sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Corrupção - Links

Satisfazendo a sugestão de um amigo, para utilização de visitantes interessados em consultar algo do muito que tem sido publicado sobre este tema, eis uma lista de alguns artigos colhidos na Comunicação Social. Os links foram todos testados, mas alguns demoram alguns segundos a abrir:

- Cravinho. Governo não tem plano para prevenir e combater corrupção
- João Cravinho: Governo sem plano para combater corrupção
- Não há vontade de combater a corrupção
- Portugal desce uma posição no índice global da corrupção
- Portugal é visto como um dos países mais corruptos da Europa
- Visto de fora, Portugal é moderadamente corrupto
- Portugal em 33º no Índice da Corrupção, "posição dramática" a nível europeu
Oliveira Martins insatisfeito com situação da corrupção
- Paulo Morais. Parlamento é «escritório de representações»
- A culpa é do polvo
- Chumbo neles
- Corrupção. Hidra imbatível?
- Corrupção cresce
- No Auge da Corrupção
- A corrupção por cá
- A corrupção e a deontologia dos jornalistas
- Corrupção. Porém, ela existe!
- Corrupção. PR voltou ao assunto
- Corrupção em vários níveis
- Corrupção de novo adiada
- É difícil o combate à corrupção
- Corrupção. a ponta do iceberg?
- Sócrates, Mendes e a corrupção
- Corrupção. Falta de vontade política
- O Poder não repudia a corrupção
- Corrupção impune
- Corrupção e tráfico de influência
- Laborinho Lúcio desafia Parlamento a criar estratégia de combate à corrupção
- Governo quer impedir corrupção na nova BT
- Estudo diz que leis anti-corrupção em Portugal estão "viciadas" à partida
- Corrupção na Administração Regional de Saúde do Norte
- Tribunal chumba diploma que cria crime de enriquecimento ilícito
- Director da DRE recebeu 141 presentes no espaço de um ano
- Corrupção nas autarquias
- Autarquias concentram quase 90% da corrupção em Portugal
- Corrupção, pobreza e injustiça social
- Portugal e a corrupção

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Evitar o desperdício

Isabel Jonet aconselhou que devemos controlar o consumo e evitar coisas dispensáveis para vivermos dentro das possibilidades reais. O despesismo, a ostentação e o desperdício, não são boas ferramentas para se recuperar o atraso do desenvolvimento.

Em consonância com tais conselhos foi publicado por Celle no Sempre Jovens um texto de autoria atribuída a Eduardo Galeano, jornalista uruguaio, escritor de "As veias abertas da América Latina".

Trata-se de um texto que, apesar de extenso, merece ser bem analisado e meditado. Aprecia muito bem a diferença entre o ontem e o hoje vivendo-se agora uma adoração das coisas, de preferência novas e inovadoras para ostentar poder de compra e importância pessoal, obesidade do ego, da auto-estima num mundo demasiado industrializado em que todos somos escravos da máquina produtora. Somos assediados, induzidos e quase obrigados a descartar coisas ainda úteis e em bom estado de funcionamento, a adquirir e a mostrar coisas novas e de última moda para que as indústrias não parem. Delapida-se a natureza e, em troca, enche-se a mesma de lixo. Somos levados a concordar com o autor, e a reagir e abandonar, na medida do possível, a sociedade do desperdício. Eis a transcrição do texto:


CAÍ DO MUNDO E NÃO SEI VOLTAR

O que acontece comigo, que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte, só porque alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco?

Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos no varal junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujas. E eles, nossos nenês, apenas cresceram, tiveram seus próprios filhos e se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Entregaram-se, inescrupulosamente, às descartáveis!

Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.

Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum momento, eu me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta.

O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os instrumentos musicais uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.

Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez. Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!

É mais! Compravam-se para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.

E acontece que em nosso, nem tão longo casamento, tivemos mais cozinhas do que as que haviam em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes. Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar.

Nada se arruma, não se conserta. O obsoleto é de fábrica. Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos ténis Nike? Alguém viu algum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas eléctricas: o afiador ou o electricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os seleiros?

Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.

Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de ... anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos carros e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava.

Desse tempo venho eu. E não que tenha sido melhor... É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com "guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já tem um novo modelo".

Troca-se de carro a cada 3 anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado... E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas... por amor de Deus! Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real. E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher, a mesma e o mesmo nome? Educaram-me para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Porque, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir. Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (por que éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocó.

Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular poucos meses depois de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?

Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres. A terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres.

E guardávamos... Como guardávamos!! Tuuuudo!!! Guardávamos as tampinhas dos refrigerantes!!! Como, para quê? Fazíamos capachos, colocávamos diante da porta para tirar o barro dos sapatos. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.

Tuuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar isqueiros descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para isqueiros descartáveis. E as Gillette até partidas ao meio se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de fiambre, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.

E as pilhas! As pilhas dos primeiros radiozinhos de transiístores passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim.

As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.

Os jornais!!! Serviam para tudo: como de forro para as botas de borracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisas para enrolar. Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um embrulho de bananas. E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Cosmopolita era a marca de um fogão que funcionava com gás) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia "esta é um 4 de paus".

As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.

Eu sei o que nos acontecia: custava-nos muito declarar a morte de nossos objectos. Assim como hoje as novas gerações decidem matá-los tão-logo aparentem deixar e ser úteis. Aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!d

E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em base, nos disseram: comam o sorvete e depois joguem o copinho fora! E nós dizíamos que sim, mas, imagina que a lançávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as rolhas de cortiça esperavam encontrar-se com uma garrafa.

E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!! Morro por dizer que hoje não só os electrodomésticos são descartáveis; também o casamento e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objectos com pessoas.

Mordo-me para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória colectiva que se vai descartando, do passado efémero. Não vou fazer! Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno. Não vou dizer que aos velhos se declara a morte quando apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com gel no cabelo e glamour.

Esta só é uma crónica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à bruxa, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilómetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar neste mundo da reposição e corro o risco de que a bruxa me ganhe a mão e seja eu o entregue...

Autoria atribuída a Eduardo Galeano, jornalista uruguaio, escritor de "As veias abertas da América Latina"

Imagem do Sempre Jovens

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Não há vontade de combater a corrupção

O engenheiro João Cravinho diz que Governo não tem plano para prevenir e combater corrupção>. Afirma que "não há uma visão conjunta do que é preciso fazer para prevenir e combater a corrupção, não há meios adequados e as nossas instâncias, tribunais funcionam muito mal"

Ninguém melhor do que ele sabe do que se trata, pois em 2006 criou um plano anti-corrupção, que não foi levado para a frente e não deu origem a qualquer medida eficaz para o fim em vista. O Diário de Notícias noticiava em 2008 que havia mais de 900 processos de corrupção pendentes em Portugal.

Mas que se soubesse ninguém na área do poder quis matar a «galinha dos ovos de ouro», o que contribui para a convicção geral de que o principal interesse dos políticos, salvo eventuais excepções, é o próprio enriquecimento rápido por qualquer forma. O primeiro artigo atrás ‘linkado’ aparece na sequência da notícia de que Portugal é visto como um dos países mais corruptos da Europa e de outra que afirma que desce uma posição no índice global da corrupção.

Também Guilherme de Oliveira Martins se mostra insatisfeito com situação da corrupção e constata-se uma convergência com as repetidas afirmações do professor Paulo Morais, por exemplo, aqui, aqui e aqui.

«Na opinião de João Cravinho, não há meios adequados para o combate, nem um "aparelho judicial à altura" e, por isso, os crimes económicos são cada vez mais numerosos e complexos.

Segundo ele, "em primeiro lugar o que há a fazer é definir responsabilidades. Hoje em dia o que me parece mais grave não é a pequena corrupção, o pequeno funcionário, ou o fiscal porque isso até avançou razoavelmente bem nos últimos anos com a informatização e melhor organização dos serviços, mas o tráfico de influências", realçou.

«Para João Cravinho, o tráfico de influências, a omissão de acção preventiva e o combate "aos grandes atentados" e a boa gestão pública continua sem qualquer sanção.

"O tráfico de influências não se combate só com alteração à legislação, mas por chamar à responsabilidade as várias entidades para uma fiscalização institucionalizada", disse.

E será conveniente meditar nos males que esta imoralidade de relacionamento com o Poder acarreta para a economia nacional e para o bem-estar material, cívico e social da população nacional.

Imagem de arquivo

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Cientista português em destaque

Numa fase da vida portuguesa em que a autoestima está muito em baixo é oportuno dar realce a factos positivos que nos mostrem haver compatriotas de alto valor nos campos das ciências, das artes e das tecnologias. Transcreve-se a notícia que relata um caso de rara importância. Parabéns a Rui L. Reis e votos de muitos sucessos e de que consiga bom número de seguidores.

Cientista luso obtém bolsa de dois milhões de euros
Jornal de Notícias.05-12-2012. Publicado às 00.05

Rui L. Reis, reputado cientista da Universidade do Minho, acaba de receber uma das maiores e mais prestigiadas bolsas de sempre atribuídos a um investigador Português, no valor total de 2.35 milhões de euros - a Advanced Grant do European Research Council.

O projecto que deu corpo à candidatura é intitulado ComplexiTE. A bolsa em questão foi atribuída com base na excelência científica do investigador.

De acordo com uma nota da Universidade do Minho, "é extremamente raro que alguém como Rui L. Reis, com apenas 45 anos, consiga uma destas bolsas, consideradas uma espécie de Prémio Nobel Europeu.

Refira-se que o cientista, que integra o grupo 3B's, obteve recentemente 3,15 milhões de euros do 7º Programa Quadro da Comissão Europeia para desenvolver o "POLARIS", um projecto de investigação na área da nano medicina. A esta iniciativa alia ainda a coordenação de outros importantes projetos europeus.

Imagem do JN

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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Resultado da austeridade ???

Era suposto que o sacrifício imposto pelo Governo, com o nome de austeridade, estivesse a resultar em melhorias do défice, da dívida, do desenvolvimento da economia, do aumento de emprego, do bem-estar da população. Mas, infelizmente, nada disso melhorou e os números vindos a público não são nada animadores quanto a esperanças num futuro mais confortável.

A notícia Estado nunca demorou tanto a pagar a fornecedores e arrisca falhar meta imposta pela troika acaba por não surpreender, mas não era desejada, depois do sistemático ataque da austeridade aos bolsos dos contribuintes mais desprotegidos. Para que serviu esse dinheiro? Quais eram e são os planos da mais alta administração pública? Terá ela em conta os cidadãos e a sua necessidade de viver com dignidade?

Em resposta a estas dúvidas, há muitos portugueses a pensar que tal dinheiro serve para manter o «status» dos elementos do «polvo» (ver também aqui) através dos salários, das mordomias e das reformas, algumas acumuladas e muitas a grande distância da moralidade suiça. Aos dessa elite convém que nada falte!!! Embora, por um lado queiram convencer que diminuíram o valor de alguns carros, passando de Mercedes para Áudi (!!!) e , por outro lado, tenham dado umas muito ligeiras beliscadelas nas «fundações»

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Para evitar o défice



Aparição fugaz, de 3 minutos, na RTP2! O governo suíço fixou que o máximo que um suíço pode receber de reforma são 1700 euros.

Esta notícia foi tratada apenas em noticiário pouco visto para evitar, naturalmente, o contágio. Porque será ?

Nunca se poderia passar em Portugal porque… cá… somos MUITO RICOS!!!

Transcrição do blogue Aventar

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Promiscuidade e interesses ocultos

Passos Coelho criou ONG financiada apenas pela Tecnoforma
Público. 03/12/2012 - 07:45. Por JOSÉ ANTÓNIO CEREJO

A ideia foi do patrão da empresa de que Passos foi administrador. Organização teve também Marques Mendes, Ângelo Correia e Vasco Rato como fundadores.

Passos Coelho era então deputado em exclusividade e nunca declarou o cargo que ali exerceu (...)

Para ler mais faça clic no título da notícia.

NOTA: A promiscuidade entre interesses públicos e privados é um dos factores que tem impedido a «refundação» do Estado, o combate às gorduras do Estado, à corrupção, ao enriquecimento ilícito e a muitos cancros que o «polvo» tem desenvolvido e de que resultou a actual crise que nos 18 meses mais recentes se tem agravado.

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domingo, 2 de dezembro de 2012

Sem bússola, sem Norte

Transcrição de artigo:

Perdido 
 Diário de Notícias. 02-12 1012. por PEDRO MARQUES LOPES, GESTOR

O nosso primeiro-ministro parece ainda não ter percebido que de cada vez que presta declarações fala com os cidadãos. Como os portugueses não estão propriamente interessados em ter conversas de café com o homem que os governa, convinha que tivesse alguma coisa para dizer quando lhes fala. E já agora de substancial ou, pelo menos, alguma novidade.

Na semana passada, Passos Coelho começou com um discurso, de quase uma hora, na Madeira, em que diagnosticou amnésia, sem que se tenha percebido muito bem a quem. Disse que "podia bem" com os adversários das suas políticas, afirmou a sua convicção na inteligência dos portugueses e jurou que a austeridade ainda não é excessiva. Fora os desconhecidos conhecimentos sobre psiquiatria, a habilidade para testes de inteligência e a bravata - as bravatas começam a ser um hábito de Passos Coelho -, nada de novo. Depois, quarta-feira, o primeiro--ministro deu uma entrevista à TVI.

Após a votação da coisa a que alguns chamam orçamento, com a convicção na opinião pública a crescer de que a refundação ou a reforma do Estado não passa dum corte cego de quatro mil milhões de euros na despesa, afectando seriamente os alicerces do nosso edifício social sem que se conheça a alternativa, e sem ainda sabermos o que se passou com o Orçamento de 2012, fazia sentido Passos Coelho vir esclarecer-nos. Se não fosse pedir muito, talvez acender uma velazinha de esperança.

Mas eis o que tinha para nos dizer: o desvio colossal no défice de 2012 foi uma surpresa; renegociação, nem pensar (vai ser penoso ver o primeiro-ministro a anunciar brevemente a renegociação); a austeridade será redentora; o orçamento para 2013 é bom porque os deputados votaram (Passos Coelho ainda não percebeu o que se está a passar no PSD e no grupo parlamentar) e ele "espera que o Governo acredite nele"... A palavra de esperança foi esta: "Vai custar muito. Mas vamos lá chegar vivos." A cereja no topo do bolo. Ufa, ficamos todos muito mais aliviados...

Confirmamos que Passos Coelho quer mesmo criar um problema com Paulo Portas: a distracção do primeiro-ministro tem limites e ele com certeza sabe que um governo de coligação tem uma hierarquia formal e outra material. O Governo sem Gaspar pode continuar, mas não sem Portas. A guerra dentro do Governo e na coligação prossegue.

E a refundação, ou reforma do Estado ou reforma das funções do Estado? Em Fevereiro logo se vê. Pergunta-se: então onde é que param os planos feitos por aquelas equipas de sábios que rodeavam Passos Coelho? Por onde anda o conhecimento absoluto sobre todos os aspectos da governação que permitia mudar tudo três meses após a tomada de posse? Perdeu-se tudo na mudança de São Caetano para São Bento ou era uma colossal aldrabice?

Apareceu, porém, uma espécie de ideia: uma das partes da refundação ia ser feita através de pagamentos na educação pública. Ninguém percebeu em que tipo de ensino, de que forma, de que maneira ia ser feito, nada. Claro está, e para não variar, lá veio um ministro, neste caso o da Educação, no dia seguinte, desmentir o seu primeiro--ministro. Nada de novo, portanto.

Já percebemos que o primeiro-ministro não prepara as entrevistas, não estuda os temas e vai pensando enquanto fala. Mas, convenhamos, de quem anuncia uma refundação do Estado sem saber minimamente o que vai fazer, de quem desenha um orçamento criminoso e inconsciente, de quem propôs a alteração na TSU sem perceber o impacto da medida, não se pode esperar que prepare uma entrevista.

Passos Coelho vulgarizando as suas intervenções, não acrescentando nada, repetindo apenas meia dúzia de frases feitas em que já ninguém acredita, perde a atenção dos cidadãos quebrando um elo fundamental entre liderança e população. Como nunca, essa ligação era vital. Mas está, infelizmente, perdida.

O pior, porém, é já ser evidente que fora a sua fé cega no plano revolucionário pós-troikiano de Gaspar, Passos Coelho não tem uma ideia consolidada e estruturada sobre praticamente nada. E sempre que fala, isso torna-se claro para cada vez mais pessoas. Agora tem fé em Gaspar, outro guru se seguirá.

Nada pior do que sentir que quem nos lidera está ainda mais perdido do que nós.

Imagem do DN

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Concordam nas piores causas

Transcrição de artigo seguida de NOTA:

Unidos na barbárie
Jornal de Negócios on line. 30 Novembro 2012, 11:24 por Leonel Moura | leonel.moura@mail.telepac.pt

Uma votação no parlamento europeu deu, mais uma vez, conta do desfasamento que existe entre os nossos deputados e os seus eleitores. Na verdade, pouco se sabe do comportamento destes políticos que pretensamente nos representam em Bruxelas. Mas, quando se descobre o sentido do seu voto em determinadas matérias, fica claro que não merecem confiança. Explico.

Algures na Dinastia Ming, um cozinheiro obtuso decidiu inventar a sopa de barbatana de tubarão. Dados a superstições, os chineses acham que esta mistela lhes dá potência sexual, coisa de que se devem sentir muito necessitados. A raridade do ingrediente fez com que, durante muito tempo, a sopa fosse um acepipe só acessível aos ricos e poderosos. O enriquecimento da China levou, contudo, a um consumo desenfreado, tendo por consequência a quase extinção dos tubarões a oriente. Daí que se tenha começado a pescar esta espécie também nos mares europeus.

A técnica de pesca é atroz. Os tubarões são capturados, cortam-lhes as barbatanas e, ainda vivos, são de novos deitados para a água onde morrem lenta e cruelmente, já que ficam sem capacidade de locomoção.

É neste contexto que o parlamento europeu votou uma lei que proíbe o corte de barbatanas em alto mar. A lei, moderada, nem sequer é contra a pesca destes animais mas obriga a que os mesmos sejam "desmanchados" em terra. Foi aprovada com 566 votos a favor e 47 contra. Ou seja, 47 deputados acham legítima uma tal selvajaria. E quem são eles? Na sua maioria, espanhóis e portugueses. E, nestes últimos, quem votou a favor desta prática vergonhosa? Espante-se. Todos os deputados portugueses, de todos os partidos. Menos um, honra lhe seja feita, o deputado independente Rui Tavares. Sim, Maria de Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, Mário David (do PSD), Capoula Santos, Correia de Campos, Edite Estrela, Ana Gomes, Vital Moreira (do PS), Diogo Feio (do PP), Marisa Matias, Alda Sousa (do Bloco), João Ferreira, Inês Zuber (do PC), votaram em uníssono do lado errado da história e da civilização. Mostraram um raro momento de unidade das várias forças partidárias portuguesas. Só é pena que o tenha sido em defesa da barbárie.

O argumento deste bando de trogloditas é simples. Prende-se com a razão económica. Os pescadores portugueses, coitados, com a nova lei não conseguem carregar tanto tubarão nos seus barcos, quantas barbatanas que é só o que lhes interessa. A defesa de um modo de pesca inqualificável sobrepõe-se a qualquer sentido de ética e decência humana. Estes deputados portugueses deram assim, à Europa e ao mundo, sinal de que somos um povo primitivo, atrasado e insensível a questões fundamentais do nosso tempo. Representam o quê? A mim não certamente. E, estou certo, nem a muitos outros portugueses que já vivem no século 21, alguns dos quais votaram neles.

Temos assim que a mesma razão económica que conduziu à desgraça social que se abateu sobre a sociedade portuguesa e que tantos deles dizem combater pouco tem a ver com reais diferenças de civilização. No fundo, estão todos de acordo no mesmo princípio de exploração dos recursos sem olhar a meios e sem que lhes toque o mais leve sentimento de humanidade. Aqui não há consciência ambiental, não há quem deseje um mundo melhor, quem se preocupe com a devastação que a humanidade provoca nas espécies animais e na própria natureza. Tudo se resume ao vil dinheiro.

De direita e de esquerda, moderada e radical, estamos perante uma classe política que merece o nosso desprezo mais absoluto. Imagino que alguns deles tenham filhos e gostaria de os ver explicar porque defendem que se corte barbatanas a tubarões vivos para gáudio de uns quantos imbecis que se deleitam com tão frívolos petiscos. Os próprios chineses acabam de banir dos banquetes oficiais a sopa de barbatana de tubarão. Muitos hotéis e restaurantes na China e no Oriente também já o fazem. Pela mão destes deputados mostramos que estamos no fundo da escala da barbárie. É esta a imagem que queremos do nosso país?

Que se engasguem na barbatana é o que sinceramente lhes desejo. A todos sem excepção.

NOTA: Mas ainda havia dúvidas sobre as motivações e os valores que movem o funcionamento das mentes dos políticos, salvo eventuais excepções? Recordem-se da votação na AR da lei de financiamento dos partidos que acabou por ser vetada pelo PR, em fins de Abril de 2009, aprovada por unanimidade com a excepção de António José Seguro, referida no artigo O regresso ao tempo das malas cheias de notas de José Manuel Fernandes, transcrito em E todos concordaram!!!.

Recorde-se também os fracassos no combate à corrupção e ao enriquecimento Ilícito, no corte das gorduras do Estado, nas reformas para moralizar o regime, etc. etc.

Enfim merecem o nosso total desprezo e o VOTO EM BRANCO em qualquer tipo de eleições, dado que os candidatos que aparecem, salvo eventuais excepções, não têm valores morais para se dedicarem ao BEM colectivo, por terem interesses opostos aos interesses nacionais, dos seus eleitores.

Imagem do Negócios

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sábado, 1 de dezembro de 2012

Austeridade lesa direitos fundamentais

O conteúdo do artigo, do Jornal de Notícias de ontem, que se reproduz é de tal forma importante que não se presta a transcrever apenas algumas frases. Merece ser meditado nas suas diversas focagens.

"Discutir o Estado social é fácil porque atinge pessoas sem voz"
Jornal de Notícias. 30-11-2012

O conselheiro de Estado Bagão Félix criticou, esta sexta-feira, a discussão política do Estado social, considerando-a "estúpida" e "fácil" por atingir "pessoas que não têm possibilidade de erguer a sua voz", como os idosos, os desempregados ou os doentes.

"O Estado social discute-se porque é a parte do Estado que tem mais a ver com as pessoas que são velhas, reformadas, desempregadas, estão doentes, estão sós, têm incapacidades, pessoas que não têm voz, não têm 'lobbies', não abrem telejornais, não têm escritórios de advogados, não têm banqueiros", disse Bagão Félix, na abertura de uma conferência sobre a crise promovida, esta sexta-feira, em Lisboa, pela Fundação Liga.

Para Bagão Félix, a vulnerabilidade destas pessoas é que faz com que seja "relativamente fácil" discutir esta reforma, que na sua opinião está a ser conduzida de uma forma "estúpida" porque é colocada como se fosse uma questão de estar a favor ou contra essa reforma do Estado social, quando "infelizmente o filme não é a preto e branco", mas tem coloridos.

"Custa-me ver a discussão sobre a sustentabilidade do Estado social, quando não vejo ser discutida a sustentabilidade das outras funções do Estado", afirmou, salientando que não se assiste a discussões sobre a sustentabilidade das infraestruturas do Estado ou das Forças Armadas.

Bagão Félix criticou ainda o uso do princípio da subsidiariedade em Portugal, para dizer que é "constantemente pervertido": "Temos uma sociedade muito condicionada e subsidiada junto do Estado e isso reduz a nossa capacidade de autonomia, de prevenção, de conseguirmos resolver os problemas por nós próprios, sem sempre nos socorrermos do Estado".

"Deixámos de ter estadistas"

O consultor do Banco Mundial Artur Baptista da Silva criticou a austeridade que se vive na economia europeia, defendendo que, no contexto político e social que vivemos, a austeridade significa "perversidade e violência abusiva" e falta de respeito pelos direitos fundamentais das sociedades, ao impor regras que privam a liberdade de escolha e cidadania.

A redução "drástica" da qualidade dos políticos europeus nos últimos 50 anos é a razão, segundo o consultor.

"Deixámos de ter estadistas e passamos a ter homens que vivem à custa do Estado e que se projetam nas sociedades à custa das falácias e das promessas que depois acabam por não ser capazes de cumprir e que eles próprios, à partida, sabiam que não se podiam cumprir. E deixam-se ficar reféns do poder económico", defendeu Artur Baptista da Silva.

Para o consultor, nenhuma crise mundial pode ser apelidada de crise económica, porque "é sempre" uma crise política. "São sempre os políticos que se deixam aprisionar pelos interesses económicos, e se põem ao seu serviço, em vez de se porem ao serviço das populações que os elegeram", frisou.

Na sua opinião, o capitalismo económico, "que criava empregos", deu lugar ao atual capitalismo financeiro, que destrói empregos. "E porque se faz isto?", questionou, respondendo que a criação de emprego e a rentabilização dos capitais através da economia "demora tempo e tem risco" e a globalização trouxe a ideia de que estar muito tempo no mesmo sítio não compensa porque esse sítio acaba por estar empobrecido e é preciso ir para os outros sítios que ainda não estão tão pobres. "A deslocalização tem sempre esse objetivo", concluiu o consultor.

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