Recebi agora por e-mail este texto de 22 de Setembro, acompanhado do comentário de um português empenhado no futuro do País e, pelo interesse do artigo e do comentário, transcrevo.
Os casamenteiros
Mário Crespo
O Parlamento vai votar a formação de pares homossexuais. É uma perda de tempo só oportuna para quem não queira discutir problemas reais do país. Há muito que pares homossexuais são banais no quotidiano nacional. Não sendo a sua existência controversa, tentar impor um "casamento" homossexual à ordem jurídica é ilógico.
Encarado sem sofisma ou oportunismo ideológico, esse "casamento" é um acto tão cheio de contradições que se vai anulando à medida que o analisamos. Se como acto biológico não faz sentido, contratualmente é desnecessário e socialmente é perigoso. O perigo está na afronta às entidades originais do corpo social que desde sempre tem constituído a base das civilizações.
A sociedade humana é formada por células familiares mono ou poligâmicas, patriarcais ou matriarcais, mas todas elas com um elemento comum. A presença essencial dos dois géneros da espécie.
A humanidade sempre manifestou consciência de que a sua existência depende da estabilidade de núcleos com capacidade reprodutiva. Por isso, bem ou mal, por via religiosa, jurídica ou consuetudinária, se tenta desde sempre contratualizar as relações entre sexos opostos de modo a garantir-lhes uma existência duradoura que promova a estabilidade da própria sociedade. Os entendimentos de como essa segurança pode ser conseguida ainda hoje variam de região para região, do mesmo modo que têm mudado através da história.
O que tem sido omnipresente é uma preocupação social com a manutenção da parceria sexual organizada com potencial reprodutivo, logo, envolvendo os dois géneros. A essas uniões essenciais, sempre se chamou casamento. É importante desiludir todos aqueles que queiram ler aqui um manifesto contra a homossexualidade. Não é. Tão-pouco preciso de tornar público se tenho ou não tenho no meu convívio íntimo pessoas de orientação sexual variada ou qual é a minha própria orientação sexual.
Nesta discussão não está em causa a respeitabilidade de pessoas nem a liberdade de opções. É a base do edifício social que está a ser posta em causa na tentativa de adulterar o seu elemento mais importante com experimentalismos.
Nada há na norma constitucional ou jurídica que obste à formação de um par homossexual (ou uma tríade, porque não). Se quiserem contratualizar garantias patrimoniais podem fazê-lo nas actuais molduras legais. É possível adoptar sem casar. Mas se o casamento é muito mais do que um mero objectivo procriativo, ao excluir "ab initium" a procriação da unidade conjugal como, por força da natureza, aconteceria nas uniões homossexuais, está-se a torná-lo em qualquer coisa que o faz deixar de ser.
Se há ambiguidade nesta área, desfaça-se.
Reafirme-se o que sempre foi entendido como casamento, que é a união formal entre uma mulher e um homem. Experimentalismos façam-nos criando uma entidade nova para diferentes uniões que até poderão vir a estruturar sociedades futuras, mas que nada têm a ver com o casamento. No presente, destruir a natureza cultural, tradicional, biológica e social do único instituto que garante a continuidade de tudo numa sociedade, amputando-lhe a especificidade e alargando-o a conceitos que a sua génese natural nunca contemplou, nem é progressista nem liberal, é absurdo.
Comentário que acompanhava:
Num país normal e adulto, estes seriam os jornalistas de referência... e não os que coleccionam mais capas de revistas cor-de-rosa.
Num país sereno e inteligente, estes seriam as opiniões e o tem à volta da qual se construiriam as concordâncias e as discordâncias.
Num país coerente e sério, há muito que estas verdades estariam assimiladas.
Num país que não fosse de brincar, seria assim a liberdade de imprensa: com opiniões livres!
Num país equilibrado, os partidos da oposição falariam assim!
Num país sensato, seriam jornalistas como estes que poderiam ser escolhidos para líderes políticos...
NOTA: Sobre este tema sugiro a leitura do post Casamento «gay»
Recebi de João Mateus, já conhecido neste espaço, este texto, escrito com uma erudição muito superior à média nacional, que poderá suscitar polémica, mas que constitui uma visão muito partilhada. Também me choca que os homossexuais, insistindo em evidenciar de forma espectacular, em manifestações de rua, a sua diferença, não tenham a criatividade de adoptar uma palavra também diferente para simbolizar a sua união, sem terem de usar o termo casamento, que não aceitam na sua plenitude. Porquê copiar os outros? A união traduzida por palavra inovadora poderá dar-lhes prerrogativas civis, legais, iguais ao casamento, sem irem chocar mentalidades menos flexíveis e mais rigorosas no significado da instituição.
"Cancelamentos culturais" na América (3)
Há 1 hora
5 comentários:
Sobre este tema, é muito interessante o primeiro parágrafo do artigo de opinião
Só eu sei porque não fico em casa do jornalista João Miguel Tavares no Diário de Notícias de hoje que diz:
«Está toda a gente muito preocupada por os homossexuais não se poderem casar - eu estou muito mais preocupado por os deputados não poderem pensar. Ao aprovar a disciplina de voto (com excepção de uma mascote da JS, que está autorizada a votar a favor da proposta e assim demonstrar a extraordinária "pluralidade" dos socialistas) numa matéria claríssima de costumes e de consciência individual como é o casamento dos homossexuais, o PS enfiou mais uma machadada na credibilidade do Parlamento e dos seus deputados. Obrigado, Alberto Martins.»
Caro AJS,
não é a homossexualidade que está em causa. Isso é corrente e constitucional. O que se passa é apenas uma distração para o povinho se esquecer doutros casos... que são contrários à Constituição e ao Direito Penal actual. Com a crise que querem apagar não há casamentos heteros ou gays!!
Também faz com que se esqueça a CRIIISEEEE que ainda é uma criança. O País está mal e não há melhorias à vista -como alguém para aí diz-. Bem pelo contrário. Espere o aumento do desemprego. O retorno de emigrantes com a crise exterior, logo sem emprego também.
Só não vê quem não quer. Faltam 100 milhões de Euros para pagamento dos vencimentos das FA até final do ano... E aqui podia dizer muito mais, mas fica para uma próxima!
Abraço
Já aqui defendi que a palavra casamento não deve ser utilizada na união de pessoas do mesmo sexo. Eles tão originais e imaginativos nas suas manifestações de rua, não terão dificuldade em encontrar outro termo que os não confunda com os tradicionais de quem se querem mostrar diferentes.
O grande problema levantado neste post é mostrar que os deputados não sabem analisar os grandes problemas que preocupam os portugueses, e para ocultar essa incapacidade e mostrar que trabalham, entretêm-se a passar o tempo com coisas secundárias de interesses muito discutível a não ser para alguns deles, pessoalmente interessados no tema.
Nesta altura da situação financeira interna e internacional, parece que não deveria haver tempo disponível para perder com pormenores não urgentes em vez de procurar soluções de reorganização do sistema financeiro e económico a fim de minorar o sofrimento da população.
Cumprimentos
A. João Soares
O casamento homossexual vai afetar a nossas famílias. Os fatos demonstram que tudo muda quando o casamento homossexual é legal. Se é legalizado, deve ser ensinado como normal, aceitável e moral, em cada escola pública.
Nas primeiras escolas públicas, inclusive em Infantil, devem ensinar a seus filhos a aceitar que o casamento homossexual é mais uma opção moral. E isto confunde as crianças. Isso já aconteceu em Massachusetts
O testimônio da família Parker comoveu a sociedade americana donde todos os referendos ratificam que o casamento é algo entre homem e mulher: “Solicitamos à escola que nos avisassem quando fossem tratar esses temas para termos a opção de que nosso filho não assistisse a este doutrinamento. Os professores, ao negar a opção de eximir ao nosso filho de assistir essas aulas estavam imiscuindo-se em nosso direito a formá-lo.”
Parker foi a juízo e perdeu. A sentença deu razão ao Estado. Ao ser legal o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, grupos gay poderiam impartir oficinas de sexualidade a crianças de 5 anos sem permissão dos pais.
Você pode ver neste vídeo: http://es.youtube.com/watch?v=CGPUeeAphEE
Recomendo também esta a outro vídeo que também legendados em português, que explica que uma criança também é uma dádiva: http://es.youtube.com/watch?v=pJtlrYmZe6Y
Santiago Chiva, Granada, Espanha
Santiago Chiva,
Claro que tal união não é natural, não corresponde a nenhum objectivo da natureza. Uma coisa é aceitar a desigualdade, a diferença de certas pessoas, outra coisa é chamar casamento a essa união. Pode ser legal porque a lei é uma artificialidade dos homens, mas é anti-natura. E fico eriçado quando se chama casamento a tal união. E se tanto se orgulham em ser diferentes, não percebo porque em vez de encontrarem uma outra palavra, vão copiar a das pessoas normais.
Cuimprimentos
João
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