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terça-feira, 3 de abril de 2018

SEM PONDERAÇÃO, A LIMPEZA PODE DESTRUIR O PINHAL

Sem ponderação, a limpeza pode destruir o pinhal
(Publicado no semanário O DIABO em 03-04-18)

A comunicação de um líder com os seus seguidores deve ser didáctica, sincera, afectiva, sem falsidades nem fantasias. Uma decisão ou determinação deve ser sempre baseada numa análise, mesmo que breve, da situação a resolver.

A actual preocupação com a limpeza das matas, querendo-a fazer em prazo muito limitado, vai destruir o pinhal do interior do país, embora a destruição seja feita de forma diferente da provocada pelos incêndios, mas que será de forma total e definitiva, no curto prazo.

A limpeza que vai ser feita usa máquinas que além de cortarem as plantas infestantes e indesejadas, corta os pinheiros pequenos, com pouca idade, que deviam ser deixados crescer para, naturalmente, substituírem os que, dentro de pouco tempo, serão cortados ou, por efeito da sua idade, morrerão, secarão. E quando os pinheiros actuais desaparecerem, a mata ficará transformada num terreno árido, desértico. É isso que resultará do sistema de limpeza com meios mecânicos, se não houver ponderação e cuidados adequados.

Limpar uma mata não é tão simples como limpar uma vinha, ou um olival ou um eucaliptal, em que basta arrastar a pá entre as fileiras das videiras, das oliveiras ou dos eucaliptos. Nasci e vivi 18 anos numa aldeia da zona do pinhal. Este estava normalmente limpo e não me recordo de ter havido qualquer incêndio em pinhais da região, embora neles, eventualmente, se cozinhasse almoço para os trabalhadores, se fizessem piqueniques e magustos. A sua limpeza resultava da conveniência de aproveitar o mato, a caruma e os ramos mais baixos dos pinheiros, para a cama do gado, para fertilizar as terras, para queimar nas cozinhas e nos fornos do pão para estacas de vinhas, feijoais, ervilhais, etc. Assim, o termo limpar a mata não era usado, por desnecessário.

Mas, ao roçar, cortar, o mato, os trabalhadores mais experientes ensinavam aos principiantes o cuidado a ter para não destruírem os minúsculos pinheiros, que deviam crescer para manter o pinhal.

Dessa forma, e com a sabedoria dos veteranos, todo o pinhal tinha pinheiros de todas as idades e tamanhos e, de tal forma, o pinhal se mantinha no decorrer dos tempos.

Agora, com a pressa definida pelos governantes e com as máquinas a rapar tudo indiscriminadamente, o interior do país, ou zona do pinhal, passará a ser um deserto, dentro de breves anos.

Deverá proceder-se a uma inovação na gestão do pinhal, que permita o uso da máquina sem afectar as árvore, de qualquer idade e tamanho. Isso poderá conseguir-se a pouco e pouco tornando o pinhal numa série de fileiras à semelhança dos eucaliptais, olivais, vinhas e pomares. Esse alinhamento deverá ser já projectado em cada mata por forma a ter especial cuidado com os pinheiros pequenos nessas linhas e rapando à vontade a vegetação no intervalo delas. Este sistema deveria começar já a ser implementado nas matas nacionais, para servir de exemplo. Para isso, não é preciso abater as árvores adultas que estejam fora do alinhamento, devendo aguardar o tempo adequado para o termo da sua vida e o seu devido aproveitamento.

Os governantes não estão a agir de forma didáctica e adequada e estão a contribuir para a criação de tal deserto, principalmente, quando estabelecem prazos curtos e criam sentido de urgência. O prazo inicial era tão desajustado que teve de ser alterado pouco tempo depois de ser estabelecido. Depressa e bem não faz ninguém.

Deviam, antes, procurar didacticamente esclarecer as populações rurais, os autarcas, os bombeiros e outros defensores da natureza para a necessidade dos cuidados a ter para a manutenção da floresta, evitando acções, mesmo que bem intencionadas, que possam contribuir para a sua destruição pela acção do homem com as máquinas, usadas descuidadamente.

António João Soares
26 de Março de 2018

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terça-feira, 12 de setembro de 2017

FOGOS. COMO FAZER A LIMPEZA DA FLORESTA?

Fogos. Como fazer a limpeza da floresta!
(Publicado no semanário O DIABO em 12 de Setembro de 2017)

Acerca dos incêndios florestais que estão a destruir a área do pinhal que existe desde Abrantes a Chaves, aparecem muitos teóricos a falar daquilo que parece desconhecerem. É indispensável procurar compreender a razão de, nos anos 40 do século passado, as matas só muito raramente sofrerem fogos enquanto, hoje, estes não pararem de destruir o interior do país desde o início ao fim da época estival. E são sempre fogos de grande extensão difíceis de dominar.

A meio do século passado, como pude observar continuamente durante anos, as matas estavam sempre limpas e sem possibilidade de alimentar fogos extensos. Trabalhadores que passavam lá o dia cozinhavam lá os almoços sem necessidade de cuidados preventivos especiais, enquanto continuavam a trabalhar, porque não havia material combustível. Porquê? Esse é que é o problema. É indispensável conhecer a situação de então, para se poder compreender o que levou ao que se passa hoje e procurar uma solução eficaz para a realidade actual. Algo mudou muito na vida rural.

Nessa época, a agricultura não usava máquinas e gastava poucos adubos, porque havia uma utilização sustentada de juntas de bois e as terras eram fertilizadas por estrume, à base de produtos das matas preparados nas camas do gado muito diverso, ou por apodrecimento em medas regadas pela chuva, pelo orvalho e por água. Para isso era aproveitada toda a caruma e o mato que era «roçado» regularmente na época em que a mão de obra era menos necessária para tratar de sementeiras, regas e colheitas. Nada disso era feito para «limpar a mata», mas sim por ser necessário para o processo agrícola. A rama dos pinheiros raramente secava, porque eles eram aparados para ser obtida lenha para o forno e a cozinha e para obter estacas para apoio de videiras, feijoeiros, tomateiros, ervilheiras e plantas de pequeno porte. À semelhança de os bois serem substituídos por tractores, do estrume ter sido substituído por adubo também estas estacas para plantas foram substituídas por arame.

Para agravamento advindo do problema da evolução do processo agrícola em que a mata deixou de ter a utilidade quase permanente que a mantinha limpa, o interior desertificou-se por as pessoas terem procurado melhor compensação pelo seu trabalho, quer na faixa litoral quer no estrangeiro, no comércio e na indústria. Muitas terras boas de cultivo foram deixadas ao abandono, e cobriram-se de silvas e outras ervas daninhas também alimentadoras de incêndio.

A solução preventiva de obrigar os proprietários de minifúndios ou microfúndios a limparem as suas propriedades é demasiado violenta e ilusória, porque a propriedade não lhes dá qualquer benefício, que compense tais custos. E muitos dos donos de minúsculas parcelas no meio da serra, nem sabem onde elas estão e, quando sabem, não lhes conhecem os limites. Terá que ser criado um sistema funcional para a prevenção dos fogos que poderá passar por uma reforma profunda de restruturação da propriedade rural. Deixar de haver minipropriedades e os grandes proprietários que daí resultarem, privados ou municipais, serem obrigados a adoptarem medidas rigorosas, para reduzir o perigo de incêndio. As fábricas de transformação de vegetais em biomassa ou pasta para papel ou cartão, poderão ter uma missão a cumprir e arcar com todo ou parte dos custos da matéria prima.

E as medidas rigorosas de prevenção têm que ser minuciosamente controladas por agentes de vigilância florestal, ou no estilo da extinta Garda Florestal ou por um novo sector da GNR devidamente preparado para tal missão.

António João Soares
5 de Setembro de 2017

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terça-feira, 22 de agosto de 2017

O TERRITÓRIO EXIGE MAIS ATENÇÃO

O território exige mais atenção
(Publicado no semanário O DIABO em 170822)

Os fogos florestais têm sido uma tragédia sem fim à vista. Também a seca e as temperaturas mais altas estão a criar sérias dificuldades na agricultura. São visíveis as alterações climáticas devidas a fenómenos naturais incontroláveis pelo homem, como a inclinação do eixo da Terra que, no caso português, está a fazer sentir o avanço do deserto do Sarah.

Muitos lamentos têm sido ouvidos por pessoas que conhecem bem o interior do país. Algo tem sido dito por técnicos conhecedores das causas dos fogos florestais. Mas isso não resolve o problema porque os cidadãos que foram escolhidos para gerir os interesses dos portugueses, não mostram interesse em conhecer e compreender a essência dos assuntos e, quando legislam, não cuidam de transmitir às autarquias e aos habitantes algo que eles possam compreender e concretizar para bem da Nação.

A floresta tem que ser preparada para resistir aos fogos que a ameaçam todos os anos. Tem sido dito que isso acarreta despesas volumosas, mas é preciso pensar na dimensão das despesas causadas pelos fogos diariamente nesta época estival e decidir se será mais racional gastar na organização da floresta ou deixar que ela seja destruída causando prejuízos mais volumosos. Mas isso não pode ser decidido por palpite, mas sim, baseado em cuidadoso estudo feito por gente conhecedora, planeado, organizado e praticado de forma bem controlada e ajustada às realidades e às suas variações imprevistas.

Já várias pessoas dedicadas aos aspectos nacionais lamentam o desaparecimento de guardas florestais, de guarda-rios e de cantoneiros, que podiam fazer o papel de vigilantes e alertar sobre qualquer desvio pernicioso daquilo que deveria ser feito e ajudar as pessoas a evitar erros.

E, quanto à agricultura, faz pena ver muitos terrenos que outrora davam produção para sustentar os aldeões que dela viviam e mandar educar os filhos e, agora, onde se produzia milho e outros produtos, crescem silvas e vegetação espontânea que no verão serve de pasto às chamas. Não será aconselhável regressar aos métodos de trabalho do passado, mas devem ser difundidas novas metodologias para obter produtos que sejam úteis ao consumo nacional e à exportação. Recordo que, em tempos idos, o eng Sousa Veloso dava na TV uma lição semanal sobre diversos aspectos da agricultura real de forma acessível aos menos letrados.

Esse era um bom serviço prestado pelas televisões ao país. Agora, em vez disso, elas passam o tempo e repetir frases e imagens sobre crimes ocorridos ontem, pormenores de bombeiros frente às chamas, futebol, coscuvilhices e notícias nem sempre comprovadas de campanhas demolidoras contra aquilo que no momento é seu alvo ou dos seus mandantes. Seria mais útil e benéfico aos portugueses se elas transmitissem ideias complementares de formação profissional em coisas que interessam à maioria dos telespectadores.

Certamente, se hoje houvesse um seguidor de Júlio Isidro a ensinar bricolage, haveria menos adolescentes desviados do bom caminho. E se houvesse outro Megre, haveria menos acidentes nas estradas, por haver mais cuidados com a própria segurança e a dos outros utentes.

Para concluir, o território do interior precisa de mais atenção e que os «boys» o conheçam melhor e se sintam sensibilizados para aumentarem o seu saber sobre assuntos reais e para pensar e trabalhar um pouco na elaboração de medidas práticas e eficientes para criar mais segurança e maior rendibilidade do património de que dispomos.

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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

NECESSIDADE DE CORPO DE AGENTES FLORESTAIS

Transcrição de texto de Rute Coelho, publicado no DN em 6/0872017
"Devia ser criado um corpo nacional de agentes florestais"




Reformado da Polícia Judiciária, António Carvalho dedica-se ao setor privado
PAULO SPRANGER/GLOBAL IMAGENS

António Carvalho trabalha para seguradoras como perito em incêndios.

É na esplanada da Graça, em Lisboa, debaixo da sombra dos grandes e velhos pinheiros-mansos, que vamos ao encontro de um dos maiores especialistas em incêndios do país: António Carvalho, 60 anos, reformado da Polícia Judiciária onde era coordenador de investigação criminal de incêndios. Há quatro anos que trabalha no privado, para várias seguradoras, a fazer peritagens de incêndios e explosões urbano-industriais (para o património florestal não há seguros, dado o risco elevado). É com conhecimento acumulado de décadas que retira conclusões sobre o estado do país em matéria de prevenção de fogos florestais. "Outro Pedrógão pode acontecer", garante. "Os partidos do eixo do poder, PS e PSD, têm há 30 anos um comportamento de negligência grosseira relativamente aos incêndios. Deviam estar calados e escondidos."

Como não aprecia o hábito português de criticar sem apontar soluções, deixa uma sugestão: "Devia ser criado um corpo nacional de agentes florestais, com funções de controlo do espaço florestal e de auxiliares da silvicultura." No fundo, explica, bastaria "vontade política" para ir repescar o modelo dos guardas-florestais que existiu até 1997. "Apesar de serem designados de agentes não teriam funções policiais ou de fiscalização. Cada concelho com um gabinete técnico florestal teria dois agentes." Seria um corpo de pelo menos 250 agentes florestais (existem 300 municípios. "O recrutamento seria feito nas escolas técnico-profissionais e também entre os bacharéis de engenharia florestal."

António Carvalho também defende que o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) devia deixar de ser distribuído da forma clássica, com os meios mobilizados na capacidade máxima apenas na fase Charlie, entre 1 de julho e 30 de setembro. "As fases de combate aos incêndios (de 15 de maio a 15 de outubro) estão desajustadas e não estão adaptadas às condições meteorológicas." O país tem vindo a enfrentar anos com seca cada vez mais extrema. "A manta morta dos combustíveis e do espaço florestal tem cada vez menos humidade, os combustíveis secam mais cedo. Temos ventos cada vez mais fortes e inconstantes. Leva a que o risco aumente face ao mesmo espaço. Se o risco aumenta, e temos alteração nas condições climatéricas, tudo o que aconteça mais cedo, em maio ou junho, pode ter repercussões mais nefastas relativamente a outros anos em que só acontecia em agosto." O que se tem visto no terreno este verão "é uma ausência das equipas especializadas no combate imediato ao fogo para irem proteger aldeias isoladas, algumas com duas ou três casas. No fogo de Mação não havia dispositivo no terreno para uma resposta ao tempo".

No combate aos incêndios o tempo é crucial. "Mandam dez aviões e 500 homens, por exemplo. Mas a pergunta que se tem de fazer é: ao final dos primeiros 60 minutos quantos lá estavam? Passada essa primeira hora o incêndio torna-se proativo e propaga-se."

Perante a descoordenação dos meios a que o país tem assistido, António Carvalho não tem dúvidas de que é possível acontecer outra tragédia como Pedrógão. "Proteger as pessoas está correto mas temos de impedir que o fogo chegue perto das habitações. E não é no terreno que se toma essa decisão. E depois vemos nas televisões imagens das pessoas com mangueira de rega a combater as chamas e a cortarem a erva à volta da casa, erva que deviam ter cortado três meses antes. E andamos a protegê-los? O que é que a freguesia e o concelho fizeram para que a lei fosse cumprida? "Fala com o desgaste de quem já está farto de incúria. Falta "intervenção estratégica", garante. "Tirando 1% a 2% de causas naturais que são atmosféricas, 99% dos incêndios em Portugal têm intervenção humana e acontecem por negligência, que é punida até cinco anos. Os fogos com causa intencional, com dolo, punidos até 13 anos, são residuais. O primeiro passo devia ser "impedir que os incêndios por negligência (queimadas, atirar pontas de cigarro, fogueiras para churrascos ou para redução de combustíveis) aconteçam, apostando numa fiscalização estratégica". Essa fiscalização deve ser feita pela polícia de proximidade, que é a GNR nas zonas rurais. "Nas zonas em que se fazem queimadas agrícolas, até às 10.00 ou 11.00 da manhã, o reacendimento pode acontecer por volta das 14.00. A autoridade devia ter estes períodos em consideração. Se um fogo fica ativo à meia- -noite então foi posto porque a essa hora não há queimadas."

Quanto aos incendiários locais, lembra que estão estudados pela PJ e que "deviam ser integrados nas equipas de combate aos fogos ou de tratamento das florestas". Porque o que acontece é serem "presos e libertados", sucessivas vezes. Para António Carvalho "o país não está melhor do que no tempo da troika, está na mesma, e não tem outro remédio senão ficar na União Europeia. Devemos continuar a receber refugiados mas tratá-los como imigrantes que estão integrados na sociedade e trabalham".

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quinta-feira, 22 de maio de 2008

Bombeiros bem ou mal equipados?

Há poucos dia o Sr. MAI, com muita pompa e circunstância e o seu habitual «entusiasmo», afirmava que, este ano, os fogos florestais não iriam levar a melhor, não iriam ficar a rir da dificuldades dos bombeiros, no confronto com os «soldados da paz», e anunciava que estes foram dotados com mais meios modernos.

O povo bem intencionado, de brandos costumes, muito crédulo nas palavras dos senhores governantes, ficou mais tranquilo e convencido de que os grandes fogos de anos anteriores, foram coisa do passado. Mas já nesses anos ouvira iguais promessas e não viu melhoras significativas.

Mas, como balde de água fria, antes que os fogos anulassem a ilusão criada pelo Sr. ministro, caiu agora a notícia «bombeiros sem equipamento» no jornal gratuito Metro. Segundo ela, o comandante distrital de operações de socorro de Lisboa, Elísio Oliveira, referiu no dia 20 as necessidades de equipamentos individuais dos bombeiros. Disse que existem carências de «materiais de protecção individual para combate a incêndios urbanos, e sistemas de respiração». Curiosamente, o seu espírito de missão levou-o a dizer que, apesar disso, os bombeiros podem «responder a qualquer situação», mas certamente, com menor eficiência!

Depois de tais palavras, a governadora civil do distrito de Lisboa, Dalila Araújo, salta à estacada e garante que as corporações do distrito estão bem equipadas.

Perante isto, ficamos totalmente baralhados. Quem estará a falar verdade? Quem é tecnicamente mais credível para opinar sobre o assunto? O que concluir das palavras de Dalila a desmentir o comandante Elísio? Como reagirá este?

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sábado, 3 de novembro de 2007

Os fogos florestais continuam

As notícias trouxeram imagens de fogos de vários pontos do País, desde a Peneda-Gerês até Santarém. Os fogos florestais andam por aí, apesar de um secretário de Estado ter dito muito ufano e arrogante que nos meses de Verão deste ano houve menos fogos do que em igual período do ano anterior, devido, segundo ele, a três factores:
- um aumento da área intervencionada,
- uma melhor articulação dos sapadores florestais e a
- uma melhor vigilância da GNR.

Intencionalmente, para que esta explicação fosse politicamente correcta, não se referiu à diferença das condições atmosféricas com temperaturas mais baixas e humidades mais altas e mais chuvas do que no ano passado.

Mas, apesar dessas medidas tão eficazes do governo os fogos aí estão com toda a sua espectacularidade, o que leva a perguntar: qual a razão de estarmos a enfrentar mais fogos do que no mesmo período do ano passado? Será que agora o mesmo governante vem a atribuir as culpas exclusivamente às condições meteorológicas? Então, porque estas só são referidas quando são agravantes da situação?

E, para evitar que o secretário de Estado fosse exposto a perguntas de jornalistas mais perspicazes e informados, apareceu o ministro e disse que os meios de combate aos fogos estão, em qualquer época do ano, prontos a reunirem-se e avançarem para o combate aos fogos. Então, como explica os fogos mais recentes? Há explicações incoerentes carentes de lógica em que só o próprio poderá nelas acreditar, se é que acredita.

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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Fogos florestais. Propaganda e desleixo???

Um senhor secretário de Estado que tutela a protecção civil e os bombeiros, ao encerrar a fase charlie de combate aos fogos florestais, disse que, «entre os dias 1 de Julho e 30 de Setembro - os meses de maior risco - a área ardida foi significativamente menor do que em 2006, com 16.605 hectares ardidos até ao momento contra os 75.335 hectares ardidos no ano passado».E atribuiu este êxito a:
- «um aumento da área intervencionada»,
- uma melhor articulação dos sapadores florestais e a
- uma melhor vigilância da GNR.
Tudo isto era apontado como mérito do Governo e, portanto, da sua Secretaria de Estado.

Na ocasião, no post aqui colocado, Não há senso!, considerei que era preciso desplante, para não dizer arrogância insensata querer que os portugueses esquecessem as diferenças meteorológicas entre o verão de 2006 e o de 2007, tendo este sido menos quente, mais húmido e com vários períodos chuvosos. Dizia que o mérito coube não ao Governo, mas sim à «não comparência» dos fogos por virtude de S. Pedro.

Hoje os jornais, a propósito dos fogos no Parque Nacional da Peneda-Gerês, dizem que, enquanto em todo o Outubro de 2006 houve 423 fogos florestais, este ano, apenas desde um a 20 de Outubro, já houve 1670 fogos, o que é quatro vezes mais. Usando a estatística como os governantes gostam de fazer, como este número resulta da comparação de dois terços do actual mês com todo o mês do ano passado, significa que comparando os meses inteiros de Outubro dos dois anos, no corrente, haverá seis vezes mais fogos do que em 2006.

Isto faz pensar que ou o Sr. secretário de Estado quis fazer falsa propaganda, sem senso, e ofuscar a nossa ingénua visão, ou ele foi de férias acompanhado daqueles três factores, que incluem os sapadores florestais e a GNR, deixando negligentemente Portugal entregue à sorte.

Não há senso, quando, por intenção se oculta o principal factor de um fenómeno complexo. E digo intenção, para não dizer ignorância ou incompetência, porque isso poderia ser considerado ofensivo, enquanto que a intenção, mesmo que má, estava «politicamente correcta». Estava dentro do hábito de atirar poeira para os olhos menos atentos.

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quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Não há senso!

O Sr. Ascenso Simões teve a falta de senso de atribuir à governação todo o mérito do balanço positivo da fase "charlie" («C» de chuva?) do plano de combate aos incêndios florestais».

Segundo ele, «entre os dias 1 de Julho e 30 de Setembro - os meses de maior risco - a área ardida foi significativamente menor do que em 2006, com 16.605 hectares ardidos até ao momento contra os 75.335 hectares ardidos no ano passado». E atribuiu este êxito a:
- «um aumento da área intervencionada»,
- uma melhor articulação dos sapadores florestais e a
- uma melhor vigilância da GNR.

Já há duas ou três semanas que, em conversa, previa que acabassem por surgir palavras deste género!

Como a maior parte dos portugueses, durante o período acima referido esteve mais atenta às condições meteorológicas, por estar em férias, todos sabemos que o MÉRITO dessa vitória contra os fogos florestais, erradamente atribuída ao Governo, cabe à não comparência dos fogos por virtude de S. Pedro, ou melhor Daquele Deus a quem Sócrates prestou homenagem quando se benzeu, durante uma das muitas cerimónias oficiais de abertura do ano escolar. Em termos de temperatura e humidade do ar, todos sabemos a diferença entre 2006 e 2007. Os fogos não gostam muito de chuva e esta caiu com frequência e intensidade na maior parte dos dias da fase «charlie» de 2007.

Não há senso, não há vergonha, de abusar tanto da propaganda balofa, partindo da hipótese de que os portugueses somos todos estúpidos. Alguns o serão, mas não somos todos políticos ou devedores de favores à oligarquia..

Os governantes deviam fazer um esforço para compreender que, quando falam para o público em geral, não devem utilizar os argumentos comicieiros. Uma coisa são os políticos que batem palmas e aplaudem sem perceber o que estão a ouvir, outra coisa são os portugueses medianamente inteligentes que têm neurónios e os usam.

Origens desta notícia:
Balanço positivo no combate a incêndios
Área ardida foi 12 vezes inferior à média dos últimos cinco anos
Governo faz balanço positivo da fase "Charlie" de combate aos fogos

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