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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

ÁGUA ATÉ QUANDO !

Água até quando?
(Publicado no DIABO nº 2225 de 23-08-2019 pág 16)

Estudo internacional, nos 154 países analisados, coloca Portugal entre os 44 que esgotam, pelo menos, 40% das suas reservas de água. Isto coloca-nos numa situação de elevado risco de escassez de água. Há também outros 17 países, que representam um quarto da população mundial, em risco extremamente elevado. A pressão que os leva a consumir 80% das suas reservas de água por ano são a agricultura, as indústrias e os municípios.

A escassez deste produto vital coloca sérias ameaças ao ser humano, à sua subsistência e à estabilidade económica. Para que esta ameaça não se concretize com brevidade, os países devem tomar medidas adequadas, controlando o crescimento da população, o desenvolvimento socioeconómico e a urbanização, factores que estão a provocar uma maior procura de água. Por outro lado, as alterações climáticas podem tornar mais imprevisto o agravamento.

Há que evitar desperdícios de água e aumentar o armazenamento da existente em barragens adequadas, e deve ser encarada a reutilização de águas residuais como uma solução adicional, podendo, com tratamento aperfeiçoado, gerar uma nova fonte de água potável. Nos países com maior carência, esta solução será importante porque 82% das suas águas residuais não são reutilizadas.

A pressão de falta de água não é necessariamente uma fatalidade e pode ser reduzida através do aperfeiçoamento da gestão dos recursos existentes. Evitar desperdício no consumo doméstico, apostar em técnicas de rega eficientes e económicas, fazendo com que cada gota de água conte, investir em infraestruturas mais amigas do ambiente e intensificar a reutilização das águas residuais, em jardins, agricultura, limpezas urbanas e até nas sanitas domésticas.

Sem dúvida que poupar, enquanto a há, deve ser um cuidado a ter por todos os consumidores, mas deve ter apoio didáctico nas escolas e em contactos com a população, a fim de ser obtida boa melhoria dos comportamentos, embora isso, só por si, não evite o esgotamento.

É difícil pensar como será a nossa vida quando deixar de haver água. Por isso, além da redução de consumo nos factores atrás referidos, agricultura, indústrias e municípios, há que cuidar do armazenamento, evitando que corra para o mar sem ter o devido aproveitamento prévio, que se construam mais barragens e que as existentes tenham adequado aumento de capacidade, dentro do possível pelo aprofundamento das encostas submersas. Muitas das barragens existentes carecem desse trabalho porque a sua criação resumiu-se à construção do muro de sustentação da água. E pode ser obtido grande aumento da capacidade de armazenagem sem entrar nos terrenos particulares vizinhos.

E Portugal tem a grande benesse de uma extensa ligação ao mar, dando-nos uma larga possibilidade de preparar, desde já e antes que seja tarde demais, o aproveitamento da dessalinização da sua água. É certo que a água proveniente do mar não tem as qualidades a que estamos habituados, recolhida de nascentes nas nossas serras menos poluídas. Mas, à falta de melhor, há muita gente a viver dela em Cabo Verde, e em países com territórios áridos próximos do mar.

Uma fábrica de dessalinização não é uma obra fácil nem de rápida construção, pelo que não podemos adiar a ideia até ao momento em que ela seja realmente necessária. Então, pode ser demasiado tarde. No Verão de 2018 a Cidade de Viseu, perante a seca da barragem de Fagilde, no rio Dão, viu-se na necessidade de abastecer o seu depósito central com colunas de autotanques que se deslocavam a 40Km de distância. Na próxima seca, quantas cidades terão de usar a mesma solução e a que distância encontrarão o desejado maná? Com uma dessalinizadora na costa, passando a água pelas canalizações existentes dispensaria o dispêndio dos muitos autotanques. E, depois de construída a primeira, ela servirá de modelo e ensinamento para construir as necessárias.

Não hesitemos. Estamos entre os 44 Estados mundiais com maior perigo. Não fiquemos à espera de milagres, como tem acontecido com a prevenção de incêndios florestais. ■

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domingo, 27 de abril de 2014

ÁGUA - OPERAÇÃO SECRETA


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segunda-feira, 29 de abril de 2013

PRIVATIZAÇÃO DA ÁGUA

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sábado, 22 de janeiro de 2011

Melhorar qualidade da água do Tejo

Nem tudo é mau no nosso rectângulo à beira-mar plantado e é nosso dever apreciar o que temos de positivo para não destruir a auto-estima. A notícia que se transcreve mostra uma boa medida para despoluir a água do Tejo.

Esgotos de 120 mil casas de Lisboa deixaram de ser lançados ao Tejo
Público. 19.01.2011. Por Carlos Filipe

Os esgotos domésticos da zona central de Lisboa deixaram de ser despejados directamente, sem tratamento, nas águas do Tejo, como acontecia desde sempre.

Foi há dias, mesmo no início do mês, e sem aviso prévio, que o sistema de saneamento do Tejo e do Trancão, a cargo da empresa Simtejo, passou a canalizar os efluentes domésticos de cerca de 120 mil residências da capital para processamento na Estação de Tratamento de Águas Residuais de Alcântara.

Em Setembro de 2009, o presidente da câmara, António Costa, qualificou as descargas que até aqui iam parar directamente ao Tejo como "um dos maiores escândalos nacionais", e que era preciso, com urgência, fazer algo pelo ambiente. Não foi fácil, nem barato: foram quatro anos de obras e 100 milhões de euros empregues para que se comece a fazer justiça ao ambiente de Lisboa e às comunidades aquáticas do Tejo, o maior estuário da Europa ocidental, zona de nidificação e crescimento de inúmeras espécies piscícolas e aves marinhas. O rio fica agora limpo? Não, mas, como diz uma bióloga contactada pelo PÚBLICO, o impacto desta alteração será importante, mesmo que ainda demore algum tempo a fazer-se sentir (ver caixa).

O anúncio desta novidade surgiu, em primeiro lugar, sob a forma de panfleto deixado nas caixas de correio dos lisboetas. Um papel com assinatura institucional da Câmara de Lisboa e da Simtejo, da qual a autarquia é a segunda maior accionista, no qual se dizia: "Ano novo, Tejo limpo! O fado do Tejo mudou!" Ao que o PÚBLICO apurou, o acto oficial de inauguração ocorrerá no próximo sábado.

Marcelo: sonho demorado

Foi há 21 anos que Marcelo Rebelo de Sousa, então candidato à presidência da Câmara de Lisboa, se atirou às águas do Tejo. Com aquela acção, muito mediática, pretendia chamar a atenção para a poluição daquelas águas. Passados 21 anos, Marcelo Rebelo de Sousa manifestou ontem a sua satisfação pelo fim daquele flagelo. "Quando me atirei à água, apanhei com uma descarga em Belém. Recordo-me, foi junto ao Padrão dos Descobrimentos. É esta, agora, uma boa notícia, mas um sonho que levou muitos anos a concretizar", disse ao PÚBLICO.

As descargas de efluentes não tratados ocorriam em Santa Apolónia, também ao lado do Cais das Colunas, e em Belém. Só em 2009, por altura de outros trabalhos no Terreiro do Paço, foram interceptados os colectores oriundos das ruas do Ouro, Augusta e da Prata e de Santa Apolónia.

Numa segunda fase foram construídas estações elevatórias e um emissário submarino, ao mesmo tempo que também se canalizaram os efluentes que eram despejados em Belém para a conduta que segue para Alcântara. E em Dezembro houve outra intervenção sob o novo piso do Terreiro do Paço, para colocar um sistema de válvulas que impede a entrada de água do Tejo no interceptor. Numa terceira fase, outras obras dos sistemas da Simarsul (Margem Sul) e Sanest (Costa do Estoril) irão contribuir para melhorar todo o estuário.

Benefícios para o estuário do Tejo

Para Maria José Costa, bióloga no Centro de Oceanografia e professora catedrática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a situação do Tejo na zona de Lisboa é considerada "grave", embora admita que "podia estar pior".

"Acontece que o estuário, por ser dos maiores da Europa, tem um grande hidrodinamismo, que o favorece, e com a ausência de descargas directas deverá favorecer a sua biodiversidade. Julgo que no prazo de um ano vamos ter um equilíbrio, uma resposta rápida dos ecossistemas", disse a investigadora, doutorada em Ecologia Animal.

Mas se o estuário poderá dar essa boa resposta, ainda que o fenómeno tenda a ser localizado e não generalizado - diz a bióloga que assim acontece na zona do Parque das Nações, intervencionada para a realização da Expo "98 -, o mesmo não significa que deixe de estar poluído. "É preciso realizar estudos experimentais sobre o que vai acontecer. É preciso ter cuidado com as lamas, que não devem ser mexidas, pois podem ter metais pesados", alerta, admitindo que aqueles poluentes podem ter corrido pelos esgotos. "Tudo depende do que as pessoas atiram fora pelos seus vazadouros domésticos", especificou Maria José Costa. Muito sensíveis aos poluentes são as comunidades bentónicas (organismos associados aos sedimentos, caso de muitas espécies de bivalves). "Só podem melhorar, mesmo que haja espécies muito resistentes", esclarece, afirmando ainda que a comunidade piscícola tem encontrado mais problemas com as barragens do que com os focos de poluição: "Os sáveis, ou as lampreias, querem regressar aos locais onde nasceram e não conseguem."

Imagem da Net

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sexta-feira, 19 de junho de 2009

A água alimenta imensos parasitas

Por interessar à generalidade dos consumidores de «água da cidade» refere-se o artigo do Público de ontem com o título «Deco contra as fortes variações praticadas no preço da água entre os vários concelhos do país».

Nele são denunciadas as enormes discrepâncias de preços de cinco metros cúbicos de água fornecida pela rede pública que tanto pode custar 0,75 euros (na Chamusca) como 8,34 euros (na Figueira da Foz) (11 vezes mais, um escândalo). Estes valores foram apurados pela Deco num observatório que engloba 41 municípios. A associação de defesa do consumidor exige transparência no sector e regulamentação que conduza à harmonização dos tarifários que estão a ser praticados.

É sintomático o facto de nos concelhos onde é a câmara local a gerir o serviço, os preços de fornecimento de água serem mais baixos. É o caso do município onde se apura o valor de fundo da tabela – Chamusca - e de forma idêntica dos concelhos de Ponte de Lima, Caminha, Évora e Vila Viçosa.

Pelo contrário, nos concelhos onde o serviço foi concessionado a empresas do sector privado, os valores são geralmente mais elevados. É o caso da Figueira da Foz, onde cinco metros cúbicos de água custam 8,34 euros (este valor inclui a componente volumétrica e a tarifa fixa mensal), e também em Mafra (7,87 euros), Tavira (6,50), Matosinhos (5,68), etc. Um escândalo, em comparação com a Chamusca.

Na maior parte dos concelhos, as Câmaras criaram empresas municipais, ou melhor, privadas geridas por funcionários das autarquias, familiares ou amigos da mesma cor política para gerir a água, ou melhor, para garantir rendimentos adicionais aos funcionários da autarquia que se distinguem pela cor partidária, amizade ao presidente, família ou outros tipos de compromisso ou cumplicidade.

E, assim, o dinheiro é «suavemente» transferido do bolso dos cidadãos para os de incompetentes que, para sobreviverem, têm de sugar os dinheiros públicos, com a cumplicidade de autarcas eleitos. E isto sem o mínimo benefício para o cliente, antes pelo contrário, como a Deco demonstra com os números atrás citados.

É para obter esse efeito que os políticos se esforçam tanto nas campanhas eleitorais a fim de obterem os votos suficientes para subirem ao poleiro de onde dominam os negócios. Isto é facilmente concluído de uma observação mesmo que pouco atenta. Mas se olharmos para aquilo que vai sendo publicado nos órgãos da Comunicação Social sobre enriquecimento ilícito e sigilo bancário, ficamos sem dúvidas.

A moralidade, a honestidade e a transparência democrática aconselham a que as empresas que gerem os serviços públicos estabeleçam uma estrutura de tarifas simples e transparente, de forma a que o consumidor fique claramente informado sobre o valor que tem de pagar, e devem publicitar a justificação dos valores cobrados.

E o Estado deve exercer uma supervisão apertada de todos os serviços em que o cliente não disponha de possibilidade de escolha entre fornecedores. E, mesmo quando haja fornecedores em concorrência, é preciso garantir que sejam evitadas as cartelizações.

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sábado, 14 de julho de 2007

Em defesa do ambiente

Cascais: Eco-cabanas autonomia energética inauguradas Outubro
in Diário Digital

Cascais será o primeiro concelho português a receber, em Outubro, as eco-cabanas, pequenas casas sustentáveis destinadas a estadas junto da natureza, que incluem o recurso a energias alternativas, materiais recicláveis e gestão de consumos de água e electricidade.

A ideia, lançada pela agência municipal Cascais Natura, foi distinguida este mês com o prémio «Ideias Verdes Água de Luso - Expresso 2007» e será concretizada num campo para escoteiros, escutas e guias do Parque Natural Sintra-Cascais, onde serão construídas cabanas com 62 metros quadrados e capacidade para 10 jovens.

Segundo disse à Lusa um dos coordenadores do projecto, João Cardoso Melo, a escolha do campo deveu-se aos exemplares códigos de conduta de utilização da natureza seguidos pelo movimento escutista - que este ano comemora 100 anos de existência -, mas o espaço será posteriomente aberto à população.

«O objectivo é mostrar às pessoas que, pelo facto de usufruírem de um espaço natural, têm de dar algum contributo. A cada dia de estada corresponde uma ou duas horas de serviço de conservação do ambiente e o utilizador tem eco-créditos, que são cartões com determinado número de watts e litros. Se não cumprir as regras de utilização, pode ficar sem água, por exemplo», explicou o responsável.

«É mesmo para obrigar a reflectir sobre as fontes de energia e as sua limitações», acrescentou, sublinhando que as cabanas não vão possuir televisão ou computador e serão alimentadas por energias alternativas (eólica, solar, entre outras), em função da localidade onde forem instaladas.

João Cardoso Melo referiu ainda que as pequenas casas, construídas com materiais tradicionais e recicláveis, serão de estilo rústico e «despidas de luxos», apresentando, ao mesmo tempo, um design e um software de controlo inovadores.

O preço de cada uma pode variar, por isso, entre 60 a 80 mil euros, incluindo a infra-estrutura, o revestimento e componentes de engenharia climática.

Com o prémio «Ideias Verdes», no valor de 50.000 euros, a Cascais Natura vai construir o primeiro modelo do equipamento, que será depois colocado no mercado para se tornar uma alternativa para estadas temporárias em áreas de maior sustentabilidade ambiental.

Diário Digital / Lusa
14-07-2007 12:27:00

NOTA: É uma boa notícia e um passo importante para o respeito pelo ambiente. Oxalá as pessoas se entusiasmem e comecem a aproveitar estas inovações na construção de novas moradias, com vista a economizarem energia e água reduzirem as agressões ao ambiente que caracterizam quase todos os actos humanos. Os nossos vindouros merecem que nós agora tratemos melhor a Natureza e o ambiente em geral.

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