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terça-feira, 22 de agosto de 2017

O TERRITÓRIO EXIGE MAIS ATENÇÃO

O território exige mais atenção
(Publicado no semanário O DIABO em 170822)

Os fogos florestais têm sido uma tragédia sem fim à vista. Também a seca e as temperaturas mais altas estão a criar sérias dificuldades na agricultura. São visíveis as alterações climáticas devidas a fenómenos naturais incontroláveis pelo homem, como a inclinação do eixo da Terra que, no caso português, está a fazer sentir o avanço do deserto do Sarah.

Muitos lamentos têm sido ouvidos por pessoas que conhecem bem o interior do país. Algo tem sido dito por técnicos conhecedores das causas dos fogos florestais. Mas isso não resolve o problema porque os cidadãos que foram escolhidos para gerir os interesses dos portugueses, não mostram interesse em conhecer e compreender a essência dos assuntos e, quando legislam, não cuidam de transmitir às autarquias e aos habitantes algo que eles possam compreender e concretizar para bem da Nação.

A floresta tem que ser preparada para resistir aos fogos que a ameaçam todos os anos. Tem sido dito que isso acarreta despesas volumosas, mas é preciso pensar na dimensão das despesas causadas pelos fogos diariamente nesta época estival e decidir se será mais racional gastar na organização da floresta ou deixar que ela seja destruída causando prejuízos mais volumosos. Mas isso não pode ser decidido por palpite, mas sim, baseado em cuidadoso estudo feito por gente conhecedora, planeado, organizado e praticado de forma bem controlada e ajustada às realidades e às suas variações imprevistas.

Já várias pessoas dedicadas aos aspectos nacionais lamentam o desaparecimento de guardas florestais, de guarda-rios e de cantoneiros, que podiam fazer o papel de vigilantes e alertar sobre qualquer desvio pernicioso daquilo que deveria ser feito e ajudar as pessoas a evitar erros.

E, quanto à agricultura, faz pena ver muitos terrenos que outrora davam produção para sustentar os aldeões que dela viviam e mandar educar os filhos e, agora, onde se produzia milho e outros produtos, crescem silvas e vegetação espontânea que no verão serve de pasto às chamas. Não será aconselhável regressar aos métodos de trabalho do passado, mas devem ser difundidas novas metodologias para obter produtos que sejam úteis ao consumo nacional e à exportação. Recordo que, em tempos idos, o eng Sousa Veloso dava na TV uma lição semanal sobre diversos aspectos da agricultura real de forma acessível aos menos letrados.

Esse era um bom serviço prestado pelas televisões ao país. Agora, em vez disso, elas passam o tempo e repetir frases e imagens sobre crimes ocorridos ontem, pormenores de bombeiros frente às chamas, futebol, coscuvilhices e notícias nem sempre comprovadas de campanhas demolidoras contra aquilo que no momento é seu alvo ou dos seus mandantes. Seria mais útil e benéfico aos portugueses se elas transmitissem ideias complementares de formação profissional em coisas que interessam à maioria dos telespectadores.

Certamente, se hoje houvesse um seguidor de Júlio Isidro a ensinar bricolage, haveria menos adolescentes desviados do bom caminho. E se houvesse outro Megre, haveria menos acidentes nas estradas, por haver mais cuidados com a própria segurança e a dos outros utentes.

Para concluir, o território do interior precisa de mais atenção e que os «boys» o conheçam melhor e se sintam sensibilizados para aumentarem o seu saber sobre assuntos reais e para pensar e trabalhar um pouco na elaboração de medidas práticas e eficientes para criar mais segurança e maior rendibilidade do património de que dispomos.

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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

FOGOS FLORESTAIS. LIMPEZA DA FLORESTA


Em plena época de fogos florestais, há inúmeras lamentações acerca da falta de limpeza das florestas, o que mostra a importância desta como factor preventivo da catástrofe que nos assola anualmente. Mas, infelizmente, não se vê uma medida eficaz para garantir uma limpeza adequada e evitar os dramáticos fogos.

Tal limpeza tem custos e muitos pequenos proprietários não possuem meios financeiros para a fazer e dar destino aos produtos retirados das matas. As autarquias também não olham para o problema com tanto sentido de responsabilidade como quando decidem fazer obras de ostentação como rotundas nem sempre vantajosas a não ser para construtores e corruptos.

Dizia há dias um amigo: «Ainda sou do tempo em que» as matas estavam sempre em estado de limpeza que se podia fazer nelas uma fogueira sem o risco de atear incêndio. E esses pequenos fogos eram realmente acesos sem perigo de alastramento quando o pessoal que nelas trabalhava aquecia o almoço que levava de casa em tachos ou marmitas.

Mas ninguém fazia algo com a finalidade de a s limpar, pois a limpeza resultava do aproveitamento de mato e caruma, feito periodicamente a fim de utilização em cama para o gado, amontoamento para decomposição (por vezes em ruas e caminhos) para futuro fertilizante das sementeiras. Por seu lado, os ramos inferiores dos pinheiros, mais propícios ao fogo eram cortados (esgalhados) a fim de obter lenha para a lareira e para o forno do pão e para empar videiras, feijão, ervilhas e tomates, etc.

Ao longo dos anos mais recentes, a modernidade dispensou a utilização de tal matéria-prima natural e recorre a outros meios do que resulta que a mata fica com tudo o que produz e torna-se vulnerável a qualquer descuido ou má intenção com meios igníferos. Perante isto, a limpeza das matas tem que ser feita determinadamente para esse fim e deve ser dado destino aos produtos dela resultantes, por exemplo, para produção de biomassa, com destino a fertilizantes, compactações em lâminas tipo tabopan, blocos para centrais de calor, energia, etc.

Para tais trabalhos de limpeza, as autarquias podem recorrer a desempregados, detidos de prisões com remuneração adequada. E, por outro lado, aos pirómanos, que entretanto continuem a agir, deve ser aplicada pena efectivamente dissuasora. As notícias de inúmeros fogos devastadores que têm afligido as pessoas, tornam urgente a determinação de medidas práticas eficazes, claras e motivadoras. O MAI tem que ir além das palavras simpáticas e das idas aos funerais de bombeiros vítimas do seu trabalho em favor da população e da paisagem nacional.

Segue-se uma lista de links de cartas publicadas em Jornais, desde 08-08-2002 e de posts em blogue.

- Fogos florestais. Helicópteros. Pilotos
- Fogos florestais, sem prevenção eficaz
- Mais vale prevenir do que remediar
- Fogo denuncia país dividido
- A época dos fogos florestais aproxima-se
- Definir a Protecção Civil
- Fogos florestais pertencem ao passado
- Prevenção de fogos florestais
- Fogos florestais e incapacidade dos políticos
- Fogos florestais. Prevenção e combate
- Fogos florestais. Problema a analisar com pormenor
- Fogos florestais. Problema a não esquecer
- Fogos Florestais - Enxurradas
- Mais vale prevenir do que remediar
- Prevenção de fogos florestais
- Prevenção nas florestas
- Vigilância das florestas pelo motoclube de Alcains
- Limpar Portugal em permanência
- Fogos Florestais 2010
- Fogos florestais. Mais vale prevenir!!!
- Os fogos acabam hoje ???
- Brincar aos planos de prevenção???
- Fogos testam capacidades de génios
- A floresta exige mais cuidados
- Políticos não são pessoas superiores
- Conhecer a floresta para a amar e preservar

Imagem de arquivo

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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ecologia. Ambiente

Floresta da Amazónia perdeu em Junho mais de 300 quilómetros quadrados
Público. 03.08.2011. Helena Geraldes

Em Junho, a desflorestação da Amazónia atingiu uma área de 312 quilómetros quadrados, representando um aumento de 17 por cento em relação ao mês anterior, revelaram hoje as autoridades brasileiras.

Em relação ao mês de Junho do ano passado, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) dá conta de um aumento de 28 por cento da área derrubada, foi revelado ontem. Nesse mês, a área desflorestada era de 243 quilómetros quadrados, noticia o jornal “O Globo”.

A desflorestação foi maior no estado do Pará, com 119 quilómetros quadrados, seguido do estado de Mato Grosso (81 quilómetros quadrados) e Rondónia (64).

Estes dados foram calculados pelo Sistema de Detecção da Desflorestação em Tempo Real (Deter) que monitoriza áreas com extensões superiores a 25 hectares.

O calendário oficial da desflorestação vai de Agosto de um ano a Julho do ano seguinte. Assim, a um mês do encerramento do calendário de 2011, os dados do Deter mostram que existe uma tendência de aumento da taxa anual de desflorestação da Amazónia. Entre Agosto de 2010 e Junho deste ano, já se perderam 2.429 quilómetros quadrados.

NOTA: A humanidade precisa de ambiente respirável e as florestas são indispensáveis. Como o planeta é único e o ar, a terra e o mar são interactivos, é preciso que as acções locais sejam devidamente apreciadas em termos globais, pensando em todo o planeta e na diversidade da vida animal e vegetal.

Foto: Alexander Lees/Reuters

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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Fogos florestais agravam perigo de deslizamento

Em todas as organizações, máquinas ou sistemas vários complexos, existe uma interacção, por vezes muito apurada entre as partes do sistema. A Natureza é um sistema demasiado complexo pelo que não devemos descurar esse encadeamento de efeitos. Têm chegado notícias de deslizamentos de terras e de enxurradas, causando elevado número de mortos desaparecidos e feridos, em vários pontos do mundo e, entre nós, não é fácil esquecer o que ocorreu no Funchal. Mas se não esquecemos também, por outro lado, não retiramos daí as lições devidas.

Os grandes fogos florestais que devastaram toda a vegetação em vastas regiões de montanha, deixaram os terrenos fragilizados e com reduzida capacidade para reter a água das chuvas, por deficiente permeabilização em consequência da ausência de vegetação, abrindo caminho às enxurradas e aos deslizamentos. A mesma quantidade de água que, em condições normais, não causaria estragos, agora origina grandes caudais com elevado poder de erosão e o resultado pode ser ainda mais grave do que o ocorrido no Funchal.

Isto conduz o nosso pensamento para as vastas regiões do interior do nosso País vítimas dos fogos florestais que têm ocorrido. O que acontecerá se vierem chuvas torrenciais? O que tem sido feito para reduzir os efeitos negativos? Qual tem sido a acção de conselho e de persuasão dos especialistas e dos defensores da natureza? Qual o grau de consciencialização de governantes e autarcas?

Não se pode evitar as abundantes chuvadas, não se pode impedir que a água escolha as vias mais rápidas para descer, mas devemos não lhe dificultar a marcha, porque a enxurrada derrubará tudo o que encontrar pela frente. Resta-nos limpar as ribeiras e o «leito de cheia». O leito de cheia é constituído pelas faixas laterais das margens utilizadas durante as cheias de grandes caudais. Poderá ser mais ou menos largo conforme a orografia do terreno. Nesse espaço não deve haver obstáculos, fixos ou móveis, que dificultem a passagem da torrente.

Quanto aos fogos florestais, no próximo ano, se houver iguais condições meteorológicas, e entretanto não forem tomadas medidas adequadas para reduzir a carga térmica sobre o solo e se não forem tomadas medidas punitivas que dissuadam os pirómanos e os seus mandantes, poderão verificar-se fogos semelhantes aos deste ano. Não deve ser alimentado pessimismo e derrotismo, mas sim pressionar quem deve adoptar soluções de prevenção, para que as decida já no Outono.

É com antecedência que se decide e se executa a prevenção. Já há alguns anos surgiram notícias de exemplos de medidas eficientes para vigilância da floresta nos Concelhos de Alcains, Mortágua, Góis, Chamusca, Gondomar, entre outros. Certamente, a Associação Nacional de Municípios está a aconselhar todas as Câmaras a seguirem os exemplos dados por aqueles Concelhos e a imaginar algo de melhor. É preciso fazer algo de útil e não cruzar os braços à espera de milagres.

Tudo será admissível, menos cruzar os braços e esperar pelos ditames do destino. Devemos aprender as lições retiradas dos desastres e dos bons exemplos. Os fogos florestais «combatem-se» (previnem-se) a partir do Outono.

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