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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Emigração do capital

Será que os grandes empresários e capitalistas parecem estar a seguir o conselho dado por Passos Coelho aos professores, para emigrar? Parece que não terá sido essa a mola, porque a noticiada emigração de capital já há muito tem vindo a ser seguida, para a Suíça, Gibraltar, Luxemburgo, Irlanda, Polónia, etc. Os paraísos fiscais, segundo as notícias, são bem conhecidos e frequentados pelo capital acumulado nas grandes empresas à custa dos clientes que pagam preços exagerados pelos produtos que adquirem, por vezes com sacrifício. Para os possessores do capital não há país nem fronteiras, nem interesses da população, mas apenas a rentabilidade e o aumento. Não merecem, por isso, que os governantes prejudiquem e sacrifiquem os mais desfavorecidos para proteger os mais ricos.

Vem isto a propósito da notícia de que a Jerónimo Martins, passou a totalidade do seu capital para uma subsidiária na Holanda, o que se relaciona com o espírito das reflexões expressas em Justiça Social ??? e em Recado aos senhores deputados e vem pôr em causa a credibilidade do slogan «prefira produtos nacionais». Por um lado, já não sabemos bem quais são os produtos nacionais e quem beneficia com a sua venda, tantos são os interesses estrangeiros, por outro lado, a crise deve servir de lição para aprendermos a usar o nosso pouco dinheiro, escolhendo os produtos com base no binómio preço/qualidade que nos seja mais favorável.

Se preferirmos produtos convencidos de que são nacionais, podemos estar a incentivar a produção menos competitiva em qualidade e preço, aumentar o enriquecimento imerecido de capitalistas e a fuga de capitais para paraísos fiscais de que o País nada beneficia.

O factor prioritário dos grandes empresários raras vezes corresponde aos interesses nacionais ou à justiça social e à coesão nacional. As palavras melífluas de tais empresários e daqueles que deles dependem ou desejam depender, devem ser sempre interpretadas com sérias reservas, porque os verdadeiros objectivos são sempre bem camuflados e ocultos.

Imagem de arquivo

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sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Nova capital para Angola?

Dos novos-ricos não reza a história. Só pelos maus motivos. O poder do dinheiro leva-os a manifestar a sua pequenez através de decisões folclóricas. Com níveis de pobreza assustadores, Angola quer construir uma nova capital, a norte de Luanda.

O arquitecto Oscar Niemeyer já foi contactado por Eduardo dos Santos para tal efeito. Ao que parece, Brasília é o máximo para a nomenclatura angolana. E como o dinheiro não falta, paga-se o que for preciso. Niemeyer vai-se fazer pagar bem. É o único arquitecto centenário de renome mundial.

Com a nova capital pretende-se um "começar de novo". Para quem? A resposta oficial é fácil de adivinhar: para os angolanos. Mas as barracas e os pobres não entram. Os membros da burguesia burocrática, corrupta e completamente improdutiva, serão os novos habitantes da nova metrópole. Juntamente com os estrangeiros, que sempre dão um ar cosmopolita. E as sedes de empresas multinacionais. De petróleo e diamantes.

De repente veio-me à memória Houphouët-Boigny. Construiu uma réplica da Basílica de S. Pedro em Yamoussoukro, a capital da Costa do Marfim, um país maioritariamente muçulmano. E Jean-Bédel Bokassa, o imperador canibal do “Império” Centro-Africano. Mandava fazer tronos em ouro maciço para se sentar.

O que há de comum em todos eles? A pobreza extrema em que vive o seu povo. Os sonhos megalómanos dos dirigentes são concretizados à custa de milhões de pessoas que lutam diariamente pela sobrevivência.

A riqueza de um país não pertence aos seus governantes nem à burguesia nacional. É um bem público, que deve ser administrado para o bem de todos. Num país onde nem sequer há um presidente eleito nem uma democracia consequente, é fácil adivinhar o rumo que tudo isto vai tomar. Os palácios na Europa, os aviões privados e os milhões de dólares em bancos estrangeiros já são uma realidade há muito tempo. Agora só falta a cidade e o trono, para o show off. A História anda aos círculos e as vítimas são sempre as mesmas. Haja decoro.
Post de António Oliveira in
Estrada Poeirenta

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