domingo, 10 de dezembro de 2006

Cada Mosqueteiro em seu galho

Acordo cedo e funciono com um grafismo do tipo urofluxograma, dando a maior eficiência na início do dia. E o dia de hoje, 10 de Dezembro começou logo de manhã com três curiosos temas pra reflexão: Palavras de Alberto João Jardim e de Francisco Loução e referências a uma entrevista de Nuno Morais Sarmento.

Quanto ao primeiro, considerei-o mais ou menos igual a si mesmo, com uma frontalidade meritória na defesa da região pela qual é responsável, embora usando o habitual tom de que poucos gostam. É pena que poucos líderes usem de tal energia em defesa daqueles que de si dependem, como os governantes e como os chefes militares (como ficou evidente na abordagem do tema no programa prós e contras).

Quanto ao segundo, apesar da forma sensacionalista e, por vezes, exagerada com que apresenta factos a merecerem ser resolvidos, foi muito convincente ao defender um sério ataque à corrupção, seguindo o percurso do dinheiro, principalmente daquele que viaja pelos paraísos fiscais. Recordei-me de uma notícia recente que dizia que «Stands vendem quase 80 carros de luxo por dia» e que «nos 11 primeiros meses de 2006 foram vendidos no País em que o poder de compra dos mais desprotegidos diminui, os seguintes carros» e referia mais de 26.000 carros, por marcas, de elevado preço próximo da centena de salários mínimos. È realmente urgente que se combata a corrupção que está a colocar o Poder real nas mãos de pessoas que não são eleitas e nunca o seriam, se o voto seguisse critérios morais.

Quanto ao terceiro, trouxe-me à memória o livro de Daniel Estulin «Clube Bilderberg, os Senhores do Mundo», edição do Círculo de Leitores. Nuno M S foi convidado pelo Clube para uma recente reunião anual, o que significa que está fadado para altos cargos no País e no Mundo, à semelhança de Guterres e de Durão Barroso que também tinham sido convidados. Curiosamente, Cavaco Silva foi eleito Presidente sem ter sido apadrinhado pelo Clube, mas houve da parte deste o cuidado de cedo lhe entregar o catecismo, que veio pela mão de Henri Kissinger, um dos colaboradores mais preferidos de David Rockefeller. Nuno soube estar numa actividade discreta durante largos meses, mas agora vai sendo oportuno evidenciar-se para preparar a conquista do seu partido, com vista ao futuro que pretende.
Enfim uma manhã bem iniciada!!!

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sábado, 9 de dezembro de 2006

Honra, dignidade, isenção ?

Recebido por e-mail de pessoa de confiança. Agradeço qualquer achega para confirmar ou contraditar esta notícia.

O Ministério da Defesa Nacional (MDN) contratou onze pessoas em regime de tarefa e avença com a justificação de “insuficiência de funcionários ou agentes para o exercício das funções”, apesar de a Administração Directa e Indirecta do Estado contar com cerca de 569 mil empregados.

Entre a lista de contratados, a que o CM teve acesso, sobressai o nome de André Salgado de Matos, professor assistente da Faculdade de Direito de Lisboa, com um salário mensal de 4797 euros.

Notícia do "Correio da Manhã" de hoje.

NOTA: Este senhor foi o que esteve presente no "Pros e Contras" da passada 2º feira e que tão acèrrimamente defendeu o indefensável, que é o Estado não dar cumprimento à legislação referente aos militares e que o próprio Estado publicou.
Pudera.....Estava a defender o "Tacho".

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A estrada da vida

A estrada da vida (texto muito oportuno de Luís Filipe Esteves)

A vida, é como uma estrada, com buracos, com lombas, com cruzamentos e com pontes.

Cabe a cada um de nós optar, pelo caminho que queremos seguir.

Por vezes, com medo de tropeçarmos num buraco, preferimos seguir na berma, optando assim por uma vida recta e sem sobressaltos.

Esquecemo-nos que é no caminho que está a magia da descoberta, que é nas quedas que aprendemos, e é no levantar que descobrimos, a magia do que nos rodeia.

É no desconhecido que se encontra a maior prenda.

A de fazer parte do puzzle que é esta sociedade em que vivemos.Já poucos ousam pisar a estrada, com medo de serem atropelados, mas entre os que não prezam a vida, outros há que nos alimentam o gosto pela mesma.

Ter um segundo que seja para pisar a estrada e caminhar, é um privilégio de poucos, dos quais menos ainda tiram proveito.

Encontrar alguém que caminhe connosco, que caia connosco e descubra os caminhos escondidos, e as ruelas perdidas, é uma benção que tantos desperdiçam, por medo, por arrogância e por pensarem que á frente uma melhor companhia virá.

Todos nós já cometemos estes erros, todos nós já optámos mal, mas para todos esses que ainda estão aqui em frente da estrada... está na hora de dar a mão a esse alguém, de olhar para os lados, ver quem nos rodeia, e tentar ser feliz, porque só o facto de ter tempo para optar, já é a maior prenda que se pode ter.

Natal é todos os dias, Natal, é quando o Sol nasce, Natal é quando o céu se enche de estrelas, Natal é quando uma pequena mão aperta a nossa em busca de calor, Natal é estar vivo e caminhar pela estrada da Vida, simplesmente caminhar, olhar, amar e sonhar.Feliz Natal para todos!

Luis Filipe Esteves

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sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Parlamentar ou para lamentar?

Parlamentar ou para lamentar? Exemplos dados ao povo pela AR

No JN de hoje, Paulo Baldaia, sob o título «Para Lamentar», refere o incidente par(a)lamentar de no Parlamento não aparecerem as chaves para abrir uma sala onde os representantes do Parlamento Europeu pudessem reunir-se para analisarem os dados do relatório sobre os voos da CIA. E começa por dizer «Perdi a conta ás vezes que tive de me referir a um incidente parlamentar como sendo algo para lamentar. Corredores da Assembleia vedados aos jornalistas. Votações que não se fazem por falta de quorum na véspera de um fim-de-semana prolongado. Salas fechadas à chave para impedir que se realizem reuniões. Parece que não há forma de impedir os deputados de mancharem a fraca imagem que têm perante o País.»

Tudo isto é paradigmático para o civismo do nosso povo nas suas vidas diárias. Um exemplo de muita nobreza, no bom estilo da política reinante! E o jornalista não refere os efeitos da actividade parlamentar ou par(a)lamentar, como as leis abstrusas que não são cumpríveis, como, por curioso exemplo, a que lhes diz directamente respeito, a das finanças dos partidos, que estes não cumprem (os jornais noticiaram a posição do TC a propósito). Há também o caso dos inquéritos parlamentares que nunca produzem conclusões que justifiquem a sua existência, de que soube um exemplo curioso, o referente à corrupção de um deputado líder distrital de partido da oposição, em que o redactor do inquérito, do partido do governo, deitou muita água benta, porque «nestas coisas temos de ser camaradas, porque amanhã podemos estar em posições inversas», mas mesmo assim, o prazo de entrega foi prorrogado (veio nos jornais), para serem feitos alguns ajustamentos, acabando por ser arquivado, sem qualquer procedimento. Agora, a Comunicação Social informa que esse deputado (líder distrital!) está a contas com a PGR por fraudes e corrupção de muitos milhões, citando casos de pastas cheias de notas e outros, tudo para lamentar.

Em que devemos acreditar? O que devemos respeitar? Em que devemos depositar as nossas esperanças para o futuro dos nossos netos? Cada cavadela sua minhoca.

Permito-me transcrever a carta que, a propósito do incidente par(a)lamentar de 12 de Abril, enviei aos jornais e que foi publicada, entre outros, pelo Público de 20 de Abril.

Deputados a mais
(Publicada no Público em 20 de Abril de 2006, p. 4)

Há vários anos se ouve falar que Portugal, tendo em conta a sua população e a sua área geográfica, tem deputados a mais. É uma opinião generalizada mas é inconsequente porque aqueles senhores, tendo a faca e o queijo na mão, não abdicam daqueles numerosos «postos de trabalho» ou, usando maior rigor, postos de recebimento.

Mas, neste momento, já não se trata apenas da opinião dos martirizados contribuintes. Mais de metade daqueles privilegiados demonstraram publicamente que a AR tem mais do dobro dos deputados que devia ter. Só assim se compreende que 119 deles tivesse concluído que a sua presença não era necessária no plenário de 12 de Abril. Só que o regulamento da AR exige pelo menos metade nos plenários, o que impediu que o mesmo funcionasse. Para o País, nada se perdeu, a não ser os vencimentos indevidamente recebidos pelos funcionários que nem sequer ao plenário comparecem. Mas os restantes colegas, embora menos de metade, viram gorada a virtude da sua assiduidade de funcionários responsáveis.

Isto faz recordar as palavras de Jorge Sampaio na vila de Sátão, num dos momentos menos herméticos do seu discurso, quando apelou à luta contra a campanha antipolítica. Comprovadamente, o então PR escolheu mal o local e a audiência daquelas palavras. Teria sido mais ajustado pronunciá-las no palácio de S. Bento onde tal campanha é alimentada com estímulos permanentes.

E só posso concluir perguntando quando, havendo logicamente deputados a mais, os poderosos decidem reduzi-los para o número indispensável, aliviando dessa forma os impostos e reduzindo o tão falado défice? Isto, para não falar do mau exemplo dado por estes senhores aos trabalhadores do País que lhes pagam os vencimentos e os inúmeros benefícios.

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Qual a vocação do País? Será mesmo o turismo?

O Diário de Notícias trás hoje o seguinte título «Sobreiros geram nova colisão entre Grupo Espírito Santo e o Governo», referindo-se a um megaprojecto turístico no concelho de Benavente, com um investimento avaliado em 200 milhões de contos, já alvo de notícias em Maio de 2005.

Não nutro simpatias pelo GES, mas acho que Portugal tem de saber conviver com as grandes empresas e tirar daí benefícios para a riqueza nacional, isto é, para o nível económico e social de todos os portugueses. Há que definir prioridades e, depois de uma profunda análise dos recursos e das potencialidades de desenvolvimento, optar por uma estratégia coerente e sustentada ao longo de muitos anos, sem funcionar como catavento ao sabor das mudanças de governo.

Sobre este assunto enviei, em 16 de maio de 2005, a seguinte carta aos jornais que foi publicada em alguns, e da qual não tenho que retirar uma vírgula.

Definir prioridades, é necessário.

O caso do abate de sobreiros em Benavente estimula reflexões extensivas e diversas. Além da eventual responsabilidade criminal, da delicadeza política e da alegada falta de seriedade nas datas da decisão, surge a importante questão de se saber qual a vocação da economia portuguesa, dos objectivos e dos interesses nacionais. Estes são pontos de capital importância que devem ser definidos em consenso pelos principais partidos, porque constituem directrizes permanentes que não devem circunscrever-se a um mandato e ser alteradas logo a seguir.

De pequenino, aprendi que não posso comprar um bolo e continuar a ter o dinheiro. Cada benefício tem os seus custos. Se queremos turismo, necessitamos de estâncias adequadas a atrair os visitantes, acolhê-los bem e dar-lhes as melhores condições de permanência. Certamente que para elas serem construídas, terão de ocupar terreno e impedir certos tipos de vegetação. Da mesma forma, se é pretendido reduzir a desertificação do interior, por exemplo, do distrito de Castelo Branco, é preciso criar ali empresas que ocupem mão-de-obra e incrementem o turismo que incentive a economia e o emprego. Mas, optando por isso, não pode continuar a defender-se a todo o custo um espaço naturalmente abandonado às pedras e ao mato, só pelo facto de se encontrar perto da serra da Estrela, a ponto de impedir a construção de uma estância de turismo em Belmonte.

Não se pode querer uma coisa e o seu oposto, simultaneamente. Se querem priorizar o ambiente e a natureza, juntem-se os partidos e decidam em consenso que o objectivo de Portugal é ser um museu arqueológico e histórico ao dispor de eventuais visitantes de mochila e sandálias que não precisam de hotéis mas apenas de campos de campismo rudimentares. Então, ficaremos a compreender a «coerência» na intransigência da defesa da «natureza», das pegadas dos dinossáurios (vejam-se os benefícios para os portugueses das pegadas de Belas que aumentaram dois milhões de contos aos custos do túnel da CREL e daquelas da Pedreira do Galinha, comprada pelo Estado por quinhentos milhares de contos) e das gravuras do Côa (repare-se o desenvolvimento económico, social e cultural para a região, em troca da falta de uma barragem que fazia parte de um ambicioso programa de aproveitamento hídrico).

Senhores governantes, ficamos à espera que nos expliquem os objectivos que querem para o País, a fim de nós podermos pensar no futuro e para, se for caso disso, planearmos para onde emigraremos e o que iremos fazer.

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quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Salário mínimo tem perdido poder de compra

É interessante apreciar estes elementos publicados pela agência LUSA

Salário mínimo de 2007 compra menos 18,2% do que o de 1974

O poder de compra do salário mínimo nacional (SMN) decidido para 2007, de 403 euros, caiu 18,2% desde o ano da sua criação, em 1974, segundo as contas da agência Lusa utilizando dados do INE.

O salário mínimo nacional foi criado pelo decreto 217/74, de 27 de Maio e vigorou a partir do mesmo dia, com um valor de 3.300 escudos, que equivale a 16,5 euros.

Dividindo pelo valor acumulado da inflação até 2007, considerando para 2006 a inflação mais provável de 3,1% e para 2007 o valor de 2,1% previsto pelo governo, os 403 euros equivalem a 13,5 euros a preços constantes de 1974, o que significa menos 3 euros a preços de 1974 do que o valor do primeiro SMN.

A análise da Lusa considera sempre o valor do SMN mais elevado em cada ano, independentemente do mês de entrada em vigor (nalguns anos não foi alterado e em 1989 foi aumentado duas vezes).

Refira-se que, inicialmente, existiam três salários mínimos diferenciados (regime geral, trabalhadores agrícolas e serviço doméstico), mas em 1991 os trabalhadores rurais foram integrados no regime geral, enquanto que, no caso do serviço doméstico, a distinção acabou em 2004.

Se considerarmos o valor real mais elevado de sempre do SMN, atingido em 1975 (4 mil escudos, equivalentes a 17,3 euros de 1974), os 403 euros definidos para o próximo ano ficam 22% abaixo deste máximo real.

Se aceitarmos para os anos de 2008 a 2011 taxas de inflação de 2,0% ao ano, então o salário mínimo anunciado para 2011 (500 euros, equivalentes a 15,4 euros a preços de 1974) comprará menos 6,7% do que os 3.300 escudos em 1974 e valerá menos 11% do que os 4 mil escudos de 1975. O SMN, medido a preços constantes de 1974 e convertido para euros, registou um poder de compra máximo em 1975 (17,3 euros) e um mínimo em 1984 (10,5 euros a preços de 1974).

Diário Digital / Lusa
06-12-2006 18:32:58

NOTA: É preocupante a situação de «crise» indefinida, e não sentida por todos, que obriga os que não pertencem à oligarquia do Poder a apertar o cinto e a voltar a apertar mais e mais. É preocupante ninguém explicar quais são realmente os objectivos destas restrições, a sua duração no tempo, as condições que farão inverter o aperto, os benefícios já adquiridos com os sacrifícios já feitos, a distribuição dos apertos pelas vária camadas sociais, incluindo políticos, dirigentes de institutos e empresas públicas, a redução de assessores, de carros, de comissões de inquérito e outros sorvedouros de dinheiro, a redução de «estudos» encomendados a estranhos à função pública, etc., etc.

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Novo CEMGFA

O novo Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas (CEMGFA), general Valença Pinto, ao tomar ontem posse, disse que as restrições impostas pela «condição militar» implicam que os militares beneficiem de um «tratamento específico». Considera que a condição militar é «um valor que pertence ao Estado, por ser garante de acrescida liberdade e independência da sociedade nacional» que impõe a «servidão constante» e «define para os militares um estatuto próprio e singular».

Embora estas palavras não contenham nada de novo, são oportunas e convenientes para esclarecimento dos políticos e apaziguamento dos espíritos dos militares. Oxalá o Sr. Generl Valença Pinto, para bem de Portugal, não deixe de continuar a ser o homem de objectivos firmes, bem definidos e persistentes e de estratégias sabiamente flexíveis que se conhece. Os militares têm os olhos nas suas atitudes e esperam muito da sua forma de encarar os problemas.

A «condição militar» tem um preço a ser pago pelo Governo e a que este se tem furtado, incoerentemente, desprezando as leis que por ele elaboradas.

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terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Os políticos e os militares

Num programa da RTP1, em 4 de Dezembro, com vários participantes, militares e civis, foi largamente discutida a situação envolvente do «passeio» no Rossio do passado 23 de Novembro. Em conversa tão ampla, parece que devia ter ficado mais enfatizada, embora tivesse sido abordada, a questão fundamental que julgo consistir no significado da «condição militar» tão utilizada pelos políticos para exigir a obediência passiva dos cidadãos armados e tão ignorada pelo Poder no que respeita às correspondentes obrigações do Estado embora bem expressas na lei.

A condição militar consiste numa espécie de contrato imposto pelo Estado em que aos militares são exigidas restrições nos direitos, liberdades e garantias constitucionais e em que, por outro lado, o Estado se compromete a compensar esse sacrifício com apoios diversos, claramente legislados pelo Poder.

O Governo deixou de cumprir os deveres do Estado nesse contrato, pelo que este deixou moralmente (e creio que judicialmente) de poder ser citado para exigir sacrifícios aos militares. Num contrato de prestação de serviços, se o cliente não cumpre a sua parte, o fornecedor não é obrigado a cumprir a sua, isto é a prestar o serviço, o que significa que deixou de ser válido.

Apesar disso, os governos, com o pretexto da condição militar, têm prejudicado gravemente, escandalosamente, os militares, em comparação com os juizes e professores, como no programa da RTP1 ficou provado com números que traduzem a evolução dos respectivos salários, na última década, pelo facto de eles não poderem reivindicar com greves e manifestações de rua, como estes têm feito.

Se o Estado não cumpre a lei, por ele próprio elaborada, perde autoridade moral para fazer exigências aos militares. É certo que estes, por educação militar, por formação profissional, não estão vocacionados para greves e manifestações sindicalistas, que consideram menos dignas e lesivas da defesa dos interesses da Pátria até ao sacrifício da própria vida, como juraram. Mas não é o Governo que tem autoridade moral para os criticar a propósito do «passeio» no Rossio, depois de os ter tratado como simples funcionários públicos.

A solução ideal consistirá em o Governo cumprir as leis de que ele e a Assembleia da República têm a paternidade. Tendo o primeiro-ministro afirmado que a lei é garantia de liberdade e é para ser acatada por todos, não se compreende que seja o Governo a dar o mau exemplo do seu não cumprimento.

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segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Magistrados com pensões milionárias

Transcrição de artigo do Correio da Manhã

Justiça - Reformas acima de 5 mil ( cerca de 15 salários mínimos), Jorge Paula

O ex-procurador-geral distrital de Lisboa, para cujo cargo ainda não há substituto, é um dos contemplados.

Três magistrados, entre os quais o ex-procurador-geral distrital de Lisboa, Dias Borges, viram as suas pensões de reforma, acima dos 5500 euros (mil e 100 contos), um valor que ultrapassa o vencimento-base mensal do primeiro-ministro (5366 euros), publicadas na última lista da Caixa Geral de Aposentações.

João Dias Borges, reformado como procurador-geral adjunto ao serviço da Procuradoria Geral da República, vai receber uma pensão de 5581 euros e três cêntimos, quantia idêntica à de Fernando José Barreto Pires Rio, juiz desembargador, que esteve colocado no Conselho Superior de Magistratura.A estes dois magistrados, junta-se o juiz conselheiro, do Supremo Tribunal de Justiça, Jorge Augusto Pais Amaral, que, pela categoria profissional, se reforma com uma pensão superior à dos dois anteriores: 5748 euros e 46 cêntimos.Estas três pensões de reforma têm em comum o facto de serem superiores ao vencimento-base mensal do primeiro-ministro, que é de 5366 euros e 60 cêntimos e que serve de referência para o tecto salarial no novo Estatuto do Gestor Público.O combate às ‘reformas douradas’ – incluindo as subvenções vitalícias dos políticos (à excepção dos anteriores Presidentes da República, “pela dignidade do cargo”) ou o sistema complementar de pensões no Banco de Portugal – e aos vencimentos ‘sumptuosos’ dos gestores públicos e/ou titulares de cargos políticos tem sido um dos ‘cavalos de batalha’ deste Governo. O argumento é o de que “desta vez, os sacrifícios são para todos”.Ou quase...

CÂNDIDA NÃO QUER LUGAR. A directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), Cândida Almeida, diz não desejar abandonar este cargo até ser colocada junto do Supremo Tribunal de Justiça. Admitindo ter falado com o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, sobre o cargo agora vago (procurador-geral distrital de Lisboa), Cândida Almeida desmente um convite ou “recusa formal”.

NOTA: É um escândalo que um reformado que nada produz, que não tem que representar o seu serviço, que não tem que dignificar o cargo, que não tem de ostentar aparência para subir na carreira, que não tem filhos a estudar receba mais de 7 ou 8 salários mínimos. Isto é uma delapidação do erário público. É de lamentar que nenhum Governo tenha posto cobro a isto. O aperto do cinto é só para aqueles que nem sequer podem ter barriga.

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domingo, 3 de dezembro de 2006

Eficiência na comunicação

Usando do diálogo que a Internet possibilita, alinho estas frases após ter sido estimulado a «escrever bem» pela escritora Alexandra Caracol através do texto que inseriu no seu blogue e que aqui deixo entre aspas. Escrever ou falar bem é indispensável no acto da comunicação com o outros.
Ao comunicar, estamos a desempenhar o papel do carteiro em relação à ideia que pretendemos levar, comunicar, ao outro. Ao transmitirmos uma ideia, não basta ficarmos satisfeitos pela forma como o fizemos, mas devemos imaginarmo-nos na pele do receptor e avaliarmos a facilidade de ele extrair do texto a ideia que com este quisemos enviar. Para a comunicação ser eficaz, sem deturpar a mensagem, há que utilizar uma linguagem comum, com palavras de significado bem conhecido tanto pelo emissor como pelo receptor. Este conceito fica bem evidente quando a comunicação é cifrada, o que obriga a que os dois intervenientes usem a mesma chave para codificar e descodificar.

Para bem escrever é preciso conhecer bem a língua utilizada, a sua gramática e a força das palavras. Mas antes de alinhar as palavras e as frases, é imprescindível clarificar a ideia, isto é, PENSAR, raciocinar, o que hoje é um luxo pertencente a muito poucos. Os próprios governantes, caiem em contradições e incoerências frequentes, por não saberem raciocinar sobre os dados por eles próprios anteriormente estabelecidos. Há que racionalizar o encadeamento das afirmações e dos considerandos que a suportam, procurando a maior clareza do pensamento e a sucessão dos argumentos para ser fácil ao receptor ficar de posse completa da ideia que lhe foi entregue. Já me aconteceu ver texto meus preparados com grande dose de ironia serem interpretados em sentido oposto ao desejado por a ironia não ter sido apercebida por alguns leitores.

Cada um de nós tem de procurar a excelência em todos os seus actos e ajudar os seus familiares e amigos a fazerem igual esforço. Não somos obrigados a morrer ignorantes nem incapazes de falar e escrever bem. Expor de forma correcta um tema, conduz-nos a um melhor conhecimento, em consequência do esforço de raciocínio para preparar a exposição, o que evidencia a interacção entre os dois momentos.

A comunicação e a escrita aprendem-se. Noutros tempos, as escolas, os professores de Português incitavam os alunos a escrever bem sobre temas, uns impostos e outros livres. Tive um professor que nos mandava fazer resumos de partes dos Lusíadas e outras obras e, todas as semanas, fazíamos uma redacção sobre «o caso da semana» e, na segunda-feira, eram chamados uns tantos para lerem o seu trabalho e todos fazíamos a seguir a crítica. Também as publicações tinham concursos de contos e outras redacções dando prémios simbólicos aos melhores. Hoje, impera o facilitismo, com a ideia de que o que é preciso é que nos façamos entender. Só que muitas vezes não se entende e faz-se uma interpretação errada, como é o caso de muitos contratos, de que resultam problemas.

Actualmente, o computador veio dar uma grande ajuda à escrita. Aquela frase que veio à mente quase no fim do texto é facilmente inserida a meio ou no início, no local onde melhor se enquadre na estrutura do texto, não havendo, por isso, desculpa para o ziguezague do percurso em que se repete um aspecto ou se avança e recua no fluir da expressão.

Saber escrever, saber comunicar, aprende-se e incrementa-se com o estudo, a experiência
E a análise de bons textos. A divisão das orações (A TLEBS que e desculpe se o termo já não é este) constitui um teste essencial pra verificarmos se uma frase está correcta.

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