terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Comandante, director, chefe, administrador, líder...



Será que os governantes sabem disto? Será que estão preparados para liderar?

7 comentários:

Mário Relvas disse...

Caro AJS,

Gostei mas -claro um mas, mas simples- o comandar, quanto a mim, tem muito a ver com a educação de quem o cerca também. No sector intermédio e mais baixo. Acho que devemos ser comandantes em todos os nossos sectores da vida. Estar, sobre tudo, dispostos a ser comandados e prontos a comandar sempre que for necessário. Entendo se a referência vai para o sector político, mas - sempre os mas-, como refere e bem no título, aplica-se a todos os profissionais do quotidiano interno em instituições, sejam elas de carácter militar, policial, no sector público ou no sector privado. E, é claro que a educação começa em casa. E esse factor tem marcado pela negativa a sociedade em geral. A portuguesa em particular.
Comandar é mandar em conjunto. Tem de haver lealdade de baixo para cima, de cima para baixo e para os lados.

Enfim, "comandar", um tema que dava para adormecer aqui profundamente, nas mais diversas vertentes da sociedade, essencialmente em tempos em que o exemplo muitas das vezes é esquecido, ou não aprendido. Vamos ficando, para já, pelo comando superficial do tema, sem esquecer que é de pequenino que se torce o pepino!

Um abraço

Mário Relvas disse...

Caro João Soares,

Não sei se este texto de Chaplin tem alguma utilidade para si como comentário a esta sua postagem. Para mim tem muito.

Abraço
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RECANTO DO PENSAMENTO (Aromas de Portugal)

Pensamos de Mais e Sentimos de Menos

Queremos todos ajudar-nos uns aos outros. Os seres humanos são assim. Queremos viver a felicidade dos outros e não a sua infelicidade. Não queremos odiar nem desprezar ninguém. Neste mundo há lugar para toda a gente. E a boa terra é rica e pode prover às necessidades de todos.

O caminho da vida pode ser livre e belo, mas desviámo-nos do caminho. A cupidez envenenou a alma humana, ergueu no mundo barreiras de ódio, fez-nos marchar a passo de ganso para a desgraça e a carnificina. Descobrimos a velocidade, mas prendemo-nos demasiado a ela. A máquina que produz a abundância empobreceu-nos. A nossa ciência tornou-nos cínicos; a nossa inteligência, cruéis e impiedosos. Pensamos de mais e sentimos de menos. Precisamos mais de humanidade que de máquinas. Se temos necessidade de inteligência, temos ainda mais necessidade de bondade e doçura. Sem estas qualidades, a vida será violenta e tudo estará perdido.

O avião e a rádio aproximaram-nos. A própria natureza destes inventos é um apelo à fraternidade universal, à união de todos. Neste momento, a minha voz alcança milhões de pessoas através do mundo, milhões de homens sem esperança, de mulheres, de crianças, vítimas dum sistema que leva os homens a torturar e a prender pessoas inocentes. Àqueles que podem ouvir-me, digo: Não desesperem. A desgraça que nos oprime não provém senão da cupidez, do azedume dos homens que têm receio de ver a humanidade progredir. O ódio dos homens há-de passar, e os ditadores morrem, e o poder que tiraram ao povo, o povo retomá-lo-à. Enquanto os homens morrerem, a liberdade não perecerá.

Charles Chaplin, in 'Discurso final de «O Grande Ditador»'

A. João Soares disse...

Caro Mário Relvas,

Obrigado por estes dois textos que reforçam o tema do post.

A quase totalidade dos portugueses com mais de 60 anos passaram pelo serviço militar no Ultramar e sabem que o comandante competente com capacidade de liderança sabia que quando parasse no trilho e olhasse para trás via os seus homens junto de si. Aquele que não inspirasse confiança aos seus homens, pelas suas qualidades, evitaria ir à frente, porque nada lhe garantis que não ficasse isolado, só.

Em tudo na vida, quando se trata de trabalho de equipa tem que haver um chefe, na verdadeira acepção da palavra e esse tem que ter ascendente sobre os outros, tem que inspirar confiança, amizade, tem que fazer convergir os esforços dos elementos com que tem de contar.

Abraço
João

Mário Relvas disse...

Caro João Soares,

Segundo o que sei, até por motivos de segurança, eram poucos os que seguiam na frente da coluna. Mas havia-os. E conheci alguns desses homens que inspiravam muita confiança e lealdade. E a amizade existia mesmo entre eles e os seus companheiros comandados quer fosse em combate ou em descanso.

O gesto é tudo... O exemplo tem de vir de cima!

Um abraço

A. João Soares disse...

Quando referi «na frente da coluna», usei uma imagem que não pode ser seguida à letra. O comandante não deve ser o que vai em condições de tropeçar no fio da armadilha, mas não pode ir muito atrás e tem que mostrar coragem para correndo riscos, estar em condições de rapidamente dar ordens adequadas para resolver qualquer nova situação e para merecer ser obedecido pelos seus comandados, num ambiente de equipa coesa e interessada na missão.

Um espírito que deve ser alimentado é ter objectivos bem definidos que todos conheçam e com os quais se identifiquem e estejam prontos a cumprir com perfeição as tarefas que lhes são atribuídas.
É preciso fazer bem aquilo que se faz.

Abraço
João

Mário Relvas disse...

De acordo. Mas havia homens que apesar das normas de segurança seguiam na frente da coluna e refiro o exemplo do Capitão "Cmd" Valente que, em Moçambique, faleceu em combate. Mas, assim, quem não seguiria aquele homem para todo o lado? O Capitão Cmd Valente foi condecorado com a Torre e Espada. Mas a mais alta condecoração foi sempre a admiração dos seus homens apesar de algumas críticas de uns certos temerosos pares -não fosse aquilo pegar moda e virar NEP. Mas isto é apenas um exemplo do que tem de vir de cima. Cada um com a sua maneira de ser e de estar. O Capitão Cmd Abreu Cardoso, recentemente falecido num acidente de aviação aqui em Braga, era outro excepcional comandante em campanha e junto dos seus homens. Tal como Jaime Neves que ora nos deixou, embora com estilo diferente.

Mas ser comandante não se resume aos casos de combate na mata da guerrilha africana, mas a todos os que exercem cargos onde o exemplo seja o real cariz que os move. Onde o respeito e a lealdade seja o elo de ligação entre o comandante e os comandados. Onde a exigência para consigo próprio seja a razão para exigir dos outros.

Onde o serviço seja serviço e conhaque seja conhaque.

E onde a honestidade, o conhecimento actualizado, e a prontidão sejam a marca de excelência.

Com um abraço

A. João Soares disse...

Caro Relvas ,

São exemplos muito claros que mostram bem que trabalhar com pessoas é muito diferente do que trabalhar com máquinas, mesmo que sejam apenas de calcular défices. O exemplo é importante, mas os sentimentos, a delicadeza, a sinceridade, a transparência, a informação do objectivo pretendido e da táctica a utilizar são essenciais para que toda a equipa funcionem com eficácia, sem mesmo ser necessário ser chocado pela ordem de comando ou do obedecer, porque tudo chega naturalmente de forma esperada. compreendida e por vezes precedida de sugestões dos comandados.

Mas, infelizmente, há muitos chefes com responsabilidades sobre toda uma nação que não sabem chefiar, respeitar os que por eles são manipulados autoritariamente, sem escrúpulos, sem as necessárias qualidades de liderança.

Abraço
João