segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Geração perdida? Não

Por vezes, deparamos com títulos nos jornais que despertam a reflexão. Mas, para pessoas menos esclarecidas e mais pessimistas, podem causar pânico e descrença em esforços positivos.

Refiro apenas três títulos impressionantes dos jornais de hoje «A geração que está agora com 16-25 anos estará perdida?», «O retrato de quatro jovens na precariedade» e «Mark Boyle: Há um ano sem dinheiro». Os dois primeiros mostram as dificuldades encontradas por jovens ao tentarem entrar na vida activa numa sociedade obsoleta e que já pouco tem para lhes oferecer. A geração referida não pode traçar planos de vida semelhantes aos que foram seguidos por seus pais e avós. As sociedades alteraram-se muito, em grande parte devido às novas tecnologias que, se por um lado, geraram novas soluções para antigos problemas, por outro lado, criaram novas necessidades e exigem novas técnicas e novos hábitos.

Há poucos anos li que um rapaz sueco de 17 anos tinha criado uma multinacional da seguinte forma. Na escola, a par das ciências clássicas e das humanidades, aprendeu gestão doméstica e de empresas e decidiu aplicar os conhecimentos de informática, prestando serviços de consultoria e apoio técnico a empresas, chegando a organizar a contabilidade de pequenas empresas. Como o trabalho aumentava chamou estudantes colegas para com ele trabalharem. Depois, através de contactos pela Internet com estudantes holandeses, montou uma filial em Amesterdão e, mais tarde, outra em Londres. Estava criada a multinacional que iria progredir na expansão.

Os jovens a que se referem estes títulos devem ser inovadores e iniciarem a sua era, com serviços e empresas diferentes daquilo que hoje existe, começando por imaginar quais as necessidades dos próximos tempos e anteciparem-se nas soluções de que o mundo vai precisar. Foi assim que os portugueses iniciaram os descobrimentos. É assim que muitos jovens válidos estão a observar pistas possíveis para a sua vida, a sua realização. É preciso muito conhecimento, we capacidade de inovação e criatividade.

Mas nessa «aventura» não devem tornar-se escravos de bancos ou conselheiros «experientes», porque todos eles estão presos aos erros do passado e do presente, com manhas e vícios que ou impedem a evolução de que o mundo necessita ou muito a dificultam.

O terceiro título acima referido mostra um jovem que tenta demonstrar como o consumismo e a escravidão actual produzida pelo marketing e pelos bancos são totalmente dispensáveis na vida em paz e felicidade. É certo que poucas pessoas acreditam que a passagem da sociedade actual para processos de vida sem dinheiro e sem a pressão do consumismo não será fácil nem rápida. Mas nenhuma evolução natural produz resultados em pouco tempo.
Há que analisar bem as realidades e os sintomas da evolução e sondar pistas e novos caminhos. Valerá a pena controlar a evolução e evitando euforias e erros graves.

Isso está nas mãos da juventude de hoje, que deve estar consciente de que lhe cabe preparar o futuro em que terá que viver e que esse ambiente não será nem igual nem sequer semelhante ao do tempo dos seus avós e pais, que permitiram a degradação a que o mundo chegou e que ficou bem demonstrada pela crise financeira,
económica e social em que ainda se vive.

Não se trata de uma geração perdida mas que está a procurar a sua forma de vier, o seu mundo. A ajuda que lhes pode ser dada, é a de pessoas que compreendam este fenómeno e ensinem como evitar e se defenderem das más influências dos actuais «velhos do Restelo» que tudo farão para manter a podridão que criaram e em que querem continuar a sua própria decomposição.

6 comentários:

Anónimo disse...

Caro João Soares,

na verdade esta actual geração de jovens está num beco muito feio.E isso não é culpa deles. Fomos nós, os das anteriores gerações, que lhes demos um caminho pouco fácil. Nós que somos inteligentes á brava e que queremos para os nossos filhos um doutoramento nem que seja de uma treta qualquer, sem qualquer saída profissional... O consumismo é-lhes passado pelas gerações mais velhas que os enchem de anúncios televisivos e que também os leva a beber cada vez mais álcool. Esta geração é filha da nossa e, como em tudo na vida, o presente é fomentado pelos anteriores. A vida perdeu muito do seu encantamento porque ruiu quase tudo em que acreditávamos como absolutamente certo...
Eu quero acreditar que a juventude acabará por dar volta á situação, mas não será fácil. Aquele exemplo que dá do jovem que criou uma multinacional é de louvar, mas não será uma excepção á regra actual?

Cumpts
Jorge M.

A. João Soares disse...

Caro Jorge M.

Compreendo-o muito bem nas suas dúvidas quanto ao futuro. Provavelmente o caso do jovem sueco será único, ou terá poucos casos parecidos. É preciso que o ensino prepare outras mentalidades semelhantes.
Se eles não conseguirem dar a volta a isto serão eles a sofrer
as consequências. Quem já tem 60 ou 70 anos pouco mais sofrerá. Mas quem tem apenas 20 ou 30, tem obrigação de tudo fazer para preparar o seu futuro.

TRanscrevo um comentário que coloquei a este post no Do Miradourojuventude de hoje tem que se preparar para lutar sem subsídios. Cada um só ou associada com amigos têm que lutar pela vida.
Há alguns anos soube de um rapaz, numa cidade de província que vivia à custa do pai que estava na Alemanha, já não estudava e passava os dias no café com amigos. Numas férias passadas com o pai conheceu uma empresa minúscula que fazia pequenos serviços em casa de clientes, pequenas reparações de electricidade, pintura, serralharia, etc. Ao regressar falou com os amigos e, como havia conhecedores de vários ofícios criaram uma empresa do género. Pouco tempo depois tinham um escritório em que a mulher de um deles atendia os pedidos e, por rádio (o telemóvel ainda era pouco conhecido), transmitia as ordens, adquiriram carros para as deslocações rápidas e o sucesso foi crescendo. De tal forma a´se desenvolveram que uma empresa de construção civil comprou a empresa com a condição de eles não montarem outra semelhante no concelho.
Já mais experientes e confiantes, foram para um concelho vizinho repetir o sucesso. Depois deixei de ter contacto com a pessoa que me transmitia este caso e que já faleceu. mas devem estar todos muito bem na vida, porque demonstraram ter qualidades para isso.
São casos como este e como o do sueco que aos 17 anos criou uma multinacional, que mostram bem que entre os jovens há gente válida que conseguirá criar o futuro de que as gerações vindouras precisam. Mas o ensino devia orientar melhor ao saber dos alunos, para as realidades da vida e a iniciativa nos negócios.

Por este problema ser muito difícil, mas necessitar solução urgente, vale a pena meditar e dar opinião. As pessoas devem ser acordadas para pensarem naquilo que é essencial para os portugueses.

Um abraço
João

Anónimo disse...

Caro João Soares,

mais uma vez penso que a culpa é dos dirigentes actuais, os políticos da geração anterior aos jovens actuais, que dá subsídios por tudo e por nada. Depois, como não ensinam a pescar, que farão os jovens que de pesca não percebem nada?! Formam-se em cursos sem saída. Contentam os papás e bebem uns copos todas as noites sem eles saberem. É cá cada noitada... E depois, o futuro? Cade ele? O nosso ensino está mal estruturado. Deviam estudar e ao mesno tempo aprender trabalho diverso para que, tal como no norte da Europa, se possam virar perante quase todas as oportunidades de emprego. Não, ficam amarradinhos a que lhes caia um emprego na sua douta área universitária Mais uns copos, mais dias nos cafés e assim iremos de cavalo já meio atordoado para burro completo.

Obrigado pela sua resposta/análise.
Jorge M.

A. João Soares disse...

Caro JM,

Ninguém pode discordar do retrato que faz da vida dos jovens actuais, na generalidade. Estão a ser orientados pelo Poder para serem uns parasitas da sociedade, com um ensino mal estruturado que não ensina a encarar oportunidades construtivas, nem sequer a fazer contas à própria vida, com uma variedade de subsídios que estimulam a viver despreocupados com o futuro.

Mas isso não me retira a esperança de que há-de surgir uma excepção que atraia uma elite reformadora, do género Gandhi, Nehru, Mao Tse Tung, ou George Washington, não me refiro a ideologias, porque um indivíduo inteligente saberá encontrar o melhor caminho para o futuro, talvez de aspecto original e devidamente adequado às realidades tradicionais e enformadoras das idiossincrasias do povo.
Quero acreditar que a esperança será a última coisa a morrer.

Se desejar veja os comentários a este post no blogue Do Miradouro

Fê-blue bird disse...

Caro Sr. Soares:
Aqui estou, tem aqui um blogue muito interessante vou também segui-lo com interesse até porque partilho muitas das suas opiniões.
Gostaria de o convidar a "espreitar" o meu humilde blogue e saber também a sua opinião.
Um abraço,


http://sotepeco5minutos.blogspot.com/

A. João Soares disse...

Cara Fê,

Dizer-me que partilhe de muitas das minhas opiniões é sinal de que nem todas são patetas, mas quanto aos pormenores de que discorda estão não tenha receio em os mostrar e argumentar contra eles. Isso me estimulará a repensar as minhas ideias. Mas olhe que muita coisa é dita com ironia, para estimular a reflexão e suscitar a polémica.
Este blogue, em relação ao Do Miradouro este blogue não tem postes novos, mas os comentários são diferentes, daí o interesse de visitar os dois.

Beijos
João