
O escritor, poeta e pensador Victor Hugo (22Fe1802 - 22Mai1885)deixou esta frase que ainda hoje tem significado real: «Entre um Governo que faz o mal e o povo que o consente, há uma certa cumplicidade vergonhosa». E o consentimento não se esbate com manifestações (mesmo que concorridas e barulhentas).
Consciente de que o efeito da manifestação é demasiado efémero e ineficaz e não se presta a um diálogo substantivo continuado, a Liga dos Bombeiros decidiu usar um método mais democrático e com bases sólidas e pés para andar. Assim, vai apresentar proposta de lei de financiamento ao MAI, seu ministério de tutela. Procura, desta forma, resolver o problema da maioria corporações, em ruptura financeira e em risco de não conseguir prestar o necessário socorro às populações.
Com este procedimento transparente e democrático, a Liga cria uma base de discussão que, embora venha a ser alterada e ajustada às disponibilidades nacionais, não pode ser esquecida nem desvirtuada e constitui um ponto de partida para diálogo sério e sem subterfúgios.
Oxalá este exemplo venha a ser seguido para discussões concretas e honestas dos principais problemas nacionais, sem o abuso habitual de palavras vazias de conteúdo que servem para tudo, inclusivamente, para ser negadas no dia seguintes.
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domingo, 15 de abril de 2012
Bombeiros agem pela positiva
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A. João Soares
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segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Autoritarismo ou democracia?
Sem autoridade assumida e respeitada não pode haver democracia. Porém, se a autoridade for excessiva e levada ao abuso, não será respeitada (apenas «contrariado, mas obedeço») e descamba para as atitudes ditatoriais do «quero posso e mando».
O ponto de equilíbrio ideal será governar COM a colaboração de todos manifestada através dos seus representantes formais ou informais. Quando todos colocarem os interesses da Nação, do colectivo dos cidadãos, acima de ambições pessoais e de pequenos grupos, não será difícil obter um consenso para os problemas mais significativos para a vida nacional actual e para a preparação de um futuro mais risonho.
Isso implica o cuidado permanente de não governar CONTRA os agentes das políticas decididas, mas COM a colaboração activa e eficaz desses agentes. Não se engrandece Portugal com decisões que, por não beneficiarem desse consenso, corram o risco de serem anuladas num próximo governo, pois isso traria prejuízos, com gastos inúteis de recursos essenciais, e demora na solução que se pretendia.
Estamos, neste momento, perante um facto concreto que deve ser meditado dentro destas reflexões. O caso da megamanifestação de professores e as palavras da ministra e do PM, levantam preocupações vitais para os portugueses que usam a sua capacidade de raciocínio. Dizer que não recuam na forma como a avaliação está decidida é muito grave. Nada tem de democrático. É querer o impossível, governar contra a quase totalidade dos agentes essenciais do ensino. Se tanta gente se deu ao incómodo de participar na manifestação é lógico pensar que deve haver razões profundas para tal descontentamento. Não se pode argumentar que todos aqueles professores (sempre tive respeito por estes profissionais embora tenha conhecido alguns menos válidos) são ovelhas mansas obedientes e sem vontade própria, a mando de um pequeno partido da oposição. É indispensável analisar as suas razões e procurar soluções que atinjam os objectivos de uma avaliação viável, prática (simplex) e eficaz.
De ditadura já estamos servidos e não queremos outra, por mais que queira mascarar-se de democracia.
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A. João Soares
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