sexta-feira, 4 de novembro de 2022

É PERIGOSO REPETIR A HISTÓRIA

(Public em DIABO nº 2392 de 04-11-2022, pág 16, por António João Soares)

Conhecer a História constitui uma elogiosa vantagem cultural, na medida em que nos dá saber que nos ajuda a perceber muita coisa que aconteceu no passado e a compreender o emaranhado de causas e efeitos e nos dá capacidade de podermos planear o futuro, mas sem copiar do passado. A Humanidade não deve estagnar, sempre igual ao que era, mas a História pode ajudar a inovar coerentemente para novas acções e atitudes que se ajustem correctamente às condições actuais, a caminho de um futuro melhor, e com recusa de repetir erros antigos.

A estagnação não faz parte da vida, sendo necessária evolução. Mas, actualmente, há muitos políticos com falta de preparação e de inteligência que preferem dar continuidade à estagnação e não dar oportunidade à evolução. Vemos exemplos disso em vários países que foram grandes, como o Irão que deseja voltar a ter o valor em área geográfica e em poder da sua antiga Pérsia, a Turquia também quer alargar a sua área. E, agora, vemos a Rússia que quer alargar a sua superfície para o Leste europeu. E aqui, há quem explique não apenas pela debilidade mental do líder, mas por aludidos problemas de saúde física e psíquica que o levam a cometer crimes contra a vida humana de ucranianos, de forma inconcebível, mais própria de grupos terroristas mas inadequadas a um Grande Estado, e imprópria de ser humano consciente, respeitador da vida e com um mínimo de ética.

Dar largas à ambição de retomar grandezas da história por formas menos respeitadoras de povos vizinhos, é impróprio de seres dignos.

Recordo uma leitura pouco recente que nos mostra um grande Estado que não tem dado motivos de crítica, mas sim de admiração e de inveja pelos seus sucessivos êxitos em novas indústrias, no crescimento económico e nas melhorias da sua vida interna, com maravilhosas estradas e exuberantes vias ferroviárias. A China, há cinco séculos, vivia pobremente no seu território, com uma economia rudimentar e os seus dirigentes ficaram espantados com o aparecimento dos navegadores portugueses, nos seus movimentos por aqueles longínquos mares. Foram contactos muito interessantes que abriram os olhos e as mentes curiosas daquele povo que decidiu alterar o seu modo de vida e lançar-se num novo estilo, imitando os ocidentais que tomaram como exemplos a seguir.

 Mas tais inovações foram assumidas com tanta ênfase que durante todos estes séculos, não esmoreceram e, hoje, a China dá lições ao mundo. E fá-lo sem basófia e sem ostentação, nem guerras, nem violências. E, há dias, propôs a iniciativa para promover a segurança de todos os Estados. Já não se limita ao seu desenvolvimento e à exportação dos produtos da sua indústria, mas quer difundir o seu sistema de vida para um relacionamento com segurança com solidariedade e bom entendimento com os outros.

Fica a cada um de nós fazer a comparação com a Rússia actual ou com os Estados Unidos da América que colocam o seu objectivo em construir novas armas para vender a outros Estados e a grupos de terroristas que as utilizam para actos de violência. A China, em vez de espalhar ferramentas de morte, procura promover a segurança entre todos os Estados, para que evitem violências e passem a viver com bom entendimento entre todos.

Assim, sem armas e com bom relacionamento, temos o caminho aberto para construir um maravilhoso futuro risonho e pacífico, sem os crimes contra a humanidade que estão a acontecer na Ucrânia.

A História deve ser aproveitada para encontrarmos as melhores condições de paz.

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sábado, 29 de outubro de 2022

VIVER É CONVIVER

Viver é conviver

(Public em DIABO nº 2391 de 28-1o-2022, pág 16, por António João Soares)

Vivemos todos num mesmo planeta com múltiplas relações directas ou indirectas que nos condicionam a vida quando são violentas ou mesmo conflituosas. Devemos todos, através dos governantes, procurar conviver harmoniosamente com diálogos de amizade a fim de a vida decorrer melhor. Os ambiciosos e sedentos de poder e obtenção de fortuna por qualquer forma, devem ser ensinados a resolver os seus problemas sem faltar ao respeito e às boas regras de civismo, segundo a boa ética.

Felizmente, já tem havido casos em que Estados que têm vivido a sofrer dificuldades com grupos menos civilizados, mas que já conseguiram mostrar vontade de passar a viver pacificamente, dialogando como pessoas civilizadas e geridas com boa ética.

Por exemplo, Israel acordou com o Líbano eliminar o conflito com o Hezbollah. Este acordo vai gerar estabilidade e prosperidade à região, dando mais segurança e progresso aos habitantes locais. A União Europeia saudou o «espírito construtivo» que levou a este acordo.

Em Moçambique, segundo notícia recente, mais de 800 guerrilheiros da Renamo serão desmobilizados graças a acordo.

Quanto à guerra Rússia-Ucrânia, a China que tem mantido boas relações com a Rússia, embora ou por isso, diz-se preocupada e insiste no apelo ao diálogo, para respeito dos interesses dos Estados afectados e a procura de uma solução aceite por todos, a fim de se criarem condições para um futuro harmonioso com base no diálogo.

O líder da Junta militar, do Tchade, general Mahamat Idriss Déby, na África Central, está a esforçar-se por conseguir um governo de unidade nacional para breve. Recentemente, o conflito de Darfur no Sudão atravessou a fronteira e gerou o conflito entre Chade e Sudão, com milhares de refugiados a viver em acampamentos no leste do país. Atualmente, o Chade é um dos países mais pobres e com maior índice de corrupção no mundo. A maioria de sua população vive abaixo da linha de pobreza. 

A União Africana pede que os envolvidos no conflito etíope se comprometam com a paz. Guterres, líder da ONU, não se cansa de aconselhar o diálogo e a negociação a fim de se manter a harmonia dentro dos estados e entre eles. Tem enviado funcionários para aconselharem os governos ao culto da paz, da convivência e da cooperação entre os povos. Será bom que possam trocar opiniões construtivas e coerentes focadas num futuro harmonioso, sem intolerância nem conflitos. Não há paz sem respeito pelos direitos humanos. Isto aplica-se dentro dos Estados e entre eles. A guerra tem custos muito elevados que ultrapassam as «vantagens» que os vencedores possam obter. O artigo «Guerra e crise económica criam mais de quatro milhões de crianças pobres» não aparece por acaso e merece ser lido pelos governos que tanto investem em armamento e outros materiais bélicos.

O dinheiro não dá felicidade embora possa contribuir para ela. Quando se morre não se leva e pode ser deixado a quem não lhe saiba dar o emprego mais conveniente. Há casos raros de gente que sabe dar-lhe destino destacável como diz a notícia «Família Besos doa 710 milhões a centro de investigação contra o cancro». Mostra muita generosidade e vontade de contribuir para a pior doença que tira muitas vidas. Porém, isto pode não trazer tanto benefício como aparenta, porque a saúde está sendo um pretexto para o aumento de lucros de farmacêuticos e de médicos que, em vez de terem como objectivo a cura de doenças, procuram manter os clientes reduzindo-lhes o sofrimento mas sem eliminar a doença. Os medicamentos que curavam rapidamente pequenos males foram retirados do mercado e substituídos por outros que atenuam as dores mas tornam permanente o mal que reaparece quando o tratamento é interrompido.

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terça-feira, 25 de outubro de 2022

A RELIGIÃO E O COMPORTAMENTO SOCIAL


 (Public em DIABO nº 2390 de 21-1o-2022, pág 16, por António João Soares)

As religiões foram criadas para condicionar positivamente os comportamentos sociais mas, com o decurso dos tempos, nem toda a população seguiu os conselhos que lhe foram dirigidos. Por exemplo, ouvindo-se na Internet rezar o terço em que os crentes repetem as orações mais correntes, houve quem desabafasse dizendo que estavam a papaguear as orações sem fazer ideia do significado das palavras que estavam dizendo e houve quem aproveitasse para lhe perguntar o que pretendia dizer.

E ele prestou-se a explicar, perguntando-lhe se sabe os três ou quatro conselhos que devemos colher da segunda parte do «Pai Nosso». Não deu resposta e o amigo explicou que o texto está elaborado como pedidos ao «Pai» mas, interpretando estes, extrai-se, o que é útil para a ética social, cumprir os tais conselhos. Entretanto, apareceu um sacerdote a quem foi feita a mesma pergunta e não obteve resposta.

Então continuou a sua explicação. O primeiro conselho é não ser ambicioso nem ganancioso e contentar-se com o necessário para viver cada dia que passa, ter «o pão nosso de cada dia». O segundo conselho é que não devemos ser quezilentos, devemos ser respeitadores dos outros, das suas ideias e opiniões e desculpá-los, tal como queremos ser desculpados para vivermos em paz e harmonia. O terceiro conselho é não sermos ambiciosos, não nos deixarmos «cair em tentação» o que pode significar evitar o alcoolismo, os sedativos, a corrupção, etc. O quarto conselho, que resulta dos três anteriores, é que devemos evitar o mal, qualquer tipo de mal, qualquer situação de perigo.

É curioso como todos estes conselhos estão concentrados em parte de uma oração tão conhecida e os crentes e os próprios sacerdotes não estão familiarizados com eles. Penso que seria bom que a divulgação fosse realizada para melhorar a ética social que, segundo muitas pessoas cultas dizem, está em perigosa decadência, a ponto de o coeficiente de inteligência na média das populações ter descido muito nos últimos vinte anos.

Há dias, a propósito dos cuidados com a saúde, li que temos o direito que respeitem a nossa saúde mas nós temos o dever de cuidar dela. E o cuidado com o que comemos e bebemos é o principal factor da saúde.

Aquilo que atrás ficou escrito, bem como os mandamentos e muitos outros ensinamentos que constam dos escritos religiosos deviam ser difundidos e explicados aos crentes para se aperfeiçoar o seu comportamento social. Este efeito será mais útil do que o conhecimento incompleto de escritos muito antigos que nada de útil e prático ensinam para melhorar o nível dos comportamentos.

Agora está em marcha o desenvolvimento da harmonia entre religiões e seria bom que se gerasse um bom entendimento com atitudes mútuas de respeito e tolerância pelas diferenças de cultos e aspectos festivos. Amemo-nos como irmãos e aceitemos as diferenças, para podermos conviver harmoniosamente neste nosso planeta.

Não há dúvidas de que a vida em paz e harmonia, com as outras pessoas constitui um dever de todo o cidadão, contando sempre com a colaboração, a ajuda e o socorro em caso de necessidade de apoio de outras pessoas. Isso deve ser uma posição colectiva e permanente. Felizmente, essa filosofia já foi publicamente defendida por alguns países, onde até foram iniciados movimentos a defender a abolição de armas e outros instrumentos que possam ser utilizados para agressões, quer na violência doméstica quer no relacionamento com pessoas estranhas.

Será bom que haja pessoas da igreja, das escolas e da segurança social que divulguem comportamentos geradores de paz e harmonia, que as forças de segurança nacional atuem em conformidade e a justiça seja rápida e rigorosa da punição de infractores, sem meiguices de tolerâncias e de pouca acção. O respeito pelos outros é imperioso, mas é importante que todos sigam a mesma norma, incondicionalmente.


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sexta-feira, 14 de outubro de 2022

FOMENTAR A ÉTICA NA HUMANIDADE

(Public em DIABO nº 2389 de 14-1o-2022, pág 16, por António João Soares)

A Humanidade está em mudança, como tudo na vida, mas, sem uma estratégia bem orientada, coerente e eficaz, pode descambar para uma crise final, mesmo sem impedir a sua exterminação, como já existe alguém a recear esse desfecho. Porém, para evitar esse destino ou o adiar, por mais uns tempos, convém mentalizar as pessoas começando pelos mais jovens, desde a instrução primária, a respeitarem o pensamento dos outros e a pensarem em defender o culto da ética e a aceitar uma estratégia clara e eficaz, extensiva a toda a população global por forma a que as pessoas aprendam a viver em paz e harmonia, sem ambição, sem invejas nem ódios, sem violências, resolvendo tudo com amizade e colaboração. Para isso, são indispensáveis governantes, sensíveis, competentes e coerentes na arte de dirigir grandes instituições com capacidade de gerir a formação ética da população.

Infelizmente, a história, de acordo com os textos existentes, mostra que a humanidade se habituou desde os primeiros tempos na competição e na procura de melhores condições do que as do vizinho e sem pensar na boa convivência, nem na boa orientação para a boa colaboração e entreajuda. É altura de tentar alterar os comportamentos para uma forma mais moderna e civilizada. Houve sempre desentendimentos indesejados e conflitos que travaram a evolução da sociedade e condicionaram o desenvolvimento. É certo que houve iniciativas construtivas, dispersas, mas não mereceram a aprovação geral. No meio de tais boas intenções apareceram oportunistas ambiciosos que não hesitaram em obter benefícios pessoais, sem olhar à custa de quem e prejudicando os generosos obreiros.

Os erros do passado, em vez de servirem de lição para serem procuradas novas e melhores soluções e criar a evolução para uma sociedade mais harmoniosa e pacífica, em que a felicidade seja mutuamente desejada e apoiada, serviram para invejas, ódios e conflitos, por vezes, com destruição de vidas e de património. Nesses casos, erros foram repetidos por pessoas sem inteligência desenvolvida, incompetentes e sem capacidade para verdadeiras e correctas inovações. Na generalidade dos textos que tenho publicado, procuro fomentar sugestões e influência nas decisões dos responsáveis públicos por forma a contribuírem para a condução da mentalidade dos humanos para abandonar os maus hábitos e adoptar estratégias claras, coerentes e melhorando a vida social. Tais sugestões devem servir para aperfeiçoar os sistemas de ensino, de saúde, de justiça e outros a fim de contribuírem para que a humanidade avance com ética para uma fase mais evoluída e promissora de boa colaboração social para uma vida mais respeitadora e colectivamente colaborante e harmoniosa.

 Apesar da minha fraca capacidade de influência e de os meus pensamentos não terem convencido a generalidade dos altos detentores do poder de decisão, tenho insistido na sua expressão e tenho recebido sinais de que são apreciados por pessoas de responsabilidade. Não quero desistir da boa intenção de contribuir para melhorar a ética das pessoas, porque esse deve ser o dever de cada ser humano, mesmo que não veja os desejados efeitos.

Mas o principal papel cabe a governantes e funcionários públicos, persistentemente, até verem os resultados na vida nacional.

A principal via a utilizar cuidadosamente é a educação, quer escolar quer em diversos grupos de jovens, para o desenvolvimento da cidadania, dentro do conceito de democracia em que o povo deve estar devidamente informado de que tem nas suas mãos o poder e deve ter consciência do dever de o exercer, com ideias sugestivas de desenvolvimento e inovação e com propostas e sugestões para ajudar os governantes a decidir sobre problemas da sua responsabilidade, mas de que não tem perfeito conhecimento. E o voto deve ser efectuado com consciência dos efeitos convenientes para a mais profícua evolução da sociedade que deve ser apoiada por todos os cidadãos, isto dentro das noções da boa ética democrática.


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segunda-feira, 10 de outubro de 2022

A SEGURANÇA DOS CIDADÃOS ESTÁ A AGRAVAR-SE

(Public em DIABO nº 2388 de 07-1o-2022, pág 16, por António João Soares)

As instituições públicas devem dar mais atenção ao ambiente de segurança em que vivem os cidadãos, porque a violência está a aumentar e, quando isso não é travado com eficiência logo que surgem os primeiros sinais, depois os efeitos são difíceis de controlar sem graves perturbações quer pela Forças de Segurança quer pela Justiça. E esta está produzindo efeitos muito demorados para questões que exigem ação mais rápida.

Como o agravamento da violência está mais visível nos jovens, há que dotar as escolas com actividades formativas que os preparem para agir com civilidade perante os familiares e os colegas e amigos em todos os momentos, quer nos jogos de tempos livres quer nos convívios nocturnos, afim de se tornarem adultos exemplares com educação, competência e sentido de responsabilidade.

Por vezes, aparecem com ferramentas que usam para agredir familiares e outras pessoas, mesmo a agentes da autoridade, evidenciando falta de consideração e de respeito pelos outros, qualidades que devem ser desenvolvidas por todos por forma a que a sociedade seja constituída por pessoas que actuam de forma geral, mútua e partilhada em convivência harmoniosa, pacífica e amigável.

É lamentável que os governantes, em vez de procurarem forma de reduzir o risco de segurança das pessoas, indo ao encontro de soluções que melhorem os comportamentos dos mais jovens a fim de entrarem para uma sociedade mais segura e respeitadora do seu semelhante, estão a querer lutar contra as alterações climáticas sem imaginarem sistemas que melhorem o funcionamento das forças da Natureza. E dão força aos jovens para continuarem com decisões pouco racionais que ainda agravam mais a pior poluição da atmosfera, que é a constituída pelas radiações electromagnéticas que, ultimamente, viram um crescimento abismal com invenções nas tecnologias radioeléctricas. Hoje já não se dispensam inovações de automatismos com sensores para todos os efeitos.

Por exemplo, um automóvel tinha um radar para evitar choques frontais, agora há radares para detectar aproximação para a marcha atrás, para a esquerda e para a direita, etc. Ora, um sensor está a emitir permanentemente radiações que poluem a atmosfera.

Os vulgares telemóveis, quando fazem uma chamada, irradiam para todo o globo terrestre, porque o destinatário pode encontrar-se em qualquer ponto do país ou do mundo!

Há uma enorme quantidade de aparelhos que transmitem através de redes de retransmissores que são distribuídos por toda a superfície do planeta e que, além de serem prejudiciais para a saúde, tornam mais difícil o funcionamento de redes de telecomunicações essenciais. Há técnicos que alvitram que seja eliminada a maioria, quase totalidade, de tais retransmissores e que se regresse às actividades mais seguras de alguns anos antes, mas não há homens do poder com coragem para decidir uma coisa tão desagradável para as pessoas que tanto se têm habituado a tais facilidades.

Desta forma, falar no combate às alterações climáticas, dificilmente passa de fantasias sem resultados esperados. Porque não basta reduzir o óxido de carbono e esse até é, em grande parte, eliminado pelas árvores

Mas garantir uma melhor segurança para os cidadãos, é tarefa mais acessível e indubitavelmente útil, desde já e quando se pensa em criar um futuro mais útil e mais agradável para as pessoas e para o ambiente ecológico. Procuremos uma vida mais harmoniosa sem violência nem guerra, sem invejas nem ódios, sem corrupção nem negócios ilícitos e sem agravar a poluição por radiações electromagnéticas.

 


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sexta-feira, 30 de setembro de 2022

A PREPARAÇÃO DO FUTURO

A PREPARAÇÃO DO FUTURO

(Public em DIABO nº 2387 de 30-09-2022, pág 16, por António João Soares)

Não devemos esperar que o dia de amanhã seja igual ao dia de ontem porque as realidades estão em permanente mudança. Esta verdade foi reavivada pelo Presidente Chinês quando disse uns conselhos aos seus colaboradores dizendo-lhes que é preciso aprender a autocorrigir-se constantemente para evitar que a continuidade de estratégias produza casos imprevistos como tem sido visto em grandes potências. 

Sem o exercício da constante análise e correcção, uma instituição não garante o sucesso para um futuro melhor e, no caso de um regime mais poderoso, pode entrar em colapso. A China tem boa experiência disso desde o seu primeiro contacto, com os navegadores portugueses, que marcou o início do seu desenvolvimento tirando bons resultados da observação daquilo que vê de melhor e criação de um sistema correcto e bem meditado.

A União Soviética que era o regime socialista mais poderoso, entrou em colapso e num período de dificuldades sem precedentes para a política socialista global. Isto acontece com qualquer instituição ou simples ideologia que deixa de procurar evoluir e de reflectir nas hipóteses de evolução positiva. A boa solução não se obtém na consolidação das más estratégias mas, sim, na reflexão que conduza ao aperfeiçoamento das melhores medidas e à alteração daquelas que não estão a dar e a garantir os resultados realmente desejados.

Os quadros chineses assumem a responsabilidade, a capacidade e a confiança necessária para confirmar as virtudes históricas e retirar delas as lições úteis para o progresso da sua ideologia assente na constante aprendizagem científica.

Em vez de seguir modelos de governos alheios, pelo contrário, reflectir os princípios já praticados, tornando-os cada vez mais eficazes. Parar é morrer, e a atitude mais inteligente de melhorar o comportamento faz prosperar. E não convém tomar uma via considerada segura, porque nada é totalmente garantido para o futuro. O sucesso aparece com a utilização de medidas inteligentes em cada dia de progresso.

A luta de classes, só por si não conduz ao desenvolvimento. A harmonia e a paz conduzem à convergência de esforços num mesmo ideal de que resulta o desenvolvimento nacional. Evitar o poder absoluto e o domínio de fanáticos que, de olhos fechados para a generalidade do país, impõem o seu interesse e a exploração dos seus concidadãos.

Em vez da insistência na luta de classes, lute-se pelo desenvolvimento económico e torne-se este no interesse geral de todos os cidadãos e desenvolva-se a mentalidade de cada um no sentido de se dedicar a essa missão patriótica.

 Este sistema não se deve aplicar apenas a grandes potências, pois deve ser ajustado a cada instituição pública de pequena ou grande dimensão. As grandes ambições e os autoritarismos geradores de exploração e violência, constituem situações contrárias ao respeito pelos direitos humanos, à civilidade e que devem ser abolidas no Mundo actual que desejamos seja harmonioso e pacífico. Será bom que nas eleições, agora tão frequentes, apareçam candidatos a defender pontos de vista e a apresentar propostas neste sentido. Devemos ter a noção de que o uso das armas é sempre perigoso pelo mal que provocam quando utilizadas e nas atitudes de resposta, numa sequência de actos cada vez mais demolidores e contrários à desejada paz e harmonia que deve ser o objectivo mais desejado.

Será desejável que a estratégia do presidente chinês sirva de lição aos governantes mundiais e que Putin desista do genocídio que iniciou na Ucrânia e que procure uma forma civilizada e pacífica de convivência com os seus vizinhos. 

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sábado, 24 de setembro de 2022

INSTITUIÇÕES RESPEITÁVEIS E RESPEITADAS

(Public em DIABO nº 2386 de 23-09-2022, pág 16, por António João Soares)

Um Estado, para ter prestígio não lhe basta ter elevado grau de desenvolvimento e Forças Militares poderosas, convém dispor de Instituições bem estruturadas, e com actuações que se dão ao respeito e que sejam efectivamente respeitadas e servidas por funcionários competentes e coerentes e se baseiem numa preparação, quer técnica quer ética, que garanta dignidade em todas as suas decisões e nas mínimas atitudes.

Uma fraca instituição cujos funcionários que, em vez de fazerem afirmações bem elaboradas assentes em estudos e reflexões prévias, mesmo que não sejam ainda decisões definitivamente elaboradas, e se limitarem a suposições ou palpites ainda hipotéticos afirmados com ar autoritário, desmerece o respeito das pessoas que sentem dificuldade em dialogar e apresentar um raciocínio colaborante para a decisão final.

Sem cuidados de reflexão e de estudos inteligentes dos assuntos, os responsáveis de instituições que devem merecer ser respeitadas arriscam-se a ser tidos como palhaços. O caso recente mais notado foi o de uma afirmação acerca de uma decisão já supostamente tomada acerca da construção do aeroporto que substituirá o de Lisboa e que foi feita quando o PM estava ausente, mas este, quando se apresentou, não hesitou em anular tal afirmação. Curiosamente, não quis mostrar a sua autoridade perante o erro do seu subordinado nem este pediu para abandonar a sua função. Não estávamos perante instituições realmente respeitáveis! Nem estávamos em democracia, em que o povo é quem mais ordena. Apenas alguns órgãos de comunicação social, de forma extremamente obediente, referiram a bronca.

A propósito do referido caso, que existe há tantos meses, ainda não sabemos qual é a instituição que estará a preparar a decisão sobre a localização de tão importante obra pública. Temos ouvido diversas opiniões, uma das quais bem recente refere que deve situar-se nas proximidades de Santarém por ficar próxima e ficar com boas ligações à capital e ao centro e Norte do país. A maior parte das hipóteses referem o Sul do Tejo o que, para ligação ao âmago do país, torna indispensável a construção de mais uma ponte ferro e rodoviária o que, além dos custos, exige demorado tempo, o que não se ajusta à definição de «instituição».

E tem havido hesitações e falta de decisão em muitos assuntos ligados às pandemias persistentes à inflacção, à corrupção e à decadência progressiva em que estamos a continuar em relação aos países menos desenvolvidos da Europa. Há muitos aspectos da vida sócio-económica que deviam ser resolvidos mas são tratados com promessas que depois não passam de fantasias publicitárias.

As ideias para serem respeitadas devem ser dotadas de coerência, traduzirem competência e terem continuidade a fim de serem acreditadas pelas pessoas que esperam vê-las concretizadas.

Já não saía do Centro de Apoio Social há muito tempo, mas hoje tive de sair devido a um caso imprevisto e grave. Choveu na ida e no regresso mas com mais intensidade na vinda. A dada altura, numa confluência de trânsitos, houve necessidade de maior atenção de automobilistas e a seguir desabafei com o motorista que os condutores têm de ser cuidadosos em qualquer momento, principalmente quando o piso está molhado. Ele concordou mas não me explicou a razão de nos últimos meses, com tempo extremamente seco, ter havido enorme quantidade de acidentes. Talvez o excesso de calor tenha ocasionado a falta de concentração dos motoristas e também a menor atenção de peões a atravessar a via. E também por ser época de férias, tempo de descontracção.

Aquilo que no início se disse acerca das instituições respeitáveis deve ser considerado válido para as pessoas sérias, honestas e com sentido de responsabilidade e de respeito pelos outros, qualidades que devem ser adoptadas por cada cidadão digno.


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terça-feira, 20 de setembro de 2022

ELIMINAR OS REFORMADOS E DEPOIS ?

ELIMINAR OS REFORMADOS E DEPOIS ?

(Public em DIABO nº 2385 de 16-09-2022, pág 16, por António João Soares)

Há quase quatro anos e meio, publiquei aqui um artigo a analisar o perigo para o interesse nacional em aprovar uma lei que permitisse, através da eutanásia, eliminar cidadãos que não tinham utilidade para o desenvolvimento da economia nacional, como por exemplo, os idosos fisicamente incapazes de produzir o suficiente para continuar a viver, os carentes de preparação ou de propensão para o trabalho, etc.

Porém, a ideia da eutanásia, que não chegou a ser legalizada, apresentava-se com uma finalidade humanitária, de caridade, permitindo a sua aplicação com o consentimento do sujeito e se destinava a reduzir o sofrimento provocado por uma doença incurável que prolongaria a vida sem esperança de resultar em recuperação.

Agora, recentemente, vi um vídeo em que um cidadão estrangeiro, embora sem mostrar claramente uma posição de apoio, referiu a redução ou eliminação de reformados que representam um grande peso para o Estado e que, como reformados, nada produzem para a economia nacional. A quantidade de funcionários públicos, sendo muitos desnecessários e inúteis que devem a sua função a favoritismos de políticos amigos a fim de garantirem o seu voto em eleições e que vêm as suas retribuições frequentemente aumentadas e que, por vezes, antes de se reformarem, ainda são contemplados com aumentos. Há casos frequentes, referidos na Comunicação social que permite críticas ao Governo.

Ao contrário do caso da eutanásia, não há aqui explicações de acção caritativa, mas apenas a de reduzir o peso para o Estado de uma quantidade de pensões de reforma injustificadas, sem contrapartidas de resultados positivos visíveis. Seria mais racional que o Estado actualizasse o critério da quantidade de servidores por forma a serem apenas os absolutamente necessários e produtivos e que não recebem, como sinal de gratidão, reforços independentes da quantidade e qualidade dos seus resultados e que, ao passarem à reforma, não sejam aumentados.

 No artigo «a entanásia ou o fim da humanidade», de 14-04-2018, depois de extensa análise, podia concluir-se que da aplicação habitualmente exagerada da lei, a redução da população aumentaria o encerramento de estabelecimentos comerciais e a capacidade de emprego e, consequentemente, a redução de trabalhadores que suportam a vida de funcionários públicos e por conseguinte a vida nacional. Tudo isso resultava de uma intenção humanitária, mas depois teria sido interpretado pelos homens das finanças.

Agora a lei, se a ideia evoluir e se tornar real, a causa é o valor do vil metal do dinheiro que os políticos colocam acima do interesse das pessoas. Há, no entanto, que ter em consideração o respeito pelos idosos, na parte final da sua vida

De uma forma geral, um idoso é uma espécie de tesouro de experiência e de saber proveniente de inúmeros contactos com a realidade em que vivem. Na sociedade actual os idosos são desconsiderados por muitos jovens que desprezam igualmente bibliotecas, arquivos e monumentos históricos, que também são tesouros apreciáveis. Isto deve ser evitado, porque se a humanidade se deixa envenenar pelas ideias do género e dos valores morais de que enfermam os jovens modernaços, a Humanidade dificilmente sobrevive mais um ou dois séculos. Não devemos deixar que sejam destruídos os valores éticos e morais e embora não queiramos voltar a viver à moda dos antepassados, devemos respeitar tudo que deles herdámos, não destruir os monumentos históricos, etc. Isso serve para concluir o certo e o errado e analisar as causas de alguns casos não atingirem os resultados desejados. 


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domingo, 11 de setembro de 2022

É URGENTE TERMINAR COM O RECURSO À VIOLÊNCIA

(Public em DIABO nº 2384 de 09-09-2022, pág 16, por António João Soares)

Existem muitas tentativas para defender que, socialmente, as hostilidades entre Estados e entre grupos de opiniões divergentes nas vidas nacionais devem ser substituídas pelo diálogo para se obter concordância na procura de soluções para questões em que é possível bom entendimento na procura de pontos de vista convergentes. Uma solução violenta e agressiva é sempre pior para as partes em litígio do que uma conclusão pacífica entre as partes dialogantes, sem violências, mesmo que alguma das partes considere que o resultado não lhe tenha sido totalmente favorável.

Por exemplo, a Líbia desde o derrube de Muammar Gaddafi, entrou num desatino de crimes violentos que duram há cerca de uma década em que o país tem sido devastado pela guerra e por disputas políticas, étnicas e culturais. Realmente, não é fácil um Governo satisfazer os desejos, ambições e caprichos de cada cidadão, mas, para se manter a colectividade nacional, evitando egoísmos com despesa em material de guerra, provocando mortos e feridos e impedindo a vida normal, trabalhando para um futuro melhor sem perigos de insegurança, é preciso que as partes beligerantes procurem convencer os seus apoiantes a respeitar os que pensam de forma diferente e estabelecer com eles uma forma de vida harmoniosa, procurando soluções de concordância.

Esse esforço traz resultados aceitáveis, sem mortos nem feridos e com um convívio mais agradável e com boas perspectivas de vida merecedora de respeito pelas outras partes da humanidade. Os respeitados heróis nacionais não são os que esbanjam dinheiro em material e os que provocam perdas de vidas, mas os que proporcionam vidas felizes, em harmonia e segurança e com esperança activa em futuro melhor. A ONU deve exercer o melhor esforço em tal sentido, usando todas as formas de mentalizar as pessoas, com prioridade nas gentes mais jovens antes que comecem os vícios da ambição, da inveja e da criminalidade que pode conduzir à violência, na ânsia do poder.

Curiosamente, na homenagem póstuma ao ex-PR angolano José Eduardo dos Santos, sobressaíram, as palavras do Presidente moçambicano, recentemente eleito, Filipe Nyusi ao elogiar a «inspiração» de «reconciliação» que o homenageado sempre evidenciou nos seus 38 anos de Presidente, considerando que tal resultado conciliava os esforços para a harmonia nacional e para um efeito muito útil. Pelo contrário, a discussão e a crítica negativa atrasam as soluções e o desenvolvimento do país.

Coincidindo com este conceito, o MNE português, João Gomes Cravinho, sublinhou que o homenageado, durante a longevidade das suas funções soube estabelecer com todos os PR portugueses, eleitos democraticamente, relações que proporcionaram a proximidade de ambos os povos e, nesse sentido, Portugal deve muito reconhecimento.

Os Estados do Sahel, após o fracasso do apoio francês e da saída da operação Barkhane que lutava contra o extremismo no Sahel contando apenas com a abordagem militar, que foi insuficiente para colocar fim ao problema, terá agora que rever a estratégia, em diálogo com todos os parceiros, comprometidos com a estabilidade e a luta contra o terrorismo islâmico, forçando-os a procurar novas formas de actuação, além da militar.

Os países do Sahel terão de aproveitar a oportunidade de pensar o que deve mudar na luta contra o extremismo a que têm de fazer face. Será uma tarefa colectiva de esforços agressivos de contraterrorismo por parte das forças nacionais, regionais e internacionais, contra a presença destes grupos extremistas que não só se mantiveram no Sahel como se têm expandido, atingindo já os países costeiros a sul, o que revela, na opinião dos analistas, a insuficiência da abordagem militar para colocar fim ao problema.

Será difícil mas uma bênção celestial, que a Humanidade se una na defesa do respeito e da harmonia e paz entre todos os seres humanos à semelhança do que acontece em muitas raças de animais irracionais.


quinta-feira, 8 de setembro de 2022

A HUMANIDADE PODE SER MAIS FELIZ

http://domirante.blogspot.com/2022/09/a-humanidade-pode-ser-mais-feliz.html

(Public em DIABO nº 2383 de 02-09-2022, pág 16, por António João Soares)

Há sonhadores pessimistas que anunciam desgraças, crimes, egoísmos e outras coisas desagradáveis que, se acontecerem, transformam a vida no planeta como um cenário de trajecto para a extinção da humanidade.

Porém, se há pessimistas destrutivos, as realidades mostram que os sinais contrários também evidenciam que as opiniões opostas também existem e elas podem tornar-se viáveis, dependendo das vontades dos seres humanos e dos impulsos que as suportem, com valores éticos e morais apoiados por muitos dos governantes e condutores do comportamento que lhes quiserem dar a sua ajuda. As notícias, sendo bem interpretadas, convencem que há grande possibilidade de a convivência humana se poder tornar muito mais conforme com os desejos mais positivos

Uma notícia dizia que “duplicaram ocorrências por fogo-posto”, o que leva a concluir que as Forças de Segurança, a Justiça e as autarquias podem controlar estas actividades e aumentar a sua eficácia, no sentido de aplicar sanções que sejam desmotivadoras deste tipo de crimes e dos que com eles estejam relacionados. E quando os criminosos se aperceberem que tal actividade não compensa, passará a haver menos fogos florestais.

Outra notícia que mostra a eficácia das Forças de Segurança diz que “Homem de 65 anos foi apanhado com 108 doses de heroína em Sines”. Mais um caso de eficácia das Forças de Segurança e do seu sistema de trabalho.

Outra notícia sublinha a eficácia da PSP e refere que esta instituição “deteve homem de 34 anos que vendia passaportes falsos”.

Nesta época de altas temperaturas e fortes fogos, surge a notícia “prioridade na Serra da Estrela é estabilizar solos e linhas de água”, o que mostra que há pessoas bem informadas que se interessam por analisar os problemas que afectam o futuro da humanidade e por planear soluções para que haja melhores resultados na procura de boa qualidade de vida.

Nas relações internacionais há quem queira punir governos insensatos, privando os seus habitantes de serem turistas em países que apreciam. Mas há responsáveis pelas relações internacionais que afirmam que o povo não deve ser penalizado nessa liberdade pelo mau comportamento do seu governo. E os países que têm vocação para receber turistas não devem ver reduzidos os resultados dessa actividade.

A notícia de que um despiste de viatura fez duas vítimas mortais vem juntar- -se a muitas outras sobre a insegurança rodoviária de pessoas que perdem a vida por má conduta de automobilistas que não respeitam a segurança das pessoas, colocando-as em perigo de morrerem ou de ficarem gravemente feridas. A Justiça deve ser exercida por forma a defender as vidas das pessoas, punindo os causadores de tais acidentes como ponto de partida para maior rigor no cumprimento das boas normas de condução.

Uma notícia vinda de Angola diz que o culto ecuménico reúne regime e oposição e pede eleições pacíficas, sendo um belo exemplo de solidariedade e patriotismo. A religião deve ser um elo de respeito e de união democrática e não um incentivo a ódios e actos de violência. Começando pelos jovens, o ensino e as actividades culturais devem desenvolver o espírito que permite viver em paz e harmonia, não hostilizando quem pensa de forma diferente, mas de forma aceitável.

O Papa está preocupado com a violência entre facções da Nicarágua e pede um diálogo aberto e sincero para que possam encontrar os fundamentos de uma coexistência respeitosa e pacífica. Se este tema for difundido positivamente a partir das escolas primárias, as pessoas passarão a aceitar e a respeitar aquelas que têm opiniões e competências diferentes. Com estas diferenças, é possível viver em democracia e construir algo de notável para haver mais felicidade.

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sexta-feira, 26 de agosto de 2022

A SOLIDARIEDADE É UM DEVER COLECTIVO

(Public em DIABO nº 2372 de 26-08-2022, pág 16, por António João Soares)

Temos o dever de amar os outros como a nós próprios. Isto que os deveres religiosos aconselham deve impedir a ambição porque esta, sendo elevada ao excesso do exagerado enriquecimento, priva muitas outras pessoas de disporem do indispensável para as suas necessidades básicas. Um dos deveres sociais torna-nos responsáveis, pelo bem-estar dos outros e de uma forma geral, pela harmonia comum, contribuindo para uma sociedade melhor e para manter viva a chama da fé e da esperança em dias mais felizes. 

Depende de todos nós promover a justiça, a segurança e a paz. Encontrei há dias uma lista de virtudes que devem ser desenvolvidas a todos os níveis sociais, principalmente pelos responsáveis políticos: altruísmo, sabedoria, cortesia, integridade, justiça, fidelidade, honradez. 

No entanto, no mundo actual, vive-se quase agarrado ao egoísmo, ao interesse pessoal, em vez de se procurar contribuir para uma melhor qualidade de vida em benefício de todos, sem deixar ao abandono os menos favorecidos pela sorte.  A fé, a esperança e a caridade devem ser objectivos comuns para benefício de toda a humanidade. Com tal capacidade moral, a sociedade beneficiará de paz, prosperidade e partilha de riqueza. 

Quanto à protecção dos imigrantes, devemos ver neles seres humanos que necessitam de aprender uma nova língua, novos costumes, nova cultura, enfim aprender tudo de novo. Não basta dar-lhes o indispensável apoio financeiro que deve ser apenas uma ajuda para sobreviver, porque nos novos costumes e na nova cultura, devem contar com o resultado do seu trabalho para viver com dignidade e obter o essencial para ter comodidade e não ser desprezados, enfim, como pessoas normais. 

A solidariedade deve ser colectiva e obrigar a viver com dignidade, justiça social e o devido respeito recíproco.

Infelizmente, grande parte dos políticos não seguem estes princípios porque, desde jovens, se habituaram a situações excepcionais de regalias e não conhecem a vida real da maioria dos cidadãos, as dificuldades do seu dia-a-dia com as complexidades dos pormenores com que se deparam. Chegam ao ponto de não compreender o valor do dinheiro que é obtido pelos impostos, e diversas taxas e, por isso, são levados a utilizá-lo de forma pouco ponderada, sem real benefício para aqueles que os pagam, por vezes de forma exagerada. Esses valores devem obrigar a meditar na forma moral e racional de os gastar, sem exagerar em benefícios próprios, de familiares, de amigos, de cúmplices ou de coniventes. E mesmo nos gastos com destino público devem ser ponderadas as finalidades, com estudos dos motivos e das soluções para serem escolhidas as mais racionais e os preços aceitáveis para o objectivo pretendido. As regalias devem ser conferidas mas não ser excessivas.

Haverá um longo caminho a percorrer até se conseguir uma solidariedade harmoniosa entre os principais países cujo comportamento em honradez, integridade e cortesia deve constituir um modelo e servir de exemplo para os restantes. Mas não parece fácil sair do vício das ameaças e actos violentos que prejudicam, não os altos responsáveis mas autores dos piores factos, por outro lado, os cidadãos inocentes são vítimas das piores violências e acabam por ser afectados por actos que os governantes ignoram.

Os sistemas de retaliações e ameaças estão a infernizar os povos com ligações à guerra no leste da Europa numa ou noutra das partes envolvidas. Agora já recorrem ao envio de vistos turísticos aos cidadãos russos que estão a ser incluídos nas sanções adicionais contra o estado agressor.

Esta impossibilidade de aqueles cidadãos poderem passear pacificamente pela Europa não livra os governantes, até porque os verdadeiros prejudicados não têm condições de sancionar os seus governantes nem sequer de os criticar, dado o autoritarismo que ali funciona.


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