terça-feira, 19 de julho de 2022

A ÁGUA ESTÁ A ESCASSEAR

(Public em DIABO nº 2376 de 15-07-2022, pág 16, por António João Soares)

Quando era menino e moço e vivia numa aldeia beirã de onde apenas saí quando acabei o liceu, ouvi vezes sem conta a frase «quem não poupa sal, água e lenha, não poupa nada que tenha». O calendário foi passando e a moral desta frase foi-se esbatendo. O sal, um produto que vinha do distante mar passou a ser reduzido por conselho médico por ser inconveniente para a saúde, aumentando a tensão arterial e o perigo de problemas cardiovasculares. A lenha, que era muito consumida para a culinária e o aquecimento durante o inverno que, na região, era muito agreste, foi perdendo a procura. Mas a água continua a ser muito consumida desde a alimentação à higiene corporal, doméstica e à estética. E presentemente estamos a verificar a sua carência acentuada, quer nos caudais dos ribeiros e represas que davam para as regas dos campos de cultivo, quer nas barragens, quer nos sinais de que os terrenos não possuem a humidade suficiente para alimentar a vegetação.

É certo que aparecem pessoas que lhe dão menos valor, mas continua a ser indispensável à vida. A propósito de haver pessoas que a menosprezam, vi um dia na TV brasileira um programa em que o artista Joe Soares estava a entrevistar uma esteticista localmente muito conceituada que lhe demonstrava que a água não é essencial ao cabelo e que muitos animais, com o corpo coberto de pêlo vivem sem tomar banho. E quando o Joe contestou que a higiene da cabeça e do cabelo não a pode dispensar, ela afirmou que o bom uso do pente garante a higiene, e demonstrou na cabeça dele, puxando-lhe repetidamente o cabelo todo para um lado e depois repetindo os mesmos movimentos no sentido contrário e ele afirmou que sentiu o resultado. Ela disse-lhe que os animais selvagens, não usam pentes mas coçam-se ou com as patas ou esfregando-se em superfícies ásperas.

Actualmente, Portugal encontra-se numa situação de seca severa e extrema agrometeorológica em todo o continente, "o que consubstancia um fenómeno climático adverso, com repercussões negativas na atividade agrícola" e na vida das pessoas. Estas, nós, temos que alterar os nossos hábitos, para podermos continuar a viver, mas adaptados às circunstâncias ambientais.

"Esta situação sofreu um agravamento na 1.ª quinzena de junho com a totalidade do território continental em situação de seca severa ou extrema". Verifica-se a descida do volume de água armazenada em grande parte das bacias hidrográficas. E o solo tem menos humidade o que tem grande influência na agricultura e na produção alimentar.

O problema afecta-nos a todos e, por isso, cada um de nós deve assumir o dever de evitar exageros nos gastos de água e alertar quando verificar que algo está a aumentar o consumo ou a poluição da água potável ou da água que possa ser reutilizável para outros fins.

A água que temos nas nossas casas vai ter preços superiores e isso significa que devemos gastar com muito mais parcimónia. Rever a frequência dos banhos, o seu pormenor e o tempo que a torneira está aberta, etc. Quando se lavam as mãos deve abrir-se a torneira apenas com a capacidade indispensável, e fechar-se quando se ensaboa, etc. Ou colocar um pouco de água no lavatório para lavar as mãos em vez de ter a água a correr, o que significa gastar um litro em vez de uma quantidade deles. Quando se termina de urinar na sanita, deve acionar-se a água apenas durante o tempo indispensável e não deixar que o autoclismo  esvazie.

Há hábitos de esbanjamento que devem ser alterados, antes que este precioso líquido deixe de correr.

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