Tenho dificuldade em interiorizar que tenha sido ela quem o ensinou a escrever. A sua ilustre mãe era uma humanista convicta. Que pena não ter interiorizado essa lição! A lição do humanismo que não julga sem provas! Já visitou, por acaso, alguma escola pública? Já se deu ao trabalho de ler, com atenção, o documento sobre a avaliação dos professores? Não, claro que não. É mais cómodo fazer afirmações bombásticas, que agitem, no mau sentido, a opinião pública, para assim se auto-publicitar.

Sei que, num jornal desportivo, escreve, de vez em quando, umas crónicas e que defende muito bem o seu clube. Alguma vez lhe ocorreu, quando o seu clube perde, com clubes da terceira divisão, escrever que 'os jogadores de futebol são os inúteis mais bem pagos do país.'? Alguma vez lhe ocorreu escrever que há dirigentes desportivos que 'são os inúteis' mais protegidos do país? Presumo que não, e não tenho qualquer dúvida de que deve entender mais de futebol do que de Educação. Alguma vez lhe ocorreu escrever que os advogados 'são os inúteis mais bem pagos do país'? Ou os políticos? Não, acredito que não, embora também não tenha dúvidas de que deve estar mais familiarizado com essas áreas. Não tenho nada contra os jogadores de futebol, nada contra os dirigentes desportivos, nada contra os advogados. Porque não são eles que me impedem de exercer, com dignidade, a minha profissão. Tenho sim contra os políticos arrogantes, prepotentes, desumanos e inúteis, que querem fazer da educação o caixote do( falso) sucesso para posterior envio para a Europa e para o mundo. Tenho contra pseudo-jornalistas, como o senhor, que são, juntamente com os políticos, 'os inúteis mais bem pagos do país', que se arvoram em salvadores da pátria, quando o que lhes interessa é o seu próprio umbigo.

Assim sendo, sr. Miguel de Sousa Tavares, informe-se, que a informaçãozinha é bem necessária antes de 'escrevinhar' alarvices sobre quem dá a este país, além de grandes lições nas aulas, a alunos que são a razão de ser do professor, lições de democracia ao país. Mas o senhor não entende! Para si, democracia deve ser estar do lado de quem convém.

Por isso, não posso deixar de lhe transmitir uma mensagem com que termina um texto da sua sábia mãe: 'Perdoai-lhes, Senhor porque eles sabem o que fazem.'

Ana Maria Gomes
Escola Secundária de Barcelos

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Queixa à AACS

Recebi por e-mail e publico por considerar ser oportuna a denúncia da leviandade com que muitos «jornalistas» abordam coisas sérias. E assim vai a Comunicação Social!!!

Esta Queixa refere-se a um artigo publicado no SEMANÁRIO, há mais de três meses mas, não obstante o tempo já decorrido, e após concordância do seu autor, considero importante dar público conhecimento do seu teor, bem como da deliberação sobre ela vertida pela Alta Autoridade para a Comunicação Social:

Rui Manuel Ramalho Ortigão Neves
(morada...)

Assunto:
Queixa
CO5007 – CRAR - 2006-11-08
À Alta Autoridade para a Comunicação Social
Ex.mo Senhor
No passado dia 3 de Novembro de 2006 o semanário com o nome «SEMANÁRIO» publicou em, vulgo, grandes parangonas, e só a elas me referirei, na primeira página, entre as fotografias de dois ministros, uma afirmação que reputo de manifesto mau gosto e não só, como veremos, nos seguintes termos:

«MARINHA PREPARA-SE PARA IR ÀS COMPRAS»
e logo abaixo
«DEPOIS DE COMPRAR DUAS FRAGATAS HOLANDESAS O MINISTÉRIO DA DEFESA PREPARA-SE PARA COMPRAR UM NAVIO LOGÍSTICO MULTIUSOS»

Com idêntico realce na página 4 e depois na 5, o mesmo SEMANÁRIO insiste no topo da página

«MILITARES QUEREM VOLTAR ÀS COMPRAS»

Mais abaixo, depois de tergiversar sobre desentendimentos no seio do Governo reincide
«... E, sem perder tempo, adjudicou duas fragatas aos holandeses e prepara-se para anunciar a compra de um navio logístico de multiusos, algo que ninguém sabe o que é, muito menos sabe para que serve. ...»

Acontece que:
1 – No Ministério da Defesa Nacional certamente há quem saiba o que é e para que serve aquele tipo de navio.
2 – No Estado Maior da Armada, aparentemente quem mais lida com navios militares, seguramente saberão, com ainda maior rigor, o que é e para que serve aquele tipo de navio.
3 – Na internet igualmente se poderia tentar saber o que é e para que serve aquele tipo de navio.
4 – Nos sites das várias Armadas de todo o mundo, também se poderia tentar saber o que é e para que serve aquele tipo de navio.
5 – Nos sites das várias Armadas de todo o mundo, do mesmo modo se poderia saber quem tem aquele tipo navios e, daí, tirar as mínimas ilações.
6 – Tem sido noticiada a visita ao porto de Lisboa de vários navios daquele tipo, uns em visita de rotina mas outros com o expresso e público intento de neles (ou nos seus planos, para construção nos nossos estaleiros) interessarem Portugal, certamente, por, de algum modo, ser entendido que aquele tipo de navio faz falta ao nosso País.

Daqui concluo que o SEMANÁRIO ao afirmar «NINGUÉM SABE» não se sente obrigado a informar com Verdade e, pior, instalado no alto da sua própria incompetência na matéria, olimpicamente ignora o dever de minimamente se informar acerca de «O QUE É» e de «PARA QUE SERVE» para, pelo menos, informar os seus leitores com Objectividade, princípios Deontológicos a que se subordina qualquer tipo de jornalismo credível num Estado de Direito onde, em Democracia, se espera responsável fundamentação da livre Opinião.

Acresce que no seu contexto, as expressões «IR ÀS COMPRAS» repetida, em caixa, na página 5, e «VOLTAR ÀS COMPRAS» ou o «SEM PERDER TEMPO»
e o «PREPARA-SE PARA ANUNCIAR» contém uma inequívoca intenção dolosa porquanto insinua leviandade, oportunismo e descaramento por parte dos responsáveis por um matéria extremamente melindrosa de Defesa Nacional que, mais do que um conhecimento altamente especializado que o SEMANÁRIO nem sequer, ao menos em termos jornalísticos, tentou obter, implica a Vontade Nacional de se assegurar os meios que tornem credíveis a nossa, de todos os Portugueses, determinação em garantirmos a nossa defesa no espaço terrestre, marítimo e aéreo do Estado Português, ou onde houver Comunidades de Portugueses e ainda para a defesa dos interesses comuns às Organizações Internacionais perante quem assumimos partilhar responsabilidades e de quem esperamos toda a solidariedade se nos virmos em situação de insegurança que ultrapasse as nossas próprias capacidades de reacção, prefigurando assim, ao lançar a suspeição entre os cidadãos, um, se não intencional, pelo menos irresponsável e manifesto crime de LESA PÁTRIA.

Assim, sem sequer me debruçar sobre o texto que, em letra miúda, pouco interessará ao grande púbico mas que, entre aspectos legais, por muito pertinentes que sejam e concordo que serão, depois de reconhecer a «criminosa» vetustez dos meios, não se coíbe de rematar com uma, inequivocamente insidiosa, pergunta «Ou será que a Marinha quer ir de novo às compras?»

Espero, por tudo isto, ver exemplarmente punido o referido semanário dentro da lei que a Vossa Excelência compete aplicar e que, face à manifesta desinformação e intoxicação da Opinião Pública, a mínima decência, penso, exige.

Aguardando respeitosamente que seja dado seguimento à queixa contra o SEMANÁRIO que legítima e fundamentadamente, na qualidade de cidadão, submeto à superior apreciação de Vossa Excelência, sou
Atenciosamente,

NOTA: Sem dúvida que a ligeireza, profunda ignorância demonstradas por tantos dos nossos "jornalistas" merecem que para além de atentos, sejamos proactivos utilizando todas as formas que a lei nos faculta para os desmentirmos, para denunciar a sua incompetência, ou má fé, e procurar minorar os efeitos perversos que estão causando na opinião pública. Basta de tanta ignorância, incompetência e, por vezes, má fé.

Para aceder à deliberação da AACS basta seguir este link , http://www.erc.pt/documentos/newsletter/Mar/Deliberacoes4RGI2007.html
e procurar «Deliberação 4-RG-I/2007»

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