sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A caminho do Estado policial???

O escândalo do lápis azul, em Torres Vedras, concretizando uma censura prévia às tradicionais festividades do Carnaval, é uma réplica da perseguição ao professor Charrua, da exoneração da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho pelo ministro da Saúde e do processo a militar reformado, por artigo no seu blog, casos de cerceamento da liberdade de expressão, com exagerado medo dos efeitos de críticas ou referências não laudatórias ao Governo

Alguém, para agradar ao chefe, põe em marcha uma acção de censura, por pretexto fútil o de apresentar no monitor do «Magalhães» mulheres nuas, coisa que qualquer criança vê, em locais públicos, jornais e revistas. E as imagens do caso, nada tinham de pornográfico, e até estavam desfocadas.

Os casos de Charrua, da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho e do militar reformado podem ser relembrados seguindo os links que seguem no fim deste texto.

No caso de Torres Vedras, referido nos textos linkados no fim, um fanático socialista, provavelmente para colher benesses do género de ser incluído nas listas das próximas eleições denunciou que um dos carros alegóricos ofendia a moral pública!

O presidente da Câmara de Torres Vedras, Carlos Miguel, recebeu um fax no Ministério Público com indicação para retirar as alusões do computador Magalhães do “Monumento” – construção alegórica que todos os anos satiriza um tema da actualidade.

O “Monumento” deste ano é dedicado ao tema “profissões”: a alegoria está materializada com um jovem e os seus sonhos de futuro. Neste cenário, o Magalhães aparece com mulheres nuas e referência à pesquisa no Google com a palavra-chave “mulheres”.

Em entrevista à Antena 1, o autarca terá manifestado a sua indignação, sublinhando que é esta é a primeira vez depois do 25 de Abril que há um acto de censura aos conteúdos do Carnaval de Torres, célebre pela sua crítica social e política.

Assim se reforça o renascer do lápis azul dos antigos censores e assim se dão mais uns passos para o Estado policial, dentro da filosofia imperante de que é preciso «malhar neles».

E, perante estes avanços anti-democráticos, as pessoas devem reagir visivelmente logo aos primeiros passos dados pelo Poder na má direcção, porque se demorarem, a repressão vai tomando força e deixa de ser possível reagir. Não se esqueça a evolução do poder hitleriano, que começou por eleições democráticas.

Há que acordar e estar atento e defender as pequenas liberdades antes que sejam retiradas as liberdades essenciais.

Textos de apoio a este post:

- A «lei da rolha» está aí Caso do professor Charrua
- Caso Charrua encerrado por pressão popular
- Directora demitida... por pecado mortal
- Directora demitida (continuação)
- Liberdade de expressão em risco?
- Processo disciplinar a militar reformado
- Ministério Público proíbe sátira ao Magalhães no Carnaval de Torres Vedras
- Carnaval de Torres Vedras: câmara lamenta que PGR censure sátira que não viu
- Câmara acusa Ministério Público de censura
- Tribunal manda retirar nudez de 'Magalhães' no Corso de Torres Vedras
- DREN contraria Conselho Pedagógico de Paredes de Coura na polémica sobre desfile de Carnaval
- Denúncias são necessárias!!!
- Alertar, reclamar, denunciar é um dever cívico

6 comentários:

Amaral disse...

João
Esta da sátira do magalhães e do carnaval da dren só lembrariam ao ditador.
Bom fim-de-semana
Abraço

A. João Soares disse...

Amaral,
Não há apenas esses casos. Vive-se num absolutismo com um culto da personalidade do chefe que, por vezes, chega ao ridículo. São um exemplo bem visível as atitudes do ministro que para agradar ao patrão não hesita em dizer que é preciso «malhar» em quem lhe coloca questões a que ele não sabe responder, ou as respostas que devia dizer não lhe interessam e, por isso recusa-se a responder.
Não querem perder a possibilidade do próximo tacho!
Abraço
João Soares

Anónimo disse...

Censura em T. Vedras?!?!
Tudo não passou de uma campanha bem montada pelo Presidente da Camara para promover o Carnaval de Torres!! A queixa ao MP foi gizada nos gabinetes camarários. Foi tudo MARKETING !!
Isso ficou evidente com todo o aparato dos assessores de Imprensa da CMTV, que já tinham notas de imprensa pré-feiTas e desataram a telefonar para todas as redacções, com a convocação de conhecidos elementos do PS local para, "disfarçados" de cidadãos anónimos, fazerem comentários para o filme e com muitos mais pormenores que quem estiver atento detecta facilmente.
Bastou olhar para o noticiário da TV para ver a máquina de propaganda do carnaval/autarquia a funcionar em pleno. Quando o fax do MP chega às 12h30 de um dia de trabalho a gente estranha como é que logo às 15h00 já havia figurantes mascarados a rigor, entrevistados com a lição estudada, adereços fabricados para o efeito (lápis gigante, autocolante, etc.) e comunicação social presente em larga escala.
A golpada resultou em cheio e toda a gente engoliu.

A. João Soares disse...

Mário,
Pode ter sido assim e, se foi, evidencia um bom sentido de marketing da Câmara e da organização do Carnaval. Tais truques são vulgares no próprio Governo.
Mas isso nada tira ao ponto essencial da tese defendida no post, que se refere à decisão rápida e espontânea da juíza. O facto de mais tarde reconhecer que errou e anular a decisão, não elimina o significado da sua primeira acção.
O «zeloso» cidadão Mário Andrade Lucas, invocando o Decreto-Lei nº 254, de 1976, apresentou uma queixa ao MP de Torres Vedras, documentado com fotos, na qual afirmava que estavam a ser exibidos em local público conteúdos pornográficos. Tratava-se apenas de imagens de nus femininos, como há muitos em publicações e publicidade exposta em público. O MP não tardou a ordenar à Câmara para retirar essas imagens num prazo de poucos minutos, sem sequer ter visto ou mandado ver as imagens que se encontravam a menos de duas centenas de metros do tribunal. É um exemplo de que a Justiça por vezes é rápida.
Outro caso de eficiência ocorreu em Portimão em que havia 17 arguidos do «caso das funerárias», acusados de crimes de corrupção activa e passiva, por alegadamente terem concebido um esquema que permitia às agências funerárias obter informações privilegiadas sobre os óbitos ocorridos no Hospital de Portimão. Seis dos 17 arguidos foram condenados a penas de prisão suspensas entre 16 meses e dois anos e outros três a 150 dias de multa. Os restantes 8 foram absolvidos.
O curioso é que se tratava de percentagens ou «atenções» em pequenos negócios, o que talvez justifique a diferença da demora da resolução dos casos de de grandes negócios Portucale de Benavente, Freeport de Alcochete e Vale da Rosa de Setúbal. Além do volume de dinheiro em jogo há também a categoria das pessoas «eventualmente» envolvidas.
Será interessante descobrir as razões que levam a justiça a agir tão rápido em pequenas coisas e tão demorada ou ausente em casos que envolvem colarinhos brancos e grandes somas de dinheiro.
João Soares

Joaquim Ferreira disse...

SÓ FALTAVA ESTA... QUEREM AVALIAR OS PROFESSORES PELOS RESULTADOS E DEPOIS ACEITAM QUE SE OBRIGUEM OS PROFESSORES A PARTICIPAR NESTA PALHAÇADA...? POR MIM, PODERIA IR PARA A PRISÃO... MAS PALHAÇADA. PAIS QUE SE COMPORTAM ASSIM ESCREVENDO E CRITICANDO SÃO SOS MESMOS QUE DEPOIS CULPAM OS PROFESSORES PELOS RESULTADOS DOS SEUS FILHOS E APOIAM A MINISTRA NOS INSULTOS QUE SISTEMATICAMENTE LHES FAZEM.
Todavia, o contributo QUE MUITOS PAIZINHOS DÃO À ESCOLA no sentido de resolver os problemas reais É APENAS: INSULTAR E MALTRATAR OS PROFESSORES. A DIRECTORA REGIONAL DEVERIA PAUTAR A SUA CONDUTA POR PRINCÍPIOS DE DIGNIDADE. ESTA ATITUDE PIDESCA (FISCAIS PARA CONFIRMAR SE HÁ OU NÃO DESFILE) É, mínimo, VERGONHOSA. NÃO VOTO PS!
OS PROFESSORES NÃO SÃO OBRIGADOS A REALIZAR ACTIVIDADES FORA DOS MUROS DA ESCOLA! Compreendem-se que VIAGENS PARA VISITA DE ESTUDO podem ser fundamentais para a aprendizagem... AGORA DESFILES? SÃO IMPORTANTES PARA QUÊ? PARA O LAZER? OS PAIZINHOS QUE OS LEVEM À MEALHADA OU A OVAR.
A DISPONIBILIDADE MENTAL DOS PROFESSORES JÁ A TEM ESGOTADA. E É O QUE O GOVERNO QUER. UM POVO QUANTO MAIS BURRO MAIS FÁCIL É DE GOVERNAR. Porque.. "Em Terra de cegos quem tem olho é Rei".

A. João Soares disse...

Joaquim Ferreira,
E o curioso é que estas coisas ocorrem na DREN, a mesma da perseguição ao professor Fernando Charrua, e de outros casos vindos a público!!!
João Soares