quarta-feira, 24 de março de 2010

Ditadura do Lucro Virtual

Porquê investir no emprego? Despedir é mais vantajoso

Excerto do livro - UMA ESTRANHA DITADURA - de Viviane Forrester

Nos nossos dias, a riqueza já não reside na posse de espécies palpáveis, como o ouro ou mesmo o dinheiro: desviou-se, doravante pouco firme, imaterial, e agita-se, abstracto, furtivo, nos interstícios das transacções especulativas, na volatilidade delas. Provém muito mais dos fluxos especulativos do que dos objectos da especulação. É essa avidez, dirigida para frenesins virtuais, que provoca o devoramento instituído de todos e de tudo por uns poucos, e que se pretende universal, autónoma, livre de qualquer controlo, revelando-se ao mesmo tempo incapaz de se controlar.

É essa obsessão surda, que desemboca em operações delirantes, que entende conduzir o destino do planeta e que ameaça esse destino! Um desejo bruto, primário, irracional, de jogar não tanto com as posses mas com o instinto de posse em detrimento de tudo o que se lhe opõe ou pode atenuá-lo.

A ditadura do lucro, que leva a outras formas de ditadura, instala-se com uma facilidade desconcertante. Os seus meios são de uma grande simplicidade! O mais indispensável deles, a clandestinidade, é-lhe atribuído antecipadamente: mesmo que o lucro seja a chave de tudo, se estiver omnipresente, a sua presença fica sempre oficialmente ausente. Sem dúvida, é considerada adquirida de uma vez por todas, registada e tão banal, de facto, que fazer-lhe alusão seria supérfluo, mas seria sobretudo tido como primário, arcaico e sordidamente campónio, tendência submarxismo antediluviano.

O direito ao lucro, sempre em segundo plano, clandestino, é permanentemente subentendido, mas subentendido... como definitivamente entendido, como absoluto, irrefutável, em suma, de direito divino. Enquanto que, sempre aperaltado com o papel - o único que aceita - de fonte indispensável de abundância e de empregos, esse lucro parece apenas responder às exigências do dever, melhor, estar apenas votado a sacrifícios modestos e silenciosos. Anónimos, pudicos, aqueles que disso aproveitam com tanta abnegação procuram nunca ser citados. Rodeia-os a maior discrição, enquanto em contrapartida são denunciados como verdadeiros aproveitadores, e entregues à vindicta geral, esses desavergonhados, esses notórios açambarcadores: os empregados do sector público e os seus privilégios escandalosos, ou ainda os desempregados, esses calaceiros, vampiros da nação, vergonha das estatísticas, que desafiam o cidadão laborioso e se rebolam, à custa do Estado, na segurança dos seus abonos. À parte os imigrantes que nos esfolam, não se vêem outros beneficiários do lucro, que já não responde, aliás, ao nome de «lucro», e menos ainda de «benefício», mas sim ao de «criação».

E eis que aí vêm as famosas «criações de riqueza», presumivelmente para oferecerem imediatamente os seus tesouros à humanidade inteira. Com que satisfação, com que gratidão, com que admiração elas são evocadas, maravilhas surgidas graças aos seus «criadores», esses dirigentes da economia privada, de repente travestidos de mágicos! Sonha-se com a varinha de condão, com a caverna do Ali-Babá. Ora, de que riquezas se trata? De um enriquecimento da espécie humana? De progressos científicos, sociais? De grandes obras? De objectos essenciais, preciosos ou de grande utilidade? Não, mas de benefícios tirados de uma produção supostamente rentável. De nada mais. «Riquezas» reais, mas que enriquecem apenas os «empresários» e os seus accionistas. «Criações de lucros seria mais adequado».

Pelo menos, esses lucros traduzir-se-ão em empregos? Essas «riquezas» serão distribuídas? É o que nos anunciam, espectacular e incessantemente. Mas essa vocação está completamente ultrapassada: as empresas mais lucrativas despedem a toda a força; os seus decisores têm uma tendência irresistível, uma preferência indefectível pelo abaixamento do custo do trabalho. Porquê investir no emprego? Despedir é mais vantajoso. Já vimos, a Bolsa adora. E o que ela adora faz lei.

É, portanto, a especulação, escondida mas alimentada pelos mercados, que ganha e domina. Vimos que a partir dessas «riquezas» ou só do seu projecto, só da sua hipótese, mil e uma especulações delirantes poderão desmultiplicar-se, indiferentes a qualquer outra produção que não seja a de movimentos de capitais imaginados, enlouquecidos, dissociados da sociedade e de qualquer «riqueza» que não seja neofinanceira. «Riquezas» tão virtuais como voláteis, especulações, ou antes, apostas demenciais que sustentarão o que continuará a ter-se por Economia, a qual se intitulará sempre «economia de mercado» - uma pseudo-economia, de facto, situada a galáxias da esfera das riquezas tangíveis ou mentais com que sonham a justo título as populações, e que lhes são necessárias.

Se essas «riquezas» reclamarem cada vez menos trabalho humano, se provierem de cada vez menos activos reais e se nelas se investir cada vez menos, nem por isso deixa de se esperar dos seus «criadores», esses decisores da economia privada ou esses especuladores (muitas vezes são os mesmos) que, para bem de todos, façam surgir tesouros que supostamente escondam um maná de empregos e, tal como um rio se lança no mar, vão alimentar as empresas. As autoridades de todos os quadrantes e de todos os países celebram esses benfeitores como as «forças vivas da nação», únicos a dar provas de «dinamismo», de «audácia» e de «imaginação» no seio de populações supostamente plácidas e satisfeitas, assentes na segurança do seu RMI [Rendimento Mínimo de Inserção], dos seus subsídios de desemprego, dos seus salários de saldo, enquanto as nossas «forças vivas», intrépidas, são as únicas que «ousam» «correr riscos».

Que riscos? - poderiam ousar perguntar alguns espíritos maldosos. O de produzir lucros ainda mais colossais? Ou mesmo - é caso para tremer! - um pouco menos colossais? Isso seria esquecer os riscos assumidos por essas pérolas da nação quando deslocalizam as suas empresas precisamente para fora da nação, ou fazem fugir para longe dela os seus capitais!

Isso seria esquecer também o risco assumido de estragar o destino da maioria de outras criaturas terrestres e de sabotar as suas vidas únicas de seres vivos, de as manter na angústia e na humilhação, risco que chega mesmo, por vezes, ao ponto de as pôr na rua, literalmente, a pô-las em perigo, a fazê-las cair nesse perigo. Isso seria ainda esquecer o risco assumido, num mesmo impulso criador, de generalizar a miséria, de gerar infernos terrestres. Mas aí estão outros tantos desafios perante os quais os nossos generosos cruzados da criação nunca recuam. Eles garantem...

Louvados sejam eles, cavaleiros da competitividade, campeões da auto-regulação, da desregulação, cuja competência podemos glorificar rodos os dias! Às suas «forças vivas», a nação reconhecida...

Lucro? Você disse lucro?

Assim a clandestinidade do lucro, a sua autoridade, o seu fundamento já não têm que ser estabelecidos: estão antecipadamente convencionados, ordenados e antecipadamente calados. O lucro, subjacente em toda a parte, não está, no entanto, expresso em parte nenhuma, é ignorado em toda a parte, mas, está infiltrado em toda a parte, operacional no coração de todas as coisas - e é aceite sem que tenha sido formulada ou mesmo solicitada qualquer aquiescência consciente. Domina como um princípio sagrado, e reina, nunca evocado, mas razão de ser da ideologia que sustenta o regime e as suas obsessões.

Querem um exemplo destas? A competitividade. Entre as afirmações desferidas como argumentos definitivos, pronunciadas em tom peremptório, com a certeza de ter por si uma aquiescência geral, adquirida para sempre com conclusões nunca verificadas, é uma das mais frequentemente citadas - de forma bastante desprendida, aliás, e como que de passagem, de tal maneira a sua existência, a sua influência e as suas presumidas consequências parecem confirmadas de longa data.

«A competitividade obriga...», «A competitividade não permite...». Quantas carradas de despedidos, de deslocalizações de empresas, de reduções ou de congelamentos de salários, de reduções de efectivos, de estrago das condições de trabalho, quantas decisões desastrosas e perversas pretenderam justificar-se assim! E quantas vozes desoladas para exprimirem então a pena de terem tido que decretar, de terem tido que tomar as decisões-cutelo que a competitividade, ai de nós, exige!

Mas que representa ela? A questão nunca se coloca. Quem está em competição? De que lutas se trata? De que rivalidades? O que está em jogo? Qual é o seu poder ou a sua necessidade para que beneficie de tanta autoridade, para que seja dada ao mesmo tempo como fatal, inelutável e como um factor-chave da economia de mercado, ela própria apresentada e exigida como prova indispensável de democracia? Qual é a sua virtude para que o seu papel, previamente considerado preponderante, nunca seja explicitado, nunca seja analisado, e para que mencioná-la baste para evitar ou encerrar qualquer discussão, qualquer interrogação? Para que tudo tenha que ser concebido, organizado ou reformado em função dela, sem que jamais seja posta em causa? Para que sejamos deixados no vago e achemos normal lá ficar, admitir maquinalmente a competitividade como um fim em si, uma entidade face à qual não exista outra reacção possível que não seja submeter-se-lhe? E para que no fim de contas só essa certeza seja proposta – imposta, melhor – como evidente, indiscutível: é imperativo aceitar ser-lhe sacrificado. Mas, mais uma vez, porquê e a quê? Com que objectivo?

Recebido por e-mail de Maria João F

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terça-feira, 23 de março de 2010

Justiça entravada

Transcrição

A culpa colectiva dos males da justiça
Destak. 23-03-2010 21. Isabel Stilwll, EDITORIAL@DESTAK.PT

Em «resposta» a um dos meus textos em que se falava na descredibilização da Justiça, recebi uma carta de um leitor identificado, que argumentava que a culpa do mau funcionamento dos tribunais é essencialmente uma culpa colectiva. Porque os dados revelados me parecem importantes, deixo-vos como «um sortido de exemplos», como o autor lhes chama: «Cerca de 10% de todas as acções dos tribunais cíveis de Lisboa dizem apenas respeito ao incumprimento de contratos de financiamento da compra de carros em 2.ª mão, com juros a rondar os 30% (recentemente limitados), contratos esses celebrados apenas com uma única concessionária de crédito.

Incrível, mas verdade.

Uma outra elevadíssima fatia de acções respeita ao não pagamento de facturas de telefones móveis, de seguros de automóveis, de responsabilidades provenientes do uso de cartões de crédito. Ou seja, consumo, consumo e mais consumo estimulado de forma selvagem por todos os meios possíveis e imaginários. Além disso, não se pode escamotear que os tribunais (não) funcionam consoante as regras que lhes são fixadas por outros. E decerto que não pode deixar de ser assim.

Tem, porém, inteira razão o Sr. Presidente da República quando fala em leis mal feitas. O caso mais recentemente referido tem a ver com as alterações respeitantes ao divórcio e à regulação do poder paternal. Estava-se a ver que o efeito ia ser precisamente o contrário do pretendido. E foi. A litigância aumentou. Só mais um sobre as constantes alterações de leis ditas «estruturantes» do sistema.
O Código Penal publicado em 1995 teve até agora 24 alterações.
O Código de Processo Penal publicado em 1987 teve até agora 23 alterações. E outra, de fundo, está a caminho.
O Código de Processo Civil publicado em 1995 teve até agora 38 alterações.

Será isto razoável? Claro que há “curiosidades” como a de o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, 4.ª figura do Estado, ser eleita pelos seus (60) pares (alguns a cair da tripeça). «Mas essa regra também não foi naturalmente criada pelos próprios. Há uma lei da AR a dizer que é assim.» De facto.

NOTA: Com todas estas manobras de adaptar a Justiça a interesses 'evolutivos', a estabilidade e a consolidação só poderia ocorrer por milagre!!!

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Serenidade e sensatez próprias de um líder

Transcrevo o seguinte texto, porque, não sendo adepto do PSD (nem de qualquer partido) nem conhecer o Dr. Pedro Passos Coelho, penso sempre, acima de tudo, nos interesses de Portugal, de todos os cidadãos portugueses, e vejo este candidato, de entre todos, o menos viciado nas manhas da baixa política que, durante as últimas décadas, tanto nos têm preocupado e lesado.

Sereno e sensato, fiel aos seus princípios, mantendo-se acima das baixas discussões de «assinaturas» e outros pormenores de curto prazo e baixa cotação a nível nacional, dá mais garantias de vir a ser um líder que utilize a bússola e dê uma guinada no leme para levar o País ao bom rumo, em benefício das próximas gerações.

Os portugueses necessitam de um líder que os saiba conduzir para objectivos sensatos, isto é, ajustados às realidade do País e que estejam no ponto mais alto das capacidades de realização, tirando o máximo proveito de todos os recursos nacionais.

Este artigo aqui transcrito vem complementar o testemunho deixado pelo texto de Zita Seabra referido no post Argumentos bem fundamentados.


Quem tem medo de Pedro Passos Coelho?
Destak, 23- 03-2010. Luisa Castel-Branco

As eleições para o próximo presidente do PSD transcendem o partido porque conjugam as esperanças mesmo de muitos que nunca foram simpatizantes do partido. Portugal vive uma crise sem precedentes e necessita desesperadamente não de um salvador mas sim de alguém com ética e honestidade, com sentido de responsabilidade e uma visão de futuro.

Aliás, foi assim que o Sócrates ganhou as eleições. Uma boa parte dos portugueses acreditaram nele e na mudança prometida. Infelizmente, fomos enganados.

Eu acredito em Pedro Passos Coelho. Não porque sou amiga dele há mais de 25 anos. Não confundo amizade com o futuro dos meus filhos e da minha neta, do meu país. Apoio-o porque ao longo destes anos todos o vi manter-se fiel aos seus princípios. Aguentar as críticas que lhe eram feitas sem resvalar para as lutas baixas.

No último pseudo-congresso, feito unicamente para dar espaço aos recém-chegados candidatos, o meu amigo Pedro fez uma afirmação que interessou a muita gente deixar passar despercebida.

Quando terminou os seus mandatos como deputado e vice-presidente da bancada do PSD, Passos Coelho rejeitou a reforma dourada a que tinha direito por considerar indigna face aos outros portugueses, embora até os deputados do PCP a recebam. Fê-lo porque não precisava do dinheiro? Não, bem pelo contrário! Tinha filhas a sustentar e tirou o curso de economia sempre a trabalhar.

Em vésperas de eleições, Ferreira Leite, responsável juntamente com toda a sua Direcção pela falta total de oposição ao PS (não nos tomem por estúpidos, temos boa memória: Paulo Rangel e Aguiar Branco também lá estavam) afirmou há dias numa entrevista: “esperar que o próximo líder do PSD ganhasse não pela aparência física mas pelas ideias”.

Palavras para quê? É isto o PSD de hoje. É isto que temos de mudar a bem de todos.

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segunda-feira, 22 de março de 2010

Argumentos bem fundamentados

Zita Seabra, em crónica do JN, apresenta «Três razões para apoiar Pedro Passos Coelho».
Com amigos a argumentar de forma tão racional, este candidato está bem apoiado e não pode temer o futuro.
Quem desejar ler a crónica apenas terá que fazer clique no respectivo título.

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domingo, 21 de março de 2010

LIMPAR O PAÍS

Transcrição da crónica, com igual título, do padre José Maia no Correio da Manhã de hoje

A iniciativa que ontem, dia 20 de Março, ocorreu no país, que ficará a assinalar como um grupo de 3 pessoas que, emblematicamente, se apresentam como "não activistas ambientais, sem estruturas formais, sem estatutos nem burocracias, sem dinheiro". É verdade! Estamos em face de um tempo novo, o tempo das "redes sociais" que representam um poder imenso de mobilização das pessoas!

Começamos cada vez mais a compreender melhor que o tempo das grandes mobilizações de gente em centenas de autocarros e à rodem de potentes altifalantes de líderes religiosos, políticos, sindicais pertence ao passado!

Para o bem e para o mal, as "redes sociais" aí estão! Desta vez, ao serviço de uma boa CAUSA: LIMPAR PORTUGAL! Para já, é para limpar as lixeiras (13.500 em todo o país)! E se um dia esta ou outra muita gente decidir eleger como CAUSAS, por exemplo, a burocracia, a ditadura fiscal, o combate aos desigualdades sociais, o enriquecimento ilícito de gente que ganha imenso trabalhando muito pouco, a insegurança de pessoas e bens, a prepotência do Estado e de muitos dos seus Serviços Públicos na forma como muitas vezes trata os cidadãos?

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Limitar o valor das prendas

Transcrição .

Prendas e subornos
Correio da Manhã. 21 Março 2010 - 00h30, Por Francisco Moita Flores, Professor Universitário

Enquanto autarca aceitarei prendas que possam ser encaminhadas para o Banco Alimentar contra a Fome.

Quando tomei posse como presidente da Câmara de Santarém fui confrontado com a quantidade de prendas que chegavam ao meu gabinete. Era a véspera de Natal. Para um velho polícia, desconfiado e vivido, a hecatombe de presuntos, leitões, garrafas de vinho muito caro, cabazes luxuosos e dezenas de bolos-rei cheirou-me a esturro. Também chegaram coisas menores. E coisas nobres: recebi vários ramos de flores, a única prenda que não consigo recusar.

Decidi que todas as prendas seriam distribuídas por instituições de solidariedade social, com excepção das flores. No segundo Natal a coisa repetiu-se. E então percebi que as prendas se distribuíam por três grupos.

- O primeiro claramente sedutor e manhoso que oferecia um chouriço para nos pedir um porco.
- O segundo, menos provocador, resultava de listas que grandes empresas ligadas a fornecimento de produtos, mesmo sem relação directa com o município, que enviam como se quisessem recordar que existem.
- O terceiro grupo é aquele que decorre dos afectos, sem valor material mas com significado simbólico: flores, pequenos objectos sem valor comercial, lembranças de Natal.

Além de tudo isto, o correio é encharcado com milhares de postais de boas-festas que instituições públicas e privadas enviam numa escala inimaginável. Acabei com essa tradição. Não existe tempo para apreciar um cartão de boas-festas quando se recebe milhares e se expede milhares.

Quanto às restantes prendas, por não conseguir acabar com o hábito, alterei-o. Foi enviada nova carta em que informámos que agradecíamos todas as prendas que enviassem. Porém, pedíamos que fosse em géneros de longa duração para serem ofertados ao Banco Alimentar contra a Fome. Teve um duplo efeito: aumentou a quantidade de dádivas que agora têm um destino merecido. E assim, nos últimos dois Natais recebemos cerca de 8 toneladas de alimentos.

Conto isto a propósito da proposta drástica que o PS quer levar ao Parlamento que considera suborno qualquer oferta feita a funcionário público. Se ao menos lhe pusessem um valor máximo de 20 ou 30 euros, ainda se compreendia e seria razoável. Em vários países do mundo é assim. Aqui não. Quer passar-se do 8 para o 80. O que significa que nada vai mudar. Por isso, fica já claro que não cumprirei essa lei enquanto funcionário público. Enquanto autarca aceitarei prendas que possam ser encaminhadas para o Banco Alimentar. E jamais devolverei uma flor que me seja oferecida.

NOTA: Sugestão sensata, porque passar do infinito para o zero não dá resultado devido à prática tradicional. Assim, ainda seria aceitável receber um ROBALO, mas não um EQUIPAMENTO DE FUTEBOL, e muito menos um Ferrari!!!

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Propaganda duvidosa???

Cada um tem as suas crenças e ninguém tem o direito de lhe querer mal por isso, mas não é justo que se tente convencer os outros de coisas que vão contra a
a verdade, a lógica e os factos.

Segundo notícia do Público (faça clic para a abrir), Francisco Assis, líder parlamentar do PS, afirmou em Braga, no encerramento do Fórum Novas Fronteiras, “se olharmos para todos os outros governos, temos que concluir que fomos mais longe, fomos melhores e tivemos uma política com mais sucesso”.

Acreditarão os portugueses nesta frase de Francisco Assis? Do que me tem sido dado observar na opinião generalizada, isso só poderá ser verdade para os políticos que enriqueceram de forma ilegítima, à velocidade de um relâmpago, com apoio ilimitado aos boys coniventes, como assessores, como entachados em organismos do Estado e em empresas onde há capital público, como empresários beneficiados pelo tráfico de influências, etc, etc. As notícias têm sido convergentes no sentido contrário ao da afirmação do senhor deputado.

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sábado, 20 de março de 2010

O desejável e o real

Para serem tomadas decisões eficazes, bem ajustadas às realidades, para dar solução aos problemas, nomeadamente, quando estes são complexos, com efeitos determinantes nas vidas de outros, é preciso ter os pés bem assentes no chão, ajustando o real ao desejável. Isto é, tem que se «pensar antes de decidir», tem que se medir as palavras para que valham mais do que o silêncio.

Há um mês, o Sr. PM disse, veio nos jornais, «confio muito em mim», o que embora ele o dissesse, não o aponta como um líder, pois este é a pessoa em quem os outros confiam, de tal forma que são capazes de o seguir, sem hesitações, correndo os maiores perigos e enfrentando o sacrifício máximo. Isto seria desejável, mas a realidade, o que as suas palavras traduziram não passou de um sentimento de debilidade, de uma tentação de se gabar hedonisticamente.

Agora, em entrevista publicada no Jornal de Notícias afirmou que a «Comissão de inquérito só serve para me atacar». Mais uma declaração de fragilidade: considera-se atacado, vítima de ‘bullying’. Certamente, algumas razões existirão para isso, mas o desejável seria que houvesse motivos para se regozijar de os portugueses o elogiarem, por verem nele um líder, terem por ele admiração, apreço, respeito, e vontade de o defender perante eventuais críticas ácidas.

Como homem público e responsável político, o seu real valor não assenta naquilo que diz de si próprio mas naquilo que os portugueses pensam e dizem acerca das suas decisões e actos governativos.

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sexta-feira, 19 de março de 2010

METAmorfoses, TIREmorfores

Na Natureza tudo o que está mais ou menos independente da influência humana, normalmente agressiva para o ambiente, desenvolve-se segundo regras bem definidas, previsíveis desde os animais mais rudimentares que passam por metamorfoses até aos mais volumosos que têm um crescimento progressivo sem roturas visíveis. É um sinal de harmonia cósmica, do sistema causa e efeito.

Mas o homem, por falta de concentração, constância e coerência, ou por falsas intelectualidades que geram o desafio da inovação, da invencionice, da ostentação e visibilidade, foge ao que é natural, ao lógico , e cai muitas vezes, mais do que as desculpáveis, no pára e arranca, no avança e recua, o mete e tira. E isto acontece frequentemente com características patológicas. E a seguir à METAmorfose vem a TIREmorfose.

Há vários sintomas desta doença com aspectos de epidémica

O PSD fez um congresso em Mafra a que se deslocaram muitos militantes, para passar um fim-de-semana diferente, encontrar uns amigos que já não viam há muito, dar dois dedos de conversa para a direita e para a esquerda (na fila de cadeiras!) e pouco mais nestes momentos de «política de recreio». E, como bons portugueses, ao ser-lhes apresentada uma proposta cerceadora da liberdade de opinião e de expressão para ser votada nem pensaram de que se tratava e se deviam aprovar ou reprovar ou abster-se e o resultado foi «aprovado por unanimidade».

Mas como a moda é o mete e tira, no dia seguinte, alguns desses votantes afirmaram publicamente que uma das cláusulas tem que ser retirada na primeira oportunidade, que será um congresso em meados do próximo mês. Nessa data será de esperar que seja retirada por unanimidade, atendendo à capacidade de raciocínio e avaliação de um texto evidenciados em Mafra!

Outro caso relaciona-se com a promulgação pelo Presidente da República das alterações à Lei das Finanças Regionais aprovadas em Fevereiro pelo Parlamento. A aprovação em 5 de Fevereiro contou com 127 votos favoráveis - das bancadas do PSD, CDS, Bloco de Esquerda, PCP, Verdes e o deputado socialista Luís Miguel França, eleito pela Madeira - e teve 87 votos contra, da bancada do PS. Este, nesse mesmo dia, anunciou que iria pedir a fiscalização preventiva do diploma junto do Tribunal Constitucional. Porém, para não fugir à estratégia do ‘avança e recua’, o PS congratulou-se com a promulgação pelo PR. Parece que não eram muito consistentes, nem com sólido sentido de Estado as razões que levaram ao voto contra de 5 de Fevereiro.

Vai longe a guerra que desviou as atenções dos portugueses dos importantes problemas sociais e económicos, para a localização do Novo Aeroporto de Lisboa, acabando por o Governo ter desistido dos «fortes» argumentos favoráveia à localização na Ota.

Mas, nestas coisas do ‘pára e arranca’ não é preciso recuar terminar rapidamente o processo de revisão daquele diploma. Ficamos sem saber ao binómio Ota-Alcochete, por diariamente aparecem casos. Por exemplo, o Ministério da Educação, para fazer algo, decidiu unilaterlmente, introduzir alterações no Estatuto da Carreira Docente, mas como estas foram muito contestadas pelos sindicatos de professores, acabou por retirá-las com o argumento de assim terminar rapidamente o processo de revisão daquele diploma.

Em todos estes casos aplica-se a boa norma de Pensar antes de decidir.Com estes erros perde-se a confiança que se deve inspirar nos cidadãos e gastam-se recursos valiosos, um dos quais o tempo que é irrecuperável.

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Para salvar a Pátria

Transcrição:

Estou farto de salvar a Pátria
Texto de Henrique Monteiro, Director do "Expresso", publicado na edição do Expresso de 13 de Março de 2010

Quando comecei a trabalhar, a pátria precisava de ser salva dos desvarios do PREC e por isso pagámos mais impostos. Depois, nos anos 80, houve um choque petrolífero, salvo erro, e tivemos de voltar a salvar a pátria. Veio o FMI, ficámos sem um mês de salário e pagámos mais impostos. Mais tarde, nos anos 90, houve mais uns problemas e lá voltámos a pagar mais, para a pátria não se afundar. Por alturas do Governo de Guterres fui declarado 'rico' e perdi benefícios fiscais que eram, até então, universais, como o abono de família. Nessa altura, escrevi uma crónica a dizer que estava a ficar pobre de ser 'rico'... Depois, veio o Governo de Durão Barroso, com a drª Manuela Ferreira Leite, e lembraram-se de algo novo para salvar a pátria: aumentar os impostos! Seguiu-se o engº Sócrates, também depois de uma bem-sucedida campanha (como a do dr. Barroso) a dizer que não aumentaria os impostos. Mas, compungido e triste e, claro, para salvar a pátria, aumentou-os! Depois de uma grande vitória que os ministros todos comemoraram, por conseguirem reequilibrar o défice do Estado, o engº Sócrates vê-se obrigado a salvar a pátria e eu volto a ser requisitado para abrir mão de mais benefícios (reforma, prestações sociais, etc.), e - de uma forma inovadora - pagando mais impostos.

Enquanto a pátria era salva, taxando 'ricos' como eu (e muitos outros, inclusive verdadeiros pobres), os governantes decidiram gastar dinheiro. Por exemplo, dar aos jovens subsídios de renda... por serem jovens; ou rendimento mínimo a uma pessoa, pelo facto de ela existir (ainda que seja proprietária de imóveis); ou obrigar uma escola pública a aguentar meliantes; ou a ajudar agricultores que se recusam a fazer seguros, quando há mau tempo; ou a pedir pareceres para o Estado, pagos a peso de ouro, a consultores, em vez de os pedir aos serviços; ou a dar benefícios a empresas que depois se mudam para a Bulgária; ou a fazer propaganda e marketing do Governo; ou a permitir que a Justiça seja catastrófica; ou a duplicar serviços do Estado em fundações e institutos onde os dirigentes (boys) ganham mais do que alguma vez pensaram.

E nós lá vamos salvar o Estado, pagando mais. Embora todos percebamos que salvar o Estado é acabar com o desperdício, o despesismo, a inutilidade que grassa no Estado. Numa palavra, cortar despesa e não - como mais uma vez é feito - aumentar as receitas à nossa custa.
Neste aspecto, Sócrates fez o caminho mais simples. Fez exactamente o contrário do que disse, mas também a isso já nos habituámos. Exigiu-nos que pagássemos o défice que ele, e outros antes dele, nunca tiveram a coragem de resolver.

Texto recebido por e-mail de Maria João F

NOTA: Mas há muitos, das simpatias dos detentores do Poder, que ganham «pipas de massa», que recebem prémios sem se saber porquê, que recebem indemnizações por se despedirem em vez de pagarem penalizações por falta de resultados e por poucas vergonhas. E há também deputados e assessores em quantidade exagerada. E há ricos a ver perdoadas dívidas fiscais, e a continuarem a usar ‘off-shores’ para fuga aos impostos, etc, etc. É muito difícil ser obrigado a apertar o cinto para salvar a Pátria colocada em perigo por tais ricos.

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