quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Democracia existirá?

Transcrição do artigo de António Delgado no Jornal de Leiria desta semana, recebido por e-mail do autor a quem agradeço a gentileza.

Avatares da Democracia

Concordo com aqueles que tantas vezes afirmam que a democracia é o sistema menos mau de todos quantos existem. No entanto, sempre tenho a dúvida como se pode classificar, entre os existentes, qual dos regimes, pode ser coincidente com essa definição. Entre os inúmeros mitos difundidos nos nossos dias conta-se o de vivermos numa sociedade livre e democrática. Mas se analisarmos com atenção veremos que a liberdade e a democracia são estados de coisas que se têm de conquistar, cada dia e a cada passo. São muitas as barreiras que a obstaculizam. Se queremos ser realmente livres e determinar o nosso caminho e opções, devemos identificar primeiro e superar depois os obstáculos que outros postam para condicionar e decidir sobre as nossas ideias e os nossos comportamentos. Mas para isso é imprescindível ter a possibilidade de verificar se são correctas as convicções e os mitos que nos incutem através da escola, do trabalho e sobretudo dos meios de comunicação.

A democracia desenvolveu um grande número de leis com um só objectivo: diminuir a força (ou a riqueza, o poder, ou a criação do medo) de quem a tem para trespassá-la a quem não tem força. Como céptico, não estou certo de que essas leis sejam puras, creio até que estão tergiversadas para o contrário; ou seja, para manter o poder onde sempre esteve. O liberalismo económico, a politica de mercado, o capitalismo estrutural, dominaram as democracias do mundo ao ponto de reduzir as suas virtudes, como narram os jornais, sejam eles internacionais, nacionais e regionais. O facto das tecnologias digitais elevarem a informação ao paradigma de planetária, instantânea e compulsiva criou um espelho imaginário que se parte todos os dias em mil pedaços. Um dia, quem deseje saber como éramos, terá de entrar naquela Babel, ler os jornais e explorar os armazéns das nossas imagens. Nesse espólio encontrará muitas das paixões que nos moviam e os sonhos que nos alimentavam, que qualidade tinham os nossos crimes, como chorávamos e riamos. Toda a comédia humana actual, estará lá. O jornalismo junto ao cinema são no presente os grandes campos das nossas maiores fantasias. Pese termos deixado de saber distinguir cadáveres reais de desenhos animados e já não poder jurar se Al Capone foi um assassino real ou uma criação das sombras.

Apesar dos avatares, reconheço existir, nas democracias pluralistas, um progresso considerável em favor dos débeis. A medicina social, a pensão aos idosos, a protecção à mulher frente à prepotência do macho, ou a da criança frente ao homem e a mulher, são algumas das transcendências da ideia de democracia: não deixam de ser situações de luta, e têm de se defender cada dia do regresso ao antigo regime. Também penso que estes progressos da tendência de igualdade, valiosíssimos apesar de relativos, se conseguiram, sobretudo pela pressão do débil convertido em forte pela sua soma com os demais, e agora que os caminhos da sua colectividade estão desbravados, encontra-se outra vez ameaçado. É que a democracia remeteu a desigualdade para fora das fronteiras que considera naturais: as da sua riqueza e as da sua linhagem. Inclusivamente, dentro de um país, de uma cidade, de um bairro ou de uma escola, encontramos os democratas naturais e os tolerados, os permitidos e os assimilados, em maior ou menor medida, segundo o caso. Mas, uns são mais iguais que outros, afirmou Helmut Koester a meados do século passado. Nos tempos que passam, falta-nos um líder? O Dr. Soares crê que sim. Considerando referências próximas e focalizadas na sequência de Franklin Roosevelt a Helmut Kohl, pois não vislumbro outras. Serão estas homologáveis na actualidade?

Acredito que o objectivo distante da democracia não existe.

Não deixo de pensar nas democracias que votaram em líderes como Milosevic, Fujimori ou outros dirigentes homólogos, por todo o mundo. A organização dos países em Estados, com um chefe que arremeda monarcas, e em governos também com chefe – a palavra chefe faz-me suspeitar - indiscutível e único, parece-me uma adulteração da vontade popular.

Tenho dúvidas de que a democracia exista.

António Delgado
Professor Universitário

Ler mais...

O Glutão Devorador

Veja como tudo é fácil para o glutão devorador enquanto as vítimas continuarem apáticas e não reagirem com eficácia.

Ler mais...

Vida de executiva de sucesso

Transcrição de um texto recebido por e-mail que convém ler até ao fim

Uma executiva de sucesso bem-sucedida em acção

Foi tudo muito rápido. A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no peito, vacilou, cambaleou. Deu um gemido e apagou. Quando voltou a abrir os olhos, viu-se diante de um imenso Portal.

Ainda meio zonza, atravessou-o e viu uma miríade de pessoas. Todas vestindo cândidas túnicas e caminhando despreocupadas. Sem entender bem o que estava acontecendo, a executiva bem-sucedida abordou um dos passantes:

- Enfermeiro, eu preciso voltar urgente para o meu escritório, porque tenho um meeting importantíssimo. Aliás, acho que fui trazida para cá por engano, porque meu convénio médico é classe A, e isto aqui está me parecendo mais um pronto-socorro. Onde é que nós estamos?

- No céu.

- No céu?...

- É.

- Tipo assim... o céu, CÉU...! Aquele com querubins voando e coisas do género?

- Certamente. Aqui todos vivemos em estado de gozo permanente.

Apesar das óbvias evidências nenhuma poluição, todo mundo sorrindo, ninguém usando telefone celular, a executiva bem-sucedida custou um pouco a admitir que havia mesmo apitado na curva.

Tentou então o plano B: convencer o interlocutor, por meio das infalíveis técnicas avançadas de negociação, de que aquela situação era inaceitável. Porque, ponderou, dali a uma semana ela iria receber o bónus anual, além de estar fortemente cotada para assumir a posição de presidente do conselho de administração da empresa.

E foi aí que o interlocutor sugeriu:

- Talvez seja melhor você conversar com Pedro, o sindico.

- É? E como é que marco uma audiência? Ele tem secretária?

- Não, não. Basta estalar os dedos e ele aparece.

- Assim? (...)

- Pois não?

A executiva bem-sucedida quase desaba da nuvem. À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o próprio Pedro.

Mas, a executiva havia feito um curso intensivo de approach para situações inesperadas e reagiu rapidinho:

- Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou uma executiva bem-sucedida e...

- Executiva... Que palavra estranha. De que século você veio?

- Do 21. O distinto vai me dizer que não conhece o termo 'executiva'?

- Já ouvi falar. Mas não é do meu tempo.

Foi então que a executiva bem-sucedida teve um insight. A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão empresarial. Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático, a executiva poderia rapidamente assumir uma posição hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.

- Sabe, meu caro Pedro. Se você me permite, eu gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para esse povo todo aí, só batendo papo e andando a toa, para perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades para dar um upgrade na produtividade sistémica.

- É mesmo?

- Pode acreditar, porque tenho PHD em reengenharia. Por exemplo, não vejo ninguém usando crachá. Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e quem faz o quê?

- Ah, não sabemos.

- Entendeu o meu ponto? Sem controle, há dispersão. E dispersão gera desmotivação. Com o tempo isto aqui vai acabar virando uma anarquia. Mas nós dois podemos consertar tudo isso rapidinho, implementando um simples programa de targets individuais e avaliação de performance.

- Que interessante...

- É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma hierarquização e um organograma funcional, nada que dinâmicas de grupo e avaliações de perfis psicológicos não consigam resolver.

- !!!...???...!!!...???...!!!

- Aí, contrataríamos uma consultoria especializada para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e estabeleceríamos algumas metas factíveis de leverage, maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do Grande Accionista... Ele existe, certo?

- Sobre todas as coisas.

- Óptimo. O passo seguinte seria partir para um downsizing progressivo, encontrar sinergias high-tech, redigir manuais de procedimento, definir o marketing mix e investir no desenvolvimento de produtos alternativos de alto valor agregado. O mercado telestérico, por exemplo, me parece extremamente atractivo.

- Incrível!

- É óbvio que, para conseguir tudo isso, nós dois teremos que nomear um board de altíssimo nível. Com um pacote de remuneração atraente, é claro. Coisa assim de salário de seis dígitos e todos os fringe benefits e mordomias de praxe. Porque, agora falando de colega para colega, tenho certeza de que você vai concordar comigo, Pedro. O desafio que temos pela frente vai resultar em um Turnaround radical.

- Impressionante!

- Isso significa que podemos partir para a implementação?

- Não. Significa que você terá um futuro brilhante... se for trabalhar com o nosso concorrente. Porque você acaba de descrever, exactamente, como funciona o Inferno...

Max Gehringer
(Revista Exame)

Ler mais...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Justiça rápida e eficaz

A Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) reagiu de imediato às declarações de Emídio Rangel na Comissão Parlamentar de Ética, que esta associação considera ofensivas e, por isso, vai "fazer valer os direitos que a lei lhe confere para repor a verdade e o seu bom nome, através de uma queixa-crime e indemnização cível, pedindo essas responsabilidades ao jornalista Emídio Rangel".

Afinal a lentidão da Justiça que toda a gente refere, sem meias palavras, não se deve a falta de meios ou de capacidade de reacção oportuna aos crimes que preocupam as populações quer urbanas quer rurais. Como agora se vê, quando lhes toca na pele, saltam de imediato. Parece que o seu mal é faltar motivação para assegurar a justiça à população, aos outros. E isto acontece apesar de se denominar «órgão de soberania», embora não eleito democraticamente.

Recordo-me da onda de crimes praticados pelas FP 25 em Maio de 1983 (se a memória não me atraiçoa), numa conversa com um alto responsável por uma das Forças de Segurança sobre a situação e eu ter exclamado não imaginar na forma como aquilo iria terminar. Ele respondeu que não haveria muito a fazer enquanto os autores da onda de violência não fizessem uma carícia na anca de uma familiar de um político porque, quando isso acontecesse, quando os governantes se sentissem fossem atingidos através de familiares ou amigos, reagiriam logo, de imediato.

Parecia um vaticínio de sábio pois, pouco tempo decorrido, as FP 25 assassinaram o administrador da Fábrica de Louça Sacavém, amigo do então primeiro-ministro, o que levou este a reunir-se com os responsáveis pelas Forças de Segurança e pela PJ para agirem de imediato detendo todos os suspeitos. E o dia foi marcado, mas por a PJ não ter possibilidade de nesse dia deter simultaneamente todo o elenco, houve um adiamento por mais uns dias o que irritou seriamente o PM que, pelo facto, foi muito descortês para o Director da PJ.

Agora, a Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) seguiu o exemplo. Não posso recordar sem saudade esse meu amigo, já falecido, dotado de inteligência prática e visão clara e realista das mentalidades reinantes. E isto acontece agora só porque «Emídio Rangel acusa juízes de violarem segredo de justiça», coisa de que elementos do sistema de Justiça têm referido várias vezes através dos órgãos da Comunicação Social, embora por outras palavras.

Será de desejar que, a partir de agora, se torne bem visível a dedicação ao povo para quem todo aparelho do Estado, incluindo a Justiça, deve funcionar, a rapidez e eficácia que agora foi notória. Para Bem de Portugal.

Ler mais...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Código de conduta

Havia uma canção brasileira que tinha esta frase «Se eu era fraco, meu bem, ficava louco». Pois posso dizer que, se fosse fraco, ficava vaidoso. É que dos elementos da equipa do mentor político de Pedro Passos Coelho alguém concordou com a minha sugestão apresentada em 30 de Agosto de 2008 no post «Reforma do regime é necessária e urgente» em que referia a conveniência de «um pacto de regime com um código de conduta assinado por todos os partidos em que fiquem bem claros princípios de comportamento dos governantes e das oposições».

Com efeito a notícia «Passos Coelho propõe código de conduta ética para políticos» é o aproveitamento dessa ideia, que depois da formulação inicial atrás citada, já tinha sido reafirmada nos posts «Código de bem governar», «Ética na Política» e «Para um código de conduta dos políticos».

Já que a ideia foi agora aproveitada, sugiro que seja devidamente estruturada por uma equipa pluripartidária constituída por cidadãos que coloquem os interesses nacionais acima dos interesses partidários, de maneira que o código seja aceite e praticado por todos.

Por exemplo tem sido escandaloso um Governo parar obras iniciadas por outro, com total desperdício dos recursos já gastos. Por isso seria interessante que os grandes projectos só fossem decididos de forma que governos seguintes lhes dessem continuidade. Isso se passa com reformas na Saúde, na Educação, na Justiça, na Segurança Interna, nas Forças Armadas, na Administração Pública, etc. Não se compreende que se desmantele a Brigada de Trânsito e pouco tempo depois se considere sensato reactivá-la.

Ler mais...

Saramago disse

«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»
José Saramago – Cadernos de Lanzarote - Diário III – pag. 148

NOTA: Os políticos não privatizarão o Estado, não por pensarem nos cidadãos, mas apenas para benefício dos 'boys' com lugares de assessores, deputados, secretários de Estado, ministros, etc. E as outras privatizações não são completas para lá poderem colocar os meninos das jotas como o Rui Pedro e outros de competência familiar semelhante. A privatização é apenas parcial para garantir dinheiro para pagar os salários, prémios e mordomias aos parasitas do sistema.

Ler mais...

Compensação do mérito

Transcrição de um texto de Adrian Rogers, agora recebido por e-mail, que embora conhecido, vale a pena ser relembrado pela lição de «justiça social» e de incentivo ao desenvolvimento.

Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que ele nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma classe inteira.

Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e "justo." O professor então disse, "Ok, vamos fazer uma experiência socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas."

Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seria "justas." Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um "A"...

Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam "B". Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado. Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como resultado, a segunda média das provas foi "D". Ninguém gostou.

Depois da terceira prova, a média geral foi um "F".

As notas não voltaram a patamares mais altos mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram o ano... Para sua total surpresa.

O professor explicou que a experiência socialista tinha falhado porque ela foi baseada no menor esforço possível da parte de seus participantes.

Preguiça e mágoas foi seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual a experiência tinha começado. "Quando a recompensa é grande", ele disse, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável."

Veja abaixo...!

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustenta-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.

É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."

Adrian Rogers, 1931

Ler mais...

Democracia não é isto

Transcrição de um comentário de Mentiroso em resposta a outro, no seu blog A Mentira

Com efeito o regime mudou grandemente desde o 25 de Abril, como diz, mas nunca foi democrático. O que os políticos corruptos e os jornaleiros coniventes dizem jamais pode ser tomado como certo sem análise prévia e muito objectiva e ainda por comparação. Houve, sim, muita gente, incluindo alguns deles mesmos, que estiveram convencidos de que havia democracia, mas tal não aconteceu. O que se passou foi simplesmente os falsários apalparem o terreno durante muito tempo para se irem aperfeiçoando nas suas trafulhices enquanto convenciam o povo ignorante de que vivia em democracia.

Alguma vez leu artigos dos jornaleiros nacionais a explicar como se vivia o dia a dia e se procedia politicamente nos países tradicionalmente democráticos? Alguma vez leu algo sobre como os povos democráticos controlam os seus políticos para nunca chegarem a qualquer situação semelhante à nacional? Se lá se chegou foi porque os corruptos, com a ajuda imprescindível dos jornaleiros, convenceram os papalvos de que isto era uma democracia e de que em democracia era assim que se fazia. Já viu algum povo mais ignorante e incivilizado na Europa, à parte alguns eslavos?

Como foi possível chegar-se a esse ponto? De certo não foi por método democrático. Todas as soluções para se chegar a um fim democrático são válidas e de direito se não vai a bem deverá ir a mal. Como está é que não se pode continuar; tudo é corrupto, até a justiça.

Para ganhar a batalha – como refere – só pode ser pelo mais evidente e mais simples: o que está neste post. É esse o fundamento de vários destes posts e do meu comentário no seu blog. O futuro o demonstrará do mesmo modo que demonstrou o que no tempo do Cavaco previ o presente e está no meu site. Não era preciso ser bruxo nem mesmo inteligente; bastava fechar os ouvidos aos vendedores de banha da cobra e concluir a partir daquilo que se estava a passar. Na altura riram-se disso, agora chorem à vontade. Se ler aqui, está lá tudo, há anos. Tem um defeito: é muito longo. Mas como explicar a quem pensa já saber?

NOTA: Este texto deixa o apetite para visitar os textos linkados que são extensos, como o autor afirma, mas que são merecedores de cuidada reflexão sobre as realidades que nos vêm preocupando e as possíveis soluções para se conquistar um futuro mais prometedor e seguro.

Ler mais...

domingo, 4 de abril de 2010

Submarinos e 'Pandur'

Andavam os deputados e a comunicação social tão entretidos com os submarinos e eis que aparece a juntar-se-lhes outro tema, também fardado, as 'Pandur', para aumentar o entusiasmo da abordagem às suspeitas de corrupção.

Se esta incidência em materiais militares – autometralhadoras e submarinos - resultar num exaustivo e eficaz ataque a todos os casos de corrupção vindos a público, que seja bem vindo.

Mas se estes casos servem apenas para desviar as atenções de problemas graves como a saúde, as escolas, a justiça, a insegurança e criminalidade, a injustiça social e outros, então, em vez de serem encerrados daqui a alguns meses, será preferível encerrar já e dirigir as atenções e as energias para os problemas que afligem a quase totalidade da população.

Fica o assunto ao são critério de quem tem a responsabilidade de gerir os destinos da população, para esta passar a ter melhores condições de vida e motivos para alguma esperança no futuro dos filhos e netos.

Ler mais...

António Mexia com salários «obscenos»

Numa altura em que é notória a dimensão do fosso entre os salários mais elevados e os mais baixos, e o crescente aumento do número de pobres, em condições carenciais graves, merecem muita atenção os casos que vêm a lume.
Por isso se transcreve o artigo seguinte que refere afirmação de António José Seguro, cujos créditos subiram bem alto quando foi o único deputado a não votar a inesquecível lei de financiamento dos partidos. Honra lhe seja feita e que o destino lhe seja favorável.

Seguro considera "obscenos" salários de António Mexia
Diário de Notícias. 04-04-2010. por Lusa

O dirigente socialista António José Seguro considerou hoje "obscenos" os valores das remunerações referentes a 2009 pagas ao presidente executivo da EDP, António Mexia, que terão atingido 3,1 milhões de euros.

"Em fase de enormes dificuldades e de exigência de sacrifícios aos portugueses, é incompreensível como se atingem estes valores remuneratórios. É uma imoralidade!", refere o ex-ministro de António Guterres e ex-líder parlamentar do PS, numa nota colocada hoje no seu site antoniojoseseguro.com.

Em declarações à agência Lusa, António José Seguro reiterou esta posição e observou ainda que a EDP é a empresa mais endividada do mercado de capitais português com 14,007 mil milhões de euros (mais 117 milhões do que em 2008).

De acordo com informação enviada pela EDP à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), António Mexia recebeu em 2009 mais de 1,9 milhões de euros em remunerações fixas, variáveis e prémios plurianuais, ou seja, 0,19 por cento dos 1,024 mil milhões de euros do lucro da eléctrica.

António Mexia recebeu, em 2009, 700 mil euros em salários fixos e 600 mil euros em remuneração variável (que varia segundo objectivos atingidos). A estes valores junta-se um prémio plurianual de mandato de 1,8 milhões de euros, que entra nas contas de 2009 e que corresponde a 600 mil euros por cada um dos três anos.

Assim, o presidente executivo da eléctrica portuguesa irá receber este ano um total de 3,1 milhões de euros, quando a assembleia geral de accionistas, marcada para 16 de Abril, aprovar as contas de 2009.

Ler mais...