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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

NÚMEROS USADOS PARA PROPAGANDA


Acerca da notícia «Número de insolvências desceu pela primeira vez desde o início da crise» parece ser lógico que os cidadãos mais atentos não gostarão de tal propaganda. As empresas mais fracas foram as primeiras a falir. Das restantes, em número mais restrito do que as antes existentes é natural que a intensidade percentual de ocorrências seja menor e incidindo sobre um universo mais limitado.

E, em caso extremo, se a crise continuar, a quantidade de insolvências passará a ser cada vez menor até chegar a zero, depois de falir a última.

É um fenómeno semelhante ao dos óbitos por carência alimentar, por dificuldades de tratamentos de saúde e por suicídio devido a desespero.

Ressalta a lição de que convém não abusar dos números para propagandas ilusórias, porque a credibilidade perderá sustentação.

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terça-feira, 2 de abril de 2013

MOEDAS, ECONOMISTAS E ESTADO SOCIAL


Notícia diz que o secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, se reúne com o economista chefe Pier Carlo Padoan e outros altos responsáveis da OCDE para discutir as reformas sobre as funções sociais do Estado.

Esta notícia conduz a dúvidas e incertezas preocupantes. A economia foi criada para benefício das pessoas, para facilitar a gestão dos seus interesses, como seres vivos, em sociedade. Constitui, por isso, uma actividade que ultrapassa as capacidades dos economistas tradicionais que não resistem à tentação de se escravizarem ao jogo dos números, de modelos matemáticos, sem sensibilidade nem propensão para descer ao campo das realidades onde, por vezes, a aplicação dos cálculos matemáticos, dos modelos sofisticados, produz efeitos dramáticos. A economia é uma ciência demasiado complexa para ser deixada exclusivamente aos economistas.

A austeridade que tem estado a destruir a actividade económica, depois de retirar quanto pôde às famílias, constitui um exemplo muito claro do fracasso dos economistas, que lesaram a economia em benefício de interesses da alta finança.

Se o interesse de Carlos Moedas é realmente obter opiniões, conselhos, e sugestões para a Reforma do Estado Social, não deve deixar de ouvir sociólogos, psicólogos e pessoas generosas com experiência de contactos com cidadãos mais carenciados que procuraram apoiar como, por exemplo, da direcção da Cáritas e os altos elementos da Igreja.

Se olhar apenas para os números e os utilizar nas gélidas calculadoras, corre o risco de aplicar a eutanásia a todos os cidadãos que não trabalham e aí correria o risco de não deixar de olhar para os seus ascendentes, familiares e amigos e pensar na sua própria vida dentro de poucos anos. A dignidade humana deve ser respeitada e, por outro lado, como político que é, não esqueça que a maioria dos votos é proveniente dos não activos, daqueles a quem um seu «brilhante» camarada de partido chamou «peste grisalha». Procure temperar o seu entusiasmo jovem com a maturidade e a experiência amontoada durante muitos anos pelos mais «grisalhos».

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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Números, brinquedos de que os políticos abusam

Transcrição de texto recebido por e-mail, sem identificação de autor nem da origem, mas que evidencia o à vontade com que os políticos usam e abusam dos números desde as estatísticas até aos lugares na fila de espera para os cargos desejáveis.

E querem que votem neles!...

Na negociação com António Costa, Helena Roseta conquistou o segundo lugar na lista para a Câmara de Lisboa.

Mas logo António Costa veio desfazer a conquista, afirmando que o número dois da lista não seria o número dois na Câmara, já que o número dois na Câmara seria o Arquitecto Manuel Salgado.

Todavia, o arquitecto Manuel Salgado, que não é número dois na lista, mas é o número dois na Câmara, nunca será o número um da Câmara, se António Costa bater a asa para outras paragens. Aí, o número um da Câmara, disse-o Costa, será um socialista de cartão, que não será nem o número um, nem o número dois da lista.

Portanto, temos um candidato em segundo, mas que nunca será segundo, nem sabemos se será quarto, sexto ou décimo, e temos um segundo que nunca poderá chegar a primeiro. E podemos ter um primeiro, que nem é segundo ou terceiro.

Nestes jogos florentinos, pedem o voto dos cidadãos, dizendo que querem servir Lisboa, mas vão-se servindo a si próprios. Como podem gerir Lisboa, se nem uma lista escorreita conseguem apresentar?

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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Pela minha saúde...!

Os últimos dois dias, por via das notícias dos jornais e televisões, foram vividos em constante perplexidade. A actividade da ministra da saúde tinha-me deixado indiferente, até agora, e não fora o ar sorridente com que enfrenta as câmaras, feito da convicção, que tem, coitada, de que os jornalistas fazem perguntas disparatadas às quais só um sorriso divertido e trocista responde, não gastaria o meu tempo a ouvi-la e, muito menos, a vê-la.

Só que a discussão do orçamento tem-me colocado mais vezes à frente das televisões e quis o acaso que tivesse tropeçado - passe a imagem - na inefável senhora e no seu ainda mais inefável secretário de Estado. E então, pasmei!

O quadro era, na comissão parlamentar respectiva, a discussão na especialidade daquele documento (cuja entrega no Parlamento se rodeou de episódios ridículos!) e a curiosidade dos deputados ia para o conhecimento, que se achava determinante, das dívidas do Serviço Nacional de Saúde... Coisa simples, já que os senhores deputados também gostam de saber coisas!

Pois bem, a ministra, com o ar paternalista, bem humorado (à vista, pelo menos!), que usa com os jornalistas (eu se fosse deputado era capaz de afinar!) e que, se calhar, lhe ficou do exercício da sua especialidade de pediatra, disse: “Não sei." E disse ainda: "O sr. secretário de Estado poderá responder melhor do que eu, porque tem estado a acompanhar de perto."

Mereceu toda a minha compreensão a senhora ministra! Isto de fazer contas é tarefa subalterna e a sua especialidade é o estetoscópio!

E o secretário de Estado, que acompanha o assunto de perto (palavra de ministra!), adiantou, agora com ar sério (sorri a ministra e chega!) que a dívida dos hospitais é de mil milhões e quanto ao restante “... bom, é só fazer as contas", parafraseando uma célebre frase, como frisou! (acho que até os srs deputados perceberam a quem ele ... parafraseava!)

Note-se outra vez: discutia-se o orçamento do Estado! Pois bem, de uma das suas rubricas importantes, as dívidas do SNS, a ministra nada sabia – isso era com o secretário de Estado! -, que mandou os deputados fazerem as contas! E estes não gostam que lhe mandem fazer coisas!

E ficaram os eleitos na ignorância! E os eleitores? Bem, estes apenas servem para contribuir para o despesismo do Estado e para garantir o lugarzinho do seu eleito! Não chega?

Pois bem! Ainda não tinha recuperado da minha perplexidade, e eis que “tropeço” outra vez com a ministra da saúde, já fora do hemiciclo e rodeada de jornalistas, uns teimosos!

Ainda lá dentro, uma deputada quis ouvir explicações sobre o INEM e Saúde24 e atreveu-se a perguntar-lhe se “dorme descansada”. Não apanhei, por inteiro, as respostas, mas ficou-me, isso sim, a garantia de que as “chamadas não atendidas no INEM estão próximas dos 5% tidos como seguros”.

Os jornalistas insistem, impertinentes!

A ministra debita outra vez, com o tal sorriso, a estatística!

Isto é, 5 desgraçados, em 100, mesmo não atendidos pelo INEM, são tidos “como seguros” e, portanto, se forem “desta p’ra melhor”, apenas são um número estatístico!

Ministra disse!
Ferreira Pinto

NOTA: Recebido do autor, por e-mail. Admiro o estilo queirosiano, a ironia bem domesticada, o estilo gramaticalmente correcto, os verbos a condizer com o resto da frase, evidenciando que pertence a uma geração em que nas escolas se aprendia, além do mais, português. Mas, para lá do estilo literário, há a perspicácia da observação, a tónica colocada no lugar certo. Registo o «sorriso divertido e trocista» e terei presente essa alta qualidade para o momento de votar na «lady Europa» ou «lady mundo». Como os portugueses se devem sentir felizes por terem carinhas bonitas deste género no Governo. Que Deus lhes proteja a beleza!

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terça-feira, 30 de outubro de 2007

A matemática, amada e odiada

Existe uma difícil convivência entre os estudantes portugueses e a matemática. Mas, incompreensível contradição, os números são adorados por jornalistas, economistas, gestores e políticos. Citar uma estatística dá-lhes um prazer celestial, embora muitas vezes o façam de forma sinistra e tendenciosa.

Porém, os números acabam por desmascarar as baixíssimas médias nos exames escolares e enfatizar as péssimas classificações nas comparações internacionais. Para corrigir tal realidade, os dirigentes usam de sagacidade saloia e, a fim de reduzir o número do insucesso, usam a habilidade «milagrosa» de fazer exames mais fáceis. É um autêntico ovo de Colombo pois, em vez da catástrofe real, o resultado passa a ser uma maravilha, permitindo o acesso ao ensino superior, preenchendo todas as vagas dos cursos das áreas tecnológicas, que exigiam positiva a matemática. Mas disto resulta uma cadeia de efeitos inerentes citados por Alberto Castro no JN.

O resultados melhoram visivelmente, mas sem corresponderem a melhoria da preparação. Por este caminho, poderemos passar a ter uma sociedade de grande percentagem de diplomados, que não passam, na maioria dos casos, de analfabetos camuflados. Dizia um observador que, antes, um aluno iniciava o ano chumbado e tinha que se esforçar para passar, agora inicia o ano passado e o professor tem de se esforçar para o chumbar. Com tais critérios, parece que basta nascer para chegar a doutor e, mesmo que não queira ir tão longe, terá dificuldade, porque nem deixando de estudar, nem deixando de ir às aulas, o ajudam a desistir desse imperativo que lhe é imposto.

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