sábado, 25 de agosto de 2012

Tachos em família

Ana Manso ex-deputada do PSD e presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, requereu, a 28 de dezembro de 2011 (15 dias depois de ter tomado posse), a transferência do marido (Francisco Manso) da ULS de Castelo Branco para Guarda e, logo depois de a cedência ter sido aprovada pelo Ministério da Saúde, nomeou-o para auditor interno das contas do organismo a que preside.

Ana Manso, na quinta-feira, 9 de Março de 2012, emitiu uma circular interna, onde dá conhecimento da nomeação do administrado hospitalar Francisco Pires Manso, para as funções de auditor interno da ULS/Guarda, por despacho do conselho de administração datado do dia anterior. No dia seguinte o caso foi divulgado por ter sido considerado escandaloso pelo PS.

Curiosamente, não se trata de caso único na estrutura da saúde, pois o médico José Manuel Ramos, cinco meses depois de ter tomado posse, como presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio (CHBA), criou no hospital que dirige «um gabinete de produção», onde colocou a filha, o genro e um amigo, Pedro Xavier, da concelhia do PSD. Este presidente deu-se ao requinte de criar um organismo específico para dar salário a familiares e amigo.

Poerá haver mais casos deste género mas, felizmente, a notícia mais recente mostra que o ministro da Saúde não está virado para dar cobertura a estas explorações do dinheiro público para benefício do amiguismo e Ana Manso despede o marido para evitar a sua própria demissão. Mas não deixaram de passar 5 meses desde a denúncia do PS.

É preciso não hesitar em denunciar o que está errado, pois como dizia o pensador «o que me preocupa não é o grito dos maus! É o silêncio dos bons.»

Imagem do Google

10 comentários:

Mário Relvas disse...

Caro A. João Soares,

De acordo. Foi o PS a denunciar como podia ter sido o BE ou outro qualquer. Não sei qual o grau de competência do dito senhor mas há que ter em conta as relações familiares num processo que implica a fiscalização de um ao outro.

O Governo esteve bem na sua reacção!

Cumprimentos

A. João Soares disse...

Caro Mário Relvas,

O ministro Paulo Macedo marcou pontos neste caso da Guarda. Será bom que do cimo da pirâmide venham bons exemplos de actuação, de rigor e de culto por valores de honestidade e respeito pelos interesses nacionais. O compadrio é um mal demasiado arreigado na nossa política. Devia ser mais utilizado o concurso público para dar lugar aos mais válidos e não aos mais amigos.

Cumprimentos
João

Mário Relvas disse...

Caro A. João Soares,

Infelizmente não é só na política. E muito boa gente que nos reodeia, que critica ferozmente os corruptos e os compadres fazem disso hábito às escondidas de nós. Mas alguns deram nas vistas...
Uma vergonha!!

Cumprimentos

A. João Soares disse...

Caro Mário Relvas

Casos destes em empresas privadas não prejudicam os contribuintes. Cada empresário dá emprego a quem entender. Se escolhe os mais competentes terá melhores resultados e se empregar amigos sem competência arrisca-se a ser ultrapassado pela concorrência.

Este post refere-se a casos em que está em causa o dinheiro público e, por isso é sugerido que quem tiver conhecimento deve denunciar até ao mais alto nível.

Não devemos esquecer que:

Para o triunfo do mal basta que os bons não façam nada.
Edmund Burke (16-01-1729 – 09-07-1797)

Cumprimentos
João

Mário Relvas disse...

Caro João Soares,

Não é bem assim. A corrupção é geral e afecta o contribuínte e as regras gerais de funcionamento.
E sobre o dinheiro público até nas associações brincam com ele. E é claro com os contribuintes e os associados. Foge sócio de seres sócio... Tem ido ao meu cantinho?

A corrupção afecta tudo e todos. Olhe que nos privados tem levado muito boa gente a encerrar as suas PME porque não têm dinheiro para pagar a malandros...

Cumprimentos

A. João Soares disse...

Caro Mário Relvas

Em qualquer situação em que decisões iníquas causem, directa ou indirectamente, prejuízo a terceiros devem ser denunciadas à entidades que tenham autoridade para exigir a sua correcção.
Nos casos de PME que refere, os malandros parecem ser elementos de serviços públicos que querem receber para fechar os olhos a irregularidades ou para acelerar as burocracias injustificadas. Isso insere- se naquilo que aqui foi dito para os serviços públicos.

No problema da denúncia é preciso ter coragem e precaver-se contra vinganças e perseguições, mas isso está previsto pelo pensador: «Se lutares, podes perder; se não lutares, estás perdido!»

Cumprimentos
João

Mário Relvas disse...

Caro A. João Soares,

Claro que as instituições públicas, em especial algumas como as autarquias, as polícias e outras entidades fiscalizadoras, parecem ser o grande porte de arma da corrupção. No entanto, nas privadas, principalmente os senhores que fazem as compras, movem-se por pagamentos extra, pessoal, o que deita abaixo os que não lhes podem adoçar o bico.

E isto não é de agora. E onde há corruptos há corruptores.

Sobre as denúncias temos bem presente um caso, em Lisboa, em que um denunciador ainda virou arguido mas, felizmente, a coisa endireitou-se no final. Mas era gente que sabia mexer-se e não teve receio do dinheiro do outro. Falta ainda julgar o caso de Coimbra. E outros que não deramà estampa. É preciso coragem para mexer com esses interesses mesquinhos (in)devidamente instalados em tudo quanto é aldeia, vila ou cidade.

Cumprimentos

A. João Soares disse...

Caro Mário Relvas,

O que conta é realidade e foi por isso que o PGR anterior ao ainda actual disse na área da Mealhada, depois de um acto oficial, que o combate à corrupção é difícil porque a lei não lhe dá força e porque, tratando-se de um acto entre duas pessoas, o passivo e o activo, e estando ambas interessadas no sigilo, a Justiça só poderá agir se eles se desentenderem e um se queixar ou se um terceiro fizer denúncia, o que não é provável porque cada cidadão tem esperança de poder vir a beneficiar com o esquema da atenção em troca de uma cunha.

Nos países onde o combate a esta praga tem resultado porque inverteram o ónus da prova. Mas aqui todos os partidos voam contra isso. Percebe-se porquê. Parece que não querem matar a galinha dos ovos de ouro, ou eliminar a sua fonte de enriquecimento!!!

Cumprimentos
João

A. João Soares disse...

Parece que os casos deste tipo são em quantidade preocupante. Ver a notícia seguinte:

Médicos denunciam à "troika" nomeações partidárias para agrupamentos de saúde

Anónimo disse...

Nas instituições públicas, em especial nas autarquias, o combate à corrupção é difícil, mas não impossivél. Tratando-se de um acto, em que duas pessoas, ambas interessadas no sigilo, a Justiça só poderá agir se elas se desentenderem ou se um terceiro fizer denúncia, o que não é provável, porque há esperança de poder vir a beneficiar com o esquema. Todos os partidos sabem mas ninguém faz nada contra isso. Sobre as denúncias é preciso ter muito dinheiro, e saber mexer bem com esses interesses instalados, em tudo quanto é aldeia, vila ou cidade.