sexta-feira, 30 de agosto de 2013

PASSOS CONTRA A CONSTITUIÇÃO


Depois da crise política gerada por demissões, demissões revogáveis, nomeações e novas demissões, aparece agora, cerca de dois meses depois, um cenário de hostilidade entre o Governo e o Tribunal Constitucional, ou para sermos mais realistas, entre o Governo e a Constituição da República que ele teima em não cumprir, mas não tem coragem de a modificar nos termos por ela permitidos, ou por golpe.

Vejamos o título da notícia Passos Coelho sugere que mais chumbos do Constitucional podem exigir subida de impostos, cujo primeiro parágrafo diz «O primeiro-ministro “espera” que o Tribunal Constitucional tenha uma leitura menos “restritiva do princípio da confiança” caso contrário impedirá o Executivo de reduzir efectivamente a despesa. Dessa forma, o “Estado só conseguiria financiar-se à custa de impostos e eu não acredito que o país consiga suportar mais impostos para resolver um problema do Estado.”

Isto não pode deixar de ser considerada uma pressão sobre um órgão constitucional que deve ser isento e poder decidir livremente

É conveniente raciocinar claramente e ver que o TC não é órgão de soberania. Os três órgãos de soberania são o PR, a AR e o Governo e os seus elementos juraram cumprir a Constituição. O TC foi criado para zelar por esse cumprimento.

É certo que a Constituição foi mal elaborada, com os deputados constituintes cercados e em sequestro, em S. Bento, e com o Governo em greve. Ela é pouco realista. Mas se ainda se mantém a funcional não é culpa do TC mas dos órgãos de soberania que ainda não tiveram competência e coragem para lhe introduzirem as alterações julgadas convenientes ou, mesmo, elaborarem uma nova adequada ao Estado que temos, às realidades actuais. Mas, não quiseram sequer introduzir as alterações que a adaptassem ao mundo de hoje muito diferente da época do PREC, mas o Governo teima em querer agir à sua margem em infracção que o TC acha inamissível.

Por isso, se os órgãos de soberania mantêm a Constituição como está e se permitem a existência do TC, não têm razão para lamentar que este cumpra a missão que lhe foi dada. Também não parece correcto que se fale de «chumbos», quando o TC denuncia «distracções» do Governo.

O Governo e os outros dois órgãos de soberania devem analisar seriamente o problema para que se entendam sobre a solução a adoptar. Parece que, se existe uma lei, se há uma Lei Fundamental do Estado, ela deve ser cumprida por todos sem excepção. Desobedecendo à Lei Fundamental do Estado, os cidadãos consideram-se discriminados ao serem obrigados a obedecer a qualquer lei.

Quanto à dificuldade de reduzir as despesas, já devia haver notícias de resultados de promessas de há muito, relacionadas com a Reforma Estrutural do Estado, cortando gorduras patológicas (inúteis e prejudiciais), ao longo de toda a máquina do Estado e das autarquias, enfim, de toda a administração pública. Nada ainda se viu de concreto, nem nas fugas de dinheiro público para PPP e FUNDAÇÕES, nem no corte da BUROCRACIA exagerada que, além de emperrar a vida económica, apenas serve para proporcionar e alimentar a corrupção e o tráfico de influências, nem no corte de «dezenas de institutos públicos a extinguir» como sugeriu Luís Marques Mendes, nem reduziu o pessoal dos gabinetes, antes o aumentou sem resultados positivos na redução de erros em decisões e previsões.

A redução de despesas devia resultar de uma criteriosa Reforma Estrutural do Estado e não de cortes que lesaram a qualidade de vida da população, nomeadamente da mais carenciada, na saúde, nos apoios sociais, etc. e, por outro lado, as reduções no orçamento do ensino irá resultar em gerações deficientemente preparadas para fazer face à necessidade de crescimento da economia e no papel desta na competitividade global.

Haja sentido de Estado e sentido de responsabilidade, transparência e esclarecimento perante os cidadãos contribuintes e eleitores, principalmente os que se encontram mais perto da periferia social.

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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

GOVERNO TEM QUE OBEDECER À LEI FUNDAMENTAL DO ESTADO


«O Tribunal Constitucional chumba requalificação da função pública. O TC chumbou o novo regime que cria o sistema de requalificação na função publica porque viola o principio de protecçao de confiança dos trabalhados do estado quanto à estabilidade do vinculo laboral.»

Fica assim, mais uma vez o Governo alertado que as leis são para cumprir, não apenas pelos cidadãos mais desprotegidos mas por todos, em geral. E a Constituição da República constitui a Lei Fundamental do Estado e não deve ser esquecida como letra morta. O clima de confiança nos nossos governantes e noutros responsáveis democráticos pelo País é necessário para se gerar a «União Nacional» que o PM adoptou com muita paixão, antes de férias, mas de que não temos visto sinais convincentes, da parte de quem se deve unir aos cidadãos, auscultar as suas dificuldades, para lhes dar solução adequada.

Oxalá o TC nunca esmoreça no cumprimento das suas atribuições em defesa dos cidadãos «anónimos»

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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

FOGOS FLORESTAIS. LIMPEZA DA FLORESTA


Em plena época de fogos florestais, há inúmeras lamentações acerca da falta de limpeza das florestas, o que mostra a importância desta como factor preventivo da catástrofe que nos assola anualmente. Mas, infelizmente, não se vê uma medida eficaz para garantir uma limpeza adequada e evitar os dramáticos fogos.

Tal limpeza tem custos e muitos pequenos proprietários não possuem meios financeiros para a fazer e dar destino aos produtos retirados das matas. As autarquias também não olham para o problema com tanto sentido de responsabilidade como quando decidem fazer obras de ostentação como rotundas nem sempre vantajosas a não ser para construtores e corruptos.

Dizia há dias um amigo: «Ainda sou do tempo em que» as matas estavam sempre em estado de limpeza que se podia fazer nelas uma fogueira sem o risco de atear incêndio. E esses pequenos fogos eram realmente acesos sem perigo de alastramento quando o pessoal que nelas trabalhava aquecia o almoço que levava de casa em tachos ou marmitas.

Mas ninguém fazia algo com a finalidade de a s limpar, pois a limpeza resultava do aproveitamento de mato e caruma, feito periodicamente a fim de utilização em cama para o gado, amontoamento para decomposição (por vezes em ruas e caminhos) para futuro fertilizante das sementeiras. Por seu lado, os ramos inferiores dos pinheiros, mais propícios ao fogo eram cortados (esgalhados) a fim de obter lenha para a lareira e para o forno do pão e para empar videiras, feijão, ervilhas e tomates, etc.

Ao longo dos anos mais recentes, a modernidade dispensou a utilização de tal matéria-prima natural e recorre a outros meios do que resulta que a mata fica com tudo o que produz e torna-se vulnerável a qualquer descuido ou má intenção com meios igníferos. Perante isto, a limpeza das matas tem que ser feita determinadamente para esse fim e deve ser dado destino aos produtos dela resultantes, por exemplo, para produção de biomassa, com destino a fertilizantes, compactações em lâminas tipo tabopan, blocos para centrais de calor, energia, etc.

Para tais trabalhos de limpeza, as autarquias podem recorrer a desempregados, detidos de prisões com remuneração adequada. E, por outro lado, aos pirómanos, que entretanto continuem a agir, deve ser aplicada pena efectivamente dissuasora. As notícias de inúmeros fogos devastadores que têm afligido as pessoas, tornam urgente a determinação de medidas práticas eficazes, claras e motivadoras. O MAI tem que ir além das palavras simpáticas e das idas aos funerais de bombeiros vítimas do seu trabalho em favor da população e da paisagem nacional.

Segue-se uma lista de links de cartas publicadas em Jornais, desde 08-08-2002 e de posts em blogue.

- Fogos florestais. Helicópteros. Pilotos
- Fogos florestais, sem prevenção eficaz
- Mais vale prevenir do que remediar
- Fogo denuncia país dividido
- A época dos fogos florestais aproxima-se
- Definir a Protecção Civil
- Fogos florestais pertencem ao passado
- Prevenção de fogos florestais
- Fogos florestais e incapacidade dos políticos
- Fogos florestais. Prevenção e combate
- Fogos florestais. Problema a analisar com pormenor
- Fogos florestais. Problema a não esquecer
- Fogos Florestais - Enxurradas
- Mais vale prevenir do que remediar
- Prevenção de fogos florestais
- Prevenção nas florestas
- Vigilância das florestas pelo motoclube de Alcains
- Limpar Portugal em permanência
- Fogos Florestais 2010
- Fogos florestais. Mais vale prevenir!!!
- Os fogos acabam hoje ???
- Brincar aos planos de prevenção???
- Fogos testam capacidades de génios
- A floresta exige mais cuidados
- Políticos não são pessoas superiores
- Conhecer a floresta para a amar e preservar

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A ECONOMIA E AS PESSOAS


A propósito do muito que apareceu escrito acerca do falecimento do economista António Borges, julgo oportuno recordar o que a economista Maria da Conceição Tavares disse no vídeo publicado em

Recado a jovens economistas e a governantes

Hoje há a tendência de os economistas enfatizarem a intelectualidade da ciência da economia matemática centrada nos números e esquecendo as pessoas.

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domingo, 25 de agosto de 2013

REALIZAR O SONHO DE LUTHER KING


Há sonhos ou utopias que não devem deixar-se morrer, para que a luta pelos direitos das pessoas se sobreponha ao «culto dos ídolos efémeros» e se recuperem as «periferias sociais». E isso será possível se «cada um de nós fizer a sua pequena parte». Para isso transcreve-se o artigo:

Filho de Luther King apela para a continuação da luta iniciada pelo pai
Diário de Notícias 25-08-2013

 Martin Luther King III pediu ontem perante dezenas de milhares de pessoas a continuação da luta que a geração do seu pai iniciou há 50 anos, exactamente no mesmo local em que proferiu o discurso "I have a dream".

Luther King III, que seguiu exemplo do seu pai na defesa dos direitos civis, pediu aos manifestantes reunidos em Washington para não darem "sequer um passo atrás" na luta pelos seus direitos e disse que o sonho que Martin Luther King disse ter tido há 50 anos ainda está por realizar nos Estados Unidos.

"Estou aqui neste lugar sagrado sobre as pegadas do meu pai, comovido pela história intensa, mas mais do que isso gosto de saber que vocês continuam a sentir a sua presença, que continuam a ouvir a sua voz [de desejo de alcançar um sonho]. (...) Mas este não é o tempo para as comemorações nostálgicas, (...) é tempo para continuar a tarefa", afirmou.

Luther King III fez a defesa da reforma das leis da imigração, que se encontra atualmente no centro da discussão política nos Estados Unidos, sustentando que "deve ser adotada para que acabe o assédio que sofrem os irmãos e irmãs [sobretudo hispânicos] e para garantir-lhes o caminho da cidadania".

"Da mesma forma que estamos a recuperar da pior crise económica desde a Grande Depressão, os Estados Unidos precisam de um novo Plano Marshall para gerar empregos nas suas cidades, melhorar as infraestruturas e criar um estímulo económico", acrescentou.

Luther King III invocou também o "imperativo fundamental do amor", um poder a que se referiu o seu pai no célebre discurso há meio século, para apelar ao fim da violência traduzida por episódios como os tiroteios de Columbine ou Newtown.

"Se cada um de nós fizer a sua pequena parte, nas nossas casas, nas nossas igrejas, nas nossas escolas, nos nossos empregos, nas nossas organizações, se em cada um dos aspetos da vida tentarmos alcançar a causa da liberdade, de certeza que a alcançaremos. Seremos então todos livres", concluiu.

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sábado, 24 de agosto de 2013

INOPERÂNCIA DO CS DA ONU


Na notícia Londres diz que regime sírio foi responsável por ataque químico consta que «o chefe da diplomacia britânica, William Hague, pediu à ONU que envie especialistas à Síria para investigar o ataque com gás que matou centenas de pessoas naquele país na quarta-feira. "Nós acreditámos que se tratou de um ataque em larga escala com armas químicas do regime de Assad, mas gostaríamos que a ONU verificasse no terreno", afirmou.».

No entanto, Moscovo, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, um dos últimos apoiantes do regime de Damasco, ao qual vende armas, .considera "inaceitáveis" os apelos na Europa e a pressão sobre a ONU a favor do uso da força contra o regime do presidente Bashar Al-Assad e bloqueia todas as resoluções.

Admira como, após mais de meio século, o Conselho de Segurança da ONU continue com uma constituição que deixou de ser adequada ao mundo actual. Se os Estados mundiais devem ser considerados todos iguais perante a «lei» geral que regula o relacionamento internacional, não se vê motivo lógico para a existência de membros permanentes com poderes de bloqueio, do seu agrado, contra as opiniões da maioria dos outros «sujeitos de direito internacional».. A ditadura mundial partilhada desta forma pode gerar conflitos dramáticos para pessoas inocentes como os que ultimamente têm ocorrido em várias partes do planeta, principalmente em África e Ásia, perante o imobilismo do CS/ONU.

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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

AMIGO ANTÓNIO EM ENTREVISTA


O Amigo António, já aqui referido várias vezes, sempre com a humildade da sua opinião esclarecida embora raramente em consonância com o «politicamente correcto», ofereceu-me uns apontamentos da entrevista que deu à professora de sociologia Arlete de Betencourt e que pensa que esta não tornará pública.

P. O Sr. tem emitido opiniões que chocam os diversos partidos. Afinal qual é o seu partido?

R. Não tenho clube de Futebol como não tenho partido político. Por vezes, perante a insistência nesta pergunta, acabo por dizer que o meu partido é Portugal. Raramente vejo um partido apresentar ideias e argumentos que concorram para um Portugal mais rico e mais solidário e, quando surge uma dessas excepções, evidencio o meu agrado pela atitude de tal partido. Mas isso significa apenas que aplaudo essa ideia. Hoje existe fraco espírito de missão e os entusiasmos próprios de fugidios momentos, raramente se integram numa ideologia coerente vantajosa para satisfação dos portugueses. Mas, como em tudo o resto, só servem para impressionar agradavelmente os eleitores.

P. Mas pode dizer-me em quem tem votado?

R. Nunca votei num partido como muita gente faz «porque esse foi sempre onde votei desde o início». Há pouco mais de meia dúzia de anos, em eleições em que o candidato é uma lista, o meu voto foi em branco, como uma manifestação de ausência de confiança em todas e cada uma das listas. Agora o espírito é o mesmo, mas opto pela abstenção para que os partidos, em que não confio, não beneficiem do subsídio correspondente a mais um voto. É que cada voto que entre nas urnas, mesmo nulo ou branco, conta para o subsídio que os partidos recebem do nosso dinheiro.

P. Pelos vistos não gosta das listas concorrentes a eleições.

R. Realmente, não. Não é lógico que se vote numa lista, por vezes de dezenas de pessoas que não conhecemos. E tem havido casos em que, mais tarde, delas tem saído grandes malandros, quer viciados na corrupção, ou no tráfico de influências, ou no roubo de gravadores a jornalistas, ou em negociatas de promiscuidade entre interesses públicos e privados, autores de leis mal feitas, por incapacidade ou por má intenção, etc., etc. Por isso, defendo que não devemos votar numa lista em que haja indivíduos em que não tenhamos o mínimo, de informação segura para neles acreditarmos.

P. Qual é a sua opinião sobre a forma como decorrem as campanhas eleitorais?

R. A minha opinião é a pior possível. Normalmente não passa de uma técnica de publicidade duvidosa, para não dizer falsa, por vezes orientada por técnicos de publicidade comercial, com promessas de autênticos milagres que curam todos os males e geram um paraíso onde não faltam os sucessos e os prazeres do maior bem-estar. Estas patranhas sem lógica nem possibilidade de concretização, não convencem os eleitores com inteligência acima da média a não ser os que estão interesseiramente amarrados ao partido e que vão votar no seu próprio tacho. A restante população, tal como compra a banha de cobra, ou outra mesinha cura-tudo ou o bilhete de um sorteio ou aproveita o crédito que lhe impingem e que depois o coloca em dificuldade para pagar com juros, deixa-se levar pelo político bem falante que garante ou assegura que o voto lhe vai trazer o melhor com que sempre sonhou.

P. E acha isso inconveniente?

R. Não posso deixar de considerar um sistema péssimo. A democracia não funciona, convenientemente, com eleitores abúlicos, apáticos, desinformados que agem como dóceis rebanhos conduzidos para o açougue por pastores que não merecem a confiança das ovelhas. Depois ficam com uns mandatários mal escolhidos, sem preparação, sem a honestidade suficiente, que rasgam as promessas feitas na campanha e actuam segundo os seus caprichos, custe o que custar, sem darem contas nem explicações a quem os mandatou, como se fossem ditadores ou oligarcas autoritários e arrogantes, sem que os seus mandantes, os que os escolheram, os possam destituir por não corresponderem ao contrato feito ao serem eleitos, isto é, não cumprem as promessas pelas quais em troca receberam o voto.

P. Mas Portugal tem melhorado apesar de tais inconvenientes?!

R A esta sua pergunta, costumo responder com muita ironia: É verdade que depois do 25/A, passámos a ter televisão a cores, por cado por fibra, internet, telemóvel, computadores, tablets, e-mail… Mas isso foi a evolução do globo, em que a nossa posição não sobressaiu como gostaríamos. A comparação com os países europeus não é favorável de uma maneira geral. Os nossos governos têm piorado na forma como encaram a desejável melhoria da qualidade de vida. Cada mudança acaba por aumentar a quantidade de sanguessuga que se alimentam do nosso dinheiro, sem trazer melhor qualidade ao País. Aumentam as fundações, os observatórios, as PPP, os assessores, os consultores, mas do seu trabalho não tem resultado desenvolvimento para Portuga. No entanto florescem os ex-políticos, todos a viver na maior (mesmo os que entraram na política de tanga), os bancos, os serviços e empresas públicos e os coniventes e cúmplices.

P. Acha que a crise política de há dois meses e meio teria sido melhor resolvida com eleições antecipadas?

R. Não havia necessidade nem vantagem. O país nestes quase 40 anos não melhorou com mudanças de governos. Tem vindo a piorar continuamente e agora as eleições antecipadas seriam mais um agravamento: tempo perdido, custos das eleições e depois o aumento dos parasitas do Estado, porque o novo governo traria mais sugadores do erário a somar aos já existentes. Porque, embora este governo diga que para os eleitores não há direitos adquiridos e faça cortes cegos em tudo quanto esteja ao seu alcance, os políticos não são alvos disso pois os seus «direitos adquiridos» têm sido respeitados, porque, entre si, eles são de uma solidariedade sem hesitação, num compadrio que ignora fronteiras entre boys, sem olhar a partido. E se saem de umas funções vão para outras porque já ganharam posse e direito ao descanso eterno. São inúmeros os que saltam entre o Estado e o privado que tem relações com o este, do que resulta a promiscuidade e a «podridão dos hábitos políticos» referida por Rui Machete e ele, neste assunto, sabe bem do que fala.

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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

USO DO BODE EXPIATÓRIO


A sensação de felicidade corresponde a uma conclusão positiva acerca da auto-avaliação do desempenho das últimas horas, dos últimos dias. É o agrado da paisagem percorrida nesta viagem da vida. Aquilo que fizermos de forma correcta e com bondade para os outros, contribui para essa sensação acalentadora que chamamos felicidade Mas parece haver pessoas que não se preocupam em avaliar o seu desempenho com vontade de extrair conclusões que levem ao melhoramento dos métodos utilizados ou pouco ou nada encontram de agradável que lhes mereça rememorar. E essas, possuídas de mal-estar psíquico,  investem as suas duvidosas energias na procura de «bodes expiatórios» que consideram culpados de tudo aquilo que elas próprias deviam assumir.

Mau é que pessoas com responsabilidade de decidir, percam o tempo em fazer pontaria a tudo e todos atribuindo-lhes as culpas de tudo. Mas essa pusilanimidade coincide com a falta de coragem para eliminar muitas causas reais de despesas e prejuízos para o interesses nacional. E, assim, não se fazem reformas que possam prejudicar cúmplices e coniventes e, em vez de se extinguirem institutos e organizações inúteis, criam-se outros para albergar amigos inactivos e incapazes.

Desta forma, as mudanças de governos têm vindo a provocar mais obesidades no Estado que ninguém tem coragem de reformar ou adelgaçar devido ao compadrio que liga todos os sanguessugas independentemente dos partidos a que pertencem. Honestamente, não se podem atribuir culpas apenas ao Governo anterior, porque elas cabem a todos, desde Abril e ao regime, ao sistema e aos partidos que servem de esteio.

E a principal patologia do sistema que o corrói é aquela que o experiente Rui Machete apodou de «podridão dos hábitos políticos» e que se conjuga com «corrupção» e «tráfico de influências», com «boys» (das jotas ou não) a ocupar lugares aparentemente inofensivos e, depois, por efeito de trocas de simpatias e de favores sobem na carreira política, conseguem bons part-time (ou full-time) em empresas ou instituições nacionais, ou estrangeiras, normalmente com negócios com o Estado, onde usam os seus conhecimentos na administração pública. Um governante ou director de serviço público poderá chamá-lo novamente a um alto cargo que ocupa sem perder a ligação de «amizade» ao patrão que serviu e serve na privada e esta promiscuidade de interesses continua sem escrúpulos, ao ponto de na AR grande parte dos deputados se encontra em tal situação e só por milagres muito extraordinário, conseguirão em momento crítico esquecer o amigo exterior.

Por isso a confusão alimentada sobre a «swaps» pela imprensa não passa de miopia ou de ofuscação, por manter às escuras o muito de igual de que são discretamente insinuadas suspeitas. Seria melhor para os interesses nacionais que tudo fosse investigado e tornado público, acerca de todos os políticos com cargos pagos pelo erário público. Dessa f0rma, se poderia ter noção mais perfeita da tal «podridão», o que talvez pudesse estimular o sentido da honra e a coragem para aplicar a terapia eficaz a tal patologia.

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O MUNDO ACTUAL É MUITO COMPLEXO


Gerir as questões sociais da humanidade é, agora mais do que nunca antes, um problema muito sério que exige elevado grau de maturidade, sensatez, dedicação e espírito aberto.

Ontem, casualmente, ao passar junto a uma esplanada, fui convidado por amigos, para participar numa conversação que estavam tendo com a professora espanhola doutorada em história que lecciona numa Universidade de Madrid e é autora de um livro que foca a guerra de Portugal no Ultramar e está a preparar a publicação de novo livro com assuntos relacionados com os tratados no primeiro e comparando as atitudes de Espanha e de Portugal em relação aos territórios de além-mar, elogiando o papel mais humano e civilizador dos portugueses.

A conversa foi muito interessante e, a certa altura, foi colocada a interrogação acerca dos efeitos a prever para a humanidade advindos da postura do Papa Francisco, em termos sociais e políticos e quais os efeitos da reacção que parece estar a ser levantada no sector conservador radical do Vaticano. A professora apresentou a dúvida de a maior reacção poder surgir do sector conservador (acomodado) do Vaticano, mas brotar da Ordem Jesuíta a que o Papa pertencia, e que pode não tolerar que um jesuíta deixe de defender a elite central e passe, como um franciscano, a defender a periferia social. Esta espécie de traição ou deserção pode dar origem a grave risco para Francisco devido às suas palavras e acções, à semelhança do que se passou com os seus recentes antecessores.

Hoje, tudo se apresenta muito complexo e os interesses em jogo podem surgir das origens mais ocultas e menos suspeitas. Por exemplo, ser decisor político ou líder de importante organismo nacional ou internacional exige isenção, desprendimento dos interesses próprios (da própria vida), coragem para correr os riscos de enfrentar as pressões que se lhe oponham, com intenções opostas nos aspectos de moral, de ética e dos interesses nacionais.

Governar significa olhar para as pessoas em geral, principalmente para as de menos teres.

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terça-feira, 20 de agosto de 2013

LEIS MAL FEITAS


Ribau Esteves (PSD/CDS/PPM) foi presidente da autarquia de Ílhavo durante 16 anos e candidatou-se agora à presidência da Câmara Municipal de Aveiro.

O Bloco de Esquerda (BE) apresentou impugnação alegando que Ribau Esteves não podia candidatar-se por ser o actual presidente da Câmara de Ílhavo e, no fim do seu actual mandato, cumprir três mandatos consecutivos à frente dessa autarquia, como presidente de Câmara.


O Juízo de Média e Pequena Instância Cível de Aveiro julgou improcedente a impugnação, considerando elegível o candidato a presidente da Câmara de Aveiro Ribau Esteves, defendendo que, se o legislador quisesse proibir candidaturas de autarcas que já cumpriram três mandatos, o teria feito de forma clara. Não permitir que um actual presidente da Câmara de uma qualquer autarquia, onde permaneceu por três mandatos seguidos, se candidatasse a uma outra autarquia teria na sua base uma "interpretação demasiado alargada" do artigo 1.º da Lei n.º 46/2005, sustentando que esta interpretação "lesaria o exercício de um direito fundamental".

"Se o legislador ordinário tivesse pretendido limitar o exercício do direito de acesso a cargos políticos, com a abrangência alargada defendida pelo impugnante, teria consagrado, de forma expressa e clara, tal limitação, fazendo referência que a mesma reportar-se-ia a toda e qualquer autarquia. E como vimos, isso não aconteceu".

Notícias que referem leis mal feitas:

- Tribunal de Oeiras confirma que Isaltino não se pode candidatar à Assembleia Municipal
- Rio queixa-se do tempo que perde "com leis mal feitas"
- Começam a ser demasiadas leis mal feitas
- Custo das leis mal feitas dava para pagar salários dos deputados
- Portas acusa Governo de fazer “leis mal feitas" e responsabilizar Cavaco
- Leis mal feitas custam 7,5 mil milhões ao país

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