sábado, 4 de julho de 2020

APRENDER ATÉ MORRER

Aprender até morrer
(Public em O DIABO nº2270 de 03-07-2020, pág 16. Por A João Soares)

Desde os primeiros anos de vida dos Neandartais, a humanidade foi aprendendo com as convivências com pessoas que nos apareceram, vindas de outras origens. Houve parceiros de várias cores, mais abertos à evolução que souberam aproveitar e integrar variados aspectos do saber, e alguns foram alvos de posteriores estátuas e monumentos como gratidão pela evolução que proporcionaram (esta seria a posição de naturais de ex-colónias).

Os tempos foram decorrendo, em permanente evolução, e agora, passados incontáveis séculos, aparecem “sábios” com ciência nova, inesperada, certamente imatura e não consolidada, que pretendem condenar todos esses parceiros que nos ajudaram a evoluir desde o ponto zero até à era do aproveitamento do espaço extra-terrestre apelidando-os de racistas, esclavagistas, colonialistas, etc, etc. E pretendem apagar tudo o que houve de bom e de inovador no desenvolvimento natural da História, na Sociedade civilizada que conseguimos estruturar, nas tradições e no actual ambiente evoluído e harmonioso em que desejamos viver. Esta ingratidão pelos benefícios herdados dos antepassados está, logicamente, a desagradar às pessoas de bom senso.

Destruindo o ambiente em que estamos habituados a viver com respeito mútuo e harmonia social, teremos de regressar ao estado incipiente em que os nossos antepassados do Neandartal viveram. Triste condenação esta, depois do secular intercâmbio de pessoas pacientes, generosas, que vieram até nós trazendo novos saberes e experiências que nos fizeram evoluir. A vida tem momentos de grandeza e crises que fomos aprendendo a ultrapassar procurando retirar delas ensinamentos que nos permitem tentar evitar novas quedas e procurar comportamentos mais agradáveis, seguros e promissores de melhor futuro.

Mas os acidentes de percurso são totalmente inevitáveis porque a evolução e a inovação implica riscos por ser um jogo que contém vontade, com incertezas, probabilidades, hipóteses, esperanças e, portanto, possíveis imperfeições que é necessário reparar, mas sem desistir do objectivo ou finalidade pretendida.

Para um avanço mais promissor, o pensamento não pode demorar na contemplação do passado de forma crítica e simplesmente condenatória, mas sim, com espírito de real análise que permita evitar cair novamente em situações desagradáveis e obter mais êxito nos novos passos a dar. O passado deve servir como ponto de apoio para aprendermos a agir com mais eficiência e eficácia no amanhã, por forma a termos mais paz, harmonia global, progresso e felicidade no futuro próximo e distante. O atleta, depois de iniciada a partida, não olha para trás mas sim para a meta de chegada, lá à frente. Não se pode avançar ao volante a olhar apenas pelo retrovisor.

No passado, principalmente nos recentes 50 anos, muito se poderia ter feito de mais perfeito e produtivo para agora termos melhor situação na vida social com melhor educação, saúde, segurança, justiça, economia, cultura, etc. Porém, não devemos perder tempo em crítica destrutiva, mas em análise construtiva a fim de se conseguir aproveitar as lições para darmos os próximos passos de forma mais inteligente, racional, pragmática e obter melhores resultados. E um factor muito importante é o respeito pelos seres humanos e pela Natureza. O principal elemento de um Estado é a Nação, são os cidadãos, as pessoas, só depois há o território e, em terceiro lugar, a estrutura política e administrativa. 

Se não se procurar compreender a Nação e agir em seu benefício, de forma racional para lhe dar a melhor felicidade, esbanjam-se recursos que farão falta nos passos seguintes e criam-se situações de crise que pode ser fatal. As lições do passado aplicadas com inteligência darão os resultados desejados se forem aplicadas sem erros ou fantasias desajustadas. Os melhores objectivos devem ser mantidos sob atenção permanente, sem distracções ou desvios poéticos, sonhadores e sem apego a erros do passado só para destruir. O passado poder ser muito útil mas apenas para melhor gerir o futuro. Destruir estátuas, monumentos ou obras literárias nada produz de bom. O demónio apenas serve de alerta para nos afastar do mal. ■

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quinta-feira, 25 de junho de 2020

PREPARAR O AMANHÃ

Preparar o amanhã
(Public em O DIABO nº 2269 de 26-06-2020. Pág 16. Por A João Soares)

No seu discurso do 10 de Junho, o cardeal Tolentino de Mendonça começou por salientar que cada cidadão, cuidando de si e da sua família, está a cuidar da sociedade nacional porque “juntos constituímos o todo”. A comunidade, com solidariedade e harmonia, é fortificada com a acção de cada um dos seus elementos.

Para isso, é preciso sentir e agir em conjugação de esforços para um objectivo comum. A árvore não pode esquecer a sua dependência da raiz. Se esta morre, a árvore seca e cai e, se isso acontecer com todas as da mata, esta fica um deserto ou um espaço para jogar à malha. As raízes, a história, as tradições, formam um conjunto que deve ser respeitado e mantido unido e harmonioso.

Porém, nos tempos actuais, a Humanidade está a ser posta em perigo, está em risco de extinção, com a iniciativa agressiva de grupos de impreparados e pouco ou nada conscientes que procuram divisões e agressões mútuas com outros que pensam de forma diferente. Tal falta de sensatez, de tolerância e de respeito pelos outros tem chegado ao ponto de demolir estátuas e monumentos com pretextos de conflito racista. Ora, ser de raça ou de etnia diferente não deve ser motivo para conflitualidade, e esta só surgirá se não houver compreensão, tolerância e harmonia, isto é, se houver falta de ética, de educação e de civilização.

Tenho visto imagens de boa convivência entre animais ditos “irracionais”, com amizade e apoio entre alguns de raças e espécies diferentes. E interrogo-me: porque será que o homem, considerando-se “racional”, tem muitas vezes atitudes inferiores aos selvagens?

A degradação social tem chegado ao ponto de querer a destruição da história e a demolição de estátuas e monumentos sob pretexto de terem estado ligados ao racismo, o que, em grande parte de casos, é uma visão errada de relacionamentos que eram bons, bem intencionados e conducentes à evolução civilizacional de povos em estado primitivo de civilização. Há Estados que hoje são poderosos que iniciaram a sua evolução após a chegada dos nossos navegadores, com notícias de saber e de tecnologia avançada da Europa. Agora, muitos desses colaboradores do desenvolvimento da África e da Ásia e iniciadores da Globalização têm as suas estátuas vandalizadas por jovens imaturos e mal informados que pretendem impor os seus pontos de vista irreais e demasiado fantasiosos.

As estátuas foram erigidas anos depois dos seus falecimentos por cidadãos respeitáveis que quiseram ilustrar o valor e o mérito de tais heróis. Até podem dizer que eles cometeram erros, mas isso seria natural porque “errar é humano” e ninguém é totalmente perfeito. Mas hoje, em que se fala de ‘fake news’, não devemos deixar destruir as raízes da História, das tradições, dos nossos homens de grande valor, deixando-nos arrastar por fantasias condenáveis. Como dizia no início, se queimarmos a raiz da árvore, a Humanidade terminará a sua existência. E seremos mais um caso de extinção, depois do desaparecimento dos dinossauros. Temos que evitar a conflitualidade acerca do passado e concentrar as nossas energias em projectos inovadores e construtivos, procurando um futuro harmonioso num Mundo melhor em que todos sejamos felizes com bom relacionamento e mais justiça social.

A Humanidade, os países, sofreram solavancos que foram solucionados, embora com sacrifícios para muitas pessoas. Será bom que agora, já mais civilizados, evoluí- dos e esclarecidos, evitemos violências e procuremos um futuro mais agradável. Em vez de conflitos, usemos o diálogo para a convergência de esforços para uma paz estável, permanente.

A sociedade precisa que todos nós melhoremos o comportamento e, para isso, é bom que as pessoas com posição pública e audição lancem apelos, com sugestões construtivas para alertar as pessoas, como fez a cantora Miley Cyrus, a apresentadora Catarina Furtado, a Federação Escutista de Portugal, etc. O esforço não pode ser esperado apenas do Governo, mas de toda Comunicação Social e outras instituições, enfim de todos os cidadãos. ■

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quinta-feira, 18 de junho de 2020

É IMPERIOSO TERMINAR O TERRORISMO E OUTRAS VIOLÊNCIAS

É imperioso terminar o terrorismo e outras violências
(Public em O DIABO nº 2268 de 19-06-2020, pág 16 por A João Soares)

Fala-se de grandes alterações previsíveis para a vida humana no pós-pandemia com a vida social de todos os níveis a passar a ser diferente. Convém conjugar todos os esforços para que a mudança seja para melhor com a vida mais harmoniosa, mais solidária e com mais respeito pelos outros humanos; e uma coisa que há que terminar, sem demora, é o terrorismo gratuito, sem benefícios para os seus criminosos e sem consideração pelos seres inocentes cujas vidas ou terminam ou ficam a arrastar-se com sofrimentos atrozes.

Tenho visto muitas imagens de relacionamento pacífico e amigável entre animais ditos irracionais, de espécies e raças diferentes, que constituem lições de ética a seguir pelos humanos, principalmente pelos praticantes de actos agressivos contra pessoas inocentes sem disso tirarem benefício. A ONU e outras instituições internacionais, e a própria Justiça, devem ser dotadas de regras que lhes permitam exercer prevenção e repressão de actos que prejudiquem vidas inocentes.

Devemos aprender a compreender e a tolerar as outras pessoas, mesmo que pensem de forma muito diferente, e não devemos incitar à violência contra elas. Porém, a tolerância deve ser usada de parte a parte e ninguém que ofende os outros pode estar convencido de que está correcto e que não está livre de uma reacção violenta. Por isso, é fundamental que as pessoas aprendam a ser educadas e respeitadoras para evitarem atitudes racistas quer de uns quer dos seus contrários. Não há duas pessoas iguais e devemos respeitar as diferenças e aprender a conviver com todos que queiram conviver connosco. Isto é, devemos ser todos amigos, mas sabemos que a realidade tem tonalidades por vezes desagradáveis e não podemos perdoar a quem não procura merecer perdão. Mas não perdoar não significa agredir até à morte.

E assim, com falta de ética e de civismo, há pessoas mal formadas que alimentam ambições e interesses geradores de hostilidades inconfessadas e por vezes intoleráveis. Mas que alguém movido por interesses anti-sociais chegue ao ponto de cometer actos de terrorismo, isso deve ser motivo para aplicação de uma lei correspondente ao ditado “quem com ferros mata com ferros morre”. É certo que a pena de morte está fora de moda, mas parece que acabará por regressar às opções da Justiça. Para adiar tal regresso, deve ser iniciado um sistema de educação que contenha as pessoas dentro de normas de respeito pelos outros. Quem não tem respeito pela vida dos outros não pode exigir respeito pela sua.

Quanto a variações de terrorismo, há quem o agrupe em variados tipos, de que passo a citar alguns: “indiscriminado”, que atenta contra população civil, não especificada e provavelmente inocente; “selectivo”, assente na chantagem, em tortura, no terror psicológico, etc; “terrorismo de Estado”, acções policiais, etc; “comunal ou comunitário”, com manifestações violentas e atentados para debilitar a produtividade de população, ligados ao narcotráfico e outros interesses não confessados; “nacionalista”; “de organizações criminosas”, etc.

O esforço para eliminar a violência da vida da humanidade não pode deixar de começar pela preparação das pessoas para cada uma, no seu ambiente social, ser o mais civilizada possível, sabendo tolerar os outros, ser solidária, colaborar para uma vida melhor em todos os aspectos. E ao subir na escala social deve colaborar com as autoridades para impedir exaltações perigosas e denunciar pequenos ou grandes perigos que contrariem o objectivo de se criar uma sociedade harmoniosa e unida para os melhores objectivos de interesse colectivo. À Justiça deve ser fornecida legislação que permita uma autoridade e um prestígio que permita eliminar autores de actos atentatórios de vidas de pessoas, só por vil prazer ou por interesses não justificáveis. E essa acção judicial deve também visar quem se serve do terrorismo para fins anti-sociais financiando grupos de criminosos. Desta forma se colaborará na construção de uma Humanidade mais civilizada após terminada a pandemia que nos assustou. ■

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sexta-feira, 12 de junho de 2020

PARA SAIR DESTA CRISE PARA MELHOR

Para Sair desta crise para melhor
(Public em O DIABO nº 2267 de 12-06-2020, pág 16 por A João Soares)

Depois de ter lido vários textos acerca de mudanças que surgirão na vida da humanidade, quer nas famílias e em meios restritos, quer em sociedades mais vastas, quer mesmo nas relações internacionais, recebi agora a posição papal, expressa em mensagem de vídeo em espanhol por altura da festa de Pentecostes em que, em vez de aconselhar, como seria tradição, a pedir o milagre de as mudanças serem para aspectos mais positivos, alertou para a realidade natural. E disse: “Das grandes provações da humanidade, entre estas a da pandemia, nós sairemos melhores ou piores. Não é a mesma coisa. Pergunto-vos: como querem sair disto? Melhor ou pior?”.

Realmente, quando sairmos desta pandemia, tudo será diferente e não poderemos continuar a fazer o que estávamos a fazer, e da forma como o estávamos a fazer. E será desejável que a vida da Humanidade seja melhor do que tem sido. O que depende dos governantes, mas não apenas deles, é principalmente de todos os cidadãos, que devem mostrar-se activos e conscientes ao ponto de impedirem qualquer fantasia de que não resulte benefício para a vida da população, principalmente daquela que tem sido mais explorada e tratada com menos justiça social.

Uma mudança grande será na parte tecnológica ligada à informática, que foi aproveitada como novidade por muita gente quer no ensino à distância quer no trabalho em casa por muitos empregados que, assim, reduziram o risco de ser infectados nos transportes e também durante o trabalho em áreas reduzidas com muito pessoal sem poder usar o distanciamento social. Mas também a saúde foi obrigada a rever todo o seu funcionamento e irá daí retirar lições que alterarão o sistema. E aí será notável o resultado de avanços na parte científica, de forma a reduzir hesitações e tentativas de solução que lavaram pessoas de dentro do sistema a afirmar que mais do que a pandemia do vírus, foi muito grave e dolorosa a pandemia do medo.

Mas, no caso de novas crises difíceis, embora as soluções tenham de ser precoces e imediatas, não devem ser precipitadas pelos políticos não especializados no assunto e que devem ter o bom senso de recorrer a opiniões bem fundamentadas, a fim de evitar criar pânico, por vezes mais nocivo do que o vírus. Para as decisões importantes as palavras, mesmo muito sonantes, pouco contam, sendo fundamental a orientação de decisões que produzam resultados benéficos e duradouros.

Mas palavras sensatas e pedagógicas, como as do Papa, devem começar a ser divulgadas, porque a nova sociedade deve ser estruturada pelos cidadãos que a constituem, de forma solidária, harmoniosa, em colaboração completa desde o trabalho mais elementar até ao topo da administração. E esta deve remunerar todos os trabalhos em função dos resultados obtidos. Por exemplo, muitas vezes em serviços públicos, no fim do ano o administrador recebe volumoso prémio, mesmo que o resultado anual da empresa ou do serviço tenha sido insignificante, o que causa mal-estar nos trabalhadores de cujo suor foram produzidos os resultados. Uma empresa deve funcionar como uma equipa por forma a todos os que nela trabalham, desde a base ao topo sentirem prazer e algum benefício nos resultados alcançados.

O facto de a pandemia ter atingido indiscriminadamente, ricos e pobres deve levar as pessoas a comportarem-se sem preconceitos de classe ou de nível de conta bancária. As pessoas devem ser respeitadas como seres humanos e avaliadas pelas suas obras e acções e não pelo fato e ornamentos que transportam. Cada coisa no seu lugar e no momento adequado. E a Justiça deve ser rápida e eficaz, com isenção e sem se sujeitar a pressões de políticos ou de financeiros poderosos.

Se o povo se comportar como vivendo em verdadeira democracia e rejeitando restrições aos seus direitos e liberdades e votando segundo um são conceito de defesa dos interesses nacionais, constantes da Constituição, poderá responder à pergunta do Papa: “Queremos sair disto para melhor”. ■

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quinta-feira, 4 de junho de 2020

NÃO DEVEMOS REJEITAR INOVAÇÕES

Não devemos rejeitar inovações
(Public em O DIABO nº 2266 de 05-06-2020 pág 16. Por A João Soares)

As controvérsias fazem parte inerente da pesquisa científica. O filósofo francês Edgar Morin afirma que uma teoria só é científica ser for refutável e que em ciência nada deve ser considerado dogmático. Por isso, não devemos recusar inovações mas, ao tomar uma decisão estratégica, destinada a regular a vida futura, devemos ponderar com o maior cuidado e profundidade as suas vantagens e inconvenientes, tendo sempre em atenção os condicionamentos actuais e previsíveis que influenciarão a sua concretização. Se rejeitarmos, levianamente ou por receio excessivo, aquilo que nos parece ter riscos, podemos estar a aceitar a paralisia e a estagnação da vida, o que é grave, principalmente, quando se trata do futuro de um Estado. Assim, é preocupante quando se ouve um alto responsável afirmar, sem explicação cuidada e com ar aparentemente seguro, que a virtude está em prometer a continuidade dos assuntos socioeconómicos e a estabilização e recuperação das soluções que podem ter parecido boas durante a crise actual.

É imperioso não ter medo de fazer mudanças e verificar que grandes passos em frente, na História Nacional, foram devidos a decisões corajosas que podiam ser criticadas por demasiado ousadas e perigosas pela tradicional calma passiva do nosso povo. É aplicável a este conceito a posição do ‘Velho do Restelo’ que Luís de Camões descreve na sua obra épica. Porém, a coragem não deve ser confundida com inconsciência, capricho fantasioso ou atrevida ousadia, pois devem ser bem ponderadas as prováveis vantagens e inconvenientes a fim de serem obtidos os melhores resultados para o melhor futuro dos portugueses. É conveniente que, neste momento, com grandes perspectivas de evolução em variados aspectos da sociopolítica mundial, as decisões estratégicas não se confinem a recuperar a vida anterior à pandemia e, muito menos, não se agarrem à continuidade de algo que tivesse vantagens para um ou outro sector mas sem interesse para a globalidade dos portugueses. Tal visão estratégica de melhorar os interesses essenciais de Portugal deve contar com a colaboração de pensadores nacionais e especialistas dos temas a abordar e das soluções a procurar, e que sejam independentes sem ligações a partidos nem a grandes grupos económicos para não se perder esta oportunidade de procurar o melhor para o futuro dos portugueses e para o engrandecimento do nosso País.

Tem havido muita gente a apontar como exemplo países que reconheceram que as medidas de confinamento foram demasiado restritivas e sem tomarem em consideração aspectos peculiares que não deviam ser abrangidos por regras gerais, e olhando para indesejados resultados para a economia, os serviços fundamentais, etc., e que estão a alterar todo esse projecto, como o Japão e vários países europeus, controlando os resultados e não vendo inconveniente no abrandamento das restrições aplicadas. Das pessoas que se colocaram ao lado do alívio do isolamento exagerado destaca-se a médica Margarida Abreu, que afirmou que pior do que a pandemia do Covid-19 foi a pandemia do medo que tolheu muitos cérebros e criou consequências de difícil eliminação e os muitos crimes de violência doméstica que afectaram muitas famílias da pior maneira. Os inconvenientes de ordem psicológica foram muito notados. Embora não haja certezas e previsões dogmáticas, podemos abraçar a realidade dos “factos que acompanhamos diariamente: o despertar da solidariedade e a oportunidade de reforçar a consciência das verdades humanas que fazem a qualidade de vida: amor, amizade, comunhão e solidariedade”.

Muitos pensadores à semelhança de Edgar Morin, sem darem uma ideia clara do que será a vida social nos próximos meses e anos, confessam a incerteza mas admitem que surgirão soluções totalmente discordantes da vida anterior à pandemia. Será um mundo novo e imprevisível. Oxalá se caminhe para mais amizade e solidariedade, com mais respeito pelas pessoas e menos apego doentio ao dinheiro e que as sociedades sejam mais pacíficas e harmoniosas. A criação do futuro está nas mãos dos governantes que devem ter a honestidade de perscrutar os reais interesses da população em geral, sem privilegiar injustamente ‘elites’ alheias aos mais altos interesses da Nação, como conjunto de todos os cidadãos. ■

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sábado, 23 de maio de 2020

PRECAUÇÃO NO DESCONFINAMENTO

Precauções no desconfinamento
(Public em O DIABO nº 2264 de 22-05-2020, pág. 16).Por A João Soares)

A pandemia gerada pelo Covid-19 apanhou desprevenidas as pessoas em geral e os governantes em especial, de tal forma que, para tentar evitar os contágios generalizados, impuseram regras drásticas que trouxeram grande paragem de sectores da economia. Mas há pessoas atentas que analisaram os elementos de que tiveram conhecimento e sugeriram o abrandamento das imposições mais lesivas dos direitos humanos, quer dos seus movimentos quer das suas actividades, e esboçou-se o fim do desconfinamento.

Por cá, as medidas de abrandamento foram generalizadas por todo o país, mas noutros países como a Espanha houve graduações entre as grandes cidades e regiões, onde as infecções foram mais numerosas e graves, e mais suaves para o interior, onde os casos ocorridos foram raros e episódicos. Durante as restrições mais rigorosas, houve casos que fizeram meditar. Por exemplo, o dono de um cão podia sair de casa para passear o animal de estimação, o que lhe tornava possível sair de casa quase durante todo o dia, acompanhado pelo cão, porque não era controlado quanto à quantidade de saídas e à duração de cada uma. Mas não lhe era permitido sair só, e se o fizesse e fosse interceptado por um polícia, seria multado. Ora com cão ou sem ele, devia ser permitido dar um pequeno passeio sem se afastar muito de casa sem se aproximar das pessoas que encontrasse e indo agasalhado; em piores circunstâncias devia ser obrigado a usar máscara, para evitar ser atingido pelos efeitos de uma tosse ou um espirro de pessoa infectada (que essa devia estar sempre em casa).

Devia haver uma mentalização geral de que a melhor defesa contra os efeitos do vírus deve ser levada a cabo por cada pessoa, devendo ter um comportamento adequado de higiene pessoal, manter o distanciamento social aconselhado, medir a temperatura e estar prevenido com analgésico para o caso de sentir pequeno mal-estar. E agir sem pânico mas sempre com calma e serenidade. Procurar conhecer as opiniões de pessoas credenciadas, sem a elas aderir obstinadamente, mas para compreender melhor a complexidade da situação que afinal não justificava pânico, mas sim prevenção, cuidado. E perante as medidas de abrandamento da quarentena, convém não embandeirar em arco, porque a falta de cuidados pode ser grave e trazer a agudização da situação geral. Na Alemanha, o Instituto Nacional de Virologia Robert Koch, responsável por monitorizar a evolução da pandemia, relatou pouco depois do desconfinamento um aumento na taxa de infeção (RO) - o número médio que uma pessoa infectada pode contaminar - que passou para níveis potencialmente perigosos, subindo de 0,7 para entre 1 e 1,1 em poucos dias. Isso, como tem sido dito por muitas autoridades internacionais, tem de ser assumido como uma situação cuja resolução depende todos nós mas, dadas as suas consequências sociais e económicas, convém ser encarada com muita sensatez e determinação pelas autoridades públicas com espírito de harmonia e de cooperação, e com sensibilidade e respeito pelos direitos das pessoas.

Na gestão do confinamento e da sua evolução não deve haver uma regra rígida aplicável a todos e em qualquer lugar da mesma forma, porque há, de norte a sul, grande variedade de situações de risco, devendo cada uma delas ser encarada de acordo com as vantagens e inconvenientes para as pessoas, a sociedade e a economia. Mas sem deixar de respeitar as precauções individuais convenientes para impedir o alastramento da infecção. É indispensável que cada cidadão esteja consciente do seu dever de colaborar para a extinção da pandemia, agindo da melhor forma para não se deixar contaminar nem ir infectar terceiros. Devemos ter consideração pelos outros, mantendo a distância, usando máscara a tapar a boca e o nariz, em lojas e locais onde tal é aconselhado. ■

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sexta-feira, 15 de maio de 2020

PREPARAR O FIM DO «CONFINAMENTO»

Preparar o fim do “confinamento”
(Public em O DABO nº 2262 de 08-05-2020, pág 16, por A J Soares)

Chegam notícias de muitos países onde foi posta em prática a clausura das pessoas em casa, como medida de prevenção do Covid-19 e que cedo se aperceberam que tal cuidado foi exagerado e devia ter sido condicionado a alguns casos bem definidos; mas, agora, estão a normalizar cautelosamente tal condicionamento, para evitar as consequências em estabilidade mental das pessoas e na estagnação da economia e de outros aspectos sociais e religiosos. Psicólogos e psiquiatras apontam probabilidades de ocorrerem efeitos mais ou menos graves de frustração, ansiedade e medo, preocupação, angústia, incerteza, solidão, aborrecimento, tristeza, falta de esperança, etc. que acarretam riscos consideráveis para a saúde mental.

Entre nós, houve excepções à lei que obrigava à contenção em casa, como pessoas que tiveram de se deslocar para satisfazer serviços imprescindíveis, para passearem os cães domésticos e para efectuar a reunião na AR no dia 25 de Abril. Isto é, pessoas privilegiadas por quem a lei (que, como tal, devia ser geral) foi ignorada ou desrespeitada. Mas, tal como a conveniência assumida de os cães irem à rua, também seria positivo que as pessoas pudessem ou devessem, diariamente, dar pequenos passeios ao ar livre, cumprindo as regras de higiene e do distanciamento social, para exercício das pernas e para respirar ar puro, diferente daquele que, em recintos fechados, é respirado depois de ter sido expirado por outras pessoas.

O nosso Governo prometeu abrandar o rigor da “mumificação social colectiva”, movido mais pela consequência da paragem da economia do que por respeito às liberdades das pessoas. Os velhos (há quem prefira o termo idosos, cuja terminação é igual à de mentirosos, ranhosos, manhosos, etc), salvo raras excepções, são pessoas com muito saber acumulado quer pelo estudo quer pela experiência da vida, e que, em muitos casos, se encontram em perfeitas condições de autonomia, e de uso dos seus direitos (inclusive o direito a correr alguns riscos), não podem ser sonegados, embora pela sua saúde já debilitada fossem a maioria das vítimas do Covid-19. Por isso, não deviam ser colocados num mesmo conjunto e servir de pretexto para a contenção em restritos espaços fechados. Não foram beneficiados, mas sim, na maioria, desprezados sem poderem ver os familiares mais jovens.

Agora, há muitos países com tradições de avanço em civilidade e sensatez e com equipas governantes atentas às palavras de professores e pensadores, independentes de ideologias populistas, que reconheceram ser desumano o exagerado estado de emergência e preparam a abertura da economia de forma gradual e a libertação das pessoas para poderem usufruir as suas liberdades de viver em boas condições, mas usando de cuidados adequados de higiene pessoal e de distanciamento social que tornem mais segura a sua situação perante o malfadado vírus.

Perante esta situação, o progressivo abrandamento das condições desumanas da contenção deve ser orientado por objectivos estratégicos de grande prazo, para não se correrem riscos evitáveis e para se iniciar uma sociedade mais responsável defendendo a saúde de todos e preparando o país para uma recuperação da economia em moldes mais aceitáveis, de continuidade e rentabilidade. Há dias vi uns sinais de desenvolvimento da agricultura, actividade que, pela forma como ocorre ao ar livre, proporciona condições muito salutares e com boas imunidades. E a sua produtividade é essencial para a sobrevivência em casos de dificuldades de transporte para importação de produtos estrangeiros.

Também o turismo, que está muito afectado e com aspectos de difícil recuperação, pela perda de confiança no exterior, deve ser pensado de forma mais cultural, tornando-se mais enriquecedor do saber e da informação sobre o Mundo mais desejável que se pretende. Não basta mostrar monumentos a serem fotografados, mas ensinar as condições e as motivações da sua criação, enriquecendo, assim, a imagem que os turistas levam do nosso país.

E termino com palavras de apreço aos nossos profissionais da saúde que não olharam a esforço e risco para salvarem a saúde das pessoas. E também aos jovens artífices que iniciaram o fabrico de produtos variados, úteis aos que vivem mais em risco.

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DEVEMOS RESPEITAR OS VELHOS

Devemos respeitar os velhos
(Public em O DIABO nº 2263 de 15-05-2020, pág 16)

Uso o termo “velho” porque não gosto de ser arrastado pelos caprichos que alteram a estrutura da nossa Língua e “idoso” não enriquece o substantivo e fazem-no rimar com mentiroso, horroroso e outras palavras abomináveis. Prefiro “velho” porque significa detentor de muito saber e experiência da vida, o que levou os sobas africanos a terem um Conselho de Velhos a que recorriam sempre que tinham de tomar uma decisão importante para a tribo.

Agora, por azar das nações, os governantes e seus assessores consideram os velhos como uma “peste grisalha” e preferem tomar decisões por palpite ou capricho, o que muitas vezes origina erros demasiado insensatos que os obriga a alterações e emendas, tornando as burocracias confusas e sem garantia de se aguentarem por muito tempo. Por isso as leis são duvidosas e deixaram de ser “sagradas”.

A condenação dos velhos ao confinamento forçado e sem qualquer hipótese de arejar leva um constitucionalista a afirmar que “os idosos não devem ser submetidos a medidas extremas de isolamento social. Ainda não é proibido ser velho”. O isolamento social, sem sequer poderem contactar os descendentes, é um exagero com excepções ilógicas. Um cidadão sem cão, tem que vegetar encerrado nas quatro paredes de casa, mas se tiver um cão pode passar o dia praticamente todo na rua, porque não é possível controlar quantas vezes passeia o cão e quanto tempo demora cada passeio. Sem cão, o velho pode ser condenado a morrer da cura da pandemia. A tal rigor têm sido reconhecidos inconvenientes de âmbito mental psicológico, de saúde pública, de economia, de justiça. Quantos doentes morreram por terem sido parados os tratamentos, as consultas e as cirurgias? E muitos dos que não morreram podem ter piorado e abreviado o fim da vida.

Não é por acaso que muitos países evoluídos reconheceram o erro de terem imitado outros com restrições exageradas e decidiram rever os seus sistemas de confinamento, permitindo aos seus cidadãos mais actividade em liberdade, mas com regras de higiene, protecção, tratamentos e distanciamento social adequados. Nisso há um ponto marcante que é a séria e consequente formação ética, por forma a evitar infectar outros ou ser por eles infectado, porque ninguém tem garantia de não estar a incubar a doença ou de os outros estarem nessas condições.

E há quem diga que não se percebe quem é inimigo do povo, se o covid-19 ou se as autoridades demasiado autoritárias e pouco sensatas e esclarecidas. Há quem diga que está a ser aproveitada a oportunidade para, depois do falhanço, se criar a eutanásia, se estar a obter resultado semelhante criando solução geradora de incapacidade mental… para reduzir o número de velhos e a quantidade de pensionistas, para superar a crise social, ultrapassar a crise sanitária e aliviar a crise económica do Estado; mas, com isso, o País sairá muito diminuído como comunidade, a nível internacional. Devemos respeitar os velhos porque constituem um valor social e porque cada cidadão deseja vir a ser velho. Ninguém quer envelhecer para morrer, mas para continuar a viver, aproveitando aquilo que a vida lhe ensinou.

A vida constitui o milagre mais espantoso, mais indescritível e pródigo que nos calhou em sorte e é pena que, a pretexto da pandemia, tenham surgido tantas restrições às liberdades que a Constituição nos confere. A vida, se bem aproveitada, constitui um laboratório, uma escola, em que se aprofunda o significado da esperança e do amor, não apenas o amor aos familiares mas a qualquer próximo. E se a esperança e o amor forem bem interpretados na humanidade, esta passará a ser mais pacífica e harmoniosa, sem guerras nem ódios. Nisso, seria bom que aprendêssemos o que tem circulado em vídeos da vida animal.

A crise que mina a sociedade mostra que os velhos estão a ser tratados como uma desprezada periferia, e isso foi agora mais salientado. Estamos num estado de degradação da sociedade em que as pessoas já não morrem fatigadas da vida, mas simplesmente cansadas com o estado da humanidade. ■

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domingo, 3 de maio de 2020

JÁ NÃO SE PEDEM MILAGRES

Já não se pedem milagres
(Public em O DIABO nº 2261 de 01-05-2020, pág 16)

Depois de ler o artigo “Ainda haverá fé sobre a terra?”, n’O DIABO nº 2259, de 17-04-2020, procurei um apontamento esboçado há algum tempo e apresento-o aos leitores depois de lhe acrescentar algumas considerações complementares. Não devemos estar à espera de milagres.

A Humanidade é composta de todos os seres humanos. E é imperioso que haja ética, moral, respeito pelo próximo e pela natureza, e que seja generalizada a instrução para que cada um saiba desempenhar o seu papel de forma a agir em conformidade com esta ideologia. As religiões foram criadas por pessoas eticamente bem formadas, autênticos filósofos ou sábios, quando ainda não havia ciência e saber que ajudasse a compreender a Natureza em que se vivia. O politeísmo foi uma solução para dar resposta aos curiosos sobre os fenómenos que observavam: Sol, Lua, Vento, etc. e foram criados inúmeros Deuses, um para cada fenómeno que ainda não tinha explicação por ainda não haver ciência devidamente desenvolvida e acessível às pessoas vulgares.

O tempo foi passando e a sociedade modificou-se. Surgiram diversos polos de atracção quer de aspectos políticos, quer desportivos, quer económicos, quer tecnológicos que desviam as pessoas da fé religiosa, sem que esta fosse substituída. Por exemplo, a política tem levado as pessoas a concluir que nada é seguro e não podemos acreditar em nada nem em ninguém, mesmo na escrita que, até alguns anos atrás, era segura e garantida, hoje nada vale nem significa porque aquilo que se apresenta como afirmação indiscutível da obra que veremos amanhã, é negada poucas horas depois.

Uma das invenções mais dramáticas foi o dinheiro, que foi criado como necessário para facilitar as compras, substituindo as trocas, mas tornou-se na pior droga que existe e que é mais perigosa que qualquer outra, porque não tem o perigo de overdose, o que origina ambição, ganância, roubo, corrupção, sem respeito por nada nem por ninguém, tudo sem limites.

A religião, embora muito tenha resistido, não podia escapar à onda de cepticismo e, muitas vezes, não passa de ilusão, panaceia. Há dias, numa conversa em que havia um beato fanático, perguntei-lhe quais são as quatro lições que devem ser extraídas da segunda parte da oração “Pai Nosso”. Tal como milhares de “crentes”, que papagueiam as orações sem compreenderem o significado das palavras que dizem, ele sabia dizer a oração mas não via ali senão pedidos ao Pai. Ora o Pai, amantíssimo e justo, não faz favores a quem se comporta mal, a quem faz asneiras, não premeia quem peca, embora perdoe. A oração, nas palavras “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”, pede a Deus ajuda espiritual, saber, moral, para não sermos ambiciosos, gananciosos e contentarmo-nos com o necessário para viver; nas palavras “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” ensinam que devemos perdoar as ofensas dos outros para sermos perdoados das nossas desobediências às lições que recebemos de Deus, perdoando os erros dos outros para podermos ser perdoados dos nossos; as palavras “não nos deixeis cair em tentação” significam que devemos ter bom comportamento e usar de moral para não cometermos erros de ambição, de inveja, de ódio, de violência, de droga, etc. de que resulte mal para nós ou para outros. Enfim, devemos ser cuidadosos, bem comportados, prevenidos, para nos “livrarmos do mal”, das doenças, dos acidentes, etc. É pena que muita gente papagueie as palavras das orações sem tirar delas as lições pretendidas pelo Mestre.

E estas considerações também mostram que a acção de formação e educação por parte de sacerdotes é deficiente quanto ao desenvolvimento da fé, bem fundamentada e praticada pelos crentes. As festividades tradicionais não são suficientes para o reforço da fé, como bem explica o autor (Águia da Beira) no artigo atrás referido. A fé, a esperança e o optimismo, próprio da consciência limpa, geram felicidade. ■

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PARA QUÊ A ONU?

Para quê a ONU?
(Public em O DIABO nº 2260 de 24-04-2020, pág 16, por António João Soares)

A ONU pouco ou nada tem feito, praticamente, em favor da paz mundial, da segurança ou da qualidade de vida da humanidade. À custa dos Estados-membros, tem dado emprego a muita gente que gosta de “tacho” e de imagem, mas os cinco ditadores permanentes do Conselho de Segurança da ONU não chegam a acordo em assuntos de interesse global, usando do poder de veto que lhes é atribuído.

O caso da desnuclearização tem sido muito notado. Sendo indubitavelmente um assunto de interesse geral, nunca foi encarada frontalmente a sua aplicação de forma exemplar, pelo facto de qualquer desses cinco “donos do mundo” possuir armas de alta destruição e não mostrar interesse em se desfazer delas e, por outro lado, não a ONU, mas a América, tem procurado impor tal regra ao Irão e à Coreia do Norte, com sanções económicas. E fica-se a duvidar do papel real deste órgão, pretensamente poderoso, mas sujeito à vontade colectiva (raramente concretizada, devido aos interesses de cada um) dos cinco membros com direito a veto.

Perante as guerras que têm causado milhares de perdas de vidas no Médio Oriente, em alguns países como o Iraque, a Síria, o Afeganistão, etc. não se viu qualquer resultado da influência da ONU para restabelecer a paz e a segurança, para bem das pessoas.

Agora, perante a pandemia do Covid-19 que tem matado tanta gente, os membros do Conselho de Segurança nada têm feito porque, segundo eles, a perda das vidas de tantos milhares de pessoas não afecta a paz e a segurança. Porém a opinião de muitos pensadores mostra receio de que este fenómeno possa ser aproveitado para desencadear uma guerra entre os EUA e a China. E quem é o responsável pelas atitudes, ou falta delas, da ONU? António Guterres, que está limitado a “chefe de secretaria” e cercado de muitos burocratas que carecem de preparação e de regulamentação para agir em proporção da sua remuneração?

E quanto à China, ela pode não sair tão vencedora como parece, porque o fenómeno que originou a sua evolução muito eficaz em meados do século XVI pode agora acontecer a favor do Ocidente, que seja levado a meditar no fenómeno do Covid-19 e despertar da sua modorra de cinco séculos e definir novos rumos para a vida sócio-política e económica. Esta referência ao século XVI já aqui foi referida em artigo publicado em 1 de Novembro de 2019, citando o comentador político Kishore Mahbubaini. E nesse artigo era transcrita a frase de Napoleão Bonaparte “Deixem dormir a China, porque quando ela acordar, vai abalar o mundo”. Mas ela acordou e está já em competição com o Ocidente. Entretanto, o Ocidente adormeceu à sombra do sucesso antigo e, em vez de assumir e desenvolver a sua superioridade dos velhos tempos, procurou impor a superioridade militar, como acontece com os EUA que, ao menor pretexto, enviam tropas para pequenos países do terceiro mundo. Nisso, o Conselho de Segurança talvez devesse fomentar a estratégia dos 3M recordada no referido artigo – minimalista, multilateral e maquiavélica (com o significado de promover a virtude e evitar o mal).

Agora, com a crise gerada pela actual pandemia, o CS/ONU tem uma oportunidade de promover comportamentos de ética, sensatez e valorizando a virtude e evitando o mal, a fim de evitar que a China consiga abalar o mundo, com o seu sistema pacífico e insinuante que usa meios suaves de desenvolver a sua economia e sobrepondo os seus interesses económicos à generalidade dos países. É notória a preponderância do fornecimento de medicamentos e a produção de outros equipamentos de saúde além de muitos outros materiais de comunicação, de transporte, etc.

Embora estejamos em época com indícios de redução da globalização, parece imperioso que surjam estruturas de preparação de um futuro mais racional, solidário, respeitador das pessoas e da natureza, sem corrupção e sem apego doentio ao dinheiro. Governar deve ser pensar em melhorar a qualidade de vida da sociedade. A ONU devia ser uma escola de felicidade equilibrada entre todos os graus das sociedades. ■

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