Notícia do Jornal de Negócios diz que «Mercado de “smartphones” cresce 74% no semestre», o que levanta sérias dúvidas sobre a capacidade da generalidade dos portugueses para gerir racionalmente a sua vida.
A crise não gerou tendências de amadurecimento da forma de encarar o consumismo e a prevalência da ostentação, do apego a coisas superficiais, marginais, não essenciais.
Não é visível a ideia de estabelecer prioridades na vida privada e, por consequência, também é duvidoso que nas vidas profissionais as coisas tenham melhorado.
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quarta-feira, 4 de setembro de 2013
JÁ TENS UM «SMARTPHONE NOVO ???
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A. João Soares
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Evitar o desperdício
Isabel Jonet aconselhou que devemos controlar o consumo e evitar coisas dispensáveis para vivermos dentro das possibilidades reais. O despesismo, a ostentação e o desperdício, não são boas ferramentas para se recuperar o atraso do desenvolvimento.
Em consonância com tais conselhos foi publicado por Celle no Sempre Jovens um texto de autoria atribuída a Eduardo Galeano, jornalista uruguaio, escritor de "As veias abertas da América Latina".
Trata-se de um texto que, apesar de extenso, merece ser bem analisado e meditado. Aprecia muito bem a diferença entre o ontem e o hoje vivendo-se agora uma adoração das coisas, de preferência novas e inovadoras para ostentar poder de compra e importância pessoal, obesidade do ego, da auto-estima num mundo demasiado industrializado em que todos somos escravos da máquina produtora. Somos assediados, induzidos e quase obrigados a descartar coisas ainda úteis e em bom estado de funcionamento, a adquirir e a mostrar coisas novas e de última moda para que as indústrias não parem. Delapida-se a natureza e, em troca, enche-se a mesma de lixo. Somos levados a concordar com o autor, e a reagir e abandonar, na medida do possível, a sociedade do desperdício. Eis a transcrição do texto:
CAÍ DO MUNDO E NÃO SEI VOLTAR
O que acontece comigo, que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte, só porque alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco?
Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos no varal junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujas.
E eles, nossos nenês, apenas cresceram, tiveram seus próprios filhos e se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Entregaram-se, inescrupulosamente, às descartáveis!
Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.
Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum momento, eu me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta.
O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os instrumentos musicais uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.
Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez.
Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!
É mais! Compravam-se para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.
E acontece que em nosso, nem tão longo casamento, tivemos mais cozinhas do que as que haviam em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes.
Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar.
Nada se arruma, não se conserta. O obsoleto é de fábrica. Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos ténis Nike? Alguém viu algum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas eléctricas: o afiador ou o electricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os seleiros?
Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.
Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de ... anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos carros e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava.
Desse tempo venho eu. E não que tenha sido melhor... É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com "guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já tem um novo modelo".
Troca-se de carro a cada 3 anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado... E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas... por amor de Deus! Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.
E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher, a mesma e o mesmo nome? Educaram-me para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Porque, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir.
Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (por que éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocó.
Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular poucos meses depois de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?
Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres. A terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres.
E guardávamos... Como guardávamos!! Tuuuudo!!! Guardávamos as tampinhas dos refrigerantes!!! Como, para quê? Fazíamos capachos, colocávamos diante da porta para tirar o barro dos sapatos. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.
Tuuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar isqueiros descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para isqueiros descartáveis. E as Gillette até partidas ao meio se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de fiambre, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.
E as pilhas! As pilhas dos primeiros radiozinhos de transiístores passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim.
As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.
Os jornais!!! Serviam para tudo: como de forro para as botas de borracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisas para enrolar. Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um embrulho de bananas. E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Cosmopolita era a marca de um fogão que funcionava com gás) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia "esta é um 4 de paus".
As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.
Eu sei o que nos acontecia: custava-nos muito declarar a morte de nossos objectos. Assim como hoje as novas gerações decidem matá-los tão-logo aparentem deixar e ser úteis. Aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!d
E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em base, nos disseram: comam o sorvete e depois joguem o copinho fora! E nós dizíamos que sim, mas, imagina que a lançávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as rolhas de cortiça esperavam encontrar-se com uma garrafa.
E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!! Morro por dizer que hoje não só os electrodomésticos são descartáveis; também o casamento e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objectos com pessoas.
Mordo-me para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória colectiva que se vai descartando, do passado efémero. Não vou fazer! Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno. Não vou dizer que aos velhos se declara a morte quando apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com gel no cabelo e glamour.
Esta só é uma crónica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à bruxa, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilómetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar neste mundo da reposição e corro o risco de que a bruxa me ganhe a mão e seja eu o entregue...
Autoria atribuída a Eduardo Galeano, jornalista uruguaio, escritor de "As veias abertas da América Latina"
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quinta-feira, 3 de maio de 2012
Promoção genial do Pingo Doce
Transcrição de texto recebido por e-mail reenviado, sem identificação do autor do texto. Seguida de NOTA.
Enviaram-me um pequeno filme do Ricardo Pereira a gozar com o Pingo Doce, o mesmo é dizer, com o Soares dos Santos. O meu comentário foi este:
O Ricardo Pereira viu como viu ...
Eu vi assim.
Quando na TV notei as bichas assustei-me. A malta começou a passar-se, pensei. Depois, fui observando o desenvolvimento e alterei o meu pensamento para:
Magnifico estratega este Soares dos Santos. Duma penada, em meio dia:
1º - Atirou com os sindicatos para o caixote do lixo
2º - Conseguiu um financiamento imediato, sem intermediação bancária
3º - Obteve uma intensa promoção TV, do Pingo Doce, a custo zero
Claro está que a matula de esquerda não gramou que lhes roubassem a festa. Mas em tempo de guerra não se "limpam armas". 20 valores ao Soares dos Santos.
Não é por acaso que as acções da Jerónimo Martins, que cotavam a 3 euros no início da crise, hoje rondam os 15. Só 5x mais !!! É obra !!! Os seus accionistas não foram defraudados
NOTA: Em contrapartida, os consumistas morderam estupidamente o isco, Muitos deles, comprando variedade e quantidade de produtos de que não têm verdadeira necessidade, muitos dos quais acabando por ir para o lixo. O fenómeno é o mesmo em relação à organização das prateleiras das grandes superfícies que atraem a cobiça dos incautos que, muitas vezes, pretendendo comprar um artigo de primeira necessidade, acabam por levar para casa o carro cheio de coisas sem verdadeira utilidade, tendo sido engodados pela aparência, pela publicidade e pela colocação à altura dos seus olhos.
Soares dos Santos dá um bom exemplo de gestão inteligente, mas os consumidores precisam de aprender a gerir criteriosamente o seu dinheiro.
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sexta-feira, 1 de julho de 2011
Imposto extraordinário e justiça social
O anunciado «imposto extraordinário» que consiste no corte dos subsídios de Natal, também conhecido por 13º mês, acompanhado de uma tabela das percentagem aplicáveis aos diversos níveis de salário, tem sido alvo de críticas, porque onera mais a classe média do que a classe alta.
Efectivamente, não é justo que em proporção sejam os mais pobres a pagar a crise: Vejamos quais os valores do subsídio de Natal a receber, nos diversos níveis de salários:
Quem ganha 2000 recebe 1242
Quem ganha 3000 recebe 1742
Quem ganha 5000 recebe 2742
Quem ganha 10000 recebe 5242
Assim se aumenta o fosso entre ricos e pobres
Para haver a justiça social de que tanto se fala, parece que seria mais adequado, por exemplo, que até aos 2.000 de salário recebessem o total do salário mensal, que acima desse patamar e até aos 5.000 recebessem o mesmo (2.000) e que, daí para cima, não recebessem nada, o que pouca diferença faria no seu nível de vida.
Bem sabemos que será necessária muita coragem ao Governo para enfrentar os mais poderosos. Mas é nestas situações que se mostra a autoridade moral !!! Mas não seria impossível adoptar uma solução baseada nesta sugestão pois até o Líder dos empresários apoia imposto e diz que consumo no Natal "é um disparate". Realmente, em época de crise, seria sensato afrouxar a ânsia de consumismo e de ostentação em dissonância com a realidade actual.
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sábado, 23 de outubro de 2010
Abate de automóveis
Segundo a notícia «Fim do incentivo ao abate ameaça sector automóvel», a partir de Janeiro, o incentivo de abate de carros velhos só será possível para quem comprar um eléctrico. As associações de comércio de automóveis dizem que é a medida mais gravosa para o automóvel prevista no Orçamento para 2011, ainda mais do que a subida de impostos.
Curiosamente, há pouco mais de um ano, o mesmo jornal trazia a notícia «Só isenção fiscal iria aumentar as vendas de automóveis», acerca de reivindicação das associações. Ela foi transcrita no post «Depois do BPN, o sector automóvel à mama» em que se reflectia sobre o sentido de gestão individual quanto ao momento da substituição do carro em função das suas condições de funcionamento em termos de segurança e de economia. Num momento de crise geral não se deve continuar com a tendência consumista e de ostentação de vender um carro ainda em boas condições de funcionamento.
Os lucros do sector automóvel não constituem um objectivo nacional que se sobreponha aos interesses gerais dos cidadãos que estão a sofrer sucessivos apertos de cinto.
No citado post consta entre muitas outras considerações o seguinte: o abate prematuro só serve para aumentar o negócio dos grandes grupos de importadores e vendedores. A pretensão das associações não pode ser um objectivo nacional, mas apenas um proteccionismo aos importadores e vendedores de automóveis novos.
Dos apoios a esses magnatas resulta prejuízo para o País por aumentar a dívida externa com mais importações, prejuízo para as pessoas que deixam de utilizar o carro enquanto pode funcionar com segurança e rentabilidade, prejuízo para os vendedores de peças e para as oficinas de manutenção e reparação, com o desemprego de muitos mecânicos de pequenas oficinas, por todo o país.
O bom povo deve ser ensinado a gerir os seus interesses e resistir aos apelos de vozes exploradoras das suas poupanças e dos dinheiros dos impostos.
Os governantes devem conhecer melhor as realidades dos portugueses em geral e não se limitarem a dar ouvidos às pressões de detentores do capital, ávidos de lucros à custa da exploração do povo menos informado.
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quinta-feira, 29 de julho de 2010
Investimentos não aproveitados
O consumismo aparece com muitas roupagens desde o cidadão vulgar até aos mais poderosos estadistas, se lhes faltar capacidade de discernimento quanto aos factores a ter em conta antes de qualquer decisão. Não deviam esquecer-se de que é indispensável Pensar antes de decidir. Muita gente corre a comprar um artigo que acaba de ser lançado no mercado, sem ver se lhe é minimamente útil, outras vão ao supermercado para comprar arroz e vêm de lá com um carro de compras cheio de coisas que acabam por, alguns dias depois, ir para o lixo por não terem o mínimo interesse.
Agora a notícia Maioria dos radares em Lisboa só serve para assustar diz que «(…)O sistema de detecção de veículos em excesso de velocidade instalado na cidade de Lisboa, em 2007, está reduzido, há mais de um ano, às suas funções dissuasoras. A componente repressiva que lhe estava associada, através da aplicação das multas previstas no Código da Estrada, foi posta de parte pela Câmara de Lisboa, por incapacidade material de tratar a informação recolhida pelos radares.»
Para quem é incompetente é fácil decidir esbanjar o dinheiro público em maquinarias modernas mesmo que não venham a ter utilidade para o bem comum, mas é muito mais difícil organizar um sistema simples mas eficaz, para o fim em vista. Parece que, ao comprarem os radares, não faziam a mínima ideia da utilidade que iriam ter, como iriam ser utilizados, com realismo e eficácia, mas, provavelmente, tinham a atenção apenas centrada no negócio inovador e, eventualmente, na «atenção» do fornecedor!
O Radar é uma peça de um conjunto de factores cujo funcionamento devidamente conjugado iria proporcionar um resultado para uma finalidade que deveria estar previamente bem definida. Tudo leva a crer que os gestores do dinheiro público, não resistiram à oferta publicitada de um aparelho inovador com que iriam obter fins pouco definidos e inconfessados, mas sem fazerem ideia do sistema que viria a ser necessário organizar para utilizar com eficácia a nova ferramenta.
Este facto não será provavelmente filho único e haverá muitos outros exemplos de incapacidade para organizar e gerir, de forma racional e económica, os recursos nacionais, o dinheiro dos impostos (cada vez mais elevados, para fazer face a tanto desperdício).
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sexta-feira, 9 de abril de 2010
Elogio da simplicidade
A felicidade não é prémio para um esforço, um sacrifício, permanente. Não se consegue com o sofrimento voluntário e masoquista em prejuízo do momento presente. Pelo contrário, é o cabal aproveitamento do «agora». É muitas vezes companheira da carência de bens materiais, da simplicidade de vida, em que se dá valor a pequenas maravilhas da natureza, das ideias, do pensamento positivo, e daquilo que se aprende com a experiência e com os contactos com os outros.
Os exemplos disto aparecem a cada momento, assim estejamos sintonizados para os recebermos e descodificarmos. Há dias surgiu o post «Vida de executiva de sucesso» que colocava em evidência o stress e a vida infernal de uma executiva de sucesso. Antes tinha sido aqui publicado o post «Dinheiro não dá felicidade» com referência ao artigo «Mark Boyle: Há um ano sem dinheiro» e, há mais tempo, os dois posts «Quem sou?» e «Um dia como os outros», todos evidenciando a beleza da vida simples sem consumismo nem ostentação, em permanente aprendizagem dos reais valores da vida.
Hoje surge o artigo do jornal de notícias que se transcreve para que os leitores o possam apreciar aqui sempre que desejarem
Nómadas modernos
Jornal de Notícias 09-04-2010. Por Glória Lopes
A história de... Boss, Kaz e Cherry
Família inglesa vendeu casa e carro e anda num autocarro a percorrer a Europa
Há quem lhes diga que são loucos e os olhe de lado, mas Boss (Jim), Kaz e Cherry, um casal de ingleses e a filha, vêem-se como "os nómadas dos tempos modernos" e consideram que trocar uma habitação de cimento, em Inglaterra, por um lar num autocarro transformado em casa que permite viajar por toda a Europa, é uma forma romântica de encarar a vida.
Em 2008, a família deixou tudo para trás em Norwich (Inglaterra). Vendeu casa e carro e, na companhia de dois cães, mais três que recolheram pelo caminho, fizeram-se à estrada para "uma jornada guiados pelos poder do sol e do biodisel" na Boudicca, o nome da casa/autocarro, através do qual prestam homenagem à antiga rainha celta da Vitória que viveu em Norfolk, contaram, ao "Jornal de Notícias", em pleno parque de estacionamento de um supermercado, em Bragança, onde foram fazer compras, pois os nómadas também comem, mesmo que vivam sob o poder e a influência da natureza.
Ex-bancária e ex-motorista
Kaz trabalhava num banco, Boss era motorista de pesados, Cherry, a filha, era estudante, mas estavam insatisfeitos com a vida de todos os dias. A morte da mãe de Kaz levou-os a tomar a decisão de embarcar nesta aventura sobre rodas. "Era agora ou nunca. Precisávamos de partir e o tempo estava a passar. Tomámos a decisão. Optámos pelo autocarro porque, como é grande, serve de casa, temos tudo, até um duche e máquina de lavar", contou Kaz.
Esta exploração por terras europeias já os levou à Republica Checa, nomeadamente a Praga, à Transilvânia e a várias cidades de Espanha. Há mais de um mês que estão em Portugal e garantem que estão a adorar. "O clima é ameno, até é quente se comparado com o de Inglaterra, as pessoas são muito simpáticas", acrescentou.
Para já estão estacionados em Rabal, uma aldeia do Parque de Montesinho, e estão a considerar ficar por lá uns tempos. "Temos sido muito bem tratados pelos habitantes", justificou. Não é uma paragem para sempre, porque a seguir vão para a Roménia e a Bulgária.
A filha não vai à escola, mas tem lições dadas pelos pais: "É uma forma de aprender mais enriquecedora porque viaja e tem muitas experiências, conhece pessoas e aprende línguas", disse, ainda, o patriarca.
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sábado, 6 de março de 2010
Dispensar excessos, consumismo e ostentação
Transcrição de artigo seguida de uma pequena nota final
O dispensável
Correio da Manhã, 05 Março 2010. Por D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa
Há palavras ou versos que nos rasgam a mente, abrem os olhos e nos deixam a pensar. Dei estes dias de retiro quaresmal com um verso de Sophia de Mello Breyner Andresen que teve este efeito e aqui partilho. Reza assim: "Tudo quanto me acontece é dispensável" (Obra poética, Vol. 1, p. 171).
Fixada na experiência da solidão, a autora do Coral reconhece esta nudez, exercício difícil para cada um de nós, na acumulação de adereços que justificamos e fazemos indispensáveis.
As cenas de destruição, a que estes últimos tempos nos habituaram, podiam, se tivéssemos tempo para pensar, conduzir a nossa reflexão. De facto, esses acontecimentos eram bem dispensáveis!... não nos recordavam o efémero da vida! Porém, Sophia aponta para um "tudo quanto me acontece", o que pode originar desamparada vertigem. Esta sugestão de pleno despojamento assusta.
O conceito de dispensável sofreu grande alteração na época consumista e na lógica da posse que adquiriu espaço quase sem limites, na omnipresente teoria do mercado. Contudo, o desemprego, os salários em atraso e o encerramento diário de empresas põem muita gente no limite de ter de pensar o que é ou não indispensável.
A nível individual, quem conseguir ser livre na relação com os bens e despojar-se, em nome da fé ou da opção por uma vida simples e austera, encontra sabedoria na afirmação "tudo quanto me acontece é dispensável". Que força não encerra esta advertência na hora de moderar o consumo, ainda que para tristeza de alguns negócios, mas para alegria futura de todos. Como implica cautela no endividamento, em vez de incentivo! Como obriga a repensar a utilização dos meios de transporte, a reduzir os desperdícios e a recorrer à reciclagem!
Mais complexos serão os passos corajosos a dar na vida pública, em contexto globalizado, para preparar um futuro no qual não mais haverá trabalho abundante e onde o sistema, até agora imperante, ceda lugar a outra harmonia mais sábia, que atenda a todos os elementos desde a salvaguarda da criação, uma cultura solidária, até um paradigma de desenvolvimento integral e baseado na melhoria das condições de vida de cada local, fomentador de uma democracia participativa. O papel do Estado necessita de ser resgatado para, seguindo princípios éticos, exercer, sem medo, uma andragogia política que ajude a identificar o dispensável e para motivar cada região, em ordem a optar por um desenvolvimento que a faça mais serenamente feliz.
NOTA: Foi aqui publicado há cerca de um mês o post «Dinheiro não dá felicidade», em que estão links que conduzem a «Geração perdida? Não» e a «Mark Boyle: Há um ano sem dinheiro». É preciso aprender a dispensar muita coisa que não é essencial à vida, deixar de adorar o TER e os sinais de ostentação de riqueza e ponderar cada despeza, naquilo que representa de utilidae ou de dispensabilidade. O milionário austríaco Rabeder de um dos textos linkados e o jovem Mark Boyle ensinam que é possível viver com simplicidade, sem consumismo nem ostentação.
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Geração perdida? Não
Por vezes, deparamos com títulos nos jornais que despertam a reflexão. Mas, para pessoas menos esclarecidas e mais pessimistas, podem causar pânico e descrença em esforços positivos.
Refiro apenas três títulos impressionantes dos jornais de hoje «A geração que está agora com 16-25 anos estará perdida?», «O retrato de quatro jovens na precariedade» e «Mark Boyle: Há um ano sem dinheiro». Os dois primeiros mostram as dificuldades encontradas por jovens ao tentarem entrar na vida activa numa sociedade obsoleta e que já pouco tem para lhes oferecer. A geração referida não pode traçar planos de vida semelhantes aos que foram seguidos por seus pais e avós. As sociedades alteraram-se muito, em grande parte devido às novas tecnologias que, se por um lado, geraram novas soluções para antigos problemas, por outro lado, criaram novas necessidades e exigem novas técnicas e novos hábitos.
Há poucos anos li que um rapaz sueco de 17 anos tinha criado uma multinacional da seguinte forma. Na escola, a par das ciências clássicas e das humanidades, aprendeu gestão doméstica e de empresas e decidiu aplicar os conhecimentos de informática, prestando serviços de consultoria e apoio técnico a empresas, chegando a organizar a contabilidade de pequenas empresas. Como o trabalho aumentava chamou estudantes colegas para com ele trabalharem. Depois, através de contactos pela Internet com estudantes holandeses, montou uma filial em Amesterdão e, mais tarde, outra em Londres. Estava criada a multinacional que iria progredir na expansão.
Os jovens a que se referem estes títulos devem ser inovadores e iniciarem a sua era, com serviços e empresas diferentes daquilo que hoje existe, começando por imaginar quais as necessidades dos próximos tempos e anteciparem-se nas soluções de que o mundo vai precisar. Foi assim que os portugueses iniciaram os descobrimentos. É assim que muitos jovens válidos estão a observar pistas possíveis para a sua vida, a sua realização. É preciso muito conhecimento, we capacidade de inovação e criatividade.
Mas nessa «aventura» não devem tornar-se escravos de bancos ou conselheiros «experientes», porque todos eles estão presos aos erros do passado e do presente, com manhas e vícios que ou impedem a evolução de que o mundo necessita ou muito a dificultam.
O terceiro título acima referido mostra um jovem que tenta demonstrar como o consumismo e a escravidão actual produzida pelo marketing e pelos bancos são totalmente dispensáveis na vida em paz e felicidade. É certo que poucas pessoas acreditam que a passagem da sociedade actual para processos de vida sem dinheiro e sem a pressão do consumismo não será fácil nem rápida. Mas nenhuma evolução natural produz resultados em pouco tempo.
Há que analisar bem as realidades e os sintomas da evolução e sondar pistas e novos caminhos. Valerá a pena controlar a evolução e evitando euforias e erros graves.
Isso está nas mãos da juventude de hoje, que deve estar consciente de que lhe cabe preparar o futuro em que terá que viver e que esse ambiente não será nem igual nem sequer semelhante ao do tempo dos seus avós e pais, que permitiram a degradação a que o mundo chegou e que ficou bem demonstrada pela crise financeira,
económica e social em que ainda se vive.
Não se trata de uma geração perdida mas que está a procurar a sua forma de vier, o seu mundo. A ajuda que lhes pode ser dada, é a de pessoas que compreendam este fenómeno e ensinem como evitar e se defenderem das más influências dos actuais «velhos do Restelo» que tudo farão para manter a podridão que criaram e em que querem continuar a sua própria decomposição.
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sábado, 2 de janeiro de 2010
Naquele tempo. In illo tempore
Como já disse aqui e aqui, tenho imenso gosto em conversar com o velho António se bem que nem sempre tenho disponibilidade de tempo para o ouvir, tão assoberbado ando com os blogs e a preparação de leitura para os estimados visitantes. Mas ele realmente merece mais atenção da minha parte.
Por isso, neste início de ano, aqui vou referir uma pequena conversa de há dias. Estávamos a sós num snack-bar onde, a meu pedido, nos encontrámos para almoçar e conversar sobre a actualidade, para alinhavar o esquema de expor os meus pensamentos nos posts mais recentes que focavam coisas de algum melindre e exigiam cuidados especiais.
Conversar com este velho sábio que é um poço de saber, não o saber empinado das sebentas e recitado em reuniões sociais, mas de reflexões sobre tudo o que lê e ouve e que aprofunda na procura de respostas a uma série de perguntas do género: o quê?, quem?, onde?, como?, porquê?, para quê?, e depois?, etc. Depois, com as respostas que obtém, cria teorias filosóficas, muito suas, mas de muito interesse, e que ele nunca considera definitivas pois as constantes perguntas conduzem a actualizações.. Para ele é impossível sustentar um erro indefinidamente por teimosia ou capricho, como tem acontecido, nesta última meia dúzia de anos, em que os governos têm sido obrigados pela pressão popular a fazer recuos que têm causado custos incalculados e incalculáveis aos portugueses.
Com a sua base de saber e a sua filosofia, parece que o António tudo compreende e nunca se sente surpreendido por qualquer burrice de políticos, por ver sempre o que provavelmente está por detrás, quase sempre interesses inconfessados opostos aos interesses nacionais.
Mas no desenrolar da conversa sobre orçamentos, sociatas a que chamam «casamento», por não terem a originalidade querem aparentar, cabalas, palhaçadas, malhas, etc, um empregado do snack-bar deixou cair um prato que se partiu em vários cacos. Aí, o velho filósofo teve uma transmutação repentina e saltou para «in illo tempore»,.expressão que duvidou se tinha alguma coisa a ver com «os meus amores» de Trindade Coelho, e iniciou uma reflexão em voz audível sobre a sua meninice na aldeia, os amoladores, os latoeiros, etc.
A louça de barro rachada não era atirada ao lixo, era guardada com cuidado até uns dias depois se ouvir a gaita do amolador. Era uma gaita parecida com instrumentos musicais de grupos dos Andes, construídos por tubos paralelos de tamanhos diferentes que produziam notas desde as mais baixas às mais agudas e eram tocadas de modo característico, sempre igual, anunciador do amolador.
Era um homem com uma bicicleta que tinha uma roda de amolar movida pelos pedais e que servia para amolar (afiar, aguçar) facas, tesouras, canivetes. Além disso reparava guarda-chuvas, punha uns pingos de solda num cântaro de levar à fonte e colocava gatos na louça, na tal louça rachada. Os gatos eram como que agrafos que apertavam os dois lados da louça em que tinha sido colocada uma maça que colava as duas partes, e a peça poderia assim continuar ao serviço por mais uns tempos, talvez meses.
Mas o António não é pessoa para se agarrar teimosamente a um assunto sem o relacionar com outros, sem dele tirar conclusões para a actualidade e projectar no futuro. E surgiu a pergunta e agora?. Agora é a degradação do ambiente de forma continuada e sistemática. Mas que tem a ver uma coisa com a outra?
Agora, à mínima deficiência atira-se para o lixo. A camisa a que cai um botão vai para o lixo. Isto que parece progresso acabou por escravizar as pessoas a uma vida artificial. O ambiente é sobrecarregado com a exploração de matérias primas para mais produção, o lixo é sobrecarregado com maiores quantidades, alguns de demorada eliminação natural ou incinerados com a consequente poluição atmosférica. Tudo isso em prejuízo cada vez mais grave do ambiente, da Natrureza, E as pessoas? Essas têm que trabalhar mais e viver numa pressão constante e deixarem-se viciar no consumismo. Os horários de trabalho para fazer face à maior necessidade de produção são mais sobrecarregados e é ocupada mais mão-de-obra com menos tempo de descanso e lazer. E para as pessoas ganharem para a sua necessidade de consumo, deixam de ter tempo para VIVER, e vão «andando», sem darem atenção aos filhos, aos pais e avós idosos, sem terem tempo para actividades de convívio social e de cultura.
E do alto da sua sabedoria bem consolidada e sempre em actualização permanente, o António dizia que não é saudosista do «in illo tempore» que até se tem adaptado muito bem aos tempos actuais e dá lições de vida a quem o quiser ouvir.
O António compreende tudo o que está a passar-se, mas teme pelo futuro dos netos que vão ter uma vida muito mais escravizadora do que a actual. As pessoas vivem na ânsia constante da inovação, das novas tecnologias, mas estão a construir as correntes que as prendem. Ainda não sabem trabalhar bem com um novo aparelho e logo compram outros, passando a vida sempre ignorantes, aprendizes, sem nunca saberem tudo. Sabem sempre nada de nada. O António diz que é um generalista, porque procura saber nada de tudo. E nunca quis ser especialista porque esses têm um horizonte muito estreito, sabendo tudo de nada!
E assim se passou aquele almoço muito frugal no aspecto de alimento físico mas riquíssimo do ponto de vista espiritual e intelectual. Muito obrigado caro António. Até breve e Bom Ano 2010.
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Labels: consumismo, lixo, tecnologia
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Depois do BPN, o sector automóvel à mama
Só isenção fiscal iria aumentar as vendas de automóveis
JN. 091007. Fernando Basto
Entrega de carros para abate diminuiu desde Agosto, apesar dos incentivos.
Os novos incentivos ao abate de carros usados, em vigor desde Agosto, não estão a ser suficientes para pôr fim à crise no sector automóvel. A isenção de impostos durante dois anos continua a ser a reivindicação das empresas.
"A ganância de obter dinheiro de imediato por parte do Governo é que está a impedir a recuperação do sector automóvel". É assim que Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP), comenta a falta de uma verdadeira inversão na venda de veículos novos. Acredita-se que 2009 feche com uma queda superior a 30% em relação ao ano passado.
Com efeito, para o presidente do ACP, os novos incentivos concedidos ao abate de veículos usados - e que se encontram em vigor desde 8 de Agosto - "não vieram dar o impulso às vendas que o sector automóvel precisa e há muito reivindica".
(Para ler mais faça clique aqui)
NOTA: O que chamam «crise no sector automóvel»? Uma diminuição de vendas de carros novos? Uma diminuição de abate de carros ainda em bom estado? Será que não vêem que esse abate só serve para aumentar o negócio dos grandes grupos de importadores e vendedores?
Acabar com essa dita «crise» não pode ser um objectivo nacional, mas apenas um proteccionismo aos importadores e vendedores de automóveis novos. De tais apoios a esses magnatas resulta prejuízo para o País que aumenta a dívida externa com mais importações, prejuízo para as pessoas que deixam de utilizar o carro enquanto pode funcionar com segurança e rentabilidade, prejuízo para os vendedores de peças e para as oficinas de manutenção e reparação. Quantos mecânicos de pequenas oficinas, por todo o país ficarão sem emprego?
E, quando se fala que a crise alertou para a necessidade de combater o consumismo, avançam em sentido contrário com esta medida que serve para o incentivar.
Será bom que os governantes não se debrucem apenas na defesa dos banqueiros e dos grandes importadores e representantes das marcas de automóveis. O bom povo deve ser ensinado a gerir os seus interesses e resistir aos apelos de vozes exploradoras das suas poupanças e dos dinheiros dos impostos. Os governantes devem conhecer melhor as realidades dos portugueses em geral e não se limitarem a dar ouvidos às sanguessugas capitalistas.
Será que Portugal tem necessidade de mais automóveis? Será que pretendem que haja mais do que um carro por pessoa?
Haja senso. Pense-se no nível de vida da maior parte dos portugueses.
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Labels: consumismo, exploração
sábado, 8 de agosto de 2009
Contribuintes pagam abate de carros
Há dias que ando a magicar neste tema, mas fui ultrapassado por outros assuntos. Hoje apareceu o artigo de Ferreira Fernandes que me fez avançar. Transcrevo-o e no fim exprimo algumas reflexões.
A revolta dos carros para abate
DN. 090808. por Ferreira Fernandes
Ubasute, o lugar onde se abandona a velha mãe, pertence ao folclore japonês. Sobe-se à montanha e deixa-se lá, sozinha, aquela que já não espera nada. Na década de 80, Shohei Imamura fez um belo e celebrado filme sobre essa lenda, A Balada de Narayama. Há ainda um poema doloroso e irónico de uma mãe que, transportada às costas do filho até à montanha de Ubasute, vai deixando parte do seu corpo para que o seu menino saiba o caminho de volta.
Desde ontem, também os donos dos carros a cair da tripeça podem levá-los ao abate (de Ubasute?) e trocá-lo por 1500 euros. A vida tem de ir para a frente e a Associação Automóvel de Portugal (ACAP) aplaude a medida, necessária para combater a crise dos vendedores de automóveis. Mas os velhos Toyotas e outros Fiats são menos fiéis que a velha mãe do poema.
Podem vingar-se, como se descobriu também esta semana na Alemanha. Lá o incentivo é de 2500 euros e tem sido um sucesso (aumentou as vendas de novos em 30%). Mas descobriu-se que mais de 50 mil carros, falsamente dados para abate, foram exportados. O prémio para o abate foi um incentivo para o crime organizado. A falta de compaixão paga-se caro.
Ferreira Fernandes
NOTA: Esta medida que desencaminha muito dinheiro dos impostos pagos pelos contribuintes só produz benefício para a Associação Automóvel de Portugal (ACAP) que, como diz o autor, deve aplaudir a medida. Os vendedores de automóveis regozijam-se. Mas os menos privilegiados pela sorte que trabalham com as mãos sujas de ferrugem, nas muitas oficinas de reparação que existem por todo o País têm que pensar outra vida, porque deixa de haver carros velhos a precisar do seu serviço.
Só há benefício para os grandes grupos de importadores e vendedores de carros novos, enquanto os pequenos reparadores vão para o desemprego, e isto à custa do dinheiro dos contribuintes.
Outro aspecto não menos significativo é o incremento que esta medida dá ao espírito consumista, de desperdício, de ostentação, contrariando a necessidade de uma mentalidade de gestão de todos os recursos que devia nascer desta crise. Isto mostra que o Governo pretende que quando cai um botão da camisa, em vez de pregar o botão, se deve destruir essa peça de roupa e comprar uma nova. Parece que, pelo contrário, a crise devia ter levado as pessoas a pensar conservar o carro enquanto a sua utilização for compensadora e a dar preferência aos transportes colectivos.
Curioso também é que já há carros a mais como se vê na falta de espaço para estacionamento, na quantidade de carros que circulam apenas com o condutor, nas famílias em que há um carro para cada pessoa, ao mesmo tempo que em Portugal não existe indústria nacional de construção de viaturas.
Pergunto: em que medida se pensou nos interesses nacionais, e que objectivo nacional pretendem atingir com tal decisão? Mas há interesse dos políticos em beneficiar os donos da alta finança e das mais fortes empresas.
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sexta-feira, 17 de abril de 2009
Assédio ao consumidor
A crise exige medidas inteligentes para ser iniciada uma nova vida, quer nas empresas quer nas famílias, tendo por finalidade a recuperação das perdas sofridas e a reorganização do sistema económico e financeiro, por forma a evitar que surjam outras situações críticas. Cavaco Silva, com o seu respeitável grau académico e currículo docente e político, critica a confusão entre custos e benefícios, o que sendo correcto em grandes investimentos, é o também nas pequenas despesas que as famílias e os indivíduos fazem diariamente. A este nível desprezam-se os cuidados aconselhados pelo bom senso, na gestão quotidiana.
Um raciocínio baseado neste aspecto leva à conclusão de que a crise aumentou o conflito de interesses entre o produtor/vendedor e o consumidor, sendo aquele apoiado pelo Governo, que faz péssimo uso do dinheiro do contribuinte. O empresário está a fazer tudo para aumentar a facturação, aliciando, por todos os meios e utilizando todos os artifícios, o consumidor a comprar, mesmo que isso não lhe interesse.
Mas não devemos esquecer que foi esta táctica que conduziu à crise: marketing agressivo, publicidade exagerada e, por vezes, enganosa, crédito quase imposto (vá para férias e pague depois), promoções por telefone em que uma pessoa é pressionada a comprometer-se de imediato, sem poder pensar calmamente antes de decidir, etc.
Agora, até o Governo se coloca ao lado dos capitalistas exploradores dos consumidores, forçando estes a negócios em que o custo não tem contrapartida dos benefícios. A crise veio provar que há carros a mais, circulando a maioria com apenas o condutor nas horas de ponta, e muita gente já está a ponderar as vantagens dos transportes colectivos. Como resultado, há menos consumo de combustíveis, menos poluição e as vendas de carros baixaram de forma bem visível.
O povo abriu os olhos e começou a pensar bem. Mas o Governo, na sua óptica de apoio aos possuidores de mais dinheiro, muitas vezes amigos pessoais de governantes, para apoiar os vendedores de carros, importados na quase totalidade, vai aumentar o incentivo ao abate de veículos em fim de vida. Parece que seria mais lógico aconselhar a moderação das despesas, conforme o sugestão de Cavaco Silva, pensando na relação custo/beneficio.
É certo que sem compras, sem consumo, a economia não se desenvolve, mas tudo deve ser contido dentro de limites convenientes. E, se a economia volta a ter um empolamento fictício, com o consumismo vicioso de produtos menos necessários, caminharemos para uma nova crise pouco depois de esta ser ultrapassada.
Parece que a solução correcta passa por aceitar perdas em actividades dispensáveis, mais supérfluas e não prioritárias, e criar normas orientadoras para o desenvolvimento de uma sociedade mais sustentável, sem tanto consumismo, sem tanta ostentação e sem tanta concorrência no «faz-de-conta».
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quinta-feira, 23 de agosto de 2007
O consumismo e a abertura das aulas
Todos os anos, nesta época, somos bombardeados por publicidade agressiva de produtos destinados a crianças e de algum modo ligados à reabertura escolar. As crianças, em competição com os colegas e de olhos postos na publicidade que lhes entra pelos olhos na TV e nos múltiplos folhetos, não querem sentir-se discriminados negativamente perante os seus colegas, filhos de gente rica. Isso obriga muitas famílias de fracas posses a gastar muito mais dinheiro do que aquele que desejavam com os estudos dos filhos. Sentem que é necessário que os filhos usem «produtos de marca» a fim de não ficarem atrás dos ricos.
Infelizmente, é uma situação normal no mundo de consumismo em que vivemos. Mas será conveniente a procura de uma solução que faça acordar as pessoas adormecidas e as leve a pensar naquilo que realmente lhes interessa, sem ser a pressão da equiparação aos outros e o receio do que eles possam pensar de si. Será bom que se acabe com a actual tendência social para a competição nos aspectos da ostentação de riqueza, desprezando os verdadeiros valores pessoais.
Alguém me recordou que, em fins da década de 1940, numa cidade de província, o reitor do Liceu obrigava ao uso de uma bata branca, que ocultava as diferenças dos sinais exteriores de riqueza. À chegada, os alunos passavam pelo vestiário onde deixavam o guarda-chuva, a gabardina, etc. e vestiam a bata, fazendo o inverso à saída. Os cadernos diários das disciplinas eram de modelo único adquiridos na cantina liceal.
Havia um aluno, filho de proprietários agrícolas de poucas posses, que se deslocava diariamente a pé, entre a sua aldeia e o Liceu, uma distância de cerca de seis quilómetros. Usava botas de «sola de pneu» e as roupas, devido à poeira, à lama, à chuva, à neve e ao vento, das suas viagens de ida e volta, não apresentavam aspecto muito famoso.
Como por essa data, não havia competição pelo calçado, roupas, mochilas, etc. de marca, como os artigos escolares não se prestavam a ostentação, como era usada a bata, esse aluno nunca foi discriminado, antes foi apreciado por todos por, apesar das dificuldades a que tinha de fazer face, com perda de tempo em viagens, sem ter um explicador, conseguir altas classificações. Estas eram um factor primordial de apreço, muito acima dos aspectos exteriores. Quando, agora, se fala nas facilidades que estão a ser planeadas para os melhores alunos, como prémio ao mérito, como estímulo aos melhores desempenhos, lembro-me com saudades desses tempos em que esse aluno era apreciado pelos colegas, pelo seu saber, pelas classificações que obtinha e pela sua disponibilidade para tirar dúvidas aos colegas e ajudá-los.
No fundo de tudo isto, havia uma perfeita noção da responsabilidade, da obrigação de fazer bem, de desempenhar com a maior excelência as tarefas que lhe eram exigidas, de corresponder ao que dele era esperado pela família. E o Estado já tinha em prática um sistema de prémio parecido com aquele que está a ser desenhado em duas universidades da Alemanha e em Portugal, e, perante as boas notas este aluno teve isenção de propinas durante todo o Liceu e, face às altas classificações obtidas no exame do 5º Ano (equivalente ao 9.º de hoje), recebeu uma bolsa de estudo constituída por uma pequena mensalidade durante o 6.º ano.
Da recordação de tudo isto e da reflexão sobre o actual problema dos pais, surgem as perguntas: um aluno de hoje, em condições semelhantes às daquele que se recordou, a perder em viagens perto de três horas por dia, a fazer os trabalhos de casa à luz do petróleo, a passar várias horas com a roupa molhada pela chuvada matinal, conseguiria suportar a pressão dos colegas ricos e obter boas classificações e acabar o curso superior bem cotado? Como garantir hoje que os jovens saibam assumir aquilo que são, os seus valores intrínsecos, e aprendam a viver com o que têm? Como aprenderão que «basta ser feliz; não é necessário ser mais feliz do que os outros»? Será bom que pais e professores ensinem boas regras de vida às crianças para no futuro saberem bem gerir as suas vidas.
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quarta-feira, 18 de julho de 2007
O consumismo e o telemóvel - Poesia
O Telemóvel
Por Ana Briz, blog http://brizissima.blogs.sapo.pt
A coisa mais importante
após a ida do infante
á descoberta do Mundo.
Foi a máquina infernal
que apareceu em Portugal
revolucionando a fundo
o telemóvel, pois é,
para a Maria e pro Zé
e também para a criança.
Toda a gente usa e abusa
a ter vários não se escusa
não é bom para a poupança
ele está em todo o lado
e o mais sofisticado
está sempre a sair á praça.
Mais pequeno e atraente
para agradar ao utente
do bolso sair mais massa
cada toque é uma surpresa
nos transportes ou á mesa
é quem mais pode escutar.
E as senhoras ás pressas
põem malas ás avessas
para o "dito" encontrar
mas quando isso acontece
então mais o clima aquece
com gritaria a preceito.
Tudo fala á descarada
a conversa é devassada
tem que se ouvir, não tem jeito
há telemóveis tocando
com música arranhando
qualquer espectáculo ou concerto.
E mesmo em missa de morto
não se evita o desconforto
não se escapa a este aperto
desde a raspa ao tiroliro
de Beethoven ao suspiro
das baladas ao orgasmo.
São toques dos mais diversos
e poluentes confessos
de ruídos e de pasmo
já tiram fotografias
são óptimas companhias
na solidão do momento.
Fazem-se jogos diferentes
e cada vez mais clientes
aderem ao instrumento
e não há como fugir
novo modelo a surgir
mais novidades no ar.
Os ladrões assaltam lojas
são incentivo pras corjas
cujo negócio é roubar
o menino é assaltado
o telemóvel roubado
isso não interessa nada.
Compra-se outro diferente
fica o menino contente
e a família descansada
e o telemóvel é isto
uma graça, um petisco
na mão de qualquer pessoa.
E é claro a malandragem
tem uma maior tiragem
mesmo que doa a quem doa
é desvario total
esta máquina infernal
abuso á privacidade.
Pois encontrar toda a gente
mesmo em momento indecente
é abuso, é maldade
se num futuro canalha
ninguém mexer uma palha
para travar este engenho.
Já aqui não está quem falou
o meu tele já tocou
vou atender, também tenho.
Por Ana Briz
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A. João Soares
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Labels: consumismo, telemóvel
