domingo, 21 de fevereiro de 2010

Tragédia evitável na Madeira???

Aproveitamento de post do «Mentiroso» no blog Democracia em Portugal, ao qual foram feitas algumas alterações de pormenor. Espero que o autor me perdoe o atrevimento, e deixo o link para os interessados na leitura do seu post o poderem apreciar.

A cidade do Funchal, na Madeira, está a ser vítima de temporais, inundações e deslizamento de terrenos devido às grandes chuvas de ontem de madrugada, sendo já confirmados 32 mortos e incalculáveis prejuízos.

Infelizmente, não é uma catástrofe natural inevitável, mas apenas uma das consequências do mau ordenamento do território. Efectivamente, se a pluviosidade ou outros acontecimentos naturais do género são inevitáveis, é possível com uma acção permanente de prevenção e de rigor nas obras de saneamento e urbanização reduzir significativamente as suas consequências. Isso tem sido demonstrado por todo o mundo. Ainda que num grau bastante inferior, constata-se a diferença observada em Lisboa aquando de grandes chuvas. Antes dos trabalhos adequados e necessários terem sido efectuados, algumas zonas, como a da Baixa (que pseudo-intelectuais, iletrados pedantes, cheios de «auto-estima», agora chamam de pombalina, como se houvesse outra), Cais do Sodré / Av. 24 de Julho, Benfica, Av de Berna/Praça de Espanha, tinham inundações enormes logo que chovia um pouco mais.

Os problemas do Funchal são bem conhecidos desde sempre. O temporal de 1993 foi um dos que causaram maiores estragos. O governo regional, constituído por indivíduos nascidos e criados nas ilhas está perfeitamente consciente dessa possibilidade de catástrofe. No entanto, não fez o suficiente, em quantidade e qualidade, para a evitar. Ou melhor, fingiu fazer. Tanto que disso tem sido permanentemente acusado. O chefe do governo regional respondeu às acusações de agora dizendo que se a cidade do Funchal não desapareceu por completo foi devido às canalizações feitas nas ribeiras. Só que demonstraram não ser suficientemente adequadas.

Governo e autarquias deviam prestar mais atenção à salvaguarda das vidas dos cidadãos. As obras necessárias deveriam ter sido projectadas, efectuadas e controladas por gente competente, com menos burocracias e mais rigor e não de ânimo leve, mas com contratados impolutos sem corrupção. Não se libertam da suspeita, que muitos consideram certeza, de parte do dinheiro investido nas ditas obras ter sido gasto em trabalhos insuficientes e mal feitos, outra parte usada literalmente na corrupção e o restante para outros objectivos que davam mais votos.

No entanto, mesmo com tais inconvenientes, a Madeira é a segunda região nacional mais desenvolvida mas, apesar disso, o governo exige que o dinheiro que o país deveria dar a outras regiões mais necessitadas lhe seja destinado. É de toda a moral e justiça que ele seja utilizado com o máximo rigor com utilidade para a prevenção de catástrofes como esta, atendendo às condições climáticas e á orografia da ilha.

Devido a tal falta de rigor e competência nas condições de segurança e prevenção, aconteceu que, só desta vez, tenham perdido a vida 32 pessoas e tenha sido destruída propriedade de altíssimo valor ainda não calculado, tudo evitável em grande parte. A falta de realismo dos políticos produz estas infelicidades para inúmeras famílias e a redução das receitas da principal actividade da ilha, o turismo. O futuro próximo nos dirá que os culpados por negligência e incompetência ficarão impunes, como de costume.

Mas ao menos que a população aprenda a apreciar o desempenho dos seus eleitos e que pressione estes a reflectir no ditado «Mais vale prevenir do que remediar»

16 comentários:

A. João Soares disse...

Madeira/Mau Tempo: Elevam-se para 38 as vítimas mortais do temporal

JN. 100221. 08h47m
Funchal, 21 fev (Lusa) -

O secretário regional dos Assuntos Sociais, Francisco Ramos, disse hoje à Agência Lusa que o número de vítimas mortais da tempestade que assolou a Madeira eleva-se para 38 pessoas.
"Temos 38 mortes mas este numero não está ainda totalmente contabilizado", admitiu.
"Vamos continuar a prospeção de corpos, estamos à espera das equipas que vêm do continente para continuar a trabalhar no terreno", disse.

A. João Soares disse...

A confirmar o conteúdo deste texto surge a seguinte notícia no Diário e Notícias

Erros urbanísticos que agora se pagam muito caro

Fernanda disse...

Querido amigo João,

É absolutamente incrível...
Não sabia ainda desta notícia mas só faz sentido.
Ouvi ontem na televisão a explicação do jornalista que já indicava nesse sentido... mas francamente isto é imperdoável, logo na terra do Jardim, para onde vão os nossos milhões que ele esbanja até com futebois e outras porcarias tais.

Obrigada pela completíssima informação, bem haja.

Beijinhos

A. João Soares disse...

Querida Amiga Ná,

O mal é geral por todas as autarquias. Não têm a sensatez de estabelecer prioridades e acabam por gastar o dinheiro em rotundas e outras coisas menos necessárias e deixam por resolver problemas graves que podem trazer consequências trágicas.
Depois há a incompetência, a corrupção e o desleixo dos fiscais que fecham os olhos a coisas erradas. E isto para não apontar o dedo aos engenheiros que fazem os projectos em miniatura que não respondem depois ao fim que se destinam.
Ribeiras canalizadas por baixo de uma zona urbana devem ter o diâmetro que suporte as piores cheias. Em Cascais em 1968 (salvo) erro o túnel da ribeira, além de estreito, entupiu com árvores arrastadas pela água e a parte baixa foi muito danificada.
Também há pouco respeito pelo chamado «leito de cheia» de rios e ribeiros, que exige ausência de construções nas margens até a uma certa distância. A água e a sua liberdade de movimento deve ser respeitada e não pode ser contrariada, porque ela acabará sempre por passar, mas provocando prejuízos que podem ser dramáticos.
Os responsáveis devem ser pessoas sensatas e não pensarem apenas em votos.

Beijos
João

Mentiroso disse...

Muito obrigado pela reedição e pelas adjunções apropriadas e úteis. Só há uma que eu jamais escreveria: autarquias. Pela mais simples das razões. Em Portugal não há autarquias, aliás bem raro em todo o mundo. Pior ainda é os jornaleiras falarem de resgates sem que haja reféns.

A. João Soares disse...

Caro Mentiroso,

Muito obrigado pelo seu comentário. Receava que me desse umas varadas por ter feito alterações, mas tive o cuidado de deixar aos leitores esse aviso e o link para lerem o seu texto integral. Foi por uma questão de diferença de estilo pessoal de que várias vezes falámos. Mas achei que o texto merecia ter mais visibilidade indo para outra janela.
E depois não quis deixar passar a notícia do DN que reforça o seu texto.

Um abraço
João

Pedro Ferreira disse...

Amigo João Soares,

Infelizmente esta foi mais uma tragédia que aparentemente podia ter sido evitada sem tantos mortos e danos materiais.

Mas é assim que eles engordam as suas contas na Suíça e não só.

Abraço
Pedro

A. João Soares disse...

Amigo Pedro,

Sem dúvida que se tivesse havido mais cuidados de prevenção, se tivesse sido deixado espaço para a água passar sem causar tantos estragos teria havido menores consequências da grande quantidade de chuva que caiu em pouco tempo.
E não sou maldoso ao ponto de pensar que tudo se deve a desvios de dinheiro. Inclino-me mais para a incompetência, o desleixo crónico, o «deixa-nadar», o esperar que nada de mal aconteça. Se bem reparar em situações orograficamente semelhantes encontra muitos casos em que há casas construídas em pleno caminho da água, quando é mais abundante. Esse caminho chama-se leito de cheia e nele não devem ser colocadosobstáculos à passagem da água. Mas, os engenheiros das autarquias ignoram ou desprezam esse facotor de risco.
As Câmaras pensam mais naquilo que é visível e gera votos e, depois, aparecem estas catástrofes.

Um abraço
João

A. João Soares disse...

CAROS VISITANTES,

Fui informado por um amigo que esta tarde este blogue e um outro estiveram bloqueados.
Efectivamente ao tentar entrar no Outlook foi-me exigida a password repetidas vezes, tendo de ir à «home page» do gmail, onde aconteceu o mesmo, mas logo que tiveram a certeza de que era mesmo eu, tudo se normalizou e já encontrei os blogs desbloqueados.

Já não é a primeira vez que isto acontece, devido, segundo informação do Blogger, a tentativas de intrusão por estranhos.

Já tive comentadores de confessada cor partidária mas sem capacidade de argumentação e que desistiram de me incomodar.

Não sei o que agora levou a que voltassem a tomar esta atitude. O certo é que não lhes é fácil acertar na password. Tem 16 caracteres e já não é quixotedulcineia!!!

Quando voltar a acontecer, peço aos amigos visitantes para tentarem mais tarde...

Isto é que vai uma crise...!!!

Mentiroso disse...

o desleixo crónico, o «deixa-nadar»

ignoram ou desprezam esse facotor de risco


Não são estes procedimentos corruptos? Não ganham eles para se ocuparem destes altos perigos para as vidas e as para os bens dos cidadãos?

Nem toda a gente concorda que consequências tão catastróficas não poderiam ter sido drasticamente reduzidas. Veja-se nestes comentários.

Fernanda disse...

Querido João,

Agora entendo o que o amigo K«Luís falava mo e-mail.
Não passei por cá nessa altura, não dei por nada.

Mas será que esse canalha não o deixa em paz?
Será que não tem mais nada de interessante e honesto para fazer?

Ele há cada um???!!!!

Já agora amigo, faça-me um favor, diga.me o que está o McCann a fazer na sua lista de seguidores???
Nem posso ver aquela cara ali.

Desculpe a intromissão.

Beijinhos

Anónimo disse...

Caro João Soares;

As vítimas vão aumentando. O DN dá conta de já existirem 42 mortos e 120 feridos. O JN diz: "Nos dois pisos do parque de estacionamento subterrâneo do Anadia Shopping, no Funchal, poderá estar um número indeterminado de vítimas mortais."

Em relação ao problema das construções serem feitas em cima do joelho, lembro que se aquela tremenda chuvada/inundação acontecesse na maioria das cidades do continente a situação seria igualmente caótica. A cidade do Funchal fica no sopé e a água correu por ali abaixo como larva dum vulcão. É preciso ter isto em conta. Acredito que a Madeira reagirá á crise bem melhor do que se fosse aqui numa destas cidades continentais...

Importa lembrar os mortos e olhar a tragédia como uma alteração da natureza que começa a ser preocupante por acontecer, frequentemente, de diversas formas, em vários sítios do globo.

Abraço
Jorge M.

A. João Soares disse...

Querida Amiga Ná,

Esta manhã vou estar ocupado fora de casa. Mas a respeito de seguidores, registados ou não, não é decisão nossa. É iniciativa deles, é do seu interesse estarem a par do que aqui se publica. Qual será esse interesse? Nunca se sabe. Por isso, e sabendo que isto pode ser lido em qualquer parte do mundo, por qualquer pessoa, procuro ser cuidadoso naquilo que escrevo e na forma de me exprimir. E apesar de todo esse cuidado, não me livro de tentativas de bloqueamento dos blogs!!!
A minha posição pretende ser isenta, apartidária, e independente de interesses, visando mais os conceitos do que as atitudes pessoais e tendo sempre uma finalidade positiva de ajudar a encontrar o melhor caminho para os grandes problemas nacionais e mundiais. Mas, mesmo assim, há quem não goste e tente calar-me. Eles lá sabem quais os objectivos que procuram!!! E quando digo «eles» incluo todos os que se sintam incomodados pelos alertas que aqui lanço ou de que faço eco.
Reflicto muito e nada me pesa na consciência.

Beijos
João

Anónimo disse...

Caro João Soares;

Como previsto, infelizmente:
"Confirma-se a existência de vítimas mortais no parque do Anadia Shopping" - JN

Abraço
Jorge M.

Fernando Vouga disse...

Caro João Soares

Como já deve ter notado, não sou grande apreciador do Presidente do Governo madeirense enquanto político.
É certo que muitos erros foram (e continuarão a ser) cometidos no ordenamento urbano do Funchal. Infelizmente é maleita de quase todas as autarquias.
De qualquer forma, a dimensão da enxurrada foi tal que, com erros ou sem erros, a tragédia seria sempre inevitável.
No entanto, não quero com isto dizer que não deverão ser apuradas responsabilidades.

A. João Soares disse...

Caros Amigos Jorge M e F Vouga,

É certo que a chuva foi em quantidade incomportável e, por mais cuidados que tivesse havido, não deixaria de produzir estragos.
Mas tudo indica que a água não está a ser respeitada, tanto lá como noutros pontos do país.

Há localidades junto à Serra da Estrela e noutras regiões de montanha, onde não é garantido à água de enchentes o caminho de que ela necessita. E como ela tem que avançar cava o seu caminho à força custe a quem custar. Falta a noção do que é o leito de cheia e o respeito por ele, pela Natureza.

Não adianta agora estar a acusar os políticos e os técnicos. O que é mais importante é tirar as devidas conclusões e evitar erros que venham a provocar desgraças semelhantes.

Há muitos anos durante grandes chuvas, numa região do norte, havia um café mesmo em cima de uma linha de água, a que ninguém dava atenção porque nunca ali viam água. Com as chuvas a água foi por ali, esbarrou na parece da casa, foi enchendo e, quando a pressão foi suficientemente forte, derrubou a parece e varreu tudo o que estava dentro do café, tirando a vida aos clientes que lá estavam calmamente a beber a cerveja.

Há erros que a Natureza não perdoa e que bem podiam ser evitados.

Abraços
João