Respeito pelo dinheiro público. E por cá?
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
ROTINA DE UM JUIZ SUECO DO SUPREMO TRIBUNAL
Posted by
A. João Soares
at
10:48
1 comments
Links to this post
Labels: abusos, Corrupção, dinheiro público, ostentação
segunda-feira, 30 de junho de 2014
PARA QUE SERVE A AUSTERIDADE IMPOSTA À MAIORIA DOS PORTUGUESES???
Transcrição.seguida de nota e de fotografias
Mulher de governante em carro do Estado
DN. 8 junho 2014
Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional tem disponibilizado carros oficiais, com motorista, para deslocações pessoais da sua companheira.
"O secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Manuel Castro Almeida, tem disponibilizado os carros oficiais, com motorista, para a companheira se deslocar entre a casa, no Murtal, Parede, e a outra habitação em São João da Madeira", escreve o Correio da Manhã na edição de hoje.
O jornal refere que "Cristina Franco chega a viajar sozinha no carro - às vezes num Audi, outras vezes num Mercedes - conduzida pelo motorista do Estado que até a ajuda a carregar as malas".
Trata-se de uma "viagem de mais de 300 quilómetros, que ultrapassa as três horas. Segundo o guia Via Michelin, esta deslocação tem um custo de 82,09 euros em portagens e combustível. E uma vez que o motorista volta com o carro para Lisboa e vai novamente, no domingo, para São João da Madeira e regressa no mesmo dia, estamos a falar de quatro viagens, o que dá um custo total de 328,36 euros por fim de semana", lê-se na notícia.

NOTA
Ao contrário deste abuso dos carros, que parece existirem em excesso nos gabinetes do Governo, o que em nada se coaduna com a crise em que nos obrigam a viver e com a austeridade que nos vem sendo imposta desde há mais de três anos e que ameaça continuar por prazo não definido, na Grã-Bretanha e na Holanda vivem com mais comedimento e menos ostentação, e os PM deslocam-se, o primeiro no Metropolitano e o segundo na sua bicicleta, como se vê nas imagens.
Afinal quem são os países ricos e quem são os que fazem economias no seu quotidiano e dispensam a ostentação? Qual é a lógica da austeridade que tem sido imposta à maioria dos portugueses?
Significativamente, o PM consentiu tal abuso, permitindo a repetição de casos semelhantes por familiares e, depois, por amigos, cúmplices e coniventes ligados por empatias como a referida por Barreto Xavier.
Posted by
A. João Soares
at
19:35
0
comments
Links to this post
Labels: abusos, austeridade, despesismo, ostentação
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
PM RESPEITA DINHEIRO DO CONTRIBUINTE 2
Primeiro-ministro Britânico dirige-se para o seu local de trabalho de metropolita de pé por não haver lugar e, aparentemente, sem um batalhão de guarda-costas. Um bom exemplo. Faz recordar o nosso primeiro PR Dr. Manual de Arriaga que viajava no transporte público, o «carro do chora», como era denominado o antecessor do carro eléctrico em Lisboa.
E AGORA ????
Posted by
A. João Soares
at
17:33
0
comments
Links to this post
Labels: arrogância, despesas, ostentação, políticos
PM RESPEITA DINHEIRO DO CONTRIBUINTE 1
Primeiro-ministro Holandês dirige-se para o seu local de trabalho em bicicleta e, aparentemente, sem um batalhão de guarda-costas. Um bom exemplo. Faz recordar o primeiro PR Dr. Manual de Arriaga que viajava no transporte público, o «carro do chora», como era denominado o antecessor do carro eléctrico em Lisboa.
E AGORA ????
Posted by
A. João Soares
at
16:39
0
comments
Links to this post
Labels: arrogância, despesas, ostentação, políticos
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
JÁ TENS UM «SMARTPHONE NOVO ???
Notícia do Jornal de Negócios diz que «Mercado de “smartphones” cresce 74% no semestre», o que levanta sérias dúvidas sobre a capacidade da generalidade dos portugueses para gerir racionalmente a sua vida.
A crise não gerou tendências de amadurecimento da forma de encarar o consumismo e a prevalência da ostentação, do apego a coisas superficiais, marginais, não essenciais.
Não é visível a ideia de estabelecer prioridades na vida privada e, por consequência, também é duvidoso que nas vidas profissionais as coisas tenham melhorado.
Imagem do Google
Posted by
A. João Soares
at
11:30
1 comments
Links to this post
Labels: consumismo, gerir, ostentação, prioridade, smartphone
quinta-feira, 6 de junho de 2013
O BOM LÍDER NÃO É ARROGANTE NEM VAIDOSO
Transcrição de post do Blog Sempre Jovens, publicado por Celle:
Coisas do Papa Francisco! "E tu, irias sentar-te na cadeira de trás?"
Uma das últimas cadeiras da igreja é ocupada pelo Papa.
É o que se vê na foto.
Ele está a celebrar uma Missa muito peculiar: os convidados são os jardineiros e o pessoal de limpeza do Vaticano. Num momento da celebração o Papa pede a todos que orem em silêncio, cada um pelo que o seu coração deseja. Nesse instante, ele levanta-se da sua cadeira presidencial que está na frente e vai sentar-se numa das últimas cadeiras para fazer a sua própria oração. Dá a impressão de que este chefe preferiu que todos se centrem em ver de frente a verdadeira razão da sua existência, esse Cristo crucificado que está ali presente e não em que o vejam a ele, o seu chefe, que não é mais que um homem que falhou e continuará a falhar, e a quem hoje todos chamamos o Papa Francisco.
A famosa diferença entre chefe e líder é absoluta nesta foto. O chefe sempre se emproa, pondo-se à frente para que todos o vejam e lhe obedeçam, enquanto que o líder sabe quando se deve sentar atrás, não incomoda, acompanha, facilita o caminho para que os outros consigam os seus propósitos; o líder é capaz de desaparecer no momento oportuno, para que os seus companheiros cresçam e se centrem no que é verdadeiramente importante. O líder não teme perder o seu lugar, porque sabe que, muito para além do “seu lugar”, trata-se de ajudar aqueles que se encontrem no seu caminho.
Na foto, o admirável Francisco está de costas. Ele sabe que muitos o queriam ver de frente, mas neste instante tão íntimo, ele prefere ficar de costas para os fotógrafos e dar a cara a esse Deus de todos, Amor para o jardineiro e Amor para o Papa, esse Deus que não diferencia o abraço nem dá mais por um ou por outro, ambos são pecadores e ambos precisam d’Ele.
Quantos chefes terão a capacidade de ir sentar-se naquela cadeira de trás? Quando é que mães e pais teremos que “celebrar” essa cerimónia chamada vida com os nossos filhos, e num momento oportuno sermos capazes de nos sentarmos atrás, para que eles fiquem de frente para a sua missão? Quantos poderemos voltar as costas aos aplausos, à barafunda dos “clicks”, aos elogios, para dar a cara, num momento íntimo, a essa oração profunda que torna o nosso coração despido de orgulho, a um Deus que deseja com fervor escutar-nos?
O Papa ficou-me gravado nesta foto, e eu espero que hoje esta injeção sirva para me situar no resto da minha vida...
NOTA: Sua Santidade, com este exemplo de humidade, ensinou que devemos ser para os outros tal como desejamos que eles sejam para nós. Há diferença entrem o SER e o TER. Francisco, nesta atitude mostrou que deve considerar-se irmão dos irmãos, aconselhar como se devem concentrar na reflexão sobre as suas faltas por pensamentos, acções e omissões. Deu o exemplo, ao concentrar-se na sua reflexão, de que o seu Ser deve sobrepor-se à ostentação do cargo que tem, e que acha que não deve ser utilizado como imagem de poder, mas de líder, de condutor de pessoas para o caminho do Bem.
Um bom líder não sente necessidade de ser arrogante, vaidoso ou autoritário, porque sabe captar as simpatias da sua equipa, para seguir as melhores estratégias a caminho do objectivo seleccionado.
Imagem de arquivo
Posted by
A. João Soares
at
08:09
1 comments
Links to this post
Labels: arrogância, autoritarismo, humildade, líder, ostentação, Papa Francisco, simpatia, vaidade
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Evitar o desperdício
Isabel Jonet aconselhou que devemos controlar o consumo e evitar coisas dispensáveis para vivermos dentro das possibilidades reais. O despesismo, a ostentação e o desperdício, não são boas ferramentas para se recuperar o atraso do desenvolvimento.
Em consonância com tais conselhos foi publicado por Celle no Sempre Jovens um texto de autoria atribuída a Eduardo Galeano, jornalista uruguaio, escritor de "As veias abertas da América Latina".
Trata-se de um texto que, apesar de extenso, merece ser bem analisado e meditado. Aprecia muito bem a diferença entre o ontem e o hoje vivendo-se agora uma adoração das coisas, de preferência novas e inovadoras para ostentar poder de compra e importância pessoal, obesidade do ego, da auto-estima num mundo demasiado industrializado em que todos somos escravos da máquina produtora. Somos assediados, induzidos e quase obrigados a descartar coisas ainda úteis e em bom estado de funcionamento, a adquirir e a mostrar coisas novas e de última moda para que as indústrias não parem. Delapida-se a natureza e, em troca, enche-se a mesma de lixo. Somos levados a concordar com o autor, e a reagir e abandonar, na medida do possível, a sociedade do desperdício. Eis a transcrição do texto:
CAÍ DO MUNDO E NÃO SEI VOLTAR
O que acontece comigo, que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte, só porque alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco?
Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos no varal junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujas.
E eles, nossos nenês, apenas cresceram, tiveram seus próprios filhos e se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Entregaram-se, inescrupulosamente, às descartáveis!
Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.
Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum momento, eu me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta.
O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os instrumentos musicais uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.
Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez.
Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!
É mais! Compravam-se para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.
E acontece que em nosso, nem tão longo casamento, tivemos mais cozinhas do que as que haviam em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes.
Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar.
Nada se arruma, não se conserta. O obsoleto é de fábrica. Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos ténis Nike? Alguém viu algum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas eléctricas: o afiador ou o electricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os seleiros?
Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.
Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de ... anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos carros e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava.
Desse tempo venho eu. E não que tenha sido melhor... É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com "guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já tem um novo modelo".
Troca-se de carro a cada 3 anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado... E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas... por amor de Deus! Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.
E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher, a mesma e o mesmo nome? Educaram-me para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Porque, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir.
Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (por que éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocó.
Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular poucos meses depois de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?
Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres. A terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres.
E guardávamos... Como guardávamos!! Tuuuudo!!! Guardávamos as tampinhas dos refrigerantes!!! Como, para quê? Fazíamos capachos, colocávamos diante da porta para tirar o barro dos sapatos. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.
Tuuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar isqueiros descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para isqueiros descartáveis. E as Gillette até partidas ao meio se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de fiambre, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.
E as pilhas! As pilhas dos primeiros radiozinhos de transiístores passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim.
As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.
Os jornais!!! Serviam para tudo: como de forro para as botas de borracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisas para enrolar. Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um embrulho de bananas. E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Cosmopolita era a marca de um fogão que funcionava com gás) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia "esta é um 4 de paus".
As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.
Eu sei o que nos acontecia: custava-nos muito declarar a morte de nossos objectos. Assim como hoje as novas gerações decidem matá-los tão-logo aparentem deixar e ser úteis. Aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!d
E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em base, nos disseram: comam o sorvete e depois joguem o copinho fora! E nós dizíamos que sim, mas, imagina que a lançávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as rolhas de cortiça esperavam encontrar-se com uma garrafa.
E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!! Morro por dizer que hoje não só os electrodomésticos são descartáveis; também o casamento e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objectos com pessoas.
Mordo-me para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória colectiva que se vai descartando, do passado efémero. Não vou fazer! Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno. Não vou dizer que aos velhos se declara a morte quando apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com gel no cabelo e glamour.
Esta só é uma crónica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à bruxa, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilómetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar neste mundo da reposição e corro o risco de que a bruxa me ganhe a mão e seja eu o entregue...
Autoria atribuída a Eduardo Galeano, jornalista uruguaio, escritor de "As veias abertas da América Latina"
Imagem do Sempre Jovens
Posted by
A. João Soares
at
21:34
7
comments
Links to this post
Labels: consumismo, desperdício, despesismo, ostentação
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Bullying no POLVO ???
O Ministério das Finanças impediu Justiça de comprar carros usados quando o secretário de Estado da Administração Patrimonial da Justiça, Fernando Santo, pretendia comprar viaturas com menos de quatro anos e número reduzido de quilómetros, para renovar 10% da frota e esbarrou com o parecer negativo da ANCP, entretanto fundida num novo organismo, a Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública.
Esta posição por parte das Finanças é lógica!!! A Justiça iria dar um exemplo que os governantes e outros utilizadores de carros de alto preço e último modelo não estão interessados a seguir. Seria um termo de comparação desagradável para os outros membros do POLVO. O fenómeno não é novo e tem sido muito falado a propósito da intimidação e ameaça nas escolas (bullying) aos melhores alunos, por «estarem a prejudicar a turma» com o «péssimo exemplo» que dão, deixando os colegas em má posição em qualquer comparação.
Se a argumentação das Finanças assenta no valor das despesas de manutenção, pergunta-se porque não impõem à Justiça a compra de carros novos de menor cilindrada e preço, para não ultrapassar o total que querem gastar? É certo que aí também não caem por não se sintonizar com o bullying que estão a impor dentro do polvo.
Parece confirmar-se o que tem sido dito: a crise desenvolveu-se porque o Polvo vive acima das nossas possibilidades.
Imagem de arquivo
Posted by
A. João Soares
at
10:20
0
comments
Links to this post
Labels: despesas, ostentação, sentido de Estado
sábado, 10 de novembro de 2012
Isabel Jonet. As palavras e os actos
Transcrição (seguida de NOTA) de artigo de igual título publicado no Expresso e- 9-11-2012, por Henrique Monteiro:
A presidente do Banco Alimentar deu umas opiniões, anteontem à noite, na SIC Notícias. Ontem, durante todo o dia, foi simbolicamente queimada na fogueira das redes sociais; hoje segue o auto-de-fé em alguns jornais. Salvo algumas boas almas (de esquerda e de direita) que a tentaram compreender, o veredicto foi unânime: ela disse o que não se pode dizer.
Na sociedade actual, como no tempo da Inquisição, todos temos de andar com um credo na boca. Tal como o credo católico, também este se baseia em crenças e não em factos!
E o que disse Isabel Jonet? Enfim, disse o que pensa e isso hoje pode ser quase um crime.
Tanto bastou para os arautos do politicamente correcto se porem em acção. Uns escreveram que não dão nem mais um quilo de arroz enquanto ela for presidente do Banco Alimentar; outros exigiram a sua demissão (da instituição privada que ela dirige há anos); uma série deles acusou-a de insultar os pobres (embora os próprios não sejam pobres sabem quando os pobres se sentem insultados) e um movimento ameaça-a de não sei o quê.
A obra de Isabel Jonet fala por si. Mas há uma certa categoria de gente para quem o importante são palavras. Para quem os pobres não são pessoas reais, com qualidades e defeitos, mas categorias político-filosóficas abstractas. Claro que nenhum daqueles que critica violentamente Isabel Jonet terá feito um centésimo do que ela fez no combate à pobreza e à fome em concreto. Mas a pessoas assim não interessam obras nem actos concretos. Apenas ideias e palavras.
E vivem iludidos com palavras a vida toda.
NOTA:
No primeiro contacto com as referidas palavras de Isabel Jonet, a quem os pobres de Portugal muito devem, interpretei a sua mensagem como um apelo à necessidade de mentalizar as pessoas para a boa gestão dos seus recursos, que é preciso que desçam da fantasia e caiam na realidade, deixem as nuvens e coloquem os pés no chão.
As palavras foram proferidas de improviso sob a pressão da apresentadora do programa e não saíram com a perfeição adequada, mas o empobrecimento que refere será a descida á realidade daqueles que vivem obcecados com as aparências, com o «faz-de-conta», o exibicionismo de riqueza muitas vezes inexistente, a vaidade, a ostentação do telemóvel, ipad, ipod, etc do último modelo, em detrimento do essencial, do seu valor intrínseco, da comodidade e do agrado da vida.
O mal podia ser remediado com melhores exemplos dos eleitos. Não seria necessário chegar ao ponto de ir de bicicleta para o gabinete de trabalho, mas também não é necessário usar um carro de topo de gama, pois um utilitário dos mais baratos não reduz a competência, a capacidade de tomar boas decisões, a eficácia dos despachos. Por isso, concordo com o artigo de Henrique Monteiro e lamento as palavras injustas daqueles que vivem de ilusões e não descem abaixo da superfície de uma notícia, ficam pela casca e não saboreiam o sabor da fruta.
Imagem de arquivo
Posted by
A. João Soares
at
10:24
2
comments
Links to this post
Labels: austeridade, crise, despesas, exibicionismo, ostentação, vaidade
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Imposto extraordinário e justiça social
O anunciado «imposto extraordinário» que consiste no corte dos subsídios de Natal, também conhecido por 13º mês, acompanhado de uma tabela das percentagem aplicáveis aos diversos níveis de salário, tem sido alvo de críticas, porque onera mais a classe média do que a classe alta.
Efectivamente, não é justo que em proporção sejam os mais pobres a pagar a crise: Vejamos quais os valores do subsídio de Natal a receber, nos diversos níveis de salários:
Quem ganha 2000 recebe 1242
Quem ganha 3000 recebe 1742
Quem ganha 5000 recebe 2742
Quem ganha 10000 recebe 5242
Assim se aumenta o fosso entre ricos e pobres
Para haver a justiça social de que tanto se fala, parece que seria mais adequado, por exemplo, que até aos 2.000 de salário recebessem o total do salário mensal, que acima desse patamar e até aos 5.000 recebessem o mesmo (2.000) e que, daí para cima, não recebessem nada, o que pouca diferença faria no seu nível de vida.
Bem sabemos que será necessária muita coragem ao Governo para enfrentar os mais poderosos. Mas é nestas situações que se mostra a autoridade moral !!! Mas não seria impossível adoptar uma solução baseada nesta sugestão pois até o Líder dos empresários apoia imposto e diz que consumo no Natal "é um disparate". Realmente, em época de crise, seria sensato afrouxar a ânsia de consumismo e de ostentação em dissonância com a realidade actual.
Imagem da NET
Posted by
A. João Soares
at
19:11
0
comments
Links to this post
Labels: consumismo, justiça social, ostentação
segunda-feira, 21 de março de 2011
Gestores e ostentação
Transcrevo o seguinte artigo, publicado em 02-07-2010 por José Pires no blogue «Pela dignidade e valores do ser humano» e que vinha referido num e-mail de pessoa que muito considero.
A fuga das galinhas
Um gestor vale mais do que quem salva-vidas e cria (vários tipos) de riqueza como um médico ou um cientista?
Qual é o dom especial que possuem para que ganhem muito mais que todos os outros? Não se sabe.
Mas essa ignorância não altera os rendimentos.
Mesmo que os resultados empresariais derivem de uma extensa cadeia.
Mesmo que todas as empresas devam ter um papel social. Pois é.
Os nossos trabalhadores são dos mais mal pagos da Europa, mas os gestores são dos mais bem pagos.
Um gestor alemão recebe dez vezes mais que o trabalhador com o salário mais baixo na sua empresa. O britânico 14. O português 32 vezes mais !!!
Mas, segundo um estudo da Mckinsey, Portugal tem dos piores gestores. Logo, quando se fala em reduzir direitos e salários, a quem nos devemos referir? Lógico? Não.
Dizem que os bons gestores escasseiam e é necessário recompensá-los. Senão, fogem do país. Ok.
Então, é simples. Se são assim tão poucos, ide. Não serão significativos na crescente percentagem de fuga dos cérebros que estavam desempregados/explorados. Depois, contratem-se gestores alemães ou ingleses.
Por lá, não rareia tanto a qualidade. Estão habituados a discutir não só ordenados mínimos como ordenados máximos.
E... sempre são mais baratinhos.
Joana Amaral Dias, Docente Universitária
Comentário da remetente do e-mail:
Realmente, este é um país de parolos em que parece que "ser bom" se traduz no tamanho e cilindrada do carro usado e dos fatinhos e gravatinhas ou dos tailleurs e saltos altos...
Triste realidade quando comparada com a de outros países (que conheço, vi, ninguém me contou) em que os melhores se deslocam de transportes públicos, de bicicleta ou a pé para os seus postos de trabalho, com roupas práticas - de quem vai trabalhar.
Enquanto as mentalidades não mudarem - que é sempre o que mais demora - nada feito...
Ser em vez de ter - ou de parecer - seria o mote.
Pode ser que um dia...
J.
NOTA: Há dias passou por mim um «Maserati» de matrícula recente. O trânsito estava lento e o condutor procurava dar nas vistas, ou nos ouvidos, acelerando o motor que tem um trabalhar com som característico. Fiquei a pensar que podia tratar-se de um traficante de droga, ou um gestor público colocado nas funções por ter sido político, um daqueles «provincianos deslumbrados de que muito se tem falado nos jornais e e-mails. Neste país de parolos como a J. diz, faz-se mais uso do ter do que do ser. E os exemplos vêm de cima, daqueles que, dessa forma, procuram ocultar a sua vacuidade cerebral.
Imagem da Net
Posted by
A. João Soares
at
09:29
0
comments
Links to this post
Labels: injustiça social, ostentação
terça-feira, 19 de outubro de 2010
«Boys», ostentação, despesas
Transcrição de um caso credível recebido por e-mail. Deve haver muitos casos como este, pois pelos vistos há cerca de 30.000 carros e milhares de «boys».
Ele é vogal de uma dessas entidades reguladoras portuguesas - insisto, não é ministro de país rico, é um vogal de entidade reguladora de país pobre - e foi de Lisboa ao Porto a uma reunião.
Foi de avião, o que nem me parece um exagero, embora seja pago pelos meus impostos.
Se ele tem uma função pública é bom que gaste o que é eficaz para a exercer bem: ir de avião é rápido e pode ser económico. Chegado ao Aeroporto de Sá Carneiro, o homem telefonou: "Onde está, sr. Martins?" O Martins é o motorista, saiu mais cedo de Lisboa para estar a horas em Pedras Rubras.
O vogal da entidade reguladora não suporta a auto-estrada A1.
O Martins foi levar o senhor doutor à reunião, esperou por ele, levou-o às compras porque a Baixa portuense é complicada, e foi depositá-lo de volta a Pedras Rubras.
O Martins e o nosso carro regressaram pela auto-estrada a Lisboa. O vogal fez contas pelo relógio e concluiu que o Martins não estaria a tempo na Portela.
Encolheu os ombros e regressou a casa de táxi, o que também detestava, mas há dias em que se tem de fazer sacrifícios.
Na sua crónica nesta edição do DN, o meu camarada Jorge Fiel diz que o Estado tem 28 793 automóveis.
Nunca perceberei por que razão os políticos não sabem apresentar medidas duras. Sócrates, ontem, ter-me-ia convencido se tivesse também anunciado que o Estado passou a ter 28 792 automóveis.
Imagem da Net
Posted by
A. João Soares
at
07:17
0
comments
Links to this post
Labels: boys, despesas, ostentação
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Elogio da simplicidade
A felicidade não é prémio para um esforço, um sacrifício, permanente. Não se consegue com o sofrimento voluntário e masoquista em prejuízo do momento presente. Pelo contrário, é o cabal aproveitamento do «agora». É muitas vezes companheira da carência de bens materiais, da simplicidade de vida, em que se dá valor a pequenas maravilhas da natureza, das ideias, do pensamento positivo, e daquilo que se aprende com a experiência e com os contactos com os outros.
Os exemplos disto aparecem a cada momento, assim estejamos sintonizados para os recebermos e descodificarmos. Há dias surgiu o post «Vida de executiva de sucesso» que colocava em evidência o stress e a vida infernal de uma executiva de sucesso. Antes tinha sido aqui publicado o post «Dinheiro não dá felicidade» com referência ao artigo «Mark Boyle: Há um ano sem dinheiro» e, há mais tempo, os dois posts «Quem sou?» e «Um dia como os outros», todos evidenciando a beleza da vida simples sem consumismo nem ostentação, em permanente aprendizagem dos reais valores da vida.
Hoje surge o artigo do jornal de notícias que se transcreve para que os leitores o possam apreciar aqui sempre que desejarem
Nómadas modernos
Jornal de Notícias 09-04-2010. Por Glória Lopes
A história de... Boss, Kaz e Cherry
Família inglesa vendeu casa e carro e anda num autocarro a percorrer a Europa
Há quem lhes diga que são loucos e os olhe de lado, mas Boss (Jim), Kaz e Cherry, um casal de ingleses e a filha, vêem-se como "os nómadas dos tempos modernos" e consideram que trocar uma habitação de cimento, em Inglaterra, por um lar num autocarro transformado em casa que permite viajar por toda a Europa, é uma forma romântica de encarar a vida.
Em 2008, a família deixou tudo para trás em Norwich (Inglaterra). Vendeu casa e carro e, na companhia de dois cães, mais três que recolheram pelo caminho, fizeram-se à estrada para "uma jornada guiados pelos poder do sol e do biodisel" na Boudicca, o nome da casa/autocarro, através do qual prestam homenagem à antiga rainha celta da Vitória que viveu em Norfolk, contaram, ao "Jornal de Notícias", em pleno parque de estacionamento de um supermercado, em Bragança, onde foram fazer compras, pois os nómadas também comem, mesmo que vivam sob o poder e a influência da natureza.
Ex-bancária e ex-motorista
Kaz trabalhava num banco, Boss era motorista de pesados, Cherry, a filha, era estudante, mas estavam insatisfeitos com a vida de todos os dias. A morte da mãe de Kaz levou-os a tomar a decisão de embarcar nesta aventura sobre rodas. "Era agora ou nunca. Precisávamos de partir e o tempo estava a passar. Tomámos a decisão. Optámos pelo autocarro porque, como é grande, serve de casa, temos tudo, até um duche e máquina de lavar", contou Kaz.
Esta exploração por terras europeias já os levou à Republica Checa, nomeadamente a Praga, à Transilvânia e a várias cidades de Espanha. Há mais de um mês que estão em Portugal e garantem que estão a adorar. "O clima é ameno, até é quente se comparado com o de Inglaterra, as pessoas são muito simpáticas", acrescentou.
Para já estão estacionados em Rabal, uma aldeia do Parque de Montesinho, e estão a considerar ficar por lá uns tempos. "Temos sido muito bem tratados pelos habitantes", justificou. Não é uma paragem para sempre, porque a seguir vão para a Roménia e a Bulgária.
A filha não vai à escola, mas tem lições dadas pelos pais: "É uma forma de aprender mais enriquecedora porque viaja e tem muitas experiências, conhece pessoas e aprende línguas", disse, ainda, o patriarca.
Posted by
A. João Soares
at
11:05
0
comments
Links to this post
Labels: consumismo, ostentação, simplicidade
sábado, 6 de março de 2010
Dispensar excessos, consumismo e ostentação
Transcrição de artigo seguida de uma pequena nota final
O dispensável
Correio da Manhã, 05 Março 2010. Por D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa
Há palavras ou versos que nos rasgam a mente, abrem os olhos e nos deixam a pensar. Dei estes dias de retiro quaresmal com um verso de Sophia de Mello Breyner Andresen que teve este efeito e aqui partilho. Reza assim: "Tudo quanto me acontece é dispensável" (Obra poética, Vol. 1, p. 171).
Fixada na experiência da solidão, a autora do Coral reconhece esta nudez, exercício difícil para cada um de nós, na acumulação de adereços que justificamos e fazemos indispensáveis.
As cenas de destruição, a que estes últimos tempos nos habituaram, podiam, se tivéssemos tempo para pensar, conduzir a nossa reflexão. De facto, esses acontecimentos eram bem dispensáveis!... não nos recordavam o efémero da vida! Porém, Sophia aponta para um "tudo quanto me acontece", o que pode originar desamparada vertigem. Esta sugestão de pleno despojamento assusta.
O conceito de dispensável sofreu grande alteração na época consumista e na lógica da posse que adquiriu espaço quase sem limites, na omnipresente teoria do mercado. Contudo, o desemprego, os salários em atraso e o encerramento diário de empresas põem muita gente no limite de ter de pensar o que é ou não indispensável.
A nível individual, quem conseguir ser livre na relação com os bens e despojar-se, em nome da fé ou da opção por uma vida simples e austera, encontra sabedoria na afirmação "tudo quanto me acontece é dispensável". Que força não encerra esta advertência na hora de moderar o consumo, ainda que para tristeza de alguns negócios, mas para alegria futura de todos. Como implica cautela no endividamento, em vez de incentivo! Como obriga a repensar a utilização dos meios de transporte, a reduzir os desperdícios e a recorrer à reciclagem!
Mais complexos serão os passos corajosos a dar na vida pública, em contexto globalizado, para preparar um futuro no qual não mais haverá trabalho abundante e onde o sistema, até agora imperante, ceda lugar a outra harmonia mais sábia, que atenda a todos os elementos desde a salvaguarda da criação, uma cultura solidária, até um paradigma de desenvolvimento integral e baseado na melhoria das condições de vida de cada local, fomentador de uma democracia participativa. O papel do Estado necessita de ser resgatado para, seguindo princípios éticos, exercer, sem medo, uma andragogia política que ajude a identificar o dispensável e para motivar cada região, em ordem a optar por um desenvolvimento que a faça mais serenamente feliz.
NOTA: Foi aqui publicado há cerca de um mês o post «Dinheiro não dá felicidade», em que estão links que conduzem a «Geração perdida? Não» e a «Mark Boyle: Há um ano sem dinheiro». É preciso aprender a dispensar muita coisa que não é essencial à vida, deixar de adorar o TER e os sinais de ostentação de riqueza e ponderar cada despeza, naquilo que representa de utilidae ou de dispensabilidade. O milionário austríaco Rabeder de um dos textos linkados e o jovem Mark Boyle ensinam que é possível viver com simplicidade, sem consumismo nem ostentação.
Posted by
A. João Soares
at
22:21
1 comments
Links to this post
Labels: consumismo, ostentação
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Utilidade da crise!!!
Ao lado dos graves e variados inconvenientes da crise financeira global que está a preocupar toda a gente, ela tem a utilidade de oferecer uma oportunidade rara de rever sistemas e tornar mais correctas as finanças internacionais, estatais e privadas.
São sempre os momentos críticos que despertam as pessoas da letargia a que foram conduzidas por rotinas que, tendo sido lógicas e coerentes à nascença, se tornaram desajustadas perante a evolução e o progresso das sociedades e das tecnologias. Esse despertar obriga a rever profundamente o sistema e a substituí-lo por um novo, mais adequado ao presente e ao futuro previsível e devidamente inspeccionado afim de evitar desvios perversos que possam criar mais crises. Este aspecto está focado na notícia do DN que refere que da cimeira do G20 saiu um acordo de princípio que rompe impasse de muitos anos.
A nível dos Estados, deverá ser definida a sua interferência na denominada «economia de mercado» e o esquema de inspecção permanente que detecte, com oportunidade, desvios ocasionais e os corrija antes de explodirem em catástrofes. Também, quanto à economia dos Estados (ou da UE) e às reformas internas, o DN traz hoje um outro artigo que diz que Capoula Santos tenta fazer aprovar revolução da PAC.
Ao nível privado, das pessoas e das famílias, já são visíveis efeitos de medidas correctivas para fazer face à situação actual e previsível. Está a notar-se a revisão das prioridades de gastos, definindo o que é realmente necessário e o que é supérfluo e pode ter prioridades remotas.
A substituição do carro pelos transportes públicos é notada pela Brisa que vê reduzidas a receitas das portagens e pela menor intensidade do trânsito nas estradas suburbanas. As gasolineiras afirmam que, apesar da baixa dos combustíveis, a queda das vendas não é travada.
Também os restaurantes e as lojas estão a facturar menos, estando já em curso promoções com boas reduções de preços, para atenuar a redução de vendas na época de Natal que se afigura preocupante.
As pessoas já concluíram que não é sensato continuar a viver acima das posses, que não é racional gastar tanto com despesas supérfluas, nem serem arrastadas pelo consumismo e pela ostentação. Estão a notar-se sinais de bom senso na gestão das economias domésticas, sinais de que as pessoas estão a raciocinar e a fazer contas.
Porém, estas precauções das pessoas criarão, sem dúvida, dificuldades às empresas, principalmente aquelas que prestam serviços dispensáveis ou menos prioritários. O desemprego poderá aumentar, o que não é desejável. Mas não há nada que não tenha vantagens e inconvenientes.
Tenhamos esperança que os economistas, que não conseguiram prever e evitar a crise, saibam agora reduzir os seus inconvenientes e preparar um futuro mais seguro, menos arriscado, com mais segurança social, melhor e mais justa distribuição de benefícios e de riscos.
Posted by
A. João Soares
at
17:48
5
comments
Links to this post
Labels: crise, gastos supérfluos, ostentação, rever sistema
sábado, 31 de maio de 2008
10 de Junho em época de crise?
A cerimónias do dia de Portugal este ano irão realizar-se em Viana do Castelo, no Campo d'Agonia, espaço recentemente intervencionado pelo Programa Polis. O Campo d’Agonia irá receber a principal parada das comemorações do dia de Portugal, que contará com a presença de 3000 militares e dezenas de viaturas tácticas e de combate, que ali estacionarão e desfilarão.
Como não foi considerado adequado fazer tal parada em terreno pelado, cerca de 20 militares do Regimento de Engenharia de Espinho começaram esta semana a montar um relvado com uma área de 9000 metros quadrados (equivalente a um rectângulo de 100 por 90 metros)
Esta operação de colocação de relva, consta de compra das pranchas de relva em Almeirim, o seu transporte para Viana do Castelo, utilização de máquinas para carga, descarga e colocação no terreno, sistema de rega, transporte do pessoal desde Espinho, com o apoio logístico inerente à sua estada no local durante mais de três semanas e a colaboração da equipa de jardinagem da Câmara Municipal de Viana do Castelo.
A notícia do DN não refere os custos de toda a operação, mas como o País vive desafogado, não há qualquer hesitação em ostentar a riqueza própria de tempo de vacas gordas.
Se fosse uma obra necessária para ali ficar um espaço lindamente ajardinado, não haveria que levantar grande reparo à oferta à Câmara Municipal de Viana do Castelo desta melhoria urbanística. Mas há grandes dúvidas que, após as manobras e desfile de viaturas militares tácticas e de combate, aquela relva recentemente colocada e ainda não consolidada fique em condições de recuperar o seu aspecto sem ter de ser levantada, alisado o terreno e voltada a ser colocada e substituída a mais danificada.
E, por mais que se faça, nunca poderá ser mostrado um arsenal que amedronte qualquer outro Estado do terceiro mundo. Enfim mania das grandezas, da ostentação, de quem nem tem para mandar cantar um cego.
Posted by
A. João Soares
at
11:39
2
comments
Links to this post
Labels: 10 de Junho, opulência, ostentação
quinta-feira, 1 de maio de 2008
MDN não prestigia a democracia
Para que a política atraia os jovens, como é preconizado no discurso lido pelo PR no dia 25 de Abril é indispensável que a actividade dos político se torne impecável, exemplar, que possa servir de espelho à vida dos cidadãos. Quando isso acontecer, não faltarão pessoas válidas a darem um passo em frente para colaborar na gestão da causa pública. Mas, infelizmente, os casos contrários são demasiado abundantes, como este apontado por Brandão Ferreira.
O ministro da Defesa e a falha no exemplo
«Verba vólant, scripta mánent exempla traúnt»
ou seja, «As palavras voam, os escritos permanecem, o exemplo arrasta”
Aforismo Latino
Não há maneira de nenhum governo, presidente seja do que for, administrador de empresa, juiz, chefe militar, ou qualquer individuo a quem for outorgado um grau de autoridade, poder liderar seja quem for e obter o respeito e a colaboração dos seus subordinados/cidadãos, se não der o exemplo. Não é razão suficiente, mas é condição necessária. E só conseguirão algo que se veja, pelo medo ou por concitarem o interesse dalguns por via das prebendas.
Ora a classe politica que tem preenchido os diferentes órgãos de soberania, autarquias, etc. têm na sua esmagadora maioria pretendido impor sacrifícios ao comum dos cidadãos e ficar fora deles na proporção que lhes caberia.
Era como a triste figura de alguns próceres do “Estado Novo” (também os houve), que estando a Nação em armas, tudo faziam para livrar os seus filhos de prestarem serviço militar, ou serem mobilizados para as frentes de combate.
Enquanto em tempo de alguma abundância, desmioladamente se esbanja o que há, mas se vai atenuando a coisa, com uma liberalidade recorrente na distribuição de “subsídios”, é fatal chegar o tempo em que é preciso pôr ordem na casa. Estamos a viver um tempo destes.
Mandaria então o bom senso que se falasse verdade e se distribuísse o “mal pelas aldeias” de modo a concitar a boa vontade de toda a Nação (palavra entretanto banida do vocabulário), pois só assim se pode ultrapassar adequadamente os graves problemas que nos afectam. E para tal é necessário que o exemplo venha de cima, pois não é reconhecido de outro modo.
Mas isso não tem comovido as sucessivas classes dirigentes sempre muito democráticas - como se a Democracia substituísse a seriedade! -, apesar de serem eles os responsáveis por tudo o que se passa e não se passa – note-se -, e vão mantendo uma escandalosa dessintonia entre o que auferem no seu todo, e os restantes indígenas que supostamente servem!.
Os exemplos são citados às dezenas nos órgãos de comunicação social e em muito maior número na Internet, pelo que me dispenso de apresentar quaisquer casos, a não ser este que tem a ver com o título.
O Dr. Paulo Portas quando fez a sua triste passagem pela pasta da defesa, levou consigo um condutor civil, que se diz ser funcionário do seu partido. O homem teve o azar de estampar o carro de serviço (um BMW de alta cilindrada), em condições que são conhecidas. O carro foi rapidamente substituído por outro de igual gabarito.
Parece-nos muito importante que os senhores ministros e outros afins, andem em carros de grande performance. Isso permite-lhes serem pontuais, que como se sabe também é uma regra de bom exemplo; ao passo que uma boa suspensão lhes logra cuidar da coluna vertebral que se pretende erecta. Outro requisito para o bom exemplo.
Estávamos então na substituição do carro do ex-ministro Portas. Não foi há muito tempo, dada a vertigem a que se sucedem os responsáveis pela pobre da Defesa Nacional. Mas não o entendeu assim o actual inquilino, Dr. Teixeira, que se viu obsequiado com dois Mercedes topo de gama para seu uso e do seu “ajudante” Secretário de Estado.
Não parece grande exemplo. Sobretudo quando se sabe das misérias que grassam pelas depauperadas Forças Armadas, consequência dos seus orçamentos; se mantêm viaturas distribuídas por altos cargos militares com muitos anos de serviço e centenas de milhares de Km; se atacam as reformas dos militares e o seu serviço de saúde e ,pior do que tudo, se mantêm forças militares em zonas de combate sem alguns equipamentos essenciais à sua operação e protecção.
Se calhar ainda não se deram conta, mas com exemplos destes ninguém os respeita.
João José Brandão Ferreira, Tcor Pilav(ref.)
Texto recebido por e-mail de Alô Portugal e de outras origens
Posted by
A. João Soares
at
11:21
2
comments
Links to this post
Labels: carros do MDN, esbanjamento, Exemplo, ostentação
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
E os eleitores não compreendem?
Segundo as notícias que nos chegam com frequência, a sanidade mental dos governantes suscita sérias preocupações. Por acaso, hoje, reparei nuns quantos títulos que fazem pensar na forma desrespeitosa como encaram as pessoas e os dinheiros pagos pelos contribuintes.
Por um lado, há notícias que evidenciam as dificuldades e a penúria com que muita gente se debate no dia-a-dia para conseguir sobreviver.
- PIB atinge o valor mais baixo da Zona Euro. O Produto Interno Bruto (PIB) medido em unidades de poder de compra voltou a cair em Portugal em 2006, atingindo o valor mais baixo da Zona Euro. Segundo dados divulgados ontem pelo Eurostat, o indicador - que pode ser usado para medir o poder de compra - caiu um ponto percentual para os 75% da média da União Europeia (UE).
- Portugueses perdem poder de compra face à Europa . Os portugueses estão a divergir dos europeus em matéria de poder de compra.
- Famílias sem folga para poupança. Um em cada oito portugueses (ou 13%) chega ao fim do mês com a carteira completamente vazia e 30% só às vezes conseguem reservar algum rendimento para poupança; os portugueses poupam menos e gastam mais em empréstimos do que belgas, espanhóis ou italianos.
No entanto, ao lado, destes sinais negativos, surgem outros de magnanimidade, incoerentes com a situação do Pais.
Portugal promete três milhões para um Estado palestiniano. O ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou ontem em Paris que o Governo português tenciona contribuir com três milhões de euros para um futuro Estado palestiniano independente. Isto junta-se a um estádio de futebol já ali construído com o nosso dinheiro.
Não há dinheiro para pagar as horas extraordinárias dos agentes da PJ como veio a público a propósito da operação contra a criminalidade nocturna no Porto, mas o ministro, com ar que procura ser convincente espera que eles, abnegadamente se sacrifiquem e às famílias, porque não admite que eles tenham «estados de alma». Trata o pessoal como máquinas tão ideais que nem precisam de manutenção. No entanto, o mesmo ministro arranja dinheiro para se rodear de inúmeros assessores, incluindo a muito experiente e competente Drª Susana Dutra. Também, para amaciar as relações com os juízes, não se inibiu de dotar os mais altos representantes da «corporação» com os melhores carros do mercado, o mesmo que fez com os seus colaboradores mais directos do ministério.
No momento da inauguração do novo tribunal de Famalicão, foi afirmado pela juíza presidente que as instalações são insuficientes para as necessidades, do que se conclui que se desperdiçam dinheiros públicos por os objectivos não serem correctamente definidos, provavelmente, não tendo sido ouvidos os juízes e os funcionários judiciais.
Também os funcionários dependentes do MAI deparam-se com graves dificuldades para cumprirem as suas missões, como tem sido referido por representantes associativos da GNR e da PS mas, junto ao MAI, parqueiam inúmeros carros de alta qualidade e com matrículas recentes.
Depois de o ministro das OP ter afirmado convictamente que o Novo Aeroporto de Lisboa «jamais» seria construído no deserto da margem Sul do Tejo, deparamos agora com os argumentos mais credíveis a apontar para a solução mais adequada ser para os lados da linha que liga Alcochete a Canha. Porém, consta que ele pretende avançar com o peso «convincente» da «decisão política» apesar de o seu colega do Ambiente já se ter mostrado inclinado para Alcochete.
Loucura, insanidade mental, incoerência, insensatez? Ou «defesa a todo o custo» de interesses ocultos e inconfessáveis? Será que chegarão ao ponto de decidirem pela Ota? E os eleitores ficarão peados, fechados no casulo do silêncio do medo?
Posted by
A. João Soares
at
18:02
5
comments
Links to this post
Labels: arrogância, desperdício, ostentação, pobreza
sábado, 15 de dezembro de 2007
O circo dos políticos, ou as cimeiras
O circo desceu à cidade
Por António Barreto, «Retrato da Semana» - «Público» de 9 de Dezembro de 2007
TRAPEZISTAS ANDRÓGINOS, papagaios alfabetos, palhaços pobres e ricos, tigres amestrados, magos e contorcionistas: há de tudo. Vieram por três dias, a cidade ficou em quarentena e, ansioso, o mundo espera por resultados. A meio da semana, tudo recomeça, mas só com um grupo selecto que vem assinar nos Jerónimos a inútil constituição europeia
alcunhada de Tratado.
CIMEIRA, tratado, declaração e estratégia: todas de Lisboa, para engrandecimento da pátria! Ao lado do Presidente da União Europeia, português de lei, o Presidente da Comissão, outro português de gema. Portugal, Lisboa e Sócrates saem deste rodopio famosos, prestigiados e com uma nova projecção internacional. Parece que o papel de Portugal no mundo foi assim reforçado. Que muitas novas oportunidades serão criadas. E que se deu um passo essencial na construção da paz e da segurança mundiais.
SERÁ NECESSÁRIO, para obter segurança, dialogar com criminosos, apertar a mão a torturadores, tratar quaisquer déspotas de democratas, esquecer guerras e fomes, deixar entre parêntesis a corrupção, alimentar a cleptocracia e debitar, com ar confiante, longos discursos de lugares-comuns optimistas congratulatórios? Será que o preço que tem de se pagar pela paz inclui a criação e a manutenção de uma Nomenclatura internacional imune, impune e "off shore"? Será que o próprio desta casta é o hotel de cinco estrelas, o caviar, os vintages caríssimos, a trufa branca e os aviões transformados em lupanares de luxo?
A CIDADE DE LISBOA, como qualquer outra nas mesmas circunstâncias, ficou em estado de sítio. Em qualquer canto da cidade, de repente, uns nervosos polícias mandam parar carros e desviar transeuntes, ou atiram para as bermas tudo o que vive, a fim de dar lugar a luzidias comitivas de topos de gama barulhentos e sirenes emproadas de importância. Estivéssemos nós sob ameaça nuclear e a diferença não seria grande: perímetros proibidos, áreas de segurança máxima, locais protegidos pela Armada e pela Força Aérea, centenas de gorilas mais ou menos disfarçados e milhares de soldados e polícias nas esquinas ou pendurados nos telhados. Dezenas de carros blindados transportam estes senhores do pavilhão para o hotel, do centro de congressos para a sala de jantar. A distância que os separa de pessoas normais mede-se em centenas ou milhares de metros. Têm medo de tudo, dos colegas, dos terroristas, dos opositores, dos criminosos, dos acidentes e das pessoas em geral. É cada vez mais o retrato da vida política actual: longe de todos, com receio de tudo. Mas com infinita arrogância.
É TRISTE O ESTADO a que chegou o mundo! Triste e irreversível. Se mudança houver, será para ainda pior. Os políticos vivem, deslocam-se, governam, reúnem e decidem como se fossem perseguidos, como se estivessem permanentemente cercados. Políticos, estrelas de cinema, bilionários e chefes da Máfia vivem assim. Rodeados de guarda-costas e protegidos por exércitos, são acompanhados por enormes comitivas a que não faltam médicos, enfermeiros, ambulâncias, cozinheiros, provadores, jornalistas e "escort services". Alguns não dispensam astrólogos, feiticeiros, psicólogos e "personal trainers". Os que, a exemplo de Sócrates, exigem correr ou fazer exercício mandaram reservar partes da cidade para poderem queimar toxinas e ser filmados em privado. Os políticos e seus poderosos equiparados vivem num mundo à parte, têm a sua própria geografia e governam-se pelas suas leis. De vez em quando, para serem filmados, esbulham o espaço público. A democracia trocou o Fórum e a Assembleia pela Nomenclatura e pela reserva de privilegiados. Os políticos olham para os povos como se estes fossem incómodos para as suas encenações. Mas os povos olham cada vez mais para os políticos como usurpadores e parasitas.
EM PORTUGAL, os próximos dias, semanas e meses, vão ser de intensa propaganda. As glórias do governo e de Sócrates serão equiparadas aos mais altos feitos da história. Tudo para o bem e a grandeza do país. A impecável organização dos festejos será elogiada por toda a gente. O discurso do Primeiro-ministro será mostrado como jóia rara e dele se dirá que ascendeu ao estatuto de líder mundial. Repetir-nos-ão, centenas de vezes, que Portugal está na linha da frente. Da paz, do diálogo, da cooperação, dos direitos humanos, da democracia, da ajuda ao desenvolvimento e da humanidade em geral. Pobre país que jubila com os cenários de pechisbeque, mas persiste na linha de trás da justiça, da produtividade, da educação e da desigualdade social!
DIZEM QUE OS CONFLITOS, quando atingem níveis insuportáveis, trazem a paz. Mas também dizem que as grandes festas de concórdia e espalhafato anunciam o conflito, a violência e a miséria. São coisas que se dizem...
NOTA: Transcrevo este artigo que considero um retrato em cores vivas de uma situação já aqui referida que muitos portugueses se recusam a observar com olhos bem abertos. Merece ser reconhecida a isenção do Prof António Barreto pela clarividência da análise e pela coragem de transmontano com que se exprime.
Os objectivos da cimeira foram conseguidos: Os políticos viajaram, conviveram banquetearam-se, discursaram em termos politicamente correctos, mostraram as suas vestes mais vistosas, obrigaram os vermes a privarem-se de viajar livremente nas ruas da sua cidade, evitaram os temas mais relacionados com a qualidade de vida das populações (direitos humanos, democracia, liberdade, etc.) e alguns mais espertos fizeram negócios com empresas multinacionais, as únicas beneficiadas por este circo, bem recheado de actores. E assim vai o mundo moderno!!!
Posted by
A. João Soares
at
16:59
4
comments
Links to this post
Labels: cimeira, circo, ostentação, vaidade
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Nova capital para Angola?
Dos novos-ricos não reza a história. Só pelos maus motivos. O poder do dinheiro leva-os a manifestar a sua pequenez através de decisões folclóricas. Com níveis de pobreza assustadores, Angola quer construir uma nova capital, a norte de Luanda.
O arquitecto Oscar Niemeyer já foi contactado por Eduardo dos Santos para tal efeito. Ao que parece, Brasília é o máximo para a nomenclatura angolana. E como o dinheiro não falta, paga-se o que for preciso. Niemeyer vai-se fazer pagar bem. É o único arquitecto centenário de renome mundial.
Com a nova capital pretende-se um "começar de novo". Para quem? A resposta oficial é fácil de adivinhar: para os angolanos. Mas as barracas e os pobres não entram. Os membros da burguesia burocrática, corrupta e completamente improdutiva, serão os novos habitantes da nova metrópole. Juntamente com os estrangeiros, que sempre dão um ar cosmopolita. E as sedes de empresas multinacionais. De petróleo e diamantes.
De repente veio-me à memória Houphouët-Boigny. Construiu uma réplica da Basílica de S. Pedro em Yamoussoukro, a capital da Costa do Marfim, um país maioritariamente muçulmano. E Jean-Bédel Bokassa, o imperador canibal do “Império” Centro-Africano. Mandava fazer tronos em ouro maciço para se sentar.
O que há de comum em todos eles? A pobreza extrema em que vive o seu povo. Os sonhos megalómanos dos dirigentes são concretizados à custa de milhões de pessoas que lutam diariamente pela sobrevivência.
A riqueza de um país não pertence aos seus governantes nem à burguesia nacional. É um bem público, que deve ser administrado para o bem de todos. Num país onde nem sequer há um presidente eleito nem uma democracia consequente, é fácil adivinhar o rumo que tudo isto vai tomar. Os palácios na Europa, os aviões privados e os milhões de dólares em bancos estrangeiros já são uma realidade há muito tempo. Agora só falta a cidade e o trono, para o show off. A História anda aos círculos e as vítimas são sempre as mesmas. Haja decoro.
Post de António Oliveira in Estrada Poeirenta
Posted by
A. João Soares
at
17:35
2
comments
Links to this post
Labels: Angola, capital, Niemeyer, ostentação, pobreza



