sábado, 28 de julho de 2012

Défice e contas de sumir

As conversas são como as cerejas e os temas sucedem-se de forma aparentemente desconexa.

- Ó Rosa, você que está ligada ao marketing, ajude-me a compreender que ordem foi dada a todas as jovens para este ano nenhuma usar os «tops» com o umbigo à vista, depois de, no ano passado, todas utilizarem essa moda.

- É uma questão de moda, e nenhuma quer apresentar-se de forma a destoar da última «fashion», até porque, querendo as mulheres agradar aos homens, temem ficar mal vistas se não estiverem vestidas segundo o último figurino. E não é preciso ordem escrita e publicada !, porque a moda funciona desde os estilistas, fabricantes e vendedores ao cliente. Acabam por atirar para o lixo as roupas do ano passado e comprar outras de novo aspecto.

- Isto passa-se, apesar da crise e da falta de poder de compra, em espírito de carneirada, sem ninguém pensar na sua comodidade, no seu gosto, naquilo que lhe ficará melhor e mais adequado á sua condição e idade. O meu neto queria uns ténis com uma espécie de molas nos tacões, que custam 130 euros, como usam os seus colegas, mas eu disse-lhe que não comprava mais caros do que 60 euros da marca dos anteriores e que são muito bons, porque o dinheiro deve ser bem gerido em virtude de ser escasso e perecível, isto é, aquele que se gasta numa coisa já não pode ser utilizado numa outra, mesmo que seja mais necessária.

- Isso faz-me lembrar que o meu amigo Afonso que vive em Oeiras e foi um sábado a Cascais com o netinho, no comboio, e ia com vocação didática. O miúdo, ao sair da estação pediu ao avô uma moeda para dar de esmola ao pedinte que estava no passeio. O Afonso, achou muito bem a generosidade do menino e deu-lhe uma moeda. Mais abaixo, em frente a uma famosa casa de gelados, o miúdo pediu que lhe comprasse um gelado, ao que o avô responde: trazia aqui dinheiro para te oferecer um, mas ali atrás preferiste utilizá-lo na esmola ao pobrezinho. E depois explicou que o dinheiro deve ser bem administrado, etc.

- Pois é, na vida é preciso saber utilizar as contas de somar e subtrair para evitar o défice e isso deve aprender-se desde pequeno. Os nossos políticos não aprenderam isso de pequenos e ainda não sabem, pelo que vivemos esmagados pelo DÉFICE, pela DÍVIDA e pela austeridade daí resultante.

- Eles não dominam as operações aritméticas de somar e de subtrair, só sabem as de SUMIR.

Imagem do Google

3 comentários:

Mário Relvas disse...

Boa tarde caro A. João Josares,
Interessante a sua postagem. Confesso que partilho da sua opinião. Vejo todos os dias, desde há muito, o carneirismo consumista, uma moda que nos levou, enquanto nação, quase à bancarrota não fosse a ajuda externa. Acrescento que todos os dias vejo pessoas a beberem álcool em excesso e depois queixam-se da crise e da falta de dinheiro para o dia a dia. Ainda ontem um "vizinho", de cerca de 30 anos, trazido de carro por outro em estado idêntico, andou 50 metros aos sssss até chegar às escadas do seu prédio, onde deu um grande tombo e andou á procura das chaves que tinham caído ao chão. É moda beberem shots que não são baratos. E siga a moda...

Cumprimentos

Zé Marreta disse...

A receita é gastar no essencial e poupar no supérfluo, seja em que circunstâncias da vida for, sendo que essencial e supérfluo variam de pessoa para pessoa. Daí, às vezes, o problema...

Saudações!

A. João Soares disse...

Caros Mário e Zé,

Concordo com a regra do Zé, pois a poupança deve ser no supérfluo e secundário para se poder fazer face ao essencial. A distinção entre um e outro não é fácil e poucos têm o bom senso de acertar. É uma questão de educação, ensino das mais elementares regras de gestão aplicáveis aos menores gestos da vida. Em cada momento temos que tomar decisões e nem todos sabem Pensar antes de decidir.

O nosso ensino precisa levar uma grande volta para ter verdadeira utilidade em todos os níveis de decisões.

Outra reflexão do texto: basta um pequeno número de indivíduos de entre os 5% mais válidos, para arrastarem toda a carneirada para uma revolução que pode ter o inconveniente de fazer estragos a mais em inocentes e deixar de lado os culpados da crise que entretanto se piram para os offshores.

Cumprimentos
João