sexta-feira, 11 de maio de 2012

Troika não é órgão de soberania

Os portugueses estão a atravessar uma crise que se tem agravado por o governo, à procura de solução, ter continuamente apertado a corda na garganta das pessoas mais carenciadas e afastadas dos círculos queridos dos governantes com medidas de austeridade sucessivamente agravadas.

O título seguinte - Seguro diz que PS já se sentiu mais vinculado ao memorando da troika - faz-nos pensar que a troika não é órgão de soberania. O Governo proveniente de eleições democráticas é que é órgão de soberania e responsável por tomar as decisões mais convenientes ao bem-estar de todos os portugueses. E, como tal, não deve sentir-se obrigado a submeter-se cegamente a imposições de estranhos, embora, deva receber racionalmente, e com espírito crítico, as sugestões e os conselhos que achar benéficos para Portugal. Nenhum contrato é para funcionar eternamente e deve ser avaliado, a par-e-passo, quanto à sua validade com base nos resultados conseguidos em relação aos efeitos pretendidos. Uma solução considerada óptima há um ano pode, hoje, estar ultrapassada e necessitar de ser revista e alterada mais ou menos profundamente.

A responsabilidade de governar traduz-se na necessidade de contínuas decisões para manter a linha estratégica que conduz ao objectivo previsto. Compara-se à condução de um automóvel em que o volante está continuamente a ser accionado para se mantar na estrada nas melhores condições de segurança e tendo sempre em vista o destino da viagem.

Enfim, as sugestões ou os conselhos da troika não tiram ao governo a responsabilidade dos resultados das medidas que implementa.

Imagem de arquivo

4 comentários:

Fernando Vouga disse...

Varo João Soares

Concordo consigo.
Só que me mete pena esse tal Seguro que, tendo os "ditos" presos a um juramento de sangue, anda por aí a disfarçar, para ver se ganha alguma credibilidade dentro do seu partido. Porque cá fora, não tem nenhuma.
Com oposições destas, não vamos lá.

A. João Soares disse...

Caro Vouga,

As ideias podem surgir de cabeças boas ou más. Então, com os políticos, já nem esperamos ideias, mas as palavras não faltam. Servi-me deste título para concretizar uma reflexão que tinha em curso. Há a tendência para defender a inoperância do Governo com a desculpa de pressões da troika

Sem dúvida que esta pressiona de forma muito pesada porque por detrás dela está a elite da alta finança mundial - o Bilderberg e
outros. Mas cabe ao Governo colocar os interesses nacionais acima de tudo, o que seria um milagres porque os políticos seguem objectivos pessoais e não nacionais. Isto não é má língua, pois basta ver que nenhum que tenha passado pelo poder esteja pobre, embora muitos tenham entrado para a política sem poupanças visíveis.

Deixemos o Seguro e outros levantar o pó, para que as pessoas pensem e depois actuem a sério e com motivos bem avaliados.

Abraço
João

Fernando Vouga disse...

Caro João Soares

Desculpe-me mas não vejo o problema dessa maneira.
Sou da opinião de que os inimigos dos nossos inimigos não são nossos amigos. Ou seja, o facto de uma determinada pessoa dizer aquilo que achamos acertado não faz dela uma sumidade nem merece que de tal se faça eco.
Estamos a tratar de pessoas que nos querem governar e não podemos dar tréguas ao seu caracter (melhor dizendo, à falta dele), que é isso o que está em causa.
Foi por essas e por outras que um vigarista como o Sócrates chegou a PM. Em vez de averiguarem se a criatura tinha idoneidade para o cargo (e muita gente sabia que não) , deixaram-se levar pelo seu paleio.
E agora estamos lixados.

Um abraço (para amenizar...)

A. João Soares disse...

Caro Vouga,

Não é preciso amenizar, porque o seu pensamento não está longe do meu. Ao apreciar um ponto de vista não significa que idolatre a pessoa que o expressou. Há um político da oposição de quem já disse que é uma pessoa indispensável na AR, mas que não quereria em PM. Serve para abanar a árvore para fazer cair a fruta podre mas, se fosse para o governo, poderia partir a árvore.

Em Pedrouços, ouvi muitas vezes um mestre que faleceu em 28-04-2011, dizer na fase do «estudo da situação» em que se faz a lista das modalidades de acção, dizer «agora a asneira é livre». É assim que interpreto as achegas dos oposicionistas e comentadores - dizem coisas que devem ser tomadas em consideração ou para analisar e, depois, aproveitar ou para encontrar argumentos válidos para rejeitar. Com esse aproveitamento ou rejeição entra-se mais a fundo no problema para, depois, decidir com mais garantia de não fazer erros crassos. Com tais análises cuidadosas e abrangentes, as decisões não são tomadas «porque sim».

Abraço
João