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terça-feira, 18 de julho de 2017

RISCO DE NOVO CONFLITO MUNDIAL

Risco de novo conflito mundial
(Publicado no semanário O DIABO em 170718)

O risco de uma nova guerra mundial tem vindo tornar-se mais iminente. Perdeu-se o respeito pela soberania dos Estados, actuando militarmente no seu território sem restrições de objectivos, nem de efeitos destrutivos. Desde a invasão do Iraque em 2003, por motivos irreais e afirmações que pouco depois não foram confirmadas, a situação no Médio Oriente tem sido agravada, sendo actualmente demasiado preocupante para a Paz mundial.

A Síria tem-se confrontada com uma oposição violenta que tem beneficiado do apoio dos EUA, com variações de processos, mas sempre declarados com a intenção de derrubar o Governo legítimo.

O agravamento desta hostilidade americana deu-se quando o Qatar, sendo um dos maiores produtores mundiais de gás natural l pretendeu exportá-lo para a Europa, passando o gasoduto através da Jordânia e da Síria, a Leste de Israel e do Líbano, para, depois, atravessar o estreito de Bósforo para a Europa, o que era apoiado pelos EUA. Mas a Síria onde já passava o gasoduto russo da Gazprom, foi aconselhada por Putin a não permitir tal passagem por isso lhe ir dar um forte concorrente e tirar-lhe o monopólio na Europa. Assad ficou entre dois fogos, de duas grandes potências.

Depois disso, a América não hesitou em apoiar a oposição ao regime Sírio e declarar o seu desejo de fazer apear o líder do país soberano. Incompreensivelmente, não teve relutância de apoiar elementos de um grupo activo da oposição ao governo que beneficiava da acção paralela d elementos do Estado Islâmico e de se contradizer na recente visita à Arábia Saudita, onde foi vender 110 mil milhões de armamento e onde empurrou os estados da área para eliminarem o terrorismo e aqueles que o apoiam. Logo se levantaram vozes a referir que o comprador das armas destinaria muitas delas para apoio ao terrorismo. O discutível bloqueio diplomático ao Qatar, o produtor do gás natural a que atrás foi referido, também é difícil de explicar. E mais difícil de perceber foi a venda que lhe foi feita pelos EUA de aviões caças, no valor de 21,2 bilhões de dólares.

Entretanto a China aconselhou os Estados do Médio Oriente a procurarem entender-se, usando a diplomacia e não a violência. Mas os EUA não usam o diálogo, mas têm apetência pela força, como no dia 17 de Junho em que um caça-bombardeiro Su-22 Sírio, estava a atacar unidades das SDF (Syrian Democratic Forces), foi derrubado por um F/A-18E Super Hornet americano o que veio ilustrar o empenho de Washington em assumir o controlo das ações militares no leste da Síria e em negar a área à ação das forças de Damasco. A desculpa dada é que o caça-bombardeiro Su-22, estava a atacar unidades da coligação de milícias curdas e árabes patrocinada pelos Estados Unidos.

O acentuado agravamento que isto representa para a situação resulta de que Moscovo reagiu de imediato ao incidente ameaçando passar a tratar os aparelhos americanos, em ação na área, como elementos hostis e anunciando o corte das comunicações directas com o comando americano.

Significativo é que o derrube do Su-22 sírio surge na sequência de uma série de ataques americanos às forças fiéis ao regime de Damasco no mês de Maio, em particular no leste da Síria. No início de junho os EUA derrubaram um drone sírio perto de al-Tanf, na fronteira sírio-iraquiana. Em maio, aviões americanos bombardearam um comboio de forças sírias que se estariam a aproximar de uma base usada por milícias rebeldes e por forças especiais americanas. E, em setembro do ano passado, aviões americanos que diziam actuar contra posições do Estados Islâmico (EI) atingiram "por erro" tropas sírias, matando dezenas de soldados.

Neste momento as palavas e os actos de Trump e de Putin devem ser bem analisados para não sermos apanhados totalmente desprevenidos e, depois ficarmos espantados e surpresos com aquilo que acontecer.

Mas os perigos de guerra surgem também nas provocações à Coreia do Norte com vista e ela parar com as experiências com mísseis e com a preparação de armas nucleares, quer com porta-aviões e outros navios quer com aviões de combate, dois bombardeiros, em exercícios reais em território da Coreia do Sul perto da fronteira. Um jornal norte-coreano já alertou Washington para que «um simples erro ou mal-entendido pode conduzir à eclosão de uma guerra nuclear». Um outro jornal diz que tais provocações são «um ato tão disparatado como atear fogo em cima de um depósito de munições». Neste caso, tanto a China como a Rússia têm sugerido que será mais sensato recorrer à diplomacia para se aliviar a tensão existente e evitar um conflito armado.

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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

RÚSSIA E O ACESSO A ÁGUAS QUENTES


Os interesses estratégicos não se compadecem com decisões rápidas e sonantes. Ontem de manhã, foi muito agradável deparar com a notícia de que Putin e Poroshenko acordam cessar-fogo permanente na Ucrânia, mas o balde água fria não tardou muitas horas, com outra notícia Ucrânia dá dito por não dito após versão dissonante do Kremlin.

Convém olhar para os aspectos de geoestratégia aplicáveis. A Rússia, desde o tempo dos czares, sentiu necessidade de contornar o cerco de mar gelado na sua costa norte que a impedia de poder dispor de uma marinha proporcional ao seu espaço e com capacidade de poder chegar a todos os pontos dos oceanos, em qualquer data do ano. Por tal motivo, era para ela de capital interesse o acesso ao Mediterrâneo e ao Índico, o primeiro ficava para lá do Mar Morto e do estreito dos Dardanelos, o segundo estava para lá do Afeganistão e dos seus vizinhos.

Estes objectivos têm estado presentes em várias decisões estratégicas soviéticas e russas e do seu grande adversário os EUA.

Não foi por acaso que a Turquia foi convidada para fazer parte da NATO e que esta, agora, se tenha interessado pela Ucrânia. Também não pode esquecer-se que a Rússia invadiu o Afeganistão e sempre mostrou interesse pelos estados do seu flanco sul.

O actual caso da Ucrânia e da Crimeia pode potenciar um conflito armado, totalmente indesejável pelo perigo de escalada e, por isso, se impõe uma solução negociada que não é fácil de efectuar directamente entre Putin e Poroshenko como fora anunciado. Haverá que, com o beneplácito da NATO e da UE, encontrar forma de a Rússia poder dispor de uma base Naval segura e espaçosa na Crimeia para poder, sem conflito, aceder ao Mediterrâneo. Não seria caso único, pois os EUA dispõem da base de Guantânamo, na ilha de Cuba.

A diplomacia tem possibilidades para evitar a Guerra e esta acaba por ser forçada a encerrar com a assinatura de acordo diplomático (acordo de paz). É, por isso, ilógico que em vez de acções militares, não se recorra apenas à força da diplomacia, com ou sem o apoio de terceiros intermediários e mediadores. Passados tantos séculos depois das guerras da antiguidade e da Idade Media, vai sento tempo de os Estados se poderem entender por forma a evitar os elevados danos de uma guerra.

A João Soares

Imagem de arquivo

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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Líbia. Solução não é militar

Transcrição de artigo seguida de NOTA:

LÍBIA. Ban Ki-Moon não vê solução militar para o conflito
Diário de Notícias. por Lusa. 12-08-2011

Não pode haver uma solução militar para a crise líbia, afirma o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, numa declaração divulgada hoje.

Sem mencionar nenhum dos protagonistas no conflito, o secretário-geral da ONU apela a todas as partes "para terem todo o cuidado nas suas ações de forma a minimizar possíveis perdas de vidas civis", refere a declaração divulgada pelas Nações Unidas.

"Um cessar-fogo que esteja ligado ao processo político que vá ao encontro das aspirações do povo líbio é a única forma de se atingir a paz e a segurança na Líbia", refere Ban Ki-moon.

A revolta popular contra o regime de Muammar Kadhafi começou na Líbia em Fevereiro e desde então morreram milhares de civis e centenas de milhar de pessoas tiveram de abandonar o país.

A operação militar para proteger civis na Líbia teve início a 19 de Março na sequência de uma resolução das Nações Unidas e foi prolongada até setembro.

NOTA: Embora possa parecer imodéstia, não deixo de aqui lembrar que estes conceitos foram aqui defendidos nos seguintes posts. Será que Ban Ki-Moon terá lido este blog ???

ONU sem estratégia de acção, em 26-05-2011
ONU perde credibilidade..., em 01-05-2011
ONU criou na Líbia um precedente grave, em 23-04-2011

Imagem do Google

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domingo, 1 de maio de 2011

ONU perde credibilidade...

Para quem gosta de observar o mundo a partir da estratosfera para ser independente, imparcial, sem sofrer as pressões dos intervenientes nos diversos conflitos, é impressionante a notícia Ataque da NATO a Tripoli mata filho e três netos de Muammar Khadafi, mesmo que não se dê muito crédito à notícia de que Khadafi oferece negociações de paz à NATO.

Se o pretexto desta intervenção continuada na Líbia foi a defesa dos direitos humanos, fica provado que esse foi um falso e mau motivo, pois além destas inocentes vítimas, tem havido muitas outras não individualizadas por não serem da elite política, mas sem por isso deixarem de ser seres humanos.

A ONU com os vários erros do Conselho de Segurança perde credibilidade e está a desafiar a que ocorram novas tragédias como a das «Torres Gémeas», ou casos semelhantes contra a Torre Eiffel, Eliseu, Arco do Triunfo, Buckingam ou outro local de estimação.

Na sequência do que ficou dito em ONU criou na Líbia um precedente grave parece que o Mundo está dominado por loucos, incipientes e inconscientes aprendizes de Hitler que fazem as piores atrocidades sob capas diversas como Al-Qaeda ou CS/ONU. Ficamos sem saber qual destas capas será a menos criminosa.

O que ocorrerá na Síria, que está com um problema semelhante? Há países sensatos que já estão a opor-se a semelhante asneira. Por outro lado, ali não está em jogo o petróleo! Vários pesos, várias medidas!

Com o que se tem passado, desde a sua criação (Caxemira, Saraui, Myanmar, etc), a ONU perde credibilidade e o respeito que devia merecer.

Imagem do Google

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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

EUA preferem a diplomacia à guerra com o Irão

Neste espaço já foi por várias vezes realçada a vantagem de os atritos entre Estados serem negociados por via diplomática, com conversações ou negociações, directamente ou com a intermediação de estadistas prestigiados, em vez das soluções musculadas demasiado destrutivas e que deixam intenções ressabiadas de retaliação ou vingança. Cito, como exemplo os posts A Paz pelas conversações e A Paz no Mundo será possível?. Por isso é com grande prazer que deparo com a seguinte notícia, que não deve ser deixada sem a ênfase que merece.


EUA dizem que um ataque ao Irão uniria o país
Diário Digital. terça-feira, 16 de Novembro de 2010 | 14:33


Um ataque militar contra o Irão uniria o país, que está dividido, e reforça a determinação do governo iraniano para procurar armas nucleares, disse o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, esta terça-feira.


Num discurso perante o conselho director do Wall Street Journal, Gates afirmou ser importante usar outros meios para convencer o Irão a não procurar ter armas nucleares e repetiu as suas preocupações de que acções militares somente iriam retardar - e não impedir - que o país obtenha essa capacidade.

Imagem da Net.

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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Portugal no Conselho de Segurança

Os portugueses estamos de parabéns por Portugal ter sido eleito para o Conselho de Segurança da ONU, o que representa um êxito da diplomacia, uma honra, uma oportunidade e uma responsabilidade de contribuir para o futuro da humanidade.
Esperemos que no principal areópago mundial os nossos compatriotas actuem de forma mais sensata do que têm feito dentro de portas.
Se for bem aproveitada, pode ser a oportunidade de restaurar o prestígio do canto mais ocidental do Velho Continente.

Imagem da Net

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domingo, 12 de julho de 2009

Cessem armas, guerras e agressão

Gentalha... p'rá batalha... mas eles que fiquem na fila da frente

Deixem-me gritar e clamar bem alto,
Por milhões de seres vivendo em dor,
E cujo sofrimento eu exalto,
Fiel, que sou, à força do AMOR.

São já milhões os pobres inocentes,
Em sofrimento atroz por tanta guerra,
Com o recurso a armas tão potentes,
Que podem destruir a própria terra.

Disputas de interesses, de ganância,
Invadiram sistemas, em nações,
Para os quais nada serve a importância
Dos direitos humanos, sem excepções.

São valores que procuram camuflar
Com estudadas leis, feitas a seu jeito,
Contudo, esse tratado a respeitar,
Não é uma coisa vã ..., é um direito!

Cessem as armas, guerras e agressão,
Provocadas por gente que se diz
Detentora da força da razão,
Mas não passam dum molho de imbecis.

E se querem lutar, que sejam eles
Os primeiros da fila, essa gentalha.
Façam esta opção, que é menos reles,
Voltem de novo às lutas, por batalha!

NOTA: Desta poesia é autora a amiga e colega do Sempre Jovens, Maria Letra. Foi publicada no SJ de onde foi transcrita, pela sua força como grito de alerta contra as armas, as guerras e as agressões.
Este grito de alerta devia ser bem ouvido pelos responsáveis que, no tocante a guerras, mais parecem irresponsáveis e inimputáveis, pois os milhões de mortos feridos e despojados dos seus haveres, por exemplo no Iraque (o caso mais recente) não são «lavados» por qualquer processo de raciocínio ou justificação lógica.
Quem ganhou com este morticínio, com o desgaste de património histórico, cultural e artístico e os haveres das pessoas? Só os industriais de armamento e equipamento militar e os dos combustíveis.
O mundo não pode continuar a ser imolado impunemente por estes ambiciosos sem a mínima sombra de escrúpulos e que agem com a cobertura de políticos, ditos democráticos, eleitos por cidadãos que agem estupidamente como ovelhas ao elegê-los para dirigentes dos destinos dos seus Estados.
O mundo tem que mudar urgentemente.
A este tema, de forma mais ou menos directa se referem, entre outros, os seguintes posts deste blog:

- ONU, crise e paz internacional
- A Paz no Mundo será possível?
- Dia Internacional da Paz
- A Paz pelas conversações
- Paz pela negociação
- Conversações em vez de Confronto
- Para evitar conflitos armados
- Guerra a pior forma de resolver conflitos
- Negociação em vez de guerra

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domingo, 22 de fevereiro de 2009

Negociação em vez de guerra

Desde 1991, há 18 anos, o Sara Ocidental espera que a ONU cumpra o prometido sobre o seu futuro. Agora chega a notícia (Enviado da ONU encontra-se com a Polisário para discutir Sara Ocidental) de que o novo enviado especial das Nações Unidas para o Sara Ocidental, Christopher Ross, está em Tinduf, no Sudoeste da Argélia, para conversações com responsáveis sarauis sobre o relançamento do diálogo com Marrocos.

Ross foi recebido pela população e os responsáveis sarauis nos campos de refugiados e explicou, na altura, que a sua missão é encontrar uma solução aceitável pelas duas partes – Marrocos e a Polisário – que permita ao povo saraui “determinar o seu futuro”.

Tem sido aqui defendido que há vantagem na resolução dos conflitos entre estados pela via negocial em vez do recurso à guerra. Oxalá esta inciativa de Christopher Ross obtenha o desejado êxito.

Também hoje chegou a notícia (Taliban e Governo concordaram num cessar-fogo no Vale de Swat) de que Combatentes taliban e funcionários governamentais concordaram num “cessar-fogo” no Vale de Swat, no Nordeste do Paquistão, uma das regiões mais instáveis do país. Parece que esta semana foi alcançado um acordo com as autoridades paquistanesas para impor a "sharia" (lei islâmica) no vale de Swat. Será desejável que daqui resulte estabilidade e desenvolvimento da região, no sentido de liberdade e bem-estar da população. Porém, há quem receie fundamentadamente o risco de aventuras insensatas num Estado dotado de arma nuclear. Esperemos que haja bom senso e sentido de humanidade.

Um outro aspecto de diálogo, e intenção de criar bom entendimento em clima de confiança e transparência, vem da visita de Hillary Clinton à China (Clinton afirma que EUA e China podem retirar o mundo da crise) em que parece ficar evidente a consciência da actual administração americana de que a guerra será a última solução, só depois de se esgotarem as capacidades e condições de diálogo e negociação.

Certamente, haverá muitos mais exemplos da prioridade dada à resolução pacífica de atritos internacionais, evitando a guerra, mas estes três exemplos já dão esperança de que o mundo está a tornar-se mais pacífico e respeitador dos direitos e das características do outro. Um ambiente de abertura, confiança e dialogo só traz vantagens à Paz internacional.

Links de alguns posts em que se defende este conceito de prioridade à negociação e ao diálogo em vez do recurso imediato à guerra:

- Reflexões sobre a guerra

- Relações internacionais mais pacíficas?

- Caxemira, um caso pendente

- Negociar, coligar em vez de utilizar as armas

- Sara Ocidental, Polisário

- A Paz pelas conversações

- Guerra a pior forma de resolver conflitos

- Paz pela negociação

- A Paz como valor supremo

- Guerra de civilizações ou guerra de tradições?

- Os imponderáveis da Paz e a guerra

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sábado, 11 de outubro de 2008

Nobel da Paz. Negociação e Mediação

O ex-presidente finlandês, Martti Ahtisaari, de 71 anos, com longa carreira de mediação de conflitos, foi contemplado com o Prémio Nobel da Paz de 2008. As suas qualidades de pacificador têm levado a ONU a pedir a sua intervenção em casos difíceis como Iraque, Namíbia, Irlanda do Norte e Kosovo. Neste, em 2007, concebeu um plano que podia ter evitado a independência unilateral do território, tendo a população adquirido um estatuto com potencialidades semelhantes sem que a palavra fosse utilizada, mas não teve êxito por problemas internos das duas partes.

Esta atribuição do Nobel de Ahtisaari insere-se, mais do que as dos anos aniteriores, nos termos do testamento de Alfred Nobel, que estipulou em 1895 que o prémio iria para quem fizesse o melhor "pela fraternidade entre as nações, abolição ou redução dos exércitos e promoção de congressos de paz". Fica assim enfatizada a abordagem europeia ao poder internacional, a opção pelo poder da negociação. Que pode ainda fazer escola no mundo.

A este método de resolução pacífica de conflitos internacionais, tem este blog dedicado muito espaço, sendo de citar o post Conversações em vez de Confronto, em que consta uma lista de posts anteriores sobre o tema.

Quanto a este assunto, deixam-se aqui os links para mais duas notícias da Comunicação Social de hoje:
- Êxitos e fracassos do pacificador finlandês
- Nobel da Paz premeia mediação de conflitos

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domingo, 7 de setembro de 2008

Conversações em vez de Confronto

Transcrição da segunda parte do editorial do DN de hoje seguida de NOTA.

A marca USA está muito desprestigiada no mundo árabe. A invasão, sob falsos pretextos, do Iraque, por mais que tenha livrado o seu povo da sangrenta tirania de Saddam Hussein, não despertou as elites árabes para novos voos democráticos nos seus países. Exacerbou o confronto entre milícias xiitas e sunitas, criou 4 milhões de refugiados na região e exponenciou a influência do Irão no Iraque, na Síria, no Líbano e na Palestina.

O que funcionou na redução de tensões regionais foi a cenoura e não o cacete: tanto na Coreia do Norte, como na Líbia, a estratégia do confronto tornou-se demasiado cara para ser prosseguida sem fim à vista. Do alegado Eixo do Mal pouco resta: desde Julho passado que os EUA se fazem representar ao mais alto nível nas conversações sobre o nuclear no Irão; o Departamento de Estado, ainda que timidamente, manifestou o seu apoio às conversações indirectas entre Israel e a Síria, mediadas pela Turquia, para negociar um tratado de paz, pendente há 41 anos.

É neste contexto que deve entender-se a viagem de Condoleezza Rice a quatro países do Magrebe, entre eles o ex-Estado pária da Líbia. Chegou o tempo da diplomacia activa a Washington. Mas, perante os estragos causados nos desastrosos oito últimos anos, a tarefa de reganhar a confiança do mundo árabe não será uma tarefa fácil para a próxima Administração americana, seja ela qual for.

NOTA: Já há muito que aqui se defende a vantagem de conversações francas, para resolver situações de atrito e fortalecer a cooperação para bem dos respectivos povos e da humanidade em geral. O confronto nunca é uma solução definitiva, pois o encerramento da acção armada exige sempre a assinatura do tratado de paz precedido de conversações apoiadas por terceiros países. Coloca-se a pergunta, porque não proceder a tais conversações antes de desencadear do conflito armado. Talvez a explicação esteja na ambição dos construtores de armamento, na vaidade e ambição material dos governantes.

Títulos sobre este tema aqui existentes:

- Relações internacionais mais pacíficas?
- Negociar, coligar em vez de utilizar as armas
- A Paz pelas conversações
- Guerra a pior forma de resolver conflitos
- Paz pela negociação.
- A Paz como valor supremo
- Guerra de civilizações ou guerra de tradições?

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terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Cimeira UE-África. Uma festa!!!

Os grandes problemas da humanidade continuam a agravar-se por falta de capacidade e de coragem dos poderosos para os encararem de frente.

Os encontros de diplomatas, de grande ou pequena ostentação, não vão geralmente além dos «cocktails» poliglotas em que é praticada a «diplomacia do copo e do croquete». É assim desde há muito tempo e, agora, tudo isso começa por extensas viagens que ficam caras aos contribuintes a quem são exigidos todos os sacrifícios.

Na cimeira UE-África, foram à partida colocados de lado os principais problemas humanos que preocupam as pessoas mais sensíveis e generosas do Mundo – Darfur e Zimbabwe. A recusa da abordagem destes assuntos mostra que eles ultrapassam o limite máximo da capacidade dos diplomatas, os quais preferem utilizar a táctica da avestruz que enterra a cabeça na areia para evitar ver o perigo. E, assim, os participantes da cimeira, que custa ao Estado português 10 milhões de euros, irão conversar acerca de temas do interesse das multinacionais, embora não sejam estas que pagam os custos do encontro. Ou, pelo menos, não impedem que o Estado faça a despesa!

Para quem duvide daquilo que fica acima acerca dos diplomatas (há excepções, como em todas as regras e generalizações) recordo que, há dias, Durão Barroso confessou estar arrependido de ter apoiado a guerra no Iraque, alegando que não tinha informação completa e verdadeira, donde se infere que houve falta de eficácia da diplomacia que o apoiava, e também infantilidade dele por não ter testado os dados de que dispunha. O mesmo se pode dizer da precipitação de Bush, de Blair e de Aznar no mesmo facto, e da irreflexão da França que, com os aviões com empresário do petróleo enviados a Bagdade, deu a Saddam Hussein uma percepção errada da proximidade do «ponto sem retorno» no diálogo entre o Iraque e os EUA. Outro exemplo da deficiente diplomacia e serviço de informações veio agora a público, depois de os EUA terem ameaçado o Irão com acção militar para impedir o seu armamento nuclear, só agora se sabe que as investigações científicas e técnicas para esse fim tinham terminado já em 2003. E assim se desestabiliza um País com uma longa história cheia de factos exemplares.

Depois de tantas medidas oficiais e de ONGs para apoio aos refugiados do Darfur e para acalmar os actos ditatoriais de Robert Mugab, vemos agora estas situações serem consideradas banais e sem importância que justifique o incómodo dos diplomatas. Ou andam todos a enganar o Mundo ou andam de olhos fechados para as realidades. Qualquer destes casos é de lamentar e levam a perguntar como acreditar nos diplomatas, nos políticos ou nos governantes?

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segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Diplomacia emperrada

Num texto no Blogue A Voz do Povo, Víctor Simões alerta para o pouco cuidado que as embaixadas e seus serviços dedicam à protecção da defesa dos nossos emigrantes, aqueles cujas remessas representavam, há poucos anos, uma grande fatia do nosso PIB e um factor muito considerável do equilíbrio da nossa balança de pagamentos. Cita concretamente o caso de António Marques, ex-trabalhador temporário na Suíça, que foi vítima de negligência médica que o incapacitou definitivamente para o trabalho, foi reformado por esse motivo e também forçado a sair da Suíça por ser trabalhador sazonal, como o próprio conta no JN de 19-11-2006 na pág. 5, e refere também o caso dos trabalhadores na Holanda que apresentou uma sombra negra no bom nome de Portugal e da sua diplomacia.

Os nossos emigrantes merecem e precisam ser apoiados. É necessário que os serviços do Estado melhorem a sua eficiência e, para isso, é indispensável chamar a atenção para o que está mal. Já é tempo de acabar com a diplomacia do copo e do croquete. As actividades dos diplomatas que lhes ocupam mais tempo são as festarolas, aqui e ali, de copo numa mão e o croquete na outra. Recorde-se, por exemplo, a tardia e pouco eficiente acção da nossa embaixada no SE asiático por altura do tsunami.

Mas, quando os casos são cobertos pela comunicação social, tudo muda de figura. Os actores gostam de ser aplaudidos e das luzes da ribalta. Uma jornalista foi evacuada do Iraque, no início da guerra, em avião especial, uma jornalista que foi apanhado com droga num País do Golfo Pérsico, originou movimentações singulares por parte do ministro dos Negócios estrangeiros, com nítida ingerência no funcionamento da Justiça daquele Estado. É útil ao País, é um serviço público denunciar aquilo que está mal, na esperança de que a diplomacia se lubrifique e deixe de estar emperrada.

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domingo, 19 de novembro de 2006

Relações internacionais são interesseiras

A propósito do «post» «Chover no Molhado», parece oportuno relembrar alguns conceitos básicos que ajudam a compreender as realidades das relações internacionais.
Um Estado bem governado, mais do que uma empresa bem gerida, conduz os seus destinos baseado num cenário coerente de objectivos e interesses nacionais servidos por estratégias adequadas em que se inscrevem as decisões da vida corrente. Isto explica que as posições internacionais dos países melhor estruturados não sofram alterações muito visíveis quando mudam, democraticamente, os governantes.

Ao observarmos aquilo que se passa no Mundo, nomeadamente, as ingerências na vida interna de Estados de menor capacidade, devemos procurar compreender os interesses vitais ou importantes que estão em jogo. De um Estado com uma economia desenvolvida é de esperar que procure garantir as fontes de matérias primas, principalmente o petróleo, para o funcionamento da sua indústria e outros sectores económicos e, também, os mercados que serão destino dos seus produtos acabados. Olhando para os acontecimentos dos anos mais recentes, vemos que as localizações dos conflitos, armados ou simplesmente económicos, coincidem com as fontes dos principais recursos estratégicos. O centro do continente africano tem vivido à margem de grandes conflitos.

Interrogamo-nos qual a importância atribuída às pessoas que acabam por ser as principais vítimas inocentes desta dinâmica do poder. Numa visão simplista, há os exemplos de Abel e Caim, há a dicotomia de nós e os outros. Toda a actividade governativa dum País desenvolvido deve ser orientada para o aumento da qualidade de vida, bem-estar, comodidade, riqueza, felicidade, dos seus concidadãos. Quanto aos outros, os dos países de onde se retiram os preciosos recursos económicos, espera-se que os seus governantes se preocupem com as suas condições de vida. Só que esses governantes, pela sua falta de preparação técnica e ética, e pela sua falta de força dialogante, pouco podem fazer perante a potencialidade gananciosa e exploradora dos grandes.

A natureza humana não é, na essência, diferente da que se verifica nos animais, em que os fracos são dominados pelo líder da alcateia, da manada, que é sempre o mais forte e poderoso. Nos humanos, quer individualmente quer entre os Estados, o mais poderoso, que dispõe de mais eficientes meios de poder e coacção, domina os outros que ficam constrangidos e condicionados a colaborar com os seus interesses. Contra isto pouco pode ser feito com eficácia e em beneficio dos mais desprotegidos. «Ai dos vencidos», ai dos pobres e dos desprovidos. Nem as organizações mundiais como a ONU e as suas diversas agências têm feito sobressair acções de generosidade com eficiência sustentada no sentido de ser criada maior equidade global. Por isso, todos e cada um devemos levantar a voz contra as situações gritantes de que haja conhecimento, mesmo que pareça estarmos a clamar no deserto.

Não há razões para serem alimentadas vãs esperanças nas mudanças de líderes estatais, das quais poderão sair alterações internas significativas, mas no relacionamento internacional apenas serão possíveis pequenas variações, porque eles não irão afastar-se dos objectivos e interesses nacionais e das directrizes estratégicas fundamentais, já consolidadas pela história e pela tradição.

Se não enquadrarmos os fenómenos internacionais nesta quadrícula, nada resulta de criticas avulsas a governantes menos dotados intelectualmente e férteis em gafes hilariantes, porque eles não estão sós e agem sob controlo de órgãos democraticamente eleitos. Refiro-me a Estados democraticamente organizados e mundialmente reconhecidos como tal.

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