quarta-feira, 29 de março de 2017

UMA DECISÃO DEVE SER SEMPRE PRECEDIDA POR ANÁLISE E COMPARAÇÃO DAS SOLUÇÕES POSSÍVEIS


As paragens e os recuos a que Trump já foi obrigado, durante pouco tempo de funções realçam a conveniência de, antes e ser tomada uma decisão, dever ser analisado o tema, e todos os factores que o condicionam a fim de serem formuladas várias soluções possíveis compará-las e escolher a melhor. É assunto já aqui abordado diversas vezes.

A experiência mostra que é mais aconselhável prevenir um erro do que, depois de ele ocorrer, ter de o remediar.

Recentemente, após a fuga de três presos da prisão de alta segurança de Caxias, a Inspecção decidiu investigar, em perda de tempo, talvez apenas para arranjar uma punição para os guardas de serviço com base num eventual descuido de vigilância. Mas o que é provável é ter havido falta de medidas preventivas activas funcionais, de eficiência controlada, com sentido de responsabilidade, que impedissem fugas bem sucedidas. Hoje, com os meios eléctricos e electrónicos de vigilância e controlo, é estranho um tal fracasso. Talvez a Inspecção devesse, previamente, ter controlado, os procedimentos do pessoal e os equipamentos, com visitas aleatórias, para ter a garantia de que tudo estava a funcionar correctamente, sem agora ter necessidade de remediar erros ocorridos.

Caso que também coloca o problema da deficiente prevenção e da ausência de cuidado em obter garantia de que os encarregados de guardar as 57 pistolas da PSP desaparecidas eram merecedores de toda a confiança. Tantas armas não podem ter desaparecido num só dia e, desde a falta da primeira, a fuga devia ter sido estancada antes de atingir quantidade tão significativa. Pois, certamente, o desaparecimento não foi em conjunto, mas por pequenas quantidades de cada vez.

Errar é humano e as facilidades são atractivas para quem tem exagerada e desajustada fé em milagres. «Deixa estar assim e pode ser que não aconteça nada» é uma regra a abandonar por quem tem sentido de responsabilidade.

Também nos fogos florestais, apenas se pensa neles no aspecto combativo, depois de ateados, porque isso convém aos que beneficiam dessa atitude, bombeiros, fornecedores de equipamentos, helicópteros, produtos ignífugos, etc. Mas, está a findar o momento anual apropriado em que se deve pensar em medidas eficazes destinadas a reduzir os fogos ao mínimo, evitando os vultosos prejuízos para os proprietários que, anualmente, vêm os seus haveres consumidos pelas chamas. Mas infelizmente, com a falta de gente capaz de planear a prevenção, iremos assistir, com o coração angustiado, dentro de poucos meses, a mais umas semanas de catástrofe. Porém, essa languidez de costumes não é pecado apenas dos portugueses. Ao mais alto nível da vida mundial acontece o mesmo, em muitos aspectos. Por exemplo, perante o drama dos refugiados, fala-se em dar-lhes abrigo e outros apoios, mas não se conhece intenção de criar formas de evitar os conflitos internos e externos que lhes dão origem. Em vez de se procurar manter a paz e a harmonia social, actua-se militarmente, com armas mais poderosas arremessadas por canhões e aviões que agravam o problema, com enormes destruições de património (por vezes com grande interesse histórico e artístico), perdas de vidas inocentes e produção de feridos que, se escaparem à morte, podem ficar deficientes e incapazes. Porquê isto? Porque os fabricantes de armamento pretendem aumentar as suas fortunas com guerras que quase «impõem» aos grupos terroristas e aos Estados com apetência para alimentar a ambição e a vaidade dos seus dirigentes.

Os governantes esquecem, ou não querem ver, que a violência combatida pela violência conduz a uma espiral imparável e gera ódio e desejos de vingança, que se prolongam durante várias gerações, e os resultados disso lesam os direitos da Humanidade. Actualmente, são bem visíveis os incalculáveis inconvenientes da invasão do Iraque, em 20 de Março de 2003, por ela ter sido decidida ao contrário da metodologia da preparação das decisões aqui referida no texto publicado em 27 de Setembro de 2016.

Como o Mundo seria melhor, e as pessoas mais felizes, se os detentores de altos cargos tivessem apurado sentido de responsabilidade, competência, respeito pelos direitos humanos, sensatez e vontade de prevenir situações de acidente e de violência e dominassem as suas próprias tentações de vaidade e ambição!!!. Não deve esquecer-se a atitude da Malásia e a segui o Japão ao tentar convencer a Coreia do Norte a dialogar para atenuar a ira da Coreia do Norte. No mesmo tema também se evidenciou a China e a Rússia a tentar serenar os espíritos, no sentido proposto pela Malásia.

Notícia muito recente diz que embora, no nosso País, já estejam identificados há 10 anos infraestruturas com risco de atentado, apenas há três anos se iniciou a validação dos respectivos planos de segurança. Mas, embora já tenham sido aprovados cerca de 50 relativos a infraestruturas críticas, ainda há 30 por validar, do total de cerca de 150 «pontos sensíveis» identificados pelos técnicos de segurança. O processo está a andar demasiado devagar, pelos vistos, sem uma real sensibilidade para a necessidade de «prevenir». É bom ser como o velhinho pensador, mas sem se deixar pear pela indecisão.

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terça-feira, 21 de março de 2017

RESPEITAR E APOIAR OS IDOSOS

Os idosos não precisam apenas de comer e dormir
(Publicado em O DIABO de 21 de Março de 2017)

Os idosos, principalmente quando são mendigos ou sem abrigo, não deixam de ser pessoas a merecer respeito pelos seus direitos humanos. Os apoios sociais têm desenvolvido uma actividade meritória, mesmo que ainda incipiente, no apoio material, dando comida e, por vezes, abrigo aos mais desprotegidos. Mas os idosos, mesmo os menos carentes, não precisam apenas de comer e dormir. Precisam também de ser ajudados a manter activo o seu lado espiritual, psíquico, através de ocupação cultural, de curiosidade pelo que se passa, de transmissão do seu saber acumulado durante a vida e até de fazer algo de útil, em trabalhos de lavores, de pinturas, de artesanato, de bricolage, de arte musical, etc. Esse apoio, devidamente orientado, contribuirá para manter activos os sentimentos, afectos, amizade e sentido de utilidade. Isso e a realização de contactos entre os residentes em lares e alunos de escolas poderá contribuir, pela transmissão do saber sedimentado pela idade, para ajudar estes jovens a serem mais conscientes e felizes num mundo com mais ética e civismo e a ter comportamentos sociais mais correctos e com flexibilidade para se adaptarem às condições sempre mutáveis da sociedade. Um lar bem organizado deverá ter algumas semelhanças com uma academia para séniores, com base no voluntariado.

Os dirigentes este tipo de instituições devem ter sensibilidade e humanismo para obterem os melhores resultados e serem, por isso, convenientemente respeitados e valorizados.

Recordo que o Secretário-Geral das Nações Unidas, em 26 de Fevereiro, disse que o "desrespeito pelos direitos humanos é uma doença" que se está a espalhar pelo mundo e sublinhou que, para atalhar a um tal perigo desta epidemia social, a "prevenção deve ser a prioridade". E para cimentar a convicção de que é preciso praticar activamente o respeito pelos direitos humanos, deverá, sem demora, ser respeitado o conceito de que as pessoas, além do corpo, têm uma alma que precisa de ser apoiada. E uma situação psíquica equilibrada ajuda a viver mais e melhor.

É certo que, num lar de idosos, há pessoas que já são pouco ou nada receptivas a apoio psíquico ou cultural, mas as que ainda possuem ligação com as outras deverão sentir-se melhor com estas ajudas, do que se estiverem paralisadas em frente da TV de que não tiram benefício significativo. Talvez seja preferível que olhem para os trabalhos artísticos e os lavores feitos por colegas e que olhem para os seus exercícios de dança, de ginástica, de ensaios corais, de leitura de poesias, etc.

Por outro lado, os trabalhos realizados podem ser objecto de exposição ao público, com fundo musical de alguns cantos, dança, fotografias, etc. que contribuirá para realçar a imagem do lar de idosos que levar a cabo essa actividade e, ao mesmo tempo, para divulgar a «prioridade» a que se referiu o engenheiro António Guterres. Esses trabalhos também podem ser vendidos, se os autores estiverem de acordo, e o resultado da venta ser destinado a melhoria das suas vidas ou a outro fim de beneficência.

Se a ociosidade é mãe de todos os vícios, as pessoas, dentro das suas possibilidades e energia disponível, devem evitar parar e estagnar, por que isso é provocar um fim prematuro. Devem manter-se o mais activas que puderem, quer física quer psiquicamente.

António João Soares
14 de Março de 2017

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terça-feira, 14 de março de 2017

TRANSPARÊNCIA OU OPACIDADE

Transparência ou opacidade
(Publicado em O DIABO de 14 de Março de 2017)

Tem sido viral, após eleições legislativas, criticar a quantidade de abstenções, mas não se divulga um estudo sério, independente, isento e esclarecedor do fenómeno e suas causas. As imagens que, normalmente, chegam aos eleitores são desencorajantes do cumprimento do dever de votar. As notícias conhecidas sobre a promiscuidade de actividades privadas com funções de Estado, de que resultam conflitos de interesses em que os públicos ficam desfavorecidos, tudo isso e muito mais está ligado ao facto de as listas de candidatos a eleições serem impostas aos eleitores, embora se diga que os deputados são escolhidos (eleitos) por estes.

Conclui-se que o sistema eleitoral não é realmente democrático nem transparente, dado que quem vota, limita-se a escolher uma lista sem conhecer suficientemente todos os elementos que nela constam. E fica sem a mínima responsabilidade da eleição de pessoas sem o perfil conveniente para as funções que irá desempenhar.

Também das tricas e dos conflitos de linguagem entre os deputados, quando, aparentemente, deixam de lado os problemas nacionais essenciais, para se maltratarem mutuamente a pretexto de ninharias sem interesse, dão um péssimo uso ao tempo que lhes é dedicado e criam nos eleitores uma péssima ideia dos interesses das eleições, tal como se processam em todo o seu circuito. E, quanto a transparência, o resultado é nulo ou negativo. Para haver transparência na máquina do Estado deve haver uma organização bem estruturada, com normas de procedimento claramente elaboradas de que resultariam tarefas claras e precisas atribuídas como funções a executar por pessoas conscientemente responsáveis e com elevado respeito pelos direitos dos cidadãos que são a essência da democracia. E sente-se a necessidade de um sistema de controlo do funcionamento da máquina estatal, a começar pela AR, que garanta os melhores resultados e assegure uma eficaz preocupação com o espírito de prevenção para que não haja erros e tudo melhore com o passar dos dias. Mas essa organização não existe, ao ponto de, nas comissões de inquérito da AR, ninguém saber de nada, ninguém ser responsável, nem saber quem deveria ou poderia esclarecer o que realmente se passou. Há opacidade completa, em vez da transparência de que tanto de diz ser desejada. Mas, apesar desta necessidade de transparência, os denominados órgãos de comunicação social, não procuram dar aos cidadãos conhecimento daquilo que realmente se passa e de mostrar as raras iniciativas de quem quer esclarecer, antes repetem à exaustão aquilo que é desprezível, ajudando a reforçar as muralhas do obscurantismo que anestesia o poder de reflexão e aumenta o desinteresse pelo que é essencial e a continuação da degradação social.

E quanto a acção preventiva, surgem dúvidas, por exemplo, acerca do que foi feito para evitar as crises nos bancos? Não foi evitada a do BPN nem, depois, foi tirada deste a conveniente lição para evitar que a doença contagiasse vários dos outros, incluindo a CGD. Havia na organização algum dispositivo para estar atento e tomar medida preventiva? E, se havia, qual a razão de não ter actuado antes de surgir o colapso do Sistema financeiro? E qual a sanção de quem errou? Também aqui se nota a ausência de uma organização adequada com tarefas claramente atribuídas e controladas.

Com estas considerações não se procura dizer mal mas, sim, alertar para a necessidade de evolução, evitando falhas, e aperfeiçoando o funcionamento da máquina de que todos os cidadãos dependemos. Desejamos que a melhoria da nossa qualidade de vida constitua uma preocupação prioritária dos elementos do Parlamento e que seja visível por todos os que virem as transmissões da TV.

António João Soares
7 Março 2017

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terça-feira, 7 de março de 2017

CADA MACACO EM SEU GALHO

Cada macaco em seu galho
(Publicado em O DIABO de 7 de Março de 2017)

A sabedoria popular diz que não se deve esperar que um sapateiro toque rabecão, mas a sensatez diz que também não convém que o artista que bem maneja o rabecão seja visto a colocar umas gáspeas nuns sapatos. Mal iriam as coisas se, num quartel, um oficial superior tivesse que fazer o papel de sentinela ou se um soldado fosse encarregado de elaborar uma ordem de operações. A cada um compete a sua missão e as tarefas apropriadas. Enfim, cada macaco em seu galho.

Por exemplo, não é curial o procedimento de Trump que quer, ele próprio, tomar decisões repentinas, em vez de atribuir, de forma adequada, a um dos seus colaboradores o objectivo a concretizar para atingir uma finalidade essencial do Estado, dentro das atribuições que lhe estão confiadas e, no fim de estudos por ele realizados e perante as soluções possíveis que lhe forem apresentadas, se dignar tomar opção pela melhor ou mandar estudar com mais pormenor as diferenças entre duas delas para que a escolhe seja bem criteriosa.

Este tema é muito complexo e mexe com conceitos de chefia, liderança, missão, funções atribuídas, informação, estudo, análise, modalidade de acção, decisão, controlo, inspecção, etc. Estes conceitos foram abordados, de forma sucinta, no texto aqui publicado em 27 de Setembro de 2016.

Mas a tentação de pessoas dotadas de saber mais vasto, ou disso convencidas, conduz a excessos de entrada em seara alheia o que algumas vezes lhes pode trazer dissabores. Trump já está com o seu campo de luta afectado em muitas frentes, jornalistas, juízes, muçulmanos, México, Austrália, NATO, vários países asiáticos, etc.

Mas, entre nós, as coisas não correm da melhor forma e os receios da fogosidade do nosso PR, na maior parte dos casos merecedora dos mais rasgados elogios, teve agora um curto-circuito que chocou muitos portugueses de gema. Foi a sugestão que, saindo da sua boca, pode ser tomada como uma ordem, de dar ao aeroporto do Montijo o nome de Mário Soares, quando a nossa história do século passado contém pessoas ilustres que estiveram ligadas, com muito brilho e bons resultados, ao desenvolvimento do saber da actividade aérea nos sectores de transportes e militar. Gago Coutinho, Sacadura Cabral, Kaulza de Arriaga, alguns falecidos em combate na guerra do Ultramar, etc.

Neste, como em muitos outros assuntos, é conveniente ouvir os especialistas, competentes, isentos e independentes, para darem sugestões, dentro do espírito de que a de início «a asneira é livre» podendo cada um dizer o que lhe vier à ideia e, depois, perante a lista de soluções, ver o que cada uma tem a favor ou contra, de ser escolhida ou a mais apoiada.

Os defensores da liberdade de expressão, dirão que ao cidadão investido das funções de PR não deve ser coartado tal direito. Mas, na realidade, o seu peso obriga a opinar com conta e medida para não condicionar ou «impor» soluções discutíveis. O cidadão simples e humilde que escreve estas palavras tem muito cuidado em não dizer a sua opinião pessoal nem dar orientações, embora, se o fizesse, isso não mexesse uma palha na vida nacional. Cada cidadão deve ser cuidadoso e agir dentro dos condicionamentos impostos pelo cargo que ocupa e não fazer como Trump e… os nossos deputados na AR e nas Comissões de Inquérito.

António João Soares
28 de Fevereiro de 2017

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quarta-feira, 1 de março de 2017

O DIÁLOGO FACILITA A CONVERGÊNCIA

«O diálogo facilita a convergência»
(Publicado em O DIABO de 28 de Fevereiro de 2017)

O diálogo facilita a convergência para as grandes decisões. É frequente ouvir e ler alguns políticos mais esclarecidos que referem a necessidade de reformas estruturais na Administração para fazer face ao crescimento da economia, à melhoria da qualidade de vida das pessoas e à harmonia social. Para isso, é preciso não alimentar as pequenas divergências, que até ocorrem nas famílias e nos pequenos clubes. Dialogando, pode conseguir-se a convergência nos pontos essenciais, abrir horizontes e alargar as vistas para o desenrolar de soluções bem analisadas, planeadas e promissoras de resultados benéficos para o Futuro de Portugal, numa época, que cada vez se antevê mais confusa. Para sobreviver num futuro imprevisível, é preciso encaminhar bem os passos e «festejar» cada acto correcto e, a partir dele, continuar a avançar racionalmente na busca de soluções para os mais altos objectivos. Todos seremos poucos para as grandes convergências no essencial. Quem, em vez de colaborar, na medida do possível, se deleitar em lançar areia na engrenagem, não pode ser considerado patriota, pois não passará de um inimigo do colectivo.

O diálogo, as conversações, são uma ferramenta indispensável par a transparência democrática. Merece ser citada a disponibilidade do PR, do PM e do ministro das Finanças para esclarecer o caso da CGD que tantas tricas e acusações maldosas levantou na oposição com perda de tempo que seria melhor empregue na análise dos problemas essenciais em sectores como a economia, a saúde, a educação, a justiça e a situação dos mais carentes de apoio social.

Também tem significado a visita realizada pelo Secretário Geral da ONU, António Guterres a cinco países do Médio Oriente, região onde a população tem sido tão martirizada pela violência e tantos refugiados tem originado. Oxalá seja produtiva esta tentativa de estimular o diálogo e a negociação em vez da guerra e deve ser levada a cabo adequada ajuda humanitária aos refugiados que tiveram de abandonar as suas casas para procurar refúgio seguro noutras terras.

Mas o diálogo para resolver pequenos desentendimentos exige humildade para ouvir os desabafos dos outros e fazer cedências a fim de convergir para uma solução aceite pelas partes. Não estão preparados para o diálogo e a negociação aqueles que acreditam fanaticamente nas suas próprias virtudes, que confiam obstinadamente na sua racionalidade e caem na arrogância de considerar que têm o exclusivo da verdade, da bondade e da compaixão. Estes caem por sua própria responsabilidade, porque enfraquecem, porque se dividem, porque perdem tempo e energias com quezílias idiotas e porque deixam que o sistema político perca de vista as populações.

Um caso típico de erro, por recurso à força ocorreu recentemente no Estado Espírito Santo do Brasil, onde apenas mais de uma semana depois de iniciada a paralisação da polícia e do recurso a militares do Exército, foi iniciada a conversação com os causadores dos distúrbios que tiraram a vida a mais de 100 pessoas e destruíram e vandalizaram lojas, haveres e outros tipos de património. O diálogo devia ter sido utilizado logo que os polícias se queixaram da sua situação, a qual nem sequer devia ter chegado ao ponto crítico se as hierarquias tivessem o cuidado de observar e analisar com humanidade e sensatez os pormenores antes que se tivessem tornado insuportáveis. Comandar ou governar não pode limitar-se a ser mandar, impor e exigir obediência.

No diálogo, deve ser tida em atenção a transparência e o respeito pela própria imagem e credibilidade, para o que não convém mentir nem deixar dúvidas sobre a verdade das afirmações proferidas, o que parece não ter acontecido nas diversas sessões de âmbito parlamentar a propósito da baralhada e das tricas sobre o problema da CGD.

Nos antípodas do diálogo bem intencionado e construtivo estão uma gotas de veneno, sob o pretexto de memórias, lançadas contra o legítimo chefe do Governo a quem, nas suas funções, devia ser garantida serenidade para reflectir nos complexos problemas nacionais, FFACILITA A CONVRTGÊNCIAdado apoio e sugestões para poder gerir da melhor forma os interesses nacionais para bem dos cidadãos. Sendo o tempo um recurso irrecuperável, é pena ver como está a ser desperdiçado com tricas e peixeiradas.

A João Soares
21 de Fevereiro de 2017

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

MÉDIA E EPIDEMIAS SOCIAIS

Os Média alimentam epidemias sociais
(Publicado em O DIABO de 21 de Fevereiro de 2017)

As notícias de que a indisciplina está a aumentar nas escolas não poder ser apenas atribuída à deficiente educação recebida em casa e nas próprias escolas mas, resulta em grande parte, de uma degradação progressiva e acelerada que a sociedade vem sofrendo devido a factores variados com os quais é conveniente ter cuidado: o papel dos média e o abuso de recurso à Internet por pessoas ainda mal preparadas. Quanto aos pais, a sua ocupação nos empregos leva-os a deixar os filhos em creches onde são acompanhados mas não educados de forma a tornar-se crescidos e cidadãos responsáveis. Por isso, com tal complexo de culpa, quando estão com os petizes, não os contrariam e satisfazem todos os sus caprichos.

De posse, desde tenra idade, de smartphones, bebem de fontes desconhecidas muita informação, por vezes nociva, que lhes desenvolve uma mentalidade dificilmente controlada por pais e professores. Em vez de mimosos arbustos decorativos, integrados no jardim da civilização, crescem como robustas árvores selvagens misturadas em selvas descontroladas.

A Comunicação Social, tem-se preocupado mais «com o homem que morde o cão do que com o cão que morde o homem», mais com o malfeitor e o criminoso do que com o que se distingue na investigação científica, na arte, na cultura, na boa gestão, na inovação, na defesa e protecção dos sem-abrigo, etc. Essa tendência estimula e incentiva as mentes mal formadas na procura da celebridade pelo mau caminho, imitando os falsos «ídolos» criados por noticiários sucessivos.

Recordo que quando Marilyn Monroe faleceu, inesperadamente, em 5 de Agosto de 1962 por provável overdose ou suicídio, houve uma atitude mundial dos órgãos de CS para não ser dado muito espaço ao assunto a fim de não provocar uma onda de suicídios em jovens fãs da actriz, possuidoras de mente menos sensata e que podiam ser levadas a imitar o seu ídolo. Actualmente, essa atitude solidária está a funcionar ao contrário, tornando heróis os criminosos que são citados durante horas e dias seguidos mostrando as suas fotos, como foi por exemplo o caso de Aguiar da Beira e de outros, chegando ao exagero de divulgar pormenores das habilidades utilizadas nos crimes. Parecem querer ser escolas de crime, só faltando alvará para poder fazer exame e dar diploma. Vários amigos têm-me dito que nem sequer querem olhar para a página frontal de um jornal que abusa de tais «sensacionalismos».

Falar muito de casos de violência, além de os aumentar e generalizar, são autêntico terrorismo ou guerra psicológica que causa mal-estar nas pessoas criando nelas medo de sair à rua e até de continuar a viver. Os grandes movimentos de terrorismo pretendem criar esse estado de espírito aterrorizado.

Repare-se no endeusamento da coscuvilhice à volta de pretensa troca de e-mails entre um ministro e um cidadão que quer manter oculta a sua fortuna. Desde a AR, que se esquece da sua obrigação perante os cidadãos, até aos jornais, isso é prioritário e sobrepõe-se ao problema dos sem-abrigo que enfrentam as péssimas condições meteorológicas, ao dos idosos e deficientes solitários, à necessidade de reformas de serviços a fim de melhorar a qualidade de vida das pessoas com carência vitais, etc.

Há dias criticaram a falta de qualidade de um lar de idosos, mas não provaram que não havia melhor alternativa à escolha dos clientes e não alertaram governo, serviços e população para soluções desejáveis e possíveis. O que é bom e deve ser apontado como exemplo deve passar a ocupar mais espaço na informação pública para estímulo e incitamento à competição por mais e melhor. Mas a prática tem sido deixar passar isso ao lado. Por exemplo O Ronaldo é mais citado por alguns defeitos (não há quem os não tenha) do que pelo bem que faz aos familiares, a doentes, a deficientes e a carentes, numa acção exemplar de solidariedade e de generosidade para os necessitados. Há pessoas mais ricas que não olham para um pobre com vontade de o ajudar. E até há críticas para a actividade do PR ao pretender mostrar a necessidade de lutar contra as diferenças sociais demasiado chocantes. Ele bem merece ser seguido por «apóstolos» dispostos a ajudar a concretizar os objectivos que ele pretende ver resolvidos.

Será conveniente que a CS mostre modelos de virtude e estimule as pessoas, os voluntários e as instituições, no respeito por valores sociais, criando gosto pelas boas práticas profissionais, pela cultura, pela arte, pela investigação científica, etc. Entrevistem-se os galardoados com prémios internacionais, os que registam patentes de inovações, etc. Escolham-se boas bandeiras para mostrar Portugal aos portugueses.

A João Soares
14-02-2017

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

TRUMP QUER LUTAR CONTRA O TEMPO

Trump quer lutar contra o tempo
(Publicado em O DIABO de 14 de Fevereiro de 2017)

Trump está a tentar cumprir aquilo que prometeu na campanha eleitoral. Mas nem parece que a sua actividade tenha sido a «construção civil». Ninguém que deseje construir um palacete, o pode ver pronto a habitar no dia seguinte a ter manifestado tal desejo, mesmo que o tenha escrito em papel e assinado com caneta de feltro bem visível perante a câmara e vídeo. Com efeito, desde o momento em que a intenção é formulada, há muitos passos a dar para ser atingido o objectivo, desde a escolha do local, a elaboração dos estudos e planos até à entrega da chave, há muitos e diversificados trabalhos a levar cabo. As fases intermédias, ou objectivos parciais, são entregues a técnicos especializados – arquitectos, engenheiros, estocadores, pintores etc – cujo trabalho deve ser acompanhado e sujeito a observações e opiniões do patrão. Este deve abster-se de querer inserir o mobiliário antes do momento adequado e, só nessa altura deve, fazer a escolha das ofertas de mercado que lhe agradam e recusar as outras. É preciso dar tempo ao tempo e não baralhar tudo a fim de evitar fazer trampa.

Ora ele, parece querer resolver cada uma das suas intenções, apenas com o efeito milagroso e um papel assinado com pompa e circunstância, no seu gabinete, perante o operador de vídeo, mostrando para a máquina a sua assinatura bem vistosa.

Para um gestor competente, com sentido da responsabilidade, isso pode ser apenas o sinal de partida para uma longa maratona. Sem serem criadas as necessárias e adequadas condições, sem ser preparado o pessoal que vai ter de agir de forma diferente daquela a que está habituado, e sem conquistar a aceitação e a adesão das pessoas que vão ser atingidas pelos efeitos da mudança, dificilmente podem ser esperados os melhores resultados.

As reacções já visíveis em determinados sectores, não apenas nacionais, mas também de muitas partes do globo prenunciam as dificuldades que advirão de decisões complexas e precipitadas sem a adequada ponderação e busca da melhor alternativa. A forma como um seu admirador agiu contra uma mesquita de Quebec, pode ser considerado o primeiro sinal, e muito preocupante, do ambiente de confusão criado.

Sobre a preparação da decisão, sugiro a leitura do texto publicado no jornal «O DIABO» em 27-09-2016. A metodologia nele apontada aplica-se a todo o tipo de decisões e é imprescindível naquelas que irão afectar a actividade de muita gente e de vários países. Desde a adopção de uma intenção até iniciar a acção para a sua concretização há um cuidadoso e meticuloso trabalho mental, burocrático e de contactos com pessoas, directa ou indirectamente, atingidos, a elaborar.

Também se relaciona com este tema o texto «promessas e decisões anunciadas precocemente» publicado em O DIABO de 18 de Outubro de 2016, em que se mostra a vantagem de as coisas não serem publicitadas, antes de estarem bem definidas e ponderadas, para não exigirem recuos desvantajosos para o prestígio e a imagem do decisor.

Não é por acaso que, num alto cargo, o responsável dispõe de uma equipa, que pode ser muito numerosa e diversificada, para colaborar na formulação de todo o trabalho antes de a decisão saltar para o público. Isso mostra bem que a decisão a esse nível não constitui uma obrigação pessoal, prepotente, autoritária, por capricho, sem atender aos pareceres de colaboradores. Não se pode aplicar uma norma do tipo «quero, posso e mando».

A João Soares
O7.02.2017

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

POLÍTICOS E DECISÕES DA AR

Políticos e decisões da AR
(Publicado em O DIABO de 7 de Fevereiro de 2017)

Recordo uma leitura de Eça de Queiroz que criticava um cidadão por querer candidatar-se ao parlamento sem ter fortuna que lhe permitisse viver com boa qualidade sem precisar de mamar na teta do erário. A política, no seu conceito, era um serviço público, de generosidade, próprio de ricaços que podiam a ela dedicar-se à custa dos próprios meios. Hoje, tal actividade nada tem de generosidade e pouco tem de patriotismo, tendo-se tornado numa forma de vida fácil e bem remunerada, sob diversos aspectos. É vulgar ouvir-se que o objectivo que leva um mau estudante a ingressar em tal «carreira» é o desejo de grande enriquecimento, em curto prazo e por qualquer forma, o que é garantido pela imunidade e impunidade, facilitada pela exagerada tolerância dos contribuintes que receiam denunciar actos de corrupção e outros vícios parecidos e pela complacência da Justiça. Não há conhecimento de notícias de ex-políticos a viver com privações.

Costuma dizer-se que têm a faca e o queijo na mão e não vão limitar-se a comer apenas pão. E para adquirir habilidades têm convívios de verão, a que ostensivamente chamam universidades de verão, em que confidenciam truques usados pelos mais experientes e assim acamaradam e se tornam cúmplices e coniventes, dispostos a encobrirem-se e a denunciarem e achincalharem os que estão no governo, ou vice-versa.

Acerca de tais habilidades, li há dias uma crítica ao Presidente da AR, segunda figura da hierarquia o Estado, por decidir não prolongar, ad eternum, uma comissão de inquérito parlamentar, alegando nessa crítica que o inquérito iria informar os portugueses de erros cometidos na CGD. Mas, na realidade destas comissões nada de benéfico tem decorrido para a informação dos cidadãos, como se constatou no caso do Inquérito ao BES, que durou vários meses, e não foi conhecido nenhum resultado obtido para benefício dos portugueses, compensador da despesa feita pelos deputados. Houve certamente, benefício para os deputados que faziam parte da comissão e recebiam pelo tempo nela investido. Residia aí o desagrado do queixoso de o inquérito à CGD não ser prolongado, mesmo com risco de contribuir para o aumento do défice orçamental e da dívida pública.

Esquecem ou nem querem pensar nisso, que Portugal é um país pobre e submerso numa crise prolongada, não tornando aconselháveis tentações de ostentação de riqueza fictícia. Quando chegam ao nosso conhecimento dados sobre as condições de trabalho e de alojamento de deputados do Reino Unido e de vários Estados nórdicos, não podemos ficar felizes com as habilidades, as vaidades e as ambições dos nossos roedores e estimação.

Há dias, um amigo dizia que a quantidade de deputados devia ser reduzida a metade da actual. E que nem se trata da proporcionalidade com a população ou com a área ou com o PIB do país, em comparação com alguns países europeus, mas sim pelo pouco tempo que utilizam para analisar os problemas nacionais, as condições de vida da população do interior em despovoamento acelerado e da qualidade de vida de muita gente nos subúrbios das grandes cidades. Não se vê neles interesse na reorganização de sectores obsoletos e com demasiados penduras em tachos inúteis, a sugar o erário sem resultados vantajosos para o público. Mas desperdiçam tempo a criticar o Governo, de forma negativa, destrutiva, demolidora, quando esse órgão de soberania deve ser apoiado com críticas construtivas e sugestões de soluções consideradas vantajosas para bem de Portugal. Tal apoio, é dever de todo e cada cidadão, com os respectivos meios, e a oposição, feita de cidadãos, não deve considerar-se dispensada de tal colaboração.

Há quem ache muito interessante que anualmente seja publicada a quantidade de decisões tomadas na AR e os temas nelas abrangidos e que conste a percentagem das propostas que lhes deram origem referentes a cada partido. Por exemplo, das propostas votadas e aprovadas 20% eram do partido X, 30% eram do partido Y, etc. Isto poderia servir de estímulo para fazerem mais trabalho útil e ara facilitar a propaganda eleitoral que não precisaria de palavreado fantasista, porque demonstraria resultados obtidos em benefício do cumprimento da sua principal missão perante a Pátria.

Embora já tendo o texto praticamente terminado, não quero deixar de referir uma lição de grande interesse. A resolução do problema da TSU que tanto prazer deu à oposição ao querer triturar o Governo, acabou por ter uma solução obtida rapidamente através de conversação com os parceiros sociais. É mais um facto que demonstra que o diálogo e a negociação são mais fáceis, com pessoas racionais, com experiência da vida e com sentido de responsabilidade do que com obcecados pelo poder, pela ambição e vaidade, sem noções realistas e sem preparação para defender os interesses do povo português. Mas, atenção, o Governo não deve deixar de ter presente que não há soluções ideais, pois não há bela sem senão, e deve fazer sempre a sua análise, no cumprimento das suas funções de gerir o interesse nacional.

A João Soares
31 de Janeiro de 2017

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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

VIOLÊNCIA DE ESTADO OU TERRORISMO


Violência de Estado pode ser mais selvagem do que o terrorismo

(Publicado em O DIABO de 31 de Janeiro de 2017)

Até quando teremos de assistir ao uso «inadvertido» de armas letais? Porque não as utilizam exclusivamente em pistas, carreiras de tiro, campos de tiro, etc. Isto é, espaços vedados ao público apenas destinados ao treino e preparação dos militares.

Que consideração nos merecem estas pessoas, parte de organizações governamentais que decidem a actuação dos militares sem conhecerem a gravidade de tais acções e sem a devida sensibilidade, sem o mínimo respeito pelos outros e sem terem repulsa por actos que causam sofrimento e morte em seres humanos indiferenciados? Há muitos estados, grandes e pequenos que não têm idoneidade para usar material bélico, porque permitem que alguns dos seus cidadãos brinquem com objectos demasiado perigosos para as populações sem terem consciência do perigo que lhes causam. Como se acusam terroristas de causar umas dezenas de mortos se, no caso do bombardeamento, por um avião militar, de um campo de refugiados na Nigéria, causando a mote a cerca de 100 pessoas.

Tenho aqui referido que, nesta época de mudança para a NOVA ERA, há que pôr um forte travão nas guerras e insistir na resolução pacífica dos conflitos, dando lugar ao trabalho da diplomacia. Porém tal intenção parece manter-se nas nuvens da utopia, porque grande parte dos estados está a ser «governada» por políticos impreparados, sem ética nem moral, ambiciosos e vaidosos, que esquecem que o seu principal dever é respeitar os direitos das pessoas e dar-lhes boa qualidade de vida e cuidar de contribuir para a humanidade se tornar mais harmoniosa e viver em paz fraterna. As notícias chegadas da Síria mostravam os efeitos arrasadores em cidades como Alepo provocados por insistentes bombardeamentos de Sírios, Russos e Turcos. Os estragos causados em vidas e haveres devem ter ultrapassado largamente os provocados pelos denominados terroristas. Afinal, quem são os maiores terroristas do mundo, aqueles que provocam mais vítimas humanas e mais destruições de património quer privado quer público e quer constituindo reconhecido valor para a história mundial ???

Perante um vídeo de uma orquestra feminina de jovens que tocava uma colecção de músicas mundialmente famosas, uma pessoa amiga exclamou que se estava em presença de comunhão de sensações e sentimentos vividos por gente de todo o muno, sem discriminação e que a música devia ser mais aproveitada para criar a Paz e a harmonia mundial. Concordei e acrescentei que, se houvesse verdadeira vontade de viver em paz, os diversos sectores da arte poderiam ser instrumentos para unir os povos em harmonia fraterna e solidária. Mas a falta de qualidade de muitos detentores do poder leva-os a esquecer que o seu principal dever é respeitar os direitos das pessoas e dar-lhes boa qualidade de vida e, seguem o caminho errado de dar mais atenção aos seus interesses pessoais, à sua ambição e vaidade e a submeterem-se aos industriais e vendedores de armamento que lhes impõem a guerra para benefício dos seus próprios negócios.

Ser governante de um Estado com população de diversas cores, religiões idiomas, tradições deve ser assumido com qualidades de liderança, diálogo, compreensão de todos, sem discriminar, e procurando harmonia, em mútuo respeito e igualdade de direitos, enfim, uma nação, um colectivo. Não deve ser prepotência em defesa dos «bons» de que se gosta, com exclusão de todos os outros aos quais se motiva para a rebelião que pode chegar às piores atrocidades, com a natural escalada das trocas de violência.

E, com tal autoritarismo prepotente, em vez de acabar com a praga do terrorismo, suscitam mais ódios, alguns que perdurarão através de gerações até voltarem com mais força e meios mais poderosos. E, em vez e terminar a morte de tanta gente inocente, acaba por morrer muita mais como tem acontecido no Médio Oriente na Ásia e em África.

Apesar de já ter o texto pronto, depois de ter defendido o diálogo e a paz, não quero deixar de inserir, por vir a propósito, a frase do Papa Francisco, título de notícia no DN, em que alerta para o perigo de confiar "num salvador que nos defende com muros".

A João Soares
24 de Janeiro de 2017

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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

NECESSIDADE DE MUDANÇA


«Necessidade de mudança»

(Publicado em O DIABO de 24 de Janeiro de 2017)

A Mudança constitui uma característica da vida, da Natureza. Para saber se um acidentado inconsciente ainda tem vida há que ver se algo nele tem movimento, por exemplo se o coração bate. Na vida social também temos de evitar a estagnação, a degradação de valores essenciais a fim de podermos viver, isto é, ser criativos e inovadores sem a obsessão de repetirmos o que fizemos anteriormente.

Mas convém recordar a frase de um ex-governante muito citado que disse «mudar por mudar é vã tentativa de disfarçar o vazio íntimo». A mudança é necessária e conveniente quando vai ao encontro de novas soluções, em metodologia, estratégias, organizações para atingir melhores resultados com menos custos em tempo, sacrifícios e haveres. A mudança exige cuidados na sua preparação e acompanhamento. Não é sensato mudar sem fazer um prévio estudo, devendo ser evitada a precipitação, o palpite, a aventura.

Vemos na vida internacional algumas iniciativas de mudança inteligente e bem intencionada, como o acordo na Colômbia entre Poder e os oposicionistas a fim de estes desistirem da violência que vinham usando há mais de meio século, como o novo regime de Singapura que gerou uma nova ordem mais civilizada, como as negociações para uma solução pacífica para a Síria, como a procura de intermediários para solucionar o conflito entre Israel e a Palestina, etc.

Mas qualquer mudança é difícil porque obriga a quebrar hábitos e rotinas, por vezes ligados a ambição de riqueza, a exibição de poder, ao culto da imagem, etc. Estes factores que emperram a transição de um ambiente de violência generalizada para uma saudável convivência harmoniosa e pacífica, são visíveis em conflitos por vezes internos e menores que, em vez de serem analisados sem preconceitos para encontrar a maneira mais adequada de os resolver ou de os aceitar atenuando os efeitos, são, pelo contrário, encarados com escalada de violência que agrava a situação sem sanar a causas.

Enquadram-se nestas condições alguns casos de destruições maciças de povoações e de mortes de pessoas em alguns pontos do Médio Oriente, a dureza com que a Turquia tem encarado os incidentes internos a que tem assistido, e a deslocação pela NATO de poderoso contingente militar para a Polónia.

Neste último caso, trata-se mais de dissuasão do que de retaliação, mas que não deixa de ser uma escalada semelhante a outras que precederam algumas guerras recentes. E, como nos casos destas, nomeadamente a do Iraque, isto nunca conduz a bons resultados, senão para aqueles que beneficiam os fabricantes de armamento que segundo já dizia Eisenhower não param as fábricas e, para isso, pressionam os Estados e os grupos de guerrilheiros a fazer guerras a fim de consumirem aquilo que pretendem vender e, depois, inovarem os seus produtos bélicos. E não têm sensibilidade para ver que, dessa forma, morre muita gente inocente e é destruído muito património privado e histórico, como se tem visto no Médio Oriente e noutros pontos do globo. Nos Estados onde tal tipo de violência tem actuado, a qualidade de vida piorou e foram criadas vagas sucessivas e numerosas de refugiados. Tudo catástrofe para a humanidade.

E a repetida violência deixa-nos a dúvida e enfraquece a esperança numa mudança encarada a sério de se procurar passar a resolver os conflitos, quando ainda pequenos, através da diplomacia, do diálogo e da negociação em vez de ser pelas armas.

Mas a MUDANÇA de que a Humanidade necessita não se resume à guerra, pois é mais transversal e deve procurar tornar mais racionais, morais, legítimos, todos os sectores da sociedade, desde a corrupção, ao compadrio, à gestão de todas as organizações públicas de que a população depende quanto a eficiência, a simplicidade de funcionamento, a gestão do dinheiro público, etc.

Qualquer mudança deve contribuir para o respeito recíproco pelos outros, a aceitação das diferenças e a melhoria da qualidade de vida com justiça social.

A João Soares
17 de Janeiro de 2017

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