segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

Haja optimismo para 2010 !!!

Considero que o optimismo é saudável, em conformidade com o post «A saúde depende dos pensamentos e das palavras» e, por outro lado, o 2009 foi tão mau que o 2010 dificilmente poderá ser pior.

Porém, reconheço que as perspectivas não são animadoras, com a teimosia nos investimentos megalómanos, o desprezo pelas pessoas, os discursos balofos e a engorda do governo ( o Gabinete do Ministro da Defesa Nacional e o Gabinete do Secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar admitiram nada menos que 26 altos funcionários entre adjuntos e assessores), em pano de fundo.

Mas não ponho fora de hipótese haver um «milagre» que anule o pessimismo do artigo que transcrevo a seguir.


Pior é bem possível
Correio da Manhã. 28 Dezembro 2009. Por António Ribeiro Ferreira

Em 2010, José Sócrates vai tentar, custe o que custar, recuperar a maioria absoluta. Dito isto, é de temer o pior do ano que aí vem.

O ano de 2009 está a acabar. Para muitos é um alívio. Principalmente para os muitos milhares que ficaram desempregados, para os que ficaram sem casa própria, para os que viram os seus níveis de endividamento atingirem valores incomportáveis, para os empresários falidos, para os muitos que caíram na pobreza e também para os milhares que só sobrevivem à conta de subsídios do Estado. Estas desgraças, na sábia opinião do senhor presidente relativo do Conselho e do seu partido, só aconteceram devido à crise internacional.

Como agora se sabe, quando as águas estão a voltar ao normal e deixam a nu uma miserável realidade, as culpas atiradas para cima da crise não passam de patranhas que o Governo do senhor presidente relativo do Conselho repetiu mil vezes na vã tentativa de as transformar em verdades. O ano de 2009 também ficou marcado por três eleições. Nas Europeias ganhou o PSD, nas Legislativas o PS, sem maioria absoluta, e nas Autárquicas de novo o PSD, com menos mandatos e menos câmaras. No fundo, depois de tantas campanhas, de tantos milhões atirados à rua e de tantos votos, ficou tudo exactamente na mesma. Melhor ainda. Ficou tudo pior. E se de política estamos conversados, com o PSD em estado de pré-coma, na Justiça as coisas chegaram a tal ponto que é legítimo a qualquer indígena deste sítio pobre, deprimido, manhoso e cada vez mais mal frequentado duvidar seriamente da independência dos mais altos responsáveis da dita, isto é, presidente do Supremo Tribunal de Justiça e procurador-geral da República.

Hoje em dia, qualquer decisão, despacho ou investigação está, à partida, sob suspeita. Tanto no Freeport como na Face Oculta, destapa-se a tampa e o cheiro é verdadeiramente nauseabundo. E se 2009 foi uma desgraça, é escusado andar por aí a desejar um bom ano de 2010. Não será melhor para os desempregados, para os pobres, para os falidos. É até bem possível que a esta legião de desgraçados se juntem mais uns tantos milhares. Com uma agravante. O Estado está a caminho do buraco com as políticas irresponsáveis e, em alguns casos, criminosas do Governo do senhor presidente relativo do Conselho. E do ponto de vista político, José Sócrates vai aproveitar o ano que aí vem para manter um clima de guerrilha com tudo e com todos, mesmo com Cavaco Silva, para tentar, custe o que custar, recuperar a maioria absoluta. Dito isto, é de temer o pior do ano que aí vem.

António Ribeiro Ferreira, Jornalista

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Para restaurar Portugal

Transcrição seguida de Nota

Primeiro o PS depois o PR
Jornal de Notícias. 28 de Dezembro de 2009. Por Mário Crespo

Portugal tem tido muita gente esquisita a governá-lo mas, com Cavaco Silva e José Sócrates, atingimos um elevado grau de desconforto. O semipresidencialismo destes dois homens produziu um regime híbrido que não executa nem deixa executar. Semi-governante e semi-presidente ao fim de quatro anos de semi-vida institucional aparecem embrulhados numa luta por afirmação confusa e desagradável de seguir.

O embaraço público que foram os cumprimentos de Natal adensou a sensação de incómodo. O regime poderia funcionar se os actores se quisessem complementar. Mas estes actores, por formação e deformação, não têm valências associáveis. O voluntarismo de que os dois vão dando testemunho não chega para disfarçar as suas limitações. Com eles a circular a alta velocidade nos topos de gama à prova de bala e nos jactos executivos do Estado, o futuro de Portugal fica hipotecado ao patético despique da escolha de impropérios numa inconsequente zaragata de raquíticos. Até que alguém de fora venha pôr ordem na casa. A menos que venha alguém de dentro.

Semi-governante e semi-presidente tornaram-se descartáveis e, dada a urgência, é preciso começar pelo Partido Socialista. A crise no PS com a ausência de resultados desta direcção é muito mais séria para Portugal do que o tumulto no PSD.

Porque o PS governa e o PSD não. O PSD morreu. Ressuscitará ao terceiro dia para um mundo diferente. Um mundo em que homens casam com homens e mulheres com mulheres e onde se morre, ou se mata, por uma questão de vontade, requerimento ou decreto. Um mundo cheio de coisas difíceis de descrever. Coisas que precisam de muitas palavras para serem narradas e, mesmo assim, não fazem sentido. Como por exemplo a "activista-transexual-espanhola" que é alguém que frequenta o Parlamento de Portugal pela mão deste PS segundo José Sócrates. Um PSD ressuscitado vai ter que incorporar estas invenções na matriz de costumes de Sá Carneiro, inovadora à época, monástica hoje, ainda que, provavelmente, adequada para o futuro.

Até lá, é aos Socialistas a quem compete definir alguém para governar. Alguém que quando falar de educação não nos faça recordar a Independente. Alguém que quando discutir grandes investimentos não nos faça associar tudo ao Freeport. Alguém que definitivamente não seja relacionável com nada que tenha faces ocultas e que quando se falar de Parlamento não tenha nada a ver com as misteriosas ambiguidades de Carla Antonelli "a activista transexual espanhola" que, com Sócrates, agora deambula pelos Passos Perdidos em busca do seu "direito à felicidade".

O governo não pode estar entregue a um PS imprevisível e imprevidente, menor em qualidades executivas e em ética, capturado nos seus aparelhos por operadores desalmados e oportunistas.

Recuperar a majestade das construções ideológicas e políticas de Salgado Zenha, Sottomayor Cardia e Mário Soares é fundamental nesta fase da vida, ou da morte, do país. No Partido Socialista há gente seguramente preparada para governar e começar a recuperar o clima de confiança e respeito pelos executivos nacionais que Sócrates e Cavaco arruinaram.

Substituir Sócrates é já um dever. Na hierarquia de urgências o problema Cavaco Silva vem depois mas, também aqui, Portugal tem que ter na Presidência alguém que não possa ser nem vagamente relacionável com nada onde subsistam incógnitas. E há muitas incógnitas no BPN. Mas cada coisa a seu tempo. Primeiro o PS, depois o PR.

NOTA:
Há quem diga que em 2010, centenário da implantação da república devia haver reformas positivas no País por forma a restaurar a vitalidade nacional para o desenvolvimento e a felicidade das pessoas. O ideal seria os partidos entenderem-se, unirem esforços em sólidos consensos para acelerarem a evolução com o mínimo de custos de todos os géneros, evitando soluções dramáticas como as já aqui referidas e de que o caso Berlusconi parece ser uma centelha. Seria de evitar ver estragar miniaturas dos Jerónimos contra os dentes de políticos.

A par das palavras sensatas e muito claras de Medina Carreira, Mário Crespo dá lições aos políticos sobre as realidades nacionais e a necessidade de medidas construtivas. Mesmo que os políticos, absorvidas nas tricas entre partidos, tenham dificuldade em interpretar tais alertas, devem fazer o esforço de nelas meditar e depois elaborar decisões e orientações correctas para bem de Portugal e das gerações futuras.

Estas lições não devem ser olvidadas por quem fez o juramento solene de cumprir com lealdade as funções que lhe foram confiadas. E, muito menos, ser olhadas com ar raivoso por ver que há quem não aplauda cegamente. Portugal precisa de pessoas que observem com isenção e serenidade as realidades e tenha a coragem de alertar para a necessidade de correcções do rumo a fim de evitar o abismo.

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Pobreza urbana carece de urgente atenção

Diz o título da notícia do JN «Eles vivem no lado errado da cidade» e outra explica o fenómeno «Radiografia de uma freguesia periférica onde sobram problemas»
Na zona oriental do Porto, ainda há quem durma em barracos, faça as necessidades no balde e tome banho em bacias. Uns pedem para comer, outros suplicam por casa. Miséria e ambições de famílias que moram para lá da Circunvalação. (…)

No final de 2007, havia 232 ilhas só naquela fatia de cidade, ocupada pela freguesia de Campanhã. O pior fica para lá da Circunvalação, em locais remotos como Azevedo de Campanhã e Pêgo Negro. Por ali, a água não chega a muitas habitações, a luz ilumina poucas ruas e de saneamento nem se fala. Praticamente não há serviços, faltam equipamentos sociais. A instalação de uma simples caixa multibanco já foi pedida há anos, conta o presidente da Junta de Freguesia, Fernando Amaral. (…)

Em contrapartida, fala-se com muita ênfase em investimento público, mas este carece de ser analisado em todos os seus factores muito além do endividamento. Há vários exemplos de países que se desenvolveram sem muitas auto-estradas nem comboios rápidos, teimosamente construídos para negócios dos construtores «amigos».
Há que olhar para a necessidade da população em criação de bem-estar e melhores condições de vida. e desenvolvimento produtivo.. As pessoas devem ser sempre o primeiro objectivo, o fim prioritário de qualquer decisão governamental. O País precisa de produzir para exportar a fim de equilibrar a balança comercial e a de pagamentos.

Investimento público não é apenas TVG, aeroportos, auto-estradas mas, prioritariamente, criar ou melhorar as instalações da Justiça, as escolas, os hospitais, a habitação social, os lares para idosos, as condições de operacionalidade de bombeiros e polícias, de tratamento de lixos, águas, electricidade, portos e costas, matas do Estado, prevenção dos fogos florestais, etc.

Mas quanto a estes investimentos que são criativos de riqueza e de bem-estar, os governantes não sentem atracção, porque são disseminados e de pouca monta o que não traz os benefícios referidos nas operações FURACÂO, FACE OCULTA, FREEPORT, etc, etc.
Não podemos ter ilusões. É preciso abrirmos os olhos. O homem é um ser imperfeito e parece que não vão para a política os menos imperfeitos. Errar é humano e, nesse aspecto, os políticos deviam ser menos humanos, deviam errar menos.

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Justiça com boas perspectivas para o Novo Ano!!!

Segundo o Jornal de Notícias o «Ministério Público investiga depósitos de ex-governante e de gestor» (fazer clic para ler a notícia).

De acordo com a notícia, o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa acaba de receber informação sobre depósitos bancários suspeitos, de 241 mil euros em numerário e com origem incerta, em contas do ex-secretário de Estado Paulo Pereira Coelho e do gestor da EDP Paulo Miraldo. (…)

Oxalá 2010, ano do centenário da implantação da República, seja um ano de restauração do Portugal por todos desejado e que tem vindo a ser tão vilipendiado. A Justiça deve ser prestigiada e merecer a confiança de todos os cidadãos e, para isso, tem de eliminar a ideia generalizada de que os indivíduos ligados à política são imunes e impunes. Este caso deve ser devidamente tratado em todos os seus efeitos e o povo fica com os olhos atentos para ver como termina o processo. E a propósito, o julgamento de António Preto continua adiado sine dia?

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Em busca da Verdade

Transcrevo o texto assinado por Luís Alves de Fraga, por ser imbuído de muita sensatez, isenção e a profundidade a que nos tem habituado e tentar pôr cobro numa discussão que azeda os ânimos nas bordas de problema que é muito mais profundo e se encontra a um nível superior e fora do alcance actual dos dados existentes. A busca da verdade tem regras e ele conhece-as.

A Verdade Histórica

Correm já na Internet duas cartas abertas, uma, da autoria do Coronel reformado Manuel Bernardo e dirigida ao Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa e, outra, assinada pelo Coronel Sousa e Castro em resposta ao primeiro.

Manuel Bernardo é um oficial com quem me cruzei uma ou duas vezes na vida e que, por conseguinte, mal conheço – fiquei a saber que, no 25 de Abril de 1974, foi saneado embora desconheça como foi reintegrado antes do 25 de Novembro de 1975 (uma vez que afirma ter sido frequentador assíduo do gabinete de Jaime Neves, no Regimento de Comandos). Ao que sei, tem publicados, pelo menos, dois livros sobre a época conturbada do pós-Revolução de 25 de Abril. Pelo que dele li, é marcadamente um homem que se identifica com a direita política; às vezes, pressente-se-lhe, até, uma ponta de ódio pela Revolução levada a efeito na madrugada de 25 de Abril de 1974.

Por que razão escreve Manuel Bernardo uma carta aberta ao Professor Marcelo Rebelo de Sousa? Pelo simples motivo de este ter prefaciado o livro do Coronel Sousa e Castro, dando, deste modo, cobertura às afirmações do autor. Nessa epístola aberta, Manuel Bernardo para além de confundir a realidade distorce-a, descontextualizando afirmações de Sousa e Castro.

Para quem como eu faz História, através da busca constante da verdade, estas polémicas são interessantes, mas perigosas, porque dão cores diversas aos factos passados.

Tanto Sousa e Castro como Manuel Bernardo lutam por verdades que julgam “verdadeiras”, mas fazem-no a partir da sua “trincheira”, do seu posto de observação e com as “lentes dos binóculos” que antecipadamente escolheram.

A verdade histórica, aquela que vai interessar aos historiadores e que irá ser tomada como a síntese possível de se fazer, não resulta dos testemunhos de Sousa e Castro, de Otelo Saraiva de Carvalho, de Vasco Lourenço, de Pires Veloso ou de outros que deixaram para os vindouros as suas interpretações. Eles foram meros “soldados” na “batalha” que ocorreu; uns mais bem colocados do que outros, mas todos tiveram uma visão “rasteira” da verdade. Esta, se de facto, foi alguma vez completamente apreendida, esteve nas mãos dos “generais” e esses não a confessaram.

Os grandes condutores de todo o processo foram Álvaro Cunhal, Costa Gomes e, em posição muito mais baixa, Mário Soares. Os dois primeiros nunca revelaram tudo o que souberam nem todos os mecanismos que movimentaram. O terceiro escapa-se a deixar dito o que realmente sabe da “grande intriga” internacional.

Ainda está por divulgar todo o alcance do pensamento e do comportamento político do grande obreiro da Democracia em Portugal: Costa Gomes. Foi nas mãos dele e pelas mãos dele que passaram as rédeas do Poder, as rédeas que conduziram o “cavalo à solta” que foi todo o PREC.

Álvaro Cunhal foi o motor de uma mudança. Uma mudança que ia para onde? São muitos os que defendem que iria para o comunismo, mas dizem-no por facciosismo, falta de informação ou mero mimetismo político. O mais que se sabe é que ia para a democracia. Mas que democracia? Esta? A Outra? Ou a que se vive na Madeira, por exemplo?

Quem é que, de facto, coordenou o PREC? Washington ou Moscovo? Porque os estrategistas do Processo Revolucionário em Curso (PREC) estavam fora de Portugal, só os “generais” poderiam responder. E não se pense que Vasco Gonçalves era um “general”; ele, como todos os outros, incluindo Mário Soares, foi um “soldado” melhor colocado.

A verdade há-de ser encontrada quando se cruzarem informações dispersas, documentos perdidos e não é o Coronel Manuel Bernardo nem o Sousa e Castro que são detentores de verdades absolutas. Até, porque, em História, não há verdades absolutas!

Coronel Luís Alves de Fraga

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domingo, 27 de Dezembro de 2009

Parlamento britânico e Parlamento português

Recebi por e-mail de pessoa de muita confiança, mas custa-me acreditar. Publico apenas para que alguém me possa esclarecer da verdade

Os deputados do Reino Unido, na "Mãe dos Parlamentos",

1 . não têm lugar certo, marcado na Câmara dos Comuns;
2 . não têm escritórios, nem secretários, nem automóveis;
3 . não têm residência (pagam pela sua casa em Londres ou em qualquer das províncias); e pagam, por todas as suas despesas, normalmente, como todo e qualquer trabalhador;
4 . não têm passagens de avião gratuitas, salvo quando ao serviço do próprio Parlamento.

E o seu salário equipara-se ao de um Chefe de Secção de qualquer repartição pública.
Em suma, são servidores do povo e não seus parasitas.

A propósito, em Portugal, os funcionários não deputados que trabalham na Assembleia têm um subsidio equivalente a 80% do seu vencimento. Isto é, se cá fora ganhasse 1000,00 Euros, lá dentro ganharia 1800,00 Euros.

E porquê? Profissão de desgaste rápido? Mas ninguém fala disto?

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O chicote a cenoura

Os domadores de outrora faziam largo uso do chicote e da cenoura para domesticarem os seus animais de trabalho ou de desporto. Hoje em que, para os menos eruditos, ainda o futebol é o modelo de organização e gestão de recursos humanos, continua a haver a chicotada psicológica para os treinadores que não consigam vitórias, os prémios para os goleadores e os «rebuçados» para as claques.

Dada a elevação intelectual da generalidade dos políticos, esses métodos são também usados na governação. Houve o uso do chicote por parte de Margarida Moreira contra o professor Charrua, pelo simples facto de em conversa com colegas ter usado uma palavra menos cortês referida ao PM, e a mesma senhora não tardou muito a receber a cenoura de prémio.

Agora repetiu-se no mesmo ministério a aplicação do mesmo método de premiar a dedicação canina ao sumo líder: Amandina Soares aderiu com muita força e oportunidade à intenção da ministra, contra os seus colegas professores no polémico caso das avaliações e já recebeu o merecido prémio, tendo sido nomeada pelo Governo para integrar o Conselho Nacional de Educação (CNE) , recompensa que está a gerar polémica entre os professores (Ver aqui e aqui).

O CNE é um órgão consultivo, instituído nos anos 80 com o objectivo de ajudar o Governo a tomar decisões. Inclui dezenas de representantes de várias instituições e sete membros nomeados directamente pelo Governo. Armandina Soares está entre os sete novos conselheiros, designados a 14 de Dezembro para um mandato de quatro anos.

Já um autarca de Penalva do Castelo, há alguns anos, dizia: quem está com o Governo come, quem não está com o Governo apenas cheira. O Governo sabe disso e constitui a equipa de apoio, a claque, com os elementos mais submissos, cegamente obedientes, e caninamente fieis.

Porém, seria melhor apoiado se estivesse rodeado de pessoas com personalidade bem definida, inteligentes, que aconselhassem as melhores soluções e alertassem para qualquer má tendência de desvio para soluções perigosas ou menos ajustadas aos objectivos mais consentâneos com os interesses nacionais.

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sábado, 26 de Dezembro de 2009

Carro a hidrogénio adiado para longo prazo

A notícia «General Motors adia comercialização do carro a hidrogénio» vem dar realce ao que tem sido dito em vários posts, quanto à necessidade de «Pensar antes de decidir». Não basta ter um sonho, um palpite, um capricho, e teimar cegamente num projecto irrealizável dentro dos limites de sensatez, de economia e de rentabilidade.

Para decidir é indispensável, principalmente quando o futuro é instável e difícil de prever, mesmo que apenas aproximadamente, pensar em todos os factores que mostrem haver ou não possibilidade de êxito. A rentabilidade previsivel dum projecto é um factor que não poder ser negligenciado.

Isto não se passa apenas nos carros a hidrogénio, mas em muitos outros casos de menos importância financeira. A General Motors, tem dado provas de usar critérios muito judiciosos nas suas decisões e mesmo assim tem tido dificuldades financeiras. O que seria se não usasse metodologias sensatas e eficientes? O que seria se funcionasse por entusiasmos sem pernas para andar?

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Sócrates «encrençado» no grande investimento público

A notícia «Sócrates tem esperança na recuperação económica com base no investimento público», publicada com outros títulos noutros jornais, embora não seja promessa nem anúncio de um projecto ou programa, presta-se a reflexões que devem ser profundas, imparciais, isentas e sérias.

No post «pensar antes de decidir» era apresentado um método de preparação das decisões em que procurava mostrar-se que estas, principalmente quando se traduzem em condicionamentos do futuro de pessoas e de nações, devem ser realistas, isentas e de ideias bem largas e esclarecidas, com vista multilateral dos factores e condicionantes em campo. Não devem ser tomadas por capricho, crença ou fé, nem por pressões de grandes empresários ávidos logicamente de defender os seus interesses, nem por vontade de aceitar opiniões de amigos dedicados (yes men) que querem agradar ao chefe e não o contrariar nos seus juízos e preconceitos.

O mundo está a precisar de decisões de repercussões muito significativas, havendo que definir bem o problema,
o objectivo pretendido e os seus condicionantes, bem como a linha estratégica que conduz á concretização desse objectivo. Depois, deve existir um controlo cuidadoso e rigoroso por forma a garantir a convergência dos esforços, para não haver desperdício de energias e se atingir o melhor resultado.

Muitas vezes o que parece não é. No livro «THE COMMANDING HEIGHTS» dos autores premiados Daniel Yergin e Joseph Stanislaw, Edit. «A Touchstone Book», de 474 pág, apresenta logo a partir da pág 69 a análise do problema do desenvolvimento da Índia, então em vias de obter a independência, em que o Mahatma Gandhi defendia a instalação de teares artesanais nas aldeias a fim de, ao comprarem tecidos do seu próprio algodão, não terem de pagar o transporte deste para a Grã-Bretanha, o fabrico e o posterior transporte do tecido para a Índia. Porém a proposta do Pandita Hehru venceu ao defender uma indústria ligeira para substituir as importações e incentivar o desenvolvimento para consumo interno e, depois de vencida esta primeira etapa, irem para uma indústria pesada orientada para exportação. O resultado foi bem visível poucos anos mais tarde.

Um outro exemplo da importância das decisões de Estado, que arrastam c0nsequências para milhões de pessoas por muitos anos, por vezes, durante séculos é o que constitui o tema essencial do livro «SISTER REVOLUTIONS French Lightning, American Light» de Susan Dunn, editora Faber and Faber, Inc. que compara a génese e a conduta das duas revoluções Americana e Francesa, occorridas quase em simultâneo.

As grandes diferenças nos resultados destas duas devem-se, em grande parte, às origens e bases doutrinárias usadas por uma e por outra. Um dos aspectos foi que o fracasso da revolução francesa (que levou ao terror jacobino e finalmente à tirania e à guerra do Napoleão) se deveu ao postulado inicial, utópico e lunático, de "liberté, egalité, fraternité". Com efeito, os conceitos de liberdade e igualdade são incompatíveis! Tal como veio a ser demonstrado muito mais tarde pela experiência soviética, e de certo modo com o nosso PREC, pós-Abril.

Pelo contrário, o ideal da revolução americana "We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness" (conceito que vem do filósofo escocês Hume) põe a liberdade em destaque mas não impõe qualquer ideia de igualdade como objectivo final da sociedade. Cabe a cada indivíduo fazer o que muito bem entender com a sua vida, o seu livre-arbítrio, a sua característica genética, e não compete ao Estado constrangi-lo ou impor-lhe a sua ideia de felicidade, limitando-se apenas a garantir que cada um não prejudique os legítimos direitos dos outros cidadãos. É preciso respeitar a desigualdade e proporcionar que os desiguais convivam em ambiente de respeito, civismo e segurança.

Em Portugal, após o 25 de Abril, a liberdade foi entendida como libertinagem e logo aí em vez da apregoada igualdade surgiram exclusões e discriminações que restringiram a liberdade de cada um poder ser ele próprio e procurar a sua felicidade. À semelhança do fracasso da revolução francesa, e da URSS, também por cá houve fracasso de que ainda hoje nos lastimamos e não se vê a porta de saída deste labirinto em que se procura conciliar o inconciliável.

Isto faz temer que o sonho, a crença, a convicção do PM possa arrastar as gerações futuras para uma vida de desgraça, de dívida externa insolúvel. Parece que não será o investimento público, só por si, que irá produzir para substituir as importações a que os portugueses estão habituados, nem para exportar em quantidade que compense o volume de importações, a fim de equilibrar a «balança de pagamentos» e eliminar a dívida pública. Não parece ser com tais investimentos que se cria mais bem-estar para os portugueses de hoje e do futuro. Eles trarão benefícios apenas aos construtores e a indivíduos especializados em tráfico de influências e a decisores do género dos referidos a propósito dos casos «Facturas Falsas», «Apito Dourado», «Freeport», BPN, BPP, «Portucale» «Face Oculta», etc.
A. João Soares, 26-12-2009

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sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009

Servir Portugal é dever de todos

Se é ponto geralmente aceite que servir e defender os interesses nacionais é dever de todos os portugueses, principalmente dos políticos e de entre estes os que foram eleitos para o desempenho de cargos públicos de destaque, o certo é que muitos parecem esquecer este seu dever que colocam lá para o fundo da sua lista de prioridades em que no topo está o seu culta da personalidade, vaidade, ostentação do poder, enriquecimento, etc.

E assim, não por acaso, encontramos nos títulos de notícias, entre outros os seguintes:

- O Natal de Cavaco-Sócrates
- 2010 odisseia em Portugal
- "Escutas"e "Intrigas" nas relações entre Belém e São Bento
- Rangel acusa Sócrates de criar "guerra artificial" com Cavaco Silva
- Troca de "mimos" em Natal de crise

Dada a pequena dimensão de Portugal e, agora, tendo em atenção a crise que se mantém, seria da maior sensatez unir esforços, convergir vontades, conciliar, obter consensos, esquecer rivalidades, intrigas, tricas e teimosias, com vista a restaurar Portugal, para celebrarmos o centenário da República honrando a memória dos que a fizeram, certamente, com boas intenções.

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