domingo, 2 de setembro de 2012

Coligação, cooperação, colaboração, corresponsabilização

Um Governo de coligação implica comportamentos democráticos de respeito mútuo entre as partes coligadas. Coligação deve assentar em cooperação, colaboração e corresponsabilização, isto é, a identidade de uma parte não deve ser esquecida ou esmagada pelo autoritarismo, pela teimosia da outra parte que se julgue no direto de impor o seu ponto de vista «custe o que custar». Palavras como piegas, histerismo, e outras de género, devem ser excluídas do dicionário de quem tem obrigação de respeitar os eleitores, os cidadãos que representa.

A coligação exteriormente, pelos resultados, tem sido um falhanço, e alguns observadores referem a sua "disfuncionalidade" ou dizem que a coligação faz lembrar fábula do “lacrau e do sapo”. Isto não pode ser interpretado à letra, porque poderá haver exagero ou aspectos de luta interpartidária.

Mas notícias com aspecto de maior isenção alertam que RTP e Orçamento do Estado para 2013 abrem crise entre CDS e PSD ou dizem que Portas descontente com caso RTP quer renegociar planos com PSD ou que Portas fala em "esforço para recuperar sentido de compromisso" com PSD. Ninguém pode ser obrigado em estar coligado se não lhe é permitido pronunciar-se para se procurar consensos, sem imposições que violem maneiras de ver viáveis e patrióticas.

Tudo isto, ligado ao falhanço de um ano de sacrifícios e à perspectiva de se continuar em maré de sacrifícios, faz aumentar a ansiedade quanto ao futuro e abalar a confiança nos políticos e a credibilidade das sua palavras que, muitas vezes, soam mal.

Imagem de arquivo

7 comentários:

Anónimo disse...

Portas é um homem sem sentido de estado. Procura dar uma no cravo e outra na ferradura.
O que o governo deve fazer seria discutido interiormente e não na praça pública. Uma coligação, seja de quem for, com este homem, quando as coisas são difíceis, pode levar uma picada de lacrau.
Deixou-nos uns submarinos que os devia meter onde gosta!!!
O mal deste governo é ter ministros balofos e interesseiros. Era preferível que a troika tivesse vindo governar até sacar o dinheiro. Seria mais rápido e se calhar menos doloroso.

Democracia da treta

A. João Soares disse...

Realmente, a Democracia é um termo demasiado teórico e utópico, uma treta, só possível numa sociedade muito evoluída e com boas tradições de moral e ética.
Os interesses de Estado são demasiado ignorados e desprezados pelos «ministros balofos e interesseiros», como lhes chama. Infelizmente, governo atrás de governo, tem tido aves de rapina que pensam mais no enriquecimento próprio e dos coniventes e cúmplices do que no bem estar dos cidadãos - que devia ser o seu principal objectivo.

A. João Soares disse...

Uma notícia que vem ajudar a compreender melhor o tema deste post

Os dois partidos da coligação de Governo anunciaram hoje que não conseguiram chegar a acordo para um projeto comum de revisão da lei eleitoral autárquica.

Não pode ser um partido a impor sempre a sua ideia e a exigir que o outro obedeça como um lacaio. Deve haver consenso com iniciativas de cata«da parte, cedências bilaterais por forma a conseguir as melhores soluções para os portugueses.

O objectivo comum deve ser sempre a vida futura dos portugueses.

Anónimo disse...

Vence o imobilismo e a ação de um partido que está preocupado com sua imagem eleitoral. O que é sinal de que não serve para governar... E se for o Ribeiro e Castro então ninguém percebe o que diz. cada vez que vai à TV só deixa ficar mal o partido a que diz pertencer. A tropa está serena mas vai abanar ainda mais com os cortes que se lhes serão impostos. E que tal vender os submarinos e oferecer como bónus os famosos Pandur?...

Anónimo disse...

Pois:

«O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, lamentou hoje a "incapacidade" de PSD, CDS-PP e PS para reformarem o sistema político português e, particularmente, a lei autárquica.

"Este é talvez o melhor exemplo que se pode dar em Portugal da incapacidade da Assembleia da República e dos partidos de fazerem reformas no sistema político português", afirmou Rui Rio, que falava aos jornalistas, no Porto, após a cerimónia de apresentação da sede nacional da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC).

O autarca do Porto, que sempre tem defendido alterações na lei autárquica, recordou que PSD e PS chegaram a aprovar aquela reforma na generalidade, deixando-a cair na especialidade devido a "tricas partidárias".

"Se não se conseguia o mais, pelo menos conseguia-se o menos, que já é melhor do que aquilo que está", frisou Rui Rio, contestando que os presidentes de câmara com maioria relativas tenham de andar "permanentemente em negociações" com a oposição "para resolver coisas de lana-caprina".

Rui Rio cumpre atualmente o terceiro e último mandato autárquico no Porto. Nos dois últimos teve maioria absoluta e no primeiro apenas maioria relativa.

"Não vou ser candidato a nada, mas a minha experiência diz-me que era bom que os partidos fossem capazes de pôr de lado os seus pequenos interesses, dialogar e fazer as muitas reformas de que o país precisa, particularmente esta, que até é fácil de fazer", sublinhou o autarca do Porto.

"Não consigo entender e acho que, infelizmente, os portugueses também não. Isto e muitas coisas", acrescentou.» RTP

Mário Relvas disse...

Caro A. João Soares,

Numa altura em que a reforma das autarquias foi atirada para as calendas romanas, eis que há uma notícia que nos pode colmatar a sensação de penúria que parece trespassar o orgulho dos portugueses. Para lá de continuarmos a ter uma lei das autarquias obsoleta, pesada, burocrática, cara e mesmo despesista, num momento em que a crise nos pede contenção, objectividade e celeridade, eis que nos chega, finalmente, uma boa notícia; a Federação Portuguesa de Remo não está falida. Está apenas insolvente.
Vale a pena vermos as coisas pelo lado optimista. Mesmo que optimismo rime com casmurrice e incompetência.
Boa vai ela...

A. João Soares disse...

Anónimos e Mário Relvas,

A desgraça de Portugal são os partidos, pagos pelo Estado, mas que só se preocupam com os seus interesses no no campeonato eleitoral.
Bem diz João Jardim quando afirma que é preciso alterar o regime, ou Manuela Ferreira Leite quando propões que se suspenda a Constituição durante seis meses.

Depois, ao bom estilo do humor lusitano, brincamos com as palavras Não morreu, apenas faleceu!!! Não faliu, apenas está insolvente...

Precisa ser dada uma volta muito profunda ao rectângulo...

Cumprimentos
João