domingo, 12 de dezembro de 2010

Eles abandonam o barco

Segundo o site AngoNotícias, Armando Vara é o novo PCA da Camargo Correia África, tendo assim a seu cargo as actividades da empresa brasileira em Moçambique e Angola. Irá fazer boa equipa com Guebuza (ver aqui, aqui e aqui) e dos Santos.

Armando Vara, beneficiado por uma carreira «fulgurante», desde o seu início ao balcão da CGD em Vinhais, sujeito a muitas polémicas, em que se falou do compadrio com António José Morais, as obras no monte que comprou em Montemor o Novo, a fundação para a prevenção rodoviária, a licenciatura, a passagem da administração da CGD para o BCP Milenium, a Operação Face Oculta e os robalos do Godinho, aceitou agora um presente estrangeiro e abandona o barco.

Os «boys» nunca ficam a perder, pois a coesão entre os elementos do grupo faz-se sentir sempre que seja necessário evitar que se «zanguem as comadres para não se saberem as verdades», velho ditado popular que mostra conhecimentos de sociologia. Tudo se encaixa nesta complexa malha de que enferma a sociedade moderna, não só nacional como também internacional.

Quanto ao abandono do barco, não é o primeiro e não será, provavelmente, o último, sendo de recordar o ex-administrador do BPN, Dias Loureiro, agora bem instalado em Cabo Verde numa empresa que estava ligada ao BPN, Morais Sarmento que foi acolhido pela empresa espanhola Iberdrola e Agostinho Branquinho que aceitou o presente oferecido pela Ongoing, e isto para não falar dos que foram ocupar brilhantes cargos internacionais, por ordem cronológica, António Guterres, Manuel Durão Barroso e Jorge Sampaio.

Daqui, se conclui que é muito sensato e oportuno o conselho dado por Cavaco Silva aos jovens para se interessarem pela política. Está aí uma carreira de futuro promissor, pois a dedicação ao líder do momento, a conivência, a cumplicidade e a amabilidade para empresas e donos do capital em geral, rende sempre bons dividendos e uma imunidade e impunidade que a experiência diz ser incontornável. Isto aplica-se mesmo internamente, pois é expressiva a lista dos «tachos» de ex-políticos, que circula com frequência pelos e-mails.

Entretanto a AOFA informa, por comunicado de 27 de Outubro de 2010, que «jovens que sobrevivem no Afeganistão e noutras missões poderão não resistir ao terror em Portugal. O Orçamento de Estado atira para o desemprego 3.000 jovens militares em regime de contrato». Realmente a carreira política é muito mais compensadora e sem os riscos de vida que aqueles militares correm.

Imagem da Net

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