quinta-feira, 30 de julho de 2009

Europa muçulmana em poucas décadas

O vídeo é muito esclarecedor. No post «Que futuro teremos?», foi feita uma ligeira referência ao que aqui se diz acerca do futuro da Europa. Mas os políticos actualmente no Poder ainda não se aperceberam disso e estão a arriscar o futuro das próximas gerações, ao distribuírem preservativos nas escolas e ao financiarem o aborto (Interrupção voluntária da gravidez).
Será que, em vez de nos governarem, estão a fazer o jogo dos muçulmanos?

Isto merece ser devidamente meditado.
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O suposto valor da palavra

Não vão longe os tempos em que se faziam grandes negócios assentes apenas na palavra dada, sem recurso a declarações em papel ou actos efectuados no notário, etc. Mas hoje a palavra já não inspira confiança mesmo quando escrita e/0u tornada pública de forma solene, perante a Comunicação Social.

Além das promessas não cumpridas aqui várias vezes referidas e que continuam a ser repetidas e seguidas por outras, ditas com a mesma convicção aparente mas sem a mínima credibilidade, até porque os seus autores no momento espectacular em que as enunciam mostram algumas vezes não saber minimamente do que estão a falar (como no caso das bolsas de estudo – duplo ou triplo!), surge agora a polémica do «convite» a Joana Amaral Dias, em que alguém está a dizer «inverdades».

No DN depara-se com vários títulos «Paulo Campos desmente convite a Joana Amaral», «Paulo Campos terá feito o convite a Joana Amaral Dias», «Lugar de Joana tinha 'dono' no PS/Coimbra», «Sócrates desmente convite a Joana Amaral Dias».

No JN encontra-se o artigo «A bem da democracia a Joana deve falar» e um outro simplesmente intitulado «Joana».

NO Público, vemos «Paulo Campos desmente convite a Joana Amaral Dias para listas do PS»

É certo que, sendo esta apenas mais uma «inverdade» e pouco representando para os portugueses e para o futuro de Portugal, está a receber demasiada atenção da Comunicação Social, o que poderá significar que já existe grande saturação de ver os mais altos representantes de partidos a perderem o seu tempo com tricas insignificantes deixando assim de dar a devida atenção aos graves problemas que preocupam as pessoas: insegurança de pessoas e bens, Justiça lenta e pouco eficiente (com implicações no aumento da criminalidade violenta), saúde, estrutura fiscal, Educação (que origina ignorâncias em pontos básicos da cultura geral), etc. etc.

Convinha que o bom senso passasse a ter um lugar de mais elevada prioridade na escala de valores dos políticos. E não seria difícil, pois bastava não esquecerem a sua principal função de governar Portugal com vista à melhoria da vida dos portugueses.

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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Palavras duvidosas e propaganda

No Diário de Notícias de hoje encontrei estes dois títulos,
Magalhães não está generalizado, dizem pais e professores e Governo dá distribuição do Magalhães como "praticamente concluída" que me deixaram um pouco descrente da pouca vergonha de muitos emissores de voz que não pensam antes de falarem, não procurando reforçar a credibilidade que era suposto desejarem ter.

Quanto ao Magalhães, recordo o post publicado em 1 de Abril deste ano, Ministra da Educação esperta como um alho!!!

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Evite o aquecimento global

É imperioso colaborar no combate à poluição, limpar Portugal, não contribuir para o aquecimento global, para a destruição do ambiente e da diversidade das espécies nem para as alterações climáticas.

Veja o vídeo seguinte e, depois , ou antes, visite os seguintes sites Vamos limpar Portugal, Há horas felizes e Crimes ambientais. Limpar Portugal.
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Passe aos seus amigos e conhecidos.
A preservação das condições de habitabilidade do Planeta é um dever de todos e de cada um de nós. Cumpra o seu dever, para benefício dos seus filhos e netos.

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terça-feira, 28 de julho de 2009

Crimes ambientais. Limpar Portugal

Segundo o relatório anual do Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente (SEPNA), a Guarda Nacional Republicana (GNR) registou 5877 denúncias de crimes ambientais em 2008, o que representa um crescimento de 23 por cento comparativamente a 2007, com 4513 ocorrências.

Isto revela "uma maior sensibilização do cidadão para as questões do ambiente", conforme refere o autor do relatório.

Estes, como muitos outros tipos de crime, exigem a denúncia de quem deles tenha conhecimento ou que deles tenha suspeitado por ter observado indícios. Cabe depois á autoridade a investigação e adopção de medidas adequadas previstas na lei.

Dentro do mesmo espírito, chama-se a atenção para o apoio a dar ao movimento Limpar Portugal que se propõe limpar a floresta portuguesa num só dia. A Natureza - o ambiente precisa de ser preservada e mantida no melhor estado de limpeza para, de forma sustentada, permitir a vida nas melhores condições.

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sexta-feira, 24 de julho de 2009

E as promessas, Senhor???

Prometer é fácil, o difícil é convencer as pessoas de que se trata de coisa séria e, mais difícil ainda, é cumprir aquilo que se promete. E quando se falha algumas vezes, deixou de se ter credibilidade.

Hoje, no Público, lê-se em título de artigo Governo executou apenas 13 por cento da despesa prevista no plano anticrise, isto é, do prometido, do planeado (merecia mais crédito do que o prometido) apenas foi cumprido cerca de 1/8 (um oitavo, a oitava parte!!!). Isto não beneficia a imagem de seriedade de quem faz promessas.

E já que não há realizações para agradecer os portugueses ‘agradecem’ promessas como diz o título de um post de 24 de Março de 2009.

E, pensando em tudo isto, acabamos por compreender que haja razões para o conflito confronte [PS e oposição no braço-de-ferro das contas públicas]. Certamente, deverá haver motivo para ocultar dados e números, para contrariar a propalada verdade e transparência, mas há que ter cuidado em mente que nos tempos de hoje os mistérios e as grutas escuras já dificilmente atraem incautos. Não será com escuridão ou mesmo apenas penumbra que se ganham votos.

No entanto tenham esperança porque na Natureza não há nada que tenha maior poder de atracção do que o vácuo. Só tem o inconveniente de, quando essa atracção tem efeito, ele desaparece, é uma conquista suicida!

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Um só-cretino

Em 27 de Abril, às 15:53, foi aqui publicado no post Liberdade de expressão em perigo um vídeo em que um responsável pela TVI expunha serenamente e com muita lógica e sequência de raciocínio o seu ponto de vista acerca de afirmações ameaçadoras do primeiro-ministro.

No mesmo dia, às 23:36 apareceu um comentário de um Leandro a criticar por serem apoiadas as palavras do homem da TVI. Muito estranhamente, uma hora e 11 minutos depois (em 28 às 01:07) apareceu o novo texto colocado por um Bernardo. Trata-se de duas máscaras de um anónimo que criou fichas na Blogger em Abril de 2009, com estes pseudónimos, possivelmente apenas para cumprir estes recados de que acabou por ser um mau cumpridor.

Antes de desistir da tarefa de que foi incumbido, no comentário colocado em 30 de Abril às 13:48, escreveu esta bela frase que transcrevo e sugiro aos leitores que apreciem as comparações nela feitas. Só falta comparar Sócrates a Deus que, a seu ver não chegará ao seu nível!

«Se defendo o PM, causando-me indignação as campanhas para o denegrir e crucificar, é por acreditar que ele é um raro exemplo de líder nacional e merece ser defendido. E é também por entender que o fundo dos nossos problemas não tem nada a ver com ele. O problema é connosco e reside no nosso inconsciente colectivo. Se passarmos os olhos pela nossa história, veremos que os construtores de Portugal foram pessoas do mesmo perfil e quilate de José Sócrates. Com a mesma têmpera, com a mesma energia, com a mesma coragem e com a mesma determinação e ousadia. Basta pensarmos em Afonso Henriques, em Nuno Álvares, agora feito santo, no Infante D. Henrique e no rei D. João II. E até no Marquês de Pombal. Todos eles com enormes defeitos, como bem sabemos, só que, diferente deles, o Sócrates vê a sua imagem permanentemente reflectida no espelho da opinião pública e a sua acção permanentemente escrutinada e avaliada pelos meios políticos e pelos media. Mas ainda bem! Mas é pena que esteja a ser combatido menos no terreno das ideias que no da maledicência. Tivesse o Infante vivido hoje, submetido a qualquer escrutino, Portugal jamais teria conquistado terras no além-mar e criado um império. Seria provavelmente uma simples província espanhola.»

Como este, poderá haver muitos mercenários que se prestam a estas missões.
Vale a pena estar atento a estas manobras sem vergonha nem escrúpulos. Estas comparações são uma ofensa de lesa Pátria. Mas o Leandro/ Bernardo, ao fim de pouco mais de dois dias e meio meteu a viola no saco e nunca mais apareceu. Mas ele aparecerá porque mantém as suas máscaras na Blogger.

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Responsabilidade democrática !!!

Efectivamente, a vida prática nem sempre se orienta pelos sãos princípios que serviram de apoio ao homem na senda do progresso desde a era da pedra lascada até ao século XXI. Hoje estamos em recessão financeira e moral, devido ao esquecimento de normas de conduta essenciais. Mas se a ignorância de valores sociais e éticos por parte dos assaltantes de ourivesarias e de outros marginais pode não surpreender muito, o mesmo não deve ser tolerado àqueles em quem o povo, detentor da soberania democrática, delegou poderes para governarem os interesses do País, dos seus habitantes.

Um delegado, um representante, sério deve manter o seu representado a par dos problemas existentes, das soluções adoptadas e dos resultados obtidos com a aplicação das medidas postas em prática. Para isso está instituído como dever da AR fiscalizar a actividade do Governo.

É, por isso, estranho que o Governo esteja a criar tantas dificuldades para tornar públicas as contas públicas e declarar o valor do défice. Isso gera dúvidas preocupantes que a ausência de informação credível amplia perigosamente. O que se passará dentro dos gabinetes governamentais e nos serviços públicos que tutela? No tempo do «Magalhães» em que tudo é fácil e rápido de computar, contabilizar, resumir e concluir, e havendo tantas centenas de doutos assessores pagos como craques de futebol, e tantos contratos de estudos e pareceres a gabinetes de profissionais amigos de confiança, como se poderá compreender tal dificuldade? O que existirá de tão tenebroso que tenha de ser ocultado de olhos indiscretos? E em democracia haverá olhos que possam ser considerados indiscretos? Onde está a tão falada transparência democrática?

Perante esta ocultação de dados, da forma como desempenham as funções que lhes foram confiadas, com que cara se apresentam a pedir votos à população que estão a desconsiderar e desrespeitar?

E não deixa de ter significado o facto de a oposição estar a usar o caso como munição de combate interpartidário, sem dar muita relevância aos fundamentos da Democracia e aos interesses das pessoas de quem esperam receber o voto no próximo acto eleitoral.

Haja verdade, franqueza, sinceridade, para se tornarem merecedores dos nossos votos, se é que se consideram competentes e eficientes para os merecerem.

Para os mais curiosos e desejosos de pormenores eis links de alguns artigos recentes da Comunicação Social.

PS rejeita avaliação extraordinária do défice público
Défice do Estado quase duplicou no espaço de um mês
Ministro garante que não há descontrolo das contas públicas
BE diz que o défice vai ficar muito acima do previsto
PSD quer saber “cálculo real do défice”
PS e oposição no braço-de-ferro das contas públicas

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Não aprendeu as lições do tempo

Olhar para trás com saudosismo é inútil e desgastante, mas se olharmos com intenção de retirar lições úteis para definirmos linhas de rumo é indispensável e proveitoso. O tempo, se bem aproveitado, é uma grande scola. Transcrição de artigo identificado.

Tempo é uma coisa tramada
José Pacheco Pereira, Visão, 20090722 e Povo

“Seria uma grande irresponsabilidade construir estes estádios que depois não fossem utilizados” (José Sócrates, 1999)

Na Internet, com origem no You Tube e continuação nos blogues, circula uma entrevista dada ao programa Hermann99 por José Sócrates, então jovem governante em vésperas de chegar a Ministro. Toda a entrevista é interessante, mas esta parte é ainda mais interessante porque se percebe muita coisa sobre as características políticas de José Sócrates, então já com mais de quinze anos de política na JSD e no PS e dois anos de experiência governativa.

É. O tempo é uma coisa tramada. E uma das coisas em que a trama do tempo nos trama é quando percebemos que nada mudou no que dizemos, mesmo quando nada do que dizemos tem (teve) alguma coisa a ver com a realidade. O que impressiona nesta entrevista é ouvir Sócrates falar exactamente na mesma, usando as mesmas expressões, o mesmo tom enfático, as mesmas palavras, os mesmos argumentos, o mesmo apelo a que o nosso desejo corresponda ao dele, a que o acompanhemos, a mesma tensão discursiva, com que fala hoje.

Na altura falava dos estádios do Euro 2004, hoje fala do TGV ou do novo aeroporto ou das novas auto-estradas. E diz exactamente o mesmo, sem tirar nem por. Pode-se retirar-lhe a palavra “estádios” do discurso e colocar TGV, que tudo o resto podia ser hoje. A única gigantesca diferença é que nós sabemos que tudo aquilo que ele disse dos estádios não se verificou, nem de perto nem de longe. Pelo contrário: o programa dos estádios criou uma série de abortos vazios, que não servem para ninguém e no qual se enterraram milhões de euros que ainda hoje pesam muito significativamente nos orçamentos autárquicos e na despesa pública. E pior ainda: nada do que ele disse sobre as vantagens do projecto dos estádios se verificou pelas mesmas razões que os críticos então apontaram, desperdício, gigantismo, despesismo, confusão de prioridades, obsessão do betão, e que é o mesmo que hoje é dito pelos críticos do megalómano projecto de grandes obras públicas do governo. Ou seja, Sócrates foi um dos responsáveis de um desastre económico (e não só ele, também muita gente do PSD) que já estava anunciado em 1999 e que ele recusou reconhecer e preparava-se hoje, se não fosse travado pelo Presidente da República e pela derrota eleitoral nas europeias, para fazer o mesmo.

É. O tempo é uma coisa tramada. Aquilo que parecia em 1999 uma ode ao desenvolvimento baseado no futebol - em Aveiro a “maior zona de requalificação” do país, os estádios “muito sofisticados” “com três estúdios para televisão pelo menos“, “criar novas centralidades”, “novas oportunidades” etc., etc. - e que se repetiu a propósito de muita coisa, dos gadgets como o “Magalhães” a falhanços como as Cidades Digitais e a Via CTT, nos anos da maioria absoluta até desfalecer em Junho de 2009, hoje parece muito frágil. Quando o ouvíamos em 2005, 2006, 2007, 2008, a falar da “revolução” que os seus projectos de desenvolvimento iriam trazer ao país, deveríamos ter tido mais memória do passado deste governante, mas falhamos no escrutínio do que já então era possível ter e que se devia ter. Sócrates vai falar do mesmo modo na sua campanha eleitoral porque ele não sabe fazer de outra maneira. É por isso que é bom voltar a estes videos com dez anos para o perceber melhor.

É. O tempo é uma coisa tramada.

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Economia com verdade ao serviço da caridade

Numa época em que estão muito esquecidos os valores da verdade, da solidariedade social da procura da perfeição, hoje mais designada por excelência, faz bem encontrar umas pílulas de sabedoria humana que levem as pessoas a olhar com mais atenção os outros do que o próprio umbigo. Por isso não quero perder a oportunidade de transcrever este artigo do Povo.

Verdade
João César das Neves

O Papa Bento XVI publicou há pouco a sua terceira encíclica. O tema não é espiritual, como compete a líder religioso, mas económico. Este facto é chocante. A economia é a coisa mais negativa, maldosa, suja do nosso tempo. Aí estão todos os escândalos, misérias e crises da actualidade. O passado temia bárbaros, pestes, feiticeiros; hoje o mal é financeiro, político, empresarial. Sobre isto, que tem a dizer um homem de Deus, um guia espiritual?

"O amor -«caritas»- é uma força extraordinária, que impele as pessoas a comprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justiça e da paz."(1).

Falar de caridade no meio da globalização e euforia bolsista, dos casos Madoff e BPN parece sarcasmo amargo. O Papa tem consciência do problema: "Estou ciente dos desvios e esvaziamento de sentido que a caridade não cessa de enfrentar (...) Nos âmbitos social, jurídico, cultural, político e económico, ou seja, nos contextos mais expostos a tal perigo, não é difícil ouvir declarar a sua irrelevância para interpretar e orientar as responsabilidades morais. Daqui a necessidade de conjugar a caridade com a verdade (...) A verdade há-de ser procurada, encontrada e expressa na «economia» da caridade, mas esta por sua vez há-de ser compreendida, avaliada e praticada sob a luz da verdade"(2).

A encíclica do Papa é uma visão nova e refrescante sobre os estafados debates do quotidiano. A solução que apresenta é simples: ser santo todos os dias: "Cada um encontra o bem próprio, aderindo ao projecto que Deus tem para ele a fim de o realizar plenamente"(1).

João César das Neves | naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

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quinta-feira, 23 de julho de 2009

Deputados no Reino Unido (e cá???)

Por estarmos num momento da vida nacional em que é conveniente meditar nestas coisas, transcreve-se do blog A Tulha do Atílio, com a devida vénia.

Os deputados ingleses, na Mãe dos Parlamentos:

1. Não tem lugar certo onde sentar-se na Câmara dos Comuns;
2. Não têm escritórios, não têm secretários nem automóveis;
3. Não têm residência (pagam pela sua casa em Londres ou na província);
4. Pagam todas as suas despesas, normalmente, como todo e qualquer outro trabalhador;
5. Não têm passagem de avião gratuita, salvo quando ao serviço do próprio Parlamento;
6. Tudo o resto tem de pagar de seu bolso;
7. E o seu salário equipara-se ao de um Chefe de Secção de qualquer repartição;
8. Em suma, são SERVIDORES DO POVO e não PARASITAS do mesmo.

Nota vinda da origem:
A propósito sabiam que, por cá, os funcionários que trabalham (???) na Assembleia da Republica têm um subsídio de 80% do seu vencimento? Porquê? Profissão de desgaste rápido (?!!) E porque é que os jornais não falam disto?

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Desperta, português

Transcrevo este texto de Maria Letra publicado ontem no Sempre Jovens, por conter um alerta para uma hipótese que não é despicienda, se for concretizada afecta todos os portugueses e já tem um antecedente em governo. Ouvi na rádio uma referência a ela PS.

Está na hora de despertarmos

Caros amigos,

Acabo de ter conhecimento através dum amigo, de que o PS, se ganhar as eleições, pensa retirar aos cidadãos o direito a férias pagas. Isto merece um texto meu, porque defendo a garantia de bens essenciais a cada cidadão, como referi num comentário que acabei de fazer aqui neste blogue.

A ser aplicado o 'roubo' desta regalia, no caso da formação dum EVENTUAL governo maioritário do PS, pergunta-se:

01. E os que não precisam dessa regalia para terem faustosas férias em hotéis de luxo, vão poder ao menos continuar a dar aos cidadãos que vão ter de ficar em casa, por não terem dinheiro para ir de férias, o prazer de verem os iates deles, pela televisão, a deslizarem, serenos, pelas praias do País?

02. E os que não vão continuar a usufruir de férias pagas vão, ao menos, poder continuar a assistir pela televisão às notícias sobre os roubos que certos ladrões, camuflados de gestores idóneos, cometem constantemente?

03. Ou a levarem os seus filhos à praia em autocarros ou combóios atulhados de gente na busca do seu direito a um espaço na praia, mesmo que o espaço na areia seja de 2 metros quadrados e o mar esteja impregnado de urina de quem se julga no direito de não ter de deslocar-se aos sanitários públicos (se existentes)?

04. Ou a ter a possibilidade de levar um farnelzito para toda a família, mesmo que com um simples garrafãozito de vinho medíocre, até ao parque mais próximo?

05. Ou irão poder ter o direito a ir ao médico tratar-se de todo o stress e desconforto psicológico que lhes dá o facto de terem de trabalhar, sem mudar de ares, todo o ano?

06. Ou terão estes, qualquer dia, a surpresa de passar a ser-lhes exigido pagar licença de TV?

07. Ou os ladrões já serão tantos que nem sequer sabem se o que recebem no fim do mês lhes vai ser retirado para pagar os buracos que eles fizeram na economia do País?

08. Ou o preço dos bilhetes dos transportes vai subir de tal maneira que já nem de casa podem sair, em dia de descanso?

09. Ou o ordenado deles vai ficar tão reduzido que já nem para o farnelzito dá?

10. E aos outros barrigudos indecentes, o que é que o governo lhes tirará? Um aumento de ordenado para que não possam comprar o último grito duma cadeira de rodas quando o peso da barriga já lhes tiver tirado o direito a caminharem?

E depois de tudo isto? Vamos continuar a dormir para não agravarmos a nossa depressão? Durmam, durmam e depois não venham queixar-se que dói porque, nessa altura, já nem os Serviços Médico-Sociais trabalharão de graça.

Maria Letra

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quarta-feira, 22 de julho de 2009

Bando numeroso de cigarras

O actual PR e o seu antecessor manifestaram de viva voz o interesse em que os portugueses tivessem mais apreço pelos políticos e que os jovens se sentissem mais atraídos pela política. Tratava-se de mensagens que os políticos deviam interiorizar e levar a sério, porque os efeitos de tais apelos apenas dependiam e dependem deles, do seu comportamento que deveria ser exemplar. Mas infelizmente para Portugal, o seu comportamento não é recomendável a qualquer modesto cidadão, a julgar pelas notícias de que são origem.

Vejamos:

Agora aparece a afirmação de que deputados deram mais de 6000 faltas durante esta legislatura, o que mostra que eles próprios provam ao país que a quantidade deles é superior às necessidades, há deputados a mais, o que aliás já por várias vezes foi comprovado por eles. Houve um dia em que apenas estiveram presentes menos de 50 dos 230 deputados, Os 170 que não compareceram estavam convencidos que eram dispensáveis. O problema é que muitos comungaram dessa dedicação ao ócio e à sua vida privada e havia leis para discutir e aprovar mas que, como não havia quórum, os 50 foram à AR debalde.

Uma formalidade ingénua porque, para a maior parte das votações há [disciplina de voto] e bastaria um voto qualificado do chefe da bancada que valeria tanto como o conjunto dos deputados do seu partido, que são obrigados ao voto estabelecido. Nas assembleias de condomínios em que há fracções de valor diferente usa-se esse sistema do voto ponderado.

Mas não fica por aqui a originalidade dos nossos políticos, daqueles que nos andam a procurar captar o voto para o mês de Setembro. Passam uma legislatura toda para votarem apenas dois terços das leis e chegam ao fim e têm [dois dias para votar um terço das leis]. Meditem bem os eleitores que beleza de leis irá sair do trabalho de cruz desses dois dias. O actual Presidente da República já chamou atenção para a necessidade de maior cuidado na elaboração das leis, que muitas vezes pecam pela falta de qualidade. Algumas nunca chegam a ser regulamentadas, outras são letra morta logo à nascença, outras recebem emendas sucessivas, dificultando o seu conhecimento integral por quem as devia cumprir. O original e as sucessivas emendas só servem para justificar o trabalho dos advogados e encher-lhes as estantes por, em vez de terem duas ou três folhas, acabam por ter um grosso dossier, onde perdem horas a surfar e nomadizar à procura do teor actual de um artigo. Esta notícia mostra que todo aquele bando de cigarras decidiu mascarar-se de formigas, mas fê-lo de forma tão tosca que não engana ninguém.

Um outro caso curioso é o rato parido pela montanha da Comissão Parlamentar de Inquérito ao BPN, que depois de tantas horas investidas e tantas pessoas ocupadas terminou num relatório que evidencia a noção que os deputados têm da isenção partidária, do rigor e do sentido de justiça quando estão em jogo situações que podem ser menos elogiosas para figuras gradas dos seus partidos. Ai de quem não tem amigos no Poder! (Recordem-se do General Amadeu Garcia dos Santos no caso da corrupção que detectou na extinta Junta Autónoma das Estradas e que punha em causa gente do Partido no Governo)

E queixam-se que ganham pouco. Para aquilo que fazem ganham demais, segundo o critério de qualquer trabalhador por conta doutrem. A propósito, vale a pena recordar dois discursos muito interessantes no momento da posse do presidente da AR João Bosco Mota Amaral que substituiu António Almeida Santos. O primeiro a falar foi este que defendia a necessidade de prestigiar os deputados e apontava para isso a solução de lhes aumentar os ordenados. A seguir Mota Amaral defendeu também a necessidade de prestigiar os deputados e que isso deveria ser conseguido através de uma maior dedicação às suas funções com a produção de leis melhores e mais rigorosas e impecáveis. Enquanto um se focava no mercenarismo, o outro assentava o seu argumento no culto da excelência, modernamente muito em voga nas melhores empresas e instituições.

O culto dos valores éticos e do sentido de Estado ainda precisa de bons retiros espirituais.

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Não se pode confiar

A confusão é geral. Na proximidade das eleições e havendo intenção de reduzir a abstenção, seria de esperar que os senhores da política dessem ao povo uma grande sensação de segurança, se confiança das entidades que gerem os destinos do País. O respeito hierárquico, formal, deve corresponder a um sentimento de confiança nas pessoas e nas instituições. Mas acontece o contrários: os políticos não se respeitam e colocam dúvidas sobre tudo o que os organismos fazem, escrevem ou dizem. Sobre isto, vale a penas ler «Ministro das Obras Públicas discorda de conclusões do Tribunal de Contas». Poderá acreditar-se em alguém?

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Aprender as lições

O denominado Ocidente, tradicionalmente considerado o pólo de desenvolvimento nos seus vários aspectos, está a necessitar de rever os seus comportamentos por forma a não se deixar ultrapassar por Estados que tem considerado menos desenvolvidos.

Há lições chegadas de tais Estados que devem ser devidamente ponderadas e adoptadas como modelos, após a conveniente adequação às condições reais locais. Os exemplos são numerosos. Cito apenas alguns dos casos mais recentes

No Peru o ex-presidente Alberto Fujimori foi agora condenado a sete anos e meio de prisão em Lima, por um delito de corrupção ocorrido durante o seu mandato, entre 1990 e 2000, anunciou o tribunal. A condenação de Fujimori faz recordar as ocorridas na Coreia do Sul em Agosto de 1996 dos ex-presidentes Roh Tae-Wu a 22 anos de prisão e de Chun Doo Han à morte, ambos por corrupção. Estes casos constituem pontos reflexão obrigatória para o mundo civilizado.

Porém em Portugal já é admitido por pessoas bem conhecidas na política, na Justiça, na Comunicação Social, etc., que existe corrupção e enriquecimento ilícito por parte de políticos ligados ao poder central a ao autárquico, mas pouco se fala em legislar com eficácia para fazer face a tal cancro e muito menos em julgamentos de pessoas com poder (mesmo que apenas mediático).

Desde os ex-governantes ligados ao caso BPN, a empresas com capital do Estado ou autárquico, a casos de licenciamentos anormalmente rápidos em relação à vulgaridade das situações, constam na imprensa muitos casos que dão origem à convicção generalizada de que em Portugal os crimes de pessoas que usam gravata ficam impunes, salvo raras excepções como a de João Vale Azevedo.

Outra lição a aprender pelo Ocidente é a que vem do Japão em que o primeiro-ministro japonês, Taro Aso, dissolveu o Parlamento nipónico e convocou eleições antecipadas para 30 de Agosto (40 dias depois), prevendo-se uma grande alteração no panorama político do país. Ao contrário desta rapidez de processamento, em Portugal, as eleições legislativas e as autárquicas rotineiras, programadas, previstas há muitos anos (as do Japão foram inopinadas) foram marcadas com quase três meses de antecedência. Isto mostra a lentidão sonolenta dos portugueses e o seu gosto (mau) pelo espectáculo pois, com isso, vão passar todo este tempo em «festa» de propaganda partidária, monopolizando a Comunicação Social e descurando a resolução dos verdadeiros problemas que preocupam as pessoas.

Um outro assunto a ponderar é a reacção da UE ao caso hondurenho que vem mostrar o compadrio dos governantes com os colegas de outros povos, numa duvidosa conivência na defesa dos poleiros, mesmo que a saída tenha sido pacífica e moralmente justificada e correcta. A Comissão Europeia anunciou o congelamento de um apoio de 65,5 milhões de euros às Honduras, na sequência do golpe militar que depôs o Presidente Manuel Zelaya, a 28 de Junho, e depois de o líder do Governo entretanto instituído, Roberto Micheletti, ter recusado uma proposta para a criação de um Governo de unidade liderado por Zelaya. Esta posição europeia evidencia o que foi referido aqui e mostra o conceito polémico de que todos os detentores do poder, mesmo que corruptos, autoritários, absolutistas, desonestos, devem ser apoiados incondicionalmente contra os legítimos interesses dos povos. Neste aspecto a condenação de Fujimori e as ocorridas na Coreia do Sul em Agosto de 1996 dos ex-presidentes Roh Tae-Wua 22 anos de prisão e de Chun Doo Han à morte, todos por utilização do poder em benefício próprio, não devem cair no esquecimento dos políticos honestos.

Um outro caso que mostra uma má visão da situação do mundo e do seu futuro desejável, tendo em atenção as pessoas e o seu relacionamento pacífico, é o anunciado aumento dos efectivos do exército americano em 22 mil soldados. Havia esperanças de que as repetidas violência contra a humanidade que os EUA provocaram ou neles se envolveram, tivessem como resultado uma análise sobre os custos das guerras em vidas humanas de pessoas inocentes e em gastos em prejuízo do bem-estar da população, de património cultural, histórico e económico, e que daí se tivesse concluído pela prioridade a dar à diplomacia para conversações, negociações na resolução de atritos e de conflitos de interesses internacionais. Pelo contrário, acentua-se o perigo de o poder do complexo industrial militar» que Eisenhower previa e contra o qual alertou os americanos. Com forças armadas mais poderosas, maior será o risco de intervenções injustificadas e desastrosas como foram as levadas a cabo no Vietname, na Sérvia, na Somália, no Iraque, no Afeganistão e outras de menor volume, pela África, como na Líbia e no Sudão.

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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Números, brinquedos de que os políticos abusam

Transcrição de texto recebido por e-mail, sem identificação de autor nem da origem, mas que evidencia o à vontade com que os políticos usam e abusam dos números desde as estatísticas até aos lugares na fila de espera para os cargos desejáveis.

E querem que votem neles!...

Na negociação com António Costa, Helena Roseta conquistou o segundo lugar na lista para a Câmara de Lisboa.

Mas logo António Costa veio desfazer a conquista, afirmando que o número dois da lista não seria o número dois na Câmara, já que o número dois na Câmara seria o Arquitecto Manuel Salgado.

Todavia, o arquitecto Manuel Salgado, que não é número dois na lista, mas é o número dois na Câmara, nunca será o número um da Câmara, se António Costa bater a asa para outras paragens. Aí, o número um da Câmara, disse-o Costa, será um socialista de cartão, que não será nem o número um, nem o número dois da lista.

Portanto, temos um candidato em segundo, mas que nunca será segundo, nem sabemos se será quarto, sexto ou décimo, e temos um segundo que nunca poderá chegar a primeiro. E podemos ter um primeiro, que nem é segundo ou terceiro.

Nestes jogos florentinos, pedem o voto dos cidadãos, dizendo que querem servir Lisboa, mas vão-se servindo a si próprios. Como podem gerir Lisboa, se nem uma lista escorreita conseguem apresentar?

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Candidato ecológico

Embora nem sempre tenha achado interessantes algumas das suas intervenções, considero que a recente promessa de Filipe Menezes não usar cartazes na sua campanha autárquica deve merecer o apreço dos eleitores do seu concelho.

Num momento em que está em marcha o movimento Limpar Portugal, a que todos os portugueses esclarecidos e com noções de civismo devem aderir a fim de remover o lixo actualmente existente pelo País e evitar a produção e dispersão de mais, não usar cartazes é uma forma de combate contra a poluição visual e a provocada pelos pedaços de papel que acabam por se desprender e cair pelo cão. Por outro lado, se tal medida, fosse seguida pelos outros candidatos, poupar-se-ia uma quantidade de árvores e de vegetação por o fabrico de papel ser feito com o sacrifício da floresta.

Na época da informática e da Internet será mais ecológico transmitir mensagens esclarecimentos e programas através de meios digitais que nada ferem a Natureza. E hoje só uma estreita franja da população não tem acesso à Internet, directamente ou por intermédio de familiares e amigos.

Por tudo isso, o candidato autarca está de parabéns e merece toda a consideração e ser apontado como exemplo a seguir na protecção do ambiente e da Natureza. (Ver o popst Há horas felizes).

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domingo, 19 de julho de 2009

Lula é um espanto…

Por vezes encontram-se funções muito complexas e de grande responsabilidade em que o diploma académico não tem importância decisiva, sendo mais marcante a sensatez, a serenidade reflexiva e a capacidade de sobreviver (tipo rolha de cortiça, lembram-se?). É o caso do Presidente Lula da Silva. Também por cá, temos industriais de sucesso como Rui Nabeiro, Soares da Costa, irmãos Amorim e, certamente, outros.

Os teoremas da alta matemática e as fórmulas químicas mais complexas, bem como as conclusões a que chegaram grandes pensadores da gestão ou da Economia não são necessários na prática diária de grandes decisões. Pessoas sem estudos de alto escalão, a quem a sensatez ajuda a serem comedidos e evitarem as tiradas intelectualóides «pour épater le bourgeois», a contratarem especialistas bem preparados e sem vaidades e a saberem dialogar com eles, não terão motivos parta conflitos insuperáveis. A sua superioridade de inteligência, de sageza e de bom senso será reconhecida pelos diplomados que os apoiam.

Lula da Silva, reconhecido por todo o mundo como líder político de grande mérito, é exemplo daquilo que consta desta apresentação do artigo do Diário de Notícias que a seguir se transcreve

O que é que Lula tem?
DN. 090719. por Vanessa Rodrigues

Em seis anos de Presidência do Brasil, Lula da Silva continua com uma imagem intocável, um apoio popular maioritário, imunidade contra sucessivos escândalos e acaba até de arrecadar o Prémio UNESCO de embaixador da paz. Nunca o Brasil teve um presidente assim.

Quando, em Abril deste ano, o Presidente norte-americano, Barack Obama disse, num círculo restrito de líderes mundiais, que Lula da Silva "é o político mais popular da Terra", seguido de um gracejar descontraído: "Esse é o homem! Adoro-o!", o Presidente do Brasil, apesar de tímido como uma criança bem-comportada, sabia que o elogio, dito assim no pódio da elite de estadistas internacionais, significava que tinha entrado para o clube restrito dos políticos mais influentes do mundo.

Não é por acaso: Lula foi o primeiro chefe de Estado a encontrar-se com Obama, então ainda Presidente recém-eleito dos Estados Unidos. Há poucos dias, vimo-lo a entregar uma camisola da selecção brasileira de futebol ao homólogo norte-americano e Obama pediu-lhe que o ajudasse a mediar o conflito com o Irão. Agora a UNESCO acaba de lhe entregar o prestigiado prémio de embaixador da paz mundial, o Félix Houphouët-Boigny (caixa).

O que mais surpreende os cientistas políticos é que, no sexto ano de mandato como Presidência da República, a imagem de Lula já deveria ter sofrido "desgaste". Pelo contrário. "Lula, quando faz certo, acerta, quando não faz nada, também acerta, e quando faz algo errado, sai intocável", analisa o cientista político Paulo Baía, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

"Para a maioria da população, ele é uma pessoa generosa que apoia até os políticos em más alturas, como no caso da crise no Senado", diz. Nas sondagens de Baía, ficou "evidente que as pessoas se identificam com ele", como se espelhasse os desejos e as frustrações de todos, por isso não o recriminam. Sem diploma universitário, ex-metalúrgico e ex-sindicalista, Lula dá erros de português, faz metáforas com o futebol e passou fome. "Coisas que só pobre entende", disse Lula na campanha de 2006, quando discursava no interior de São Paulo.

"A maior transformação que o Presidente Lula trouxe para o Brasil, e que o faz ter ainda uma aceitação incrível na sociedade brasileira, é essa capacidade de ser um conciliador nacional", conta Baía ao DN. "Ele afastou-se um pouco da esquerda do PT [Partidos dos Trabalhadores], para ser centro." E o Brasil nunca teve um estadista do centro. "Lula concilia interesses antagónicos e promove os pactos políticos negociados. Com ele a democracia acontece." E com um presidente mais livre do partido, nota o cientista político Murilo Aragão, "a política brasileira aproxima-se a passos largos de um processo de americanização", à semelhança do norte-americano Franklin Delano Roosevelt, que venceu quatro eleições seguidas, mantendo--se na Casa Branca entre 1933 e 1945, proeza nunca mais repetida em Washington. Além de "conciliador nacional", Lula é o mediador da América Latina. Portanto, também o pode ser num contexto internacional e Barack Obama sabe-o.

Essa imagem de um Lula carismático chegou a seduzir o realizador João Moreira Salles no documentário Entreatos, sobre a corrida às eleições de 2006. Ele disse que teve de se afastar para conseguir alguma isenção. Lula também cativou a brasileira Ana Schneider, consultora ambiental. Arrependeu-se do voto. "Com tanta corrupção nestes últimos anos, é uma vergonha." Aliás, foi essa "cegueira" de Lula que a revista britânica The Economist criticou esta semana: a "capacidade de fechar os olhos ao escândalo quando lhe convém". Ao mesmo tempo que protege os políticos, ele pede aos órgãos que "investiguem", mas isso, conta Baía, reforça a imagem de conciliador intocável, com 80% de aceitação.

Quando pressionado com escândalos, Lula diz simplesmente: "Eu não sabia", que é aliás uma característica do "lulismo", isto é, o modo de governação do estadista brasileiro.
E, afinal o que é que Lula tem? Baía arrisca: "Um pragmatismo como ninguém."

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Discutir para decidir

Depois do post Pensar antes de decidir, encontrei hoje num artigo de opinião do Correio da Manhã, que transcrevo, a mesma ideia aplicada ao funcionamento dos partidor políticos, num momento em que se torna urgente rever as prioridades, e enfatizar o esforço de esclarecer a população por forma a permitir aos eleitores votar em consciência no dia das eleições. Esse esforço produziria também nos políticos um melhor conhecimento real da situação e aprender a separar o essencial do secundário.

O artigo não permite salientar uma ou outra frase porque todo ele é sumo. É uma lição condensada, intensa, densa em que nada se pode desperdiçar. Vale a pena ser lido principalmente pelos decisores políticos.

Discutir para decidir

CM. 19 Julho 2009, por João Vaz

Desde criança que todos nós cultivamos admiração por quem clama "O rei vai nu!" O conto infantil tradicional tem uma lição poderosa: o pensamento dominante cobre muitos embustes; e é difícil alguém levantar-se contra o estabelecido.

O contributo para o debate político lançado com assinaturas de 25 intelectuais traz um alerta necessário. Nas campanhas eleitorais aposta-se muito mais no marketing do que no esclarecimento.

Portugal, que já tem uma das menos diferenciadas alternativas partidárias, com PS e PSD a evocarem o mesmo tipo de preocupações sociais e igual cartilha económica, encontra-se carente de debate político. São muitas as experiências frustrantes de cidadãos que se vêem rejeitados quando tentam discutir os problemas do País nas instâncias partidárias. Ficam fora porque não há tempo para discutir ideias. Passa sempre à frente a urgência de tratar da atribuição de um qualquer lugar público.

Não se discute políticas antes de se decidir escolhas. E é grave que isto seja assim. Recentemente, vimos como se queimou a hipótese Jorge Miranda para provedor de justiça ao pôr o nome da pessoa à frente do acordo partidário. Resta saber se o clamor "o rei vai nu!" pega no Verão. É que, agora, o fresco é o mais desejável. Mas é urgente encontrar o hábito e a organização para discutir política. Política mesmo, não só nomeações.

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sábado, 18 de julho de 2009

Corrupção tem que ser combatida

Se pesquisarmos neste blog sobre «corrupção» deparamos com uma grande quantidade de posts que a ela se referem. É certo que, da forma como tal negócio se processa, não é fácil a um terceiro provar que ela existiu, mas isso não elimina as dúvidas que qualquer cidadão pensante possa ter, até porque os sintomas exteriores são tão referidos, desde o mais simples aldeão até aos mais conhecidos políticos, que algo se passa com certeza. Dizia uma conhecida jurista que grande parte dos políticos é oriunda de famílias pobres e, pouco tempo depois do ingresso na política, passa a ser dos mais ricos do País.

Segundo o Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC) "as áreas da contratação pública e da concessão de benefícios públicos contêm riscos elevados de corrupção" e, por isso, pede um plano de gestão de riscos. Sobre este ponto, o engenheiro e ex-deputado João Cravinho, que já tinha proposto esta medida, defende que a política é a área central a visar.

Cravinho propôs no Parlamento, há três anos, uma medida muito semelhante àquela que é agora avançada pelo Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC). Mas o assunto está longe de ser encarado a sério, de forma a conseguir resultados eficazes na cura desta lepra social. Um dos motivos por ele apontado é que a "corrupção administrativa é de segunda ordem face à corrupção política". E quanto a esta "o poder político recusa-se obstinadamente a reconhecê-la, quanto mais a agir". O poder político, com a «ética» que lhe rege o comportamento, não está interessado em legislar contra si próprio, não vai, por seu gosto, matar a galinha dos ovos de ouro.

O ex-deputado Cravinho diz de forma clara que "a corrupção é hoje um fenómeno sistémico e não individual, é um fenómeno em rede que tem como ponto essencial a dimensão política". E neste plano foram feitos apenas "alguns retoques, para deixar tudo na mesma".

O carácter «sistémico» do fenómeno mostra que não surgiu agora, é alimentado por uma burocracia asfixiante criada e sustentada com uma desconfiança sádica em relação aos cidadãos e bem patente na aprovação por unanimidade de todos os grupos parlamentares da lei de financiamento dos partidos em que sobressaía o dinheiro vivo, constituindo uma porta aberta para cobertura ou conivência na lavagem de dinheiro sujo. Uma falta de consciencialização para a gravidade do «fenómeno», no aspecto do interesse nacional e da moralidade e da ética.

De entre os artigos consultados, deixam-se os seguintes links:

Combate à corrupção tem de ir ao ponto essencial
A ocasião faz o ladrão

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sexta-feira, 17 de julho de 2009

Há horas felizes

Este título era o refrão usado por um vendedor de lotaria que aparecia entre nós, estudantes, na primeira metade da década de 50 e com o qual pretendia que nós comprássemos uma cautela para termos uma hora feliz.

Mas nem só a lotaria ou o moderno euromilhões nos fazem felizes, pois há outros factores incomensuravelmente importantes. Tive há pouco uma hora feliz de que certamente os colegas do Sempre Jovens se aperceberam, embora não tenham medido a extensão.

Mas eu passo a narrar o sucedido.

Há menos de duas semanas publiquei umas reflexões sob o título Que futuro teremos? que deram origem a uma muito interessante troca de comentários. Nesse texto defendia a esperança de que o mau estado em que o País e o mundo se encontra irá terminar por acções de moralização vindas das camadas mais jovens. Mas nem todas as pessoas partilham dessa esperança e fui discretamente apelidado de utópico patológico, porque a juventude está a crescer num ambiente doentio herdando os vícios e as manhas da sociedade actual.

É certo que isso não me destruiu a esperança por a ter criado com base em argumentos e sentimentos sólidos, mas teria sido mais agradável sentir uma coluna mais densa de seguidores.

Entretanto o amigo Luís, publicou no Sempre Jovens um o post Como limpar um país em horas.... que constava de um vídeo que mostrava como a Estónia se viu livre dos lixos espalhados pelos terrenos florestados, tornando estes mais em conformidade com a Natureza. E ao ver esta actividade tão positiva, talvez um pouco influenciado pelas críticas negativas à minha esperança «utópica» atrás referida, não esperei que surgisse uma iniciativa semelhante por cá, e logo lancei a ideia de fazer algo parecidoa mas em moldes mais rudimentares e simplistas, sem pretender resultados absolutos, no que tive um apoio muito interessante e que ficou definida no post da Fernanda Ferreira transcrito no post Vamos limpar Portugal e no poema de Maria Letra transcrito em Limpemos o caminho que pisamos.

Mas e é aqui que se baseia o título deste texto num dos muitos comentários apareceu o de Elvira Carvalho a informar que o mesmo objectivo está a ser demandado por um grupo de jovens familiarizados com a informática e a Internet e possuidores de saber sobre organização que está a agir para ter Portugal limpo em 31 de Outubro.

Não é um movimento concorrente e rival, mas sim convergente para a mesma finalidade ao qual presto sincera homenagem e agradeço na minha qualidade de português, e ofereço a minha colaboração naquilo que for possível e mais conveniente.

Neste momento tem 451 membros e qualquer pessoa pode inscrever-se, depois de consultar o site Limpar Portugal, e o e-mail é projectolimparportugal@gmail.com.

O grande desejo que nos move é que todos os portugueses adiram e forneçam todo o apoio que puderem. PORTUGAL FICA AGRADECIDO.

Está assim concretizada a força da mudança que previa no post Que futuro teremos?. Depois da poluição física, virá inevitavelmente a limpeza da poluição moral e social nas formas de corrupção, enriquecimento ilícito, peculato, etc de que hoje a imprensa fala em
Falhas de controlo das entidades públicas abrem porta à corrupção , Ana Gomes diz que "nunca existiu vontade política" no combate à corrupção , Inquérito confirma riscos de corrupção e em Sanções "agravadas" para gestores que não apliquem plano anti-corrupção.

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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Limpemos o caminho que pisamos

Limpemos o País onde vivemos

Abram-se de par em par todas as portas
A quem quiser entrar, com o seu valor.
Os nossos corações, cheios de esperança,
Querem viver num País com mais Amor.
Juntemos todos num mesmo movimento,
Gritemos à união em alta-voz.
Ergamos no País, um monumento
Em homenagem à Paz e a todos nós.
Meus amigos, companheiros nesta luta,
Para erguê-lo precisamos duma mão,
Com a força poderosa dum elefante
E a persistência, arguta, dum leão.
Temos em nós tudo isso. Oh se temos!
Somos capazes de transportar montanhas.
A História bem conhece o nosso povo,
Por brilhantes descobertas e façanhas!
Comecemos por limpar todo o terreno,
Que pisamos com mágoas e incertezas.
Façamos deste gesto um'obra de arte,
Devolvamos ao País suas belezas.
Juntemos forças, façamos desta obra
Uma lição, um exemplo a não 'squecermos.
Limpemos o caminho que pisamos,
É um começo para melhor vivermos.
E depois de tudo limpo, meus amigos,
Mudemos as marés e as tempestades.
O futuro que queremos, para todos,
Depende de milhões de boas-vontades.
A minha eu darei de corpo e alma.
Espero bem, de ti, a mesma abnegação.
Temos de sobreviver à negligência
E ao desprezo d' alguns pela Nação.

Maria Letra

NOTA: Este texto de Maria Letra foi publicado no blogue Sempre Jovens e constitui uma bela modalidade de reforçar a campanha anunciada no post Vamos limpar Portugal, a qual atingirá o deu ponto máximo em 8 de Novembro mês em que serão tomadas universalmente posições bem visíveis em defesa do ambiente e da conservação do Planeta Terra.
É bom sublinhar que será necessário que todos e cada um colaborem na eliminação dos lixos espalhados por todos os recantos do País. Devemos legar aos nossos descendentes um território nas melhores condições de habitabilidade.
À amiga Maria Letra desejo que nunca reprima a sua vocação para a poesia e que a utilize na defesa de boas causas, como é esta.

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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Vamos limpar Portugal

Recebemos notícia de uma operação de limpeza do lixo disseminado pela superfície da Estónia, levada a cabo por toda a população que teve efeito em poucas horas, vejam como-limpar-um-pais-em-horas, postado há dias pelo amigo Luís.

Efectivamente, vivemos num lindo planeta, mas estamos a destruí-lo todos os dias.
Há lixo em todos os lugares; praias, cidades, florestas e até nos oceanos.


É preciso limpar o nosso País. Para isso é indispensável a colaboração de todas as pessoas, organizações e comunidades para concretizar esta ideia e encontrar parceiros confiáveis, nas autoridades, nas empresas com meios adequados para este efeito.

Não se trata de acção política, eleitoral, mas se os partidos quiserem, desde já, entrar nessa operação, que deve ser permanente, só terão vantagem aos olhos do povo.

Será útil a colaboração voluntária das pessoas, quem empreste equipamentos, transportes e os “midia” que estimulem os voluntários.

O grande dia de encerramento da operação será 8 de Novembro e, então,quando finalmente o País estiver limpo, será uma expansão da alegria para os portugueses, ao gosto local, conforme a disponibilidade de autarquias e organizações da região.

E será bom que daí se conclua que será mais fácil não poluir, não espalhar lixo, entulhos e escombros.

Esta mensagem deve ser difundida por todos os portugueses, e em cada Freguesia e Concelho, devem ser organizadas as acções mais adequadas, tendo sempre em vista o benefício que daí resultará para o ambiente e para as pessoas.

Aceito as vossas propostas que podem ser, e certamente serão, muito diferentes.

* Trabalho feito em conjunto com os amigos João e Luís. Contamos com a participação activa de todos os colaboradores e leitores.
Fernanda Ferreira

Este post é a transcrição feita do blog Sempre Jovens e tem a intenção nele bem descrita. Pede-se a colaboração de todos os portugueses conscientes, de boa vontade, quer individualmente quer através das organizações ou instituições a que pertençam.

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A comunicação social

Há a história do Rei que mandava matar o mensageiro para eliminar a notícia. Há a frase tapar o o sol com uma peneira e o caso do miúdo que exclamou «o rei vai nu». O jornalista está espelhado nestas imagens. Se diz a verdade que conhece pode ser acusado por incómodo, mas para lançar a boa imagem tipo propaganda é idolatrado, bajulado e muito querido'.
Os maiores escândalos nacionais. Os processos que foram motivo de mais conversas só existiram porque a comunicação social trouxe à luz do dia os respectivos crimes. Por isso, não podem ser ignorados quando se pretende a transparência democrática. Nestas condições, tem aqui lugar o artigo seguinte.

Essa coisa chata chamada comunicação social
DN. 090715. por João Miguel Tavares

Eu, que faço parte dessa terrível agremiação a que se costuma chamar "comunicação social", pergunto-me se haverá algum mal do país do qual esteja inteiramente inocente. Segundo as altas patentes da nação, a resposta é negativa. Fazendo uma breve compilação das suas queixas concluímos que o aumento do crime violento se deve ao excesso de cobertura do crime violento.
Que os sucessivos desastres na justiça se devem à falta de respeito pelo segredo de justiça.
Que os resultados das últimas eleições europeias se deveram à proliferação de sondagens falsas nos jornais e nas televisões.
Que o declínio da popularidade do primeiro-ministro se deve ao Público e à TVI.
Que os casos no futebol se devem ao excesso de programas sobre futebol e de diários desportivos.
E agora - esta confesso que nunca tinha ouvido - parece que os maus resultados nas provas de Matemática se deveram ao facto de a comunicação social ter andado para aí a dizer que os exames eram favas contadas, convidando os alunos portugueses - conhecidos pelo consumo frenético de notícias - a um ócio que se revelou trágico. Pelo andar da carruagem, só falta mesmo Maria de Lurdes Rodrigues vir queixar-se de ter deixado queimar o arroz do jantar de sexta-feira por causa de Manuela Moura Guedes.

Lembram-se daquele desagradável "chega para lá" da ministra da Educação aos jornalistas na noite das eleições europeias, à porta do Hotel Altis? Ele é sintomático da relação atribulada da senhora com a comunicação social, que é transversal a todo o Governo mas particularmente visível no Ministério da Educação. Não se trata aqui de defender a inocência angelical dos jornalistas. Quem já foi alvo de notícias - e eu fui-o recentemente, por causa do processo de José Sócrates - sabe que em metade dos casos há erros, citações enviesadas, imprecisões irritantes. Decerto que um ministro sente isso na pele, e nem sempre será fácil gerir situações que os próprios interpretam como grandes injustiças.

No entanto, eu também fui editor da secção de Sociedade deste jornal durante os primeiros anos do Governo Sócrates, e na altura o ministério de Maria de Lurdes Rodrigues batia todos os recordes de indelicadeza na sua (má) relação com os media. Os jornalistas telefonavam aos assessores de imprensa com as dúvidas mais singelas - da aclaração de um qualquer decreto à tentativa de obter uma reacção - e o que invariavelmente recebiam do outro lado era o silêncio ou a má educação. Ou seja, há ali um evidente problema cultural, uma dificuldade manifesta em lidar com o trabalho dos jornalistas, que me parece indesculpável - para não dizer patológica. É uma pena que não se vendam comprimidos de democracia nas farmácias. Quando as dificuldades apertam, há quem precise mesmo muito de os tomar.

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terça-feira, 14 de julho de 2009

Votar em quem???!!!

No artigo do Correio da Manhã de 11 do corente Um raciocínio lógico Emídio Rangel expõe ideias que não trazem nada de novo mas estimulam algumas reflexões.

Diz que «É completamente óbvio que o CDS, com valores na ordem dos 6%, e o PCP, com resultados que não ultrapassaram os dois dígitos, não podem ambicionar tal lugar», referindo-se ao cargo de primeiro-ministro. A afirmação de que os resultados do PCP «não ultrapassaram os dois dígitos» só pode ser um lapso sem relevância, provavelmente, motivado por distracção, pois para ultrapassar os dois dígitos, os resultados teriam que ser, no mínimo, 100%.

Mas do artigo ressalta a ideia de que a melhor, mais lógica opção dos eleitores seria a escolha entre dois partidos, os que já vêem alternando as maiorias, por vezes absolutas, ou se têm traduzido em arrogâncias, autoritarismo com sintomas patológicos de ditadura a prazo. Mas a isso há que opor que nada na Natureza nem nas organizações se traduz na escolha entre preto e branco em monotonia fastidiosa. Os eleitores são livres e ninguém lhes deve reduzir essa liberdade, de votar no partido cujo programa e propostas estratégicas nos diversos sectores mais lhes agradarem tendo em vista o futuro de Portugal, isto é, dos portugueses actuais e vindouros. Um partido que hoje é pequeno ou recém-formado pode amanhã vir a constituir o Governo de que Portugal vem precisando e não tem tido. A proposta pode corresponder ao chamado «voto útil», o que é um oportunismo mercantilista, iludindo o conceito de democracia.

Uma outra reflexão é que tecer conjecturas à vida nacional com base na quantidade de votos, é utilizar a lógica de contagem de pontos para os campeonatos de futebol. É a politiquice, a política com letra minúscula, que ignora ou procura esquecer que a Política com maiúsculas é a ciência e a arte de governar o Estado, cujo principal pilar é a população, as pessoas que usam o BI português e aquelas que cá residem, mesmo que temporariamente. E se o raciocínio for encaminhado segundo esta lógica, não há que olhar para os líderes mais faladores ou fotogénicos, mas para os que apresentem propostas mais equilibradas e adequadas a um Portugal melhor, que se mostrem mais dialogantes, sensíveis aos problemas das pessoas, capazes de procurar e obter pareceres e opiniões em qualquer sector da sociedade, com vista a decidir de forma mais ajustada ao futuro que mais convém para Portugal, para os portugueses.

Com estas reflexões, pode não ser trazido nada de extraordinário, mas procura-se inserir mais clareza no tema do artigo referido e nas palavras aqui expendidas em diversos posts ao longo de mais de dois anos e meio.

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AR palco de cena impúdica

Assim Vai o Meu País

A Assembleia da República
É palco de cena impúdica,
Que pode ver-se em TV.
O Português já não crê
E começa a criticar
Quem 'stá lá, em seu lugar,
P'ra defender seus direitos.
Os cidadãos, contrafeitos,
Vêm morrer seu país,
De caruncho na raiz.
Lá dentro, uma palhaçada
De gente, nada engraçada,
Brinca co'a boca do lobo,
'squecendo a força do povo
Que, cansado desta cena,
A sofrer, com muita pena,
Não acredita em conversas
De tendências bem diversas,
Do seu tema principal:
A injustiça social.
Porque esta farsa de estado,
No qual se sente afundado,
É composto de pessoas
Que são tudo, menos boas
P´ra governar Portugal.
Assim, será bem normal
Que se levante uma onda
De protestos que, sem conta,
Vão acabar por punir,
Quem insistiu em dormir,
Em vez de lutar com garra,
Contra esta gente, bizarra,
Que só pensa no seu tacho
E faz do povo um capacho.

Londres, Julho 2009
Maria Letra

NOTA: Este poema foi-me enviado agora pela autora, inspirado pelas notícias da demissão de Manuel Pinho e por outras que chegam que chegam com mais frequência do que as desejadas. Falta a ironia suave, discreta e literária de que nos fala Eça de Queiroz e as anedotas do tempo de Churchill.

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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Ambições vs. Direitos Humanos

POSSO?

Grita, grita à vontade.
Tens razão, já é demais.
Nem parece verdade,
Milhões e milhões aos ais!

Sofrer sem culpa e com dor!
Inocentes... mas que pena!
Viver sem paz nem amor,
Injustiça, crueldade, horror!

Gananciosos, malditos,
Invasores. canalhas.
Importância para ricos!
Direitos humanos sem valor!

Eles e suas leis a seu jeito.
Por isso querem poder.
E muito povo já sem leito
Obedece sem querer.

Abaixo os imbecis.
Abaixo guerras e agressões.
Abaixo os convencidos
Que são donos das nações!

Ambiciosos, querem poder,
Pois percam as ilusões.
O Mundo há-de vencer
E tirar-vos as razões.

Milai

NOTA: Foi publicado pela autora no blog Sempre Jovens e constitui um grito de alerta contra guerras e agressões e um apelo para maior respeito pelos Direitos humanos e mais harmonia e justiça social no mundo.

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Férias difíceis para Sócrates

Meses difíceis de gerir são o futuro imediato do PS, o que exige uma análise perfeita das realidades nacionais, uma estratégia muito cuidadosa da campanha eleitoral e um filtro adequado nas palavras dos militantes mais espontâneos, como Santos Silva, Lello e Vitalino. Qualquer palavra menos ajustada pode fazer ruir o castelo de cartas a montar meticulosamente. O caso Elisa Ferreira foi objecto de um alerta oportuno de Rui Rio no início da campanha para o PE, mas o PS fez ouvidos de mercador usando da sua b+habitual arrogância, mas agora acordou, fora do momento próprio, levantando mais desunião partidária. A candidata, certamente, só ocupará um dos cargos e o «boy» que o partido quer obsequiar terá então oportunidade de ser premiado.

É um assunto que irá gerar confusão tal como as palavras pouco claras acerca de Alegre. E além disso, surge agora o «chumbo às obras públicas» que bem podia ser evitado se a decisão tivesse assentado num estudo correcto das reais necessidades do País, bem explicado à Nação, sem arrogância, sem imposição, sem termos de teimosia como o «jamé». E o resultado é que o povo, discordante, pode e deve manifestar no voto o seu direito de soberania.

Mas melhor do que as minhas palavras, é a pena experiente da jornalista, pelo que transcrevo o seguinte artigo do Jornal de Notícias.

O Verão Quente que José Sócrates terá de enfrentar
JN. 090713. ISABEL TEIXEIRA DA MOTA

Os factores externos às campanhas eleitorais voltarão a sentir-se. Mas será que a Oposição os vai aproveitar?

O Verão político será marcado pelas campanhas partidárias que já estão nas ruas. A crise, a gripe, os incêndios e a insegurança têm tudo para "aquecer" o debate. Três sociólogos analisam os temas no quadro do período eleitoral que se avizinha.

A campanha eleitoral começou. José Sócrates multiplica-se em contactos com a sociedade civil para tentar ouvir e interpretar o sentir do eleitorado. Manuela Ferreira Leite prepara o programa eleitoral nos fóruns Portugal de Verdade. Paulo Portas, Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã desdobram-se em acções de rua.

O JN interrogou três sociólogos sobre o impacto que os temas da criminalidade, crise internacional, gripe e incêndios terão nas campanhas políticas num verão que seguramente não será igual aos outros.

"A marca da campanha terá em linha de conta o que foi o último ano: uma fricção muito forte de todos os partidos da Oposição contra o Governo", salienta o sociólogo Paquete de Oliveira.
Sente-se um clima de "forte sentido de confrontação", aponta o investigador do ISCTE, reconhecendo que os temas da crise, da gripe, da criminalidade e dos incêndios florestais podem tornar-se "perturbadores" caso tenham uma "evolução negativa".

O sociólogo José Leite Viegas destaca "o aproveitamento" que os partidos da Oposição poderão fazer do evoluir dos acontecimentos nos próximos meses. "Os temas de campanha estarão muito dependentes do aproveitamento que a Oposição fizer", declarou ao JN. Exemplo: "há um sentimento de insegurança latente na sociedade que pode tornar-se explícito em face de casos mediáticos e aí a gestão política será complicada em período pré-eleitoral".

Outro exemplo: "a crise está cá, mas se as empresas aproveitarem as férias para fecharem as portas e não abrirem mais, isso causará um problema político ao Governo que a Oposição não vai deixar passar".

"Não é de excluir que os partidos queiram cavalgar essa onda", adverte, na mesma linha, André Freire, sublinhando que "são temas recorrentes, mas a época é que é especial". "Seria de esperar em Agosto um arrefecimento dos temas políticos", sustenta, até pelo forte sinal de"cansaço" que o país manifestou nas Europeias.

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Sentido de justiça

A par do sentido de Estado, os políticos, bem como também os cidadãos normais, precisam de ter sentido de Justiça e este prima pela ausência até, por vezes, nos próprios tribunais, como se pode concluir em «O arguido incómodo» onde é citado o caso da incapacidade do tribunal em manter Isaltino presente para ouvir a acusação, caso que faz lembrar as faltas de respeito ao Juiz por Ferreira Torres e o que tem ocorrido com Valentim e Felgueiras.

Embora um amigo muito crítico não goste dos escritos de Mário Crespo e embora este tome posição partidária neste artigo o que é contrário à linha editorial de isenção pretendida neste blogue, transcrevo «Basta» para ficar aqui a feliz comparação de atitudes no estrangeiros e o que se tem passado por cá, na AR em caso semelhante. Cá, quem ofendeu não foi a Ar mas o indivíduo interrogado.

Basta

JN. 090713. por Mário Crespo

Simultaneamente com a Comissão Parlamentar sobre o BPN decorreu em Washington o inquérito do Congresso às irregularidades de gestão das grandes empresas financeiras americanas que tinham levado à crise. Logo aqui, a premissa de partida para as investigações americanas demarcou-se diametralmente da Assembleia da República.

Em Portugal, assumiu-se que os problemas no BPN decorreram da crise. A actuação desregulada e criminosa dos gestores pode estar a custar aos contribuintes dois mil milhões de euros subtraídos a hospitais, lares e escolas, mas, pelo relatório do BPN, não contribuiu para as dificuldades financeiras do país, que seriam só culpa da crise internacional.

Numa das mais emblemáticas sessões da Comissão americana (18 Março, 2009) foi chamado a Washington Edward Liddy, o presidente do maior grupo segurador do Mundo, o American International Group. Em plena crise, a AIG tinha distribuído prémios aos seus quadros.

Stephen Lynch, congressista de Massachusetts, perguntou iradamente a Liddy se não "tinha vergonha na cara". Liddy respondeu que o estavam a ofender ao questioná-lo nesses termos. O parlamentar respondeu-lhe que a intenção era mesmo ofendê-lo, porque ele era o responsável por uma imensa ofensa ao património do povo americano.

Chegou a altura de nos inspirarmos na vitalidade da prática secular de democracia na América e dizer que os relatores do inquérito ao BPN não tiveram vergonha na cara. E dizer mais: que a maneira brutal como as conclusões do relatório foram impostas, pela lei esmagadora dos números ainda que rejeitadas por toda a Oposição, constitui um claro alerta para os riscos que corre a democracia em Portugal. É um sinal gritante ao eleitorado para não repetir o erro cometido há quatro anos e passar, finalmente, a utilizar o voto como arma rectificadora de um sistema político imaturo e venal, como tem mostrado ser o português. É um aviso para os riscos desta maioria e um aviso para os riscos de maiorias destas. A Comissão Parlamentar sobre o BPN ouviu durante meses relatos de anos consecutivos de uma actuação predadora dos bens de depositantes que confiaram num sistema bancário regulado e garantido pelo Estado.

Durante o inquérito, leram e ouviram descrições de como os politicamente poderosos obtiveram lucros espantosos em situações questionáveis. Dos juros de cento e muitos por cento que o professor Cavaco Silva e família receberam às empresas falidas compradas por Dias Loureiro por milhões que desapareciam das contas em vendas fantasma. A fiscalização deste mercado de loucos estava (está) entregue a um alto quadro socialista. O Partido Socialista concluiu agora, quatro meses e dois mil milhões de euros depois, que ao longo dos anos de saque o Banco de Portugal do antigo secretario-geral socialista tinha exercido a sua fiscalização de forma "estreita e contínua" (pags. 214 e 215 do Relatório Parlamentar ao BPN). Por absurdas que sejam estas conclusões, elas foram lavradas em documento da Assembleia da República, que é o que fica para a história como o relato dos representantes eleitos pelos portugueses da maior roubalheira de sempre na finança nacional. O relatório está feito. Por imoral que seja, vamos ter de viver com ele. Compete ao eleitorado garantir que para a próxima legislatura não haja condições para se repetir uma afronta destas.

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domingo, 12 de julho de 2009

Cessem armas, guerras e agressão

Gentalha... p'rá batalha... mas eles que fiquem na fila da frente

Deixem-me gritar e clamar bem alto,
Por milhões de seres vivendo em dor,
E cujo sofrimento eu exalto,
Fiel, que sou, à força do AMOR.

São já milhões os pobres inocentes,
Em sofrimento atroz por tanta guerra,
Com o recurso a armas tão potentes,
Que podem destruir a própria terra.

Disputas de interesses, de ganância,
Invadiram sistemas, em nações,
Para os quais nada serve a importância
Dos direitos humanos, sem excepções.

São valores que procuram camuflar
Com estudadas leis, feitas a seu jeito,
Contudo, esse tratado a respeitar,
Não é uma coisa vã ..., é um direito!

Cessem as armas, guerras e agressão,
Provocadas por gente que se diz
Detentora da força da razão,
Mas não passam dum molho de imbecis.

E se querem lutar, que sejam eles
Os primeiros da fila, essa gentalha.
Façam esta opção, que é menos reles,
Voltem de novo às lutas, por batalha!

NOTA: Desta poesia é autora a amiga e colega do Sempre Jovens, Maria Letra. Foi publicada no SJ de onde foi transcrita, pela sua força como grito de alerta contra as armas, as guerras e as agressões.
Este grito de alerta devia ser bem ouvido pelos responsáveis que, no tocante a guerras, mais parecem irresponsáveis e inimputáveis, pois os milhões de mortos feridos e despojados dos seus haveres, por exemplo no Iraque (o caso mais recente) não são «lavados» por qualquer processo de raciocínio ou justificação lógica.
Quem ganhou com este morticínio, com o desgaste de património histórico, cultural e artístico e os haveres das pessoas? Só os industriais de armamento e equipamento militar e os dos combustíveis.
O mundo não pode continuar a ser imolado impunemente por estes ambiciosos sem a mínima sombra de escrúpulos e que agem com a cobertura de políticos, ditos democráticos, eleitos por cidadãos que agem estupidamente como ovelhas ao elegê-los para dirigentes dos destinos dos seus Estados.
O mundo tem que mudar urgentemente.
A este tema, de forma mais ou menos directa se referem, entre outros, os seguintes posts deste blog:

- ONU, crise e paz internacional
- A Paz no Mundo será possível?
- Dia Internacional da Paz
- A Paz pelas conversações
- Paz pela negociação
- Conversações em vez de Confronto
- Para evitar conflitos armados
- Guerra a pior forma de resolver conflitos
- Negociação em vez de guerra

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Promessas até ao fim

O IP2, que vai ligar Celorico da Beira a Macedo de Cavaleiros, atravessa o Rio Douro no Pocinho e os estudos em curso ainda não permitem concluir qual a melhor solução, se aproveitar as passagens existentes ou fazer uma nova. Porém, o Governo garante que não vai atrasar a conclusão da via.

Oxalá que a pressa a imprimir às obras, não cause futuros transtornos como os agora conhecidos nas na zona da barragem da Aguieira - Pontes do IP3 precisam de obras – para o que devem ser bem revistos os projectos e bem fiscalizadas as obras de construção e analisadas as características da água e das massas de betão para evitar o «envelhecimento precoce» e outras maleitas possíveis.

O dinheiro público deve ser bem gerido e não gasto de ânimo leve por mero capricho ou teimosia apressada por eleições.

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Mistérios no ajuste directo?

Os ajustes directos, sem concurso público, sem transparência, sem garantias de defesa dos interesses do Estado (Nação politicamente organizada), têm efeitos muito positivos para as empresas» ou indivíduos contratados e eventualmente para os outorgantes por eventuais «atenções» que possam receber ou vir a receber.

Mas não há a mínima garantia de o Estado receber uma qualidade de serviço correspondente ao dinheiro despendido, ou a despender com as habituais derrapagens consentidas pelos representantes do interesse público no contrato.

As notícias surgem com demasiada frequência o que não deixa de causar preocupações aos cidadãos mais atentos. Agora veio a público (ver aqui e aqui) que os serviços de consultadoria dos sistemas de informação do recenseamento eleitoral, foram contratados a uma empresa por ajuste directo em Fevereiro de 2008, pela Direcção-Geral da Administração Interna – Administração Eleitoral (DGAI-AE), e estão sendo notadas irregularidades não explicáveis numa época em que a informática permite um controlo rigoroso na acção de coligir os dados para os cadernos eleitorais.

São também referidos dois aspectos irregulares que continuam por resolver conforme críticas feitas pela CNPD: a base de dados estar sediada no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e ainda o facto de a empresa informática, de Coimbra, ter acesso a dados reais do recenseamento. A utilização das instalações do SEF faz lembrar a FCM que, sendo também particular, funciona em instalações do MOP.

Não é o primeiro caso de ajuste directo e cito de memória a adjudicação dos contentores de Alcântara, o negócio mediatizado do «notebook» Magalhães, a adjudicação às empresas de águas, de resíduos sólidos e outras em muitos concelhos, a compilação de legislação no ministério da Educação.

Surgem sempre dúvidas quando se depara com imbricações pouco claras entre servidores públicos e empresas que contratam com o Estado, principalmente quando nestas há interesses de políticos ou ex-políticos e seus familiares e ou amigos. Tudo seria mais claro com a utilização de concursos públicos abertos a todos os potenciais concorrentes.

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sábado, 11 de julho de 2009

Pontes do IP3 precisam de obras

Segundo notícia com este título, cinco pontes do IP3, na zona da Barragem da Aguieira, de construção relativamente recente, carecem de obras nos pilares. «Segundo a análise feita por especialistas, com o acompanhamento de técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), o problema foi detectado nos pilares que estão em contacto com a água, atacados por uma espécie de "envelhecimento precoce", que tem origem na conjugação da fraca qualidade do betão utilizado na construção e da composição da água.»

Esta notícia sugere várias dúvidas sobre as quais se esperam esclarecimentos de comentadores afectos ao Poder que por aqui surgem ocasionalmente com insinuações nada clarificadoras sobre os temas.

Como se justifica que ainda existam pontes romanas com utilização segura enquanto estas precisam de obras após poucos anos de existência?
Como foi feita a fiscalização do projecto e da construção, em interesse do «dono da obra», que não verificou a má qualidade da construção?
Qual a idoneidade e o sentido da responsabilidade dos fiscais? Que interesses provocaram a sua eventual negligência?
No que respeita à «conjugação da fraca qualidade do betão utilizado na construção e da composição da água», parece nada haver de imprevisível, pois tanto um factor como o outro eram determináveis no momento do projecto e da construção. Isto faz pensar qual seria a derrapagem dos custos e dos prazos da obra, o que pode levar a concluir por eventual conivência ou cumplicidade de construtor, dos fiscais e da entidade pagadora.

Estas dúvidas sugeridas por um raciocínio lógico e preocupado com os prejuízos para o Estado e, mais directamente, para os utilizadores da via, merecem ser esclarecidas com meticulosidade. Por outro lado, o facto de esta situação ter sido detectada durante a elaboração do caderno de encargos para a construção da auto-estrada Coimbra-Viseu, pode ter a ver com o interesse em justificar custos mais elevados para esta via.

Quando há dúvidas, são exigidos esclarecimentos transparentes que nada deixem na penumbra.

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Obama e o Irão

Obama enfrenta um desaire iraniano

“Manifestamente, Londres está ansiosa por sair de cena o mais rapidamente possível, e espera que tudo possa voltar ao que era antes com o Irão. Obama tem pela frente um desafio muito mais complexo. Não pode imolar Brown e tem de se aproximar do Irão. O desafio que está diante de Obama não é apenas o regime iraniano não ter vergado, mas o facto de ele ter mostrado uma incrível resistência”.
M K Bhadrakumar* - 06.07.09

Agora, Twitter já pode voltar ao seu plano de suspensão dos seus serviços no Irão e entrar em manutenção. Twitter entra em recessão, satisfeito por ter, provavelmente, envergonhado uma potência regional ressurgente. O governo dos EUA deve um enorme favor a Twitter por ter feito algo onde, nas últimas três décadas, todos os seus restantes estratagemas de guerra e paz fracassaram.

No entanto, as histórias persas têm finais muito compridos. O regime iraniano apresenta todos os sinais de estar a cerrar fileiras e a organizar-se perante o que classificou como uma ameaça existencial ao sistema Vilayat-e faqih (governo do clero). Inclusivamente, se os EUA e a Grã-Bretanha quiserem desistir da sua desagradável altercação com Teerão, o que seria muito sensato e lógico, pode ser que este último não o consinta.

O Supremo Líder, o Ayatola Ali Kamenei, utilizou uma significativa expressão persa para caracterizar os funcionários europeus e estadunidenses, e sublinhou que o chão sobre o qual se pára «suja-se». Inevitavelmente deixou claro que Teerão não esquecerá facilmente as mentiras em catadupa que os EUA, e particularmente a Grã-Bretanha, lançaram nas últimas semanas para manchar o seu crescente prestígio regional. Numa advertência velada, Kamenei afirmou: «Alguns responsáveis europeus e estadunidenses, com as suas observações idiotas sobre o Irão, falam como se os seus próprios problemas (leia-se Iraque e Afeganistão) estivessem todos resolvidos e como se não houvesse outros assuntos para além do Irão».

O Irão teve uma história tortuosa, sobrecarregada com o que o presidente Barack Obama dos EUA lembrou no seu discurso do Cairo: «a tensão foi alimentada pelo colonialismo que negou direitos e oportunidades a muitos muçulmanos, e uma Guerra-Fria em que, amiúde, se utilizavam os países de maioria muçulmana como peões, sem ter em conta as suas próprias aspirações». Ao longo das últimas três décadas, a «linha vermelha» para Teerão foi sempre uma tentativa estrangeira de impor uma mudança de regime. Essa linha foi agora violada.

O establishment iraniano da segurança começou a aprofundar cada vez mais o que na realidade sucedeu.

Gholam Hussein Mohseni Ejehei, o poderoso ministro da inteligência, afirmou que, com base nos dados existentes, houve uma tentativa concertada de incitar os distúrbios por parte de potências mundiais, «incomodadas por um Irão estável e seguro», e conspirações para assassinar dirigentes iranianos.

As afirmações não corroboradas não colhem. Mas nos próximos dias e semanas irão surgir perguntas pouco confortáveis. Há dúvidas sobre a misteriosa morte de Neda Aqa-Soltan. Novamente, nos mortos incluíam-se oito bem treinados milicianos Basiji. Quem os matou? E certamente, quem dirigiu a carga da brigada ligeira?

É uma parte pouco conhecida da história na contagem regressiva até ao golpe anglo-estadunidense em Teerão, em 1953, contra Mohamed Mossadegue, que foi a Agência Central de Inteligência (CIA) quem perdeu o valor do que é justo quando estavam a ser montadas protestos de rua em Teerão – misteriosamente semelhantes aos recentes distúrbios – e foi o posto avançado da inteligência britânica em Chipre, quem coordenou toda a operação, manteve-se firmemente, forçou o ritmo e terminou por criar um facto consumado para Washington.

Em todo o caso, Teerão não larga a Grã-Bretanha – «a mais traiçoeira das potências estrangeiras», para usar as palavras de Kamenei. Dois diplomatas acreditados em Teerão foram expulsos, e quatro empregados iranianos da embaixada britânica continuam detidos para interrogatórios. Tudo isto, apesar das enérgicas declarações de Londres que não intensificou nada nas ruas de Teerão. Uma declaração do Foreign Office em Londres alegou que o que incentiva o primeiro-ministro Gorden Brown é programa nuclear do Irão, e não a sua indignação pelos direitos cívicos ou a morte de inocentes.

Manifestamente, Londres está ansiosa por sair de cena o mais rapidamente possível, e espera que tudo possa voltar ao que era antes com o Irão. Obama tem pela frente um desafio muito mais complexo. Não pode imolar Brown e tem de se aproximar do Irão. O desafio que está diante de Obama não é apenas o regime iraniano não ter vergado, mas o facto de ele ter mostrado uma incrível resistência.

O regime cerra fileiras

Corria o boato que o desconcertante silêncio do ex-presidente Akbar Hashemi Ransajani se devia ao facto de ele estar a conspirar na cidade sagrada de Qom e a questionar o mandato de Kamenei. Não é verdade. Domingo, Rafsanjani tornou pública uma declaração de apoio a Kamenei, ond se nota a inconfundível forma de entendimento:

«Os acontecimentos que ocorreram depois da eleição presidencial foram uma complexa conspiração tramada por elementos suspeitos, com o objectivo de criar uma ruptura entre o povo e os establishment islâmico e levá-lo a perder a sua confiança no sistema [Vilayat-e faqih]. Tais confabulações foram sempre neutralizadas quando o povo vigilante entrou em cena», disse Rafsanjani.

Elogiou Kamenei por alargar a acção do Conselho de Guardiães ao ampliar o prazo durante cinco dias para estudar os temas relacionados com a eleição e eliminar ambiguidades: «Esta valiosa acção do líder para restaurar a confiança das pessoas no processo eleitoral foi real», sublinhou Rafsanjani. Numa reunião aparte, na passada quinta-feira, com uma delegação de membros do Majlis (Parlamento), Rafsanjani disse que o seu afecto a Kamenei é «infinito», que goza de uma estreita ligação com o Supremo Líder e que cumpre plenamente com o Velayat-e faqih.

Sábado, o Conselho de Conveniência, dirigido por Rafsanjani, apelou aos candidatos derrotados a que «respeitassem a lei e que resolvessem os conflitos e as disputas através dos canais legais». Entretanto, quer Moshen Rezai, candidato da oposição e ex-chefe do Corpo de Guardas da Revolucionários Iranianos, quer o ex-presidente do Majlis, Nateq Nouri, o principal pilar da política iraniana, também se reconciliaram.

A realidade é que Mir Hussein Mousavi está isolado. Fazendo orelhas moucas aos reparos de Mousavi, o Conselho de Guardiães ordenou uma recontagem parcial de 10% das urnas de voto, escolhidas aleatoriamente em todo o país, perante as câmaras da televisão estatal. A recontagem confirmou, segunda-feira à tarde, o resultado de 12 de Junho e informou o Ministério do Interior que «o Conselho de Guardiães, depois de examinar os problemas, rejeita todas as queixas recebidas, e aprova a correcção da 10ª eleição presidencial».

A recontagem de 2ª feira mostrou um ligeiro aumento dos votos do presidente Ahmadinejad na província de Kerman. A Mousavi, agora, resta-lhe a pouco segura opção de recorrer à «desobediência civil», mas não o fará – para consternação de comentaristas ocidentais a quem, ao que parece, ele impressionou como o «Gandhi do Irão».

Se o vaticínio era que o presidente do Majlis, Ali Larijani, parecia prometedor como potencial líder dissidente, também prognóstico foi desacreditado. Segunda-feira, quando se dirigia à reunião do comité executivo da Organização da Conferência Islâmica, em Argel, Larijani atacou a política dos EUA por «interferir» nos assuntos internos dos países do Médio Oriente. Aconselhou Obama a abandonar esta política: «essa mudança será benéfica tanto para a região como para os próprios Estados Unidos».

O governo de Obama tem de tomar algumas decisões difíceis. Obama foi obrigado a endurecer a sua posição pelas críticas permanentes e pela pressão montada por redes anti-iranianas e poderosos lobbys ocultos no Congresso dos EUA e na classe política – aparte os círculos do establishment da segurança, que tem contas velhas a saldar com o Teerão mas têm um abominável historial de erradas interpretação das vicissitudes da política iraniana.

A mudança dessa posição monolítica será um processo difícil e politicamente embaraçoso. Ela requer uma enorme habilidade como estadista. O melhor resultado será Washington fazer uma pausa e renovar os seus esforços de aproximação ao Irão, depois de um intervalo decente.

Parece pouco provável que nas próximas semanas tenha lugar um diálogo significativo. Entretanto, mesquinhices como a recusa de visto para a visita a Nova Iorque do vice-presidente iraniano Parviz Davoudi a fim de participar na Conferência das Nações Unidas sobre a crise económica mundial não ajudam até porque Davoudi é um defensor de perspectivas económicas liberais. Também não ajudará a provável decisão dos EUA de continuar pelo caminho das sanções contra o Irão na próxima reunião do G8, em Trieste, Itália, de 8 a 10 de Julho. Em Maio, o Irão ultrapassou a Arábia Saudita como maior exportador de petróleo do Golfo Pérsico.

Em suma, o governo de Obama andou às cegas, depois de um magnífico começo ao encarar frontalmente a situação das relações com o Irão. Como argumenta o conhecido político e comentarista Leslie H Gelb no seu novo livro: «Power Rules: How Common Sense Can RescueAmerican Foreign Policy», Obama tinha uma opção: «utilizar o modelo líbio, através do qual Washington e Tripoli puseram as cartas na mesa e trocaram-nas de forma muito satisfatória».

O Irão fará represálias

O ambiente regional também só pode dar vantagens ao Irão. O Iraque continua num equilíbrio perigoso. O destino dos EUA no Afeganistão vai de uma provável derrota a como evitar uma derrota. A Turquia distanciou-se da posição europeia sobre os recentes acontecimentos no Irão. O Azerbeijão, o Turquemenistão, o Afeganistão e o Paquistão saudaram a vitória de Ahmadinejad. Moscovo acabou por concluir que o regime não estava ameaçado.

A China emerge como «ganhador» absoluto ao avaliar correctamente, desde o primeiro dia, as correntes subjacentes da política revolucionária do Irão. Pequim nunca antes tinha expressado tão abertamente uma inquebrantável solidariedade com o regime iraniano, rejeitando as pressões ocidentais. Nem a Síria, nem o Hezbollah no Líbano e o Hamas em Gaza mostraram qualquer inclinação para se afastarem do Irão.

É verdade que os vínculos da Síria com a Arábia Saudita melhoraram nos últimos seis meses e Damasco saúda as recentes tentativas de aproximação do governo de Obama. Mas longe de adoptar a agenda saudita ou estadunidense para com Teerão, o ministro dos Estrangeiros sírio, Walid al-Moallem, questionou a legitimidade dos protestos de rua em Teerão.

E advertiu quando as ruas de Teerão presenciavam os distúrbios: «Quem apostar na queda do regime iraniano será um perdedor. A revolução islâmica [de 1979] é uma realidade profundamente arreigada no Irão», e a comunidade internacional [leia-se EUA] deve conviver com essa realidade. Do mesmo modo, o êxito de Saad Hariri como recém primeiro-ministro do Líbano – e a estabilidade geral do país – dependerá da sua reconciliação com os rivais aliados da Síria e do Irão.

Tendo em conta todas as circunstâncias, houve uma crise política em Washington. O paradoxo é que o governo de Obama negociará agora com um Kamenei que está no auge do seu poder político das suas duas décadas como supremo líder. Quanto a Ahmadinejad, agora negociará a partir de uma posição de força sem precedentes.

Ahmadinejad não deixou quase nada em aberto para outras interpretações quando declarou em Teerão no sábado: «indubitavelmente, o novo governo do Irão terá uma atitude mais decisiva e firme para com o Ocidente. Desta vez a resposta iraniana será mais dura e mais decisiva» e levará a que o Ocidente lamente a sua «atitude intrometida». Não restam quaisquer dúvidas que Teerão não responderá através do Twitter.

* M K Bhadrakumar foi diplomata de carreira da União Indiana, tendo prestado serviço, entre outros países, na ex-URSS, Alemanha, Paquistão e Turquia.

Este texto foi publicado em www.atimes/Middle_East/KG01Ak03.html em 30 de Junho de 2009.
Tradução de José Paulo Gascão

NOTA: As origens do actual Irão estão no antigo Império Persa, fundado em 539 a.C. por Ciro, O Grande. A invasão árabe, em 635 da nossa era, trouxe consigo a conversão dos seus habitantes ao islamismo. Depois da invasão turca no século XI e dos mongóis no século XIII, recuperou a independência, passou por várias dinastias e no século XIX foi cenário de dis+puta entre o Reino Unido e a Rússia que, em 1906, dividiram o território em áreas de influência, cabendo aos ingleses explorar o petróleo, s~descoberto em 1908. Em 1921 o general Reza Khan derrubou o í~´ultimo sultão Kajar coroando-se Xá em 1926, com o nome de Reza Shah Pahlev. Em 1935, um decreto real mudou o nome do país para Irão. Em Janeiro de 1979 o Xá Mohamed Reza Pahlevi abandonou o país que entrou na procura de novo rumo sob grande influência dos Ayatollas que exercem um forte poder religioso.

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