Transcrição do Diário de Notícias:
Providência cautelar visa impedir fecho da Urgência
Por Júlio Almeida, Aveiro
Cerca de duas mil pessoas fizeram ontem uma manifestação pacífica para protestar contra o encerramento da Urgência do Hospital José Luciano de Castro, anunciada para o dia 2 de Janeiro. "Anadia precisa de Urgência" lia-se num dos cartazes empunhados pelos populares. "O que querem fazer é uma pouca vergonha, depois de tanto dinheiro gasto ali", comentava, em tom exaltado, Deolinda Castanheiro, de 63 anos. Célia Silva, 31 anos, passou recentemente na Urgência dos Hospitais da Universidade de Coimbra e disse "não entender" como aquele serviço poderá receber "mais uma vaga de utentes".
O desfile, encabeçado por autarcas do concelho, teve início junto à câmara municipal, passou pela antiga Estrada Nacional 1, onde alguns manifestantes não resistiram a cortar, simbolicamente, o trânsito durante alguns minutos, e terminou junto à unidade hospitalar.
No final, ficaram duas certezas: os protestos são para continuar - em local e modo a anunciar - e até ao final da próxima semana será apresentado no tribunal uma providência cautelar para fazer valer os direitos da população.
O presidente da câmara já recusou uma proposta de protocolo enviada pelo Ministério da Saúde no âmbito do programa nacional requalificação das urgências hospitalares que prevê a criação de uma consulta não programada para agudos e a localização de viaturas de emergência médica. "Não há lógica nenhuma acabar com um serviço que faz 120 urgências por dia", declarou, lembrando que "30 a 40 são no período nocturno".
Litério Marques (PSD) continua "a não acreditar" no fim da valência, esperando um contacto do ministro da Saúde para restabelecer o diálogo. "Sabemos que há duas escalas alternativas para 2 de Janeiro: uma para o caso de encerrar a Urgência e outra para permanecer em funcionamento", o que classifica como "insólito". O autarca estranha que a Administração Regional de Saúde do Centro não tenha dito "claramente" para onde será encaminhada a Urgência, se para Aveiro ou Coimbra.
NOTA: É de lamentar que os governantes tomem decisões sem uma prévia análise de todos os factores incidentes no assunto. Se ela tivesse sido feita, evitavam tanto descontentamento e o desprestígio que daí resulta para o Governo. E os erros sucessivos levantam a dúvida sobre a contratação de tantos assessores e a encomenda de tantos estudos. Parece que os governantes estão apoiados em gente incompetente e que se limita a manifestar a sua concordância com os caprichos do patrão a fim de garantirem acesso na carreira política. Se assim é, as perspectivas da política futura do País são péssimas.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
Nada melhora sem manifestações !!!
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A. João Soares
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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
SAÚDE. PODER APARENTE, RUINA IMINENTE
O ministro prepotente, reputado competente, mas insensível às necessidades da população doente argumentava ser preciso as pessoas compreenderem as reformas propostas, após a douta análise da Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação de Urgências (CTAPRU), cujo relatório estranhamente, parece ter um erro por ter havido de troca dos pés pelas mãos, o que em assunto da Saúde parece muito grave!
O ministro não tem tido coragem de um diálogo prévio e preparatório com os autarcas e sectores representativos das bases populacionais, talvez por não ter a certeza de conseguir argumentos demonstrativos da bondade (para a população) das suas soluções economicistas. Segundo ele, a mensagem de reforço da qualidade, da equidade e da segurança é a única mensagem que deve ser transmitida com perseverança. Mas ele não a transmitiu. O povo não foi informado e esclarecido. Efectivamente, parece que SAP a SAP o ministro da Saúde nos vai roubando a interioridade. Parece que urgência a urgência, maternidade a maternidade, Correia de Campos vai transformando este país numa faixa estreita de gente amontoada junto ao litoral.
O ministro tem a reputação de ser uma das pessoas tecnicamente mais bem qualificadas no país em matéria de gestão da saúde. Há um ditado «cria fama e põe-te a dormir». Na realidade, nem sempre a competência técnica é acompanhada pelo perfil político necessário para o exercício de uma função de Governo.
Mas, depois de tanta arrogância e prepotência, na «venda da verdade absoluta», de repente a palavra "diálogo" passou a ser proferida com insistência pelo ministro da Saúde, por incumbência do PM, Correia de Campos, o homem que há poucos dias garantia não dialogar com populações em protesto nas ruas, foi mandatado por José Sócrates para apaziguar os ânimos das populações exasperadas, um pouco por todo o País, com o encerramento de 15 urgências hospitalares de norte a sul, enalteceu ontem as virtudes do diálogo numa visita-relâmpago ao hospital distrital do Montijo
- um dos concelhos (de maioria PS) onde o descontentamento tem sido maior. Para vários deputados e dirigentes federativos socialistas, o diálogo devia até ter começado mais cedo. Mesmo o líder distrital do PS/Porto - para quem "por princípio, o Governo PS tem sempre razão" - não esconde uma visão crítica. "O ministro da Saúde podia ter sido mais célere a resolver os problemas e a tomar decisões políticas".
Além de todo este imbróglio, o Sr ministro deu-se ao luxo de dizer uma gracinha de mau gosto a propósito dos mortos em acidentes rodoviários. Por anedota semelhante relativa ao alumínio na água utilizada pela hemodiálise no hospital de Évora foi demitido há cerca de 10 anos o ministro do Ambiente. E agora, este? Quanto mais tempo continua a impor aos doentes de Portugal a sua prepotência arrogante? Há quem pense que o primeiro-ministro não encontra nas hostes do PS pessoa menos má, para este cargo!
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A. João Soares
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