segunda-feira, 29 de março de 2010

'Informação' do MAI

Transcrição do segundo parágrafo da crónica de Rafael Barbosa no Jornal de Notícias de hoje:

Rui Pereira é um ministro extraordinário. Ano após ano, estatística após estatística, vislumbra sempre uma melhoria por entre a vaga de criminalidade que atormenta o resto dos portugueses.

Há cerca de um ano, perante a subida galopante da criminalidade violenta registada em 2008, argumentou que os números seriam melhores em 2009. Um ano depois, apresenta a fabulosa queda de 0,6% na tal criminalidade violenta.

Que interessa que nos distritos do Porto e de Viseu o crime esteja em crescendo?

Porquê destacar o facto de a criminalidade juvenil registar uma escalada de 10%?

Acaso isso será um sinal de um futuro cada vez mais violento?

Quem se incomodaria com o facto do número de processos por crimes sexuais crescer 12%?

Um destes dias contribuí, enquanto vítima, para engordar as estatísticas de assaltos a garagens. E fiquei esclarecido quanto ao que se pode esperar: o agente tratou logo de explicar que não vale a pena contar com a Polícia. Na zona que ele tem de patrulhar moram muitas dezenas de milhares de pessoas, mas há apenas um carro-patrulha para fazer a ronda nocturna. E pelo que percebi, está quase sempre ocupado a registar ocorrências, não a evitar que elas aconteçam.

NOTA:
Como levar o ministro a sério? Como ter confiança nas suas perspectivas de segurança? Como será no fim deste ano e em 2011 e em 2012? Até quando poderemos resistir? Entretanto vem a notícia «Associação criminosa sobe 60%».

Mas apesar deste panorama de ‘verdade e transparência’ nas palavras dos governantes, «Sócrates pede aos jovens que tenham confiança no país».

Como compreender? Como nos orientarmos? Nem um GPS nos levará a um objectivo salutar.

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domingo, 28 de março de 2010

Presidente da Força Emergente


José Maria Martins é um homem com ideias bem esclarecidas, frontal e patriota que merece ser ouvido e ter a nossa esperança de que venha a contribuir para evitar que Portugal atinja uma situação catastrófica, sem regresso.

É certo que, durante séculos, o Poder e as suas alterações eram obra de uma pequena minoria que impunha as suas decisões à massa populacional que, feudalmente, se submetia aos destinos que lhe eram impostos. Porém, os ideais dos tempos presentes estão condenados ao insucesso se não tiverem o apoio activo da generalidade da população. E ela, quando bem motivada, sabe organizar-se e produzir resultados que pareciam impossíveis. Foi o caso da recente campanha de LIMPAR PORTUGAL que criou núcleos em todas as freguesias e conseguiu pôr em cheque a incompetência, a incapacidade, o desleixo, a irresponsabilidades e outros vícios das autarquias que deixaram chegar o ambiente a um estado deplorável e, dessa forma colectiva, mostrar que o povo pode pode estar consciente do efeito da sua força.

E a campanha LIMPAR PORTUGAL foi desenvolvida à margem de organizações ecológicas, que se revestem de teorias douradas com palavras indecifráveis pela população e que se mostraram incapazes de evitar a proliferação de lixeiras por todo o lado e de exigir às autarquias a sua limpeza. Ficámos a saber que são um bluf de pretensos intelectuais que desprezam as realidades do terreno.

Isto serve para alertar a FE para que, se queremos alterar uma situação, não podemos usar os métodos já desacreditados pelo poder ainda vigente. Há que criar algo de novo, usando ferramentas novas. E a ferramenta usada por LIMPAR PORTUGAL mostrou ser eficiente. Foi uma operação que nasceu por baixo, definiu objectivos, planeou, programou, apoiou-se logisticamente e executou de forma eficiente, apesar da criminosa indiferença de algumas autarquias que continuaram a mostrar o nada que valem.

Este exemplo pode ser utilizado pela FE: não se deixar prender a «intelectuais» que só querem mostrar a face e criar fama, sendo indispensável trabalhar as bases, mas as que não estejam amarradas aos partidos, àqueles que votaram unanimemente a lei do financiamento dos partidos.

A sociedade tem que se organizar para ter força, e tem que romper com os métodos já viciados pelo actual sistema. E enquanto não houver mudança deste, é preciso não hesitar em DENUNCIAR activamente, com o máximo de public8idae, as irregularidades, imoralidades, desleixos do Poder, obrigando a correcções do rumo do País, nos mínimos pormenores. É preciso fazer a lista das lixeiras, dos podres que infectam o pântano em que nos atolaram. É preciso desenvolvar as pequenas acções que contribuam para LIMPAR O PAÍS. Não esquecer que os grandes resultados resultam de pequenos gestos, persistentes, insistentes repetidos, com convicção, começando nas realidades locais.

O diagnóstico da doença do País está feito por várias pessoas de pensamento honesto e patriótico, e a terapêutica está esboçada, estando à espera de ser aplicada, com discernimento, sensatez e coragem para controlar e evitar desvarios provocados pelos viciados no actual Poder e dele beneficiados.

Aconselho que se ouçam atentamente e se meditem as palavras de José Maria Martins.

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sábado, 27 de março de 2010

Governar para o povo

Fala-se hoje em democracia como sendo o governo para o povo e com o povo, mas a prática mostra decisões autocráticas contra o povo sem consideração por este. Há cinco anos, foram prometidas reformas na Justiça, na Educação, na Saúde, na administração pública, o que criou esperanças num Portugal melhor porque eram desejadas reformas profundas desde havia vários anos.

Porém, as esperanças foram goradas porque, em cada um desses sectores, o que se decidiu nos gabinetes foi uma guerra aberta contra os servidores do Estado que deviam ser parte activa na concretização das reformas. Deviam ter sido ouvidos e convencidos a colaborar nas soluções melhores para os beneficiários de tais serviços públicos. E esses servidores saberiam o que mais interessava mudar.

Já em 1933, a Constituição da República dizia que «a soberania reside em a Nação». Mas tal foi esquecido e nem o 25 de Abril veio esclarecer os governantes de que governar é uma actividade para o povo, com o povo e nunca contra o povo que é soberano. «O povo é quem mais ordena» dizia-se na canção.

Mas os políticos são duros de ouvido e não compreendem as verdades sublimes nem que sejam ditas a cantar! Isso fica bem evidente no que se passa em Valença, onde o «povo manifestou-se contra anunciado fecho da Urgência». Com efeito, segundo a notícia, «mais de uma centena de pessoas exigiu, ontem, sexta-feira, em Valença, o funcionamento, durante 24 horas por dia, das Urgências do centro de saúde local. Comissão de utentes promete endurecer formas de luta caso a tutela "insista em não atender à pretensão de Valença".

Será que o governo vai mandar os doentes a TUI, na Galiza, tal como fez às parturientes alentejanas ir dar à luz em BADAJOZ? Para que é que os portugueses pagam impostos, se têm de recorrer ao País vizinho?

Faz bem o povo em se manifestar, porque os políticos têm interesses pessoais e partidários a defender e só alteram as suas decisões caprichosas se forem pressionados e tal tem sido visto, no âmbito da saúde, em vários pontos do País. O Povo soberano tem que acordar e manifestar o seu mal-estar e reclamar as medidas adequadas para termos um Portugal melhor. Os governantes precisam de aprender a Pensar antes de decidir.

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sexta-feira, 26 de março de 2010

Euro com morte anunciada???

Transcrição seguida de NOTA

Metade dos alemães quer regressar ao marco
Por Joaquim Letria, no 24 Horas e no Sorumbático em 26-03-10

A Cimeira Europeia está a ser o esperado teste aos propósitos de Berlim. Vai ser nesta reunião que se perceberá, de uma vez por todas, se há uma verdadeira solução para a Grécia e se perceberá qual vai ser finalmente adoptada. Terá esta reunião a grande vantagem de nos elucidar. Cada um e todos nós ficaremos a saber com o que verdadeiramente poderemos contar. Logo se verá.

Aceitar o recurso ao FMI para aliviar um estado membro da Europa a 27 é uma possibilidade que se revelou estar no horizonte da Alemanha, assim como admite a expulsão do Euro de algum prevaricador, duas hipóteses não consideradas até há muito pouco tempo atrás.

A verdade é que enquanto se fala em proteger a Europa e o Euro, cada vez há mais alemães (46%) a quererem regressar ao marco e uma percentagem ainda maior que não quer continuar a pagar os vícios sulistas destes PIGS onde, simpaticamente, continuam a incluir-nos, a acolher-nos e a pagar-nos. Já não é só a Europa que treme. É também a confiança no Euro que abana. O que vai acontecer, logo se verá. O que é preciso é fé!

«24 horas» de 26 Mar 10

NOTA: Tudo o que tem início terá fim. Hoje não existem, senão nos livros de história, as associações, os acordos e os tratados de outrora. Foram criados por motivo datado e depois o tempo causou a sua erosão.

O grande inconveniente provém de entretanto se ter perdido a estrutura organizativa e ser difícil o regresso ao que era antes. Por isso, não se espere regressar ao ponto de partida mas avança-se para um novo sistema. Este, para não trazer muitos amargos de boca, deve ser previamente bem estudado e preparado para que a mudança seja para melhor.

Tenho dúvidas se existem homens sensatos e ponderados capazes de planear e programar a mudança por forma a trazer benefícios, sem agravar ainda mais os problemas actuais, no tocante às pessoas, à justiça social, aos direitos liberdades e garantias, sem exploração de todos por uma minoria feudal.

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Riqueza de Sócrates

Circula por e-mail um texto intitulado «Há que investigar a riqueza de José Sócrates e investigar as lojas maçónicas do GOL» cuja origem quis confirmar e fui ter ao blog do advogado José Maria Martins, onde o encontrei publicado em 8 de Março entre outros textos com informação cuja credibilidade provém da qualidade do autor.

Este informa que a partir de 12 de Março o seu blogue passou a ter um novo link.

Transcrevo apenas o início do post que pode ser lido na íntegra visitando o blogue:

«Todos sabem que eu não morro de amores por José Sócrates. Desde logo não consigo perceber como Jósé Sócrates é tão rico, mas aufere mensalmente menos que eu já auferi.! Sócrates sempre foi uma pessoa pobre. Não passava de mero funcionário de uma Câmara Municipal.Com um vencimento baixissimo. Depois não passava de mero deputado, com um vencimento baixo e que não dá para grandes voos.» (…)

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quinta-feira, 25 de março de 2010

Políticos com vergonha, só por graça!!!

Transcrição

Vergonha

Por João Paulo Guerra

Portugal acaba de acrescentar mais um galardão à sua impressionante galeria de troféus: é o campeão europeu de perturbações mentais e ameaça mesmo o titular mundial, os EUA.

Certamente, muitos portugueses gostariam de ser moscas, por momentos, para verem como reage a casta governante à sucessão de desaires para o País que ressaltam de todos os índices, indicadores, tabelas e catálogos que comparam Portugal ao mundo civilizado.
Manterá a classe governante o sorriso postiço que exibe em público?
Ficará consternada, condoída mas esquece rapidamente?

Sentir-se-á envergonhada?


Os resultados do estudo nacional sobre saúde mental agora divulgados são medonhos. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica e quase metade já teve uma destas perturbações durante a vida. As doenças mais comuns são as ansiedades e as depressões. E como é que não hão-de andar ansiosos e deprimidos os portugueses? Os portugueses sobrevivem há décadas mergulhados numa crise da qual não se vê o fim mas apenas a crise seguinte, com mais, novos e mais duros sacrifícios, ao mesmo tempo que o mesmo País produz uma florescente casta de nababos que faz da ostentação o seu modo de afirmação. Campeões da desigualdade, recordistas da perda do poder de compra, atletas da precariedade, que se pode esperar da saúde mental deste povo?

Nos tempos do velho Botas assisti a uma cena memorável que agora me ocorre com frequência. Cruzaram-se, numa cidade estrangeira, um conhecido intelectual e um obscuro governante. O segundo cumprimentou o primeiro: "Talvez não me esteja a reconhecer mas eu sou membro do Governo de Portugal". Resposta pronta do José Carlos Ary dos Santos, com aquele vozeirão que atroava os ares: "E não tem vergonha?"

«DE» de 25 Mar 10

Publicado por Carlos Medina Ribeiro, no Sorumbático, em 25-03-2010

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PEC e os privilégios intocáveis

Transcrição seguida de nota:

PRIVILÉGIOS INTOCÁVEIS... AINDA O PEC…

Segundo A Magalhães Pinto, Economista, em todo o PEC não há, tanto quanto se sabe até ao momento, uma única palavra, uma única medida, que possa afectar os privilégios intocáveis da Classe política. Por ventura foi propositadamente para que na discussão possam propor e decidir que se baixem os salários dos políticos em 5 ou 10% e com isso aparecerão na TV todos ufanos pelo enorme contributo que estão a dar para reequilibrar as finanças públicas portuguesas.

Mas o problema não se resume a isso. Tenha-se em atenção à quantidade “enorme” e qualidade do pessoal político que existe por aí, quer a nível central quer local, pago pelo suor dos portugueses que trabalham.

Assim, imagine-se que reduzíamos os deputados a metade e que se estes trabalhassem 40 horas por semana, poder-se-ia considerar para o efeito um salário mensal da ordem dos 6.800,00€, 14 meses por ano.

Se isso se desse, a economia para as finanças públicas seria de mais de 10 milhões de euros. Cerca de um décimo do que o estado pretende economizar com as medidas na função pública. Ainda segundo ele “ e, para fecharmos com chave de ouro, imagine-se que com tanta gente “graduada” lá dentro, a Assembleia ainda tem que recorrer a trabalhos especializados feitos fora dela, com o que se gastam 3.593.304 euros. Como o dinheiro é barato para a AR! Fala o PEC de alguma coisa relacionada com isto? Não. É privilégio intocável,”

Mas se, para além da Assembleia da República, multiplicássemos estas medidas pelas centenas de câmaras municipais e pelos milhares de juntas de freguesia que temos verificaríamos, ainda, melhores resultados.

O articulista a finalizar diz: “Peço respeitosamente que me perdoem, senhores governantes e demais políticos, mas Vossas Excelências deviam ter vergonha daquilo que dizem e fazem. Sem se debruçarem em primeiro lugar sobre o que se passa no vosso mundo, Vossas Excelências deviam ter pejo no nosso. Com atitudes destas não merecem um cêntimo de respeito por parte dos humildes, abnegados e cumpridores cidadãos portugueses que trabalham de sol a sol para que V. Exas. possam ser donos de privilégios intocáveis, como estes, mais medievais do que actuais”

Vida Económica, 12 de Março de 2010

Publicado por Luís em A Tulha do Atílio em 24-03-10

NOTA: Sejamos objectivos. Os salários e as regalias dos políticos não podem baixar. São realmente intocáveis. E têm tendência para subir. A razão é que eles agem como um bando de malfeitores, com cumplicidades e conivências, em permanente troca de favores e, se as comadres se zangam ficam a saber-se muitas verdades. O Paulo Rangel disse no Verão passado na «universidade de Verão» do PSD em Castelo de Vide, que na política não tem lugar a ÉTICA. Segundo ele, citando Maquiavel, política e ética não se casam, não são miscíveis.

E são todos iguais, porque não podem zangar os outros! Repare-se que na aprovação por unanimidade da lei de financiamento dos partidos, felizmente vetada pelo PR, Todos concordaram. São verdadeiramente intocáveis até que...

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quarta-feira, 24 de março de 2010

Governo recua

O Governo recuou nas pensões, deixando cair o "congelamento nominal" descrito no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). Agora, admite proceder a actualizações anuais das pensões mínimas de 900 mil reformados e dos 260 mil pensionistas dos regimes não contributivos.

Temos que admitir que emendar um erro é meritório, mas maior seria o mérito se o erro tivesse sido evitado. Há uma insensatez, incompetência e incapacidade notória da parte dos governantes. Nem com centenas de assessores no Governo conseguem evitar tais dislates que retiram credibilidade e minam a confiança e o respeito que deviam inspirar no espírito dos cidadãos. Deviam seguir a metodologia exposta em «Pensar entes de Decidir».

Outra notícia que mina a confiança e o respeito que se deveria ter aos governantes é a que diz que «Fundação que gere Magalhães foi proposta pelo Governo, ao contrário do que disse Mário Lino». Será mesmo verdade que o ex-ministro mentiu ao país? Talvez não tenha mentido pois, se o tivesse feito, não seria agora indigitado «para chairman da Cimpor»! Ou este será um prémio por ter tido aquela cumplicidade com o Poder? Às vezes parece que agem como os bandos de marginais que se encobrem mutuamente numa conivência encobridora e cúmplice de delinquências.

Também, ontem uma notícia dizia que «Governo admite privatização da RTP mas só quando der lucros», mas depois apareceu outra a dizer que «Governo nega intenção de privatizar RTP». Talvez não sejam indícios de campanha negra para assassinatos políticos, por que não se trata de uma contradição ocasional! O certo é que somos levados a não acreditar em dada que venha da boca dos políticos, embora se admita que haja entre eles eventuais excepções.

Encadeada no raciocínio a que estas noticias podem conduzir aparece uma outra «Portugal precisa “de quem puxe pelo país”, diz Sócrates em Marrocos» que faz lembrar a justificação de António Guterres quando saiu do poder para que alguém viesse salvar Portugal de submergir no pântano. Agora o próprio primeiro-ministro também reconhece que se precisa de alguém com dedicação ao País, capacidade e competência para puxar por Portugal e gerir da forma mais adequada e sensata os recursos existentes (incluindo os pareceres de cidadãos bem pensantes e elucidados sem dependência partidária) para tornar os cidadãos mais confiantes e esperançosos num futuro melhor do que o presente que nos tem sido preparado e quase nos está a estrangular.

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Ditadura do Lucro Virtual

Porquê investir no emprego? Despedir é mais vantajoso

Excerto do livro - UMA ESTRANHA DITADURA - de Viviane Forrester

Nos nossos dias, a riqueza já não reside na posse de espécies palpáveis, como o ouro ou mesmo o dinheiro: desviou-se, doravante pouco firme, imaterial, e agita-se, abstracto, furtivo, nos interstícios das transacções especulativas, na volatilidade delas. Provém muito mais dos fluxos especulativos do que dos objectos da especulação. É essa avidez, dirigida para frenesins virtuais, que provoca o devoramento instituído de todos e de tudo por uns poucos, e que se pretende universal, autónoma, livre de qualquer controlo, revelando-se ao mesmo tempo incapaz de se controlar.

É essa obsessão surda, que desemboca em operações delirantes, que entende conduzir o destino do planeta e que ameaça esse destino! Um desejo bruto, primário, irracional, de jogar não tanto com as posses mas com o instinto de posse em detrimento de tudo o que se lhe opõe ou pode atenuá-lo.

A ditadura do lucro, que leva a outras formas de ditadura, instala-se com uma facilidade desconcertante. Os seus meios são de uma grande simplicidade! O mais indispensável deles, a clandestinidade, é-lhe atribuído antecipadamente: mesmo que o lucro seja a chave de tudo, se estiver omnipresente, a sua presença fica sempre oficialmente ausente. Sem dúvida, é considerada adquirida de uma vez por todas, registada e tão banal, de facto, que fazer-lhe alusão seria supérfluo, mas seria sobretudo tido como primário, arcaico e sordidamente campónio, tendência submarxismo antediluviano.

O direito ao lucro, sempre em segundo plano, clandestino, é permanentemente subentendido, mas subentendido... como definitivamente entendido, como absoluto, irrefutável, em suma, de direito divino. Enquanto que, sempre aperaltado com o papel - o único que aceita - de fonte indispensável de abundância e de empregos, esse lucro parece apenas responder às exigências do dever, melhor, estar apenas votado a sacrifícios modestos e silenciosos. Anónimos, pudicos, aqueles que disso aproveitam com tanta abnegação procuram nunca ser citados. Rodeia-os a maior discrição, enquanto em contrapartida são denunciados como verdadeiros aproveitadores, e entregues à vindicta geral, esses desavergonhados, esses notórios açambarcadores: os empregados do sector público e os seus privilégios escandalosos, ou ainda os desempregados, esses calaceiros, vampiros da nação, vergonha das estatísticas, que desafiam o cidadão laborioso e se rebolam, à custa do Estado, na segurança dos seus abonos. À parte os imigrantes que nos esfolam, não se vêem outros beneficiários do lucro, que já não responde, aliás, ao nome de «lucro», e menos ainda de «benefício», mas sim ao de «criação».

E eis que aí vêm as famosas «criações de riqueza», presumivelmente para oferecerem imediatamente os seus tesouros à humanidade inteira. Com que satisfação, com que gratidão, com que admiração elas são evocadas, maravilhas surgidas graças aos seus «criadores», esses dirigentes da economia privada, de repente travestidos de mágicos! Sonha-se com a varinha de condão, com a caverna do Ali-Babá. Ora, de que riquezas se trata? De um enriquecimento da espécie humana? De progressos científicos, sociais? De grandes obras? De objectos essenciais, preciosos ou de grande utilidade? Não, mas de benefícios tirados de uma produção supostamente rentável. De nada mais. «Riquezas» reais, mas que enriquecem apenas os «empresários» e os seus accionistas. «Criações de lucros seria mais adequado».

Pelo menos, esses lucros traduzir-se-ão em empregos? Essas «riquezas» serão distribuídas? É o que nos anunciam, espectacular e incessantemente. Mas essa vocação está completamente ultrapassada: as empresas mais lucrativas despedem a toda a força; os seus decisores têm uma tendência irresistível, uma preferência indefectível pelo abaixamento do custo do trabalho. Porquê investir no emprego? Despedir é mais vantajoso. Já vimos, a Bolsa adora. E o que ela adora faz lei.

É, portanto, a especulação, escondida mas alimentada pelos mercados, que ganha e domina. Vimos que a partir dessas «riquezas» ou só do seu projecto, só da sua hipótese, mil e uma especulações delirantes poderão desmultiplicar-se, indiferentes a qualquer outra produção que não seja a de movimentos de capitais imaginados, enlouquecidos, dissociados da sociedade e de qualquer «riqueza» que não seja neofinanceira. «Riquezas» tão virtuais como voláteis, especulações, ou antes, apostas demenciais que sustentarão o que continuará a ter-se por Economia, a qual se intitulará sempre «economia de mercado» - uma pseudo-economia, de facto, situada a galáxias da esfera das riquezas tangíveis ou mentais com que sonham a justo título as populações, e que lhes são necessárias.

Se essas «riquezas» reclamarem cada vez menos trabalho humano, se provierem de cada vez menos activos reais e se nelas se investir cada vez menos, nem por isso deixa de se esperar dos seus «criadores», esses decisores da economia privada ou esses especuladores (muitas vezes são os mesmos) que, para bem de todos, façam surgir tesouros que supostamente escondam um maná de empregos e, tal como um rio se lança no mar, vão alimentar as empresas. As autoridades de todos os quadrantes e de todos os países celebram esses benfeitores como as «forças vivas da nação», únicos a dar provas de «dinamismo», de «audácia» e de «imaginação» no seio de populações supostamente plácidas e satisfeitas, assentes na segurança do seu RMI [Rendimento Mínimo de Inserção], dos seus subsídios de desemprego, dos seus salários de saldo, enquanto as nossas «forças vivas», intrépidas, são as únicas que «ousam» «correr riscos».

Que riscos? - poderiam ousar perguntar alguns espíritos maldosos. O de produzir lucros ainda mais colossais? Ou mesmo - é caso para tremer! - um pouco menos colossais? Isso seria esquecer os riscos assumidos por essas pérolas da nação quando deslocalizam as suas empresas precisamente para fora da nação, ou fazem fugir para longe dela os seus capitais!

Isso seria esquecer também o risco assumido de estragar o destino da maioria de outras criaturas terrestres e de sabotar as suas vidas únicas de seres vivos, de as manter na angústia e na humilhação, risco que chega mesmo, por vezes, ao ponto de as pôr na rua, literalmente, a pô-las em perigo, a fazê-las cair nesse perigo. Isso seria ainda esquecer o risco assumido, num mesmo impulso criador, de generalizar a miséria, de gerar infernos terrestres. Mas aí estão outros tantos desafios perante os quais os nossos generosos cruzados da criação nunca recuam. Eles garantem...

Louvados sejam eles, cavaleiros da competitividade, campeões da auto-regulação, da desregulação, cuja competência podemos glorificar rodos os dias! Às suas «forças vivas», a nação reconhecida...

Lucro? Você disse lucro?

Assim a clandestinidade do lucro, a sua autoridade, o seu fundamento já não têm que ser estabelecidos: estão antecipadamente convencionados, ordenados e antecipadamente calados. O lucro, subjacente em toda a parte, não está, no entanto, expresso em parte nenhuma, é ignorado em toda a parte, mas, está infiltrado em toda a parte, operacional no coração de todas as coisas - e é aceite sem que tenha sido formulada ou mesmo solicitada qualquer aquiescência consciente. Domina como um princípio sagrado, e reina, nunca evocado, mas razão de ser da ideologia que sustenta o regime e as suas obsessões.

Querem um exemplo destas? A competitividade. Entre as afirmações desferidas como argumentos definitivos, pronunciadas em tom peremptório, com a certeza de ter por si uma aquiescência geral, adquirida para sempre com conclusões nunca verificadas, é uma das mais frequentemente citadas - de forma bastante desprendida, aliás, e como que de passagem, de tal maneira a sua existência, a sua influência e as suas presumidas consequências parecem confirmadas de longa data.

«A competitividade obriga...», «A competitividade não permite...». Quantas carradas de despedidos, de deslocalizações de empresas, de reduções ou de congelamentos de salários, de reduções de efectivos, de estrago das condições de trabalho, quantas decisões desastrosas e perversas pretenderam justificar-se assim! E quantas vozes desoladas para exprimirem então a pena de terem tido que decretar, de terem tido que tomar as decisões-cutelo que a competitividade, ai de nós, exige!

Mas que representa ela? A questão nunca se coloca. Quem está em competição? De que lutas se trata? De que rivalidades? O que está em jogo? Qual é o seu poder ou a sua necessidade para que beneficie de tanta autoridade, para que seja dada ao mesmo tempo como fatal, inelutável e como um factor-chave da economia de mercado, ela própria apresentada e exigida como prova indispensável de democracia? Qual é a sua virtude para que o seu papel, previamente considerado preponderante, nunca seja explicitado, nunca seja analisado, e para que mencioná-la baste para evitar ou encerrar qualquer discussão, qualquer interrogação? Para que tudo tenha que ser concebido, organizado ou reformado em função dela, sem que jamais seja posta em causa? Para que sejamos deixados no vago e achemos normal lá ficar, admitir maquinalmente a competitividade como um fim em si, uma entidade face à qual não exista outra reacção possível que não seja submeter-se-lhe? E para que no fim de contas só essa certeza seja proposta – imposta, melhor – como evidente, indiscutível: é imperativo aceitar ser-lhe sacrificado. Mas, mais uma vez, porquê e a quê? Com que objectivo?

Recebido por e-mail de Maria João F

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terça-feira, 23 de março de 2010

Justiça entravada

Transcrição

A culpa colectiva dos males da justiça
Destak. 23-03-2010 21. Isabel Stilwll, EDITORIAL@DESTAK.PT

Em «resposta» a um dos meus textos em que se falava na descredibilização da Justiça, recebi uma carta de um leitor identificado, que argumentava que a culpa do mau funcionamento dos tribunais é essencialmente uma culpa colectiva. Porque os dados revelados me parecem importantes, deixo-vos como «um sortido de exemplos», como o autor lhes chama: «Cerca de 10% de todas as acções dos tribunais cíveis de Lisboa dizem apenas respeito ao incumprimento de contratos de financiamento da compra de carros em 2.ª mão, com juros a rondar os 30% (recentemente limitados), contratos esses celebrados apenas com uma única concessionária de crédito.

Incrível, mas verdade.

Uma outra elevadíssima fatia de acções respeita ao não pagamento de facturas de telefones móveis, de seguros de automóveis, de responsabilidades provenientes do uso de cartões de crédito. Ou seja, consumo, consumo e mais consumo estimulado de forma selvagem por todos os meios possíveis e imaginários. Além disso, não se pode escamotear que os tribunais (não) funcionam consoante as regras que lhes são fixadas por outros. E decerto que não pode deixar de ser assim.

Tem, porém, inteira razão o Sr. Presidente da República quando fala em leis mal feitas. O caso mais recentemente referido tem a ver com as alterações respeitantes ao divórcio e à regulação do poder paternal. Estava-se a ver que o efeito ia ser precisamente o contrário do pretendido. E foi. A litigância aumentou. Só mais um sobre as constantes alterações de leis ditas «estruturantes» do sistema.
O Código Penal publicado em 1995 teve até agora 24 alterações.
O Código de Processo Penal publicado em 1987 teve até agora 23 alterações. E outra, de fundo, está a caminho.
O Código de Processo Civil publicado em 1995 teve até agora 38 alterações.

Será isto razoável? Claro que há “curiosidades” como a de o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, 4.ª figura do Estado, ser eleita pelos seus (60) pares (alguns a cair da tripeça). «Mas essa regra também não foi naturalmente criada pelos próprios. Há uma lei da AR a dizer que é assim.» De facto.

NOTA: Com todas estas manobras de adaptar a Justiça a interesses 'evolutivos', a estabilidade e a consolidação só poderia ocorrer por milagre!!!

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Serenidade e sensatez próprias de um líder

Transcrevo o seguinte texto, porque, não sendo adepto do PSD (nem de qualquer partido) nem conhecer o Dr. Pedro Passos Coelho, penso sempre, acima de tudo, nos interesses de Portugal, de todos os cidadãos portugueses, e vejo este candidato, de entre todos, o menos viciado nas manhas da baixa política que, durante as últimas décadas, tanto nos têm preocupado e lesado.

Sereno e sensato, fiel aos seus princípios, mantendo-se acima das baixas discussões de «assinaturas» e outros pormenores de curto prazo e baixa cotação a nível nacional, dá mais garantias de vir a ser um líder que utilize a bússola e dê uma guinada no leme para levar o País ao bom rumo, em benefício das próximas gerações.

Os portugueses necessitam de um líder que os saiba conduzir para objectivos sensatos, isto é, ajustados às realidade do País e que estejam no ponto mais alto das capacidades de realização, tirando o máximo proveito de todos os recursos nacionais.

Este artigo aqui transcrito vem complementar o testemunho deixado pelo texto de Zita Seabra referido no post Argumentos bem fundamentados.


Quem tem medo de Pedro Passos Coelho?
Destak, 23- 03-2010. Luisa Castel-Branco

As eleições para o próximo presidente do PSD transcendem o partido porque conjugam as esperanças mesmo de muitos que nunca foram simpatizantes do partido. Portugal vive uma crise sem precedentes e necessita desesperadamente não de um salvador mas sim de alguém com ética e honestidade, com sentido de responsabilidade e uma visão de futuro.

Aliás, foi assim que o Sócrates ganhou as eleições. Uma boa parte dos portugueses acreditaram nele e na mudança prometida. Infelizmente, fomos enganados.

Eu acredito em Pedro Passos Coelho. Não porque sou amiga dele há mais de 25 anos. Não confundo amizade com o futuro dos meus filhos e da minha neta, do meu país. Apoio-o porque ao longo destes anos todos o vi manter-se fiel aos seus princípios. Aguentar as críticas que lhe eram feitas sem resvalar para as lutas baixas.

No último pseudo-congresso, feito unicamente para dar espaço aos recém-chegados candidatos, o meu amigo Pedro fez uma afirmação que interessou a muita gente deixar passar despercebida.

Quando terminou os seus mandatos como deputado e vice-presidente da bancada do PSD, Passos Coelho rejeitou a reforma dourada a que tinha direito por considerar indigna face aos outros portugueses, embora até os deputados do PCP a recebam. Fê-lo porque não precisava do dinheiro? Não, bem pelo contrário! Tinha filhas a sustentar e tirou o curso de economia sempre a trabalhar.

Em vésperas de eleições, Ferreira Leite, responsável juntamente com toda a sua Direcção pela falta total de oposição ao PS (não nos tomem por estúpidos, temos boa memória: Paulo Rangel e Aguiar Branco também lá estavam) afirmou há dias numa entrevista: “esperar que o próximo líder do PSD ganhasse não pela aparência física mas pelas ideias”.

Palavras para quê? É isto o PSD de hoje. É isto que temos de mudar a bem de todos.

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segunda-feira, 22 de março de 2010

Argumentos bem fundamentados

Zita Seabra, em crónica do JN, apresenta «Três razões para apoiar Pedro Passos Coelho».
Com amigos a argumentar de forma tão racional, este candidato está bem apoiado e não pode temer o futuro.
Quem desejar ler a crónica apenas terá que fazer clique no respectivo título.

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domingo, 21 de março de 2010

LIMPAR O PAÍS

Transcrição da crónica, com igual título, do padre José Maia no Correio da Manhã de hoje

A iniciativa que ontem, dia 20 de Março, ocorreu no país, que ficará a assinalar como um grupo de 3 pessoas que, emblematicamente, se apresentam como "não activistas ambientais, sem estruturas formais, sem estatutos nem burocracias, sem dinheiro". É verdade! Estamos em face de um tempo novo, o tempo das "redes sociais" que representam um poder imenso de mobilização das pessoas!

Começamos cada vez mais a compreender melhor que o tempo das grandes mobilizações de gente em centenas de autocarros e à rodem de potentes altifalantes de líderes religiosos, políticos, sindicais pertence ao passado!

Para o bem e para o mal, as "redes sociais" aí estão! Desta vez, ao serviço de uma boa CAUSA: LIMPAR PORTUGAL! Para já, é para limpar as lixeiras (13.500 em todo o país)! E se um dia esta ou outra muita gente decidir eleger como CAUSAS, por exemplo, a burocracia, a ditadura fiscal, o combate aos desigualdades sociais, o enriquecimento ilícito de gente que ganha imenso trabalhando muito pouco, a insegurança de pessoas e bens, a prepotência do Estado e de muitos dos seus Serviços Públicos na forma como muitas vezes trata os cidadãos?

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Limitar o valor das prendas

Transcrição .

Prendas e subornos
Correio da Manhã. 21 Março 2010 - 00h30, Por Francisco Moita Flores, Professor Universitário

Enquanto autarca aceitarei prendas que possam ser encaminhadas para o Banco Alimentar contra a Fome.

Quando tomei posse como presidente da Câmara de Santarém fui confrontado com a quantidade de prendas que chegavam ao meu gabinete. Era a véspera de Natal. Para um velho polícia, desconfiado e vivido, a hecatombe de presuntos, leitões, garrafas de vinho muito caro, cabazes luxuosos e dezenas de bolos-rei cheirou-me a esturro. Também chegaram coisas menores. E coisas nobres: recebi vários ramos de flores, a única prenda que não consigo recusar.

Decidi que todas as prendas seriam distribuídas por instituições de solidariedade social, com excepção das flores. No segundo Natal a coisa repetiu-se. E então percebi que as prendas se distribuíam por três grupos.

- O primeiro claramente sedutor e manhoso que oferecia um chouriço para nos pedir um porco.
- O segundo, menos provocador, resultava de listas que grandes empresas ligadas a fornecimento de produtos, mesmo sem relação directa com o município, que enviam como se quisessem recordar que existem.
- O terceiro grupo é aquele que decorre dos afectos, sem valor material mas com significado simbólico: flores, pequenos objectos sem valor comercial, lembranças de Natal.

Além de tudo isto, o correio é encharcado com milhares de postais de boas-festas que instituições públicas e privadas enviam numa escala inimaginável. Acabei com essa tradição. Não existe tempo para apreciar um cartão de boas-festas quando se recebe milhares e se expede milhares.

Quanto às restantes prendas, por não conseguir acabar com o hábito, alterei-o. Foi enviada nova carta em que informámos que agradecíamos todas as prendas que enviassem. Porém, pedíamos que fosse em géneros de longa duração para serem ofertados ao Banco Alimentar contra a Fome. Teve um duplo efeito: aumentou a quantidade de dádivas que agora têm um destino merecido. E assim, nos últimos dois Natais recebemos cerca de 8 toneladas de alimentos.

Conto isto a propósito da proposta drástica que o PS quer levar ao Parlamento que considera suborno qualquer oferta feita a funcionário público. Se ao menos lhe pusessem um valor máximo de 20 ou 30 euros, ainda se compreendia e seria razoável. Em vários países do mundo é assim. Aqui não. Quer passar-se do 8 para o 80. O que significa que nada vai mudar. Por isso, fica já claro que não cumprirei essa lei enquanto funcionário público. Enquanto autarca aceitarei prendas que possam ser encaminhadas para o Banco Alimentar. E jamais devolverei uma flor que me seja oferecida.

NOTA: Sugestão sensata, porque passar do infinito para o zero não dá resultado devido à prática tradicional. Assim, ainda seria aceitável receber um ROBALO, mas não um EQUIPAMENTO DE FUTEBOL, e muito menos um Ferrari!!!

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Propaganda duvidosa???

Cada um tem as suas crenças e ninguém tem o direito de lhe querer mal por isso, mas não é justo que se tente convencer os outros de coisas que vão contra a
a verdade, a lógica e os factos.

Segundo notícia do Público (faça clic para a abrir), Francisco Assis, líder parlamentar do PS, afirmou em Braga, no encerramento do Fórum Novas Fronteiras, “se olharmos para todos os outros governos, temos que concluir que fomos mais longe, fomos melhores e tivemos uma política com mais sucesso”.

Acreditarão os portugueses nesta frase de Francisco Assis? Do que me tem sido dado observar na opinião generalizada, isso só poderá ser verdade para os políticos que enriqueceram de forma ilegítima, à velocidade de um relâmpago, com apoio ilimitado aos boys coniventes, como assessores, como entachados em organismos do Estado e em empresas onde há capital público, como empresários beneficiados pelo tráfico de influências, etc, etc. As notícias têm sido convergentes no sentido contrário ao da afirmação do senhor deputado.

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sábado, 20 de março de 2010

O desejável e o real

Para serem tomadas decisões eficazes, bem ajustadas às realidades, para dar solução aos problemas, nomeadamente, quando estes são complexos, com efeitos determinantes nas vidas de outros, é preciso ter os pés bem assentes no chão, ajustando o real ao desejável. Isto é, tem que se «pensar antes de decidir», tem que se medir as palavras para que valham mais do que o silêncio.

Há um mês, o Sr. PM disse, veio nos jornais, «confio muito em mim», o que embora ele o dissesse, não o aponta como um líder, pois este é a pessoa em quem os outros confiam, de tal forma que são capazes de o seguir, sem hesitações, correndo os maiores perigos e enfrentando o sacrifício máximo. Isto seria desejável, mas a realidade, o que as suas palavras traduziram não passou de um sentimento de debilidade, de uma tentação de se gabar hedonisticamente.

Agora, em entrevista publicada no Jornal de Notícias afirmou que a «Comissão de inquérito só serve para me atacar». Mais uma declaração de fragilidade: considera-se atacado, vítima de ‘bullying’. Certamente, algumas razões existirão para isso, mas o desejável seria que houvesse motivos para se regozijar de os portugueses o elogiarem, por verem nele um líder, terem por ele admiração, apreço, respeito, e vontade de o defender perante eventuais críticas ácidas.

Como homem público e responsável político, o seu real valor não assenta naquilo que diz de si próprio mas naquilo que os portugueses pensam e dizem acerca das suas decisões e actos governativos.

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sexta-feira, 19 de março de 2010

METAmorfoses, TIREmorfores

Na Natureza tudo o que está mais ou menos independente da influência humana, normalmente agressiva para o ambiente, desenvolve-se segundo regras bem definidas, previsíveis desde os animais mais rudimentares que passam por metamorfoses até aos mais volumosos que têm um crescimento progressivo sem roturas visíveis. É um sinal de harmonia cósmica, do sistema causa e efeito.

Mas o homem, por falta de concentração, constância e coerência, ou por falsas intelectualidades que geram o desafio da inovação, da invencionice, da ostentação e visibilidade, foge ao que é natural, ao lógico , e cai muitas vezes, mais do que as desculpáveis, no pára e arranca, no avança e recua, o mete e tira. E isto acontece frequentemente com características patológicas. E a seguir à METAmorfose vem a TIREmorfose.

Há vários sintomas desta doença com aspectos de epidémica

O PSD fez um congresso em Mafra a que se deslocaram muitos militantes, para passar um fim-de-semana diferente, encontrar uns amigos que já não viam há muito, dar dois dedos de conversa para a direita e para a esquerda (na fila de cadeiras!) e pouco mais nestes momentos de «política de recreio». E, como bons portugueses, ao ser-lhes apresentada uma proposta cerceadora da liberdade de opinião e de expressão para ser votada nem pensaram de que se tratava e se deviam aprovar ou reprovar ou abster-se e o resultado foi «aprovado por unanimidade».

Mas como a moda é o mete e tira, no dia seguinte, alguns desses votantes afirmaram publicamente que uma das cláusulas tem que ser retirada na primeira oportunidade, que será um congresso em meados do próximo mês. Nessa data será de esperar que seja retirada por unanimidade, atendendo à capacidade de raciocínio e avaliação de um texto evidenciados em Mafra!

Outro caso relaciona-se com a promulgação pelo Presidente da República das alterações à Lei das Finanças Regionais aprovadas em Fevereiro pelo Parlamento. A aprovação em 5 de Fevereiro contou com 127 votos favoráveis - das bancadas do PSD, CDS, Bloco de Esquerda, PCP, Verdes e o deputado socialista Luís Miguel França, eleito pela Madeira - e teve 87 votos contra, da bancada do PS. Este, nesse mesmo dia, anunciou que iria pedir a fiscalização preventiva do diploma junto do Tribunal Constitucional. Porém, para não fugir à estratégia do ‘avança e recua’, o PS congratulou-se com a promulgação pelo PR. Parece que não eram muito consistentes, nem com sólido sentido de Estado as razões que levaram ao voto contra de 5 de Fevereiro.

Vai longe a guerra que desviou as atenções dos portugueses dos importantes problemas sociais e económicos, para a localização do Novo Aeroporto de Lisboa, acabando por o Governo ter desistido dos «fortes» argumentos favoráveia à localização na Ota.

Mas, nestas coisas do ‘pára e arranca’ não é preciso recuar terminar rapidamente o processo de revisão daquele diploma. Ficamos sem saber ao binómio Ota-Alcochete, por diariamente aparecem casos. Por exemplo, o Ministério da Educação, para fazer algo, decidiu unilaterlmente, introduzir alterações no Estatuto da Carreira Docente, mas como estas foram muito contestadas pelos sindicatos de professores, acabou por retirá-las com o argumento de assim terminar rapidamente o processo de revisão daquele diploma.

Em todos estes casos aplica-se a boa norma de Pensar antes de decidir.Com estes erros perde-se a confiança que se deve inspirar nos cidadãos e gastam-se recursos valiosos, um dos quais o tempo que é irrecuperável.

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Para salvar a Pátria

Transcrição:

Estou farto de salvar a Pátria
Texto de Henrique Monteiro, Director do "Expresso", publicado na edição do Expresso de 13 de Março de 2010

Quando comecei a trabalhar, a pátria precisava de ser salva dos desvarios do PREC e por isso pagámos mais impostos. Depois, nos anos 80, houve um choque petrolífero, salvo erro, e tivemos de voltar a salvar a pátria. Veio o FMI, ficámos sem um mês de salário e pagámos mais impostos. Mais tarde, nos anos 90, houve mais uns problemas e lá voltámos a pagar mais, para a pátria não se afundar. Por alturas do Governo de Guterres fui declarado 'rico' e perdi benefícios fiscais que eram, até então, universais, como o abono de família. Nessa altura, escrevi uma crónica a dizer que estava a ficar pobre de ser 'rico'... Depois, veio o Governo de Durão Barroso, com a drª Manuela Ferreira Leite, e lembraram-se de algo novo para salvar a pátria: aumentar os impostos! Seguiu-se o engº Sócrates, também depois de uma bem-sucedida campanha (como a do dr. Barroso) a dizer que não aumentaria os impostos. Mas, compungido e triste e, claro, para salvar a pátria, aumentou-os! Depois de uma grande vitória que os ministros todos comemoraram, por conseguirem reequilibrar o défice do Estado, o engº Sócrates vê-se obrigado a salvar a pátria e eu volto a ser requisitado para abrir mão de mais benefícios (reforma, prestações sociais, etc.), e - de uma forma inovadora - pagando mais impostos.

Enquanto a pátria era salva, taxando 'ricos' como eu (e muitos outros, inclusive verdadeiros pobres), os governantes decidiram gastar dinheiro. Por exemplo, dar aos jovens subsídios de renda... por serem jovens; ou rendimento mínimo a uma pessoa, pelo facto de ela existir (ainda que seja proprietária de imóveis); ou obrigar uma escola pública a aguentar meliantes; ou a ajudar agricultores que se recusam a fazer seguros, quando há mau tempo; ou a pedir pareceres para o Estado, pagos a peso de ouro, a consultores, em vez de os pedir aos serviços; ou a dar benefícios a empresas que depois se mudam para a Bulgária; ou a fazer propaganda e marketing do Governo; ou a permitir que a Justiça seja catastrófica; ou a duplicar serviços do Estado em fundações e institutos onde os dirigentes (boys) ganham mais do que alguma vez pensaram.

E nós lá vamos salvar o Estado, pagando mais. Embora todos percebamos que salvar o Estado é acabar com o desperdício, o despesismo, a inutilidade que grassa no Estado. Numa palavra, cortar despesa e não - como mais uma vez é feito - aumentar as receitas à nossa custa.
Neste aspecto, Sócrates fez o caminho mais simples. Fez exactamente o contrário do que disse, mas também a isso já nos habituámos. Exigiu-nos que pagássemos o défice que ele, e outros antes dele, nunca tiveram a coragem de resolver.

Texto recebido por e-mail de Maria João F

NOTA: Mas há muitos, das simpatias dos detentores do Poder, que ganham «pipas de massa», que recebem prémios sem se saber porquê, que recebem indemnizações por se despedirem em vez de pagarem penalizações por falta de resultados e por poucas vergonhas. E há também deputados e assessores em quantidade exagerada. E há ricos a ver perdoadas dívidas fiscais, e a continuarem a usar ‘off-shores’ para fuga aos impostos, etc, etc. É muito difícil ser obrigado a apertar o cinto para salvar a Pátria colocada em perigo por tais ricos.

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Já nem há nevoeiro sebastianista

Transcrição de post do blogue Revolta das Palavras:

A revolta surda
Publicada por José António Barreiros

Há um sentimento de revolta surda do País, mas há, mais sentido, mais dorido, e talvez mais calado, um sentimento de profundo desânimo. Excepto os que se movem na área dos partidos de governo, que ainda se animam e entusiasmam com velhacarias e outras canalhices do assalto ao poder, a verdade é uma profunda indiferença, uma apática ausência de esperança. O não querer saber passou a ser a filosofia nacional por excelência. Tirando as misérias quotidianas próprias e as oportunidades de golo no futebol, ninguém quer saber de mais nada. Militantes de causas, catequistas de ideias, são cada vez menos, ali os indefectíveis comunistas, além uns exasperados bloquistas, mais adiante uns mansos católicos. No mais misturam-se pregadores de seitas com vendedores ao domicílio. Não há mais.

Há é, para além disso, pessoas que se entusiasmam por crónicas tremendistas à Vasco Pulido Valente ou à António Barreto. Entusiasmavam-se, quero eu dizer. Porque hoje a maioria desses leitores acham que elas não levam a parte alguma e lêem-nas enfastiados para se desenfastiarem.

O livro de Henrique Medina Carreira esgota-se em reedições, mas os problemas que ele ali denuncia, reditam-se ainda mais.

Operações como Vamos Limpar Portugal ainda poderiam abrir via para uma grande limpeza. Mas já nem isso ou a ironia disso acontece. Escândalos escancaram-se. Ninguém é poupado. Primeiro foi a política, hoje a Justiça e também a imprensa que os denuncia. Quem julga é julgado, quem denuncia é denunciado.

Houve tempos em que a alma portuguesa era sebastianista porque esperava um dia de nevoeiro. Hoje não pára de chover.

José António Barreiros

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quinta-feira, 18 de março de 2010

Gestores públicos com prémios chocantes

Segundo o Jornal de Notícias de hoje, o presidente do conselho de administração da Sonae SGPS, à margem da apresentação de resultados do grupo, considerou "absolutamente chocantes" os "abusos importantes" na atribuição de prémios aos gestores de algumas empresas públicas, e defendeu ser "preciso corrigir isso".

Segundo Paulo Azevedo, "não são claros os processos de nomeação, não é claro o mérito" e esta situação arrisca-se a "dar mau nome à actividade de administrador".

O Correio da Manhã noticia hoje que Rui Pedro Soares, ex-administrador executivo da PT e não executivo do Taguspark, é suspeito da prática do crime de corrupção passiva no caso do contrato celebrado entre Luís Figo e o Taguspark, no início de Agosto de 2009.

Ao que o CM apurou, a investigação tem recolhido indícios que apontam para uma forte suspeita: o contrato com o ex-futebolista terá tido como contrapartida o apoio a José Sócrates e ao PS na campanha eleitoral para as legislativas de 2009.

Acerca deste administrador e de José Penedos da REN ver ao crónica do Jornal de Notícias de ontem Fome & fartura. Mas há muitos outros casos escandalosos, que circulam diariamente por e-mail.

É pena que não se moralize o sistema remuneratório seguindo as palavras de Paulo Azevedo, tornando claros, transparentes, os processos de nomeação, exigindo mérito e capacidades nos concursos de admissão, definindo claramente as funções e, em face delas, efectuar uma rigorosa avaliação do desempenho. Sem isto, se continuar esta situação, arrisca-se o descrédito público, o mau nome da actividade de administrador e dos que a desempenham. Para isso já bastam os políticos.

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Estudantes premiados

Toda a gente se queixa da degradação social, da violência nas escolas, na superficialidade dos jovens, mas há poucos gestos positivos de enfatizar os casos de valor de mérito que podem servir de exemplo e estímulo. À semelhança do que aqui tem sido feito em outros casos exemplares, não se perde a oportunidade de exaltar este.

Notícia do Correio da Manhã fala dos três melhores alunos de 2009 do ensino secundário que foram premiados pela ministra da Educação, Isabel Alçada, na Academia das Ciências de Lisboa cabendo a cada prémio cinco mil euros.

Foram premiados:
-Lígia Santos com o prémio Pedro Nunes, melhor a Matemática,
-Teresa Neves com o prémio Padre António Vieira, melhor em Português,
-Pedro Espírito Santo com o prémio Alexandre Herculano, melhor em História.

Tiveram todos 20 valores nas disciplina em que foram premiados e também conseguiram 20 na média final do Secundário.

Segundo as declarações de cada um ao jornal, o segredo do seu êxito resulta de atenção nas aulas e apoio próximo de pais e professores. Foram unânimes em que essa é a receita para o sucesso na escola. Não sendo necessário ser «marrão» e privar-se do convívio com os amigos e das distracções próprias da idade

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quarta-feira, 17 de março de 2010

Circo para animar a malta !!!

Transcreve-se o seguinte artigo, por constituir um retrato trágico da injustiça social reinante. Note-se que 1, 533 milhões de euros são cerca de 3.500 salários mínimos nacionais e que 243.750 euros correspondem a cerca de 550 salários mínimos nacionais e 27.000 euros por mês são cerca de 60 salário mínimos por mês!!! Que tal!!! Batam… palmas.

Fome & fartura
Jornal de Npotícias. 17-03-2010.

Por Manuel António Pina
Nestes dias de (diz-se) crise, e em que nunca como hoje um Governo conjugou tantas vezes o verbo diminuir (diminuir o Rendimento Mínimo, diminuir o subsídio desemprego, diminuir o Complemento Solidário para Idosos, diminuir os apoios aos deficientes, diminuir as pensões, diminuir os salários, diminuir as deduções com a saúde e educação...), é reconfortante saber que alguma coisa cresce, e não apenas a revolta e os lucros da banca e das "empresas do regime".

Congratulemo-nos, pois, por os gestores da PT terem, em 2009, recebido 7 milhões em salários e "prémios" e por, desses 7 milhões, 1,533 terem cabido ao meritório "boy" Rui Pedro Soares (que bem os mereceu pelo esforço com que se terá dedicado a levar a TVI ao bom caminho). E por também a REN ter contemplado outro dos arguidos da "Face oculta", José Penedos, com 243 750 euros de "bónus", mais um salário de quase 27 mil euros por mês, o que dá qualquer coisa como meio milhão e picos. Com efeito, como profetizou há meio século Cesariny, "afinal o que importa não é haver gente com fome/porque assim como assim ainda há muita gente que come".

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Lisboa oculta

Há quem diga para fins turísticos que a beleza de Lisboa reside nas encostas e na vista que oferece a quem dela se aproxima pelo rio, nomeadamente nos cruzeiros que a visitam, com muita frequência.

Mas se as entidades responsáveis pelo turismo têm essa opinião, as outras ligadas a empresas de construção com boas relações com o Governo não se importam de ocultar a face da cidade, por detrás de uma muralha de contentores.

Repare-se bem na fotografia e leia-se a notícia que se abre fazendo clic no seguinte título «PS quer evitar "coligação negativa" no caso dos contentores». Afinal Jorge Coelho continua a ter muito poder, talvez agora, ainda mais!!!

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terça-feira, 16 de março de 2010

Pais educadores e alunos

Depois de ter aparecido em público de forma chocante a violência e indisciplina nas escolas aqui reflectida em alguns posts (Valores éticos são pilares da sociedade, Ressuscitar os valores éticos, Futuros cidadãos no Portugal de amanhã, Professores educadores), vale a pena referir a notícia do JN de hoje «Professor do ano diz que "pais, às vezes, demarcam-se das suas funções"».

Nela é divulgado que o professor de Física Alexandre Costa de 45 anos, docente há duas décadas, recebeu hoje o Prémio Nacional de Professores, numa cerimónia realizada na Universidade de Évora e presidida pela ministra da Educação, Isabel Alçada.

No seu discurso fez várias afirmações que merecem ser meditadas e aplicadas na prática.
"Os meus alunos e eu temos uma relação de grande empatia no trabalho, mas não é de amizade. Não sou amigo no sentido em que eles são amigos dos seus colegas adolescentes. Sou tão amigo quanto um pai ou um educador pode ser", afiançou.

Confessou manter uma relação de "grande empatia", mas não de amizade, com os alunos e defendeu que pais e docentes não se devem demitir das suas funções educativas.

Considera importante que estes papéis não se confundam e que pais e encarregados de educação não se demitam do papel que têm como educadores.

"A educação não se pode isolar da sociedade", alertou, sustentando que um dos "maiores problemas" actuais, neste âmbito, é a existência de "uma certa demissão das pessoas" relativamente ao que são "as suas funções".

"Os pais, às vezes, demarcam-se de ser pais e da sua responsabilidade na educação, transferindo isso para a escola" e, noutros casos, é o professor que "está mais preocupado em ser amigo dos alunos do que em ser seu professor".

"Há um contexto social no seu todo que leva a que, neste momento, o ensino tenha algumas deficiências".

Este cenário, defendeu, só se ultrapassa através da "educação da própria sociedade" e da "redescoberta" do que é "ser pai, professor ou aluno" e das "regras básicas de convivência entre as pessoas".

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segunda-feira, 15 de março de 2010

Lei da rolha convida ao voto em branco?

Com o unanimismo e a acefalia exigida por esta norma do PSD a todas as pessoas pensantes do partido, e com a votação, que não esquece, da lei de financiamento dos partidos, vê-se que os políticos, salvo eventuais excepções, não se preocupam com o país mas sim com os partidos e, acima deles, com a imagem intocável do seu líder. Para isso, não há por onde escolher, e estão a merecer o voto em branco, porque eles próprios dizem que os outros não são melhores.

O caso é tão chocante que deu oportunidade a quatro cronistas do Correio da Manhã, tão acusados pelo PS de serem demasiado críticos do governo, de certamente por iniciativa própria, terem escolhido o tema para as crónicas de hoje , mostrando a sua preocupação de independência e isenção e equidistância.

A sombra dos medíocres
Correio da Manhã. 15 Março 2010, por Eduardo Dâmaso, Director-Adjunto

A fechar um congresso que projectou uma imagem de vitalidade do PSD para o País os sociais-democratas borraram a pintura. O que vale um partido obcecado com o autoritarismo de Sócrates quando aprova para os seus próprios estatutos uma abjecta restrição aos mais elementares valores da política e da liberdade de expressão? Um partido que se consola com uma lei da rolha para dormir mais descansado, para embalar no sono celestial do unanimismo e aceita portar-se como uma manada acéfala, não merece a confiança dos portugueses.

Impor o silêncio e a sanção como castigo aos prevaricadores tem uma lógica puramente inquisitorial. É a sombra dos medíocres que se abate sobre o PSD, empurrando-o para o espaço do fanatismo, de um holiganismo político que tem da vida e da sociedade uma visão insuportavelmente maniqueísta. É assumir, de vez, que os partidos não servem para discutir ideias e projectos de sociedade, mas meramente apoiar homens providenciais que hão-de levar-nos a todos a um qualquer paraíso. Há, na verdade, gente que tem da política essa concepção e pulula por aí. Só servem para reproduzir os argumentários limitados que lhes servem. Têm a mentalidade dos No Name Boys, dos Super Dragões e da Juve Leo. Mas não é com gente assim, com as leis da rolha deles e partidos destes, que vamos a algum lado decente.

A asfixia democrática
Correio da Manhã. 15 Março 2010, por António Ribeiro Ferreira, jornalista

O congresso do PSD acabou da pior maneira possível. O partido de Sá Carneiro e das liberdades revelou ontem ao País que se encontra num estado lamentável. Depois de uma boa discussão política dominada pelos ex-presidentes Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes e Santana Lopes, o congresso aprovou uma alteração estatutária que pune até à expulsão quem criticar a direcção 60 dias antes de um acto eleitoral.

Esta norma asfixiante não só mostra que o partido de Cavaco Silva perdeu a cabeça e os princípios como revela que o próximo líder será com certeza um homem fraco que não consegue resistir à mínima brisa. O PSD da liberdade de expressão, da verdade e da democracia deixou de existir ontem à tarde em Mafra. Agora é um grupo desesperado e sem Norte à procura de uma qualquer bóia que o salve da morte.

Laranja azeda
Correio da Manhã. 15 Março 2010, Por Joana Amaral Dias

Que fracasso. Em Mafra, não surgiram novos candidatos, como muitos ansiavam. Perderam-se aspirantes. Já Marcelo Rebelo de Sousa mostrou como nenhum deles está à altura. Em Mafra, pretendia-se alterar estatutos. Mas não se tocou na eleição do líder. Sem discussão de moções políticas, as suas ideias terão que ser aceites. E ponto final.
Em Mafra, defendia-se um debate aberto. Mas aprovaram--se sanções para os críticos da direcção. Enfim, tentou-se resolver os ataques às lideranças criando um problema ainda maior. Que mostrou que as preocupações do PSD sobre a "asfixia democrática" e sobre a liberdade de expressão (na Comissão de Ética) são apenas circunstanciais. Para uso externo. Em Mafra, os candidatos aceitaram este "cheira a salazarismo". Cá fora, demarcaram-se. Muito revelador. Oxalá nenhum chegue a primeiro-ministro.

Congresso da rolha
Correio da Manhã. 15 Março 2010, por Carlos de Abreu Amorim

O Congresso falhou o objectivo de quebrar Passos Coelho. Também, a ideia de ouvir as bases não prevaleceu: as vozes audíveis foram as dos ex-presidentes, as de alguns (ditos) notáveis e as dos candidatos a líderes.

Aguiar Branco não levou claque e perdeu nos valores do ‘palmómetro’.

Rangel empolgou à tarde mas decaiu à noite – insiste em proclamar fins sem mostrar como lá chegar.

Passos Coelho quase derrapou na ‘gafe’ com Jardim mas recuperou no último discurso: a proposta de adiamento do PEC foi o facto político mais relevante do Congresso.

Marcelo dissipou-se no esforço de querer condicionar o futuro líder.

O pior aconteceu no final: a santanista ‘Lei da Rolha’, para além de um disparate político, é uma agressão à tradição de liberdade do PSD e uma prenda que o PS não merecia.

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A verdade fere más consciências


O Público de hoje traz a notícia do desaparecimento da câmara do processo de reconstrução de um prédio.

Para saber da localização do prédio e das pessoas e circunstâncias com ele relacionadas, faça clique aqui. O único comentário que faço é que se preste atenção às dúvidas e interrogações contidas no texto e que este assunto estranho vem mostrar o pouco respeito existente pela verdade e pelos valores éticos e cívicos referidos nos seguintes posts aqui colocados recentemente:
Valores éticos são pilares da sociedade, Ressuscitar os valores éticos, A Luz faz doer os olhos a alguns políticos, Falar verdade pode ser chocante, Nos EUA os políticos estão sujeitos à lei geral.

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domingo, 14 de março de 2010

Valores éticos são pilares da sociedade

Começa a levantar-se um coro bem audível em defesa do ressurgimento do respeito pelos valores morais e éticos e, neste espaço foram publicados entre outros, recentemente o post Ressuscitar os valores éticos e, em relação á indisciplina e violência nas escolas, os Futuros cidadãos no Portugal de amanhã e Professores educadores.

Hoje, António Freitas Cruz publicou no Jornal de Notícias ao seguinte crónica que se transcreve na íntegra

Crise, sim: de valores

É porventura a palavra que mais anda na boca dos portugueses: crise disto e crise daquilo. Ora, crise há, sim, mas é de valores e de princípios - valores e princípios que, entre sorrisinhos, são associados ao conservadorismo de quem os invoca.
Mas princípios e valores que consubstanciam justamente o que nos falta hoje.
Por exemplo, a verdade.
Mente-se muito nos nossos dias. Sem pudor. Vergonhosamente. Descaradamente. Não se trata da pequena aldrabice de feira. Muito menos da mentira piedosa disfarçada de boa acção.
Não! Do que se trata é da mentira objectiva, destinada a obter um efeito desejado por meios desonestos. Meios ilícitos que se chamam fraude.
Dar exemplos é, infelizmente, a tarefa mais fácil deste tempo no espectáculo diário da mentira. Daí, de modo irresponsável e grotesco, a destruição da credibilidade das pessoas e das instituições, cuja principal obrigação é falar verdade - sejam quais forem as consequências.
Duas pequenas, mas expressivas, ilustrações.
Há menos de seis meses, tudo estava bem na economia, para Portugal eram boas as notícias: os portugueses foram a votos sem saberem que, pelo contrário, tudo estava mal e só havia más notícias.
Vem agora o Programa de (duvidosa) Estabilidade e (inexistente) Crescimento e todos os dias nos dizem que os impostos não aumentam. Mas vamos pagar mais.
É indispensável? No ponto a que nos conduziram, parece que sim. Então, porque mentem?

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Pedido de esclarecimento

Transcreve-se esta carta de pedido de informação dirigida ás mais altas entidades do Estado depois de o autor, Sr Coronel Matos Guerra ter autorizado a divulgação. O autor aguarda resposta que considera de elevado interesse.

Assunto: Pedido de informação.

Exmo Senhor

Por que isto do "diz-se" e "consta" é muito sério, na medida em que se pode caluniar quem o não merece, e por que o velho aforismo do "caluniai, caluniai que sempre fica algo" é uma realidade insofismável, antes de fazer qualquer juízo de valor, não só por quem executa mas, muito especialmente, por quem, tendo o poder de tal interditar, o consente, agradeço me mande esclarecer sobre estes 2 pontos que passo a enumerar:

1. É verdade que o sr Rui Pedro Soares após ter renunciado ao cargo de administrador da PT, além de ficar com um lugar de director, tem direito a uma indemnização de 600.000 € ?

2. É verdade que o sr José Penedos tem direito a receber (ou já recebeu) da REN uma indemnização de 244.000 € ?

Peço desculpa pelo tempo tomado e pelos inconvenientes levantados, mas sabe, isto de um reformado militar que passou vários anos em comissões em África ao serviço do País, com todas as respectivas consequências nomeadamente no âmbito da saúde, e vê nos seus impostos (IRS) ser absurdamente diminuída a dedução específica da sua pensão (que não se encontra indexada ao vencimento do activo, como, sucede, pelo menos em 2 profissões) com respaldo em falacioso argumento de equidade com o pessoal ao serviço, não se sente rigorosamente nada agradado com semelhante situação, para não referir, o vómito que lhe causa, os prémios e não só, autorizados em empresas públicas, comparados com o congelamento de pensões obtidas por anos de trabalho e comprovada dedicação à causa pública e à Nação.

Com os melhores cumprimentos

Eduardo Matos Guerra - Coronel de Cavalaria ( reformado )

NOTA: Para possível alívio do Sr coronel, transcrevo um pensamento do Padre António Vieira:
"Se serviste a Pátria e ela te foi ingrata, tu fizeste o que devias, ela o que costuma."
E, para compreender que os cidadãos não são todos iguais, sugiro uma visita aos posts (para os abrir basta fazer clic nos títulos seguintes): Amizade ou honra e dignidade, As peias do legalismo, Carreira dos políticos, Nos EUA os políticos estão sujeitos à lei geral, Ressuscitar os valores éticos.

Imagem da Internet.

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sábado, 13 de março de 2010

Portugal esquece os seus soldados

Transcrição seguida de comentário, recebido por e-mail.
EDITORIAL DO JORNAL DESTAK DE 12/11/09, Por Isabel Stilwell,

Por toda a Europa celebraram-se ontem 91 anos sobre o fim da I Guerra Mundial e, no dia da Memória, como lhe chamam, homenagearam-se todos os que morreram em todas as guerras desde aí. Em França, o momento fez história, já que reuniu frente ao túmulo do soldado desconhecido, em Paris, os representantes de dois dos países que se confrontaram violentamente, Nicolas Sarkozy e Angela Merkel, numa iniciativa até aqui sempre recusada pelo governo alemão. Mas agora que, de cada lado do Reno, já não há veteranos do conflito, foi possível dar um passo de reconciliação. Na ocasião, Sarkozy puxou pelo seu lado mais sentimental lembrando que as crianças francesas e alemãs choraram da mesma forma pelos seus pais perdidos em combate.

No Reino Unido, a família real e os políticos multiplicaram-se em cerimónias, num ano igualmente simbólico, já que morreram recentemente os últimos três veteranos da I Grande Guerra. Mas as manchetes dos jornais chamavam a atenção, sobretudo, para o conflito no Afeganistão, que emociona, agita e desespera a opinião pública britânica, quando já 223 ingleses ali perderam a vida, desde 2001, e a retirada não está à vista. Os caixões das fotografias de primeira página não eram amarelecidas pelo tempo. Estes acabaram de chegar…

Apenas dois depois das celebrações da queda do muro de Berlim, o contraste é a prova de que nem todos os muros caíram. Em Portugal recordamos pouco e temos uma dificuldade enorme em falar dos nossos soldados mortos no Ultramar, ou que ainda hoje sofrem sequelas profundas daqueles combates. Quando não recordamos, não homenageamos aqueles que deram a vida pelo seu país, roubamos sentido à dor e traímo-los. Os combatentes em África, por força de um volte-face político, não tiveram direito a ser tratados como heróis.

Fomos incapazes de distinguir a justeza da guerra (e há alguma que o seja?) com a generosidade de quem cumpriu o seu dever. E um país que não é capaz de recordar é, paradoxalmente, um país sem futuro.

Comentário de V. Clemente:

Vergonha!! mais uma entre tantas !!!
Como os militares neste país deixaram há muito de ter políticos (defesa nacional) mas e sobretudo de chefes superiores que curem da sua dignificação e de todas as questões com a condição militar relacionadas, torna-se altamente gratificante vermos uma (verdadeira) cidadã, de forma isenta e modesta, substituir-se a eles e honrando-se ao mesmo tempo.
Muito obrigado Isabel.
v.clemente
Imagem de monumento em Viseu AJ

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