sexta-feira, 3 de março de 2023

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS. HAVERÁ SOLUÇÃO?

(Public em DIABO nº 2409 de 03-03-2023. pág 16, por António João Soares)

Foi, já em tempos, decidido que devíamos evitar criar danos no ar que respiramos, não fazendo produção de poluição local do ar com fumos de chaminés, de escapes de carros, etc. Mas, apesar dos cuidados havidos, as perturbações climáticas, recentemente, têm aumentado de forma assustadora. E não são visíveis os efeitos das diversas reuniões realizadas, com alguma frequência, por políticos com altos cargos e, talvez, com colaboração de indivíduos que se consideraram dotados com sabedoria do espaço extraterrestre, mas que nada ajudaram a resolver.

Houve pessoas bem informadas e observadoras que consideram que a principal causa da poluição do ambiente espacial pouco depende dos fumos da superfície terrestre e que o seu maior factor de poluição e mais representativo é constituído por radiações electromagnéticas que, ultimamente, têm aumentado de forma ameaçadora e cujo controlo fica longe da decisão humana, dado que a utilização de meios informáticos, de variados sistemas de automatismo, é produtor de alto grau de poluição do ar. E daí resultam modificações das causas das acções climáticas.

Essas pessoas, cientificamente bem informadas, citam alterações durante a primeira guerra mundial devidas ao uso intenso de novos sistemas de propulsão de objectos balísticos tele-orientados, de automatismos de controlo electrónico, etc. etc. Logo que terminou o conflito foi notado que se regressou à normalidade anterior. Mas tal regresso não se tornou permanente, porque as lições da guerra foram aplicadas na indústria de produção de instrumentos de trabalho e aos equipamentos de instalações de estabelecimentos e outros, como vemos nas portas automáticas que se abrem quando se aproximam pessoas para passar, etc.

Os radares de trânsito hoje são muito poucos comparados com os biliões de produtores de radiações electromagnéticas. Um vulgar automóvel, começou por ter um radar apontado para a frente para alertar da presença de um obstáculo, mas hoje tem muitos mais de cada lado, à frente e na rectaguarda para evitar que, ao fazer uma manobra para arrumar, ou numa via estreita, haja colisão, etc.

Mas, hoje, a mais forte geração de tais radiações são as telecomunicações e as suas torres de ligação para grandes distâncias. Um telemóvel quando faz uma chamada envia-a a toda a volta e, depois, há retransmissores que levam a chamada ao seu destinatário que normalmente está num ponto onde o aparelho que o chamou não fazia a mínima ideia. E com tal sistema cada ponto do espaço é permanentemente atingido por biliões de radiações.

Quando os «sábios» que se têm proposto evitar as alterações climáticas, tiverem plena consciência desta sua causa, como a podem eliminar? Ninguém terá coragem nem possibilidade de a eliminar pois iria combater muitos interesses de pessoas de todos os níveis sociais. E os poderosos da indústria não permitiriam ser privados das vantagens que a moderna tecnologia lhes faculta.

Mas há que procurar tecnologias mais adequadas às actuais necessidades, sem terem de enfrentar os inconvenientes que hoje ameaçam com o excesso ou o mínimo de temperatura, ou seca que destrói todo o ser vegetal ou a chuva e as inundações que afogam tudo o que é vida, provocam derrocadas e deslizamento de terras, com perigo para as pessoas, principalmente as mais idosas, ou deficientes.

Precisamos de novas tecnologias que se apliquem à simplicidade própria do século passado, sem nos privar das vantagens daquelas a que já estamos habituados. Essas inovações serão possíveis antes de chegarmos à eliminação da humanidade? Oxalá, que sim.reva aqui a primeira parte do artigo Escreva aqui o restante do artigo

Ler mais...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

EVITAR MOTIVOS PARA GREVES


(Public em DIABO nº 2408 de 24-02-2023. pág 16, por António João Soares)

A greve é um direito que não deve deixar de existir. Mas o Governo deve evitar que os trabalhadores tenham tantas necessidades delas para verem os seus interesses laborais respeitados, e terem situação de tratamento social justo em comparação com trabalhadores de outras profissões. E há actividades cuja paragem é de tal maneira lesiva de uma tal quantidade de cidadãos que exigem imenso cuidado no diálogo entre os trabalhadores e o Governo. É o caso da Educação, da Saúde e das Forças de Segurança, etc.

Se é certo que Portugal não pode imitar os vencimentos existentes em Estados com um nível económico mais elevado, também é lógico que não deve exagerar na diferença para não arriscar o aumento da emigração dos nossos técnicos para irem procurar emprego onde sejam mais bem pagos.

Por outro lado, o argumento de que não se dispõe de dinheiro para aumentar os salários não é muito convincente, porque ele tem permitido pagar subvenções vitalícias a boys e girls que, após pouco tempo de serviço público que foi bem remunerado, vão para casa com direito a essas altas remunerações sem qualquer justificação convincente. E, apesar das limitações de informação que têm sido instituídas, as pessoas acabam por ter conhecimento de tal desmando que nada tem de lógico nem de justo. E o povo acaba por não se conformar com tal injustiça. E a decisão das greves é muito influenciada por essas e outras decisões que deixam o Estado com o argumento de não ter disponibilidades para aumentar salários. Há realmente muitos a viverem à sombra de gabinetes de governantes e que não têm competência, preparação e experiência semelhante à de professores que estão em greve, para verem melhorada a sua remuneração.

E após o diálogo funcionar e estar aceite uma solução, devem os professores ser consciencializados para a melhor formação dos estudantes a fim de participarem de forma mais eficaz para a preparação do futuro de Portugal. Hoje os estudantes devem sair das escolas com uma preparação diferente daquela que era ensinada aos seus pais, porque o mundo em que vão viver não é igual ao desse tempo, as tecnologias são muito diferentes e exigem uma preparação mais avançada para as utilizar eficazmente. E as próprias tecnologias não são eternas. Hoje são diferentes do que eram há 20 anos, e daqui a 20, certamente, serão muito diferentes destas. Os actuais estudantes devem ficar preparados para encarar pela positiva as mudanças que lhes surgirão na sua vida prática. 

Esta estratégia do futuro deve ser encarada inteligentemente em todos os sectores e, se aquilo que atrás disse foi mais esboçado no ensino em geral, também se aplica no sector da Saúde e na vida industrial. Nada na vida será igual a ontem e os jovens devem contar com novas condições que devem ser encaradas com prudência e sentido prático, mas tendo sempre presentes os conceitos práticos dos tempos recentes, a moralidade e a ética. A sensatez é aplicável e indispensável, eternamente.

Os representantes do Estado no contacto com trabalhadores devem ser sensatos, com sensibilidade, a fim de serem evitados motivos para greves, isto é, as dificuldades devem ser objecto de diálogo e as sugestões e propostas devem ser bem esclarecidas para não levarem a greves.  A amizade, a compreensão e o bom entendimento são a melhor solução para evitar conflitos.

Embora não tivesse referido outras greves, não devo encerrar este texto sem referir a importância dos transportes rodoviários que também estão em greve e eles são indispensáveis para a vida de muitos cidadãos. A falta de capacidade de diálogo dos órgãos representantes do Estado mostram-se incapazes de dialogar e desrespeitados pelos trabalhadores, o que é muito grave. 

Ler mais...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

O POVO DEVE PARTICIPAR NA VIDA NACIONAL

 (Public em DIABO nº 2407 de 17-02-2023. pág 16, por António João Soares)

 

No 25 de Abril um dos gritos da maralha era «o povo é quem mais ordena». E, sem exageros, numa democracia de verdade, nada deve ser decidido sem ter em atenção o interesse da população e esta deve poder dar opiniões, sugestões e apresentar propostas. Veio agora a público uma inovação exemplar que se tem desenvolvido como «modelo de saúde no Seixal», onde, com as carências de especialistas no sistema nacional de saúde, havia milhares de utentes sem médico de família, e que, agora, com este novo serviço, estão bem apoiados, sem terem de esperar em longas filas.

 

Agora, com esta inovação, basta pedirem uma consulta no dia anterior, por telefone, e serão atendidos por médicos e enfermeiros especializados, alguns já aposentados, conhecedores dos assuntos e que se ofereceram para dar corpo a esta iniciativa modelar. Será de desejar que este sistema seja imitado por todo o interior do país, principalmente pelas zonas mais povoadas a fim de suprir a carência de pessoal especializado que se evidencia na generalidade do Serviço Nacional de Saúde.

 

Será bom que esta inovação seja imitada por toda a população, sendo conveniente que os portugueses saibam interpretar o conceito de democracia e tenham iniciativa de utilizar todas as suas capacidades para contribuir para um futuro melhor para todos os cidadãos. O poder que a democracia concede a todos não deve ser utilizado apenas para criticar, ofender e dizer mal dos governantes, mas principalmente, para fazer sugestões e propostas no sentido construtivo, para que o nosso país passe a ser melhor governado e com melhores perspectivas futuras e melhor qualidade de vida. A iniciativa da doutora Alexandra Fernandes, que ao longo de 25 anos foi médica de família na unidade de saúde familiar de Fernão Ferro, foi agora a criadora e é a coordenadora da Via Verde Seixal, merece os maiores elogios e deve servir de modelo a muitos dos seus colegas e de outros funcionários do Estado para que seja melhorado o apoio aos cidadãos quer na saúde quer noutros sectores da vida nacional.

 

Todos devemos convencer-nos de que a Pátria é de todos nós e, por isso, devemos usar toda a nossa capacidade para a defendermos e a desenvolvermos o melhor possível.

 

Um ano depois de ter sido criada, a Via Verde Seixal faz 150 consultas diárias, das 8h00 às 20h00, servindo 45 mil utentes sem médico de família atribuído. Ao mesmo tempo, foi também criada a Via Verde Almada, uma "gémea" de menor dimensão que atende 17 mil utentes. Possivelmente, haverá mais oportunidades de criar outras instituições semelhantes embora em zonas menos povoadas mas que podem ter técnicos reformados na sua área que desejem fazer uso da sua capacidade solidária. O exemplo do Seixal merece ser imitado. Portugal precisa das iniciativas positivas dos seus cidadãos.

Para a evolução do nosso país, não bastam palavras bonitas, atitudes vistosas e ser fotografados com jovens que aplaudem, os governantes em evidência, são mais eficientes e úteis atitudes criativas que produzam melhorias eficazes na qualidade de vida dos cidadãos carentes de apoio, como é este caso. É preciso vivermos atentos ao que se passa em nosso redor e contribuirmos, usando o nosso esforço e toda a nossa capacidade para inovarmos soluções válidas, servindo-nos dos exemplos que nos surgem e inovando outros. Comecemos a apreciar os casos positivos que vão aparecendo e partamos para outras inovações favoráveis aos nossos concidadãos. A nossa Pátria espera muito de nós. E a felicidade colectiva não aparece por milagre, mas será fruto do nosso bom comportamento.

Ler mais...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

SEGURANÇA RODOVIÁRIA

(Public em DIABO nº 2406 de 10-02-2023. pág 16, por António João Soares)

A humanidade está ao abandono na grande generalidade dos Estados, e muitas vezes está privada dos direitos que a defendem mesmo em aspectos vulgares, como é o caso da segurança rodoviária que origina notícias frequentes de acidentes devidos ao desrespeito de regras essenciais para a segurança das vidas de inocentes.

Agora, deparei com a notícia de um autocarro que transportava 48 pessoas e que caiu de uma ponte, explodindo após a queda, tendo morrido pelo menos 41 pessoas. Os mortos estão irreconhecíveis. Isto passou-se no Paquistão, país situado no sul da Ásia, com população superior a 200 milhões de habitantes e 76.095 Km quadrados em que o número de mortos nas estradas, segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2018, foi de mais de 27 mil pessoas. As vias rápidas são pobres, com fracas condições de segurança rodoviária e a condução é perigosa.

Mas, mesmo com melhores condições, em Portugal, durante o já longo período da pandemia do Covid-19, tem havido notícias de muitas baixas nas rodovias, por despistes, atropelamentos, colisões, etc. As situações de perigo devem merecer muita atenção das autoridades políticas e dos órgãos de comunicação social, por forma a que as pessoas fiquem bem mentalizadas e prevenidas das medidas preventivas que devem ser rigorosamente cumpridas, em permanência.

Com as chuvas que estão a ocorrer com intensidade, os despistes devem ser evitados e isso exige extremo cuidado, mesmo em boas estradas e viaturas seguras. Uma travagem ou uma curva fechada com mais velocidade, pode provocar um deslise de consequências imprevisíveis.

Mas, com a pandemia, as pessoas esquecem muitas precauções a que estavam habituadas e isso tem sido muito desagradável nos comportamentos humanos, havendo excesso de atitudes que, por vezes, são criminosas, mesmo dentro dos ambientes familiares, nas escolas e em grupos de amigos. Os condicionamentos para as pessoas evitarem o Covid-19 parece que fizeram esquecer o rigor do respeito humano próprio e para com os semelhantes, tornando a sociedade mais insegura e desorganizada. Há notícias de jovens de pouca idade a exercerem violências com uso de armas de pequena dimensão, mas altamente perigosas, contra pessoas indefesas, por vezes de idade, e das próprias famílias.

O Poder político, a todos os níveis, as forças de Segurança, as escolas e cada grupo social devem contribuir o máximo que puderem para melhorar os comportamentos das pessoas, a fim de a Nação passar a ter uma qualidade de vida mais positiva e construtiva de um futuro mais ético e mais saudável. As tendências para modernizar a sociedade não devem tornar os jovens menos seguidores de bons comportamentos. A sociedade que todos desejamos não deve ser a cópia obsessiva do passado, mas também não deve rejeitar aquilo que os nossos antecessores tinham de mais valioso. E o respeito pelos direitos humanos, e pela amizade mútua generalizada entre todos os seres vivos constitui um factor que deve ser considerado com o máximo valor para um futuro risonho.

E o respeito pelos direitos dos outros é gerador de harmonia social que contribui para a segurança rodoviária e para qualquer actividade que seja exercida em espaço público. E permitam-me que refira o papel da religião, constante do escrito recente com o título «A função da religião na harmonia social». Toda a actividade social, desde que exercida com ética e sensatez, tem uma subida importância na melhoria dos comportamentos e da qualidade de vida


Ler mais...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

FALTA DE ESTRATÉGIA CAUSA DESAGREGAÇÃO

«Public em DIABO nº 2405 de 03-02-2023. pág 16, por António João Soares)

A ausência de uma estratégia bem elaborada e traduzida por uma estrutura bem preparada e executada com sentido de responsabilidade dos elementos dirigentes, sem leviandades e com rigor nos casos importantes para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, pode conduzir a um estado de desagregação que não seja conveniente para a qualidade da vida da população nem para o desenvolvimento da economia nacional. É indispensável um apurado sentido de Estado e constante atenção ao interesse nacional definido no plano estratégico e a preocupação de não haver desvios das regras democráticas.

Cada dirigente deve acompanhar o comportamento dos seus dependentes e colaboradores por forma não ignorar o que se passa e poder corrigir qualquer pequena falha antes que ela tenha efeitos difíceis de reparar sem entrar num estado crítico. O respeito pela legalidade deve ser uma preocupação constante, em todos os aspectos e a todos os níveis.

Em vez de separatismos e indiferença pelo que vai sucedendo, deve ser indispensável a cooperação e a colaboração com vista ao melhor resultado obtido na consecução dos objectivos previstos nos planos elaborados e que devem ter sido preparados com o máximo cuidado. As grandes decisões devem ser preparadas conscientemente com conhecimento de todas as partes que irão colaborar na sua concretização, sem leviandade nem precipitação e, depois, ser tudo controlado com espírito de colaboração, para se evitarem gastos inconvenientes. O patriotismo é um dever de todos e a colaboração de cada um é um factor de grande importância em cada momento, sempre que necessária.

Um bom político, em funções de chefia, nunca deve afirmar nada saber de um caso importante que esteja a causar preocupação pública. Deve estar sempre a par de todas as ocorrências na sua área, não podendo dar a ideia de estar sempre distraído mostrando indiferença de «o que acontecer depois se verá». E sacudir a água do capote não deve tornar-se uma atitude habitual e, tanto quanto possível, nunca deve ser usada como resposta a uma pergunta que pretende ser esclarecedora. Devem poder ter sempre uma posição clara nas matérias dos casos em que entram no conhecimento da opinião pública. O crescimento económico convém ser esclarecido pelos responsáveis de cada sector. O apoio à saúde constitui um direito individual a que o Estado não pode colocar restrições. As liberdades fundamentais educação, saúde e justiça não devem ser limitadas e exigem o máximo de eficiência para garantir a melhor qualidade de vida na sociedade. E as melhores condições do seu funcionamento aconselham a que sejam ouvidos os diversos sectores da vida social, a fim de serem evitadas reclamações públicas por parte de sindicatos e sejam estimuladas críticas de outros partidos para prejudicar a imagem dos governantes.

Quando se procura a alteração do sistema de avaliação existente é conveniente respeitar as especificidades das especialidades, encarando soluções para os diversos problemas, sem gerar insatisfação e revolta. As situações desagradáveis para as partes, como injustiças, desigualdades e discriminações, há necessidade de bom entendimento a fim de não ser criadas situações não sociais. Uma boa solução evita conflitos, mas não pode ser aceite, totalmente por qualquer das partes, sendo necessário haver cedências compatíveis com os interesses em jogo.

A propósito da colaboração convergente, li há pouco uma referência à demora da solução a dar ao novo aeroporto de Lisboa. O autor defende que uma decisão de tal valor deve ser preparada por técnicos especializados e não por políticos para não demorar mais dos 5 anos já esmagados por dúvidas, indecisões e anulação de projecto publicado.

Ler mais...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

A FUNÇÃO DA RELIGIÃO NA HARMONIA SOCIAL

(Public em DIABO nº 2404 de 27-01-2023. pág 16, por António João Soares)

Vi uma notícia intitulada «Peru apela a líderes religiosos para promoverem o diálogo e paz social». É curioso que isto veio recordar-me cinco artigos publicados no semanário O Diabo, em que defendia uma maior intervenção da religião neste aspecto, devendo começar a intervir mais no desempenho da sua actividade social e não se limitar à recitação do terço e outras devoções, quando isso não coincide com o conhecimento prático dos textos que são recitados maquinalmente.

Um dia perguntei a um militar que se gabava de ter sido seminarista e mais tarde se licenciou em direito, quais os principais ensinamentos contidos na segunda parte da oração «Pai Nosso». Ficou espantado pela pergunta e, entretanto, aproximou-se o capelão do Centro de Apoio Social a quem fiz a mesma pergunta e que reagiu com igual espanto e tive que lhe dar a minha opinião.

O Pai não nos vem dar nada de material mas, segundo os textos bíblicos, ensina-nos a um comportamento correcto e, na segunda parte da oração, vêm pedidos que devem ser interpretados como comportamentos que devemos ter. «O pão nosso de cada dia» não deve ser pedido, mas é um conselho para evitarmos a ambição e não pensarmos em ser milionários, mas apenas ter o necessário para vivermos. A seguir, surge outra lição de comportamento, segundo a qual, devemos pretender que nos sejam perdoadas «as nossas ofensas como nós perdoamos a quem nos tem ofendido». Isto é, devemos respeitar os outros para sermos respeitados por eles a fim de podermos viver em harmonia e paz. Devemos evitar «deixar-nos cair em tentação», do álcool, da droga, da ambição, da corrupção, etc. E devemos «livrar-nos do mal», dos crimes e outras infracções pequenas ou grandes. O nosso futuro não será proveniente de milagres, mas apenas consequência do nosso comportamento. Nisto recordo-me de ter visto no livro «Conversas com Deus» que foi traduzido pela Editora Diário de Notícias, em que à pergunta do jornalista se faz milagres, foi respondido que «não faço porque isso seria uma transgressão às leis rigorosas com que construí a Natureza».

Na realidade, tudo o que se pode ler nos escritos religiosos, desde os mais antigos aos actuais, são lições de comportamento que o povo não interpreta devidamente e considero que a sua explicação deve ser função dos líderes religiosos, principalmente os que mais contactos próximos têm com os crentes. Esperar por milagres com efeitos materiais acaba por ser pura ilusão. O que realmente convém é a mentalização sobre a realidade de cada momento por forma a concluirmos qual o procedimento mais adequado para obtermos o resultado desejado.  Por isso, o papaguear orações sem compreendermos o seu texto, não tem utilidade prática se não interiorizarmos o seu conteúdo e compreendermos a sua lição de comportamento. Os mestres religiosos devem pensar nestes pormenores e procurar mentalizar os seus fiéis sobre os textos que lhes referem, porque é uma verdade vulgar que a maior parte das pessoas, não possuem só, por si, capacidade para interpretarem o que aprenderam a recitar. E por isso, o seu entendimento comportamental não se aperfeiçoa e estagna num nível incapaz de melhorar a sua vida e a da sociedade.                      

Será bom que os dinamizadores de pequenas cerimónias religiosas, em que participam pessoas pouco letradas, as esclareçam do significado dos textos, a fim de aumentar a sua cultura e o conhecimento daquilo que foi dito ou lido. Tudo o que está escrito tem um significado e uma finalidade que, por vezes, escapa aos menos atentos e torna-se indispensável ensinar com a clareza conveniente. E um crente bem esclarecido sentirá mais forte a sua fé.


Ler mais...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

SITUAÇÃO ACTUAL E PERSPECTIVAS DE FUTURO

(Public em DIABO nº 2403 de 20-01-2023. pág 16, por António João Soares)

A situação actual do nosso país tem sido descrita em termos muito pessimistas, por vezes, pouco agradáveis para os responsáveis do Governo e da própria Presidência da República, o que suscita que os portugueses devem despertar da sua indiferença perante as realidades da política e decidirem abandonar o abstencionismo eleitoral e cumprir o seu dever de participar, segundo as suas possibilidades, na reconstrução nacional, votando da forma que se lhes apresente mais patriótica. Mas a decisão do voto deve ser bem preparada sem se deixar levar por promessas fantasiosas que, depois, nunca serão realizadas. Ora, dada a posição pouco correcta da comunicação social, de jornais, televisões etc, condicionada por pressões ou favores do partido detentor do poder, a preparação do voto exige extremo cuidado, e o voto consciente obriga a muita atenção para não se cair no perigo de se continuar a inacção e a degradação social que actualmente parece encaminhada para um suicídio colectivo de um país que, há cinco séculos, era poderoso e respeitado pelo mundo.

Recordo a ideia que inseri num artigo que publiquei há seis anos, um partido que passou pelas funções do poder e se vê na oposição, deve encarar o facto da maneira mais positiva e tirar dele os melhores benefícios, para o País e para o futuro do partido. A situação de não ser responsável por tomar decisões que imponham deveres e sacrifícios aos cidadãos, permite liberdade de análise, com capacidade de isenção, dos problemas fundamentais do País, e sugerir estratégias adequadas à melhoria da qualidade de vida das populações e ao crescimento da economia nacional, em benefício de todos.

Para que a recuperação de valores perdidos seja possível, convém  dar aos eleitores a noção de que existe estratégia bem estudada, e programada que contribuirá para uma vida melhor nos dias que virão, em benefício de todos os cidadãos, eliminando a pobreza, a injustiça social e a impunidade dos protegidos pelo Poder.

Mas as coisas nem sempre são assim compreendidas e, em vez de em cada momento se pensar em engrandecer o país e criticar o Governo de forma positiva e construtiva, numa preocupação de competência, para atingir as melhores metas, cai-se na crítica destrutiva, em que sobressai a intenção da «luta pelo poder» de forma abjecta, à espera de que tudo seja demolido para reiniciar do nada a construção de algo que não se sabe bem o que será e que, por falta de preparação cuidada e amadurecida, o futuro continuará e muito problemático.

Convém que todos os cidadãos mais esclarecidos com vista a um futuro melhor, isolados ou inseridos em organizações idóneas, dêm o melhor de si, dos seus conhecimentos, das suas capacidades, por forma a que dos altos cargos saiam medidas bem adequadas aos principais objectivos. Nisso, os partidos têm especial responsabilidade e devem contribuir para que o futuro seja preparado da melhor forma para os portugueses, principalmente, os que têm sido mais sacrificados pela crise que continua.

E não sendo bom pensar o futuro como cópia do passado, não se pode esboçar a vida de amanhã por inspiração de momento, pois tem que ser fruto de boa meditação, com a ajuda de largo espectro dos cidadãos. Não se deve dar oportunidade de que um observador refira que há incompetência, incapacidade política e técnica e inexistência de um qualquer projecto de sociedade».

Para revitalizar este país, actualmente, deprimente e pobre, colocando-o na rota do crescimento económico e da felicidade, e transformando-o eficazmente num país com futuro, é necessário que o Governo selecione para a sua equipa quem melhor tiver dado provas de inteligência, saber e capacidade de decisão para aplicar as soluções mais indiscutíveis.

 


Ler mais...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

OS FACTOS DESAGRADÁVEIS PODEM SER EVITADOS

(Public em DIABO nº 2402 de 13-01-2023. pág 16, por António João Soares)

Nestes tempos festivos que envolvem Natal e Ano Novo houve uma quantidade exagerada de acidentes rodoviários. Porquê, certamente por erros de condução talvez devidos a pressa na chegada, ou pessoas que não estavam habituadas a conduzir a grandes distâncias, ou por a conversa com os companheiros de viagem distraía o motorista, ou por excesso de álcool. Tudo causas que deviam ser acauteladas para evitar tais resultados. Não há milagres e nada acontece por acaso. O mal resulta de erros do nosso comportamento.

Num livro intitulado «Conversas com Deus», o autor perguntou se Ele fazia milagres e a resposta foi negativa porque, se fizesse um milagre, ia contrariar uma lei da Natureza que Ele criara e, portanto, entrar em contradição com a perfeição da sua obra. As coisas, mesmo a saúde das pessoas, resultam das acções dos seres humanos, pelo que estes devem cuidar racionalmente o seu comportamento para não colherem resultados que não desejam.

O meu neto mais crescido, nascido na América, desde miúdo sempre teve gosto por aviões e tudo que a eles se refere. Mesmo ainda como estudante conseguia, nas horas não escolares, trabalhar como acompanhante de visitantes num museu de aviões e material aéreo. Ainda não tinha idade para receber, mas o pai dava-lhe, mensalmente, uma gratificação. Paralelamente foi bom aluno nos estudos e logo que teve idade para isso, obteve brevê de piloto que, após a sua formação universitária e muitas distrações a pilotar, e diversos empregos, hoje a sua principal ocupação está ligada aos meios aéreos. No seu Facebook, para desejar Bom Ano usou o título «taking off for 2023». Realmente, o Ano Novo pode comparar-se a uma aeronave que descolou. Se o avião faz um voo perfeito depende da competência do piloto, da mesma forma, para o 2023 ter uma realidade que torne as pessoas felizes e cheguem ao fim de Dezembro satisfeitas com a forma como decorreram todos os dias do ano, é absolutamente necessário que se comportem da melhor maneira em cada momento.

Não devemos esperar milagres mas sim o resultado da forma como nos comportamos. Todos devemos desejar que o ano 2023 seja melhor do que os anos anteriores. A mudança vem de nós. Não do Ano Novo. Depende de nós a obtenção de um mundo melhor. Cada um de vós e os seus amigos devem unir-se para tornar o 2023 melhor do que foram os anos mais recentes. Espera-se que se consiga um bom resultado, para passarmos a viver em respeito pelos outros, amizade, paz, harmonia e cooperação. Só assim se terá um bom fim de viagem, uma boa aterragem.

Mas, infelizmente, as pessoas agem com egoísmo, ambição, ganância, ódio e violência, desprezando os pormenores preventivos que as livrariam de desgraças. Há pouco tempo um ex-director de um banco português, possuidor de muitos milhões de euros obtidos de forma irregular e criminosa, para evitar a justiça refugiou-se na África do Sul e como estava para ser repatriado pelas autoridades locais, acabou por se suicidar. Qual a vantagem do esforço a que foi levado pela ambição?

No entanto, começam a ver-se alguns sinais de governantes mundiais que se esforçam por evitar que nos seus países se pratique a corrupção e as despesas públicas além dos valores necessários e convenientes, a fim de desenvolver o nível médio de vida e a melhoria da situação de pobreza e de desemprego, a cujas condições de vida estão a prestar mais atenção e a procurar soluções para evitar situações desumanas e anti-sociais.

Também há quem evite o uso de armas proibidas e acções agressivas. Por exemplo, o Presidente egípcio está a tentar retomar negociações para o bom relacionamento entre Israel e a Palestina. A Colômbia anuncia o cessar-fogo com guerrilheiros ELN e grupos para-militares, o qua estava e tirar muitas vidas e a destruir património nacional. Taiwan, apesar do mau relacionamento com a China oferece ajuda a esta para responder à vaga de Covid-19 que a está a preocupar muito. 


Ler mais...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

INTELECTUALIZAÇÃO DE FÁTIMA

(Public em DIABO nº 2401 de 06-01-20223. pág 16, por António João Soares)

Parece estar em movimento a intenção de elevar o nível cultural e Intelectual das comemorações que se realizam várias vezes por ano no Santuário de Fátima. O antigo reitor Luciano Guerra, foi refutado por actuais chefes religiosos lembrando os convites deste a artistas nacionais e até internacionais para interpretarem a mensagem de Fátima através de obras de arte.

Iniciou mesmo «os congressos internacionais que reuniram na Cova da Iria grande parte dos teólogos pensadores da contemporaneidade», grande acrescentando que as críticas hoje deixadas numa entrevista a um jornal local, revelam "uma grande contradição entre aquela que foi a ousadia do então reitor, que durante 35 anos nunca deixou que o Santuário cristalizasse na sua acção pastoral e procurou que fosse sempre evoluindo, mas que agora manifesta total oposição a toda a evolução verificada desde 2008". 

Segundo as palavras recentes do Papa Francisco, a religião deve centrar-se no aperfeiçoamento espiritual e social dos peregrinos, procurando, no entanto, a sua intelectualização por forma a não ficarem divorciados do mundo moderno. Mas, no caso de Fátima, há que ser realistas e não esquecer que os modelos de virtude foram os pastorinhos que eram jovens pobres e iletrados mas que a adoração a «nossa senhora» os elevou a alto ponto na santidade.

O Papa no Natal alertou para o facto de Jesus ter nascido e vivido pobre e para o perigo que a humanidade está a correr com a insaciável ambição de dinheiro e de poder, a sua ganância. Interpretando estas palavras sábias, no caso de Fátima deve ser reforçada a lição para os participantes nas celebrações de que as transformações sociais devem ser orientadas para resultar num verdadeiro benefício dos pobres.  Se Deus é pobre, os crentes devem fazer renascer a caridade.

Os peregrinos devem regressar de Fátima com mais fé no divino, sem perder a noção de que a evolução e a modernização da humanidade são indispensáveis para os crentes e não só, e a pobreza e a incultura dos pastorinhos conduziu-os à santidade. O caso real dos pastorinhos não impede a ânsia de evolução, antes incitam a melhor atenção para os pobres e os incultos e lhes tornem mais fácil a sua progressão nas vias da cultura. Há que adoptar uma recepção sensata aos peregrinos porque ricos ou pobres todos devem levar mais acentuado o seu amor a Deus, com a humidade de Cristo e sensíveis às necessidades dos pobres e dos menos cultos, e ao esforço que devem fazer para terem uma evolução que lhes permita uma relação mais equitativa. Todos nos devemos ajoelhar com humildade e respeito por todos e por tudo.

Todos devemos estar preparados para viver num mundo em paz, sem ódio nem guerras nem preconceitos. Será bom que as nossas famílias se unam, tornando o mundo totalmente solidário e que possamos aprender e praticar os grandes ensinamentos de Deus Pai. E que a vida seja um conjunto de Paz, Amor e Compreensão.

Nota final. As dificuldades entre os actuais líderes religiosos defensores das antigas modalidades da recepção de peregrinos e os modernos apologistas da intelectualização dos convívios de recepção, com arte e cultura, fazem recordar o que presentemente se está a passar no Vaticano acerca dos actos religiosos em que há desacordo entre os apologistas de critérios demasiado conservadores desde há cerca de vinte séculos e os modernos religiosos que pretendem colocar as antiguidades de lado e criar um sistema mais evoluído com uma interpretação mais intelectual da lógica moderna dos valores religiosos, e dessa maneira unirem as diversas variações do catolicismo.

Ler mais...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

MUDANÇAS DE ACTOS RELIGIOSOS

(Public em DIABO nº 2400 de 30-12-2022, pág 16, por António João Soares)

Os direitos humanos estão condicionados por hábitos clássicos apoiados por algumas religiões em que a mulher é uma escrava sem direitos nem liberdade quer na indumentária quer na preparação cultural. Tem vivido há séculos neste sistema e agora com mais contactos entre pessoas de hábitos diferentes e com a divulgada utilização das imagens da internet, está muito difícil a alteração de costumes tanto por quem os usa como quem os deve suportar.

O Papa Francisco tem intenções de reformar os actos religiosos mas tentativas que tem esboçado para a comunhão dos mesmos rituais por todos os sectores católicos, tem recebido diversas críticas vindas de pessoas que não encaram com bons olhos a mudança de hábitos que duram há 20 séculos e foram sempre seguidos pelos crentes imbuídos do respeito religioso. Mas ele, provavelmente, não quer deixar de resistir à força da oposição desagradável e severa que tem recebido em decorrência de suas iniciativas de reforma.

Os papas têm sido sepultados na Basílica de São Pedro ou em algum outro lugar da Cidade Eterna e o mais recente pontífice que fez excepção, Urbano V, morreu no século XIV e foi enterrado em França em 1370 na Abadia Beneditina de São Vitor, em Marselha. Fora o sexto e penúltimo dos papas de Avignon. O último desta geração não teve sucessor desta sequência, para não dar continuidade a esta «rebeldia». Mas parece que o último, desde Urbano V, a ser enterrado fora de Roma foi Gregório XII em 1415. E agora, qual será o futuro do actual Francisco?

Haveria uma grande convulsão entre o establishment católico se o Papa Francisco estipulasse que o seu lugar final de descanso fosse Buenos Aires, quer seja na catedral de sua antiga diocese, quer seja no cemitério onde a família Bergoglio está sepultada.

A sua intenção de mudança é de estabelecer união entre as diversas facções de catolicismo, distinguindo entre o que é último e o que é penúltimo; o que é essencial e o que é secundário; o que é intrínseco e o que é acidental. Mas os fanáticos não querem ver traída a sua fé e, ao criticarem obcessivamente Francisco, querem preservar aquilo em que se aplicaram, todas as características secundárias ou acidentais do catolicismo romano que, em vez de esclarecer a mensagem de Cristo, acabam, na verdade, obscurecendo-a. E acabam mantendo os cristãos em uma Igreja fraturada, permanentemente dividida, fazem parte de um catolicismo sectário e tribal, que cultiva uma identidade amplamente baseada nas externalidades que são de natureza humana, não divina. Estes irmãos e irmãs são católico-romanos em primeiro lugar; e são cristãos, em segundo.

O Papa Francisco, apesar dos seus 83 anos, está sintonizado com os jovens actuais e diz que estamos atualmente em uma mudança de época, e não apenas experimentando um período de mudanças. É o tempo de uma mudança paradigmática colossal. Aquilo que não é essencial precisará mudar ou será descartado. Porém, tem enfrentado resistência. Parte dela é expressa através de ataques contra a sua integridade como discípulo e líder religioso.

Essa resistência é particularmente feroz e implacável dentro da Cúria Romana, onde os cardeais que se reuniram em 2013, em preparação para o conclave, esperavam ver limpo e reformulado. Uma área que quiseram que o novo papa resolvesse é a área da corrupção financeira dentro do Vaticano. E não se preocuparam com alterações à forma como desempenhar a transmissão da palavra de Deus, tal como vem sendo tratada em 20 séculos.


Ler mais...