Numa data em que o pessimismo corrói o psíquico dos portugueses, é oportuno realçar casos exemplares que, embora sejam raros, nos devem encher de esperança num futuro melhor, pois há entre nós boas sementes para tornar a seara produtiva e rentável.
Em vez de dizer mal de forma destrutiva, devemos criticar de forma positiva apontando o que está mal e, a seguir, indicar pistas para soluções, na certeza de que, um dia, alguma delas virá a germinar, mesmo que o terreno não pareça fértil. Um grito de alerta que desvie as atenções daquilo que parece errado para aquilo que vemos ser exemplar e dever ser seguido ou, até, superado, será positivo, um serviço público. È nesse sentido que hoje aqui trazemos dois casos, a juntar a vários já citados neste espaço, como, por exemplo, «Sucesso de jovem cientista português».
O primeiro caso é motivo da notícia «Manual de Matemática ganha medalha de ouro». Trata-se de um livro para o primeiro ano do ensino básico, da autoria de três professores do Agrupamento de Escolas de Águas Santas, na Maia que, durante a Feira do Livro de Frankfurt, Alemanha, foi premiado com a medalha de ouro num concurso europeu onde foram avaliados 17 manuais escolares. Este galardão foi atribuído pela European Education Publishers Group (EEPG) para distinguir os melhores editores, autores e designers gráficos da Europa, tendo por objectivo promover a excelência e qualidade nas publicações voltadas para o ensino.
Os autores, professores Alberta Rocha, Carla do Lago e Manuel Linhares, trabalham juntos há seis anos e é esta a primeira vez que recebem um prémio internacional pelas suas obras. Foram os vencedores deste concurso internacional, o que é motivo de orgulho para os portugueses. Merecem parabéns e este realce que estamos a dar-lhes.
O segundo caso consta do mesmo jornal e vem na notícia «Empresária desde os sete anos anda a ganhar dinheiro na Net». Benedita Simas, com pouco mais de 40 anos, tem uma multifacetada história de empresária e empreendedora que iniciou quando apenas contava sete anos, ao vender às colegas da escola chupa-chupas de caramelo, que confeccionava em casa.
Depois, no secundário, vendia pulseiras e brincos feitos com missangas. Mais tarde, na faculdade, deixou de ter as colegas como mercado e foi modelo publicitário. "Ganhava rios de dinheiro" a anunciar coisas tão inocentes como panelas.
E, apesar dessa ocupação empresarial, não deixava de se aplicar ao estudo, ao ponto de acabar o liceu com 18,5 valores, o que levou a família e amigos a pressionarem-na a seguir medicina, o que ela não decidiu por não querer demorar nove anos a estudar e foi para Psicologia.
Hoj, dedica-se a publicidade e pagamentos na Internet e deixa como conselho aos jovens "O importante é não ter medo de errar, de saltar no escuro e experimentar coisas novas".
Já há tempos aqui referi o caso de um jovem sueco que, ainda adolescente, se dedicou a fazer trabalhos de informática para pequenas empresas e privados, obtendo êxito que o levou, com estudantes amigos, a criar filiais noutras cidades e, depois, nas capitais da Holanda e da Grã-Bretanha, tornando-se multinacional.
Entre nós falta capacidade de iniciativa, de análise do grau de risco, do culto da matemática e da contabilidade, o que não é propício para haver muitos casos deste género. Por isso, o meu aplauso a Benedita Simas.
Notas Soltas
Há 5 horas
