domingo, 6 de outubro de 2013

SE ELES NÃO RESPEITAM A SUA PALAVRA…


Depois do post Pensar antes de decidir falar ou agir e da confusão de promessas feitas e previsões anunciadas que não têm qualquer consistência na realidade, ficamos sem força anímica para dar crédito ao que ouvimos, mesmo de pessoas que estão em funções de alta responsabilidade. Transcreve-se o seguinte artigo de Jornal com contradições absolutas:

Sado-maluquismo
Diário de Notícias. 04-10-2013. por FERNANDA CÂNCIO

"Como avisei na altura devida, chegámos a uma situação insustentável", Cavaco, 10/6/2010 (com dívida 94%).

"São insustentáveis tanto a trajetória da dívida pública como as trajetórias da dívida externa." Cavaco, 9/3/2011 (com dívida 108,2%),,,,,,,,.

"As dificuldades que Portugal atravessa derivam do nível insustentável da dívida do Estado e da dívida do País para com o estrangeiro." Cavaco, 1/1/2013 (com dívida 124,1%).

"Surpreende-me que em Portugal existam analistas e até políticos que digam que a dívida pública não é sustentável. Só há uma palavra para definir esta atitude: ma-so-quismo." Cavaco, 3/10/2013 (com dívida prevista pelo Governo de 127,8%).

"Os juros da dívida soberana vão cair gradualmente, à medida que Portugal atinge as metas impostas pelo programa de assistência financeira." Gaspar, 20/4/2012.

"O cumprimento do Programa é inequívoco e os progressos alcançados são significativos." Gaspar 20/2/2013.

"O incumprimento dos limites originais do programa para o défice e a dívida, em 2012 e 2013 (...), minou a minha credibilidade enquanto ministro das Finanças." Gaspar, 1/7/2013.

"Não é uma teimosia minha com os salários da função pública, não é uma teimosia minha com as pensões dos pensionistas do Estado, (...) é a diferença entre fecharmos este programa de assistência ou podermos ter de pedir um outro programa." Passos, 21/9/2013.

A maioria PSD/CDS-PP no poder está "a criar condições para que os portugueses possam acreditar com confiança que esta crise será vencida." Passos, 27/9/2013.

"As dívidas têm de ser todas pagas, os países têm de pagar as dívidas." Moedas, 27/8/2013.

"Só nos resta (a nós e a outros) o possível caminho da reestruturação da dívida. Ou seja, ir falar com os nossos credores e dizer-lhes que dos cem que nos emprestaram já só vão receber 70 ou 80." Moedas, 26/5/2010.

"Não compensa absolutamente nada para a economia portuguesa (...) estabelecer uma retórica de ataque às posições dos mercados." Cavaco, 10/11/2010.

"Não existe nenhuma razão lógica para as obrigações do Estado português atingirem taxas de juro de 7% nos mercados financeiros." Cavaco, 30/9/2013.

"Deus nos livre de termos um Presidente da República que não mede as palavras que diz" Cavaco, 21/12/2010.

Imagem de arquivo

2 comentários:

Mariazita Azevedo disse...

Querido amigo João
Confirmo a minha opinião acerca da Fernanda Câncio - escreve lindamente.
Acerca do que ela aqui aponta fez-me lembrar um director que eu tive, há muitos anos, que costumava dizer: só os burros é que não mudam - isto a propósito de as pessoas mudarem de opinião. Claro que se pode mudar de opinião, de acordo com as circunstâncias de momento, mas a nossa maneira de pensar, quando é honesta e correcta, não muda, na sua essência.
Os casos aqui apontados tratam de assuntos demasiado importantes para serem avaliados de ânimo leve. O grave é que todos esses "senhores" mudam como o vento, de acordo com as sua conveniências.
Mas pior, pior, é eles terem poder de decisão em coisas que a todos nós dizem respeito.
Confesso que a minha esperança em mudança cada vez é mais ténue. O que sinto é um enorme cansaço...

Uma boa semana.
Beijinhos

A. João Soares disse...

Querida Amiga Mariazita,

A vida não pode ser uma rotina estupidamente fixa. A mudança é permanente, mas apenas nos pormenores, como quem conduz um automóvel que não pode fixar o volante e deve ajustar a rota a cada passo. Mas o qe nunca muga é a finalidade da viagem, o ponto de chegada.
Ora os nossos mostram ignorância e arrogâncioa quando fazem afirmações com ar doutoral que depois passado pouco tempo dizem o contrário. Significa que falaram sem pensar o que diziam ou recitaram algo que ouviram tal como papagaios.
A propósito de mudança transcvrevo um comentário que coloquei há pouco:

A Igreja precisa de ser reformada, com frequência para fazer face às necessidades afectivas das pessoas que estão em permanente mudança com o decorrer dos tempos.
Este Papa está a evidenciar muita sensibilidade para os problemas humanos que hoje são diferentes dos de ontem.
Tenho uma muito grande admiração por ele e faço votos para que possa ver o resultado das sua prédicas.

Beijo
João