terça-feira, 17 de outubro de 2017

A OPOSIÇÃO DEVE PREOCUPAR-SE COM O FUTURO DO PAÍS

A oposição deve preocupar-se com o futuro do país
(Publicado no semanário O DIABO em 17 de Outubro de 2017)

Desde alguns anos atrás, a oposição começou com uma estratégia nociva aos interesses nacionais, por ser demasiado destrutiva e ter feito desperdiçar, no Parlamento, muito tempo com futilidades, relegando para última prioridade a solução de muitos problemas que preocupavam as pessoas mais isentas e interessadas no bem de Portugal, bem como a necessidade de profundas reformas estruturais, mais necessárias em certos sectores. Já no artigo publicado em O DIABO em 20 de Setembro de 2016, perante atitudes pouco benéficas ao país e à própria oposição, aconselhava esta a aproveitar esse período de «repouso» como um estágio de preparação para vencer as eleições seguintes isto é, procurar dar aos eleitores a noção de que existe uma estratégia bem estudada, bem organizada e programada, com o objectivo de poder dar um futuro melhor, uma melhor qualidade de vida a todos os cidadãos. Isso, além de acabar por dar votos, contribuiria para medidas mais eficazes por parte do Governo, sem deixar de dar brilho à oposição.

Se cada cidadão tem o dever de dar ao governo a melhor colaboração, criticando de forma construtiva, apresentando propostas e sugestões, por forma chamar a atenção para problemas locais e regionais que tenham passado despercebidos ao Poder, maior é o dever da oposição, com a vantagem de as suas propostas ficarem registadas, documentadas, podendo numa campanha eleitoral, ser ostentadas como comprovativo da sua competência e dedicação aos problemas nacionais e à procura de melhor qualidade de vida para os cidadãos e para a boa imagem do País.

Mas, pelo contrário, nos tempos mais recentes, caiu-se na crítica destrutiva, negativa, em que foi dada prioridade à intenção da «luta pelo poder» de forma abjecta e pouco digna, desejando a demolição do governo sem apresentar alternativas mais propícias a objectivos mais elevados para os interesses colectivos da nação. Mas nada foi concretizado nesse sentido, e daí resultou que as pessoas não viram razões para uma escolha eleitoral que lhes trouxesses vantagens convidativas. E o resultado foi o afundamento do maior partido da oposição e do seu líder, ficando agora a incógnita de quem fará a reconstrução e daquilo que trará de novo e aliciante.

Também o artigo «amar Portugal sem submissão a partido», publicado em 4 de Outubro do mesmo ano, contém sugestões positivas para preparar um futuro melhor. Já ouvi opiniões de que isso são utopias e é chover no molhado, mas o certo é que grandes evoluções têm surgido de utopias de sonhadores, lunáticos, como Júlio Verne e outros que não chegaram a ver a concretização dos seus sonhos. E, na sociedade, as melhores mudanças são conseguidas por evolução e não por revolução, porque «a paz é o bem maior», como tenho referido insistentemente no semanário O DIABO, em defesa do bom entendimento, do diálogo, da negociação para resolver os diferendos grandes ou pequenos. Este princípio também foi esquecido pela oposição nas suas guerrinhas dentro do Parlamento, em vez de ocupar o tempo, de forma mais construtiva, em troca de opiniões positivas na procura de melhores soluções para o Portugal de amanhã. Será desejável que a nova liderança do partido, nunca perca de vista o objectivo da realização dos melhores projectos e planos para garantir um futuro melhor a Portugal e aos portugueses, em todos os sectores da vida nacional. Portugal será grande se os portugueses quisermos, mas quem deve concretizar os desejos da população são os partidos em quem os eleitores votam escolhendo-os como seus mandatários. Nisso a oposição tem uma missão importante, não apenas por desejar vir a ser governo, mas porque tem um papel importante no Parlamento, nas análises que ali são apresentadas e discutidas.

António João Soares
10 de Outubro de 2017

Ler mais...

terça-feira, 10 de outubro de 2017

O DINHEIRO COMO PRODUTO TÓXICO


O dinheiro como produto tóxico
(Publicado no semanário O DIABO em 10 de Outubro de 2017)

A notícia «Rússia destrói hoje últimas reservas de armas químicas», faz pensar na conveniência para a harmonia mundial, da eliminação de armas químicas, biológicas, nucleares, de hidrogénio e outras de grande poder destruidor.

Mas é imperioso que o Conselho de Segurança da ONU encare com seriedade o problema, a fim de adoptar uma solução democraticamente correcta. Essa solução terá que encarar a situação dos cinco «donos» do Conselho de Segurança da ONU que, em vez de se limitarem a impor a proibição de fabrico de armas nucleares e outras de grande poder letal e de destruição aos países mais pequenos, devem defender a igualdade de direitos de todos os parceiros da ONU e darem o exemplo, destruindo todas as armas com tal poder de destruição que possuem.

E para haver a certeza de que não haverá aldrabice, devem criar uma comissão a organizar por pequenos Estados, com liberdade de se deslocar a qualquer local, para verificar a ausência de qualquer arma do género. Dessa forma, haverá autoridade para, depois, condenar severamente um Estado que montar uma arma de elevados efeitos letais, como, por exemplo, a Coreia Do Norte e o Irão ou outros. E tal medida prestigia a ONU e torna-a merecedora de respeito a nível mundial.

E também no Conselho de Segurança não deve haver estados com assento permanente e com poder de veto, porque isso não se enquadra nas características democráticas de que todos parecem querer mostrar-se paladinos. Seria um grande passo para a harmonia internacional e para o prestígio da ONU.

Numa conversa sobre este tema, foi dito que a Rússia destrói as armas químicas não a pensar na humanidade, mas apenas na segurança da sua população devido ao risco de problemas com essas armas sujeitas a acidentes com explosões acidentais ou com fugas de produtos tóxicos.

Mas a proibição de armazenamento e de utilização de armas, muito ou pouco potentes é solução que desagrada aos fabricantes – o complexo industrial militar - os quais são impulsionadores, para não dizer decisores, de novas guerras, guerrilhas ou acções terroristas, por isso lhes dar lucros substanciais.

Já Eisenhower alertava para o facto de o «complexo industrial militar, ávido de dinheiro, estar interessado em não parar as suas fábricas e, por isso lhes facilitar pressionar governos, etc, para guerras frequentes, senão permanentes. Recordemos que a invasão do Iraque, iniciada em 20 de Março de 2003, foi «justificada» com o pretexto de ir desactivar armas nucleares na posse de Saddam Hussein. Após a invasão, instigada pelos fabricantes de armamento, nada foi encontrado daquilo que tinha sido alegado e anunciado. Mas o Iraque, passados mais de 14 anos, ainda não passou a viver em paz, com as populações a sofrer duros incómodos daí resultantes.

Esse apego da grande indústria ao dinheiro condiciona as políticas e a vida das pessoas criando mais pobres e explorados. Por exemplo, quanto à indústria farmacêutica, o Prémio Nobel da Medicina Richard J. Roberts denuncia que ela, obedece ao sistema capitalista, preterindo os benefícios económicos à Saúde, tendo travado o progresso científico para a cura de doenças, porque esta não é tão rentável quanto a cronicidade. Em vez de um medicamento que cura em poucos dias, dão preferência aos que não curam totalmente, apenas fazem sentir melhoras que desaparecem quando se deixa de tomar a medicação, o que permite sacar dinheiro às pessoas, em continuidade até ao fim da vida.

O dinheiro é realmente um produto tóxico, grande inimigo da democracia e da justiça social.

António João Soares
3 de Outubro de 2017

Ler mais...

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

ATAQUES À FACADA

Ataques à facada Nos tempos mais recentes, o terrorismo internacional, tem sido praticado, em vários casos, com arma branca, esfaqueamento. Em Portugal já tem havido alguns casos desse tipo. Haverá ligação com o terrorismo internacional? Convém averiguar e, em caso de dúvida, iniciar medidas preventivas, e ter o cuidado de  evitar demasiada publicidade para não se fazer propaganda ao terrorismo internacional e não ampliar os efeitos psicológicos e sociais que ele pretende:

Notícia de 8 de Novembro de 2015 diz que Um homem com 50 anos foi esfaqueado esta madrugada, numa residência na Rua António Lino, na freguesia de Creixomil.

Notícia de 17 de Fevereiro de 2017 diz que Homem de 26 anos esfaqueado em Sesimbra ficou em estado grave

Notícia de 28 de Fevereiro diz que um homem de 26 anos sofreu ferimentos graves depois de ter sido esfaqueado no abdómen, em Sesimbra, no distrito de Setúbal, estando identificados quatro suspeitos da agressão.

Notícia de 16 de Maio diz que homem esfaqueado em Santa Maria da Feira está estável no hospital.

Notícia de 13 de Setembro diz que um homem de 44 anos morreu e outro, de 38, ficou ferido na sequência de um crime que ocorreu na madrugada desta quarta-feira, em Lisboa. Os indivíduos, ao que o DN apurou junto da Polícia Judiciária, são naturais do Nepal. Os dois homens esfaqueados são irmãos.

Notícia de 5 de Outubro diz que um jovem de 18 anos, estudante universitário, foi esfaqueado na madrugada desta quinta-feira perto da Faculdade de Economia do Porto.


Ler mais...

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

NOVA ORDEM MUNDIAL

Nova ordem mundial
(Discurso de Vladimir Putin [Tradução livre] lido em frente de uma parada militar)

Hoje estou cansado, cansado de tudo. Quero dirigir-me aos líderes do mundo ...

O que acontece com vocês? Que plano diabólico estão a planear? Vocês estão, deliberadamente, a tentar reduzir a população, como se pode concluir, começando pela perda de vidas inocentes, pelo abuso de mentes frágeis a quem querem impor que acreditem e aceitem a vossa intenção política. Os alvos são pais mães e filhos.

Que tipo de monstro convence uma família a mutilar os genitais de seu filho,porque um dia se sente como uma menina, sabendo perfeitamente que uma criança não tem sua identidade mesmo formada?

Que tipo de besta convence um país ocidental a abrir as portas ao terrorismo do Estado islâmico, lavando os cérebros das pessoas, com sistemas de mídia poderosos e nefastos? Vocês não têm vergonha? Vocês estão virando do avesso os valores da cultura ocidental, um a um, intencionalmente. Vocês estão desejando que o terrorismo destrua inocentes, impunemente. Vocês atacam a vossa própria cultura e os valores de consciência.

Quereis destruir o Cristianismo, sabendo que, do outro lado, outros vêm impor o Islão, através da violência e do terror. Vocês não deviam ignorar que isso aconteceria.
Agora, para as vítimas do terrorismo eu peço que façamos um minuto de silêncio, muito significativo(…**…).

Estou ciente dos vossos diabólicos planos para reduzir a população do planeta. Desde a abertura das portas e barreiras aos grupos terroristas, até ao deliberado intento de homossexualizar a população.

Eu vim aqui hoje para explicar como e porquê vocês o fazem. Vocês são suficientemente nocivos para explorar os fracos, os oprimidos. Pegaram nos rapazes jovens e encheram as suas mentes de lixo. Aceitaram e legalizaram a mudança cirúrgica de sexo.

A cidade do Manchester City aceitou e legalizou o terrorismo islâmico. Afirmam que os ataques terroristas são uma parte natural da vida numa grande cidade.
Incrível. Se você acha que o seu povo deveria estar acostumado a ser massacrado, demita-se, renuncie do seu cargo público.

O que estão fazendo com a comunidade homossexual brada aos céus. Haja Deus!
Estão aproveitando uma parte da sociedade que foi eternamente discriminada, já sabendo que sofrem de desordens e distrofias fisiológicas e mentais, para fazê-los acreditar que são a ordem natural. E que todos os que não aceitarem essa premissa são um mal-estar e um distúrbio fóbico.
Há quem defenda com imprudência a homossexualidade referindo estudos falsos e alterados que mensalmente relatam que a heterossexualidade não passa de uma construção social. Bem, estou lhes dizendo hoje que são besteiras.

Isto é premeditado e assenta no propósito de reduzir a população mundial a zero.
Porque você sabe bem que uma sociedade homossexual não se pode reproduzir.

Os islâmicos massacram-nos. Você bombardeia islâmicos e a sociedade não se reproduz. O resultado é que você espera uma efectiva redução efetiva populacional.
Mas isso não fica por aqui. Eles também dirigem o ódio entre homens e mulheres. Eles proibiram o movimento feminista. Para converter em uma guerra a relação entre seres biologicamente aptos, Homens e mulheres. Se homens e mulheres se abominam, é provável que eles desapareçam completamente.
/> Este plano monstruoso é acompanhado por uma filosofia neo-marxista ...

Já é um facto o objectivo de tornar fraca a mente dos jovens rapazes. Jovens que compram discursos pré-digeridos. Meninos e meninas que se recusam a pensar por si mesmos. Os líderes do mundo lavaram seus cérebros e acalmaram suas mentes com ideias absurdas. Eles os transformam totalmente em idiotas.
Eles estão absolutamente convencidos de que a mutilação de genitais não implica uma desordem de identidade sexual. Eles conseguiram convencê-los de que o inimigo é a família tradicional, ou seja, aquele que reproduz e que isso hoje é hitstória.

Mas a História irá demonstrar aos governantes que o senso comum é mais forte. Exigimos que você reverta seu plano. Hoje estou aqui pacificamente, pedindo que você saia em paz respeitando as mentes dos jovens e dos oprimidos. Mas batendo o pé e mostrando que estou ciente dos seus planos, e defendo que as suas políticas devem mudar urgentemente, Os seus meios de comunicação devem começar a dizer a verdade. Pare deliberadamente de confundir os jovens sobre a sua intimidade. Entrar na vida privada de uma pessoa saudável é um acto desprezível e desagradável.
Exigir-lhe um propósito completo para se acostumar a ser massacrado pelos imigrantes radicais é um acto cobarde e desprezível. Enfrentar homens e mulheres sob a bandeira do feminismo é uma acção reles.

É uma das coisas mais notáveis que eu vi durante toda a minha vida política.
América e Europa, se eles não acabam com os seus planos terão de enfrentar, não apenas a ira de Deus, mas também a minha.

Retrocedam. comunguem o plano de Deus.

Ler mais...

terça-feira, 3 de outubro de 2017

MORTES NAS ESTRADAS

Mortes nas estradas
(Publicado no semanário O DIABO em 3 de Outubro de 2017)

Felicito o professor Isaías Afonso por, no DIABO de 19 de Setembro, ter dedicado metade do seu Interessante artigo à persistente «Guerra» nas nossas estradas que está sendo mais mortífera do que foi a guerra em África que durou 13 anos. Mas uma explicação a esta crise continuada foi agora dada pelo facto de a desejada reactivação Protecção Civil ter servido para a encher de boys ao serviço dos seus interesses pessoais e do partido mas sem a mínima preparação nem vocação para o desempenho de funções de organização e condução das actividades de protecção civil, tanto no campo da prevenção como da solução de crises em curso. Não foram para lá para benefício da Instituição nem para a segurança dos portugueses, foram para um tacho em que iam receber gorda remuneração.

Quanto ao morticínio das estradas não é apenas a actuação dos condutores que necessita de atenção. É a própria condição das estradas que tem sido muito degradada nos anos recentes. Entre 1945 e 1952 percorri diariamente, a pé, nos dois sentidos, excepto em tempo de férias, os 6 Km entre a minha aldeia e a cidade onde se situava o Liceu. Era um Km de estrada municipal em macadame e 5 Km em estrada nacional de alcatrão. Nunca fui vítima de acidente nem sofri qualquer susto. É certo que nesse tempo o trânsito era menos intenso, mas havia espaço para os peões circularem em segurança, ao lado da estrada sem necessidade de pisar o alcatrão. Para fora deste, havia uma faixa empedrada com perto de meio metro de largura e do lado de fora um espaço em terra e a valeta, tudo bem cuidado por cantoneiros cuidadosos.

Há poucos anos, numa das visitas que fiz à família, tive a curiosidade de relembrar essas minhas viagens diárias e fiz o mesmo percurso a pé. Fui sempre com o coração nas mãos. O alcatrão foi estendido até ao mato que cresce espontaneamente logo a seguir, sem o mínimo cuidado, por não haver cantoneiros. Fui sempre pelo lado esquerdo, para poder ver os carros e desviar-me para o mato, à sua passagem. Não podia ir sempre fora do alcatrão por não ser fácil o corta-mato, mas durante a maior extensão tive que adoptar mesmo essa solução, para mais garantia de evitar ser esmagado. Consegui coragem para chegar ao fim e regressar em autocarro. Mas jurei não repetir tal tarefa épica. E compreendi que, hoje, ninguém tente viajar de igual forma.

Hoje é mesmo muito perigoso atravessar a estrada nacional que passa pelo meio de uma povoação e mesmo a deslocação à casa do vizinho do lado, exige cuidados especiais, embora já haja um risco branco que deixa uma estreita faixa, ele está tão desgastado que mostra bem que os carros não o respeitam. O alcatrão começa colado à parede das propriedades de um e do outro lado da estrada, sem nada a servir de passeio aos peões.

Esta degradação das estradas, parece sinal de que nos respectivos serviços estão muitos boys sem o mínimo sentido de responsabilidade e, como o tacho é bem remunerado, deslocam-se em automóvel próprio ou do serviço e não fazem a mínima ideia de criar condições para os peões que, por não terem carro, têm de se deslocar a pé. Nem os governantes que passam o tempo em Lisboa, nem os autarcas que queimam o tempo nas sedes da autarquia, conhecem as particularidades do terreno nem da vida das pessoas mais simples de Portugal. E, assim as estradas, os rios e as florestas estão sujeitas a condicionamentos que por vezes se tornam dramáticos. Quando passarão a ser escolhidas pessoas capazes para os diversos serviços da administração pública?

António João Soares
26 de Setembro de 2017

Ler mais...

terça-feira, 26 de setembro de 2017

ABUSO DO «POLITICAMENTE CORRECTO»


Abuso do «politicamente correcto»
(Publicado no semanário O DIABO em 26 de Setembro de 2017)

Um chefe, no desempenho das suas funções, deve ter, permanentemente, a preocupação de pensar e agir conforme a sua missão, a finalidade das suas atribuições e o seu merecimento da confiança e dedicação das pessoas que com ele colaboram no êxito da sua actividade. O tratamento do pessoal deve levá-lo a seguir o caminho mais adequado por forma a constituir, com eficiência e interesse, uma ferramenta essencial no sucesso a obter. Isto aplica-se, com maior ou menor rigor, em todas as empresas e instituições, desde as mais simples e rudimentares até ao governo de uma Nação.

Nesta época em que se aproximam eleições, vemos que, a coberto do mítico «politicamente correcto», as pessoas, cidadãos eleitores, estão a ser consideradas como coisas, ou ovelhas de um rebanho que são iludidas de maneira a seguirem um caminho que não lhes é explicado com verdade, realismo e lógica, e acabarem por ser vítimas de propaganda de vendedor de banha de cobra.

Não foi por acaso a coincidência de vários escritos vindos a público no semanário O DIABO de 12 do corrente terem abordado este tema segundo diversos ângulos de visão. São curiosos títulos como «as pessoas estão fartas de políticos», «Governo trabalha para os votos e não para reformar o País», «CNE puxa as orelhas a Medina», «onde estão os donativos de Pedrógão?», «um Exército em colapso-um País em colapso», etc. De todos eles se extraem conclusões que justificam o título dado a este texto. O mesmo se passa com a notícia «já há 405 queixas por causa das autárquicas. Só numa semana entraram mais 58». Até quando continuará este estado de coisas, à margem dos cidadãos e à custa do dinheiro que lhes é retirado por mil e uma maneiras (impostos, taxas e taxinhas).

Glosando um dito antigo, nem há moralidade e muitos não comem. E faltam qualidades de chefia a muitos ocupantes de cadeiras do Poder. Eles não conhecem nem se interessam em conhecer as condições daqueles que dependem das suas decisões. Não lhes conhecem as necessidades, nem os gostos, nem os seus interesses legítimos e tomam decisões que nunca teriam vida se os assuntos fossem submetidos a referendo popular, como parece dever ser norma de regime democrático. É certo que muitas das normas decididas não necessitariam de referendo se houvesse da parte do alto responsável um bom conhecimento das realidades e dos condicionamentos da vida daqueles que são por elas afectados.

Os factos reais que proporcionam as referências encontradas nos textos citados e em muitos outros que têm aparecido na comunicação social, devem merecer toda a atenção dos governantes por forma a estes prepararem reformas que conduzam à melhoria da vida real. Os assuntos devem ser analisados, estudados meticulosamente, com procura de soluções possíveis das quais se escolhe a melhor e, depois, decidir reformas e reorganizações que conduzam a melhorias da economia e da vida nacional (dos cidadãos). Estas melhorias não surgem com palavras fantasiosas de promessas inconsistentes e sem serem apoiadas por verdadeira vontade de realização.

E, quanto a promessas, não há qualquer interesse em divulgar, antecipadamente, ideias ainda em esboço como o caso da mudança do aeroporto de Lisboa para a Ota, ou a criação de um caminho de ferro moderno entre Lisboa e Elvas. Gastou-se em estudos e em hipotéticos contractos, criando esperanças que não tiveram seguimento, até porque os «estudos» feitos não eram estudos propriamente ditos mas, apenas, textos ilusórios feitos por amadores ou ilusionistas ao serviço de caprichos de governantes.

António João Soares
19 de Setembro de 2017

Ler mais...

terça-feira, 19 de setembro de 2017

AS «MOSCAS» E O MAL SOCIAL

As «moscas» e o mal social
(Publicado no semanário O DIABO em 19 de Setembro de 2017)

Dos seis que estavam à mesa, o P. sentiu-se incomodado com uma mosca e virou-se para mim a sugerir que escrevesse sobre as moscas. Não dei resposta, mas continuei atento às queixas que passaram para a degradação do civismo e da ética de que a sociedade está a padecer. O A. Saiu-se com mais uma citação bíblica dizendo que a isso não podemos dar remédio, porque o mal é obra do diabo. E disse também que Portugal é um país geométrico, com território de forma rectangular, com problemas bicudos analisados em mesa redonda por bestas quadradas. E certamente não atribui ao diabo esta faceta.

Parece que a humanidade, isto é, cada um, deve deixar de culpar o diabo e fazer tudo o que puder para recuperar os valores que estão a ficar debilitados. Sendo elemento da humanidade, uma pessoa não tem o direito de ficar sentada à espera que os outros lhe tragam de presente a solução de um problema que também é dela. A solução não é ser indiferente e atribuir culpas ao diabo. E, quanto às «moscas», elas são estimuladas a procurar alimento e procuram-no onde ele possa existir. Na sociedade há acomodação, apatia, preguiça, para afastar aquilo que as «moscas» procuram e, assim, permite que a degradação social progrida para o abismo, não pela força do diabo mas por desinteresse da humanidade. Esta vive acomodada e submete-se docilmente à propaganda da mentira, das promessas falaciosas que nada de bom lhe trarão, mas as «moscas», atraídas por tal ambiente fecal, continuam a manobrar uma estratégia que dificulta a procura da verdade e a busca de informação correcta sobre a realidade.

Felizmente, nem toda a gente é ingénua, ignorante e apática e, por exemplo, estas manobras estão bem explicadas por Henrique Neto no artigo à procura da verdade» em O DIABO e também por António Barreto que as refere no artigo «segredo de injustiça», no Diário de Notícias.

Mas há soluções para quase tudo o que depende da acção do homem. Este, como partícula estruturante da humanidade, é autor das degradações de que esta sofre e que poderão ser ultrapassadas se os comportamentos individuais passarem a ser mais correctos, racionais e sensatos. Quando tanto se fala das virtudes da democracia, e se atribui tal responsabilidade aos seres humanos, há que exigir um esforço para que todos tenham acesso à boa informação, por forma a procurarem a verdade e não se deixarem levar pelo conto do vigário ou de vendedores de banha de cobra mas, prelo contrário dêm a sua colaboração e participação para o bem comum.

Ninguém tem o direito de ficar sentado à espera que outros lhe tragam o resultado da recuperação de valores que andam esquecidos. Cada um deve agir no melhor sentido, criticando a apresentando sugestões ou fazendo perguntas sobre aquilo que não compreende bem. Felizmente, há pensadores e técnicos a cooperarem para uma civilização mais eficaz com soluções para problemas preocupantes. É, por exemplo, o caso de António Carvalho que publicou no Diário de Notícias o artigo "Devia ser criado um corpo nacional de agentes florestais", para evitar os fogos florestais e combater com eficácia os que eventualmente surgirem. Precisamos de muitos cidadãos assim a contribuir para ser encontrada a melhor estratégia para o desejado progresso. Onde todos ajudam, as coisas apresentam-se mais fáceis.

António João Soares
12 de Setembro de 2017

Ler mais...

terça-feira, 12 de setembro de 2017

FOGOS. COMO FAZER A LIMPEZA DA FLORESTA?

Fogos. Como fazer a limpeza da floresta!
(Publicado no semanário O JORNAL em 12 de Setembro de 2017)

Acerca dos incêndios florestais que estão a destruir a área do pinhal que existe desde Abrantes a Chaves, aparecem muitos teóricos a falar daquilo que parece desconhecerem. É indispensável procurar compreender a razão de, nos anos 40 do século passado, as matas só muito raramente sofrerem fogos enquanto, hoje, estes não pararem de destruir o interior do país desde o início ao fim da época estival. E são sempre fogos de grande extensão difíceis de dominar.

A meio do século passado, como pude observar continuamente durante anos, as matas estavam sempre limpas e sem possibilidade de alimentar fogos extensos. Trabalhadores que passavam lá o dia cozinhavam lá os almoços sem necessidade de cuidados preventivos especiais, enquanto continuavam a trabalhar, porque não havia material combustível. Porquê? Esse é que é o problema. É indispensável conhecer a situação de então, para se poder compreender o que levou ao que se passa hoje e procurar uma solução eficaz para a realidade actual. Algo mudou muito na vida rural.

Nessa época, a agricultura não usava máquinas e gastava poucos adubos, porque havia uma utilização sustentada de juntas de bois e as terras eram fertilizadas por estrume, à base de produtos das matas preparados nas camas do gado muito diverso, ou por apodrecimento em medas regadas pela chuva, pelo orvalho e por água. Para isso era aproveitada toda a caruma e o mato que era «roçado» regularmente na época em que a mão de obra era menos necessária para tratar de sementeiras, regas e colheitas. Nada disso era feito para «limpar a mata», mas sim por ser necessário para o processo agrícola. A rama dos pinheiros raramente secava, porque eles eram aparados para ser obtida lenha para o forno e a cozinha e para obter estacas para apoio de videiras, feijoeiros, tomateiros, ervilheiras e plantas de pequeno porte. À semelhança de os bois serem substituídos por tractores, do estrume ter sido substituído por adubo também estas estacas para plantas foram substituídas por arame.

Para agravamento advindo do problema da evolução do processo agrícola em que a mata deixou de ter a utilidade quase permanente que a mantinha limpa, o interior desertificou-se por as pessoas terem procurado melhor compensação pelo seu trabalho, quer na faixa litoral quer no estrangeiro, no comércio e na indústria. Muitas terras boas de cultivo foram deixadas ao abandono, e cobriram-se de silvas e outras ervas daninhas também alimentadoras de incêndio.

A solução preventiva de obrigar os proprietários de minifúndios ou microfúndios a limparem as suas propriedades é demasiado violenta e ilusória, porque a propriedade não lhes dá qualquer benefício, que compense tais custos. E muitos dos donos de minúsculas parcelas no meio da serra, nem sabem onde elas estão e, quando sabem, não lhes conhecem os limites. Terá que ser criado um sistema funcional para a prevenção dos fogos que poderá passar por uma reforma profunda de restruturação da propriedade rural. Deixar de haver minipropriedades e os grandes proprietários que daí resultarem, privados ou municipais, serem obrigados a adoptarem medidas rigorosas, para reduzir o perigo de incêndio. As fábricas de transformação de vegetais em biomassa ou pasta para papel ou cartão, poderão ter uma missão a cumprir e arcar com todo ou parte dos custos da matéria prima.

E as medidas rigorosas de prevenção têm que ser minuciosamente controladas por agentes de vigilância florestal, ou no estilo da extinta Garda Florestal ou por um novo sector da GNR devidamente preparado para tal missão.

António João Soares
5 de Setembro de 2017

Ler mais...

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

MEIAS VERDADES E MENTIRAS OCULTAM A REALIDADE

Meias verdades e mentiras ocultam a realidade
(Publicado no semanário O JORNAL em 5 de Setembro de 2017)

Uma civilização evoluída considera o culto da verdade como uma preocupação prioritária e dá muito valor à sua procura sempre que existe confusão. No entanto, deparamos com a maior preocupação tida na política e na informação, no sentido de desenvolver pequena propaganda da verdade relativa, da verdade possível e inócua, da mentira e do desprezo da verdade transparente e louvável. Para isso, complicam acontecimentos simples de forma a dificultarem o acesso à informação clara e leal, fazendo-a esquecer por distracção com coisas insignificantes.

Procuram desencorajar a procura da verdade e desorientar com novas notícias, falsas ou mais ou menos verdadeiras, criando uma ilusão da realidade, desvalorizando a verdade. Dessa forma, como se tem visto em campanhas eleitorais, e fora delas, são feitas promessas e afirmadas garantias para obter boa cotação em sondagens e mais votos nas urnas, mas que raramente serão realidade. E os actos errados ou duvidosos passam despercebidos aos cidadãos menos esclarecidos que, muitas vezes aceitam e aplaudem discursos falaciosos que nada os beneficiam, antes servem de engodo para desprezarem coisas graves e produzir a mudança da atenção destas coisas para banalidades ou ilusões não realistas.

Isso tem especial acuidade no sistema eleitoral com campanhas distantes da procura de soluções pragmáticas para os diversos problemas preocupantes, em diversos sectores nacionais, que são desprezados pelas propagandas, atractivas e irreais ou distantes da realidade, que convencem os eleitores a aceitar votar em listas de nomes que não conhecem e que nelas constam por serem amigos, cúmplices ou coniventes do chefe do partido. Ao eleitor não é dado o direito de, democraticamente, escolher os indivíduos mais competentes e honestos da sua área de residência.

No caso da tragédia de Pedrógão Grande, esteve bem visível a propaganda para encobrir os diversos falhanços, diluir as responsabilidades, acusar os serviços, denunciar a oposição. Esta, por seu lado, vitupera e acusa, faz demagogia e aproveita-se. Em tal actividade, falam dos mortos e esquecem os vivos que necessitam de apoio para refazer as vidas, e da criação de medidas preventivas eficazes para evitar a repetição de acidentes e de crises. E, com um incompreensível «segredo de justiça», de origem estranha ao Poder Judicial, pretendeu-se proibir qualquer tentativa de procurar a verdade ou de emitir opinião interrogativa sobre o caso de Pedrógão.

Quanto a medidas contra os incêndios, há quem aponte soluções para o ordenamento florestal, para a organização, equipamento e preparação dos bombeiros, para as medidas activas fora da estação dos fogos, para as penas a aplicar pela Justiça aos incendiários, para as nomeações de técnicos competentes para as chefias dos serviços ligados à prevenção e ao combate que devem deixar de ser feitas por amizade e compadrio de ex-jotas e para a utilização de um sistema de comunicações eficaz em vez de um arremedo em mão de gente amiga, de competência duvidosa.

Para a prevenção ser eficaz, deve ser ultrapassada a negligência por parte de vários governos, suprindo a falta da Guarda Florestal, desactivada em 1977, dos guarda-rios e dos cantoneiros, por exemplo, criando um «corpo nacional de agentes florestais» que fariam uma observação constante do cumprimento da legislação, esclarecendo as populações, aconselhando a colaborar na estratégia preventiva em vigor e comunicando à GNR casos de renitente infracção à lei.

António João Soares
29 de Agosto de 2017

Ler mais...

terça-feira, 29 de agosto de 2017

NINGUÉM ESCREVE AO CAPITÃO

Ninguém escreve ao capitão
(Publicado no semanário O JORNAL em 29 de Agosto de 2017)

Em geral, quando as pessoas pretendem que lhes façam um favor, mesmo simplesmente na forma de opinião ou de conselho, não deixam de contactar quem os pode ajudar. Mas poucos se decidem a oferecer uma palavra de afecto, de carinho, de esperança e de incentivo para que esse alguém suporte com melhor ânimo as dificuldades da idade.

A frase do título é o resquício da memória de um livro brasileiro, já de há muitos anos, que deixou a ideia de que as pessoas menos gratas e solidárias se encarregam de «passar à reforma» aqueles que deixam de lhes ser úteis. O tema também foi desenvolvido pelo escritor Virgílio Ferreira em «Manhã Submersa» quando o personagem principal, estando num lar de idosos, se lamentava de a filha não o visitar. Num lar com cerca de 100 idosos, apenas menos de uma dezena recebem visitas semanais de familiares e/ou amigos.

Não gosto de referir casos concretos, mas eles ajudam a compreender o que se passa na sociedade, por estimularem a reflexão e a curiosidade sobre o que se passa à volta. Continuo a receber, e-mails mas a quase totalidade é constituída por reenvios (FM) de remetentes que se prestam a servir de carteiros, arremessando para as caixas de entrada dos «amigos» das suas listas de endereços tudo aquilo que recebem. Estou convencido de que muitos reencaminham coisas que não viram nem leram. É impossível que um remetente de álbuns de imagens de várias partes do planeta arranje tempo para ver todas as imagens que reencaminha. Essas imagens pouco interessam a um idoso sem condições de viajar pelo mundo e que está mais interessado em analisar os comportamentos sociais da humanidade e as atitudes de governantes que agem em função de pressões de grandes empresários que actuam por interesse próprio, sem escrúpulos nem respeito pelos outros que serão atingidos pelos efeitos de jogos financeiros.

Há um outro, já na terceira idade, que envia quantidade de vídeos pornográficos que apenas podiam fazer sofrer um idoso qua já passou a fase de sentir tais prazeres e teria o desgosto de nunca ter tido oportunidade para tanta luxúria.

Mas nem tudo é mau. Há quem comungue as intenções de procurar melhorar a humanidade, pela recuperação de valores éticos e cívicos, enviando mensagens muito estimulantes. Uma amiga de Minas Gerais, bisavó, constitui um modelo de solidariedade e de amor ao próximo, com mensagens maravilhosas. Outra, do Cacém, envia mensagens a perguntar pelo estado de saúde do destinatário e a informar da evolução da sua, por vezes com pormenores da fraca qualidade do apoio que recebe que confirmam a ideia com que se fica através de notícias frequentes. Casos como este prestam-se a sermos úteis com conselhos e sugestões que alimentem a esperança e a aceitação serena do inevitável. É positivo podermos colaborar na esperança e na eliminação do stress.

A felicidade das pessoas depende mais do bom relacionamento e das amizades do que do saldo da conta bancária ou do património material e será bom que as pessoas se sintam compreendidas e apoiadas. Um verdadeiro amigo é como o sol: mesmo que as nuvens não permitam vê-lo, sabemos que ele está lá.

Qualquer idoso tem muita necessidade de afecto, coisa que hoje não é muito fácil obter em qualquer situação real. A humanidade precisa de recuperar valores cívicos para que as pessoas sintam amizade e felicidade, em vez de desprezo. Uma pessoa precisa de sentir que tem utilidade para si e para os outros, para evitar a tentação da autodestruição psíquica ou mesmo física.

António João Soares
22 de Agosto de 2017

Ler mais...