quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Fundações e outros cancros sugam os impostos

Segundo notícias de hoje, Governo quer extinguir até ao final do mês "dezenas de fundações".Tal vontade já tinha sido manifestada há muitos meses. Também agora saiu a notícia de que Há remunerações "chocantes" nas administrações de fundações e também uma outra a dizer que Metade das 190 fundações avaliadas estão abaixo do meio da escala.

È lamentável que depois de mais um ano de Governo ainda não tenha sido feito nada para racionalizar esta situação. Isto mostra a dependência dos governantes em relação aos poderes e interesses pessoais de amigos, coniventes, cúmplices e usurpadores do dinheiro público.

Recordo que Helena Sanches Osório, já falecida, quando directora do jornal A Capital, disse na Televisão que a forma como os governos abusam do nosso dinheiro é um dever fugir aos impostos. Pessoalmente aceito que tenhamos de pagar impostos porque há serviços públicos indispensáveis, cujos custos todos devemos suportar. Mas cada um de nós e todos em conjunto devemos exigir, por qualquer forma, que não haja abusos e que as despesas públicas sejam controladas de forma rigorosa, com honestidade e parcimónia e qualquer erro seja punido e, se a Justiça não funciona para os políticos, então terá de o povo agir como puder em defesa dos interesses nacionais.

A corrupção não se resume a entregar um maço de notas em troca de um favor, mas na troca de favores ou de influências de que pode resultar não haver entre os ex-governantes aqueles que tenham estado ligados ao clã, bando ou matilha alguém que não esteja rico. Já aqui foi referido o ex-Presidente Manuel de Arriaga que não enriqueceu à custa do erário público e pagava do seu bolso despesas que hoje são consideradas encargo público. E não pode deixar de ser referido, no mesmo sentido, o chefe de Governo que esteve em funções cerca de quatro décadas a quem podem ser atribuídos erros, mas não esse.

De que tem estado o Governo à espera para moralizar e racionalizar as despesas do estado cortando as gorduras e reduzindo as burocracias exageradas geradoras de corrupção? Pelo contrário tem criado «observatórios» e comissões onde coloca sem concurso público os «boys» do regime. Parece que, nesse sentido e noutros, temos que concordar com Alberto João Jardim nas suas sugestões de mudança.

Imagem de arquivo

7 comentários:

A. João Soares disse...

Parece que irão ser tomadas medidas para corrigir esta situação escandalosa. Serão concretizadas ou ficarão apenas pelas boas intenções?

Regime de fundações para as universidades vai ser extinto

Fernando Vouga disse...

Caro João Soares

E o meu amigo a dar-lhe...

Qualquer coisa dita por Jardim perde toda a credibilidade, porque há muito que não diz coisa com coisa. Não se pode pregar moral sem se dar o exemplo!
Há mais de trinta anos que esse indivíduo sabe muito bem governar... os outros.
E é por essas e por outras que a Madeira chegou a este descalabro. E a criatura, depois de falsificar dolosamente as contas, continua a assobiar para o lado e a atribuir as culpas aos cubanos, maçonarias, trilaterais e outros fantasmas que só existem naquela cabecinha tonta.
Se tivesse pinta de vergonha estava calado e ia-se embora, que não faz cá falta nenhuma.
Já estou "como o outro" que dizia: "ó Zé, abre os olhos!"

A. João Soares disse...

Caro Fernando Vouga,

Obrigado por esta sua insistência que me vem mosrar que as ideias se entrelaçam de forma muito curiosa que se presta a reflexão.

Veja como o Amigo vem apoiar a afirma de Jardim quando ele diz que o «regime político deve ser substituído porque não resolve problemas do país». E realmente, como o Vouga diz, é isso mesmo que se verifica: é preciso mudar o regime que permite que «democraticamente» o Jardim com todos defeitos que tem e os erros voluntários que comete, continue a ocupar impunemente a cadeira do poder regional.

A democracia que permite estas incongruências, com uma justiça que não actua e um povo que se deixa enganar e vota em mau candidato, não é regime que mereça confiança. Ou a regeneram ou lhe mudam o nome.

Portanto a frase atribuída a Jardim está correcta o que, por outro lado, mostra que ele, uma vez por outra, diz coisas certas!!!

Abraço
João

Fernando Vouga disse...

Caro João Soares

O facto de Jardim ser inimigo dos nossos inimigos não o transforma num amigo. Aquilo que diz é uma banalidade que toda a gente sabe mas que é ignorada pelos governantes, principalmente por ele próprio. É profundamente deplorável que o sujeito ande a botar fala quando criou o mais execrável grupo de boys, quando tenta e consegue domar a Justiça, as polícias, a comunicação social, as regras basilares da decência e da democracia.
Eu bem sei que é difícil acreditar, mas é pura verdade. Este indivíduo sofre de uma hipertrofia galopante do umbigo, faz figuras tristíssimas, trai os amigos e colaboradores e levou o povo à desgraça, tudo para se manter no poleiro.
Desculpe, mas não tem direito a abrir a boca.

Mário Relvas disse...

Caro A. João Soares,

Não são só as "Fundações" que afundam muitos milhões de euros "nossos"... Há muito em que mexer e reformar. E por isso há gente a fazer manifestações, mesmo que sejam quase sempre os mesmos...

Jardim fez obra para os madeirenses. Devia ter sabido sair pelo seu pé nos tempos áureos. Agora deve aguentar o tem pela frente. O grande problema é a "poderodependência" de que o ser humano, na sua generalidade, não quer tentar sequer curar-se. O mesmo digo de Mesquita Machado, de Fernando Ruas, etc. Muito tempo no poder obriga a determinadas coisitas que podem indignificar a "democracia".
O número de mandatos deveria de ser de apenas dois sucessivos...

Mas já há pouca paciência para ouvir bater em Jardim. Foi sempre assim. Tal como ele utilizou, sempre, a táctica do ataque V/S AP...

Ah... lembrei-me de alguém que esteve à frente dos destinos da nação quatro décadas e morreu pobre.

No entanto, conhecendo a Madeira, acho que o Ti Alberto a defendeu razoavelmente bem perante os "comunas do Contnente"...

Sim, há por aqui muito disso... Disso e daquilo...

Cumprimentos

A. João Soares disse...

Caros Vouga e Relvas,

Não discordo de si. Não tenho admiração por nenhum político. As eventuais excepções que me desculpem esta minha alergia, mas seria incapaz de comprar um carro usado a um político. E, se destaco afirmações de um ou outro aprecio a frase sem olhar à sua origem. E elas quase sempre contradizem os actos anteriores ou posteriores. Vi há dias um vídeo que é uma obra de arte o antes e o depois da vitória eleitoral, as promessas de antes e as realidades do após. Repare como no caso do Jardim se podem usar contra ele as críticas que faz ao regime.

E a culpa nem é dele mas sim dos cidadãos eleitores que estando cegos não vêm o que ele vale. Ou então, viciados na corrupção, estão convencidos de que com uns robalos conseguirão uns favores e assim vão mantendo o poderosos que lhes pode dar emprego aos filhos. Se assim não fosse não ouvíamos tantas promessas nas campanhas eleitorais.

Isto leva a concluir que a Democracia não é um bom regime para povos que não sejam evoluídos nos aspectos culturais e éticos. Os próprios alemães que são dotados de qualidades acima da média elegeram o Adolfo e depois deram-lhe todo o apoio em exagerada submissão.

Mudar o regime é um desejo de todos, mas não se pode contar com os viciados no poder porque eles não estão dispostos a «matar a galinha dos ovos de ouro». Formatados num espírito que endeusa o dinheiro aquela droga que exige sempre mais sem aceitar limites de qualquer espécie, ninguém pode esperar que dispensem a riqueza financeira o TER e sem se preocuparem com o SER democratas, géneros para com os mais pobres, a defesa da igualdade de oportunidades em concursos públicos, a justiça social, etc.

Quem esteve activo na criação da crise não pode ter a mínima capacidade para a curar, não se pode depositar esperança e confiança no seu desprendimento da mania de enriquecimento por qualquer forma. Olhe-se para os anteriores ocupantes de cadeiras de poder e hoje em cargos que lhes pagam conforma a «cotação» anteriormente adquirida, como argumenta Catroga e que usufruem de várias reformas todas superiores em muito à média nacional.

Que esperança podem ter os jovens de hoje?

Abraços
João

Mário Relvas disse...

Caro A. João Soares,

Nos moldes em que está assente o nosso regime parlamentar como quer que os portugueses reajam em eleições? Votar em quem? Em alguém que milita num partido a que dá a cara mas que não se observa no seu todo mais gente capaz? Capaz de constituir um governo. Não de dizer mal que nisso há por aí "bons" partidos. Da esquerda à direita.Fala-se na bipolarização. Ok...

Como é o sistema democrático nos EUA? Dois partidos... Nós temos partidos como associações recreativas. E são como os melões. Só depois de abertos é que se sabe o que lá vem. Se bom se mau...

Mas, ora mais esta, lembrei-me de mais uma frase cujo autor conhece razoavelmente melhor do que eu. Para o bem e para o mal:

«É natural que alguns homens educados para a luta puramente política, as especulações demagógicas, as exaltações emocionais das massas populares, e por esse motivo propensos a reduzir a vida da Nação à agitação própria e das forças partidárias que lhes restam, não tenham revelado compreensão nem dado mostras de adaptar-se. Mas a Nação que faz livremente a vida que quer, a Nação viva e real, essa, comparando passado e presente, olha com certa desconfiança o zelo destes apóstolos da liberdade».

Cumprimentos