quinta-feira, 3 de setembro de 2020

PELA PAZ E HARMONIA GLOBAL


(Public em O DIABO nº2279 de 04-09-2020, pág 16. Por António João Soares)
 Tenho repetido que o bom entendimento e a harmonia entre Estados, tal como entre pessoas, deve ser um ideal permanente. E, sendo a Humanidade constituída por todos nós, cada um deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para conseguirmos tal objectivo. Tem havido muitas pessoas de boa vontade, civismo, ética e perfeitos sentimentos que tem alimentado a esperança de que, após esta crise pandémica que obrigou ao recolhimento e à reflexão, as sociedades passem a abolir a violência e a usar de mais respeito pelos outros para se viver em convergência de sentimentos e diálogo por forma a evitar conflitos que degenerem em violência.
É certo que cada um tem a sua opinião e devemos respeitar a dos outros, mas sem impormos a nossa. E na vida colectiva as decisões que dependam de vários interessados devem ser precedidas de diálogo, pacífico e bem argumentado, por forma a ser obtido real acordo entre os intervenientes.
Esse esforço terá que ser muito persistente, para que os maus hábitos actuais vão sendo eliminados. Felizmente, vão surgindo casos louváveis, na vida internacional que estão a dar exemplos desta mudança. Um desses exemplos é o caso de a França, a Alemanha e o Reino Unido terem anunciado que não apoiam no Conselho de Segurança o restabelecimento das sanções internacionais contra o Irão, exigido pelos Estados Unidos que não gostaram de tal atitude que contraria o alinhamento da grande potência americana contra os aiatolas. Esta atitude daquele que se considera “dono do mundo” é o extremo oposto do objectivo atrás sugerido. Ela está conforme com o culto pelo poder através das armas e das Forças Armadas que estão distribuídas por grande parte dos países cuja posição geográfica querem controlar, bem como a sua posse de produtos naturais de valor estratégico, como o petróleo e outros minerais.
 Sendo as armas instrumentos de morte, a ONU deve sugerir aos Estados mais armados que comecem a pôr de lado a violência e deve iniciar a criação de equipas de diplomatas bem treinadas na mediação, para ajudar as partes de conflitos a encontrar solução pacífica, sem perda de vidas nem danos patrimoniais. Essas equipas não devem impor soluções, mas sim ajudar as partes a chegarem a entendimento, com equilíbrio de cedências de parte a parte, sempre de forma cordata. É preferível uma paz menos vantajosa a uma guerra demolidora e geradora de ódios e vingança. É pena que o conflito Irão/EUA se mantenha aceso com tendência de agravamento entre dois contendores demasiado teimosos e persistentes no mau uso das armas.
Outro caso elogioso é o apoio da Alemanha, que enviou o seu MNE à Líbia, numa visita não anunciada a fim de aconselhar a necessidade de pôr fim ao conflito que vem desde a morte de M. Kadhafi em 2011 e que, desde Abril de 2019, é uma luta entre duas facções apoiadas por milícias armadas por países estrangeiros, que devasta aquele país do Norte de África. Na sequência, foi conseguido o acordo de cessar-fogo imediato, o fim de todas as acções militares no território líbio e a concordância das partes em «trabalhar para alcançar acordos sobre a retoma integral das acções de produção e exportação de petróleo», para chegarem a uma solução pacífica. O sucesso das conversações foi aplaudido pela UE e por diversas entidades internacionais.
Também foi exemplar a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), em relação aos recentes acontecimentos no Mali onde a situação é considerada grave internamente e para a região. Esta Comunidade organizou uma cimeira para continuar as conversações para assegurar o regresso imediato à ordem e, segundo o Presidente, “esta situação é um desafio e mostra o caminho que falta percorrer para o estabelecimento de instituições democráticas fortes no nosso espaço”.

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