sábado, 4 de abril de 2020

Coreia do Norte com vaidade e arrogância
(Public em O DIABO nº 2257 de 03-04-2020, pág 16)

A loucura da guerra e a vaidade de ter armas de grande poder destruidor são defeitos comuns a grandes potências que sonham com o domínio do Mundo, o que suscita comentários demolidores dos pensadores mais serenos. Mas, infelizmente, há países de reduzida dimensão que não resistem à tentação de mostrar a pior das vaidades e esquecem o bem-estar e a segurança do seu povo, para desbaratarem o pouco produto do trabalho dos cidadãos no fabrico de armas vistosas de que não obtêm resultados correspondentes ao custo.

O caso mais recentemente noticiado é o do lançamento pela Coreia do Norte de dois mísseis de curto alcance na manhã de dia 21 de Março que percorreram 410 quilómetros antes de caírem no mar do Japão. Segundo a Coreia do Sul e os seus militares do Serviço de Informações que estão em permanente observação das actividades do seu vizinho do Norte, este foi o terceiro lançamento neste mês de Março.

O governo norte-coreano, com vaidade e arrogância, justificou a produção de armas nucleares como uma resposta necessária contra a política externa agressiva dos Estados Unidos em oposição à Coreia do Norte. Mas não analisa correctamente tal posição que é absurda porque, numa guerra propriamente dita com os EUA, a Coreia do Norte ficaria reduzida a pó. Mesmo que os EUA não praticassem tal destruição, a Coreia, depois dos custos que já está a ter e dos danos que teria durante o conflito, mesmo que ligeiro e rápido, não obteria a mínima vantagem nesta arrogância. E, provavelmente, não encontraria qualquer potência que, para apoiar tal loucura, se levantasse contra a grande potência americana.

Na actual situação da pandemia do Covid-19, surgida na China e já espalhada por grande parte do globo em que as pessoas estão em quarentena, a fim de evitar as piores consequências, esta acção de preparação bélica constitui um “acto altamente inapropriado”, não só pela pandemia surgida no país seu vizinho e que, certamente, está a afligir o seu povo mas também por a sua população viver com dificuldades e ver o fruto do seu trabalho desperdiçado em fantasias de grandeza desnecessárias e completamente inúteis.

No início de 2019, houve uma cimeira com Trump em Hanói a fim de a Coreia do Norte parar com experiências nucleares, mas não houve cedências à América e esta recusou levantar as sanções económicas. Porém, Kim Jong-un, apesar das suas dificuldades económicas, quer ter o país preparado para combater qualquer guerra provocada pelos EUA e disse que “as suas Forças Armadas estão prontas para proteger o seu povo e o céu azul da sua pátria”. Trata-se de uma arrogância insensata, com a qual os responsáveis militares não concordam, mas a que não podem desobedecer por não desejarem ser assassinados.

Há quem manifeste esperança de a humanidade vir a ter grandes modificações, após ter sido habituada a novos comportamentos pela quarentena que lhe foi imposta para fazer frente à actual pandemia. Porém, tais esperanças terão de ser condicionadas pela péssima qualidade de grande parte dos “responsáveis” pelos Estados que colocam acima dos reais interesses dos seus povos, o vício da ambição pessoal, da vaidade, do orgulho, da arrogância e da ostentação de actos insensatos.

A actual pandemia do Covid-19 deve incitar à reflexão profunda ponderando que todas as pessoas, independentemente da riqueza e da posição social, estão sujeitas à doença e à morte, pois têm morrido médicos e foram afectados governantes que decidiram abandonar as funções e entrar no isolamento das quarentenas e até em cuidados intensivos. ■

Ler mais...

sexta-feira, 27 de março de 2020

POLÍCIA COMO PAU PARA TODA A OBRA

Polícia como pau para toda a obra
(Public em O DIABO nº 2256 de 27-03-2020, pág 17)

A Administração Interna mostra grande esperança no bom comportamento (boa eficiência) das Forças de Segurança na responsabilidade de controlar os comportamentos dos cidadãos e dos seus serviços públicos na adopção de medidas preconizadas para prevenir os danos o alastramento da pandemia do Covide-19.

Essa esperança na eficácia dos agentes da segurança pública é lógica e coerente com os seus princípios e deveres profissionais. Porém as palavras de esperança do MAI, são incongruentes em relação com as que pronunciou há pouco tempo a respeito das carências de condições com que os agentes se defrontam no cumprimento da sua missão em que chegam a ser gravemente agredidos, sem que os prevaricadores e agressores sejam justa e adequadamente punidos. Tal governante mostrou não reconhecer medianamente as condições de trabalho destes funcionários e o que eles representam para a segurança e eficiência dos governantes e da população em geral. Agora, esquecendo a atitude hostil em relação aos obreiros da solidez da sociedade, quer esperar deles um papel que ultrapassa as suas atribuições, um papel que devia resultar da preparação cultural, da ética e da moral social que devia nascer do ensino escolar, do exemplo das autoridades autárquicas, dos serviços públicos e da consciência adquirida com exemplos dados pelas classes governativas. Mas, realmente, quando não se tem consideração, respeito e admiração pelas pessoas que deviam dar bons exemplos a adopção de medidas de higiene e de prevenção da saúde, só pode conseguir-se mostrando o bastão da autoridade como confirmam as palavras mais recentes do MAI. E depois? Se baterem nos polícias e os chamarem racistas? Voltará tudo às palavras ditas pouco tempo antes.

Também não é lógico esperar dos cidadãos o rigoroso cumprimento dos desejos do Governo para a defesa da saúde e do funcionamento da economia, pois tem havido degradação do funcionamento do ensino, do respeito pelos professores por parte de alunos e familiares. Crianças e famílias têm sido mentalizadas por ideias anárquicas, com teorias insipientes e contrárias às boas tradições, aos bons conceitos éticos, e que conduzem à abolição do respeito pelas pessoas e pelos actos valiosos do passado histórico.

Toda esta degradação social é resultado da falta de uma estratégia da governação sem a qual o país tem que ir vivendo numa instabilidade permanente que desmotiva a aceitação de uma eventual boa ideia vinda do Governo.

Até porque a degradação geral traduzida na impunidade da corrupção, nas suspeições vindas a público de altos funcionários da Justiça, etc, etc, não estimula que haja confiança e respeito pelos altos responsáveis pela vida nacional.

A ausência de estratégia bem definida e actualizada é muito perigosa quando, de improviso, se quer esperar da PSP uma actuação para a qual não está preparada. A propósito de impreparação geral, vejamos a sucessão de frases ditas por duas altas personalidades ligadas à saúde, sobre o covid-19: Em Janeiro: «não temos que estar alarmados», «é um bocadinho excessiva a probabilidade de contágio entre humanos», «não há grande probabilidade de chegar um vírus destes a Portugal»; Em Fevereiro: «é inevitável que o novo coronavírus chegue a Portugal», «no cenário plausível cerca de 21 mil casos na semana mais crítica, dos quais 19 mil ligeiros», «Dir… admite 1 milhão de infectados em Portugal», «estamos preparados»; Em Março: «“não houve tempo para formação” de profissionais de saúde, como na gripe A», «pior do que o vírus é o alarme na sociedade portuguesa», «se for preciso, em última análise, podem sempre recorrer à horta de um amigo».

Estas frases, além de insensatas, dão uma péssima imagem da competência de uma elite que devia cultivar o sentido de responsabilidade. O que se pode esperar das Forças de Segurança, nesta situação indefinida? Como vai punir quem não lava as mãos, quem cumprimenta com um beijo ou aperta a mão? Isto é que vai uma crise!!! Não podemos deixar de estar preocupados.

Ler mais...

quinta-feira, 19 de março de 2020

O ENSINO DAS NOVAS GERAÇÕES

O ensino das novas gerações (Public em O DIABO nº 2254 de 13-03-2020, pág 16) O ensino das crianças tem início logo que o bébé nasce e começa a observar à sua volta e a pensar naquilo que vê, suas causas, efeitos e circunstâncias em que ocorre. Aquilo que vê fazer gera vontade de imitar ou de rejeitar. E as interferências da mãe, de outras pessoas de família ou de ama ou educadora complementam a aprendizagem e constituem, com sensibilidade adequada, prémio ou castigo de actos correctos ou errados. E, desta forma, os contactos com os mais crescidos, nas mais variadas circunstâncias, são fontes de aprendizagem. A propósito, num dos almoços semanais com amigos, recordei as aulas de um professor, pai de um deles, no ano lectivo de 1946- 47, no Liceu Nacional Alves Martins (que no ano seguinte foi substituído pelo novo Liceu Nacional de Viseu), ao lado de uma calçada muito inclinada em que, do lado oposto à janela da nossa turma, havia um ferrador que tratava do calçado (ferraduras) de cavalos dos clientes e que passava grande parte do tempo a martelar ‘pic-pic’ a ferradura, junto à forja, para a ajustar à forma e dimensão do casco. Um dia, a meio de uma aula, perante dois ou três alunos distraídos e a conversar, o professor chamou-lhes a atenção de forma didáctica e socialmente educativa, dizendo “está o ferrador a trabalhar continuamente ‘pic-pic’ e os meninos sem prestarem atenção ao colega que está no quadro a tentar resolver o problema”. Aprendi que a observação da realidade que nos circunda e o pensamento acerca dela constituem um factor de aprendizagem e de cultura. E as palavras do professor tinham lógica, foram coerentes com o momento e ditas de forma correcta e didáctica. A lição estava adequada à disciplina escolar e à formação de meninos que estavam a iniciar a vida e englobava a noção da prioridade merecida pelo assunto da lição e foi útil por mostrar que, na vida, devemos estar atentos a tudo o que se passa à nossa volta para sermos cidadãos responsáveis agindo de forma moralmente correcta. Passados mais de setenta anos, ainda recordo positivamente esta lição simples mas eficaz. E este pensamento não foi rememorado por acaso, mas porque, em conversa, foi referida a alusão do nosso PR a um caso actual, em que reagiu por impulso e sem a devida análise e meditação ponderada, fazendo pressão limitativa sobre juízes italianos no julgamento de um jovem português que, talvez pouco esclarecido, esteve comprometido em acções de tráfego de pessoas, ao serviço de organização ligada à transferência de migrantes para a Europa, provavelmente às ordens de milionários internacionais que, com isso, pretenderiam desequilibrar a vida dos países europeus para fins de estratégia internacional não confessada. Com o pretexto de que o português estivesse movido por fins humanitários de salvamento de pessoas em perigo de afogamento, o PR, sem procurar melhor informação, deixou-se arrastar para um acto que classificou de heroísmo. Mas a realidade, baseada em testemunhos apoiados em várias fotos, mostra que, na maior parte dos casos, não chegou a haver perigo de vidas, mas apenas mudança de meio naval, de pequenas embarcações pneumáticas, cujo combustível dava até ali, para embarcações de maior capacidade, onde se encontrava o nosso “herói”, que ali estavam preparadas para esta transferência e levar os falsos “náufragos” a porto italiano. Todos os barcos estão controlados pela ONG, ao serviço de capitalista internacional que os financia e paga. Na origem, os traficantes de pessoas também recebem destas o pagamento da viagem. Este é um caso que exige boa investigação e não deve ser condenada ‘a priori’ a posição do Governo italiano nem o tribunal que age perante migração ilegal. Do outro lado, estão ocultos interesses políticos e financeiros contra os direitos de pessoas que vêm ameaçada a sua cultura tradicional, a sua história, a sua religião, os seus hábitos, etc. O Saber não ocupa lugar e surge de casos aparentemente insignificantes, que merecem ser bem ponderados. ■

Ler mais...

A PROCURA DA VERDADE EXIGE SABER E SENSATEZ

A procura da verdade exige saber e sensatez
(Public em O DIABO nº 2255 de 20-03-2020, pág 16)

A difusão de palavras, de ideias, de doutrinas, não é suficiente para convencer pensadores ávidos do conhecimento e da verdade e, por maioria de razão, para esclarecer as pessoas menos sabedoras. É certo, porém, que os menos conhecedores e mais carecidos de inteligência podem ser enganados e iludidos, temporariamente, mas depressa se poderão mudar para outro propagandista ou falso profeta.

Ora, se não bastam palavras, ideias ou doutrinas para convencer as pessoas, de que maneira se devem conduzir estas a aderir a uma corrente de pensamento ou a uma doutrina científica ou social? Há argumentos imbatíveis: os da realidade, da verdade dos factos, das realizações claras e iniludíveis que não podem ser desmentidas. Perante isso, os nossos políticos, principalmente alguns jovens, pouco documentados de forma multifacetada, que procuram destruir os feitos dos nossos heróis históricos, os valores do nosso passado nacional, e pretendem baralhar os espíritos mal preparados sobre género, racismo, escravatura e sobre falácias “doutrinárias” sobre direitos, estão condenados ao insucesso e ao descrédito, sem o futuro que ambicionam.

Por exemplo, em vez de usar palavras, ideias e opiniões sobre a diferença entre os últimos 45 anos e igual período imediatamente anterior, será mais convincente preparar uma lista verdadeira das realizações concretizadas em cada um dos períodos, em obras públicas, de interesse nacional, das reformas efectuadas nos principais serviços públicos de defesa, de segurança, de saúde, de justiça, etc. E, depois, podem fazer-se comparações verdadeiras e honestas, com base em decisões, acções, realizações, e evitar palavras balofas e intencionalmente enganadoras.

Para se formarem opiniões bem estruturadas e fundamentadas é indispensável ter em consideração todos os aspectos reais, aceitando cada caso na sua individualidade, sem desprezar pormenores, porque cada facto tem a sua particularidade, devendo ser considerado diferente dos outros. Tal como cada pessoa tem o seu ADN próprio, também as realidades materiais e sociais são diferentes, e devem ser aceites tal como são, com vantagens e inconvenientes, embora as diferenças possam ser tomadas em apreço quando decidido o seu aproveitamento. Esta realidade é tida em consideração na preparação da decisão, no momento em que se faz a listagem de possíveis soluções, sem desprezar as que possam parecer disparatadas; como dizia um grande mestre aos seus instruendos e, depois, colaboradores, “durante 5 minutos a asneira é livre”. Mas ao analisar cada uma, respeitando as suas características, a maior parte das possíveis hipóteses é afastada para se escolher a que contém mais vantagens e menos inconvenientes, e que garanta a melhor eficiência na acção a desenvolver.

Na escolha da modalidade ou de qualquer das suas particularidades há que fazer um esforço para evitar cair na tentação da precipitação em defesa de um ou outro pormenor, porque tal imponderação é própria de ignorantes que se consideram possuidores da verdade. O sábio só tem dúvidas enquanto o ignorante só tem “certezas”, mesmo que ao ser perguntado por argumentos não vá além de “porque sim”. As dúvidas têm a força de exigir mais análise e estudo, aspectos que definem a busca de sabedoria que caracteriza o sábio. O comportamento mais positivo nos variados aspectos da vida ou da realidade assenta na ponderada procura da verdade, isto é, na atenção dada a todos os pormenores, não menosprezando nenhum, a fim de a decisão nada ter de casual e assentar em bases concretas. Mas, mesmo assim, nada deve ser considerado definitivo, porque na natureza tudo muda e, após a decisão, não se deve ficar surpreso quando surgir necessidade de pequenos ajustamentos, normalmente devidos a alterações ambientais que valorizam mais um factor do que outro. Enfim: penso, logo existo; observo, logo aprendo.

Ao meditarmos neste tema devemos recordar a “decisão” de mudar o Infarmed de Lisboa para o Porto, depois anulada, a decisão de construir o terminal de contentores no Barreiro, já anulada, as sucessivas tentativas de reforçar o aeroporto de Lisboa com solução na Ota, em Alcochete, em Alverca, no Montijo, em Beja. Se não houver uma decisão válida, ainda podemos ver a interdição do aeroporto de Lisboa que está a lesar seriamente os seus moradores por ser a 2ª cidade europeia martirizada pelos ruídos dos aviões nas descolagens. ■

Ler mais...

sexta-feira, 6 de março de 2020

UM NOVO NAPOLEÃO!!!

Um novo Napoleão!!!

A CEE - Comunidade Económica Europeia - foi uma organização internacional criada por um dos dois Tratados de Roma de 1958 com a finalidade de estabelecer um mercado comum europeu para manter bom entendimento entre os maiores estados europeus cuja luta de interesses, principalmente entre a França e a Alemanha, tinha conduzido a guerras devastadoras como foram as de 1914-18 e da 1939-45. Depois, a CEE deu lugar à UE que prometia conduzir a algo como uma confederação de Estados que faria frente ao binómio EUA e Rússia e contribuiria para evitar novas guerras mundiais de efeitos tão destrutivos como as mais recentes.

Mas agora a França, dirigida por um jovem com mais ambição do que prudência, sensatez e experiência, quis imitar a grande figura histórica de Napoleão e está a defrontar o seu velho rival, Estado alemão, querendo impor a sua ideia de reformas na Europa e do ritmo da sua activação e manifesta a sua impaciência por a entidade correspondente da Alemanha não o acompanhar nesta iniciativa. Ora a União Europeia não foi criada para que o continente obedeça rápida e cegamente a caprichos de um país, mesmo que seja um dos cinco ditadores do Conselho de Segurança da ONU com assento permanente, direito de veto e detentor de arma nuclear.

A UE, mais do que um simples Estado soberano, deve tomar atitudes e decisões de forma muito cuidadosa, depois de estudar os temas e de os discutir com consultores idóneos e independentes, a fim de conseguir o objectivo de desenvolver a economia, o património e o prestígio do continente em todos os setores e melhorar a qualidade de vida das pessoas. Para tal finalidade, interessa que todos os países membros estejam em concordância, sem imposições forçadas por qualquer deles.

Para isso, a imposição de estilos dominadores de tipo napoleónico, é desaconselhável. E devem ser bem controlados os perigos de atritos com a Alemanha, pois foi esse o motivo que levou à criação da União. A chanceler alemã tem divergências de Macron sobre o rumo da União Europeia e sobre as reformas políticas, económicas, sociais e militares de que a Europa precisa. E parece sensata ao discordar da sugestão do seu vizinho, nomeadamente quando ele refere interesse na parceria quanto a poder nuclear. Este poder, altamente perigoso, está a ser evitado para países que ainda o não possuem e os cinco poderosos da ONU deviam, com urgência, planear o seu desmantelamento sob a observação de uma equipa independente votada em Assembleia Geral da ONU e, depois, criar forma de controlo e de sanção para evitar a montagem de tais armas exageradamente destrutivas, em qualquer ponto do planeta.

A estratégia nuclear diz que o primeiro ataque é dirigido a locais de armazenamento de tais armas do inimigo e este responderá, com as que não forem destruídas, contra as principais cidades do adversário. Se uma arma actual já tem efeitos incalculáveis na humanidade, como ficará esta depois de um tal diálogo atómico?. Não se esqueçam os danos da explosão de uma pequena central eléctrica nuclear em Chernobil. E não se tratou de potente arma atómica.

E assim ficamos cientes de que Emmanuel Macron, ao querer transformar a Europa numa potência militar semelhante à dos EUA, está a destruir qualquer esperança de evitar no mundo uma guerra destruidora em vez de procurar que os Estados se mentalizem a resolver pacificamente as suas dificuldades, pelo diálogo e a negociação. Pois, se ele nem sequer é capaz de dialogar eficientemente com a sua vizinha Alemã!

Perante estas dificuldades de a UE chegar a um bom entendimento da gestão dos assuntos actuais e da preparação de um futuro bem estruturado, todos os europeus têm motivo para viver preocupados, impacientes e frustrados quanto ao futuro do Continente e da sua colaboração para um Mundo melhor. Com estas perspectivas, não admirará que mais Países comecem a seguir o exemplo da Inglaterra, com o seu Brexit. Calma Macron!

Ler mais...

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

CEGOS GUIADOS POR LOUCOS

Cegos guiados por loucos
(Public em O DIABO nº 2252 de 28-02-2020, pág 16)

Uma quadra do meu amigo José Caniné diz que a nossa vida está a ser dominada pelos fracos e os velhacos. Quanto a fraqueza, é maneira poética de esconder o vício da vaidade e da ambição, pois muitos dominadores são poderosos, sujeitos à pior droga que está a escravizar o mundo, tão forte e perigosa que nem exige cuidado para evitar a overdose, pois o dinheiro (como ela é conhecida) não implica esse perigo por poder ser consumida em quantidade ilimitada, havendo muitos drogados com ela que gostam de a acumular sem olhar ao montante.

Mas há também quem diga que o mundo é uma multidão de cegos guiados por loucos. E esta frase merece ser bem meditada e analisados os seus condicionamentos.

Comecemos pelos órgãos da Comunicação Social que, há cerca de 70 anos, eram um factor de instrução e cultura que ampliava o saber adquirido na família, nas escolas e na observação da vida real. Recordo, de entre muitos outros programas instrutivos; o do Engº Sousa Veloso que ensinava aspectos úteis e práticos da actividade agrícola de forma a tirar dela os melhores resultados conforme a ciência que ele bem dominava; o programa do professor doutor Vitorino Nemésio que, com os seus ensinamentos de história e cultura social, nos deixava convictos de ficamos mais elevados na categoria social; o programa de José Megre, que nos ensinava os cuidados a ter na condução automóvel de forma segura e cuidadosa, criando a esperança de regressarmos sãos e salvos e com o prazer de uma boa viagem; o programa de Edite Estrela, que ensinava ortografia e redacção e nos ajudava a interpretar o que líamos e a escrever de forma correcta as nossas ideias; etc, etc.

Mas tudo isso acabou. Já nada existe. E os próprios jornalistas são vítimas da falta de tais programas dedicados à cultura e ao uso do nosso idioma, como se vê em artigos publicados por jornais e empresas de rádio e de TV, em que se encontram erros de palmatória quer na estrutura das frases, quer na ortografia e palavras desconjuntadas com letras em falta ou trocadas, etc. Mas o que é mais grave é a qualidade dos programas que repetem as frases dos dias anteriores martelando coisas que se tornam maçadoras como eutanásia, coronavírus, racismo, nos intervalos de futebol, telenovelas e outras banalidades que servem apenas para evitar que os telespectadores ou ouvintes pensem nos problemas que os envolvem e que bem precisam de ser meditados, compreendidos e resolvidos.

Dá a impressão de que há uma intenção premeditada para tornar as pessoas estúpidas ou cegas e ignorarem os graves problemas sociais ligados à Saúde, Justiça, ensino e outros serviços públicos e, com tal guerra psicológica, deixem de reagir e reclamar. Mas a degradação mental dos portugueses nada traz de positivo para as gerações futuras e para o prestígio de Portugal no convívio internacional.

Acerca de tal degradação, em relação ao ensino, recordo um programa de quando ainda via alguma TV, em que as pessoas iam responder a uma pergunta e se habilitavam a um prémio. A candidata disse que era finalista de Direito na Universidade de Coimbra e que pretendia doutorar-se e ser catedrática. A pergunta era: qual o rio que passa em Leiria de entre os seguintes: Tejo, Lis e Ave. Ela, sem hesitar muito, disse que deve ser o Tejo. O apresentador tentou ajudar de várias formas. Uma foi dizer que o Tejo passa em Lisboa, Santarém e Abrantes. Ela continuava com a sua inclinação. Ele perguntou se já tinha ido a Leiria e ela respondeu que já lá tinha passado (talvez pela autoestrada). Acabou o diálogo a dizer que é o Tejo e não ganhou o prémio. No ensino de há 7 décadas saíamos da escola primária a saber todos os rios e seus afluentes e a conhecer as linhas férreas e todas as estações e apeadeiros.

Como sensibilizar a população para colaborar no desenvolvimento do País? Muitos políticos, tal como a candidata a catedrática de Direito, só conhecem o Terreiro do Paço e a TV já não ajuda. ■

Ler mais...

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

O AMBIENTE DEVE SER RESPEITADO

O Ambiente deve ser respeitado
(DIABO nº 2251 de 21-02-2020, pag 16. Por AJS)

Gosto de apreciar uma boa ideia, bem intencionada para o engrandecimento de Portugal e a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, mesmo que ela venha de pessoa com quem nem sempre se concorde. Mas ninguém é perfeito e toda a pessoa pode ter valores positivos que se sobreponham a defeitos mesmo que dificilmente toleráveis. E, assim, quando de tais cabeças sai uma boa sugestão para “bem da Nação”, não devemos deixar de lhe dar reconhecimento.

Vem isto a propósito do desconforto e até perigo de depósitos de lixo a céu aberto, por vezes, de forma difícil de compreender, vindo de países aparentemente mais civilizados e que abusam da nossa pobreza, não apenas económica mas também de espírito. As palavras de Catarina Martins não foram originais, nem inovadoras, porque já na semana anterior viera a promessa de que “Governo vai suspender e rever licenças de aterros” mas, pela sua influência no funcionamento da “geringonça”, espera-se que consiga que esta “intenção”, ou apenas promessa do Governo, venha a tornar-se realidade e que fiquem bem encaminhadas, quer a legislação que for criada quer as acções consequentes, abrangendo o ajustamento das taxas de gestão de resíduos, quer a melhor eficácia das formas de fiscalização tanto a nível municipal como, superiormente, na supervisão governamental.

Trata-se de um aspecto muito importante da vida nacional, pois o ambiente deve merecer o máximo respeito e cuidado dos poderes políticos, ao mais alto nível (Poder Executivo), nomeadamente no que respeita à gestão do lixo que, se não for devidamente tratado, provoca odores desagradáveis e poluição visual e infecciosa altamente incomodativa. Quem teve contacto estreito com regiões rurais conhece concretamente os incómodos do amontoado de resíduos quando excede volume chocante.

Por outro lado, os lixos arrastados pelas chuvas e pelas correntes fluviais, acabam por ir parar ao mar, criando ilhas de detritos que resistem muito tempo ao efeito destrutivo da água, são reduzidos a micropartículas, ingeridas por peixes que depois as trazem para a nossa alimentação, se eles não sucumbirem ao efeito delas nos seus organismos. A má localização dos montes de resíduos pode produzir a contaminação de veios aquíferos que sirvam de abastecimento de nascentes aproveitadas para água utilizada, directa ou indirectamente, para alimentação humana ou de animais que venham a ser destinados a esse fim.

O Ambiente, na realidade, constitui a visão que nós temos da Natureza em que vivemos e será sempre muito agradável gostarmos de apreciar as suas belezas espontâneas, deslocarmo-nos nelas e desenvolvermos actividades profissionais ou recreativas no seu espaço, ou cultivando jardins ou culturas de plantas ornamentais ou próprias para alimentação e devidamente isentas de matérias impróprias.

Não é necessário referir espécies de detritos impróprios para ficarem expostos à vista de cidadãos respeitáveis (que devem ser todos). Ninguém gosta de ter próximo de casa uma latrina mal cheirosa. Por isso, há que definir o que são “aterros sem condições” e “que prejudiquem a vida das populações vizinhas” e que efectuar fiscalizações, “a sério”, responsáveis e frequentes, dos aterros autorizados. Convém que o Governo cumpra rigorosamente esta sua promessa de que “vai rever as regras para estes aterros e para a importação de lixo”. E, quanto a esta, há que reavaliar o interesse de tal negócio e quais os seus benefícios para o crescimento da economia, para a melhoria da qualidade de vida das populações e para o prestígio internacional do nosso País. Talvez haja indústrias nacionais interessadas na importação de resíduos específicos que possam servir para reciclagem e construção de novos materiais mas, em tal caso, haverá que evitar que os resíduos úteis venham acompanhados de grande quantidade de outros que apenas tenham inconvenientes.

Nisto como em tudo o mais, qualquer decisão deve ser previamente bem analisada, para não acontecer, mais uma vez, a anulação de leis e directivas após poucos dias de existência, o que nada prestigia os governantes ou os directores de serviços públicos. ■

Ler mais...

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

DESTINO DO DINHEIRO DOS IMPOSTOS

O destino do dinheiro dos impostos
(Public em O DIABO nº 2250 de 14-02-2020, pág 16. Por A J Soares)

No início do mês de Dezembro de 2013, o Governo anunciou que tinha necessidade de mais poder financeiro e que ia aumentar as percentagens de IRS e de IRC. Levantou-se logo a voz na TV e por escrito do grande empresário Alexandre Soares dos Santos, a defender que essa não seria a melhor solução e que seria mais correcto o aumento do IVA, visto que sairia do bolso das pessoas de forma menos sensível em pequenas fracções, de forma menos chocante.

Houve quem atacasse esta proposta – fi-lo em artigos de blog – porque os impostos directos são mais justos, racionais, morais, porque são proporcionais ao rendimento colectável dos contribuintes, enquanto que o IVA é calculado em função da despesa feita e de forma igual para qualquer cidadão, quer a compra seja feita por um milionário quer por uma pessoa pobre que apenas compra um pão para matar a fome ao filho.

Mas as pessoas bem pensantes e sensíveis às realidades das populações depararam com o facto de estar em jogo o aumento do dinheiro público à disposição dos políticos e com o interesse dos milionários existentes e daqueles que desejavam vir a sê-lo, isto é, que seguiam a carreira política com tal finalidade. E, para esse efeito, achavam mais eficaz a prioridade dada aos impostos directos generalizados a todos os cidadãos, mesmo aos de mínimo poder de compra. E isto começou a ser mais evidente com o fisco, usando de boa técnica de parasitas ou sanguessugas, com o aumento muito diversificado de novos e variados pretextos para criar mais taxas e taxinhas, sempre em quantidade crescente.

E para quê? Qual tem sido o efeito de tanto dinheiro sacado aos portugueses? Que aumentos tem havido no património nacional e na qualidade de vida dos cidadãos que não beneficiam do compadrio partidário? Tem havido sugestões para se criarem listas dos melhoramentos nos tempos do actual regime e em igual período imediatamente anterior, mas desistiram perante a diferença chocante entre as extensões das duas listas. Enquanto antes, com menos impostos, se construíram escolas em muitas aldeias, casas de cantoneiros, casas para guardas florestais, hospitais, palácios da Justiça, quartéis para militares e para forças de segurança, etc, etc, depois do 25-A deparamos com a degradação dos serviços públicos essenciais como, por exemplo, o da saúde, etc.

Mas temos uma multidão de deputados e de ministros e secretários de Estado, todos bem servidos de colaboradores, bem pagos com mordomias de estilo milionário, que desenvolvem actividade mais de aspecto turístico e de propaganda de imagem do que de efeito positivo para o desenvolvimento do país e da qualidade de vida dos cidadãos mais desprotegidos. Até os agentes das forças e segurança, indispensáveis para manter a paz e a ordem, no respeito pelos governantes, são por estes desprezados com abomináveis palavras pronunciadas publicamente.

Afinal, qual é o resultado do dinheiro que nos é sucessivamente sacado, cada vez em maior valor? Tomo a ousadia de transcrever esta pequena mas significativa frase extraída da pág 4 do nº 2248 deste semanário: “parto da realidade de que, ao longo das últimas duas décadas, Portugal sofreu um forte atraso no seu processo de desenvolvimento em relação aos outros países europeus, que a economia portuguesa estagnou com base num modelo económico errado de duas economias divergentes e no privilégio do mercado interno, os dois elementos que mais impedem o crescimento económico e o progresso social”.

Basta, chega de tanto sacrifício. Precisamos de mudança, de reformas que activem as energias dos portugueses e que elas sejam devidamente aproveitadas para a recuperação da imagem correspondente ao prestígio e ao valor que os nossos heróis deram a Portugal, durante séculos de indiscutível grandeza.■

Ler mais...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

ARMAS SÃO FERRAMENTAS DE MORTE

As armas são ferramentas de morte
(Public em O DIABO nº 2249 de 07-02-2020, pág 16, por A J Soares)

Tenho aqui defendido que a violência provoca maior violência a qual, em vez de resolver o problema existente, o agrava numa escalada com graves efeitos sobre as populações e os patrimónios. É certo que quando a violência excede limites suportáveis pode abreviar a paz, mas é uma paz azeda e que gera ódios e desejos de vingança que apenas espera oportunidade para a sua concretização. Isso vê-se no avanço e recuo de fronteiras e de retaliações muitas vezes em forma de terrorismo. Há muitos exemplos nos continentes asiático e africano.

Mas, entretanto, surgem palavras sensatas que deviam ser elogiadas e apoiadas para se tornarem realidade e servirem de estímulo a muitas acções de diálogo e negociação e evitarem violências. Neste momento, tenho na frente as palavras de Erdogan, Presidente da Turquia, acerca da crise na Líbia, que deve evitar os “meios militares”, consolidar o cessar-fogo e procurar solução pacífica recorrendo a mediadores por forma a ser criado o melhor entendimento possível, por forma a ser continuado da melhor forma. E Erdogan tem memória recente dos custos da sua intervenção nos conflitos na Síria.

Em vez de envio de unidades militares, como vem sendo hábito de americanos, para “ajudar a resolver conflitos”, a ONU deve criar equipas de diplomatas bem treinadas na mediação, para ajudar as partes de conflitos a encontrarem solução pacífica sem perda de vidas nem danos patrimoniais. Essas equipas não devem impor soluções, mas sim ajudar as partes a chegarem a entendimento, com equilíbrio de cedências de parte a parte sempre de forma cordata. É preferível uma paz menos vantajosa que o desejado, a uma guerra demolidora e geradora de ódios e desejos de vingança. Também tem havido atitudes pacifistas semelhantes à de Erdogan, vindas de Putin e da China, e é pena que o conflito Irão/EUA se mantenha aceso com tendência de agravamento entre dois contendores demasiado teimosos e persistentes no mau uso das armas.

No dia 26 de Janeiro, cinco rockets ‘Katyusha’ explodiram, junto à embaixada dos Estados Unidos em Bagdad, no Iraque. E seis dias antes aconteceu o mesmo com vários mísseis. E no dia 8 foi abatido um avião ucraniano com 176 pessoas a bordo poucos minutos depois de descolar na capital do Irão, alegadamente por erro de quem operou os mísseis. As explosões de mísseis junto à embaixada americana parece não terem causado mortes, mas o resultado mais natural é a quantidade de baixas e de estragos materiais.

Embora isso não agrade à potente indústria militar, a ONU deve esboçar um movimento, por si e com a ajuda de organizações pacifistas, para abolir as armas mais perigosas nas panóplias militares e fomentar uma orientação de fundos para apoiar as medidas pacíficas de resolução de conflitos e de, com tais economias, apoiar as populações mais carentes dos Estados que aceitem a resolução pacífica pelo diálogo e pelas negociações e concretizem um relacionamento totalmente aceitável de que parta uma cooperação amigável em sectores tradicionais de tais povos com vista à exportação no melhor ambiente de comparticipação.

Nesta fase de revisão do esboço, deparo com notícias sobre as negociações entre israelitas e palestinianos com vista à criação de dois Estados e vejo com prazer posições positivas do Secretário-Geral da ONU, de Putin e do rei saudita que defendem uma solução realista de dois Estados, com a aceitação do nascimento de um estado palestiniano, bom relacionamento entre vizinhos e uma clara rejeição do terrorismo. Para isso não deve prevalecer a imposição de uma solução por uma potência amiga de uma das partes que não seja aceite pela outra parte. Como na amizade entre pessoas, os Estados devem respeitar as idiossincrasias do outro e evitar desentendimentos, estando sempre dispostos a dialogar com vista a uma convivência pacífica e evitando o uso das armas, que são ferramentas de morte. ■

Ler mais...

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

ERRO IMPERDOÁVEL OU CRIME ABOMINÁVEL!

Erro imperdoável ou crime abominável!
(Public em O DIABO nº 2248, pág 16, de 31-01-2020, por A João Soares)

Na sequência do texto da semana anterior em que referi o abate de um avião ucraniano, no dia 8, dois minutos após a descolagem, num terreno agrícola perto e a sudoeste da capital do Irão, morrendo toda a tripulação e passageiros no total de 176 pessoas, é oportuno começar a olhar para as notícias com alguma curiosidade.

Inicialmente, as autoridades iranianas apontaram para a existência de problemas mecânicos. Foi também salientado que o acidente ocorreu horas depois do lançamento de 22 mísseis iranianos contra duas bases utilizadas pelo exército norte-americano, em Ain Assad e Arbil, no Iraque, numa “operação de vingança” pela morte do general iraniano Qassem Soleimani. A Autoridade da Aviação Civil do Irão contraria esta versão e disse na sexta-feira, dia 10, ter a “certeza” de que o Boeing “não foi atingido por um míssil”.

No mesmo dia, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia anunciou que uma equipa de 45 especialistas ucranianos que estão no Irão para investigar a queda obtiveram, por parte das autoridades em Teerão, acesso às caixas negras do avião abatido, e estava convicto de que “todas as informações vão agora ser analisadas”, para investigar as causas do despenhamento do Boeing 737. O secretário de Estado americano Mike Pompeo afirmou: “Acreditamos que é provável que este avião tenha sido abatido por um míssil iraniano”.

O presidente do Irão afirmou, no dia 11, que o país “lamentava profundamente” ter abatido um avião civil ucraniano, sublinhando tratar-se de “uma grande tragédia e um erro imperdoável”. Hassan Rohani admitiu que “o inquérito interno das forças armadas concluiu que lamentavelmente mísseis lançados por engano provocaram a queda do avião ucraniano e a morte de 176 inocentes”.

Depois de as forças armadas terem igualmente reconhecido que o avião foi abatido por erro, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano apresentou “as desculpas” do país pela catástrofe do Boeing 737 da companhia Ukrainian Airlines. E acrescentou que um “erro humano em tempos de crise causada pelo aventureirismo norte-americano levou ao desastre”.

Depois, a televisão estatal noticiou que o governo iraniano admitiu no dia 11 que o avião ucraniano que se despenhou na quarta-feira, dia 8, em Teerão, matando todas as 176 pessoas a bordo, foi abatido inadvertidamente por militares iranianos, atribuindo o derrube do aparelho a um erro. Até este dia, o Irão tinha negado que um míssil fosse responsável pelo acidente. E os serviços de segurança americanos afirmaram que o acidente foi causado por um míssil iraniano. O responsável por este erro deve ser apresentado à justiça militar e devem ser feitas reformas para tornar impossível a repetição de tais erros.

Mas… no dia 19, notícia iraniana revelou que o Irão recuou na intenção de enviar para análise as gravações da caixa negra do avião ucraniano para que sejam sujeitas a análises adicionais. O chefe da investigação, Hassan Rezaeifar, afirmou que os registos do voo estão na posse do Irão, que tenta recuperar dados e gravações da cabine de voo, e que não há, no imediato, quaisquer planos para os enviar para análise externa. A informação é avançada um dia depois de ter sido noticiado que o Irão iria enviar para a Ucrânia as gravações, com Rezaeifar a explicar que não era possível ler as caixas negras no Irão sem ajuda. Mas dia 20 Kiev insistiu querer a devolução das caixas.

Passados mais de dez dias, em avanços e recuos, será que houve um erro imperdoável ou um crime abominável, uma operação de vingança mal calculada e preparada na escolha do alvo? Sugiro rigorosas medidas internacionais adequadas, de aplicação minuciosamente controlada, para garantir a segurança dos voos comerciais, ou oficiais garantidamente inofensivos. E estabelecer um limite de altitude para projécteis ou mísseis. Modernize-se a resolução de conflitos para terminar com a indústria da morte de que os militares fazem uso perigoso, como se conclui desta tragédia. ■

Ler mais...