sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

PAZ E HARMONIA EM VEZ DE VIOLÊNCIA E GUERRA

Paz e harmonia em vez de violência e guerra
(Public em O DIABO nº2246 de 17-01-2020)

Sua Santidade o Papa Francisco, após a escalada da tensão entre EUA e Irão perante o assassinato do General iraniano Qassem Soleimani efectuado por um drone no aeroporto da capital do Iraque, apelou ao «dom da paz». Ele sabe que violência gera mais violência e esta pode ter sido reacção a um cerco demorado à embaixada americana no Iraque que levou Trump a decidir enviar mais 750 militares americanos. No entanto a escalada de violência nada traz de bom porque o «dom da paz» conseguida por meios pacíficos é a mais desejada solução pelos resultados imediatos e os que surgem como consequência. Se um acto terrorista levado a cabo por um bando de marginais gera repulsa, o acto realizado por pessoas responsáveis e com meios mais sofisticados, cria um asco que nos faz detestar grandes responsáveis por grandes potências e deixar de ter consideração pelos mais altos políticos que perdem dignidade ao desprezarem vidas humanas.

A paz constitui um bem impagável ao contrário da guerra que além de gastos, traz violências exageradas que afectam as duas partes envolvidas a ponto de, no fim, nenhum dos lutadores poder considerar-se vencedor por ter tido mais custos, perdas e despesas do que os eventuais benefícios adquiridos. A negociação em vez da guerra poupa sacrifícios de bens e vidas e resulta num ambiente de harmonia muito vantajoso, se forem dominadas as ambições e vaidades de mentes mal formadas. Já vai sendo frequente saírem de altos responsáveis por grandes potências ideias defensoras de soluções pacíficas para qualquer tipo de atritos e de mal-entendidos, antes de serem objecto de tentativas violentas.

Já aqui publiquei vários textos a abordar este problema que, embora não referissem o «dom da paz», estão muito convergentes com as palavras do Papa e já houve amigos que, em conversa sobre o tema sugeriram que os altos dignitários dos Estados, antes de se candidatarem a eleições ou nomeações, deviam ser submetidos a exames psicotécnicos, como acontece em alguns sectores da vida pública, para garantirem que não sucumbem a tentações de vaidade, ambição, corrupção que se sobreponham à defesa das populações e dos autênticos interesses nacionais.

A procura da paz e da harmonia social entre as pessoas e entre os Estados deve ter a mais alta prioridade para bem de todas as pessoas, de toda a Humanidade, por se tratar do melhor tesouro da existência humana. O diálogo aberto, o compromisso, a solidariedade, são o resultado desse bom comportamento ético, moral e social.

A comunicação social erra ao criar a impressão de que todos os países estão em conflito e «guerra», mas «a ONU (Organização das Nações Unidas), que foi fundada em 1945, com o compromisso de manter a paz e a segurança internacionais, fomentar as boas relações entre as nações, promover o progresso social, melhores condições de vida e direitos humanos», deve fazer todo o esforço possível para garantir a paz global. No entanto, convém que o Conselho de Segurança pratique a democracia na sua constituição e deixe de ter o «privilégio» de cinco membros todo poderosos que o transformam em ditadura, com a sua posição vitalícia, poder de possuir as armas nucleares que devem ser totalmente proibidas e de terem direito de veto em qualquer decisão da Instituição.

A paz autêntica não se obtém com envio de forças militares para lutar contra outros interesses em países pequenos, como se tem verificado no Médio Oriente e em alguns Estados da Ásia e da África. Cabe à ONU a missão de procurar tornar a Humanidade mais moral e ética, respeitadora dos direitos dos outros e tolerante de religiões, tradições e outras características de etnias, desde que não ofendam terceiros.

Como seríamos todos mais felizes se os principais líderes mundiais usassem de mais harmonia e colaboração para o bom entendimento mundial como família humana!

Bendito o Papa que apelou ao «DOM DA PAZ»

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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

ANO NOVO, VIDA NOVA. NOVOS PLANOS E PROJECTOS

Ano novo, vida nova. Novos planos e projectos
(Public em O DIABO nº 2245 de 10-01-2020)

 Vi no Facebook os votos de uma bisavó para um bisavô que queria conformar a aceitar as dificuldades da vida com as seguintes palavras «Ano Novo com muita saúde, o resto a gente corre atrás!».

Embora compreendesse a boa intenção da senhora, não gostei, porque a vida é luta e esta época deve ser de mudança, não devendo limitar-se a «correr atrás», a esperar por milagres. Mudar exige sensatez, observação e análise das realidades com vista à definição e realização de objectivos desejáveis para se conseguir melhoria das condições de vida. Nessa mudança devem ser respeitados os melhores princípios e os valores mais válidos aprendidos em tempos escolares e aprimorados pela experiência da vida, a fim de se esboçarem objectivos compensadores, do ponto de vista ético. Só chegaremos a locais para os quais saibamos caminhar cuidadosamente. Devemos evitar que a vida seja uma lotaria. Para podermos ter o prazer dos resultados de uma vida bem organizada e orientada da melhor forma.

Segundo um livro intitulado «entrevista com Deus», não devemos esperar milagres, porque estes seriam a negação da boa ordem em que o criador elaborou o Universo. Com efeito, cada um terá que agir da forma mais correcta porque os resultados dependem da maneira como se comportar para a obtenção do objectivo. Por isso, aquela oração sintética mas com significado: «Pai ajuda-me a merecer a tua ajuda».

Para uma mudança adequada tem que haver decisões ajustadas ao fim pretendido, seguindo com a melhor eficiência a metodologia já aqui exposta em diversas ocasiões, e que é aplicável aos indivíduos, às empresas e aos Estados. A estes, por maior razão, dados os elevados custos de erros ou imperfeições e das consequências para a população e para os interesses do património nacional.

Actualmente, existem situações degradantes e, em vez de serrem procuradas reformas para as remediar da forma mais construtiva, ouvem-se intenções de «continuidade» e palavras enganadoras destinadas a obter o conformismo e o impedimento de reacção das pessoas. Porém, surgem Estados em que o Poder é exercido correctamente, no sentido da recuperação dos mais altos valores de seriedade e de ética.

Por exemplo, no Vietname, onde a corrupção também se faz sentir, um tribunal sentenciou um ex-ministro a prisão perpétua num caso de corrupção que atingiu valores muito elevados e pelo qual foram também condenados a longas penas de prisão um outro ministro e uma dúzia de executivos, informou a televisão estatal. Foi acusado de receber subornos no valor de mais de dois milhões de euros para orquestrar a aquisição de um serviço de televisão digital em 2016 em nome de uma das principais operadoras de redes móveis no Vietname, quando era ministro da informação e comunicação. Ordenou a transação que envolvia a compra de 95% das ações de uma empresa por um preço inflacionado quase 10 vezes.

Também na Etiópia, a ex-presidente da companhia estatal de eletricidade da Etiópia integra a lista de 50 acusados de corrupção num processo ligado ao projecto da Grande Barragem do Renascimento da Etiópia, no Nilo Azul, relacionado com o desbravamento de uma floresta para facilitar este principal projeto hidroelétrico do país. Foi pressionada para abandonar a liderança da Ethiopian Electric Power (EEP) em Setembro de 2018, depois de enfrentar várias acusações de corrupção e má gestão de vários projectos energéticos planeados para Etiópia.

Estes são exemplos a seguir mas, entre nós, há promessas de moralizar a vida nacional, mas são mais as palavras e promessas do que os actos reais. Por exemplo, canta-se que o excedente orçamental "é positivo", mas esconde-se que o mesmo tem sido atingido "à custa de uma carga fiscal brutal". Por outro lado, prometem-se medidas preventivas para evitar inundações semelhantes às ocorridas recentemente, mas pouco depois um governante afirma que não se deve controlar o caudal dos rios. Em que devemos confiar? Que estudos, que planos, que projectos esperamos?

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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

AGRADEÇO A ANÁLISE DE GOOGLE SEARCH CONSOLE

Agradecimento a análise à Instituição «Google Search Console»

Estou de parabéns, não tanto pelas saudações dos amigos pelo meu aniversário, mas principalmente porque a Instituição «Google Search Console» dedicou uma extensa e pormenorizada análise à minha actividade em Dezembro no Blogue Do Mirante o que constitui apreço pelo seu interesse para os visitantes.

Os meus textos não servem para levantar discussões de agressividade verbal ou de ofensa ou ódio, mas sim para meditação honesta sobre os problemas que afectam a humanidade e que precisam de ser bem analisados no sentido de encontrar as mais adequadas soluções para melhorar a qualidade de vida das pessoas, independentemente dos seus credos religiosos, desportivos ou políticos. A tolerância para os outros, que têm ADN e impressões digitais diferentes, é indispensável para com eles se procurar viver em paz, harmonia e espírito de fraternidade e colaboração para o bem comum. Procuro estimular as pessoas nesse sentido para se evitarem conflitos violentos e se procurar convivência pacífica apesar das diferenças, como acontece com muitos animais «ditos irracionais», mas dos quais devemos aproveitar muitas lições de sociabilidade. Tal apreciação da GSC é um estímulo para continuar a prestar a melhor atenção a este blog.

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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

A FORÇA DA NATUREZA E AS FANTASIAS

A força da Natureza e as fantasias
(Public em O DIABO nº 2244 de 03-01-2020, pág 16)

Procuro ser cauteloso no consumo dos órgãos de Comunicação Social, por não os considerar merecedores de muita atenção e raramente encontrar neles elementos que contribuam para aumento de saber e conhecimento do mundo que nos cerca. Mas no dia 22, ao passar perto de um grupo sentado em frente à TV falando em voz alta adequada a surdos, vi que o ecrã, mais em pequenas frases do que em imagens da realidade, mostrava que chuvas torrenciais tinham provocado inundações dramáticas e os rios, mesmo os de reduzido caudal habitual, tinham atingido níveis imprevisíveis. Isto, poucos dias depois do último festival de propaganda da jovem sueca Greta contra as alterações climáticas, despertou-me a curiosidade de saber o que ela diria desta sucessão de depressões, se as consideraria como uma vitória da sua acção; e em caso contrário, o que deverá ser feito para evitar estes factos. A força da Natureza mantém-se independente de teorias fantasiosas e temos que ser cuidadosos e criteriosos para criar condições de adaptação que evitem o sofrimento de danos avultados, localizando as construções afastadas dos rios e ribeiros, desimpedindo da melhor forma os leitos fluviais e preparando as vias rodo e ferroviárias por forma a que evitem deslizes, abatimentos e outros tipos de estragos que as impeçam de cumprir a missão para que são construídas.

Prevenir é considerado, desde as civilizações menos letradas, preferível a remediar. A prevenção sensata é concretizada depois de boa definição do perigo a evitar e de ponderada aplicação de experiências já vividas, de técnicas ajustadas e de materiais bem escolhidos, enquanto a acção de remediar é, normalmente, improvisada no momento e usando medidas ocasionais, débeis e, por isso, pouco eficazes que raramente conseguem evitar danos avultados. Perante esta reflexão, e perante as teorias da Greta, não devemos desprezar estas pelo seu valor na defesa do Ambiente e no respeito pela Natureza, mas sem o exagero de querer impor a esta os nossos interesses. Estes devem manter a sua humildade de ter que suportar os imprevisíveis desígnios naturais.

Os factos mostram que a proximidade de rios ou de simples linhas de água, sendo estas apenas evidentes quando chove um pouco mais do que o habitual, deve ser evitada para construções duradouras e estimadas. As vias de trânsito nas suas proximidades ou nas suas travessias devem ser devidamente robustecidas para evitar acidentes graves. Quanto a habitações, há que prevenir estragos de vidas e de património, o que exige aos mais arrojados arquitectos que reflictam nos limites a que podem chegar as suas fantasias, etc. E quanto a alterações climáticas, devemos estar preparados para lhes sobrevivermos, isso é, adaptarmos as nossas vidas por forma a resistir a um acidente real, da melhor forma possível, e prevenirmo-nos para suportar melhor a sua repetição. Segundo um Engenheiro muito esclarecido que ensinava geografia a idosos na UITI, aulas a que eu assistia sempre que me era possível, o globo terrestre é uma bola de líquido fervente, o magma, rodeada de uma fina camada sólida, que ele comparava à nata do leite fervente. A pouca espessura do solo, essa camada envolvente, cria situações de grande debilidade, manifestada pelos sismos, erupções vulcânicas, águas termais, outras manifestações de temperatura diferenciada e alterações da geografia, como a criação do oceano Atlântico e do continente sul americano e a separação que está em evolução na parte leste do mesmo continente africano, seguindo a bacia do rio Nilo.

Há quem diga que o degelo das calotes polares não se deve apenas ao calor vindo do Sol, mas também, em grande parte, à temperatura do magma transmitida através da água do mar. A vida da Natureza deve ser bem investigada para ser bem conhecida e previsível nas suas alterações. O mau tempo das depressões ocorridas na semana de 14 a 21 de Dezembro não fazia parte das fantasias da jovem sueca Greta. ■

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quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

COMPETÊNCIA RESULTA DE TEORIA COM EXPERIÊNCIA

Competência resulta de teoria com experiência
(Public em O DIABO nº 2243 de 27-12-2019, pág 16, por AJS)

Há muitas pessoas com notável êxito sem terem uma formação académica inicial excepcional, porque o seu saber básico lhes despertou curiosidade pelo mundo em que procuraram os efeitos práticos das poucas e simples teorias que aprenderam, as quais aprofundaram, enriqueceram com novos dados e lhes proporcionaram uma postura perante a realidade que garantiu produtividade na sua acção.

No polo oposto, vemos indivíduos com formação académica precursora das modalidades que estão a querer caracterizar o nosso ensino, em que se menoriza o valor das provas, as passagens administrativas e tolerância quanto à preparação para exames, com plágios e outros golpes. Se não houver cuidado especial na limitação e controlo das facilidades dadas em cada grau de ensino, dentro de pouco tempo, teremos licenciados e mestres pouco melhores do que analfabetos camuflados. É certo que existem alguns tipos geniais que, apesar das facilidades, se dedicam à procura de saber com o máximo de dedicação. Mas serão poucos e o receio atrás referido materializa-se quando se quer que 60% dos jovens obtenham licenciatura. Com o facilitismo actual, isso pode resultar na caricatura expressa cinco linhas atrás.

Isto vem a talhe de foice com a notícia surgida em 27 de Novembro, que dizia que o Ministro do Ambiente substituiu o director-geral de Energia e Geologia, Mário Guedes, alegando que “dois ou três dias depois” de começar a trabalhar com ele “ficou evidente que ele não tinha competências” para aquela função. Parece uma decisão correcta, mas leva-nos a pensar na leviandade de quem nomeia pessoas para funções de alta responsabilidade, sem seguir um critério adequado para fazer a escolha entre os potenciais candidatos. “Quem nomeou este ‘director-geral’? Porque o nomeou? Porque o preferiu a outros com mais competências? Quantos haverá em condições semelhantes? E o que se tem passado nas nomeações de ministros, de secretários de Estado, etc etc? Oxalá este caso seja singular e todos os outros sejam nomeados pela sua muita competência. Talvez fosse oportuno aproveitar este escândalo, para exigir provas a todos os altos responsáveis por funções públicas, antes que as broncas ocorram com demasiada frequência. E quantos haverá agora a pedir exoneração antes que sejam vítimas de igual medida?”

Mas, pouco depois destas cogitações, surgiu outra notícia sobre uma nomeação deste mesmo governante que mostra que “não diz a bota com a perdigota”. Segundo o jornal ‘Observador’, o Ministro do Ambiente e Acção Climática nomeou para o seu gabinete um “técnico especialista”, Gonçalo Martins dos Santos, com apenas 24 anos acabados de fazer e somente dois meses de experiência profissional, tendo a nomeação já saído no ‘Diário da República’. Apresenta como “experiência” ter sido “analista fiscal” de uma empresa privada de “Setembro a Outubro de 2019”, isto é, apenas nos dois meses que antecederam imediatamente a nomeação. Uma fonte oficial do Ministério, tentando justificar a escolha, referiu que o imberbe “especialista” tinha “fiscalidade” como “área de formação”. Mas nem esta débil desculpa é consistente: o jovem Gonçalo, recém-licenciado em Direito, está ainda a meio do Mestrado em Direito Fiscal, o que apenas o qualifica como estudante. E vai receber 3.083,55 euros de ordenado bruto, acrescido de um “suplemento remuneratório de valor igual ao abonado aos adjuntos” do gabinete ministerial.

Na degradação social em que estamos a viver, o Estado e toda a função pública devem procurar dar preferência aos mais competentes, sérios e honestos que saibam utilizar o seu saber de forma prática obtendo a máxima produtividade. A competência deve ser premiada, compensada de forma o mais rigorosa possível.

É triste que surjam notícias de pessoas condecoradas pelo mais alto representante da Nação e que algum tempo depois sejam noticiadas como suspeitas ou arguidas por crimes ligados a desonestidade, e outras faltas de virtudes cívicas. O civismo, o respeito pelos outros e pelos interesses nacionais são valores a defender a todo o custo e definidores de valor moral e social. ■

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quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

NATAL E OS DIREITOS HUMANOS

Natal e os Direitos Humanos
DIABO nº 2242 de 20-12-2019, pág 16

O Natal é uma parte do ano propícia para reflexão sobre a grandeza anónima, discreta, moral, com valorização da simplicidade, da humildade das palhas do presépio, em oposição às acções de ostentação de riqueza material com que hoje se festeja a data, com altos cones iluminados, qual deles o mais alto e oneroso. Nesse aspecto festivaleiro e na falta de respeito e de amor aos outros, a humanidade mostra que não compreendeu nem aceitou a lição de Cristo. A degradação das sociedades mostra de forma bem clara que se torna necessária e urgente uma acção eficaz de recuperação e revitalização dos valores morais e éticos que têm sido perdidos.

Hoje, o Deus mais adorado é o dinheiro, vil metal, em si ou em simulações que iludam sobre a sua posse. Estas festas natalícias, que deviam ser de amor e humildade, são, pelo contrário, momentos de egoísmo, ambição, ostentação e materialismo grosseiro. Parece que estamos perante sinais da chegada do apocalipse, com as corrupções, o terrorismo, a criminalidade violenta, as terríveis infantilidades cometidas por governantes de quem se esperava um bom exemplo para o Mundo. Como será o futuro? Como será festejado o Natal pelos vindouros?

Em 1948, há 71 anos, as Nações Unidas adoptaram um conjunto de direitos humanos aplicável a todos nós. Hoje celebramos este marco histórico em nome de um mundo que devia ser mais livre e com mais igualdade. Mas, infelizmente, como vem sendo costume, esses direitos não passaram do papel. Faltou a vontade e a força adequada para os fazer cumprir. Sem isso, o prestígio da ONU fica de rastos. As notícias trazem-nos, diariamente, ao conhecimento crimes impunes contra esses direitos.

É notória a terrível insensibilidade de governantes que, em vez de serem modelos de bom comportamento para a humanidade, são o oposto e ignoram e desprezam as boas regras que ocasionalmente são publicadas por pessoas bem intencionadas. Brademos contra tal degradação social e façamos algo para que os bons princípios e os mais altos valores sejam respeitados e defendidos para bem da Humanidade actual e das gerações futuras. Aproveitemos a quadra festiva do Natal para melhorar os comportamentos sociais.

Recordo um caso de deficiência de apoio de saúde:

Uma idosa de 89 anos internada em lar, havia 5 meses, por ter caído na cozinha e fracturado o fémur esquerdo, na noite de 14 de Novembro de 2015, devido a queda, foi hospitalizada no hospital de Cascais com fractura do fémur direito. Teve uma pneumonia preocupante devida a bactéria hospitalar e, logo que teve ligeiras melhoras, deram-lhe alta em 24 de Novembro. Em 27 de Novembro, 3 dias depois da alta, o agravamento da pneumonia obrigou a novo internamento de que teve alta em 3 de Dezembro, por ter baixado um pouco a temperatura. Em 6 de Dezembro, 3 dias depois da alta, a pneumonia teve novo agravamento, com a respiração muito difícil quase a asfixiar, foi novamente às urgências e teve que ficar novamente internada. Foi chamada a atenção do médico das urgências para o facto de as altas terem sido muito prematuras, usando a frase de uma assistente social pronunciada em 2 de Dezembro. Foi respondido que não é só pela necessidade de libertar camas, mas também por outros factores. Neste vaivém, a doente ficou em extrema debilidade, e acabou por falecer na manhã de 10 de Dezembro.

E, assim, por vários factores, as pessoas acabam por perder a vida precocemente e com sofrimento. A quadra natalícia deve ser aproveitada como momento propício para se tentar dar melhor qualidade de vida a todos os seres humanos, defesa da Natureza e do ambiente e não se restringir à utopia de querer evitar as alterações climáticas que a Natureza nos impõe. ■

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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

RESPEITO, AMIZADE E TOLERÂNCIA GERAM HARMONIA

Respeito, amizade e tolerância geram harmonia
(Public em O DIABO nº 2241 de 13-12-2019, pág 16, por António João Soares)

A actividade que a Comunicação Social mais oferece aos seus clientes é constituída por jogos de futebol, que outrora entravam nas actividades de desporto e, como tal, eram ocupações “por desporto” em que o ganhar e perder não tinham importância que afectasse o bom relacionamento entre os desportistas.

Mais tarde, começaram a estar em disputa grandes importâncias monetárias que alteraram a sensação de que ganhar e perder era desporto. Por detrás desse fenómeno está o dinheiro que nos últimos tempos se foi transformando numa droga mundialmente perigosa e com a agravante de não haver limite para provocar overdose que faça diminuir o consumo. E a agressividade, quer no relvado quer nas bancadas, muitas vezes, transforma um encontro amigável entre pessoas que deviam estar em distracção calma e confortável, por pormenores pouco significativos, num conflito de rara violência em que se esquecem as regras de respeito pelos outros, de amizade, e de tolerância.

Infelizmente, a perda de calma e de serenidade entre as pessoas está a tornar- -se demasiado frequente na sociedade e, o que está a tomar aspectos desagradáveis, na vida internacional, na humanidade. Assuntos que devem ser considerados normais e resolúveis por meios pacíficos de diálogo e negociação, conduzem precipitadamente a trocas de violência com danos pessoais e estragos materiais. Entre Estados pode haver conflitos armados directamente ou através de grupos preparados para a violência, indiscriminada sem evitar sacrificar inocentes. Acontece, frequentemente, sob variadas formas, apesar de opiniões de pessoas sensatas e com responsabilidades na vida internacional aconselharem, com frequência a evitar a violência e, em vez dela, recorrer ao diálogo directo ou com auxílio de intermediários reconhecidos e respeitados pelas partes.

Mas, quer no relacionamento pessoal quer no de altos poderes, há indivíduos que teimam em se considerar donos da verdade total e com absoluta razão e que se recusam a conversações em que tenham de ceder um milímetro.

Infelizmente, há exemplos disso dentro de países em várias partes do mundo e também em relações internacionais. Parece que aos líderes de tais posições falta desde criança, a sensatez e os efeitos de uma boa educação que permita o bom relacionamento com os outros habitantes do planeta. Tenho referido que está a tornar necessário um sistema de relacionamento moral e eticamente conveniente que coloque o ser humano acima dos animais ditos irracionais, dos quais vêm muito bons exemplos quer na vida em família quer nos bandos e manadas quer no relacionamento com animais de outras espécies com os quais tenham oportunidade de conviver.

Um caso curioso nota-se em campanhas eleitorais, em que é esperado dar ao povo oportunidade de escolher quem seja mais competente para dirigir os destinos do respectivo país e proporcionar melhor qualidade de vida à população. Mas, em vez de os candidatos procurarem apresentar bons planos e programas, para, na comparação com os dos outros concorrentes, o povo escolher os que lhe parecerem melhores, limitam-se a distrair a atenção dos eleitores com a comunicação social a mostrar coisas insignificantes que impeçam a reflexão sobre o que é essencial, a fazer promessas fantasiosas que um observador atento duvida que sejam cumpridas e a agredir verbalmente os outros concorrentes ferindo a sua honradez, a sua dedicação ao povo, a sua competência e experiência de gestão. Muitas vezes, o povo vota no mais palavroso e fantasioso sem garantias de ver a verdade e a sinceridade das promessas. E os que já não acreditam em fantasias e não vêm planos e projectos credíveis, ficam em casa em vez de votar.

É preciso existir civismo, respeito pelas pessoas, amizade e tolerância para vivermos em paz e harmonia, sem carências desagradáveis. ■

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sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

MOVIMENTO CÍVICO

Movimento cívico
(Public em O DIABO nº 2240 de 06-12-2019 pág 16, por António João Soares)

Há demasiadas notícias de alunos a desrespeitarem professores, crimes domésticos, actos de selvajaria, etc. etc. Há muito boa gente a temer que o mundo esteja a deslizar para um abismo sem retorno.

É urgente que se crie um movimento geral e persistente que contribua para aumentar o respeito pelas pessoas, a paz e a harmonia social e mundial. Devemos aproveitar todas as oportunidades para melhorar os comportamentos na defesa dos valores essenciais da sociedade, como missionários do Bem.

Devemos agir, sem preocupações de partidos ou de religiões, porque o civismo não deve obedecer a ideologias particulares: o respeito pelos outros, a tolerância, a solidariedade, não dependem de características pessoais, cor, idioma, profissão ou clubismo. O respeito deve ser generalizado para facilitar os contactos directos que impeçam conflitos violentos.

Aceitam-se sugestões construtivas a fim de que se recupere aquilo que tem sido perdido em valores morais e éticos. Haja quem crie uma ONG ou outro tipo de instituição para essa finalidade. Para a frente, para criar um futuro melhor para as gerações mais jovens e vindouras.

Para qualquer cidadão conseguir uma vida digna para si e para a sua família deve recorrer ao trabalho, um direito que deve obter através do dever de ser competente, eficiente e produtivo. Mas a remuneração do trabalho deve corresponder ao resultado deste, que não deve ser embolsado exageradamente por pessoas que abusam da sua função para se considerarem os maiores beneficiados pelo esforço dos seus colaboradores. Sem esta justiça social podem gerar-se conflitos violentos, com “pedradas ou vandalismo” que não contribuem para um mundo mais justo, mas que podem ser usados por pessoas em desespero e sem esperança de melhor saída.

Neste, como na generalidade dos aspectos da vida dos seres humanos, torna- -se indispensável a prática de valores que têm vindo a ser esquecidos mas que são indiscutivelmente essenciais para a vida em sociedade e que os ditos “irracionais” praticam na família, nas manadas, e até no relacionamento com outros, inclusivamente com humanos, correspondendo afectuosamente ao seu tratamento. Merecem o nosso carinho porque o retribuem. O carinho e outros afectos devem ser bilaterais, retribuídos. O respeito pelos seres vivos e pela Natureza em geral deve ser um dever exercido sem falhas nem hesitações, de forma a ser bilateral e serenamente retribuído.

Se as pessoas, em aparente situação de convívio, preferem estar concentradas no seu ‘smartphone’, se usam este na rua obrigando os outros a seguirem com atenção para evitarem sofrer colisões de tais maníacos, como é que estão educadas socialmente para conviver em sociedade? Abundam notícias de crianças que desobedecem aos professores e por vezes os agridem; e os seus pais, em vez de as esclarecerem e corrigirem os seus próprios erros da educação que lhes deram, reforçam o mau comportamento das crianças, ofendendo o professor. Também são inúmeros os casos de agressões e até homicídios entre familiares.

Há, pois, urgência em desenvolver campanhas educativas da população melhorando a moral e a ética, a fim de evitar ou, no mínimo, retardar o colapso total da humanidade. Na vida internacional, surgem sinais de vontade de paz, evitando guerras e procurando soluções por meio de bom entendimento, como tem sido o caso, por diversas vezes, de discursos de Putin.

Difundam-se regras de educação social em todas as actividades, desde as creches às escolas e a todas instituições com duas ou mais pessoas. Procure-se recuperar a sociedade e a própria humanidade da degradação em que caíram. O respeito pelos direitos dos outros é essencial. A Comunicação Social deve desempenhar um papel importante para se atingir o melhor resultado na harmonia social, com segurança e respeito mútuo. ■

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quinta-feira, 28 de novembro de 2019

ATENÇÃO AOS POTENCIAIS INIMIGOS

Atenção aos potenciais inimigos
(Public em O DIABO nº 2239 de 29-11-2019, pág 16. Por António João Soares)

Nunca se deve deixar de avaliar os inconvenientes de uma escolha que sirva de base a uma decisão importante. Isto é válido a todos os níveis e, principalmente, a nível de pequenas ou grandes potências, em que não se devem negligenciar as capacidades de decisão, de planeamento e de acção de potenciais inimigos. Sobre esta regra, a Arábia Saudita está a dar uma boa lição na forma como gere e apoia a acção do Estado Islâmico, na sua expansão geográfica.

A Europa, com os seus valores éticos de generosidade e humanidade, abriu as portas a refugiados das guerras na Síria, no Iraque, na Líbia, etc. mas não tardou muito a sentir graves inconvenientes, ao sofrer os efeitos de falsos refugiados que lhe vinham minar as tradições e a cultura sem proporcionais benefícios para a economia e o bem estar local. A insegurança sentida em diversos Estados gerou preocupações nos mais caridosos, que passaram a compreender os cuidados dos mais hesitantes para evitar receber migrantes indiscriminados. Os analistas mais independentes chegaram a previsões de que, dentro de algumas décadas, a Europa atingiria o ponto de nem sequer ser uma pálida ideia do seu passado histórico, da sua economia, e da sua harmonia social. Assim se começou a olhar com mais realismo para aquilo que passou a ser considerado uma invasão, bem planeada, sem violência exagerada para, com uma reduzida resistência, atingir o domínio total. Isso deu aso a precauções. Mesmo fora da Europa, o Presidente Trump mostra interesse em preferir imigrantes com capacidade e competência para contribuir para melhorar a economia americana, tornando-a mais competitiva e, ao mesmo tempo, servindo de prémio a trabalhadores válidos que não conseguiam emprego compatível nas suas origens. Dessa forma, evita os imigrantes fantasiosos que apenas iam criar problemas vários, inclusive de segurança, que pode atingir grau demasiado preocupante, organizando movimentos violentos.

Perante este despertar das autoridades ocidentais para a avaliação do poder do seu inimigo, da sua estratégia cuidadosa para evitar ser detectado na gravidade dos seus planos e acções, a Arábia Saudita também passou a olhar com mais realismo para a dificuldade previsível inerente a uma, mesmo muito disfarçada e progressiva, invasão do Ocidente. E, assim, há sinais muito claros de uma mudança de estratégia, passando a iniciar a expansão territorial do Islão e a redução das outras religiões, pela África e pela Ásia, onde os governantes são mais fáceis de dominar e têm menos capacidade de reacção. Segundo esta nova estratégia a Europa ficará para uma fase mais adiada e será organizada segundo os factores de força então mais decisivos.

A apoiar esta previsão estratégica, surgiram as seguintes notícias:

No Sri Lanka, no Domingo de Páscoa houve explosões em três igrejas e três hotéis de luxo que provocaram a morte a 156 pessoas, entre os quais 35 estrangeiros, entre eles um português, sendo expectável que o número de vítimas mortais venha a subir, dado o elevado número de feridos.

Na Síria, onde havia uma relativa tranquilidade desde a aplicação do cessar-fogo de Setembro, passados oito meses a violência recrudesceu e os confrontos entre os rebeldes e as forças governamentais, que eclodiram a 30 de Abril, causaram em duas semanas 180.000 deslocados.

Pouco tempo depois, no Burkina Faso, mais de 20 homens armados entraram numa igreja católica, interromperam a missa e mataram um padre e cinco outras pessoas a tiro antes de pegarem fogo à igreja, a lojas e a um café próximos. Este foi o terceiro ataque a igrejas católicas no país em cinco semanas.

Agora Macron actualizou o seu ponto de vista sobre a cooperação, a defesa e a necessidade de reforçar os vínculos entre países.

A união faz a força. ■

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quinta-feira, 21 de novembro de 2019

HÁ HORAS FELIZES

Há horas felizes
Public em O DIABO nº 2238 de 22-11-2019, pág 16, por António João Soares)

Na minha modéstia, simplicidade e cortesia, tenho-me repetido por diversas formas a sugerir que tanto a oposição como os responsáveis pela governação deverão procurar seguir estratégias que, de maneira adequada, permitam os melhores resultados para o engrandecimento da Nação, a melhor qualidade de vida dos cidadãos e poupança para os contribuintes que, assim, podem investir mais na melhoria da economia. Isto pode ser confirmado em vários artigos que publiquei no semanário O DIABO. Por isso me sinto premiado com as alocuções de Rui Rio e de André Ventura que, sem agressividades nem palavras ofensivas, de forma muito educada, fizeram apreciações construtivas e interrogações que podem e devem servir para o Governo pensar seriamente nos assuntos abordados e, usando de transparência democrática, explicar aos portugueses o que realmente vão fazer em tais temas, a forma pormenorizada e compreensiva como pretendem materializar assuntos que são referidos no programa de Governo de forma muito genérica que tanto podem permitir soluções num sentido como no seu oposto. Depois de ouvir estas sugestões, o Governo deve sentir-se feliz por receber tais achegas de forma clara e com aspecto positivo, construtivo.

Isto pode ser um primeiro passo para o diálogo entre governantes, oposição e cidadãos de forma a serem evitadas decisões impulsivas e menos ponderadas, segundo o conceito de que “a fantasia deve ser moderada pela sensatez” e de acordo com o segundo Éme da “estratégia dos três M”, o da “multilateralidade”, dado que muitas cabeças pensam mais e melhor do que uma só. O pensamento individual e a decisão precipitada sem recurso a outros pareceres, raramente analisa todos os factores essenciais com a profundidade indispensável. A solução de um problema deve ser precedida do estudo cuidadoso das suas causas e dos condicionamentos que o envolvem.

O total esclarecimento é imprescindível porque os cidadãos são os obreiros do engrandecimento do País e, para isso, é fundamental que colaborem activamente com o máximo de competência, entusiasmo e perfeição para que os resultados tenham a melhor qualidade. Se os dois deputados atrás referidos não foram exaustivos nos seus comentários, certamente, estarão dispostos a fornecer mais achegas, quer dentro da AR quer em contactos pessoais. Isso não os prejudica e, se for bem explicado na Comunicação Social, granjeia-lhes a gratidão dos cidadãos, pelo interesse demonstrado para o engrandecimento de Portugal.

Um livro muito interessante do Nobel Hermann Hesse sobre a vida de Siddhartha, um filósofo crente hindu, refere várias vezes que as palavras valem pouco em comparação com os actos. As pessoas devem guiar-se nas suas apreciações pelo valor destes e não pelas palavras que podem ser de tal forma superficiais ou intencionais que não passam de fantasias superficiais e ilusórias que não se traduzirão em actos merecedores de crédito. Muitas promessas, são despidas de verdade respeitável. E, infelizmente, uma grande quantidade delas não passam de vacuidades ilusórias que desacreditam os seus autores. Oxalá o PM não volte a cair em falhas como a de prometer a mudança do INFARMED para o Porto ou a de lançar a primeira pedra para a construção da unidade pediátrica do Hospital de S. João, no Porto sem que, passado mais de um mês, haja sinal de início de obras.

A população deve ser mentalizada para os deveres, acima dos direitos, e pelo respeito pelas pessoas, encarando melhor o apoio aos idosos e a educação dos jovens, eliminando a violência nas escolas contra os professores e, em casa, contra pais e avós. Quem tem responsabilidade para tomar decisões e agir não deve cair na tentação de se virar para dentro do seu ego e dar prioridade à vaidade e à ambição e ao despudorado amor ao dinheiro, uma droga tanto mais perigosa quanto está livre de produzir overdose. As decisões devem ser precedidas de estudo e consulta. ■

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