domingo, 25 de outubro de 2020

PAÍS RICO TEM POPULAÇÃO EVOLUÍDA

(Public em O DIABO nº 2286 de 23-10-2020, pág 16. Por António João Soares)

País desenvolvido e rico, como todos gostariam de ser, não é consequência da sua antiguidade, da quantidade de produtos naturais disponíveis, da sua dimensão geográfica, da riqueza agrícola, do número de intelectuais nem da raça dominante. Os bens e os serviços existentes não são o factor essencial.

Esses países distinguem-se pela qualidade do seu povo no que respeita a segurança, ordem e trabalho. As pessoas devem ter consciência da sua actividade, espírito colectivo e solidariedade, moralidade, ética, respeito pelos outros e espiritualidade.

Para isso ser conseguido, as boas qualidades do povo desenvolvem-se desde tenra idade e a partir de pequenas organizações da comunidade, onde o cidadão vive e convive. Aí, ele se desenvolve ao longo da vida nas associações relacionadas com a vida social e cultural, nas confrarias, associações de bairros, clubes de idosos, festas de santos populares, etc. Cada instituição dessas constitui um mini-Estado com características próprias de que os componentes se orgulham. Nesses ambientes se criam tradições e modalidades de vida, músicas e bailados regionais que levam ao culto de valores e à verdadeira riqueza de um País.

Quando hoje se fala em descentralização deve evitar-se a fragmentação do poder central e a autoridade imposta nas localidades por mentalidades insensíveis às características ali existentes. Deve, sim, apoiar-se a afectividade e o sentimento nacional no reforço dos objectivos do Estado, com base no povo. É nisso que assenta a frase “em democracia, o povo é quem mais ordena”. E deve incentivar-se a prevalência, sobre a matéria, do espírito, da solidariedade e da convergência de esforços, dos afectos e da procura da perfeição.

Os valores procurados devem ser a ética, a integridade, a responsabilidade, a pontualidade, o respeito pelas leis e regulamentos e pelos direitos dos outros, a dedicação ao trabalho, o esforço consciente pela poupança e pelo investimento, o desejo de superação para o bem do próprio e da colectividade. Isto está a ser posto de lado com as ideologias de género, a destruição das tradições, da história e das religiões de povos com raízes antigas.

Ao constatar um erro, devem ser analisadas as causas que o originaram e procurar evitar a sua repetição, a fim de obter a perfeição. A maior preocupação de todos deve ser com a sociedade e não com a classe política que é o efeito dos aspectos menos espirituais dos cidadãos. Desta forma se consegue melhorar os países e torná-los mais ricos e mais exemplares e respeitáveis. E deve ser dada atenção às palavras dos cidadãos mais dignos, pois eles, normalmente pouco faladores, merecem ser ouvidos com muita atenção e estimulados a não se manterem silenciosos, pois eles podem aconselhar a correcção de erros graves cometidos pelos políticos. É que está provado que “o pior das sociedades actuais é o silêncio dos bons que suportam situações difíceis sem reagir”.

A propósito de países ricos e desenvolvidos, procure-se conhecer bem os factores que levaram o Japão e a Suíça, respectivamente, a segunda potência económica e ao grande forte financeiro mundial, ambos com solo pouco fértil e muito montanhoso, de pequena dimensão, mas com populações dotadas de virtudes como as atrás citadas.

O esforço para a preparação mental da população, embora seja visível nas organizações locais e regionais, deve merecer a devida atenção por parte do sistema de educação, quer nas escolas quer noutras instituições afins, sempre com respeito pela ética, a moral, as tradições e os ensinamentos da história propícios à preparação de um futuro coerente com os momentos mais gloriosos do passado. Isto não pode conformar-se com mudanças relâmpago. Pessoas sensatas não se deixam levar, de ânimo leve, por vendedores de fantasias que pretendem destruir o saber adquirido serenamente durante vidas. ■


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domingo, 18 de outubro de 2020

O MUNDO É DE TODOS NÓS

(Public em O DIABO nº 2285 de 16-10-2020. Pág 16, Por António João Soares)

A pandemia do coronavírus atingiu todo o Mundo e não se ficou pelos idosos nem pelos sem-abrigo. Poderosos governantes foram atingidos, como foi o caso de Donald Trump e da sua esposa. Esta é uma das várias lições que nos são dadas pela pandemia e devemos aprender. Somos todos habitantes do planeta Terra e a Natureza trata-nos como iguais. E perante esta lição, devemos interrogar-nos: para que servem a ambição, a vaidade, o uso da violência para impor a própria vontade e tomar posse das potencialidades naturais de estados mais fracos?

A harmonia e a amizade tornam mais fácil a melhor utilização das capacidades mais úteis que a Natureza coloca ao nosso alcance e também permitem o combate convergente aos males naturais que nos podem surgir, como aconteceu com a pandemia que ainda nos preocupa. De mãos dadas, em acções combinadas, convictos de que somos parceiros da mesma equipa, somando os esforços individuais, orientados para objectivos de interesse colectivo, podemos obter a maior felicidade e melhorar a qualidade de vida de toda a humanidade.

O diálogo e o convívio amigável facilitam a felicidade pessoal, de grupos e de sistemas internacionais. Há poucos minutos vi a notícia de que, depois de 17 anos de conflitos entre diversas partes do Sudão que custaram dois milhões de vidas e quatro milhões de desalojados, o governo de transição e cinco movimentos armados assinaram um acordo de paz que coloca um ponto final nessa crise indesejável. A intenção é alcançar um equilíbrio entre a paz global e a transição para a democracia para conduzir à estabilidade política e ao desenvolvimento, pela primeira vez desde a independência, há mais de 60 anos.

Felizmente, há mais governantes de preponderância na política internacional dispostos a ajudar a restabelecer a paz onde ela está a fracassar. Já sobre o conflito na região separatista do Azerbaijão, conhecida por Nagorno-Karabakh, onde há cerca de duas semanas decorrem combates mortíferos, houve unanimidade de Putin e Macron ao apelarem para o fim «completo» dos combates e ao afirmarem estar prontos a intensificar esforços diplomáticos para ajudar. Exortaram as partes em conflito ao cessar-fogo e a, rapidamente, reduzir as tensões e mostrar o máximo de contenção.

Perante as presidenciais previstas na Costa do Marfim para 31 de Outubro, reúnem-se no início do mês, em Abidjan, representantes dos países da África Ocidental, União Africana e Nações Unidas e Costa do Marfim, numa missão de «diplomacia preventiva» tendo em vista a eleição presidencial. A comitiva foi liderada pela ministra dos Negócios Estrangeiros do Gana, país que preside actualmente à comunidade regional de países da África Ocidental e os seus elementos terão encontros com membros do governo e responsáveis de instituições envolvidas na organização das eleições bem como com os candidatos e partidos políticos.

Estas medidas para a paz são positivas e os apelos do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, são muito louváveis ao apelar, em vários casos, aos acordos de paz e ao disponibilizar altos funcionários para dar ajuda para fomentar o diálogo e negociações preparatórias. Também têm sido notáveis os esforços para a solução da tensão na Bielorrússia devida a suspeitas no resultado das últimas eleições presidenciais e desejo generalizado de novas eleições, devidamente controladas. Também a tensão entre os EUA e o Irão tem sido alvo de procura de solução pacífica. No entanto, todos os esforços têm sido insuficientes, porque há grandes interesses por detrás da violência e os terroristas continuam a fazer estragos, por apoio dos fomentadores de conflitos. A invasão do Iraque em 2003 foi suscitada pela indústria de armas a pretexto da existência de armas de destruição maciça que depois não foram encontradas.

No início deste ano, 39 pessoas morreram num ataque ‹jihadista› perpetrado contra um mercado numa localidade do norte de Burkina Faso. No princípio de Agosto, indivíduos pertencentes ao grupo islâmico Boko Haram atacaram a população, no norte dos Camarões, causando 18 mortos e 11 feridos.

Façamos tudo o que pudermos para a paz e harmonia deste mundo que é de todos nós. ■


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quinta-feira, 8 de outubro de 2020

ONU. O QUE ESPERAR DELA?

(Public em O DIABO nº 2284 de 09-10-2020, pág 16. Por António João Soares

 A ONU foi criada com a intenção de serem evitadas guerras, isto é, com os Estados a conviver numa desejada harmonia, evitando ao máximo conflitos armados e resolvendo qualquer mal-entendido de forma dialogante, na procura de soluções, ou por conversação directa ou com ajuda de intermediário. O actual Secretário-Geral tem mostrado vontade e habilidade para aconselhar esse tipo de comportamento, sugerindo a procura de soluções pacíficas, de que agora se destaca o caso do Irão, procurando travar a irritação dos EUA, com uma posição ilegítima que contraria a posição tomada em 2018.

Há cerca de dois anos, em texto aqui publicado, referi que não me pareceu sensato que o Conselho de Segurança, em vez de tratar indiscriminadamente os seus Estados-membros, criasse uns especiais, com direito a actividade permanente, a veto e a liberdade para dispor de armas nucleares que eram vedadas a todos os outros. Na altura, havia o caso de a Coreia do Norte ter desenvolvido uma arma nuclear e mísseis com capacidade de a fazer explodir em qualquer ponto do território dos EUA. Trump reagiu de forma pacífica levando Kim Jong Un a desactivar instalações e equipamentos que tinha construído. Trump não actuou de igual para igual entre os dois Estados membros da ONU, mas abusou da sua melhor posição económica e financeira para se impor.

É sensato que a ONU tivesse desejado evitar a utilização de armas nucleares que, embora na II GM fossem de pouca potência e ainda “experimentais”, mostraram ser altamente nocivas para a humanidade, quer em vidas humanas quer em danos materiais e em seres vivos, animais ou vegetais. Mas devia aplicar essa interdição a todos os seus estados-membros e não deixar a excepção para as potências que têm o privilégio de dominar o Conselho de Segurança. O caso da Coreia do Norte foi resolvido por Trump, um dos poderosos donos do Conselho, que usou da sua imagem de poderoso contra um Estado-membro de pequena dimensão.

Neste momento estamos perante semelhante prepotência do mesmo “ditador”. Em 2015 assinou, acompanhado de cinco Estados seus parceiros na Nato, um acordo com o Irão e em 2018, como não estava a ser tratado com a deferência e a obediência que desejava, abandonou o acordo e, agora, sem consultar os ex- -parceiros do acordo, alguns também membros permanentes do C.S., decidiu impor sanções ao Irão. Os outros parceiros não concordam e o próprio Secretário- -Geral da ONU também não, e disse que a ONU “não vai apoiar a reposição de sanções contra o Irão, que continua a ser exigida ao Conselho de Segurança pelos Estados Unidos”.

As partes dum tratado ou participantes dum mesmo organismo devem respeitar- -se em regime de igualdade, sem nenhuma puxar da sua qualidade de mais poderosa. O respeito mútuo exige compreensão pelas qualidades e defeitos de cada um, mas sem imposição ou subordinação de gostos ou de interesses.

O título deste texto deixa curiosidade quanto às próximas reformas que a ONU deve fazer para se libertar da subordinação a vencedores da II Guerra Mundial. Se a arma nuclear é considerada indesejada, deve ser desactivada por todos aqueles que a possuem. E isso deve ser um acto testemunhado por uma equipa de técnicos independentes e isentos. E devem ser desaconselhados espectáculos como o da explosão no Afeganistão da “rainha das armas” de Trump, cujos resultados foram nulos, e não impediram que, poucos dias depois, um grupo terrorista entrasse num quartel, em hora de oração com todos os militares desarmados e debruçados sobre o solo e causasse uma quantidade brutal de baixas.

Para concretizar as intenções do Secretário da ONU, para além de reduzir a utilização de armamento e de evitar a guerra, devem ser organizados grupos de mediadores para incentivar a resolução pacífica de problemas e manter boa harmonia e sentido de colaboração e ajuda entres os Estados-membros. ■


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quinta-feira, 1 de outubro de 2020

A UNIÃO EUROPEIA E A SUA ESTRATÉGIA

http://domirante.blogspot.com/2020/10/a-uniao-europeia-e-sua-estrategia.html

(Public em O DIABO nº 2283 de 02-10-2020, pág 16. Por António João Soares)

A União Europeia foi instituída em 1993 pelo tratado de Maastrich tendo as suas origens na Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, em 1957, seguida da Comunidade Económica Europeia, constituídas por seis países, e foi aumentando a sua área geográfica com a adesão de novos Estados-membros, ao mesmo tempo que dilatava a sua esfera de influência com novas competências políticas.

A sua localização no centro do Ocidente e debruçada sobre o Oceano Atlântico cria-lhe uma posição de valor considerável, ao nível das principais potências mundiais, tendo tido, por exemplo, um papel importante na Guerra Fria que decorreu após a II Guerra Mundial e que constituiu um factor muito importante para o início de uma convivência internacional dialogante que se tem desenvolvido, apesar de alguns pequenos conflitos com o envolvimento de uma ou outra das grandes potências.

Actualmente, tem vindo a sentir à volta da sua área geográfica e em algumas suas regiões mais periféricas sinais de instabilidade e de tendência para eventuais violências. É oportuno que recorde a vocação pacifista que lhe deu origem e que desenvolva o esforço necessário para reforçar a sua vocação de apoio e cooperação aos povos que estejam a necessitar de mediação para evitar actos de violência e para a procura de soluções pacíficas através do diálogo bilateral com o sem intermediários e de negociações cooperantes.

De momento, as atenções estão focadas na situação interna da Bielorrússia e na da Líbia, no Norte de África, onde, desde a morte de Muamar Kadafi, há quase nove anos, ainda não foi constituída uma organização política eficaz para gerir a vida social e a economia. E note-se que a riqueza da produção de petróleo merece uma boa concentração de esforços para ser bem gerida com vista ao enriquecimento nacional. Nestes dois países que agora precisam de ajuda, é oportuno que alguém, com prestígio, experiência e sensatez, lhes diga: pensem bem no futuro do vosso país e na forma de o enriquecer e melhorar a qualidade de vida dos vossos cidadãos. Um conflito, mesmo de pequena duração, faz gastar as vossas riquezas, enfraquecer as vossas economias e desgastar o amor que os vossos jovens devem alimentar ao país e ao futuro de cada um deles. Uma Nação deve funcionar como uma equipa desportiva, sempre com o olhar no objectivo comum que devem querer conquistar com conjugação de esforços coerentes e unidos. A dispersão de esforços e de intenções gera divisões, raivas e ódios que não resultam em nada de bom.

Mas a importância da UE não deve confinar-se ao seu território nem aos seus vizinhos. O seu prestígio torna-a desejada em locais mais distantes. Por exemplo, o Fórum Euro-África arrancou na quinta-feira, 3 de Setembro, com o propósito de aproximar os dois continentes e contou com um debate virtual entre o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o seu homólogo do Gana. O líder do fórum explicou que foi desagradável os dois continentes terem estado cerca de 50 anos de costas viradas e é necessário voltarem a um bom entendimento que deve ser vantajoso para ambas as partes.

A UE também deve intervir para facilitar o bom relacionamento entre a Turquia e os Estados que com ela partilham o mar entre a Ásia e a Europa. Também tem sido positiva a posição da UE no amaciamento das relações dos EUA com a China e com o Irão, evitando as ameaças de acções militares que agravam os desentendimentos, mesmo que pequenos.

Mas para a UE desenvolver a sua estratégia, precisa de estar segura de que ela corresponde aos interesses de todos os seus Estados-membros, ouvindo não apenas os seus líderes políticos mas, principalmente, personalidades sensatas e bem preparadas que conheçam e amem o seu país e os seus concidadãos.


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sexta-feira, 25 de setembro de 2020

COLABORADORES. AMIGOS OU COMPETENTES?


Public em O DIABO nº 2282 de 25-09-2020, pág 16. Por António João Soares

 

O detentor de funções que exigem responsabilidade e competência e dispõe de poder para escolher colaboradores deve usar de sensatez para decidir entre candidatos a quem deve favores e outros que são competentes e eficazes. Têm surgido casos a que a comunicação social, apesar da submissão ao politicamente correcto, tem dado atenção.

Uma senhora governante não deu a devida atenção aos doentes de um lar de idosos infectado por um surto de covid-19, não avaliando o funcionamento para detectar as causas e adoptar medidas correctivas e preventivas a fim de parar a tragédia. Ao ser interrogada em entrevista, confirmou que não se dera ao trabalho de ler um relatório da Ordem dos Médicos. O PR Marcelo, nas suas andanças pelas praias, em resposta a pergunta de jornalista, afirmou que no referido caso não se tratou de ignorar apenas um relatório, mas sim quatro da mesma entidade que ele leu e indicou data e número de páginas de cada um. Disse que “é preciso ler todos”.

A incapacidade para a função e a falta de respeito pelos cidadãos mostra que há governantes inadaptados à função que aceitaram desempenhar. Esta má selecção de colaboradores, nota-se em vários casos de situações de crise, como por exemplo na prevenção e combate a incêndios florestais e na prevenção de secas. Estas situações e as medidas preventivas já foram aqui citadas várias vezes, sugerindo a compartimentação das florestas com aceiros e, quanto a secas, o aproveitamento da água do mar, com estações de dessalinização, escolhendo a latitude mais adequada para a primeira, de forma a apoiar a agricultura mais carente.

Há dias, o Ministro da Administração Interna lamentou a morte de um bombeiro que ocorreu quando combatia extenso fogo. Mas não aproveitou a oportunidade para reconhecer que desde a última época de fogos não accionou as medidas mais apropriadas para evitar mais incêndios ou, no mínimo, reduzir as dimensões dos que viessem a ocorrer. Na falta de tais cuidados com o interesse nacional e com as vidas e haveres da população rural, a tragédia dos incêndios continuará enquanto se mantiver a passividade dos altos responsáveis pelo País.

Quanto estarão a pagar, discretamente, os que tiram grandes lucros com o aproveitamento das madeiras queimadas e com a utilização dos meios usados nos combates aos incêndios? Ouve-se à boca pequena que se trata de grande negociata em que os incendiários são pagos pelo seu trabalho.

Para evitar incêndios de brutal dimensão, há que atravessar a floresta por uma quadrícula de aceiros, caminhos através da floresta com largura igual à altura das árvores mais desenvolvidas, a fim de que uma que tombe não ateie o fogo ao outro lado, e mantidos limpos para que os resíduos e as ervas secas não permitam a continuidade do fogo. O asseiro tem também a vantagem de permitir o acesso fácil a viaturas dos bombeiros e a supervisão dos cuidados de que eles precisam. A criação destes dispositivos afecta pequenas propriedades, pelo que para ser montada deve haver prévio acordo com todos seus donos, o que implica a actuação das autarquias. Tenho visto imagens de encostas, na Galiza, onde estão instalados com grande rigor geométrico.

Um acidente ou outra situação desagradável fragiliza a autoridade que os cidadãos devem reconhecer ao responsável estatal, que deixa de merecer o respeito que lhe devia ser dado; e fica-lhe bem rescindir do cargo. Foi o que sucedeu após o acidente em Beirute.

Infelizmente, esta senhora não está só. Há pouco tempo, houve um descarrilamento de comboio matando dois trabalhadores da linha e causando ferimentos e muito incómodo em passageiros. Falta de cuidados dos trabalhadores, mal mentalizados e mal chefiados. Mas o governante não se referiu às causas e aos danos e disse aos portugueses que os nossos comboios são dos mais seguros do mundo e estamos confiantes com eles. ■


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quinta-feira, 17 de setembro de 2020

SOCIEDADE SEDADA, ADORMECIDA

(Public em O DIABO nº 2281 de 18-09-2020, pág 16. Por António João Soares)

  Portugal está a passar por uma grave crise de opinião que nos preocupa por termos, a breve prazo, eleições como as presidenciais, que são de grande responsabilidade e podem não ter significado convincente quanto ao número de votos: com as abstenções, pode acontecer que o candidato vencedor tenha apenas uma pequena percentagem do número total de eleitores. Nesse caso, o resultado será desencorajador e desprestigiante.

Mas o motivo que leva à abstenção nem é o mais grave do ponto de vista da voluntarioso e mentalmente saudável da população. O mais preocupante é o estado de espírito dos portugueses que vivem, sonolentos, sedados, alheios aos problemas que nos preocupam colectivamente e a cada um.

Os órgãos da comunicação social, que no século passado contribuíam para a educação e a formação social e profissional das pessoas, hoje limitam-se a manter os ouvintes e leitores afastados de tudo o que realmente contribui para a cultura, o desenvolvimento económico e social, etc.

Actualmente, quando procuramos notícias sobre a vida do país com interesse para a competitividade com os parceiros europeus e do mundo, deparamos com negociatas do futebol ou outras ninharias; agora, mesmo isso é ultrapassado com o espaço dedicado a números da pandemia, sem análises e descrições que contribuam para percebermos melhor a gestão da crise, evitarmos erros ocorridos e, por outro lado, organizarmos a vida a fim de sobreviver com saúde e energia para melhorar o ambiente e a convivência a bem da economia e da vida social, por forma a fazer crescer o país e melhorar a vida colectiva.

Para criarmos uma economia mais moderna e competitiva, com mais e melhores empregos e mais volumosas exportações, de onde viriam melhores salários e mais comodidades na vida, é necessário que não haja escórias desinteressadas de tudo o que realmente tem valor. Ninguém deve fechar os olhos à realidade e ficar à espera de que sejam os outros a criar um país mais próspero e depois ir distribuir os resultados por ele.

Na política parece haver interesse de pessoas mal formadas e sem ética social em instaurar e defender o “politicamente correcto” e estimular a comunicação social a apoiar esse tipo de anestesia mental que mantém as pessoas alheias a tudo o que mais deve interessar.

Duas notícias despertaram a minha curiosidade, de forma positiva, até parecendo combinadas.

 Uma refere-se à retoma de actividade do Clube dos Pensadores, em luta contra a sedação agravada pela actual de pandemia. É reconhecido que o debate de ideias e opiniões é necessário para aliviar as pessoas da sonolência em que se deixaram embalar. É imperioso que se instiguem a formar opinião sobre o que se passa à sua volta e que pode condicionar o seu futuro. E os debates servem para moldar as opiniões, ouvindo outros que pensam de outra forma. Numa democracia, o contraditório e a liberdade de discordar fazem parte do seu nobre léxico, e ouvindo opiniões diferentes enriquece-se a compreensão. Os debates são enriquecedores e os conhecimentos evitam ser lesados por atitudes de propaganda, de meias verdades e de falsas promessas. Os governantes e outros políticos devem trabalhar nos seus gabinetes analisando os assuntos e preparando as decisões depois de ouvirem os seus conselheiros. Quando falam em público devem dizer coisas fidedignas e com peso político. A propaganda nada os beneficia perante cidadãos serenos, sensatos e sabedores.

A outra notícia refere-se ao Fórum Euro- -África, cujo organizador disse à Lusa que o grande objectivo do encontro é reaproximar dois continentes que estiveram de costas voltadas nos últimos 50 anos. Houve 3.500 inscritos para assistir, o que demonstrou que a junção da plataforma Europa e África era algo que se impunha, e mais de 70% dos inscritos eram provenientes de África. ■


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sexta-feira, 11 de setembro de 2020

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Alterações climáticas
(Public em O DIABO nº2280 de 11-09-2020 pág 4 Por António João Soares)

Há quem acredite que vale a pena lutar contra as alterações climáticas. Mas estas, praticamente, não dependem da acção do homem, pois resultam fundamentalmente do núcleo, em fusão, do planeta. A crosta sólida onde habitamos é uma ténue camada que envolve esse núcleo em ebulição e que produz alterações como montanhas e vales, vulcões, agitações como o sismo de Lisboa em 1-11-1755 e outros. A temperatura do globo depende muito do calor oriundo do seu centro.

Um dia, em actividade profissional, visitei a montanha existente entre o vale do rio Tejo e o do Trancão, perto de Bucelas e Alverca. A dada altura, comecei a ver grande quantidade de cascas de mariscos e um companheiro disse que devia ter havido ali grande piquenique, mas a quantidade era tão extensa ao longo da linha de cume que se concluiu facilmente que aquela área já tinha estado debaixo de água, como explicaria um geógrafo ou geólogo.

A Natureza tem particularidades que merecem ser meditadas. Um engenheiro reformado que era professor de Geografia na UITI, na Rua das Flores, em Lisboa, na sua aula para idosos afirmava frequentemente que o globo terrestre é uma bola ardente semelhante a uma cafeteira com leite a ferver tendo este a boiar à superfície uma ténue camada de nata. E dizia que a superfície da Terra é semelhante a essa nata quer na pouca espessura quer na reacção ao líquido fervente que envolve. Com efeito, a Terra não é um volume sólido mas uma enorme quantidade de matéria líquida, em fusão, com elevada temperatura, envolto por uma película pouco espessa, em relação à grande dimensão do globo.

Há várias hipóteses dos estudiosos do universo sobre as previsões da evolução dos corpos celestes até à sua extinção daqui a milhões de séculos. Tudo se acaba, mas esses fenómenos da Natureza não dão lugar a intervenção de minúsculos habitantes dum planeta dessa imensidão de astros. Isso não deixa espaço para “lutadores contra as alterações climáticas” poderem obter algum êxito.

A única coisa que o homem pode influenciar é a qualidade do ar que respira, normalmente em áreas limitadas, procurando evitar ao máximo a poluição e respeitando a Natureza ambiental e os seres vivos, quer vegetais quer animais, e protegendo os recursos minerais como sustentáculos da vida, mas isso terá pouco efeito nas alterações climáticas propriamente ditas.

O clima, por outro lado, também está sujeito aos movimentos cósmicos do espaço em que a Terra se encontra e se move. A órbita terrestre em torno do Sol também tem evoluções que o homem não pode controlar. Se mais não fosse, o eixo de rotação do globo terrestre não forma um ângulo recto com a direcção do Sol, fazendo o ângulo da eclíptica, do qual depende a existência das quatro estações anuais. Esse ângulo está a ser alterado, pelo que as estações vão deixando de ser rigidamente iguais em relação ao passado. Isso costuma ser notícia da alteração da inclinação do eixo da Terra. E o Sol também está em evolução, perdendo energia.

A estes factores juntam-se outros do âmbito astral, com ventos cósmicos que condicionam o clima da superfície terrestre. Segundo me informou um amigo estudioso da Natureza e de tudo o que nos cerca, “um dia de erupção vulcânica produz tanto CO2 como todos os veículos motorizados (incluindo aviões e navios) num ano. Além do CO2, que é fonte de vida para vegetais e não só, os vulcões atiram para a atmosfera milhares de toneladas de gases sulfurosos, estes extremamente venenosos”.

A única coisa que o homem pode influenciar é a qualidade do ar que respira, normalmente em áreas limitadas. Devemos procurar evitar ao máximo a poluição e respeitarmos a natureza, mas isso terá pouco efeito nas alterações climáticas propriamente ditas. Contentemo-nos por lutar pela defesa do ambiente. ■

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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

PELA PAZ E HARMONIA GLOBAL


(Public em O DIABO nº2279 de 04-09-2020, pág 16. Por António João Soares)
 Tenho repetido que o bom entendimento e a harmonia entre Estados, tal como entre pessoas, deve ser um ideal permanente. E, sendo a Humanidade constituída por todos nós, cada um deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para conseguirmos tal objectivo. Tem havido muitas pessoas de boa vontade, civismo, ética e perfeitos sentimentos que tem alimentado a esperança de que, após esta crise pandémica que obrigou ao recolhimento e à reflexão, as sociedades passem a abolir a violência e a usar de mais respeito pelos outros para se viver em convergência de sentimentos e diálogo por forma a evitar conflitos que degenerem em violência.
É certo que cada um tem a sua opinião e devemos respeitar a dos outros, mas sem impormos a nossa. E na vida colectiva as decisões que dependam de vários interessados devem ser precedidas de diálogo, pacífico e bem argumentado, por forma a ser obtido real acordo entre os intervenientes.
Esse esforço terá que ser muito persistente, para que os maus hábitos actuais vão sendo eliminados. Felizmente, vão surgindo casos louváveis, na vida internacional que estão a dar exemplos desta mudança. Um desses exemplos é o caso de a França, a Alemanha e o Reino Unido terem anunciado que não apoiam no Conselho de Segurança o restabelecimento das sanções internacionais contra o Irão, exigido pelos Estados Unidos que não gostaram de tal atitude que contraria o alinhamento da grande potência americana contra os aiatolas. Esta atitude daquele que se considera “dono do mundo” é o extremo oposto do objectivo atrás sugerido. Ela está conforme com o culto pelo poder através das armas e das Forças Armadas que estão distribuídas por grande parte dos países cuja posição geográfica querem controlar, bem como a sua posse de produtos naturais de valor estratégico, como o petróleo e outros minerais.
 Sendo as armas instrumentos de morte, a ONU deve sugerir aos Estados mais armados que comecem a pôr de lado a violência e deve iniciar a criação de equipas de diplomatas bem treinadas na mediação, para ajudar as partes de conflitos a encontrar solução pacífica, sem perda de vidas nem danos patrimoniais. Essas equipas não devem impor soluções, mas sim ajudar as partes a chegarem a entendimento, com equilíbrio de cedências de parte a parte, sempre de forma cordata. É preferível uma paz menos vantajosa a uma guerra demolidora e geradora de ódios e vingança. É pena que o conflito Irão/EUA se mantenha aceso com tendência de agravamento entre dois contendores demasiado teimosos e persistentes no mau uso das armas.
Outro caso elogioso é o apoio da Alemanha, que enviou o seu MNE à Líbia, numa visita não anunciada a fim de aconselhar a necessidade de pôr fim ao conflito que vem desde a morte de M. Kadhafi em 2011 e que, desde Abril de 2019, é uma luta entre duas facções apoiadas por milícias armadas por países estrangeiros, que devasta aquele país do Norte de África. Na sequência, foi conseguido o acordo de cessar-fogo imediato, o fim de todas as acções militares no território líbio e a concordância das partes em «trabalhar para alcançar acordos sobre a retoma integral das acções de produção e exportação de petróleo», para chegarem a uma solução pacífica. O sucesso das conversações foi aplaudido pela UE e por diversas entidades internacionais.
Também foi exemplar a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), em relação aos recentes acontecimentos no Mali onde a situação é considerada grave internamente e para a região. Esta Comunidade organizou uma cimeira para continuar as conversações para assegurar o regresso imediato à ordem e, segundo o Presidente, “esta situação é um desafio e mostra o caminho que falta percorrer para o estabelecimento de instituições democráticas fortes no nosso espaço”.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

MUDANÇAS PARA O DESENVOLVIMENTO

Mudanças para o desenvolvimento
(Public em O DIABO nº 2278 de 28-08-2020, pág 16. Por António João Soares)

As reformas para o desenvolvimento têm sido objecto de notícias e de opiniões de cidadãos esclarecidos e interessados no melhor futuro para Portugal, dos seus cidadãos e do seu património nacional. Há muita gente a falar de mudanças, mas sem ter algo de concreto e realizável com utilidade para a sociedade de amanhã, através de uma evolução adequada, sem roturas nem alterações dolorosas, e que contribuam para as melhorias desejadas nos sectores fundamentais.

Mudar por mudar, normalmente, pode nada trazer de positivo e, além dos custos financeiros, pode arrastar a vida das pessoas para situações de crise de difícil ou impossível retorno. Para se conseguir melhorias, as decisões devem ser tomadas segundo uma metodologia semelhante à que referi no segundo artigo que aqui publiquei, há quase quatro anos, depois do convite que aceitei, com a íntima e não divulgada missão de contribuir para um futuro melhor de Portugal e da humanidade. Depois de 200 artigos publicados, que guardei no blog “Do Miradouro”, quis fazer aqui referência a dois ou três com maior interesse sobre o assunto, mas encontrei 31 de onde será trabalhoso retirar os que devia escolher para isso. Mas deixo a indicação aos eventuais interessados de que, mais fácil do que procurar e folhear duas centenas de jornais, podem encontrar os textos em http://domirante.blogspot.com, onde os tenho guardado depois de publicados.

Para decidir e concretizar a mudança, é imprescindível e fundamental definir o objectivo essencial e alguns secundários que para ele concorram e, depois, deve ser escolhida a estratégia para os atingir. Em qualquer destas tarefas a metodologia deve ser lógica e racional, sempre de olhos postos nas realidades e potencialidades nacionais, sem olhar a interesses parciais, para não lesar a escolha da finalidade desejada, que deve estar sempre em mente, de criar um melhor futuro para Portugal e para os portugueses. Por isso, a escolha de cada troço do itinerário estratégico não deve ser eivada de interesse partidário ou ideológico, para isso resultar do consenso de um pequeno grupo de especialistas altamente competentes no assunto e que se comprometam a não se deixar tentar a aceitar pressões inconvenientes.

É certo que, para cada objectivo, pode haver mais do que uma solução defensável e, quanto a isto, recordo o General Bettencourt Rodrigues que, como professor do Curso Complementar de Estado-Maior, em Pedrouços, ao preparar-se uma decisão e ao fazer a lista das soluções possíveis, dizia para os alunos: “agora durante cinco minutos a asneira é livre”. Com isso, queria dizer que na fase seguinte da discussão para escolha da melhor solução, não devia deixar de se contar com qualquer hipótese e é claro que, na maior parte, eram postas de lado à primeira vista de olhos e o maior tempo para a escolha era dedicado a duas ou, no máximo, três. E dessas a escolhida era esmiuçada em todos os aspectos para a concretizar em acções bem definidas a realizar pelos variados executantes e especialistas, sempre com os olhos postos no objectivo a atingir, a missão, como era designado em termos militares. E só depois de todo esse trabalho ser aprovado pelo responsável máximo pela operação é que eram difundidas as missões específicas para cada sector executante. E na acção, perante alterações das condições de inimigo, terreno, meteorologia e meios, podia haver ajustamentos para se manter a finalidade desejada.

Esta metodologia é aplicável a qualquer decisão individual, empresarial ou estatal e deve iniciar-se pela definição do problema, suas causas, suas condições, o meio ambiente, as pessoas afectadas, etc. A aplicação desta metodologia às decisões para a recuperação da actual crise económica e sócio-cultural pode ser uma garantia de êxito. ■

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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

QUANTO MAIS PERIGO MAIOR PRECAUÇÃO maior precaução

Quanto mais perigo maior precaução
(Public em O DIABO n.º 2277 de 21-08-2020. Pág 16. Por António João Soares)

Em situações de grande perigo ou risco deve usar-se a mais eficaz prevenção, com medidas adequadas e aplicadas de forma metódica sem distração, sem falhas, em permanência. Há diversos ditados populares que vêm da antiguidade e que continuam a ser muito bons conselheiros. Infelizmente, tais regras nem sempre são devidamente respeitadas e os resultados por vezes são catastróficos, como se viu nas duas explosões ocorridas na tarde de 4 de Agosto num armazém do porto de Beirute, Líbano, de que resultou um grande abalo na cidade e cuja notícia impressionou todo o mundo ao ponto de poucas horas depois terem chegado socorros de vários países e tendo o Papa Francisco e instituições internacionais apelado a uma ajuda ao Líbano para superar a grave crise que enfrenta, após as explosões que causaram mais de centena e meia de mortos e milhares de feridos.

As explosões ocorreram num armazém onde estavam armazenadas cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amónio (explosivo) confiscado e guardado desde há cerca de seis anos, sem devidas precauções de segurança.

O desmazelo na prevenção de acidentes, infelizmente, está generalizado. Em 11-09-1985, ocorreu um choque frontal de comboios na linha da Beira Alta, ocasionando cerca de 150 mortos e 170 feridos. Não basta haver material moderno e eficaz de detecção de perigo, de sinalização, etc. se não for utilizado com o necessário cuidado pelos seus utilizadores e se estes não tiverem sentido de responsabilidade e não forem supervisionados com a devida frequência a fim de não esquecerem as normas estabelecidas. Se em Beirute não foi praticado o necessário cuidado com o material armazenado, incluindo a sua remoção, no acidente de Alcafache, houve irresponsabilidade e inconsciência dos funcionários das duas estações vizinhas em que era possível a passagem dos dois comboios em sentidos opostos, e combinarem fazer esperar um dos comboios até ter disponível o troço de via até à estação seguinte.

Infelizmente, desde os executantes locais até aos mais altos responsáveis hierárquicos, não se preocupam com tais pormenores esperando o milagre de que não haja falhas. Mas elas ocorrem inesperadamente, como o roubo de material de guerra no paiol de Tancos, como no recente descarrilamento do comboio alfa pendular, perto de Soure, na sua viagem para o Norte, devido a choque com uma viatura de manutenção da linha que além dos prejuízos materiais, causou dois mortos (ocupantes da viatura), seis feridos graves e 19 feridos ligeiros.

Anedoticamente, o ministro das Infraestruturas reagiu dizendo que “É evidente que os portugueses podem continuar a confiar nos comboios. Nós temos um sistema de sinalização, uma infraestrutura e material circulante do mais avançado que há no mundo. O sistema ferroviário em Portugal é seguro. Não temos nenhuma indicação de que seja inseguro. A segurança é a primeira das primeiras preocupações de qualquer uma das empresas que trabalha na ferrovia, neste caso a IP e a CP”.

Mas, mesmo que fosse verdade a qualidade da infraestrutura e do material circulante, isso não basta para que os portugueses possam confiar na segurança dos comboios, porque a utilização das máquinas, a forma como forem usadas e as circunstâncias ambientais são factores que devem ser tidos em consideração, sem distracção, nem leviandade. Perante grandes perigos a precaução deve ser tida em muita consideração, sem esperar milagres.

É certo que a segurança exige equipamentos adequados mas é fundamental o cuidado permanente dos seus utilizadores e a supervisão e fiscalização dos seus superiores que devem garantir o bom estado de manutenção das máquinas e a sua correcta utilização a cada momento, sem falhas nem abusos nem facilitismos. O cuidado nunca é demasiado. ■

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