sexta-feira, 18 de outubro de 2019

A JOTA PODE SER SOLUÇÃO!

A jota pode ser solução? DIABO nº 2233 de 18-10-2019 pág 16. Por António João Soares Segundo Pedro Soares Martínez fez constar no seu artigo de O DIABO nº 2230, hoje, nos países latinos, os políticos são provenientes de advogados sem causas, escritores falhados, professores sem amor aos livros, médicos sem clínica, engenheiros sem colocação, etc. Isto faz-me recordar um texto já com alguns anos que referia a ida da D. Maria José, de uma aldeia próxima, à cidade comprar uma camisa para o neto António Carlos. Foi muito bem recebida pelo dono da loja, já conhecido de longa data, que, no meio dos cumprimentos e da conversa, lhe perguntou como o rapaz ia nos estudos. A avó despejou a sua mágoa por ele não gostar de dedicar muito tempo aos livros e preferir as brincadeiras com outros rapazes, o que, segundo ela, lhe tornava difícil realizar os objectivos que a família esperava dele, desejando que viesse a ser doutor, satisfazendo a vaidade dele e da família e permitindo uma vida desafogada, sem dificuldades nem problemas financeiros. Os desabafos da avó mostravam grandes preocupações familiares e comoveram o dono da camisaria, Manuel Afonso, que tentava sossegar o ânimo da cliente, dizendo-lhe que esta juventude de agora é diferente daquilo que foram os seus pais, etc. E, a dada altura da conversa, sugeriu a solução adoptada por um cliente ali vizinho que falou com o líder local de partido bem cotado para convencer o seu filho, também avesso aos estudos, a inscrever-se na juventude a fim de procurar sucesso na vida que suprisse a falta de jeito e de vontade para estudar. O rapaz entusiasmou-se e, com a vaidade a crescer, dedicou-se à realização das tarefas que lhe eram dadas, foi trabalhar para a Câmara, alimentou a esperança de vir a ser vereador, movido pela vaidade e ambição e, influenciado pelos mais idosos, continuou a estudar e a querer fazer figura, e lá se ia esforçando um pouco. Mas a Maria José continuava presa aos objectivos que esperava ver atingidos pelo neto, repetia que a família desejava que ele viesse a ser doutor, mas o Manuel Afonso respondia que ele podia vir a ser deputado, podia fazer uns favores a uma universidade que, em troca, lhe poderia dar um diploma; e citava um primeiro-ministro a quem, pouco tempo antes, uma universidade tinha mandado entregar, num Domingo, o diploma de licenciatura e referiu outros casos com aspectos semelhantes. Além disso, ele vai aprendendo as habilidades e as manhas dos políticos e, com facilidade, se torna rico e até milionário sem suar nem fazer calos, causando inveja aos actuais companheiros da escola que matam a cabeça para obter boas notas, mas sem aprenderem a maneira de arranjar fortuna. De entre as habilidades citou o domínio da Comunicação Social, para manter a população de cérebro lavado e vazio, a preocupar-se com ninharias e afastada dos problemas essenciais que devem ser desviados das conversas para não colocarem em más condições as posições dos políticos, por estes não serem capazes de encontrar soluções para o que realmente interessa à população. Por isso evitam que esta vá alem do futebol e crie problemas aos governantes. Essa lavagem de cérebro tem agora uma artista, a Greta, que à margem da ciência agride verbalmente pessoas com responsabilidade, com fantasias sem o mínimo de saber científico mas que cala a boca de gente a quem falta saber e discernimento para distinguir o que é científico daquilo que não passa de fantasias. E há muito dinheiro por detrás de tais palhaçadas que permitem lucros compensadores em negócios para lutar contra fantasmas que o povo leva a sério. Veja-se o discurso que Vladimir Putin leu, em ambiente solene, a alertar os governantes ocidentais que desprezam a sensatez e a racionalidade. ■

Ler mais...

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

A HUMANIDADE NÃO DESISTE DA VIOLÊNCIA!

A Humanidade não desiste da violência?
DIABO 2232 de 11-1º-2019.Por António João Soares Coronel

Infelizmente, o ser humano, apesar do desenvolvimento e dos apelos religiosos durante muitos séculos, continua apegado a ambições, vaidades, violências que o tornam mais irracional do que os animais a que os nossos antepassados aplicaram tal adjectivo.

Há dias, vi um vídeo que mostrava uma arena ocupada por uma espécie de formatura militar de jovens espaçados de cerca de 3 metros entre si. Abriram-se as portas do curro e saltou para fora um touro, com ar agressivo, mas que ficou espantado por ver aquela gente completamente imóvel, sem representar qualquer perigo para ele que se passeou em várias direcções entre eles com serenidade e completamente à vontade. Nisto, vê mexer lá ao fundo uma capa e correu para ela, tendo parado quando ela se imobilizou e deixou de ser ameaça à sua segurança, e continuou o seu passeio.

O Google tem divulgado várias imagens que evidenciam a solidariedade e amizade entre vários animais sem problemas de raça, tamanho ou cor, quando não têm motivo para recear pela sua segurança e vida. Mas os seres humanos são, muitas vezes, ambiciosos, ostensivamente vaidosos o que pode levá-los a falsos medos, a ódios, a raivas e a desejos de vingança que podem levar a violências impensáveis. Aparecem notícias chocantes, mesmo de familiares que se assassinam.

E o que se passa em pessoas, em famílias, em grupos de fãs clubistas, passa-se também nos mais altos níveis dos poderes políticos internacionais. As guerras não acontecem por acaso. As indústrias de armamento defendem o seu negócio e procuram, pelas mais variadas formas e pretextos, vender material letal a diversos Estados e a grupos terroristas (muitas vezes apoiados por rivais dos alvos que escolhem). Têm sido frequentes, na Comunicação Social, notícias sobre actos de violência em África e, principalmente, no Médio Oriente e Ásia. Tenho presente o assunto do ataque de ‘drones’ no dia 13 de Setembro contra duas instalações petrolíferas sauditas, reivindicado por rebeldes iemenitas Huthis e que deu origem a acusação ao Irão de ser o mandante de tal acção violenta que obriga a Arábia Saudita, o maior exportador mundial de petróleo, a reduzir temporariamente a sua produção para metade, com grande aumento de preço aos consumidores.

Tal acusação assenta em factores como a ambição iraniana de restaurar o antigo Império Persa de Dario que tem dado origem a variadas acções na região do Golfo Pérsico, retenção de petroleiros no Estreito de Ormuz e nas intervenções no Iraque, na Síria e no Iémen e à intenção de criação de armas nucleares, objecto do acordo de Junho de 2006 com o grupo P5+1 e cujo incumprimento tem dado lugar a retaliações comerciais por parte dos EUA.

Esta situação de persistente intenção de violência é confirmada por indícios vindos a público com frequência, como a acusação recente de Israel de que o Irão tem ocultado “uma instalação secreta” onde desenvolve testes com armas nucleares.

Sobre a eliminação da violência extrema, o Conselho de Segurança da ONU decidiu a desnuclearização mundial que serviu de pretexto para os EUA negociarem com a Coreia do Norte a paragem das investigações e intenções de criar armas nucleares, mas tal decisão do CS está eivada de prepotência e arrogância dos seus membros permanentes que impõem ao mundo aquilo que consideram ser seu próprio direito. Como tal decisão, tendo uma intenção louvável não devia admitir excepções, aqueles cinco Estados deviam decidir-se a dar o exemplo, desmontando as suas armas, por forma visível, perante um grupo internacional de observadores isentos, a fim de o mundo não ter dúvidas. E, a partir daí, um Estado que infringisse a determinação seria adequadamente castigado.

Com atitudes deste género iniciar-se- -ia uma nova era de diálogo e negociação para resolver qualquer pequeno conflito de interesses, entre pessoas verdadeiramente racionais e solidárias, sem recurso a violência inocentes. ■

Ler mais...

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E AMBIENTE

Alterações climáticas e Ambiente

DIABO nº 2231 de 04-10-2019, pág 16 por António João Soares

Ultimamente, têm sido ditas muitas coisas como sendo úteis para evitar alterações climáticas mas, segundo opiniões de pessoas com formação sobre o tema, essas opiniões pretensiosas de nada valem para alterar aquilo que a Natureza já está a fazer. Porém, na generalidade, as iniciativas aconselhadas são benéficas para melhorar a qualidade do ambiente, beneficiando as nossas vidas com melhor saúde, comodidade e agrado.

Será bom que as pessoas com responsabilidades no País e no exterior sejam mais prudentes e deixem de citar as alterações climáticas quando se devem limitar a referir os cuidados para a defesa do ambiente. Quanto ao clima, nada de muito significativo se pode fazer a não ser as medidas referidas mais abaixo, saídas de mentes bem formadas e intencionadas.

E não se deve esquecer que, para resolver problemas essenciais, não bastam palavras mesmo que sejam bem intencionadas, como aconteceu no caso da “criação de uma estratégia nacional integrada de redução de plásticos” que, devido a falta de informação, foi impedida de início, sem modos de reduzir a vulnerabilidade do país à tal poluição. Na ausência de informações sobre os impactos ecológicos, sociais, económicos e para a saúde da poluição por plástico, não só se impede uma estratégia de redução como a determinação de um investimento de gestão dos resíduos. Aos agentes económicos, às autoridades em geral e ao povo consumidor deve ser oferecido conhecimento e sensibilidade para contribuírem para a resolução do problema com eficácia. É pena os nossos governantes não terem a noção de que a legislação não vale apenas por estar no papel, pois precisa de ser compreendida e assumida por aqueles a quem se destina.

Porém, a temida alteração climática já está em curso com vários aspectos visíveis que aconselham adaptações adequadas nos nossos comportamentos pessoais e de algumas actividades económicas, por forma a que as nossas vidas e a ligação com a fauna e a flora não sejam demasiado lesadas pelas alterações que nos são impostas. Neste aspecto, já há trabalhos de técnicos agrários e agrónomos, muito conscientes e atentos ao problema, que se afastam das palavras falaciosas de “jovens sábios” desprovidos de sentido prático e de conhecimentos científicos, e estão a experimentar soluções para fazer face às novas alterações climáticas em zonas mais sensíveis e onde já se sente o aumento da temperatura e os sinais de escassez de água.

A posição positiva e bem fundamentada de técnicos agrários vem, concretamente, contrariar certas intenções infantis de querer contrariar a força da Natureza que pode ser semelhante a muitas outras ocorridas na longa vida do nosso Planeta. A Natureza não se subordina aos habitantes, como aconteceu quando criou o Oceano Atlântico, cortando o continente africano, ou quando prepara novo corte, também em sentido próximo dos meridianos, na parte Leste do mesmo continente. O homem não tem poder para evitar as alterações climáticas, por mais teatro que faça, com a Greta ou com outras enviadas pelo grande capital. Medida inteligente é a alteração dos nossos hábitos para sobrevivermos a carências que surjam, como é tomado bem evidente pela notícia “O montado ibérico desafia as alterações climáticas”, com empresários agrícolas ibéricos a tomar medidas para o melhor aproveitamento dos terrenos, em benefício das pessoas, da fauna e da flora, por forma a evitar graves consequências das secas que se anunciam. Um novo sistema de exploração do montado, tornando as explorações mais produtivas e rentáveis e, ao mesmo tempo, fixando população no meio rural, em grande parte despovoado, é uma solução inteligente e bom caminho a seguir.

Como a intenção da redução de plásticos, também as conclusões dos trabalhos de investigação para se obter a melhor adaptação às alterações climáticas necessitam de boa e adequada divulgação a toda a população, principalmente a ligada ao meio rural, para se obterem os melhores resultados e se evitarem ao máximo os incómodos da mudança. ■

Ler mais...

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

VOTAR COMO?

Votar como?
(Publ. em O DIABO nº 2230 de 27-09-2019 pág 16, por António João Soares)

Estamos próximos da data de exercer o direito e dever de votar numa de entre muitas listas de candidatos às eleições legislativas. Votar é próprio da democracia, embora esta não esteja a corresponder, satisfatoriamente, aos fins que dela são esperados.

Com efeito, escolher os nossos representantes e servidores dos interesses nacionais não significa que vamos dar o voto a um grupo de pessoas que desconhecemos e que, à partida, temos justificada impressão de que, em vez serem dedicados defensores das causas nacionais, para melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e para engrandecimento do património nacional, em bens materiais e culturais, são eivados de objectivos muito pessoais de enriquecimento volumoso e rápido sem olharem a meios para os atingir.

Os políticos desejáveis para as funções atrás referidas devem ser pessoas generosas, solidárias, respeitadoras dos direitos e liberdades individuais, dedicados aos valores éticos sociais e nacionais e desejosos de conhecer os problemas que os cidadãos querem ver resolvidos. Em complemento disso, devem possuir boas qualidades de gestores do erário, ser comedidos nas despesas, dando sempre prioridade àquilo que é essencial para os objectivos nacionais de engrandecimento do património e de melhoria das condições de vida da população nacional.

Como representantes e defensores dos cidadãos, devem ser pessoas com gosto pelo diálogo com pessoas de qualquer condição, de forma a terem facilidade na aquisição de conhecimento dos problemas nacionais, em qualquer parte do território. Nesse diálogo com os habitantes, nas suas frequentes visitas de observação do País real, devem evitar promessas ilusórias e limitar-se à realidade possível e desejável. Perante casos reais, devem estimular e incentivar as pessoas a analisar, com os amigos, as causas e os condicionalismos e, quando tiverem sugestões a apresentar, devem fazê-lo de forma construtiva para facilitar o trabalho dos técnicos que, posteriormente, elaborarão soluções. Com tal diálogo, os cidadãos devem ficar cientes de que os problemas nacionais são seus, de cada um deles e, por isso, não devem deixar de, em conversa com os amigos, procurar encontrar as soluções que achem ser mais adequadas e comunicá-las às autoridades governamentais, autárquicas, etc., para lhes facilitar a tarefa de que estão incumbidas. Será desejável que evitem, pelo diálogo, as nefastas greves de grande duração em serviços públicos que devem ter credibilidade e ser respeitados pelos cidadãos.

Perante isto, o acto de votar exige sentido de responsabilidade e o voto deve ser dado a quem inspire confiança, o que não é o caso de uma lista de pessoas de quem nada se conhece a não ser que são amigas do chefe do partido. Ora, a vida nacional de quase meio século mostra, sob muitos pontos de vista, que foi indesejável e que é altura de evitar votar em partidos que mostraram muitos defeitos, erros, más decisões e indecisões e, com isso, mantiveram o País num estado de estagnação indesejável. Por isso, há muitos cidadãos válidos que aconselham a procurar dados concretos que permitam arriscar o voto num dos partidos recentemente inscritos, embora inexperientes nas malabarices da política dita “correcta”, mas isentos de culpas na degradação que temos estado a sofrer de modo gravoso e continuado, com o esbanjamento das toneladas de barras de ouro recebidas do “antes do 25-A” e a dívida pública persistente que será uma pesada herança para as gerações vindouras.

Dos partidos recentemente surgidos, haverá alguns que reduzirão as despesas públicas hoje agravadas com benesses exageradas para ex-políticos, estabelecerão um tecto para a quantidade de sugadores do dinheiro público e para certas benesses que atingem valores chocantes quando comparadas com salários de trabalhadores activos, mesmo em altos cargos da função pública. ■

Ler mais...

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

CONTRA A DESERTIFICAÇÃO, PELA NATUREZA

Contra a desertificação, pela Natureza
DIABO nº 2229 de 20-09-2019, pág 16

Para a sustentabilidade da vida humana no Planeta há que dedicar muita atenção à defesa do ambiente, isto é, da Natureza, com pessoas, animais e vegetais e a biodiversidade nos seus diversos sectores. Por exemplo, evitar a desertificação nos seus vários aspectos, ou o domínio de uma espécie vegetal que impede a vida das outras, como está a acontecer com o eucalipto, uma infestante que, em muitas áreas, está a impedir o crescimento das espécies anteriormente existentes.

Em Portugal, a desertificação atingiu tal exagero que já motivou o “Programa de Acção Nacional de Combate à Desertificação, criado em 1996 e revisto em 2014”, e o compromisso assumido e referido na Agenda 2030 das Nações Unidas; e deu origem ao recente alerta do TdC para definir as linhas de acção para o combate às alterações climáticas, através da gestão do uso da água e da manutenção das florestas. Tendo havido um progressivo abandono dos meios rurais e encontrando-se o interior do País já em preocupante estado de desertificação, há urgência em tomar medidas para inverter o estado de degradação vigente. Essas medidas devem começar por dar incentivos atraentes para desenvolver actividades económicas ligadas às potencialidades locais – agricultura, pecuária, madeira, mobiliário, etc –, apoio às pessoas, repondo, de forma adequada, serviços públicos que foram retirados, no ensino, na saúde, nos correios, finanças, justiça, na banca, etc.

Há alguns anos, uma autarca do centro geográfico do continente, na Beira Baixa, conseguiu instalar uma boa quantidade de imigrantes brasileiros a fim de dinamizar o repovoamento da ária mas, como não lhes foram dados apoios atractivos, acabaram por decidir ir trabalhar em cidades, onde as condições eram mais vantajosas. Para resolver este grave problema não basta criar um “observatório” e ficar descansado de que fica solucionado, como parece ser a convicção do ministro do Ambiente. Há, pois, que deitar mãos ao problema e considerá-lo essencial e urgente. Os técnicos devem analisar localmente todos os factores intervenientes, estudar as causas e dialogar com habitantes actuais e recentes que forneçam opiniões construtivas. Com a devida frequência, esses técnicos devem apresentar o resultado da evolução do seu trabalho a fim de se evitarem indecisões e estagnação, se tomem posições oficiais quanto a resultados já consolidados e se melhorem adequadamente as estratégias para atingir os objectivos desejados em tempo aceitável.

Ao nomear técnicos para se encarregarem destas funções, devem ser escolhidas pessoas, não por amiguismo, mas por competência e experiência adquirida e demonstrada, para não serem mais um “observatório” ou “comissão” das que só excepcionalmente merecem elogio.

Há alguns anos, no distrito de Bragança houve jovens professores do secundário que, nos tempos livres, se dedicavam à agricultura ecológica de produtos alimentares, alguns ainda desconhecidos na região, e que foram noticiados na TV e apontados como exemplos a seguir. Desconheço a sua situação actual, mas há interesse em seguir tais exemplos. E empresas agrícolas como existem no Alentejo e no Algarve em mãos de estrangeiros, também podem servir de estímulo para tal sistema ser utilizado nas Beiras e em Trás-os-Montes, aproveitando bons terrenos agrícolas, que actualmente se encontram abandonados e cobertos de silvas e mato e ameaçados por eucaliptos.

No aspecto humano, como os poucos residentes, onde ainda os há, são idosos, deve ser encarada, de forma prática e satisfatória, a existência de centros de apoio de dia e de lares residenciais, o apoio de saúde e o apoio de serviços públicos para não terem de se deslocar muitos quilómetros sempre que precisem de resolver qualquer pequeno assunto da burocracia oficial a que sejam obrigados.

Não deve haver hesitações nas medidas que contribuam para anular a desertificação e para preservar a Natureza na sua melhor forma. ■

Ler mais...

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

UNIDOS PARA UM PORTUGAL MELHOR

Unidos para um Portugal melhor
(Publicado em O DIABO nº 2228 de 13-09-2019, pág 16 por António João Soares)

“A união faz a força”. A convergência de esforços é apanágio de uma equipa que deseja ganhar. Na vida social de um País todos devemos estar interessados no progresso, no crescimento do património colectivo e, para isso, devemos definir consensualmente objectivos estratégicos, a longo prazo, a atingir pelo esforço coordenado de todos. Cumprirá aos partidos do Governo, com a colaboração dos outros, a definição dos objectivos e de como conseguir a sua conquista da maneira mais positiva, para satisfação de todo os cidadãos, de forma realista, nos aspectos de segurança, justiça social, saúde, etc. Tal tarefa, a fim de ser respeitada durante muito tempo sem sofrer alterações da iniciativa de futuros Executivos, não deve ser levada a cabo simplesmente por Governo, de forma egoísta, prepotente e autoritária. Em assunto de tal relevância deve haver estabilidade, o que exige que na sua criação deva haver convergência de opiniões e compromisso de todos, unidos para bem do País.

Infelizmente, como se verifica em época pré-eleitoral, este conceito de patriotismo é esquecido e gastam-se de forma nada inteligente, capitais, tempo e energias em fantasias descoordenadas e ilusórias para enganar os eleitores com assunto sem significado real e duradouro e são desprezados os temas essenciais para preparar um futuro melhor, com boa qualidade de vida das pessoas e engrandecimento do património nacional. Podemos e devemos meditar sobre acontecimentos reais. No futebol o que interessa é a contagem de pontos para vencer o campeonato e nada adiantam as questiúnculas de agressividade nas bancadas devidas a uma falha do árbitro ou a um encontrão entre jogadores. O essencial não se resolve com tais violências nada desportivas. Também no Estado, a agressividade entre partidos concorrentes ao Poder, não compensa a perda de tempo e energias que deviam ser empregues na preparação do melhor futuro colectivo, com objectivos comuns bem definidos, embora contendo formas mais ou menos adequadas a opiniões diferentes.

Por exemplo, deve ser consensualmente meditada a finalidade do ensino e a melhor forma de preparação das futuras gerações, a melhor solução de apoio de saúde à população, a forma mais eficiente de garantir a segurança de todos nas mais diversas situações, sem excessos nem carências que condicionem as liberdades individuais, o estímulo a formas mais eficientes de desenvolvimento económico, sem perda de justiça social nem de estímulo à iniciativa individual, sem perda de respeito pelos direitos dos outros, pelas boas tradições culturais e sociais, etc.

Embora sem espaço para muito, refiro por exemplo a autorização para a exploração de lítio, que, além de lesar a capacidade agrícola das áreas próximas da exploração, contamina as águas que entram na rede fluvial, prejudicando as regas e as pessoas que as usam. Por exemplo, as águas da vasta bacia do rio Zêzere são colhidas na barragem de Castelo de Bode para alimentar a extensa região urbana de Lisboa. Também o turismo, que é agora um bom factor da economia nacional, exige cuidados porque, sendo uma actividade instável, muito susceptível de grandes alterações por efeito de pequenos casos de insegurança, pode ter uma paragem, semelhante à que ocorreu no Sul de França após o acto terrorista de atropelamento de várias pessoas em Nice.

Também tem sido muito falada a discrepância entre o aumento de impostos, taxas e taxinhas e, do outro lado, a ausência de proporcional aumento do património nacional, o que faz pensar nos gastos exagerados com a quantidade de deputados e de pessoal nos gabinetes da administração pública, suas mordomias, carros e luxos, sem benefício visível, directo ou indirecto, para os cidadãos vulgares.

Para as reformas estruturais serem devidamente respeitadas, precisam resultar de bom entendimento e convergência de esforços. As grandes decisões para se tornar Portugal maior não são tarefa a realizar por capricho ou inspiração de momento, mas fruto de profunda meditação, com a colaboração de largo espectro dos cidadãos. Todos devemos dar o maior contributo possível. ■

Ler mais...

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

FANTASIA DEVE SER MODERADA PELA SENSATEZ

A fantasia deve ser moderada pela sensatez
DIABO nº 2227 de 06-09-2019, pág 16, por António João Soares

Ao deparar com textos referentes a inovações, originalidades com vaidade de criatividade, lembrei-me de que, em centena e meia de textos aqui publicados, dez por cento focam a conveniência de encarar o futuro com vontade de inovar, de criar, de mudar, porque a Natureza é avessa ao imobilismo e vive da constante mudança dia/noite, Verão/Inverno, etc. Os textos que agora me chegaram conduzem ao mesmo tema e hesitei em insistir nele. Mas recordei a expressão latina ‘quod abundat non nocet’, o que abunda não prejudica, e insisto em sublinhar a necessidade de moderar as fantasias inovadoras e criativas com a sensatez suficiente para não se tornarem ridículas, fruto de vaidade ostentatória que, em pouco tempo, tenham de ser arquivadas em saco seguro.

Se é certo que a Natureza não é imutável, é também verdade que as suas variações se processam em continuidade, em função de circunstâncias naturais. Mas o homem que, errada e arrogantemente, se considerou racional em oposição a animais que classificou de irracionais mas que lhe mostram, com muita frequência, que são mais racionais do que ele e lhe dão lições de inteligência desenvolvida, ele muda por capricho, por estúpida mania de querer ostentar originalidade e criatividade, tomando medidas inconsistentes e que pouco depois tem de rejeitar. E, muitas vezes, esse impulso para se tornar notado contamina o ânimo de pessoas, desviando-as das suas tarefas bem remuneradas que devem ser destinadas ao bem dos cidadãos, e o seu tempo é desbaratado sem utilidade e prejudicando o bom exercício das suas funções e, por isso, impedem que o tal ser “racional” se possa colocar em plano superior aos ditos irracionais.

As inovações atrás referidas citam a escalada pró-animais com um SNS para cães e gatos e a inovação de alunos poderem escolher WC e balneários, independentemente de sexo. A Humanidade poderá chegar a um grau de evolução que dê a cães e gatos prioridade em relação a seres humanos, mas o estado actual da vida no planeta não permite, com sensatez, fazer uma tal alteração da ética social, por decreto. Só poderá acontecer por efeito de uma evolução que venha a ocorrer durante muito tempo, naturalmente, com progressividade, e que colha a aceitação da maioria das pessoas. Antes da condenação de quem bata num cão terá que ser criada uma justiça que condene o cão que morde um humano.

É preciso reflectir na conveniência de assumir regras para encarar a necessidade de mudança e para gerir para um futuro melhor porque o futuro exige objectivos e estratégias. Há Estados a confrontar situações de precariedade e de instabilidade e indefinição devidas a decisões pouco ponderadas ou não completamente concretizadas, como é o caso da Inglaterra com o Brexit e da Venezuela com o golpe incompleto.

Regular o funcionamento dos comportamentos numa sociedade não pode ter como modelo uma brincadeira infantil, nem o trabalho de mágicos, nem a representação de palhaços. É indispensável respeitar os direitos das pessoas de que muito se fala, mas que estão a ser muito esquecidos e desprezados por aqueles que têm o importante dever de as defender e respeitar. Os hábitos tradicionais devem ser respeitados por quem elabora as leis, a não ser quando se tornam completamente desajustados à actualidade, de acordo com opinião generalizada de quem os seguia. Governar em democracia não pode ser uma imposição arrogante e tirana de quem foi escolhido pelo povo para o defender e representar. ■

Ler mais...

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

IDOSOS, MAS NÃO ABANDONADOS

Idosos, mas não abandonados
(Publicado em DIABO nº 2226 de 30-08-2019. Pág 16. Por António João Soares

Um artigo recente baseado num estudo profundo sobre a problemática dos idosos, defendia a necessidade de os centros de dia reverem a política de apoio aos idosos, não só com vista à sua situação de fragilidade, mas devendo focar problemas de isolamento e de ocupação do espírito a fim de terem um envelhecimento mais lento e agradável. Os centros de dia já são procurados mais pela necessidade de convívio social do que pela fragilidade financeira.

O tema não me é estranho e fez-me recordar dois artigos que publiquei n’O DIABO em 21 de Março de 2017 e em 13 de Junho de 2017, nos quais salientava que “os idosos não precisam apenas de comer e dormir”, mas também de apoio para continuarem a possível actividade física e a intelectual, psíquica, emotiva e social. Referia num desses textos que na Holanda há um apoio regular de jovens estudantes a lares de idosos, ao ponto de alguns destes lhes darem alojamento para lhes facilitar a acção de conversar e distrair os idosos internados. Está assente que a continuação da ocupação mental e a realização de trabalhos, de arte, de cultura, agradáveis e com utilidade para o próprio e para terceiros, prolonga a vida e adia a chegada de doenças próprias da idade ou mesmo evita-as, como o Alzheimar que hoje aflige tanta gente.

Estes cuidados com os idosos devem ser aplicados, dentro das possibilidades existentes, com mais ou menos engenho, não apenas nos lares mas também em família, na vizinhança e em grupos de amigos. Acerca disto, o Papa Francisco disse que a vida não pára com a reforma e, com o envelhecimento, aumenta-se o saber armazenado, dando mais valor a coisas essenciais pois “a felicidade interna não vem das coisas materiais do mundo… Quando se tem amigos e irmãos, com quem falar, rir e cantar, isso é felicidade verdadeira”.

Algum tempo antes de entrar no lar onde estou há mais de dois anos, vivia só, num pequeno apartamento, e precisei de substituir a lâmpada do tecto da cozinha. Peguei no escadote e coloquei-o de maneira a tirar a lâmpada a fim de ir comprar uma com rosca igual. Quando ia a colocar o pé no primeiro degrau, pensei que podia cair e depois ficar no chão com fracturas que me impedissem de pedir o socorro conveniente. Desisti de subir e pedi a um amigo para me ir segurar o escadote. Esse amigo foi lá acima retirar a lâmpada e eu é que amparei o escadote. Fomos comprar a lâmpada e ele voltou a subir o escadote e a colocá-la.

O idoso não deve viver sem um apoio que actue em qualquer emergência, como quando não possa ligar o telefone. Convém que as autoridades pensem em formas de apoio social de convívio, de conversa, etc. Certamente, com tal apoio eficiente evitavam-se muitas mortes dramáticas com demoradas agonias e, talvez, suicídios que servem de fuga à dor física e moral. Há já alguns anos, em Rio de Mouro, uma senhora solteira, que vivia só, deixou de aparecer. Deixou de pagar o imposto do apartamento, as Finanças depois de passados uns anos apoderaram-se da casa, sem lá irem, e venderam-na em leilão. A senhora que a comprou, ao entrar e dar dois passos, deparou com o cadáver. Quanto sofrimento teria tido, sem apoio, antes de falecer?

Aqui, estou bem apoiado e, com a minha filosofia de actividade até ao fim, não tenho falhado com o meu artigo em todos os números do jornal. E também não tenho faltado a um convívio semanal com um grupo de bons amigos.

Além de lares e de centros de dia, as autoridades devem procurar manter activo o lado espiritual, psíquico, das pessoas, fomentando a ocupação cultural, a curiosidade pelo que se passa, a transmissão do seu saber acumulado durante a vida e fazer algo de útil, em trabalhos de lavores, de pinturas, de artesanato, de bricolage, de arte musical, etc. ■

Ler mais...

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

ÁGUA ATÉ QUANDO !

Água até quando?
(Publicado no DIABO nº 2225 de 23-08-2019 pág 16)

Estudo internacional, nos 154 países analisados, coloca Portugal entre os 44 que esgotam, pelo menos, 40% das suas reservas de água. Isto coloca-nos numa situação de elevado risco de escassez de água. Há também outros 17 países, que representam um quarto da população mundial, em risco extremamente elevado. A pressão que os leva a consumir 80% das suas reservas de água por ano são a agricultura, as indústrias e os municípios.

A escassez deste produto vital coloca sérias ameaças ao ser humano, à sua subsistência e à estabilidade económica. Para que esta ameaça não se concretize com brevidade, os países devem tomar medidas adequadas, controlando o crescimento da população, o desenvolvimento socioeconómico e a urbanização, factores que estão a provocar uma maior procura de água. Por outro lado, as alterações climáticas podem tornar mais imprevisto o agravamento.

Há que evitar desperdícios de água e aumentar o armazenamento da existente em barragens adequadas, e deve ser encarada a reutilização de águas residuais como uma solução adicional, podendo, com tratamento aperfeiçoado, gerar uma nova fonte de água potável. Nos países com maior carência, esta solução será importante porque 82% das suas águas residuais não são reutilizadas.

A pressão de falta de água não é necessariamente uma fatalidade e pode ser reduzida através do aperfeiçoamento da gestão dos recursos existentes. Evitar desperdício no consumo doméstico, apostar em técnicas de rega eficientes e económicas, fazendo com que cada gota de água conte, investir em infraestruturas mais amigas do ambiente e intensificar a reutilização das águas residuais, em jardins, agricultura, limpezas urbanas e até nas sanitas domésticas.

Sem dúvida que poupar, enquanto a há, deve ser um cuidado a ter por todos os consumidores, mas deve ter apoio didáctico nas escolas e em contactos com a população, a fim de ser obtida boa melhoria dos comportamentos, embora isso, só por si, não evite o esgotamento.

É difícil pensar como será a nossa vida quando deixar de haver água. Por isso, além da redução de consumo nos factores atrás referidos, agricultura, indústrias e municípios, há que cuidar do armazenamento, evitando que corra para o mar sem ter o devido aproveitamento prévio, que se construam mais barragens e que as existentes tenham adequado aumento de capacidade, dentro do possível pelo aprofundamento das encostas submersas. Muitas das barragens existentes carecem desse trabalho porque a sua criação resumiu-se à construção do muro de sustentação da água. E pode ser obtido grande aumento da capacidade de armazenagem sem entrar nos terrenos particulares vizinhos.

E Portugal tem a grande benesse de uma extensa ligação ao mar, dando-nos uma larga possibilidade de preparar, desde já e antes que seja tarde demais, o aproveitamento da dessalinização da sua água. É certo que a água proveniente do mar não tem as qualidades a que estamos habituados, recolhida de nascentes nas nossas serras menos poluídas. Mas, à falta de melhor, há muita gente a viver dela em Cabo Verde, e em países com territórios áridos próximos do mar.

Uma fábrica de dessalinização não é uma obra fácil nem de rápida construção, pelo que não podemos adiar a ideia até ao momento em que ela seja realmente necessária. Então, pode ser demasiado tarde. No Verão de 2018 a Cidade de Viseu, perante a seca da barragem de Fagilde, no rio Dão, viu-se na necessidade de abastecer o seu depósito central com colunas de autotanques que se deslocavam a 40Km de distância. Na próxima seca, quantas cidades terão de usar a mesma solução e a que distância encontrarão o desejado maná? Com uma dessalinizadora na costa, passando a água pelas canalizações existentes dispensaria o dispêndio dos muitos autotanques. E, depois de construída a primeira, ela servirá de modelo e ensinamento para construir as necessárias.

Não hesitemos. Estamos entre os 44 Estados mundiais com maior perigo. Não fiquemos à espera de milagres, como tem acontecido com a prevenção de incêndios florestais. ■

Ler mais...

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

GREVES POLÍTICAS?

Greves políticas?
(Publicado em (O DIABO nº 2224 de 16-08-2019, pág 16)

Nos últimos anos, têm sido noticiadas, e sentidos os seus piores efeitos, greves nos mais diversos sectores públicos, inclusivamente num dos três poderes da soberania, o Poder Judicial.

Por definição, “greve é a cessação colectiva e voluntária do trabalho realizado por trabalhadores com o propósito de obter direitos ou benefícios, como aumento de salário, melhoria de condições de trabalho ou direitos laborais, ou para evitar a perda de benefícios”. Portanto, o direito à greve deve ser uma ferramenta da luta entre trabalhadores e seus patrões, sempre que não conseguirem acordo através de conversações amigáveis. Mas não é aceitável nem justo, no caso de serviços públicos como saúde, transportes, ensino e outros, que, por interesse de poucos, se causem sacrifícios e prejuízos a todos os cidadãos que sejam utentes ou clientes de tais serviços públicos, que existem para servir a população.

Tem sido tolerado pelo Governo que pessoas morram por falta de cirurgias ou outros tratamentos urgentes que deviam ter sido efectuados com oportunidade, que outras pessoas faltem aos empregos ou cheguem muito atrasadas, devido a greve do transporte que habitualmente utilizam. Se há desentendimento entre trabalhadores e patrões de serviços ou de empresas, não é justo que sejam prejudicadas pessoas que são apenas utentes e clientes e não têm culpa de irregularidades que existam entre patrões e empregados, nem têm possibilidade de contribuir para solucionar tais diferendos.

Para isso, os trabalhadores, além do diálogo ou negociação, dispõem da greve de zelo que em nada prejudica utentes e clientes e até os pode beneficiar. Apenas visam a administração do serviço ou empresa que, além de receber menos, tem mais despesas pelas exigências de melhores condições de trabalho e insatisfação no serviço, incitando a exigências que antes eram toleradas.

Como se nota que, na vida pública actual, tudo o que acontece tem uma intenção inconfessada na luta interpartidária e hoje estão na berra novas teorias sociais, demasiado fantasiosas e desajustadas das tradicionais, não deve ser posta de lado a hipótese de pressão de oposicionistas que, manipulando os sindicatos, procurem prejudicar e criar mal-estar na imagem do Governo frente às próximas eleições. Perante isso, o Governo deve, nos serviços públicos favorecer o relacionamento entre os diferentes graus de funcionários, criando harmonia que gere esperança de breve aumento da justiça social e da equidade, reduzindo o leque salarial, em muitos casos demasiado injusto e irritante.

Com a exagerada prioridade que muitas teorias recentes dão aos direitos, em detrimento dos deveres, nesta época em que o tema mais falado é o da greve dos motoristas dos transportes de matérias perigosas, aparecem umas virgens míopes que defendem os grevistas com termos como estes “eu digo Força Motoristas, estivadores e outros camionistas e povo em geral unam-se numa só voz... mostrem a esta corja de ladrões e corruptos que quem manda na Nação ainda é o povo...”. Pobre povo, dependente desta gente.

Mas a realidade no sector laboral leva a considerar urgente a revisão da situação de muitos trabalhadores que funcionam como autênticos escravos que, com o seu trabalho pago apenas com o salário mínimo, alimentam empresas com bons lucros pagando desproporcionadamente a gestores, incluindo prémios de desempenho em anos em que os lucros “fiscais” foram mínimos ou mesmo negativos. A ética recomenda mais justiça social e menos discrepância salarial e que entre os vários degraus haja melhor relacionamento, até para fins didácticos, melhorando a eficiência dos menos aptos.

Quanto à substituição da greve por soluções que não afectem a população, há a solução do Movimento Zero de agentes da Segurança Pública que aqui foi referida e a atitude do CEMGFA perante o MDN.

Ler mais...