quinta-feira, 28 de novembro de 2019

ATENÇÃO AOS POTENCIAIS INIMIGOS

Atenção aos potenciais inimigos
(Public em O DIABO nº 2239 de 29-11-2019, pág 16. Por António João Soares)

Nunca se deve deixar de avaliar os inconvenientes de uma escolha que sirva de base a uma decisão importante. Isto é válido a todos os níveis e, principalmente, a nível de pequenas ou grandes potências, em que não se devem negligenciar as capacidades de decisão, de planeamento e de acção de potenciais inimigos. Sobre esta regra, a Arábia Saudita está a dar uma boa lição na forma como gere e apoia a acção do Estado Islâmico, na sua expansão geográfica.

A Europa, com os seus valores éticos de generosidade e humanidade, abriu as portas a refugiados das guerras na Síria, no Iraque, na Líbia, etc. mas não tardou muito a sentir graves inconvenientes, ao sofrer os efeitos de falsos refugiados que lhe vinham minar as tradições e a cultura sem proporcionais benefícios para a economia e o bem estar local. A insegurança sentida em diversos Estados gerou preocupações nos mais caridosos, que passaram a compreender os cuidados dos mais hesitantes para evitar receber migrantes indiscriminados. Os analistas mais independentes chegaram a previsões de que, dentro de algumas décadas, a Europa atingiria o ponto de nem sequer ser uma pálida ideia do seu passado histórico, da sua economia, e da sua harmonia social. Assim se começou a olhar com mais realismo para aquilo que passou a ser considerado uma invasão, bem planeada, sem violência exagerada para, com uma reduzida resistência, atingir o domínio total. Isso deu aso a precauções. Mesmo fora da Europa, o Presidente Trump mostra interesse em preferir imigrantes com capacidade e competência para contribuir para melhorar a economia americana, tornando-a mais competitiva e, ao mesmo tempo, servindo de prémio a trabalhadores válidos que não conseguiam emprego compatível nas suas origens. Dessa forma, evita os imigrantes fantasiosos que apenas iam criar problemas vários, inclusive de segurança, que pode atingir grau demasiado preocupante, organizando movimentos violentos.

Perante este despertar das autoridades ocidentais para a avaliação do poder do seu inimigo, da sua estratégia cuidadosa para evitar ser detectado na gravidade dos seus planos e acções, a Arábia Saudita também passou a olhar com mais realismo para a dificuldade previsível inerente a uma, mesmo muito disfarçada e progressiva, invasão do Ocidente. E, assim, há sinais muito claros de uma mudança de estratégia, passando a iniciar a expansão territorial do Islão e a redução das outras religiões, pela África e pela Ásia, onde os governantes são mais fáceis de dominar e têm menos capacidade de reacção. Segundo esta nova estratégia a Europa ficará para uma fase mais adiada e será organizada segundo os factores de força então mais decisivos.

A apoiar esta previsão estratégica, surgiram as seguintes notícias:

No Sri Lanka, no Domingo de Páscoa houve explosões em três igrejas e três hotéis de luxo que provocaram a morte a 156 pessoas, entre os quais 35 estrangeiros, entre eles um português, sendo expectável que o número de vítimas mortais venha a subir, dado o elevado número de feridos.

Na Síria, onde havia uma relativa tranquilidade desde a aplicação do cessar-fogo de Setembro, passados oito meses a violência recrudesceu e os confrontos entre os rebeldes e as forças governamentais, que eclodiram a 30 de Abril, causaram em duas semanas 180.000 deslocados.

Pouco tempo depois, no Burkina Faso, mais de 20 homens armados entraram numa igreja católica, interromperam a missa e mataram um padre e cinco outras pessoas a tiro antes de pegarem fogo à igreja, a lojas e a um café próximos. Este foi o terceiro ataque a igrejas católicas no país em cinco semanas.

Agora Macron actualizou o seu ponto de vista sobre a cooperação, a defesa e a necessidade de reforçar os vínculos entre países.

A união faz a força. ■

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quinta-feira, 21 de novembro de 2019

HÁ HORAS FELIZES

Há horas felizes
Public em O DIABO nº 2238 de 22-11-2019, pág 16, por António João Soares)

Na minha modéstia, simplicidade e cortesia, tenho-me repetido por diversas formas a sugerir que tanto a oposição como os responsáveis pela governação deverão procurar seguir estratégias que, de maneira adequada, permitam os melhores resultados para o engrandecimento da Nação, a melhor qualidade de vida dos cidadãos e poupança para os contribuintes que, assim, podem investir mais na melhoria da economia. Isto pode ser confirmado em vários artigos que publiquei no semanário O DIABO. Por isso me sinto premiado com as alocuções de Rui Rio e de André Ventura que, sem agressividades nem palavras ofensivas, de forma muito educada, fizeram apreciações construtivas e interrogações que podem e devem servir para o Governo pensar seriamente nos assuntos abordados e, usando de transparência democrática, explicar aos portugueses o que realmente vão fazer em tais temas, a forma pormenorizada e compreensiva como pretendem materializar assuntos que são referidos no programa de Governo de forma muito genérica que tanto podem permitir soluções num sentido como no seu oposto. Depois de ouvir estas sugestões, o Governo deve sentir-se feliz por receber tais achegas de forma clara e com aspecto positivo, construtivo.

Isto pode ser um primeiro passo para o diálogo entre governantes, oposição e cidadãos de forma a serem evitadas decisões impulsivas e menos ponderadas, segundo o conceito de que “a fantasia deve ser moderada pela sensatez” e de acordo com o segundo Éme da “estratégia dos três M”, o da “multilateralidade”, dado que muitas cabeças pensam mais e melhor do que uma só. O pensamento individual e a decisão precipitada sem recurso a outros pareceres, raramente analisa todos os factores essenciais com a profundidade indispensável. A solução de um problema deve ser precedida do estudo cuidadoso das suas causas e dos condicionamentos que o envolvem.

O total esclarecimento é imprescindível porque os cidadãos são os obreiros do engrandecimento do País e, para isso, é fundamental que colaborem activamente com o máximo de competência, entusiasmo e perfeição para que os resultados tenham a melhor qualidade. Se os dois deputados atrás referidos não foram exaustivos nos seus comentários, certamente, estarão dispostos a fornecer mais achegas, quer dentro da AR quer em contactos pessoais. Isso não os prejudica e, se for bem explicado na Comunicação Social, granjeia-lhes a gratidão dos cidadãos, pelo interesse demonstrado para o engrandecimento de Portugal.

Um livro muito interessante do Nobel Hermann Hesse sobre a vida de Siddhartha, um filósofo crente hindu, refere várias vezes que as palavras valem pouco em comparação com os actos. As pessoas devem guiar-se nas suas apreciações pelo valor destes e não pelas palavras que podem ser de tal forma superficiais ou intencionais que não passam de fantasias superficiais e ilusórias que não se traduzirão em actos merecedores de crédito. Muitas promessas, são despidas de verdade respeitável. E, infelizmente, uma grande quantidade delas não passam de vacuidades ilusórias que desacreditam os seus autores. Oxalá o PM não volte a cair em falhas como a de prometer a mudança do INFARMED para o Porto ou a de lançar a primeira pedra para a construção da unidade pediátrica do Hospital de S. João, no Porto sem que, passado mais de um mês, haja sinal de início de obras.

A população deve ser mentalizada para os deveres, acima dos direitos, e pelo respeito pelas pessoas, encarando melhor o apoio aos idosos e a educação dos jovens, eliminando a violência nas escolas contra os professores e, em casa, contra pais e avós. Quem tem responsabilidade para tomar decisões e agir não deve cair na tentação de se virar para dentro do seu ego e dar prioridade à vaidade e à ambição e ao despudorado amor ao dinheiro, uma droga tanto mais perigosa quanto está livre de produzir overdose. As decisões devem ser precedidas de estudo e consulta. ■

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sexta-feira, 8 de novembro de 2019

ESPERAMOS UM MUNDO MAIS RACIONAL

Esperamos um Mundo mais racional
Publicado em DIABO nº 2236 de 08-11-2019. Pág 16

Actualmente, ouve-se falar muito contra a história e os feitos heróicos que nos davam orgulho do passado e nos ajudavam a suportar as incertezas ou maus auspícios sobre o amanhã e o pessimismo, desde as alterações climáticas à crise económica ou à guerra, que começam a afectar a saúde mental. E é dado muito relevo à violência a vários níveis, quer doméstico quer internacional, sem se apontarem sinais motivadores de esperança salutar.

Mas, felizmente, há sinais de optimismo e de esperança, embora pareçam não ser do gosto dos jornalistas, que começam a brilhar como luz ao fundo do túnel e merecem ser sublinhados pelo muito que representam para quem se preocupa com o futuro da humanidade, não só pelo seu significado local mas, principalmente, por deverem servir de exemplo e incentivo para os detentores do Poder a nível das Nações e das Instituições Internacionais.

Há variados casos que merecem ser bem apreciados pelo que representam de exemplo a seguir por todos os governantes e por todas as pessoas. Notícia de 18 de Outubro diz que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou “fortemente” o ataque a uma mesquita no Afeganistão, que provocou 62 mortos e 36 feridos. E, provavelmente, este nosso compatriota não se deve ter ficado pelas palavras e, de forma mais ou menos directa, deve ter accionado a ONU a fim de acabar com este tipo de ataques selvagens e cobardes que tiram a vida a muitas pessoas inocentes.

E tal provável acção de Guterres pode estar na origem do facto noticiado no dia 23 de que movimento talibã participa na China, nos dias 28 e 29, numa nova ronda de diálogo inter-afegão para a paz. Oxalá este diálogo tenha êxito e ponha fim à guerra que, há 28 anos, tem dizimado a população do Afeganistão, sem benefício para ninguém a não ser para os fabricantes de armas e munições.

Outro caso, este com nítida acção da ONU, passa-se na Guiné-Bissau em que são notadas dificuldades entre várias forças políticas, quando se aproximam as eleições presidenciais, e onde foi criada uma Comissão da Configuração da Paz da ONU para a Guiné-Bissau, sendo presidente o embaixador brasileiro Mauro Vieira. Este, em consonância com o multilateralismo defendido pela «estratégia dos três M», nos dias em que se deslocou a Bissau, reuniu-se com as autoridades nacionais, órgãos responsáveis pela organização das eleições, partidos políticos, sociedade civil e parceiros internacionais. Nos seus contactos, durante a estada de dois dias, disse a todos que todas as dificuldades que possam surgir no caminho devem ser superadas pelo consenso, pela negociação, pelo diálogo.

Também, em sintonia com a repulsa da violência e da guerra e pela defesa do diálogo e da negociação, o Fundo Monetário Internacional (FMI) fez um apelo ao crescimento global e à renúncia aos conflitos comerciais que põem em causa esse crescimento. Os membros do FMI, durante a assembleia geral de Outono, encerrada, há poucos dias, em Washington, debateram como aumentar a “pressão do grupo” sobre os países em confronto comercial, de modo a que melhorem e respeitem as regras globais do comércio, disse a directora-geral da instituição na conferência de imprensa de encerramento dos trabalhos. Nestes, um dos principais temas de discussão na assembleia foi o da tensão comercial entre os EUA Unidos e a China.

Também a Rússia advertiu que a situação de tensão no nordeste da Síria, onde se acordou uma trégua na operação militar turca contra as milícias curdas, pode prejudicar o processo de negociação política. A isto a Turquia afirmou que “não tem necessidade” de retomar a sua ofensiva contra as forças curdas no norte da Síria.

Estes exemplos aqui referidos mostram- -nos razões de esperança de que o Mundo irá entrar na racionalidade e pretender atingir os fins prognosticados pelo comentador político Kishore Mahbubaini na sua «estratégia dos três M». ■

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quinta-feira, 31 de outubro de 2019

A ESTRATÉGIA DOS TRÊS M

A estratégia dos três M
Public em DIABO nº 2235 de 01-11-2019 pág 16, por António João Soares

Não resisto à tentação de referir a melhor lição que recebi nos últimos tempos. Trata-se de um vídeo em que o comentador político Kishore Mahbubaini, numa alocução em que explica a situação da crise comercial entre o Ocidente e o Oriente, começando por analisar a evolução cultural e social da humanidade a partir da Europa e impulsionada pela globalização iniciada pelos descobrimentos portugueses que levaram a fé, a ciência e a tecnologia aos povos mais distantes.

Há dois séculos, Napoleão Bonaparte avisou: “Deixem a China dormir porque, quando ela acordar, vai abalar o mundo”. Ele previa que o saber do Ocidente tinha chegado ao Oriente e iria ser aproveitado positivamente. E isso em breve começou a ter efeitos muito visíveis na China, na Índia, no Sudeste Asiático, como na América e também em África.

O Ocidente adormeceu à sombra do sucesso e, quando acordou, reagiu da pior forma e, em vez de procurar assumir a sua superioridade de outrora e continuar em frente, actuou arrogantemente, procurando impor a superioridade militar. Têm sido notáveis as inúmeras ingerências por meios militares da América, algumas com insucesso, como no Vietname, na Somália, no Iraque, na Síria, no Afeganistão, etc.

Este comentador afirma a possibilidade de o Ocidente recuperar a sua superioridade no Mundo se seguir a estratégia dos “Três M”: minimalista, multilateral e maquiavélica. Minimalista, evitando intervir e interferir nos assuntos de muitas outras sociedades, deixando que elas procurem a sua evolução, e, em caso de elas pedirem, dando-lhes ajuda em paz e harmonia.

Multilateral, obtendo o apoio da comunidade global, antes de travar guerra ou tomar outra decisão que traga perigo para outros. Esse apoio pode provir da ONU ou de outras instituições internacionais com prestígio. E recorda que o êxito da primeira guerra iraquiana, travada pelo presidente George H. W. Bush, se deveu a prévio apoio da ONU, enquanto a segunda, travada pelo filho, fracassou por ter sido de iniciativa e de palpite individual baseado em notícias falsas.

Maquiavélico, promovendo a virtude e evitando o mal. Neste aspecto há que esclarecer que Maquiavel, cuja imagem tem sido enegrecida, tinha por objectivo, segundo o filósofo Isaiah Berlin, promover a virtude e afastar ou evitar o mal.

Portanto, neste aspecto da estratégia, a melhor forma para o Ocidente controlar as novas potências emergentes é seguir regras multilaterais, normas multilaterais, instituições multilaterais, processos multilaterais.

Aplicando esta estratégia, Kishore Mahbubaini, que foi embaixador nas Nações Unidas duas vezes, está convencido de que, com o pessimismo que tem existido no Ocidente, muita gente não acredita que a nossa área ocidental tem um grande futuro à sua frente e que os seus filhos terão uma vida melhor. Para isso, será bom que as Nações Unidas, além das palavras de que “condena o ataque a mesquita no Afeganistão que matou 62 pessoas”, deve organizar uma actividade global a incentivar a harmonia e a paz mundial de acordo com a norma religiosa “amai-vos todos como irmãos”, mas realizando um amor recíproco e não apenas unilateral.

Será bom que condene todas as actividades conducentes à violência, como o fabrico de armas e a manutenção de paióis de bombas altamente destrutivas. Para isso, será bom começar com o exemplo dos cinco membros permanentes do CS da ONU, de eliminarem as suas armas nucleares, com o testemunho de comissão de observadores independentes eleitos pelos países mais pequenos da ONU. Assim, a ONU merece respeito dos seres humanos mundiais e prepara a concretização das aspirações da estratégia dos “Três M”. Mas será conveniente que os Estados sejam governados por pessoas com cabeça pensadora e respeito pelas pessoas e não se deixem dominar por ambição e vaidade. ■

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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

É PRECISA OPOSIÇÃO ACTIVA E CONSTRUTIVA

É precisa oposição activa e construtiva

DIABO nº 2234 de 25-10-2019, pág 16

Fala-se que a direita (PSD e CDS) vai entrar em “renovação”. Porém, o que se diz parece referir-se apenas à preparação para uma próxima oportunidade de vitória eleitoral. Seria mais desejável que se falasse de projectos para estruturar um futuro mais brilhante para Portugal, quer na economia de que resultasse uma melhor qualidade de vida para os portugueses, quer também um crescimento do património nacional que, nas últimas quatro décadas, tem perdido em variados aspectos. Essa prioridade dos interesses nacionais acima das ambições, embora legítimas, dos partidos, valoriza estes aos olhos dos eleitores, do que resultarão mais votos em futuro pleito eleitoral.

Pode argumentar-se que tais planos estratégicos, de longo alcance, poderão ser aproveitados pelo Governo em exercício, que ganhará louros com isso. Para Portugal e os portugueses, esse aproveitamento não teria qualquer inconveniente e, do ponto de vista partidário, o partido pai da ideia poderá e deverá tornar público que a ideia foi sua e teve muito prazer em ter contribuído com ela, para melhorar a vida dos cidadãos e o crescimento nacional. E pode e deve acrescentar que novas ideias serão apresentadas, pois todos devemos fazer o possível para bem de Portugal. É que uma boa ideia não deve ser escondida, porque os objectivos mais valiosos de qualquer instituição pública devem visar o engrandecimento do país e o bem-estar dos cidadãos e, por isso, sentir-se-ão felizes e orgulhosos por darem bons contributos ao País, mesmo que a sua ideia tenha sido aproveitada por quem no momento está ao leme do Governo, o que é natural. E, se isso for tratado com transparência e patriotismo e for adequadamente publicitado, acabará por induzir os eleitores a elevar o conceito sobre a competência e a actividade do partido, o que será traduzido por votos.

Como disse no artigo publicado em 20 de Setembro de 2016, um partido na oposição “deve, como em tudo na vida, encarar o facto da maneira mais positiva e tirar dele os melhores benefícios, para o País e para o futuro do partido”. Esse período de “repouso” deve ser aproveitado como um estágio de preparação para o desejado próximo período de governação. Para que este se concretize, convém ir dando aos eleitores a noção de que dispõe de boas intenções e de uma estratégia bem estudada, bem organizada e programada que contribuirá para uma vida melhor nos dias que virão, em benefício de todos os cidadãos.

Com tal procedimento, a vida política nacional deixará de ser uma guerra de palavras agressivas entre os partidos e passará a ser um trabalho convergente de colaboração para o grande objectivo do engrandecimento de Portugal e sairá beneficiado aquele que mostrar ao povo que possui mais dedicação, competência e perspicácia para escolher as melhores vias estratégicas para o conseguir, em respeito pela nação, pela sua História de mais de oito séculos e por aquilo que há de melhor nas tradições sociais.

Precisamos de ressurgimento e mudança drástica, depois de quase meio século de degradação nos sectores essenciais da nossa sociedade. E a oposição, liberta de apertados condicionamentos legais, deve repensar o futuro e elaborar, para isso, projectos e propostas de valor, sem se deter com palavras falaciosas e vazias de conteúdo, apenas destinadas a criar ilusões nas cabeças mais vazias, como infelizmente vem acontecendo com os detentores do poder. Devem ser evitadas promessas, sem fundamento real em estudos preparatórios que garantam a sua realização. A propaganda deve ser baseada em acções e não em palavras vazias e enganadoras.

Na elaboração de projectos e propostas, devem ser encarados os temas do combate à corrupção e ao esbanjamento do erário, o melhor funcionamento dos serviços públicos, educação, saúde, justiça, recuperação do património nacional, etc. ■

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sexta-feira, 18 de outubro de 2019

A JOTA PODE SER SOLUÇÃO!

A jota pode ser solução?
DIABO nº 2233 de 18-10-2019 pág 16. Por António João Soares

Segundo Pedro Soares Martínez fez constar no seu artigo de O DIABO nº 2230, hoje, nos países latinos, os políticos são provenientes de advogados sem causas, escritores falhados, professores sem amor aos livros, médicos sem clínica, engenheiros sem colocação, etc.

Isto faz-me recordar um texto já com alguns anos que referia a ida da D. Maria José, de uma aldeia próxima, à cidade comprar uma camisa para o neto António Carlos. Foi muito bem recebida pelo dono da loja, já conhecido de longa data, que, no meio dos cumprimentos e da conversa, lhe perguntou como o rapaz ia nos estudos. A avó despejou a sua mágoa por ele não gostar de dedicar muito tempo aos livros e preferir as brincadeiras com outros rapazes, o que, segundo ela, lhe tornava difícil realizar os objectivos que a família esperava dele, desejando que viesse a ser doutor, satisfazendo a vaidade dele e da família e permitindo uma vida desafogada, sem dificuldades nem problemas financeiros.

Os desabafos da avó mostravam grandes preocupações familiares e comoveram o dono da camisaria, Manuel Afonso, que tentava sossegar o ânimo da cliente, dizendo-lhe que esta juventude de agora é diferente daquilo que foram os seus pais, etc. E, a dada altura da conversa, sugeriu a solução adoptada por um cliente ali vizinho que falou com o líder local de partido bem cotado para convencer o seu filho, também avesso aos estudos, a inscrever-se na juventude a fim de procurar sucesso na vida que suprisse a falta de jeito e de vontade para estudar. O rapaz entusiasmou-se e, com a vaidade a crescer, dedicou-se à realização das tarefas que lhe eram dadas, foi trabalhar para a Câmara, alimentou a esperança de vir a ser vereador, movido pela vaidade e ambição e, influenciado pelos mais idosos, continuou a estudar e a querer fazer figura, e lá se ia esforçando um pouco.

Mas a Maria José continuava presa aos objectivos que esperava ver atingidos pelo neto, repetia que a família desejava que ele viesse a ser doutor, mas o Manuel Afonso respondia que ele podia vir a ser deputado, podia fazer uns favores a uma universidade que, em troca, lhe poderia dar um diploma; e citava um primeiro-ministro a quem, pouco tempo antes, uma universidade tinha mandado entregar, num Domingo, o diploma de licenciatura e referiu outros casos com aspectos semelhantes. Além disso, ele vai aprendendo as habilidades e as manhas dos políticos e, com facilidade, se torna rico e até milionário sem suar nem fazer calos, causando inveja aos actuais companheiros da escola que matam a cabeça para obter boas notas, mas sem aprenderem a maneira de arranjar fortuna.

De entre as habilidades citou o domínio da Comunicação Social, para manter a população de cérebro lavado e vazio, a preocupar-se com ninharias e afastada dos problemas essenciais que devem ser desviados das conversas para não colocarem em más condições as posições dos políticos, por estes não serem capazes de encontrar soluções para o que realmente interessa à população. Por isso evitam que esta vá alem do futebol e crie problemas aos governantes.

Essa lavagem de cérebro tem agora uma artista, a Greta, que à margem da ciência agride verbalmente pessoas com responsabilidade, com fantasias sem o mínimo de saber científico mas que cala a boca de gente a quem falta saber e discernimento para distinguir o que é científico daquilo que não passa de fantasias. E há muito dinheiro por detrás de tais palhaçadas que permitem lucros compensadores em negócios para lutar contra fantasmas que o povo leva a sério.

Veja-se o discurso que Vladimir Putin leu, em ambiente solene, a alertar os governantes ocidentais que desprezam a sensatez e a racionalidade. ■

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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

A HUMANIDADE NÃO DESISTE DA VIOLÊNCIA!

A Humanidade não desiste da violência?
DIABO 2232 de 11-1º-2019.Por António João Soares Coronel

Infelizmente, o ser humano, apesar do desenvolvimento e dos apelos religiosos durante muitos séculos, continua apegado a ambições, vaidades, violências que o tornam mais irracional do que os animais a que os nossos antepassados aplicaram tal adjectivo.

Há dias, vi um vídeo que mostrava uma arena ocupada por uma espécie de formatura militar de jovens espaçados de cerca de 3 metros entre si. Abriram-se as portas do curro e saltou para fora um touro, com ar agressivo, mas que ficou espantado por ver aquela gente completamente imóvel, sem representar qualquer perigo para ele que se passeou em várias direcções entre eles com serenidade e completamente à vontade. Nisto, vê mexer lá ao fundo uma capa e correu para ela, tendo parado quando ela se imobilizou e deixou de ser ameaça à sua segurança, e continuou o seu passeio.

O Google tem divulgado várias imagens que evidenciam a solidariedade e amizade entre vários animais sem problemas de raça, tamanho ou cor, quando não têm motivo para recear pela sua segurança e vida. Mas os seres humanos são, muitas vezes, ambiciosos, ostensivamente vaidosos o que pode levá-los a falsos medos, a ódios, a raivas e a desejos de vingança que podem levar a violências impensáveis. Aparecem notícias chocantes, mesmo de familiares que se assassinam.

E o que se passa em pessoas, em famílias, em grupos de fãs clubistas, passa-se também nos mais altos níveis dos poderes políticos internacionais. As guerras não acontecem por acaso. As indústrias de armamento defendem o seu negócio e procuram, pelas mais variadas formas e pretextos, vender material letal a diversos Estados e a grupos terroristas (muitas vezes apoiados por rivais dos alvos que escolhem). Têm sido frequentes, na Comunicação Social, notícias sobre actos de violência em África e, principalmente, no Médio Oriente e Ásia. Tenho presente o assunto do ataque de ‘drones’ no dia 13 de Setembro contra duas instalações petrolíferas sauditas, reivindicado por rebeldes iemenitas Huthis e que deu origem a acusação ao Irão de ser o mandante de tal acção violenta que obriga a Arábia Saudita, o maior exportador mundial de petróleo, a reduzir temporariamente a sua produção para metade, com grande aumento de preço aos consumidores.

Tal acusação assenta em factores como a ambição iraniana de restaurar o antigo Império Persa de Dario que tem dado origem a variadas acções na região do Golfo Pérsico, retenção de petroleiros no Estreito de Ormuz e nas intervenções no Iraque, na Síria e no Iémen e à intenção de criação de armas nucleares, objecto do acordo de Junho de 2006 com o grupo P5+1 e cujo incumprimento tem dado lugar a retaliações comerciais por parte dos EUA.

Esta situação de persistente intenção de violência é confirmada por indícios vindos a público com frequência, como a acusação recente de Israel de que o Irão tem ocultado “uma instalação secreta” onde desenvolve testes com armas nucleares.

Sobre a eliminação da violência extrema, o Conselho de Segurança da ONU decidiu a desnuclearização mundial que serviu de pretexto para os EUA negociarem com a Coreia do Norte a paragem das investigações e intenções de criar armas nucleares, mas tal decisão do CS está eivada de prepotência e arrogância dos seus membros permanentes que impõem ao mundo aquilo que consideram ser seu próprio direito. Como tal decisão, tendo uma intenção louvável não devia admitir excepções, aqueles cinco Estados deviam decidir-se a dar o exemplo, desmontando as suas armas, por forma visível, perante um grupo internacional de observadores isentos, a fim de o mundo não ter dúvidas. E, a partir daí, um Estado que infringisse a determinação seria adequadamente castigado.

Com atitudes deste género iniciar-se- -ia uma nova era de diálogo e negociação para resolver qualquer pequeno conflito de interesses, entre pessoas verdadeiramente racionais e solidárias, sem recurso a violência inocentes. ■

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quinta-feira, 3 de outubro de 2019

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E AMBIENTE

Alterações climáticas e Ambiente

DIABO nº 2231 de 04-10-2019, pág 16 por António João Soares

Ultimamente, têm sido ditas muitas coisas como sendo úteis para evitar alterações climáticas mas, segundo opiniões de pessoas com formação sobre o tema, essas opiniões pretensiosas de nada valem para alterar aquilo que a Natureza já está a fazer. Porém, na generalidade, as iniciativas aconselhadas são benéficas para melhorar a qualidade do ambiente, beneficiando as nossas vidas com melhor saúde, comodidade e agrado.

Será bom que as pessoas com responsabilidades no País e no exterior sejam mais prudentes e deixem de citar as alterações climáticas quando se devem limitar a referir os cuidados para a defesa do ambiente. Quanto ao clima, nada de muito significativo se pode fazer a não ser as medidas referidas mais abaixo, saídas de mentes bem formadas e intencionadas.

E não se deve esquecer que, para resolver problemas essenciais, não bastam palavras mesmo que sejam bem intencionadas, como aconteceu no caso da “criação de uma estratégia nacional integrada de redução de plásticos” que, devido a falta de informação, foi impedida de início, sem modos de reduzir a vulnerabilidade do país à tal poluição. Na ausência de informações sobre os impactos ecológicos, sociais, económicos e para a saúde da poluição por plástico, não só se impede uma estratégia de redução como a determinação de um investimento de gestão dos resíduos. Aos agentes económicos, às autoridades em geral e ao povo consumidor deve ser oferecido conhecimento e sensibilidade para contribuírem para a resolução do problema com eficácia. É pena os nossos governantes não terem a noção de que a legislação não vale apenas por estar no papel, pois precisa de ser compreendida e assumida por aqueles a quem se destina.

Porém, a temida alteração climática já está em curso com vários aspectos visíveis que aconselham adaptações adequadas nos nossos comportamentos pessoais e de algumas actividades económicas, por forma a que as nossas vidas e a ligação com a fauna e a flora não sejam demasiado lesadas pelas alterações que nos são impostas. Neste aspecto, já há trabalhos de técnicos agrários e agrónomos, muito conscientes e atentos ao problema, que se afastam das palavras falaciosas de “jovens sábios” desprovidos de sentido prático e de conhecimentos científicos, e estão a experimentar soluções para fazer face às novas alterações climáticas em zonas mais sensíveis e onde já se sente o aumento da temperatura e os sinais de escassez de água.

A posição positiva e bem fundamentada de técnicos agrários vem, concretamente, contrariar certas intenções infantis de querer contrariar a força da Natureza que pode ser semelhante a muitas outras ocorridas na longa vida do nosso Planeta. A Natureza não se subordina aos habitantes, como aconteceu quando criou o Oceano Atlântico, cortando o continente africano, ou quando prepara novo corte, também em sentido próximo dos meridianos, na parte Leste do mesmo continente. O homem não tem poder para evitar as alterações climáticas, por mais teatro que faça, com a Greta ou com outras enviadas pelo grande capital. Medida inteligente é a alteração dos nossos hábitos para sobrevivermos a carências que surjam, como é tomado bem evidente pela notícia “O montado ibérico desafia as alterações climáticas”, com empresários agrícolas ibéricos a tomar medidas para o melhor aproveitamento dos terrenos, em benefício das pessoas, da fauna e da flora, por forma a evitar graves consequências das secas que se anunciam. Um novo sistema de exploração do montado, tornando as explorações mais produtivas e rentáveis e, ao mesmo tempo, fixando população no meio rural, em grande parte despovoado, é uma solução inteligente e bom caminho a seguir.

Como a intenção da redução de plásticos, também as conclusões dos trabalhos de investigação para se obter a melhor adaptação às alterações climáticas necessitam de boa e adequada divulgação a toda a população, principalmente a ligada ao meio rural, para se obterem os melhores resultados e se evitarem ao máximo os incómodos da mudança. ■

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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

VOTAR COMO?

Votar como?
(Publ. em O DIABO nº 2230 de 27-09-2019 pág 16, por António João Soares)

Estamos próximos da data de exercer o direito e dever de votar numa de entre muitas listas de candidatos às eleições legislativas. Votar é próprio da democracia, embora esta não esteja a corresponder, satisfatoriamente, aos fins que dela são esperados.

Com efeito, escolher os nossos representantes e servidores dos interesses nacionais não significa que vamos dar o voto a um grupo de pessoas que desconhecemos e que, à partida, temos justificada impressão de que, em vez serem dedicados defensores das causas nacionais, para melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e para engrandecimento do património nacional, em bens materiais e culturais, são eivados de objectivos muito pessoais de enriquecimento volumoso e rápido sem olharem a meios para os atingir.

Os políticos desejáveis para as funções atrás referidas devem ser pessoas generosas, solidárias, respeitadoras dos direitos e liberdades individuais, dedicados aos valores éticos sociais e nacionais e desejosos de conhecer os problemas que os cidadãos querem ver resolvidos. Em complemento disso, devem possuir boas qualidades de gestores do erário, ser comedidos nas despesas, dando sempre prioridade àquilo que é essencial para os objectivos nacionais de engrandecimento do património e de melhoria das condições de vida da população nacional.

Como representantes e defensores dos cidadãos, devem ser pessoas com gosto pelo diálogo com pessoas de qualquer condição, de forma a terem facilidade na aquisição de conhecimento dos problemas nacionais, em qualquer parte do território. Nesse diálogo com os habitantes, nas suas frequentes visitas de observação do País real, devem evitar promessas ilusórias e limitar-se à realidade possível e desejável. Perante casos reais, devem estimular e incentivar as pessoas a analisar, com os amigos, as causas e os condicionalismos e, quando tiverem sugestões a apresentar, devem fazê-lo de forma construtiva para facilitar o trabalho dos técnicos que, posteriormente, elaborarão soluções. Com tal diálogo, os cidadãos devem ficar cientes de que os problemas nacionais são seus, de cada um deles e, por isso, não devem deixar de, em conversa com os amigos, procurar encontrar as soluções que achem ser mais adequadas e comunicá-las às autoridades governamentais, autárquicas, etc., para lhes facilitar a tarefa de que estão incumbidas. Será desejável que evitem, pelo diálogo, as nefastas greves de grande duração em serviços públicos que devem ter credibilidade e ser respeitados pelos cidadãos.

Perante isto, o acto de votar exige sentido de responsabilidade e o voto deve ser dado a quem inspire confiança, o que não é o caso de uma lista de pessoas de quem nada se conhece a não ser que são amigas do chefe do partido. Ora, a vida nacional de quase meio século mostra, sob muitos pontos de vista, que foi indesejável e que é altura de evitar votar em partidos que mostraram muitos defeitos, erros, más decisões e indecisões e, com isso, mantiveram o País num estado de estagnação indesejável. Por isso, há muitos cidadãos válidos que aconselham a procurar dados concretos que permitam arriscar o voto num dos partidos recentemente inscritos, embora inexperientes nas malabarices da política dita “correcta”, mas isentos de culpas na degradação que temos estado a sofrer de modo gravoso e continuado, com o esbanjamento das toneladas de barras de ouro recebidas do “antes do 25-A” e a dívida pública persistente que será uma pesada herança para as gerações vindouras.

Dos partidos recentemente surgidos, haverá alguns que reduzirão as despesas públicas hoje agravadas com benesses exageradas para ex-políticos, estabelecerão um tecto para a quantidade de sugadores do dinheiro público e para certas benesses que atingem valores chocantes quando comparadas com salários de trabalhadores activos, mesmo em altos cargos da função pública. ■

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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

CONTRA A DESERTIFICAÇÃO, PELA NATUREZA

Contra a desertificação, pela Natureza
DIABO nº 2229 de 20-09-2019, pág 16

Para a sustentabilidade da vida humana no Planeta há que dedicar muita atenção à defesa do ambiente, isto é, da Natureza, com pessoas, animais e vegetais e a biodiversidade nos seus diversos sectores. Por exemplo, evitar a desertificação nos seus vários aspectos, ou o domínio de uma espécie vegetal que impede a vida das outras, como está a acontecer com o eucalipto, uma infestante que, em muitas áreas, está a impedir o crescimento das espécies anteriormente existentes.

Em Portugal, a desertificação atingiu tal exagero que já motivou o “Programa de Acção Nacional de Combate à Desertificação, criado em 1996 e revisto em 2014”, e o compromisso assumido e referido na Agenda 2030 das Nações Unidas; e deu origem ao recente alerta do TdC para definir as linhas de acção para o combate às alterações climáticas, através da gestão do uso da água e da manutenção das florestas. Tendo havido um progressivo abandono dos meios rurais e encontrando-se o interior do País já em preocupante estado de desertificação, há urgência em tomar medidas para inverter o estado de degradação vigente. Essas medidas devem começar por dar incentivos atraentes para desenvolver actividades económicas ligadas às potencialidades locais – agricultura, pecuária, madeira, mobiliário, etc –, apoio às pessoas, repondo, de forma adequada, serviços públicos que foram retirados, no ensino, na saúde, nos correios, finanças, justiça, na banca, etc.

Há alguns anos, uma autarca do centro geográfico do continente, na Beira Baixa, conseguiu instalar uma boa quantidade de imigrantes brasileiros a fim de dinamizar o repovoamento da ária mas, como não lhes foram dados apoios atractivos, acabaram por decidir ir trabalhar em cidades, onde as condições eram mais vantajosas. Para resolver este grave problema não basta criar um “observatório” e ficar descansado de que fica solucionado, como parece ser a convicção do ministro do Ambiente. Há, pois, que deitar mãos ao problema e considerá-lo essencial e urgente. Os técnicos devem analisar localmente todos os factores intervenientes, estudar as causas e dialogar com habitantes actuais e recentes que forneçam opiniões construtivas. Com a devida frequência, esses técnicos devem apresentar o resultado da evolução do seu trabalho a fim de se evitarem indecisões e estagnação, se tomem posições oficiais quanto a resultados já consolidados e se melhorem adequadamente as estratégias para atingir os objectivos desejados em tempo aceitável.

Ao nomear técnicos para se encarregarem destas funções, devem ser escolhidas pessoas, não por amiguismo, mas por competência e experiência adquirida e demonstrada, para não serem mais um “observatório” ou “comissão” das que só excepcionalmente merecem elogio.

Há alguns anos, no distrito de Bragança houve jovens professores do secundário que, nos tempos livres, se dedicavam à agricultura ecológica de produtos alimentares, alguns ainda desconhecidos na região, e que foram noticiados na TV e apontados como exemplos a seguir. Desconheço a sua situação actual, mas há interesse em seguir tais exemplos. E empresas agrícolas como existem no Alentejo e no Algarve em mãos de estrangeiros, também podem servir de estímulo para tal sistema ser utilizado nas Beiras e em Trás-os-Montes, aproveitando bons terrenos agrícolas, que actualmente se encontram abandonados e cobertos de silvas e mato e ameaçados por eucaliptos.

No aspecto humano, como os poucos residentes, onde ainda os há, são idosos, deve ser encarada, de forma prática e satisfatória, a existência de centros de apoio de dia e de lares residenciais, o apoio de saúde e o apoio de serviços públicos para não terem de se deslocar muitos quilómetros sempre que precisem de resolver qualquer pequeno assunto da burocracia oficial a que sejam obrigados.

Não deve haver hesitações nas medidas que contribuam para anular a desertificação e para preservar a Natureza na sua melhor forma. ■

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