Saíram notícias de um relatório estrangeiro que coloca Portugal em muito má posição entre os parceiros da União Europeia no que se refere ao desenvolvimento da riqueza nacional e à sua distribuição desequilibrada, aprofundando e alargando o fosso entre ricos e pobres, numa crise de grave injustiça social.
Ontem na AR a oposição frisou isso ao PM o qual, de forma habilidosa, respondeu que o tal relatório se refere a 2004, época do anterior Governo. Só que o seu interlocutor não teve a presença de espírito de dizer que tudo indica que agora seja pior.
E é pior, como vários jornais hoje relatam, como o JN, que as casas de penhores estão a ser mais procuradas, tendo em Lisboa e Porto a procura crescido quase 50% em relação a igual período de 2007. E o que é mais sintomático é que, de acordo com responsáveis por estes estabelecimentos, as pessoas penhoram tudo ouro, prata, linhos e a própria roupa.
Os penhoristas referem que são procurados por pessoas de todas as camadas sociais e as épocas de maior procura são as de Setembro/Outubro, regresso às aulas, na época de pagamento das contribuições autárquicas e depois das festas.
O funcionamento destas casas assenta no empréstimo de dinheiro a clientes que depositam na loja determinado bem, como garantia. Este é avaliado e a quantia a emprestar depende desse valor. O objecto ficará na loja por três meses, durante os quais poderá ser recuperado. Depois desse tempo a loja pode vendê-lo.
Os responsáveis por estas lojas dizem existir o desejo de recuperar os objectos, mas são cada vez menos os que conseguem.
Isto não precisa de grandes congeminações para se concluir da pobreza, da miséria, que afecta grande parte dos portugueses, resultado da injustiça social, da má distribuição da riqueza, do grande fosso, entre os mais ricos e os mais pobres, entre os que têm fome e os que usufruem de «tachos dourados» e de «reformas milionárias».
E o que fazem os governantes para melhorarem esta situação? Qual é a política social do Governo?
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