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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

MINISTRO DA DEFESA E O VELHO DO RESTELO


Na estrofe 95 do Canto Quarto de Os Lusíadas de Luís de Camões, constam as primeiras palavras de «um velho de aspecto venerando»:

«Ó glória de mandar. Ó vá cobiça
Desta vaidade a quem chamamos fama!
Ó fraudulento gosto que se atiça
Cüa aura popular que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peio vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas! (…)»

Palavras de sensatez que sugerem a meditação que deve preceder a aventura E medir as consequências de cada passo. Mas alheio a apelos de estudo, planeamento, organização e programação Ministro da Defesa critica «velhos do Restelo».

No seu entusiasmo caprichoso e obstinado, esquece que se deve pensar antes de decidir. O interesse nacional aconselha que nem devemos obedecer cegamente aos conselhos conservadores do Velho do Restelo, nem seguir inconscientemente as loucuras de jovens imponderados e de de «fraudulento gosto» ambiciosos de «glória de mandar», de «cobiça», de «vaidade» e de «fama»

Em vez de impulsos imponderado e caprichosos de «custe o que custar», há que procurar o que há de positivo nas opiniões de uns e de outros para definir a bissectriz e a estratégia mais adequada a seguir para um futuro melhor.

Portugal não dispõe de «musculatura» para se meter em aventuras de alto risco, ao sabor de jovens incompetentes, impreparados e arrogantes que pretendem avançar antes de procurar prever os riscos e inconvenientes dos passos que querem dar.

Ao mesmo tempo que deparei com a notícia atrás referida encontrei outras referidas ao negócio dos estaleiros de Viana do Castelo de que cito os títulos (basta fazer clic sobre eles para os abrir): Ministro pode comunicar despedimento de trabalhadores de estaleiros, Trabalhadores convidam ministro da Defesa a conhecer estaleiros, e Autarca de Viana do Castelo indignado com ministro da Defesa.

As opiniões dos portugueses não devem ser ignoradas, principalmente as dos trabalhadores dos estaleiros e da autarquia local, segundo aquilo de que tanto se fala quando se argumenta com a autoridade democrática.

Imagem de arquivo

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segunda-feira, 16 de junho de 2008

O Velho do Restelo disse

Depois do soneto de Camões publicado em post anterior, trago aqui o início do discurso do Velho do Restelo com que termina o canto quarto de Os Lusíadas, por nele encontrar motivos de meditação para compreender muito do que hoje ocorre em nosso redor. Quem tiver curiosidade, poderá consultar o poema épico e ler as restantes sete estrofes do Velho, que não trago aqui para não sobrecarregar com referências mitológicas e históricas, ficando por estas três que já dão estímulo para interessantes reflexões.

Estrofe 95

- «Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade a quem chamamos fama!
Ó fraudulento gosto que se atiça
Cua aura popular que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!

Estrofe 96

«Dura inquietação d’alma e da vida,
Fonte de desamparos e adultérios,
Sagaz consumidora conhecida
De fazendas, de reinos e de impérios!
Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
Sendo digna de infames vitupérios;
Chamam-te Fama e Glória soberana,
Nomes com quem se o povo néscio engana!

Estrofe 97

«A que novos desastres determinas
De levar estes Reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos e de minas
De ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? Que histórias?
Que triunfos? Que palmas? Que vitórias?

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