terça-feira, 21 de agosto de 2018

APRENDER COM OS ERROS

Aprender com os erros
(Publicado no semanário O DIABO em 21 de Agosto de 2018)

Para viver a vida não é necessário conhecer grandes teorias e filosofias, bastando a simples sensatez de ir aprendendo com os pequenos erros e acidentes do dia-a-dia. Em criança aprendemos a andar, com os ensinamentos obtidos em cada queda. De cada erro devemos retirar lições para evitar a repetição de acidentes. A sensatez, a perspicácia e a persistência na procura de melhores soluções, constituem uma ferramenta essencial para a vida.

O que se tem aprendido com os grandes fogos florestais? Parece que foi aprendida alguma coisa, mas muito pouco. É gritante o caso do «plano de intervenção florestal por aprovar há sete meses» apresentado pela Associação dos Produtores Florestais do Barlavento Algarvio (Aspaflobal), com um projecto estruturante para a Zona de Intervenção Florestal de Perna Negra, em Monchique, onde começou precisamente o incêndio que durou vários dias com a destruição de grande área de floresta e o abandono das residências por muitas centenas de moradores.

Tal demora demonstra grande desleixo, inconsciência e ausência de sentido de responsabilidades de meninos burocratas do Instituto de Conservação da Natureza (ICNF) que não fazem ideia dos perigos que uma demora mesmo que pequena pode causar. Houve enorme falta de respeito pelos direitos da população que espera dos Poderes protecção e prevenção de grandes males. É grave uma organização como o ICNF, um pilar da Protecção Civil, sem ter capacidade de actuar na supervisão das medidas de prevenção e incêndios nas florestas do território nacional.

Antes que incêndio deflagre deve ter sido aplicada uma prevenção que deve ir do ordenamento do território ao tipo de árvores plantadas, passando por outros pormenores como a criação de faixas de descontinuidade ou asseiros (caminhos entre o arvoredo com largura adequada ao efeito desejado) que sirvam de corta-fogo, impedindo o seu alastramento por grandes áreas e facilitando o deslocamento dos meios motorizados de ataque. Principalmente, quando se trata de território de orografia complicada, deve ser evitada a todo o custo a continuidade de vegetação na serra, sendo indispensáveis as faixas de descontinuidade de largura adequada. Após um incêndio em Tavira em 2012, um técnico categorizado concluiu que, dos 120 quilómetros que deviam existir destas faixas de descontinuidade, apenas existiam 30 quilómetros. É um aspecto que deve ser corrigido com eficiência em todo o território nacional.

Quanto ao tipo de árvores, os eucaliptos têm sido alvos de muitas acusações. É certo que esta árvore, originária de climas muito diferentes tem tido bom comportamento quando plantada de forma muito regular pelas empresas de celulose, em condições que evitam incêndios graves. Mas tornou-se uma praga, expandida por forma completamente descontrolada, plantada sem os cuidados que lhe devem se inerentes. Para controlar e reduzir tal praga, é indispensável uma cuidadosa gestão do Estado com supervisão efectiva em todo o espaço rural nacional. A área de eucalipto deve sofrer uma diminuição acentuada e haver substituição por outras espécies como carvalhos, castanheiros, sobreiros, nogueiras, etc.

Quanto à necessidade da limpeza das matas que, pelos vistos, foi muito negligenciada e há pormenores que não podem ser deixados a desmaselos de pessoas sem preparação a fim de não contribuírem para que Portugal seja um deserto dentro de poucos anos, por não haver novas árvores que substituam as actuais quando a idade as derrubar. Sobre isto, já disse o que penso, no artigo «sem ponderação, a limpeza pode destruir o pinhal» publicado no semanário O DIABO em 3 de Abril.

Convém reflectir sobre esta assunto, com profundidade, a fim de se evitarem erros semelhantes aos anteriores.

António João Soares
14 de Agosto de 2018

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terça-feira, 14 de agosto de 2018

COMO VAI O MUNDO?

Como vai o Mundo!
(Publicado no semanário O DIABO em 14 de Agosto de 2018)

Há muito que venho criando a convicção de que a maior parte das palavras proferidas por políticos são para esquecer, pelo menos quando fazem propaganda que pretende iludir os ouvintes com promessas que asseguram, que garantem, que vão ser cumpridas mas que, na realidade, eles esquecem de imediato. Pretendem criar esperança e optimismo que não passa de ilusão. Com isso, esperam melhorar os resultados de sondagens e colher mais votos em eleições posteriores.

Mas agora aparece o conceito de “jogo de loucos” que, a princípio, considerei uma invenção desrespeitosa, mas que aparece demonstrada para ex-Presidentes americanos e com continuidade no presente. Trata-se de ameaças altamente belicosas feitas com divulgação pública, destinadas a amedrontar o rival, por forma a ele se dispor a aceitar negociação em condições que lhe sejam pouco convenientes.

Isso está sendo visível na situação actual entre EUA e Irão, com fanfarronices de ambos os lados. A pequena Coreia do Norte levou o jogo ao ponto de ameaçar com arma nuclear o gigante EUA e Trump prontificou-se a sentar-se à mesa com Kim Jong-un para o levar a desistir de tal acto insensato. Não desistiu de tomar a sua parte no jogo e, poucas horas antes da hora marcada, disse que a reunião não teria lugar. Mas não demorou a parar o jogo e a sentar-se à mesa.

Com o Irão, o jogo deve ser muito ponderado, para evitar que a guerra que foi iniciada no Iraque por um jogo mal jogado gerando uma guerra que ainda fere o Médio Oriente, não vá agora alargar-se ao centro da Ásia ou a todo o mundo. Outra partida deste jogo foi o lançamento da bomba “mãe de todas as bombas” (MOAB), em 12-04-2017 no Afeganistão, com a finalidade de calar o Estado Islâmico, mas que não resultou, pois os ataques e outros atentados terroristas continuaram.

Mas se o jogo de loucos pode gerar um conflito mundial, como Trump referiu a propósito de Montenegro, há o jogo nacional de procurar controlar a afectividade das pessoas através de promessas de projectos desejáveis e ilusórios impossíveis de realizar dadas as carências financeiras do Estado. É o caso, entre outros, da notícia acerca de obras de intervenções na rede ferroviária “Ministério anuncia 58 quilómetros de obra quando na verdade são apenas 16”, apenas 27% do prometido, e mesmo isso pode falhar. Mas há casos em que o prometido tem sido muito superior a 3,6 vezes do realizado. E assim, vemos o Ensino em carência, o Serviço Nacional de Saúde com muitas dificuldades, a Justiça sem condições para parar a epidemia da corrupção generalizada em todos os sectores, as forças de Defesa e de Segurança a perderem credibilidade e sem capacidade de obterem a eficiência que merecem e de que precisam com urgência.

E, perante estes jogos “habilidosos” praticados por políticos, das potências mundiais e dos Estados de qualquer dimensão, seria bom que os que se consideram líderes de regimes democráticos, reflitam serena e profundamente sobre a moralidade dos seus actos, em respeito pelos seus cidadãos, e revejam os valores éticos a que devem obedecer. Só com uma maior honestidade perante os que dependem das suas decisões, o Mundo em que vivemos será mais civilizado.

Mas, infelizmente, no nosso caso, as condições estão a ser melhores para imigrantes do que para quem trabalha seriamente, como se vê nas notícias “Mais de 14 mil enfermeiros pediram para emigrar nos últimos sete anos” e “Mais de 17 mil médicos e enfermeiros emigraram nos últimos oito anos”. “Emergências. Central 112 com menos de metade do número ideal de operadores”.

E o ensino deve ser melhorado por forma a deixar de haver razão para notícias como “gente que trabalha bem: uma espécie em extinção” em que é defendida a afirmação de que “vivemos na era do pacto da mediocridade”.

António João Soares
7 de Agosto de 2018

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terça-feira, 7 de agosto de 2018

ESTRATÉGIAS DIFERENTES

Estratégias diferentes
(Publicado no Semanário O DIABO em 7 de Agosto de 2018)

A Natureza, com as suas diferentes e variadas nuances, oferece beleza. Mas a Humanidade apresenta extremismos e radicalismos preocupantes e chocantes, muitas vezes, em consequência de caprichos, de desrespeito pelos direitos dos outros e de arrogâncias e autoritarismos indesejáveis.

Dois casos merecem a atenção dos poderosos. A China, sendo o maior país da Ásia Oriental e o mais populoso do mundo, com quase um quinto da população da Terra, desde os tempos históricos do «Império do Meio», tem usado de pacifismo e de respeito pelos outros povos. Com a intenção de impedir a invasão dos mongóis, iniciou antes de 221 a.C. a construção de uma forte muralha com 3.000 Km de extensão mas, mesmo assim, não evitou ser invadida pelos mongóis no início do séc. XIII, apenas os expulsando em meados do séc. XIV. Depois disso, sofreu a guerra do ópio e, mais recentemente, a invasão japonesa, durante a II Guerra mundial.

Nos tempos mais recentes, evidenciou de forma bem visível o seu pacifismo, no restabelecimento de relações amigáveis entre as duas Coreias, na desnuclearização da Coreia do Norte, no relacionamento desta com os EUA e no apaziguamento dos atritos no mar meridional.

Há dias, o Presidente chinês, Xi Jinping, fez uma visita de Estado ao Senegal para assinar dez acordos de cooperação e afirmou que o continente africano "promete um futuro radioso" pelo "grande dinamismo" que demonstra. Já antes tinha afirmado que a China está a preparar apoios ao desenvolvimento dos Estados africanos, respeitando as suas culturas e tradições. Pelos vistos, a promessa foi baseada em intenções devidamente ponderadas, como agora ficou claro.

No outro extremo, encontra-se Trump, a querer mostrar que é dono do mundo e, em cujas palavras, se encontra ódio e agressividade. Não respeita os acordos e tratados assinados pelo seu Estado, como o acordo de Paris, as posições do Grupo dos Sete, o acordo com o Irão. Usa modos pouco corteses com os seus dois vizinhos, México e Canadá e até já disse que a União Europeia, a Rússia e a China são inimigos da América.

Ao referir-se ao Montenegro, pequeno Estado europeu com apenas 640.000 habitantes disse que é um país pequeno com pessoas muito agressivas que podem iniciar a Terceira Guerra Mundial! «Diz coisas» que, por vezes, desmente de forma infantil. Quando do encontro com o Presidente da Coreia do Norte, desmentiu o local e a data poucas horas antes de o realizar como inicialmente tinha decidido.

A ameaça de empregar a força militar é quase constante e, por vezes, concretizada, como na explosão da «mãe de todas as bombas» no Afeganistão e o bombardeamento na Síria com um pretexto não comprovado. A «mãe de todas as bombas» lançada no Afeganistão em 13 de Abril era destinada a exterminar o EI, foi considerada muito eficaz pela propaganda americana, mas o seu efeito foi o oposto. Com efeito, 7 dias depois, militantes talibãs mataram 30 soldados afegãos e capturaram uma base militar, um atentado suicida causou 31 mortos e 54 feridos, 8 dias depois duas explosões na capital causaram 25 mortos e 45 feridos. Ainda não se convenceu de que a violência pode gerar mais violência, numa escalada incontrolável.

Não tem prudência, nem diplomacia, para negociar com frontalidade e franqueza qualquer ligeiro conflito. Além do caso de Montenegro, merece ser referido o modo como está a enfrentar o Irão com quem os EUA tinham um acordo sobre a energia nuclear que decidiu romper em desrespeito pelo compromisso aceite pelo seu País, fixou sanções económicas e ameaçou que reagiria com a máxima força a qualquer atitude hostil. Só conhece a força não gosta de diálogo.

António João Soares
31 de Julho de12018

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terça-feira, 31 de julho de 2018

DECISÕES COERENTES COM ESTRATÉGIAS

Decisões coerentes com estratégias
(Publicado no Semanário O DIABO em 31 de Julho de 2018)

As decisões devem ser sempre integradas em estratégias gerais, abrangentes, globais, para não serem marginais e lesivas de prioridades correctas. A coerência deve ser sempre uma preocupação em qualquer decisão e, mesmo que pequena, deve ser bem preparada para não gerar desperdícios de tempo, de energia e de recursos. Há que evitar o desprestígio de anular uma decisão tomada e depois substituída por outra com diferente orientação.

Têm sido criticadas muitas promessas, ornadas de palavras como “garanto”, “asseguro”, mas que depois não são realizadas. Convém não abusar de tais erros. E antes de exteriorizar uma tendência deve-se fazer a listagem das possíveis modalidades de acção, com base na opinião de pessoas sérias, independentes e intimamente ligadas ao assunto.

Há alguns dias, o PM anunciou, num estaleiro do Norte, que nos próximos seis a oito anos irão ser construídos sete novos navios para a Marinha portuguesa, uma promessa que seria agradável para os marinheiros, se viesse a ser concretizada, se os problemas financeiros que o País atravessa não viessem a agravar-se. Será que isto se integra num estudo abrangente do desenvolvimento para Portugal? Será que o grupo que preparou a estratégia em que se insere esta decisão foi formado por pessoas competentes, apartidárias, com experiência que permita confiar na sua noção global dos interesses nacionais?

Ou foi uma promessa fantasiosa para iniciar a propaganda eleitoral das próximas eleições? Tal investimento e a possível estratégia nacional em que se integra, irá preocupar as pessoas dependentes do SNS, ao ponto de se recear a emotividade sentida pelos utentes, pelos médicos e pelos enfermeiros. Também não será muito positiva a reacção de pessoas ligadas ao ensino, para além de professores e de quem estuda as necessidades de reforma do ensino, para formar cidadãos válidos e produtivos na economia das próximas décadas. É que, para estes sectores, a austeridade, o défice e a dívida pública são o argumento usado para justificar as restrições e os apertos do cinto.

Mas os próprios marinheiros devem estar duvidosos de tal presente, até porque foi baptizado o Navio-Patrulha Oceânico Sines, o primeiro de dois em construção nos estaleiros de Viana e que apenas pode dispor de lanchas semi-rígidas temporárias para missões de busca e salvamento e não se prevê o tempo que irá demorar até que ele possa dispor do armamento adequado e do equipamento electrónico indispensável para cumprir as missões verdadeiramente militares para que foi concebido.

Mas além de muitas promessas, eventualmente justificadas por motivos políticos, tem havido muitas decisões tomadas levianamente e que foram engolidas em seco, como por exemplo a que impunha a limpeza de matas à beira das estradas e povoações até dia 1 de Março e que teve de ser alterada para uma data muito posterior. Também o problema da mudança do Infarmed parece ter sido estudado por um grupo de trabalho formado por iniciativa do Governo sem devida apreciação do método e isenção dos seus elementos. Mas estes erros vêm de longe. Quando Sócrates foi pressionado a mudar o aeroporto de Lisboa para a Ota, pediu pareceres confirmativos a amigos, gastando muitas centenas de milhar de euros e, quando o problema veio a público, foi tal a discussão, que em vez da Ota foi decidido mudar para Alcochete. Mas há poderes a que os políticos não conseguem resistir e esse aeroporto passará para Montijo, embora haja outra sugestão mais fácil, já com ligações internacionais e com melhores transportes para Lisboa, em Tires.

António João Soares
24 de Julho de 2018

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terça-feira, 24 de julho de 2018

SENSATEZ, LÓGICA E MÉTODO

Sensatez, lógica e método
 (Publicado no Semanário O DIABO em 24 de Julho de 2018)

 A vida real oferece lições que não devemos desperdiçar: casos como o dos rapazes bloqueados em gruta na Tailândia, o da crise do Sporting e a falhada tentativa de eliminar as touradas mostram que, ao decidir uma acção vistosa, é indispensável utilizar os ensinamentos da vida para a preparação da decisão. É conveniente não deixar de usar sensatez, uma finalidade bem ponderada, uma lógica assente na análise das vantagens e inconvenientes e uma estratégia correcta no percurso desde o ponto de partida até ao objectivo.

 Ser lunático, utópico ou sonhador, é aceitável quando se é coerente consigo próprio, com a natureza e com um futuro melhor. Foi com base em sonhos lunáticos que se realizaram grandes passos em frente ao longo da história da ciência, da tecnologia, da arte, etc., mas a concretização prática foi obtida por técnicos pragmáticos bons conhecedores das realidades e das ferramentas de trabalho para darem à ideia um plano e um projecto realista.

 Infelizmente, o mundo tem sofrido as consequências de aventuras fúteis e precipitadas por entusiasmos de pessoas, com poder, que se consideraram competentes e detentoras de toda a verdade e saber e cometeram erros graves cuja recuperação teve que ser demorada e com muitos danos para a Humanidade. O caso da gruta na Tailândia pode ter resultado de curiosidade, mais ou menos científica, ou colectiva ou apenas do treinador que induziu os seus discípulos a uma situação irreflectida e com riscos incompatíveis com as suas capacidades de solucionar. Felizmente para eles, tudo acabou bem, mas deixaram a lição de que aventuras deste género devem ser tomadas apenas por grupos de dois ou três, tendo atrás um apoio para socorro imediato no caso de dificuldade inesperada.

O caso do Sporting Club de Portugal foi grave e inconveniente, lesando a sua história relevante, não apenas na imagem, mas também nos próximos resultados. Estiveram em foco a falta de sensatez, de ponderação, de lógica, sem método nem finalidade racional e coerente, que alguns jornalistas apelidaram de loucura. Os conflitos geradores de hostilidades entre pessoas que devem usar convergência de esforços, são de evitar a todo o custo, para não estragar o espírito de equipa. O consenso deve ser a ferramenta a usar com lealdade e espírito construtivo para conseguir o maior êxito do trabalho conjunto. O respeito pelos outros e a vontade de obter vitórias devem ser desenvolvidos em permanência no espírito de todos os elementos de um clube.

Quanto à tentativa de acabar com o espectáculo das touradas, foi mais um exemplo da mentalidade de políticos que se consideram donos de todo o bom senso e querem impor ao povo as suas idiotices, custe a quem custar. A vida não pode ser gerida por caprichos. Tive animais domésticos e gosto de todos os animais, como se deduz do texto publicado recentemente, “Os ‘ditos irracionais’ e nós”, mas discordo que se faça a antropomorfização dos animais. Cada macaco em seu galho. Se se pretende chegar ao ponto de proibir as pessoas de se alimentarem de carne para não sacrificar a vida de animais, como se vai condenar o leão que come a zebra, ou outros animais carnívoros que seguem as forças da natureza para se alimentar? E qual é o bom senso de um político que quer proibir a tourada, divertimento do touro que nela mostra a sua valentia e combatividade, mas ignora o sacrifício de muitos desportistas que arriscam a vida para vencer uma prova? E que preocupação sente pelas pessoas que vivem com grandes dificuldades de subsistência? Devem ser escolhidos objectivos de VALOR, com SENSATEZ, e procurar concretizá-los com LÓGICA e MÉTODO. ■

António João Soares
17 de Julho de 2018

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terça-feira, 17 de julho de 2018

O CRESCIMENTO ECONÓMICO TERÁ CRESCIDO?

O desenvolvimento económico terá crescido?
(Publicado no Semanário O DIABO em 17 de Julho de 2018)

Tem havido palavras, em tom intencionalmente solene, a afirmar que o crescimento do desenvolvimento económico tem aumentado. Mas elas são, pouco depois, contrariadas por notícias de factos reais.

Na saúde, as dificuldades são conhecidas de muitos cidadãos que sentem no corpo a demora de consultas marcadas para datas muito distantes, por vezes tornadas desnecessárias por falecimento do doente. O mesmo se passa quanto a intervenções cirúrgicas e exames médicos. Esta deficiente capacidade de resposta está ligada a notícias de que “nos hospitais faltam coisas simples como compressas e fios de sutura”. Por carência de camas e do respectivo pessoal de enfermagem tem havido situações caóticas em serviços de urgência, por os médicos não terem onde internar os doentes.

Muito significativo o caso de os chefes de equipa de medicina interna e cirurgia geral do Centro Hospitalar de Lisboa Central terem apresentado a demissão por considerarem inaceitáveis os níveis de segurança das condições da urgência do hospital de São José. E, segundo o bastonário da Ordem dos Médicos, esta situação pode acontecer noutros hospitais por as pessoas estarem a trabalhar no limite. É estranho que os mais altos responsáveis não queiram ver as realidades que afectam os portugueses.

É certo que o dinheiro é pouco e não dá para tudo. Nesse caso, é preciso ter o bom senso e sensibilidade para definir prioridades e colocar acima de tudo os interesses essenciais das pessoas. Mas, apesar de carências financeiras, “Portugal disponibiliza financiamento de 202 milhões de euros para Moçambique”, “Portugal vai cumprir exigências de Trump nos gastos com Defesa”. Mas quando as necessidades das pessoas estão em situação crítica, não deve haver prazer em saber os “EUA satisfeitos com o compromisso de Portugal na área da Defesa”.

É preciso prevenir o risco de recessão prolongada e do aumento do endividamento, pelo que são urgentes medidas racionais, sensatas e bem aplicadas.

E para fazer face aos riscos de recessão, já a troika, quando geria a nossa economia, propôs medidas que o Governo de então recusou mas que não devem ser esquecidas: redução das mordomias dos ex-Presidentes da República; redução do número de deputados da AR para 80, profissionalizando-os como noutros países; reforma das mordomias na AR, como almoços opíparos à custa do erário; acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas sem reconhecida utilidade; acabar com as empresas municipais que apenas servem para dilatar a folha de pagamentos; verificar as empresas de estacionamento e os seus aparelhos; redução drástica das Câmaras Municipais, Assembleias Municipais e Juntas de Freguesia; acabar com o financiamento aos partidos, que devem viver das quotas dos associados; acabar com a distribuição de carros a presidentes, assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc.; acabar com os motoristas particulares 20 h/dia; acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado; colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado; acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e Madeira; controlar a assiduidade do pessoal da função pública; acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos; acabar com os milhares de pareceres jurídicos; acabar com as várias reformas por pessoa; combater corrupção e desvios de dinheiro; acabar com os salários milionários da RTP; acabar com os lugares de amigos e de partidos na RTP; acabar com as PPP; criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito; controlar rigorosamente a actividade bancária; pôr os bancos a pagar impostos, etc.

António João Soares
10 de Julho de 2018

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terça-feira, 10 de julho de 2018

OS «DITOS IRRACIONAIS» E NÓS

Os «ditos irracionais» e nós
(Publicado no semanário O DIABO em 10-07-2018)

Numa conversa em que me referi ao egocentrismo de seres humanos da antiguidade que classificaram de racionais os seus semelhantes e de irracionais os outros seres vivos, alguém se referiu à conveniência de eliminar os quadrúpedes com cornos, por haver casos de graves agressões deles a humanos.

Quanto ao uso do raciocínio e da razão, há provas abundantes de que os «ditos irracionais» são mais racionais do que muitos humanos, no seu relacionamento familiar, de bando e com outros de espécie diferente.

Dos muitos vídeos que tenho visto, vou salientar dois que mostram o relacionamento de touros com homens. Um deles mostra uma arena com dezenas de pessoas alinhadas como se fosse formatura militar com intervalos entre si de dois ou três metros. Estavam imóveis quando do curro foi libertado um toiro que correu em direcção ao centro da arena, abrandou a marcha e avançou pelo meio das pessoas sem um gesto de agressão. Andou serenamente em várias direcções até que vim um indivíduo na borda da arena a agitar algo parecido com uma bandarilha e desatou a correr nessa direcção. O indivíduo parou a bandarilha e escondeu-a atrás das costas, o que fez parar o touro. Depois um outro jovem, noutro local, movimentou-se ostensivamente provocando igual reacção. O touro mostrou que teve a noção de que as pessoas paradas não constituíam ameaça mas que era preciso defender-se de quem aparentava querer agredi-lo.

Outro vídeo mostrava a brutal violência dos touros numa largada em Espanha perante rapazes que os queriam enfrentar e tinham de fugir para não serem maltratados. Perante um touro em pleno desespero contra a rapaziada, um homem de média idade apareceu na rua, calmamente, parou e viu o touro passar ao lado sem lhe fazer qualquer mal, depois falou serenamente ao animal e este aproximou-se e permitiu que o homem lhe fizesse uma festa no cachaço.

Cenas como estas aparecem no mato africano entre pessoas e animais. Mas há outras imagens de amizade entre animais da mesma espécie e até entre animais de espécies diferentes, como cães e gatos. A forma como as mães cuidam das crias e estas as seguem em cada passo que dão, faz pensar no desleixo de muitas mulheres que abandonam e os filhos ou os maltratam até à morte. Depois de os verem crescidos afastam-nos para buscarem alimento e procurarem os seus pares. É admirável o procedimento de grupos organizados, disciplinados em deslocamentos ordenados com vigilância para ninguém se transviar, fazendo lembrar militares do SMO nos exercícios da recruta. Merece atenção a forma como procuram solução para problemas, principalmente quando o ambiente foi alterado e eles não sentem dificuldade em contornar os obstáculos e encontrar a estratégia para atingir o seu objectivo. É admirável como se servem da sua audição e do olfacto para se dirigirem onde lhes interessa, etc.

É remunerado o tempo que se utiliza para observar o formigueiro ou as abelhas na busca do pólen, ou o bando de patos em deslocação, de forma ordenada e com disciplina, ou o alinhamento de aves migratórias em voos bem alinhados no regresso à sua nova região, ou o regresso aos locais onde viveram no ano anterior.

Portanto, não me considero errado ao dizer que temos muito a aprender com aqueles que os nossos antepassados denominaram de «irracionais» e que são mais racionais do que muitos humanos, principalmente nos tempos actuais em que as normas éticas estão esquecidas e as pessoas não respeitam as outras e se concentram exageradamente nos smartfones.

António João Soares
3 de Julho de 2018

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terça-feira, 3 de julho de 2018

REFUGIADOS. APOIAR SEM FUGA OU DEPOIS DELA

Refugiados. Apoiar sem fuga ou depois dela?
(Publicado no semanário O DIABO em 03-07-2018)

O problema de refugiados, migrantes ou imigrantes está a dar origem a opiniões diversas e a discussão dentro da União Europeia e não só. Além do problema humanitário, há receios ligados à segurança e há a preocupação sensata de investigar as situações por forma a encontrar soluções na origem que evitem a incomodidade das deslocações de famílias para ambientes estranhos muito diferentes dos da sua naturalidade.

Quanto a problemas de segurança, nesta época de terrorismo e violência, há quem recorde que o Império Romano caiu sob a insubordinação dos Godos cuja entrada no Império se deveu à boa vontade de um Imperador que, para suprir a pouca quantidade de jovens para o exército, facilitou a entrada dos refugiados Godos que tinham sido vencidos em luta com os Hunos, tendo-lhes fornecido barcaças para atravessarem o rio durante vários dias.

Actualmente, devido ao facto de os refugiados, em vez de procurarem adaptar-se à cultura e aos costumes do país que escolheram, quererem impor ao país acolhedor os seus hábitos de origem, gerando conflitos sociais, alguns de brutal violência como tem acontecido na Grã-Bretanha e em França, têm resultado situações de prevenção, como na China, na Austrália, na Áustria, na Itália, nos Estados Unidos, etc.

Perante este complexo problema social, as atitudes de caridade começam a ser ponderadas no sentido de ser mais favorável, para todos, adoptar soluções de melhoria da qualidade de vida nos países de origem, evitando aos migrantes o sacrifício da mudança e a sua exploração pelos traficantes que lhes vendem viagens por alto preço e grave risco de vida, como se tem verificado no Mediterrâneo.

Para a hipótese da solução nos países de origem será conveniente a actuação da ONU, na sua missão de manter a paz mundial e contribuir para a melhor qualidade de vida das populações. Segundo opiniões de pensadores responsáveis, esta solução seria mais justa, humana, prática e cómoda para as pessoas, que não teriam de sofrer as dificuldades da viagem nem da inserção numa sociedade com cultura, idioma e usos diferentes. Por outro lado, os países de destino, em vez da despesa dos apoios diversos a darem aos imigrantes, utilizariam as verbas directamente nos países de origem com a superintendência de adequado organismo da ONU. Tal solução seria útil para os necessitados de mudança, para o ambiente geral do seu país e para a humanidade em geral. Só seriam prejudicados os traficantes que incitam os mais indefesos a migrar, lhes cobram somas avultadas que compensam largamente os barcos velhos e inseguros que se perdem nos naufrágios, sem o mínimo respeito pelas vítimas de tais acidentes que lhes provocam.

Essa ajuda financeira, aplicada adequadamente para a redução da pobreza, para diminuir a desigualdade social que mina o potencial de crescimento e gera conflitos internos, altamente nocivos. e para o aumento de emprego através do desenvolvimento económico assente em quatro vectores: apoio à agricultura, que é o caminho mais rápido para a industrialização, apoio no desenvolvimento de clusters industriais e zonas económicas especiais, apoio no desenvolvimento de políticas industriais e apoio no financiamento das infraestruturas, como estradas, portos e logística. Isto seria baseado numa bem elaborada doutrinação conducente à eliminação da violência através de aperfeiçoar o bom entendimento, e na informação e análise do que tem funcionado bem e o que não funcionou, a fim de não repetir erros, com vista a investir correctamente na melhoria da qualidade de vida.

António João Soares
26 de Junho de 2018

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terça-feira, 26 de junho de 2018

O FUTURO EXIGE OBJECTIVOS E ESTRATÉGIAS

O futuro exige objectivos e estratégias
(Publicado no semanário O DIABO em 26-06-2018)

O passado terminou ontem. Dele devemos aproveitar a experiência e as lições que ajudem a evitar erros e proporcionar inovação positiva, ponderada e útil para se viver bem no momento actual e se preparar o futuro mais desejável do ponto de vista da qualidade de vida, individual e social.

O futuro deve ser preparado começando pela definição de objectivos bem definidos, de forma inteligente e lógica prática, com base em análises da previsão das condições ambientais e das capacidades disponíveis ou a preparar, etc. Os objectivos, após serem definidos transformam-se numa finalidade, ou etapa, a atingir com perseverança, persistência e determinação. Para isso, não devem partir de palpites ou de simples caprichos ou inspiração momentânea.

Definido um objectivo, há que procurar a estratégia adequada, isto é, a pista a seguir para o atingir, com etapas, obstáculos a vencer, etc. Sem este trabalho de definir objectivos e escolher a estratégia adequada para os atingir, o futuro não será famoso e não passará de um desejo de prémio de lotaria, com percurso incerto, e escolhos imprevistos que obrigam a paragens, recuos e avanços. Tais indecisões resultam em erros e emendas de custos inestimáveis e sem uma esperança chamada objectivo ou finalidade desejada, sendo o improviso uma arriscada solução de emergência.

Porém, todo este trabalho de planeamento do futuro desejável pode obrigar a mudanças da actividade rotineira, mais ou menos conflituosas com o passado recente. Por isso, é muito útil, mesmo indispensável, que se respeitem valores, tradições e costumes que forem considerados merecedores de continuidade, independentemente de alterações da situação social. Roturas estruturais podem ocasionar custos elevados, mesmo irreparáveis, pelo que devem ser devidamente analisadas em termos de custo/eficácia.

Esta metodologia, aplica-se, em termos gerais, a actos individuais e, principalmente, de empresas e de instituições públicas de que dependem vários aspectos da vida das pessoas delas dependentes. Os governantes devem reflectir sobre o assunto.

A propósito de objectivos, será que no recente acordo entre a Coreia do Norte e os EUA, o objectivo daquele Estado asiático será estimular todos os Estados membros da ONU a terem coragem de, tal como ele, mostrar aos privilegiados do Conselho de Segurança a conveniência de procederem também à sua desnuclearização porque o perigo do uso de armas nucleares depende da sua potência e capacidade de destruição e não do Estado que as lança? Portanto, a desnuclearização, deve ser geral e fiscalizada por órgão independente e democraticamente eleito em Assembleia Geral da ONU.E os Estados Membros devem ser iguais em deveres e direitos. A Coreia do Norte começou por defender o direto a ter arma nuclear, como outros têm e, depois, reconheceu o perigo de tal arma e desmontou-a, podendo agora exigir que o seu exemplo seja obrigatório para todos os Estados que a possuam. Mas o seu objectivo pode ser alargado à exigência de no CS deixar de haver Estados com assento permanente e direito a veto, como manda a democracia.

Há quem ache lógica e inteligente esta intenção e que, devido a isso, ao acordo com os EUA e ao bom relacionamento com a Coreia do Sul, lhe seja atribuído o Nobel da Paz.

Na forma como encarou o acordo, perante as hesitações e contradições do Presidente Trump, Kim Jong-un mostrou ser inteligente e não será de estranhar que o esquema exposto seja real.

António João Soares
19 de Junho de 2018

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terça-feira, 19 de junho de 2018

PARA UM FUTURO MELHOR

Para um futuro melhor
(Publicado no semanário O DIABO em 19-06-2018)

Felizmente, neste mundo de egoísmos e fanatismos pelo dinheiro, com desprezo pela qualidade de vida das pessoas, há sinais de entidades que se preocupam com planeamento a longo prazo para crescimento social e melhor qualidade de vida. Muito importante é a notícia agora recebida do acordo assinado por Tump e Kim Jong-un sbre a desnuclearização da península coreana, a criação de relações diplomáticas e os desejos de paz e prosperidade dos povos.

A China tem dado muitos sinais de desejar a paz e de evitar a guerra, havendo exemplos muito significativos: o apaziguamento da Coreia do Norte que levou a bom relacionamento com a Coreia do Sul e com os EUA e está a bom caminho de evitar uma guerra comercial com este Estado, fazendo com ele um acordo de que resultará para ele uma redução muito significativa do seu défice comercial.

Também a China está a dar um bom exemplo de reduzir o perigo da agressividade dos «imigrantes» islamitas, sem usar de violência, mas tonando medidas preventivas, sugerindo-lhes a integração nas tradições e na cultura chinesa. Para começar, todas as mesquitas na China deverão içar uma bandeira deste país e "estudar a Constituição, os valores socialistas e a cultura tradicional" chinesa. Com vista à integração social, Pequim decidiu banir ou controlar várias práticas muçulmanas, incluindo a de manter a barba longa e jejuar durante o mês do Ramadão, afirmando que são símbolos do "extremismo islâmico".

Na Síria, membros do grupo radical Estado Islâmico foram retirados de várias zonas do sul da capital síria, onde ocorreram violentos confrontos no final do mês de abril, e os membros do Estado Islâmico que permaneciam no local destruíram bases, quartéis e veículos e a situação no local "é calma" depois de ter sido alcançado um acordo para a retirada de combatentes do grupo extremista, o que "supõe na prática um acordo de rendição".

Na África, continente que tem sido mais explorado do que apoiado no crescimento, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), anunciou que vai investir até 35 mil milhões de dólares na industrialização do continente. E como a simples disponibilidade em dinheiro não chega para resolver o problema do futuro em economias de fraco crescimento, considera fundamental ajudar na capacidade de formação, e informar sobre o que funcionou e o que não funcionou e como evitar a repetição de erros o que é, muitas vezes, mais importante do que o dinheiro, para lançar o crescimento. O plano do BAD, nesta área, está assente em quatro pilares, apoio à agricultura, que é o caminho mais rápido para a industrialização, apoio ao desenvolvimento de clusters industriais e zonas económicas especiais, apoio ao desenvolvimento de políticas industriais e apoio ao financiamento das infraestruturas, como estradas, portos e logística. Desta forma, a África poderá dar um salto em frente na rota do crescimento e desenvolvimento. Também a Coreia do Sul parece querer participar activamente no desenvolvimento de alguns países africanos, com apoios adequados a cada país, aproveitando a quarta revolução industrial para garantir aos cidadãos um salto tecnológico".

Entretanto, continuam as conversações entre os EUA e a Coreia do Norte, com vontade de ultrapassar os atritos ocorridos e chegar a uma condição de amizade de que resultem melhores condições para a vida da população que tem vivido em dificuldades e carências de vária ordem.

Esperemos que estas intenções sejam realizadas e que surjam muitas semelhantes.

António João Soares
12 de Junho de 2018

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