terça-feira, 13 de abril de 2010

Enfrentar a crise. Dois exemplos

O mau comportamento da sociedade, especialmente dos empresários com a complacência dos governantes, deu lugar a uma crise mundial que começou por ser financeira e económica e acaba por esmagar todos os sectores da vida, desde o ambiente natural até aos mínimos pormenores da nossa actividade.

Para lhe fazer face, impõem-se medidas drásticas, dirigidas às causa primárias, às estruturas e instituições mal delineadas para apoiar a vida dos comuns mortais. Estamos num momento em que se justificam mudanças semelhantes às que outrora definiram o aparecimento de novas épocas históricas. Da parte dos governantes não se está a ver nada de realmente novo, dadas as incapacidades de os ocupantes do Poder se afastarem das rotinas que conduziram à crise dramática que estamos suportando e, por outro lado, a denominada democracia condiciona as decisões, porque sendo os interesses dos partidos mais imperativos do que os nacionais, por receio da perda de votos em eleições futuras.

Mas como a crise afecta todos e a actividade governamental deve ser considerada lateral (marginal) em relação à actividade da população e da livre iniciativa, já aparecem sinais de que os agentes económicos, pala mão de pessoas mais esclarecidas e com iniciativa menos condicionada, estão a tomar medidas ajustadas à mudança.

1º Exemplo. A Associação de Kiwicultores de Portugal (APK) em Santa Maria da Feira, lembrando a escassez de kiwis no mercado ibérico e que no concelho se regista uma das maiores taxas de desemprego do país e, atendendo às boas condições para a sua produção, sugere que a plantação de kiwis pode transformar-se, para algumas famílias, numa forma de obter rendimento extra ou até numa oportunidade para a criação de novos postos de trabalho.

Tal ideia está na origem de um Plano de Promoção de Plantações de Kiwi que a APK, em parceria com a Câmara, pretende implementar no concelho. Tal produção, além de poder ser encarada como "uma segunda actividade e fonte de receita familiar", contribuirá para a fixar população nas desertificadas zonas rurais e para exportação.

Trata-se de uma iniciativa genial que explora um nicho do mercado com boas perspectivas de êxito. Portugal precisa de mais iniciativas explorando outras ideias e oportunidades em diversos sectores, nomeadamnente as novas tecnologias e as energias renováveis, hoje muito apoiadas. Porém, como o móbil é a saída da crise e, portanto, o sucesso, não deve entrar-se em aventuras insensatas que apenas sirvam para destruir recursos. Esta ideia parece bem pensada e ter em conta os factores essenciais para o êxito. Apareçam outras!

2º Exemplo. Um produtor de laranjas do Algarve com propriedade situada na freguesia da Luz de Tavira, com site na Internet e a fazer publicidade directa por e-mail esclarece que a quinta produz várias espécies de fruta com possibilidade de fornecer fruta da época durante todo o ano, produzida sem tratamentos químicos, totalmente natural, e que entrega ao domicilio dentro de 24 horas após a colheita, a um preço atractivo por dispensar os demorados e encarecedores circuitos de distribuição

O URL do site é WWW.LARANJADOALGARVE . COM

Estes dois exemplos são muito positivos e faço-lhes referência por evidenciarem que as pessoas têm que aprender com a crise e criar sistemas de rendimento que gerem condições de vida desafogada e um futuro seguro e sustentável. Já aqui têm sido publicados posts a realçar atitude de jovens que levam a ter esperança no futuro. Mas é indispensável que esse punhado de gente válida aumente, alastre e se transforme numa «multidão» de muitos milhares de jovens válidos e empreendedores. Portugal precisa do dinamismo da juventude.

2 comentários:

Fernanda disse...

Querido amigo João,

Sabe que já conhecia e acho admirável.

Siga-se o exemplo exemplar (passo o pleonasmo).

Beijinhos

A. João Soares disse...

Querida Ná,

São dois exemplos de iniciativas das pessoas, sem interferência do Governo, o que é muito positivo. Do que precisamos é de pessoas capazes de iniciativas produtivas de empregos e rendimento para a classe média baixa ou pobre. A interferência do Governo acaba sempre pela exploração dos já explorados e enriquecimento dos já muito ricos. São estes que podem contribuir para a corrupção, o enriquecimento ilícito e os tachos de que os políticos gostam.

Beijos,
João