quarta-feira, 25 de julho de 2012

Decidir por palpite é incorrecto

Qualquer decisão deve ser devidamente preparada, principalmente se os seus efeitos puderem ter grande importância. Deve-se Pensar antes de decidir, usando uma metodologia adequada.

Infelizmente, muitas vezes, os governantes parecem mais propensos a decidir por palpite ou teimosia arrogante do que a seguir um método de boa preparação da decisão. Exemplos disso aparecem com mais frequência do que a desejada, e sabe-se por «alterações» ou «recuos», sempre desprestigiantes e com custos que deviam ter sido evitados. Um dos custos, em crise é tempo, que não é recuperável.

Agora, o Ministério da Educação viu-se na necessidade de alargado até 31 de Julho o prazo para candidaturas de professores contratados, depois de as normas iniciais para concurso terem lançado professores contratados "no desespero" e de os  Sindicatos da FNE e da Fenprof alertarem professores contratados para “confusão” no concurso.

Ou será que passou a ser moda os governantes estarem a lixar-se para os cidadãos que dependem das suas tutelas?

Imagem de arquivo

9 comentários:

Anónimo disse...

"Ou será que passou a ser moda os governantes estarem a lixar-se para os cidadãos que dependem das suas tutelas?"...

"estar a lixar-se para as eleições" sigifica estar a trabalhar para Portugal sair do buraco em que se encontra sem ligar a clientelas e sem pensar na angariação de votos para uma futura eleição. No entanto, considera-se que os eleitores são pessoas conscientes e que saberão, a seu tempo, ver quem está a dar a volta ao prego que espetaram em Portugal. E quem o espetou.

"Infelizmente, muitas vezes, os governantes parecem mais propensos a decidir por palpite ou teimosia arrogante do que a seguir um método de boa preparação da decisão. Exemplos disso aparecem com mais frequência do que a desejada, e sabe-se por «alterações» ou «recuos», sempre desprestigiantes e com custos que deviam ter sido evitados. Um dos custos, em crise é tempo, que não é recuperável."

Li vezes sem conta esta sua afirmação, aqui reproduzida, em relação a diversos outros governantes. É coerente na sua afirmação por tal motivo. Mesmo que tenha ou não razão esta ou noutra vez...

Cumpts

A. João Soares disse...

Caro anónimo,

Estar-se «lixando para as eleições» e pensar a sério em Portugal, nos portugueses, deveria ser o lema de qualquer governante honesto. Mas, infelizmente, a realidade mostra que não é assim. E esta frase do PM é uma falsidade e o sinal de que já começou a pensar na próxima ida às urnas. Depois da feroz austeridade que foi condenada pelo TC e pelas mais criteriosas opiniões internacionais, o Governo começa a explorar pequenas melhorias para conquistar votos. Tem sido sempre assim depois de 1974, os primeiros anos de Governo são de sacrifícios e os últimos são de benesses e promessas.

Para as autárquicas de 2013 começam já a surgir as promessas que favorecerão as vantagens dos partidos do Governo. É a «porca da política»!!!

Mas, enquanto não se mudar o sistema (como vários já propõem, mesmo o João Jardim), nada adiante mudar de partido no poder. São todos obedientes aos bancos, grandes empresas e os detentores de poder para darem emprego aos meninos do bando e tacho altamente remunerado aos ais inactivos deste.

E entretanto, surge mais uma notícia a mostrar que as decisões não foram bem preparadas e obrigam a recuos e cedências:

Ministério cede em horários zero, vinculações e compensações

Cumprimentos
João

Mário Relvas disse...

Caro A. João Soares,

na verdade depois do 25 poucos governantes encararam a sua função como forma de servir o país o mais correcta e honestamente possível.
PPP e PP são a continuidade, com outra cor, das políticas dos que mandam realmente. Portugal começou a padecer de uma subsidiodependência crónica a partir da entrada na UE e no euro.
Escrevi antes das eleições que fosse qual fosse o governo as políticas não seriam muito diferentes. Sei, no entanto, que este governo tem de seguir o acordo firmado com a troika pelo anterior executivo socialista.
Vamos indo e vamos vendo até onde iremos. Poderia dar-lhe o meu auspício mas fica para breve...

Cumprimentos

A. João Soares disse...

Caro Mário,

A troika está a ser um manto para disfarças as incompetências dos governantes. Como o líder do PS diz, o acordo não impõe soluções concrectas e restrictas, aquilo que ele chama «caminhos». António José Seguro voltou a afirmar que os compromissos assumidos com a "troika" são para cumprir ao "nível das metas", mas que "completamente diferentes são os caminhos para lá chegar".

A escolha desses caminhos é aquilo que é ensinado em Pensar antes de decidir. Para distinguir o papel da troika e do Governo sugiro a leitura do post Quem governa Portugal ?.
Tem havido uma abdicação total da nossa soberania a uns tecnocratas estrangeiros viciados no neoliberalismo macroeconómico. E os nossos economistas, em vez de pensarem, tanto quando lhes fosse possível, nos nossos problemas actuais dentro dos condicionamentos existentes, aceitam tudo à sombra de catrapázios escolares de há mais de meio século.

O próprio PR, professor de economia e finanças, disse há tempos que tinha previsto a crise quartro anos antes... mas não consta que tivesse feito ou aconselhado algo que a evitasse ou lhe minorasse os efeitos.

Estamos perante a anedota que conta que Cristo foi atendendo os pedidos que muitos indivíduos lhe fizeram, mas quando um português lhe pediu a solução para a crise, Ele sentou~se ao lado do portuga e chorou com ele. Já nem com milagres isto se resolve.

Cumprimentos
João

Mário Relvas disse...

Caro A. João Soares,

Vou aqui dizer, muito sucintamente, o que um conhecido empresário muito conhecido, por maus motivos, me disse, um dia, na cidade do porto, quando me cruzei com ele e trocámos uns dedos de conversa. Privatizar tudo porque o privado é que dá dinheiro ao Estado. Reduzir o funcionalismo público ao mínimo indespensável que é quase zero. Agregar as forças de segurança (assim há menos chefes a quem distribuir prendas)... E reduzir as Forças Armadas ao mínimo que a Força de Segurança aglutinada não estiver capaz de realizar fora do país. O que ele disse ser muito pouco...
Podia dizer-lhe mais sobre o assunto mas deixo esta para análise... E andam estes indivíduos a subsidiar, de uma forma ou de outra, os "partidos"...
Enquanto a justiça não voltar a ser cega podem falar em democracia mas cada vez mais não passa de uma mera palavra gasta e sem sentido...

Cumprimentos

Mário Relvas disse...

... Sobre o António José seguro tenho pouca fé no que diz. pergunto onde andou ele no tempo de Sócrates. Calado e à espera que ele e Portugal desse o tombo para concorrer á liderança. Um bom político não se resguarda de tal forma. Se estivesse no Governo já teria ido tantas vezes a Berlim como o seu antecessor partidário? Acredito que sim. Poderia mudar umas virgulas mas o sentido do texto seria o mesmo. Repare em Hollande na França que aumentou uma côdea o ordenado mínimo, sabendo que não o podia fazer e baixou a idade da reforma, para dizer que cumpriu o que prometeu. Agora já está a inveter a situação e despedirá funcionários públicos, aumentará impostos a todos, para lá dos mais ricos já em vigor, e estou em crer que muitas das medidas tomadas em portugal, Itália e espanha serão coincindentes.
Já agora:
«Merkel e Hollande determinados a fazer "tudo para proteger zona euro"».
A frança não tem pernas para andar. A PSA -Peugeot/Citroen- está em processo de falência com milhares de trabalhadores que irão ser dispensados. E o Estado terá de meter uns milhões para aquilo não encerrar...

Cumprimentos

A. João Soares disse...

Caro Relvas,

Estamos a viver num mundo de ficção. O palpite de tal empresário, pode e deve ter cabimento na metodologia de preparação da decisão de que coloquei um link no comentário anterior. Aí em devido ponto devem ser listadas todas as hipóteses, todos os caminhos para chegar ao objectivo desejado e bem definido como finalidade do estudo. Um qualquer palpite pode dar pormenores que ajudem a escolher a melhor solução e a descrevê-la da forma a ser mais eficiente possível.

O nosso mal é que os decisores decidem teimosamente uma «inspiração onírica» e não hesitam em a publicar e concretizar, «custe o que custar». Depois têm de recuar quando os mais lesados e corajosos se manifestam. E tudo mostra que as manifestações estão a aprender com as de Espanha e da Grécia, cujos inconvenientes bem podiam ser evitados se as decisões fossem mais sensatas e adequadas às realidades nacionais.

Cumprimentos
João

A. João Soares disse...

Caro Relvas,

Não sou do PS nem de nenhum partido e não devo favores ao Seguro e, por isso, sinto-me à vontade para esclarecer que ele foi um opositor muito activo à acção de Sócrates. Vou linkar algumas notícias que o provam:

- Foi o único deputado que votou contra a lei de financiamento dos partidos, em 02-05-2009 a qual foi depois vetada pelo PR: E todos concordaram!!!

- Em 06-10-2010, no blogue: António José Seguro. Um Homem no PS

- No Público: António José Seguro: portugueses “estão fartos de fazerem sacrifícios sem ver resultados"

- No Público: Seguro quer resultados do Governo para justificar sacrifícios

- Em 30-08-2010: António José Seguro privilegia prevenção dos fogos

Conclui-se que não foi por acaso ou malabarismos que venceu a eleição para secretário-geral.

E, no período do actual Governo, tem tomado atitudes de colaboração com este, em defesa dos interesses nacionais, que desagradam aos seus camaradas mais dados á guerrilha inter-partidária. É um exemplo de que uma oposição responsável é útil ao País, para que o Governo não esqueça aspectos indispensáveis e não exagere em atitudes menos patrióticas.

Cumprimentos
João

Mário Relvas disse...

Caro A. João Soares,

Fez bem em recordar-me estes parcos episódios de A. José Seguro. Havia uma senhora do PS que explodia Durão e depois Sócrates: Eurodeputada Ana Gomes?

Cumprimentos