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sexta-feira, 3 de julho de 2009

País agradável para viajar

Transcrevo este bela jóia literária que recebi repetidamente por e-mail de vários amigos e encontrei-a no blog A Tulha do Atílio. O autor faz uma boa análise das razões que conduzem aos investimentos gigantescos com vista a colocar o País na modernidade. «Éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez».

Eis o texto:

Esta noite sonhei com Mário Lino
Miguel Sousa Tavares

Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!

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sábado, 2 de junho de 2007

Ota, otários, aeroporto, ainda ?!!!

Ota será esclarecida?

No «bom» estilo de governação a que nos têm vindo a habituar, mas à qual o povo aprendeu a reagir por todas as formas legítimas, e em que foram demasiado notórias as decisões impensadas do ministério da Saúde que o levaram a vários recuos no fecho de maternidades, de centros de saúde e urgências, aparece agora a hesitação quanto à Ota.

No processo da localização do NAL – Novo Aeroporto de Lisboa – algo está errado. Não é normal que um estudo isento, imparcial, movido pelo interesse do País, acima de qualquer interesse partidário ou particular, suscite tantos reparos de pessoas descomprometidas, e com argumentos irrefutáveis, e perante isso, haja uma ausência de argumentos válidos do lado do Governo, ao ponto de, na falta de melhor, ser referido o deserto da margem sul e a vulnerabilidade das pontes a actos terroristas.

Mas, segundo o Diário de Notícias, insuspeito na sua afeição ao Governo, este «começa a admitir recuar na escolha da Ota para localização do novo aeroporto internacional de Lisboa. O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, deu ontem sinal disso, em declarações à TSF: ‘O problema da localização está decidido a esta luz [dos "grandes debates" ocorridos em 1999 e 2000]. Mas estamos abertos a discutir todas as matérias.’"

Também, uma fonte governamental ligada a este processo "traduziu" ao DN esta afirmação do ministro: "Tudo pode voltar atrás."

Trata-se de uma reacção inteligente, embora tardia, às repulsas do País, perante a obscuridade em que o processo se mantinha em que a informação apresentada de forma mais convincente era que condenava a Ota como destino do aeroporto. Há, pois, vantagem em o povo não se resignar com aquilo que acha mal e deve usar o deu direito de manifestar a sua indignação. Em democracia, pelo menos teoricamente, a soberania pertence ao povo que a delega em eleitos, mas estes não devem ser desleais aos interesses desse povo que neles confiou.

É de lamentar que, apesar dos números assessores que o povo paga, para ajudarem os governantes a prepararem as suas decisões, não sigam os bons métodos dos estudos para que sejam escolhidas as melhores soluções para os problemas nacionais, numa óptica patriótica acima dos interesses partidários do momento. Será que os erros aqui apontados servirão de lição para evitar a sua repetição? Seria desejável.

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sexta-feira, 1 de junho de 2007

Aeroporto no Deserto

Extraído de Portugal Club. Opinião de um emigrante esclarecido sobre a localização do NAL - Novo Aeroporto de Lisboa

Lisboa, a Ota e a Batota
De: JVerdasca A E R O P O R T O S no D E S E R T O
(como os de Madrid, Genève, Atenas, Nova Iorque, Miami, São Paulo, Rio de Janeiro, Paris, Istambul, etc., ?)

São infantis os motivos e as contradições já ouvidas de responsáveis governamentais, para tentar argumentar e ou defender o indefensável, que é a tentativa de construir o principal aeroporto de Portugal na OTA. Afirmando "anedoticamente" que a região a Sul do Tejo é um deserto, para tentar justificar a NÃO ESCOLHA do lugar ou região para construir o novo aeroporto, o sr. Lino pareceu querer convencer os portugueses que deve sair do deserto de Lisboa para a metrópole da Ota. Ora - se a minha capacidade de interpretação é normal - há que construir o novo aeroporto numa região super-povoada (como a Ota???) para desactivar o de Lisboa, que, para o sr. LINO - à semelhança do Sul do Tejo, que é UM DESERTO - não pode ali continuar!!!. Entretanto, como a região da OTA é indiscutivelmente MUITO MENOS povoada que o Montijo, Palmela, Setúbal, Seixal, Almada, Barreiro, Alcochete, etc., etc., etc.,pela razão apontada, estaria desde logo eliminada a hipótese da construção da tal aeroporto nesse deserto, CERTO???

Mas vamos tratar de assuntos sérios, como são - ou deveriam ser - todos os assuntos de ESTADO, que do mesmo modo devem ser tratados pelo governo, responsável pela BOA aplicação dos recursos públicos, por decisões técnicas ACERTADAS, por opções sensatas e adequadas, por construções e implantações HONESTAS e ECONÓMICAS, e, PRINCIPALMENTE por uma administração que vise o BEM PÚBLICO, o DESENVOLVIMENTO e o PROGRESSO da Nação. Para que se consiga tal desideratum - e no caso em pauta - teriam os responsáveis pela DECISÃO FINAL que começar por SOLICITAR pareceres dos muitos pilotos militares que, enquanto a Ota foi Base Aérea, lá serviram, pilotaram muitos tipos de aeronaves, enfrentaram ventos e tempestades, pousaram e descolaram, borregaram (arremeteram) e se acidentaram, ENFIM, o ministro teria que conhecer os dossiers alusivos a tudo quanto de defícil esses pilotos suportaram, e ouvir as suas opiniões SOBRE a POSSÍVEL CONSTRUÇÃO - ou não - do aeroporto nessas SERRAS.

Gastar OS DINHEIROS da Nação é coisa muito séria!!!, e gastá-los mal é crime, como crime foi derrubar TRÊS ESTÁDIOS e construir 10 para o Euro 2004, o que ajudou - e muito - a afundar as finanças do Estado, o governo e seu partido. E NINGUÊM EXIGIU RESPONSABILIDADES ao MINISTRO que - galhofeiramente - tomou tal decisão!!!. Não pode o Governo de Portugal - qualquer que ele seja, pertença a que partido pertencer - "DESVIAR" para a Ota vultosos recursos que não existem, para afastar cerca de 50 Km de Lisboa o aeroporto internacional, e levá-lo para a Ota "onde não existem hotéis, hospitais, restaurantes, auto-estradas, combóios ou TGVs, o que configura o DESERTO que o ministro ERRADAMENTE localizou a Sul do Tejo!!!. Acresce que tal decisão - se erradamente for tomada - prejudica os hotéis de Lisboa, os casinos, os restaurantes, todo o comércio, os táxis e todos os outros serviços, obrigando-os a transferirem-se (?) para o DESERTO OTÁRIO!!!, para já não falar nos transportes, nas pontes e viadutos, nos aterros e aquedutos e outros redutos!!!.

Nós - que residimos no estrangeiro, e utilizamos aeroportos - apreciamos a descida em Lisboa, com a sua economia ou NÃO PERDA de tempo, tornando a viagem mais curta, e podemos ir para Barajas (futura capital da Ibéria???), que não é um deserto, e de Madrid fica perto, terra de povo ESPERTO, onde se fica a coberto - do que na Ota é incerto!!!. Parece-me que o sr. Lino propõe a construção de um "elefante branco" para "ficar às moscas como os ESTÁDIOS do José, que endividaram as autarquias, mas enriqueceram as tias. Não, senhor Lino, quem não muda de opinião - nem ouve o povo sensato - parece não ter razão - ou tem razão no sapato. Ora o sapato serve para dar o chute, que no caso dos campos de futebol foi um chute errado, que levou à renúncia e a vários governos em poucos anos, que só deu bons empregos a alguns poucos políticos. Gostaria de alertar que os turistas não vão gostar da brincadeira, e, Lisboa que já anda às moscas, MUITO IRIA PERDER. E PORTUGAL é LISBOA!!!. Cordialmente, JVerdasca

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