segunda-feira, 20 de junho de 2011
Diálogo em vez de guerra
É uma atitude louvável que só perde por ser tardia. Estes casos fazem nos pensar: se todos os conflitos acabam sempre com conversações, depois de tantas perdas de vida e de recursos, alguns de valor histórico, arqueológico e cultural que são irrecuperáveis, porque é que, antes das primeiras agressões bélicas, não são efectuadas negociações para sanar o atrito e reforçar a Paz? Fica-se sempre na dúvida de quais são as forças poderosas e diabólicas que levam às guerras, pois dadas as qualidades intelectuais e de bom senso dos governantes, tais poderes ocultos devem ser terrivelmente potentes. Será apenas o «complexo industrial militar» a que Eisenhower se referiu?
Este tema já aqui foi abordado várias vezes de que se refere, por exemplo:
Guerra a pior forma de resolver conflitos
Negociação em vez de guerra
A Paz pelas conversações
Qualquer guerra é uma tragédia evitável A Paz como valor supremo
Imagem do Google
Posted by
A. João Soares
at
19:06
4
comments
Labels: conversações, diálogo, negociação, paz
domingo, 20 de março de 2011
O Mundo pela paz
Perante a notícia de que Mísseis da coligação começaram ofensiva contra Khadafi, na sequência de decisão da ONU, com apoio da União Europeia, da Liga Árabe e da Unidade Africana, parece poder concluir-se que o mundo está no bom caminho, na defesa dos direitos humanos e da democracia e na luta contra ditadores e opressores das liberdades fundamentais. Este caso vai além de conflitos internacionais para entrar em assuntos internos de injustiça social em que se previam massacres acrescidos contra populações descontentes com governo iníquo.
Ao dizer isto, não contradigo o muito que aqui tenho publicado em defesa da paz pelas conversações, negociações e contra a guerra. Esta deverá ser a última medida depois de terem fracassado todas as tentativas pacíficas de solução para dificuldades de entendimento.
Quem, pesquisar nos meus blogs pelas palavras conversações, negociação e paz encontra variados títulos de que cito os seguintes, por ordem alfabética, para facilitar o trabalho a interessados mais carentes de tempo:
A Paz é possível
A paz do mundo sujeita a irresponsáveis
A Paz no Mundo será possível?
A Paz pelas conversações
Ambições vs. Direitos Humanos
Conversações em vez de Confronto
EUA preferem a diplomacia à guerra com o Irão
Forças Armadas em vias de extinção???
Guerra a pior forma de resolver conflitos
Negociações. Coreia do Norte abre uma porta?
Negociação em vez de guerra
Nobel da Paz. Negociação e Mediação
Nobel da Paz 2009
ONU, crise e paz internacional
ONU Paz e Justiça Social global
Paz pela negociação.
Pela paz, todo o esforço é útil
Qualquer guerra é uma tragédia evitável
Imagem do Google
Posted by
A. João Soares
at
07:41
0
comments
Labels: conversações, negociação, paz
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Instrumentos do Poder
O jornalista Luís Portela, na sua crónica do Jornal de Notícias, Força Universal, apresenta um tema que merece atenta reflexão e ao qual vou dedicar umas linhas para chamar a tenção dos leitores para o artigo completo (basta fazer clique sobre o seu título) e para lembrar aos meus visitantes assíduos deste que o tema foi aqui focado em vários posts linkados no fim deste texto.
Luís Portela começa por referir que «parece que os homens primitivos procuravam impor as suas ideias e dominar os outros pela força física. Algumas pessoas ainda hoje utilizam esses métodos.» Depois a casta dava poder aos privilegiados. Veio também a valorização de factores como «a linhagem, a raça, a classe social, o nível de acumulação de bens materiais, …
Depois o valor pessoal passou a assentar nas capacidades demonstradas «na ciência, nas artes, na economia, no desporto… Não precisavam de impor, antes iam conquistando.» Foram percebendo que «a sua capacidade de realização, crescendo com a sua vontade, a sua paciência, a sua persistência, a sua coragem, a sua determinação, seria tanto maior quanto maior fosse o seu respeito pelas leis universais.»
«A actuação de seres como Einstein, Gandhi, Teresa de Calcutá ou Nelson Mandela faz-nos ponderar que a verdadeira força não é a física ou das armas, não é a da classe social ou política, não é a económica ou do conhecimento meramente científico. Leva-nos a pensar que a verdadeira força pode abarcar tudo isso, mas está para além de tudo isso.»
«Faz-nos ponderar que a verdadeira força vibra em cada um de nós, como partículas da Força Universal. Faz-nos sentir como parte integrante dessa Força Universal, embora por vezes, ou muitas vezes, esquecidos dessa realidade. Faz-nos sentir que essa Força Universal está espelhada em cada um de nós, ou seja, que cada um tem em si todo o seu potencial. A explorar de si para consigo, de si para com o Todo. Sem necessidade de impor seja o que for, seja a quem for. Em harmonia, serenamente, com Amor.»
Esta explicação vem reforçar, por palavras diferentes os temas abordados nos posts seguintes:
- A Paz no Mundo será possível?
- A Paz pelas conversações
- Negociação em vez de guerra
- Guerra a pior forma de resolver conflitos
- Nobel da Paz. Negociação e Mediação
- Humanidade sem terrorismo
Posted by
A. João Soares
at
10:11
1 comments
Labels: Amor, conversações, negociações, paz
sábado, 24 de outubro de 2009
Qualquer guerra é uma tragédia evitável
Foram muitas vezes aqui abordados os temas «conversações», «negociações» e «paz» (procure cada um destes itens através da caixa de pesquisa do blogue) e, como noutro post recente ficou escrito, não se tratava de mera utopia ou imaginação lunática, mas de um desejo convicto e uma percepção de que isso é possível, assim haja cérebros iluminados à frente dos Estados. Se todas as guerras terminam num tratado de paz à mesa de conversações, pergunta-se porque não fazer conversações e negociações em vez de guerras que destroem vidas e recursos materiais, históricos e culturais?
Repito aqui estas palavras por ter lido hoje as seguintes notícias «Bombardeamento norte-americano mata 22 pessoas no Paquistão»e «Quatro civis mortos por soldados da OTAN no Afeganistão» e ficado com vária interrogações acerca da sanidade mental dos causadores destas perdas de vidas e a destruição de património e recursos variados que se perdem estupidamente. À pergunta «quem ganha com estas devastações?» é fácil responder que são os industriais de material bélico e fornecedores de todos os serviços logísticos necessários aos militares. Mas as decisões de fazer a guerra cabem aos políticos, o que levanta a questão da fonte do Poder, de quem manda realmente na vida internacional.
Das guerras mais recentes – Somália, Sérvia Kosovo, Irão, Afeganistão – dificilmente se compreendem motivos que as justifiquem inteiramente e que, mesmo em termos materialistas, mostrem vantagens nas decisões tomadas. E a mais preocupante dúvida refere-se ao papel da ONU, e das vantagens da sua existência no tocante ao problema da Guerra e da Paz. Os resultados não são nada eloquentes e lisonjeiros.
Quando será que os estadistas do mundo, principalmente das grandes potências, decidem acabar com a belicosidade e recorrer mais decididamente à diplomacia. Por exemplo quando se acaba com a ilusão da «não proliferação nuclear» e se decide a eliminação de todas as armas nucleares existentes? Tal como hoje está, havendo igualdade de direitos entre os Estados, nenhum tem o direito de possuir tais armas e querer impedir os outros de as adquirirem. Portanto a melhor solução é a sua eliminação total sem excepção.
Posted by
A. João Soares
at
19:11
2
comments
Labels: conversações, guerra, negociação, paz
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Negociações. Coreia do Norte abre uma porta?
Tem sido aqui defendido que os desentendimentos internacionais deveriam ser resolvidos por diálogo, conversações, negociações, enfim, acções diplomáticas, apoiadas em acções económicas e, eventualmente, demonstrações de força militar a baixo nível de perigo de intervenção. Cito os posts: Negociação em vez de guerra, A Paz pelas conversações Para evitar conflitos armados, cada um com links para vários outros.
Por isso, se encara a ida do ex-presidente Bill Clinton a Pyongyang que, embora a pretexto de tentar conseguir a libertação das duas jornalistas norte-americanas (o que seria um motivo insuficiente para tal deslocação), pode muito ser o início (ou continuação) de medidas diplomáticas para a total integração da Coreia do Norte na comunidade internacional e evitar inconvenientes conflitos armados (muito menos nucleares) com os vizinhos.
Esta notícia é motivo de esperança e de optimismo, em conformidade com os conceitos aqui expendidos repetidamente.
Posted by
A. João Soares
at
09:57
0
comments
Labels: conversações, diálogo, negociação, paz
domingo, 12 de julho de 2009
Cessem armas, guerras e agressão
Gentalha... p'rá batalha... mas eles que fiquem na fila da frente
Deixem-me gritar e clamar bem alto,
Por milhões de seres vivendo em dor,
E cujo sofrimento eu exalto,
Fiel, que sou, à força do AMOR.
São já milhões os pobres inocentes,
Em sofrimento atroz por tanta guerra,
Com o recurso a armas tão potentes,
Que podem destruir a própria terra.
Disputas de interesses, de ganância,
Invadiram sistemas, em nações,
Para os quais nada serve a importância
Dos direitos humanos, sem excepções.
São valores que procuram camuflar
Com estudadas leis, feitas a seu jeito,
Contudo, esse tratado a respeitar,
Não é uma coisa vã ..., é um direito!
Cessem as armas, guerras e agressão,
Provocadas por gente que se diz
Detentora da força da razão,
Mas não passam dum molho de imbecis.
E se querem lutar, que sejam eles
Os primeiros da fila, essa gentalha.
Façam esta opção, que é menos reles,
Voltem de novo às lutas, por batalha!
NOTA: Desta poesia é autora a amiga e colega do Sempre Jovens, Maria Letra. Foi publicada no SJ de onde foi transcrita, pela sua força como grito de alerta contra as armas, as guerras e as agressões.
Este grito de alerta devia ser bem ouvido pelos responsáveis que, no tocante a guerras, mais parecem irresponsáveis e inimputáveis, pois os milhões de mortos feridos e despojados dos seus haveres, por exemplo no Iraque (o caso mais recente) não são «lavados» por qualquer processo de raciocínio ou justificação lógica.
Quem ganhou com este morticínio, com o desgaste de património histórico, cultural e artístico e os haveres das pessoas? Só os industriais de armamento e equipamento militar e os dos combustíveis.
O mundo não pode continuar a ser imolado impunemente por estes ambiciosos sem a mínima sombra de escrúpulos e que agem com a cobertura de políticos, ditos democráticos, eleitos por cidadãos que agem estupidamente como ovelhas ao elegê-los para dirigentes dos destinos dos seus Estados.
O mundo tem que mudar urgentemente.
A este tema, de forma mais ou menos directa se referem, entre outros, os seguintes posts deste blog:
- ONU, crise e paz internacional
- A Paz no Mundo será possível?
- Dia Internacional da Paz
- A Paz pelas conversações
- Paz pela negociação
- Conversações em vez de Confronto
- Para evitar conflitos armados
- Guerra a pior forma de resolver conflitos
- Negociação em vez de guerra
Posted by
A. João Soares
at
17:12
0
comments
Labels: conversações, diálogo, diplomacia, negociações, paz
domingo, 17 de maio de 2009
A Paz no Mundo será possível?
A resposta à interrogação do título tem de ser afirmativa, ou não fosse eu um optimista, embora preocupado. Procurando neste espaço os posts dedicados à Paz, negociação, conversações, encontra-se o fundamento desta resposta. Realmente, basta que os governantes, bem como os líderes de grupos rebeldes se revistam de uma capa real de civismo, humanidade, democracia no verdadeiro sentido de respeito pelos povos, pelos direitos humanos e despindo-se de ambições pessoais de riqueza rápida e desmedida e de vaidades.
Vale a pena ler as palavras de Sua Santidade o Papa nos artigos a seguir linkados sobre a sua recente visita ao Médio Oriente:
Papa pede “não mais terrorismo, não mais guerra” na despedida de Israel
Papa reza no Santo Sepulcro e pede liberdade religiosa em Jerusalém
Papa pede aos cristãos para ficarem em Israel e na Palestina
Mas, infelizmente, os governantes e os líderes de grupos rebeldes, não primam pelas qualidades desejáveis atrás referidas e, por isso, as notícias chovem impiedosamente, como ácido corrosivo que transforma o mundo num inferno em que os que mais sofrem são inocentes, crianças e idosos, a quem não é possível continuar a viver uma vida sossegada a que têm direito como seres humanos.
Vejamos algumas dessas notícias mais recentes:
Sri Lanka: Mais de 70 rebeldes Tamil foram mortos - Exército
Sri Lanka diz ter derrotado Tigres Tâmiles
Milhares de civis em fuga dos combates entre Exército e Tigres Tamil
Colômbia: Pelo menos 12 mortos em ataques da guerrilha desde sexta-feira
Posted by
A. João Soares
at
10:28
2
comments
Labels: conversações, negociação, paz, terrorismo
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Diálogo com as FARC é necessário
Entrevista transcrita do JN de hoje que vem confirmar o conceito várias vezes aqui referido de que a solução militar para o «terrorismo» raramente é a mais adequada em eficiência, justiça e rapidez.Clara Rojas defende que a via militar é insuficiente para acabar com o conflito na Colômbia. Acusa os guerrilheiros de práticas reprováveis, mas reconhece que fizeram tudo para salvar o seu filho nascido na selva.
"É preciso procurar o diálogo com as FARC"
Por Clara Vasconcelos
Clara Rojas fala pausadamente e numa voz sumida. Tem 45 anos e é muito magra. Pouco mais de um ano após ter sido libertada do cativeiro em que a mantiveram as FARC durante seis anos, afirma que está, sobretudo, empenhada em recuperar a sua vida, junto do filho Emanuel, nascido na selva, em condições quase inimagináveis.
Depois dos seis anos de cativeiro, a sua posição sobre as FARC mudou?
Penso que as FARC são um grupo à margem da lei, que está autista. Estão imersos na selva, sem conexão com o mundo exterior e pensando que podem sobreviver sem ser parte deste mundo global. A mim surpreende-me, porque se pretendem reivindicar algo, fecharem-se não é a melhor solução, pelo contrário. E parece-me que com este tipo de práticas, como o sequestro, não vão chegar a lado nenhum. Quando digo que estão fechados, pretendo dizer que não estão à procura de alternativas nem de uma resposta séria para resolver os problemas.
Mas era já isso o que pensavas das FARC e que não mudou após o cativeiro?
Eu sabia das FARC através do que li na comunicação social e em alguns livros sobre a sua história sobre os seus líderes, sobre os processos falhados de paz, mas, digamos, que era uma atitude mais intelectual. Nunca me sentei comum comandante para saber o que pensava. E já sequestrada verifiquei que não era só uma posição intelectual. Se estão na luta armada, algum ideal devem ter, não é? Mas vi-os sem ideias e sem saída.
Considera que são terroristas?
Creio que são um grupo armado, à margem da lei e que cometem práticas que são reprováveis, como a prática do sequestro.
Foi por isso que não apoiou a proposta de Hugo Chavez de os retirar da lista de organizações terroristas internacionais?
O que eles fazem é reprovável, é reprovável que sequestrem, é reprovável que não saibamos claramente qual é a origem dos seus recursos financeiros, que não tenham nenhuma proposta...são factos e há que dizê-lo.
No entanto, defendeu que o presidente colombiano deve ser "mais flexível" com as FARC. O que significa isso?
Parece-me que a única alternativa para alcançar uma solução para o conflito é o diálogo. Até porque há outras pessoas sequestrados e,portando, há que buscar outros canais. Se a resposta militar não é suficiente, há que procurar outros canais e definitivamente acabar esse conflito que já dura há tantos anos.
Depois da leitura do seu livro, fica-se com a sensação de que os guerrilheiros a trataram melhor do que os seus companheiros de sequestro. Foi assim?
Não chegaria a esse ponto. A mim o que mais me afectou, talvez porque não esperava, foram algumas atitudes, mas também entendo que vivíamos com uma presença militar muito forte, a presença guerrilheira também era muito forte, muitos tinham problemas de saúde ...digamos que o esforço que faço é reconhecer que entre os guerrilheiros houve um momento, quando tiveram oportunidade e que foi quando eu tive o meu filho, em que me ajudaram. Deram-me a mão. Com os escassos meios que tinham. Se assim não fosse, talvez hoje não estivesse vivo. E isso eu devo reconhecê-lo. Mas também sei que se quisessem libertar-me , podiam-no ter feito. E não o fizeram.
Já voltou à sua profissão de advogada?
Não. Não tenho tido tempo. Desde que fui libertada, que me preocupa, sobretudo, a questão da saúde, minha, da minha mãe e do meu filho. E também andei ocupada com a parte logística: onde vamos viver e de que vamos viver. Precisei também de tempo para escrever o livro e agora tenho-me dedicado a cumprir os compromissos com as editoras e com acções humanitárias, para ajudar a libertar as pessoas que ainda estão sequestradas.
Pensa voltar à política?
Talvez, mas neste momento, não penso nisso. Pelo menos no futuro imediato não.
E se voltar, volta ao partido verde Oxigénio?
Não pensei nisso.
No livro, não consegue explicar o que motivou o seu afastamento de Ingrid Bettancourt...
Não.
Como interpreta o silêncio dela em relação a este seu livro?
Não tenho nenhum comentário. Nem tenho nenhuma expectativa. A recepção ao livro, na generalidade, tem sido positiva. Mas sobre o que ela possa pensar, não tenho nenhuma informação e também não estou à espera dela.
Posts que abordam resolução pacífica dos conflitos:
- Conflitos evitáveis
- Negociação em vez de guerra
- Reflexões sobre a guerra
- Para evitar conflitos armados
- Nobel da Paz. Negociação e Mediação
- Conversações em vez de Confronto
- Relações internacionais mais pacíficas?
- Humanidade sem terrorismo
- Terroristas, dissidentes ou apenas oposição?
- Negociar, coligar em vez de utilizar as armas
- A Paz pelas conversações
- Guerra a pior forma de resolver conflitos
- Paz pela negociação
- A Paz como valor supremo
Posted by
A. João Soares
at
09:46
4
comments
Labels: conversações, diálogo, negociação
domingo, 7 de setembro de 2008
Conversações em vez de Confronto
Transcrição da segunda parte do editorial do DN de hoje seguida de NOTA.
A marca USA está muito desprestigiada no mundo árabe. A invasão, sob falsos pretextos, do Iraque, por mais que tenha livrado o seu povo da sangrenta tirania de Saddam Hussein, não despertou as elites árabes para novos voos democráticos nos seus países. Exacerbou o confronto entre milícias xiitas e sunitas, criou 4 milhões de refugiados na região e exponenciou a influência do Irão no Iraque, na Síria, no Líbano e na Palestina.
O que funcionou na redução de tensões regionais foi a cenoura e não o cacete: tanto na Coreia do Norte, como na Líbia, a estratégia do confronto tornou-se demasiado cara para ser prosseguida sem fim à vista. Do alegado Eixo do Mal pouco resta: desde Julho passado que os EUA se fazem representar ao mais alto nível nas conversações sobre o nuclear no Irão; o Departamento de Estado, ainda que timidamente, manifestou o seu apoio às conversações indirectas entre Israel e a Síria, mediadas pela Turquia, para negociar um tratado de paz, pendente há 41 anos.
É neste contexto que deve entender-se a viagem de Condoleezza Rice a quatro países do Magrebe, entre eles o ex-Estado pária da Líbia. Chegou o tempo da diplomacia activa a Washington. Mas, perante os estragos causados nos desastrosos oito últimos anos, a tarefa de reganhar a confiança do mundo árabe não será uma tarefa fácil para a próxima Administração americana, seja ela qual for.
NOTA: Já há muito que aqui se defende a vantagem de conversações francas, para resolver situações de atrito e fortalecer a cooperação para bem dos respectivos povos e da humanidade em geral. O confronto nunca é uma solução definitiva, pois o encerramento da acção armada exige sempre a assinatura do tratado de paz precedido de conversações apoiadas por terceiros países. Coloca-se a pergunta, porque não proceder a tais conversações antes de desencadear do conflito armado. Talvez a explicação esteja na ambição dos construtores de armamento, na vaidade e ambição material dos governantes.
Títulos sobre este tema aqui existentes:
- Relações internacionais mais pacíficas?
- Negociar, coligar em vez de utilizar as armas
- A Paz pelas conversações
- Guerra a pior forma de resolver conflitos
- Paz pela negociação.
- A Paz como valor supremo
- Guerra de civilizações ou guerra de tradições?
Posted by
A. João Soares
at
10:55
0
comments
Labels: conversações, diplomacia, negociação, paz
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Relações internacionais mais pacíficas?
É opinião generalizada que o mundo está cada dia mais violento e sujeito à eclosão de conflitos. Talvez essa sensação seja adquirida por influência da pequena criminalidade local ou devido a leituras apressadas e pouco esclarecidas das notícias.
Com efeito, uma análise mais cuidadosa e desapaixonada permite obter conclusão diferente. Apesar de conflitos de média intensidade como o da Geórgia, são raras as situações violentas entre Estados, embora o poder pacificador da ONU esteja muito reduzido. Quando as relações entre Estados começam a aquecer, surgem as potências mais influentes a propor o diálogo e a oferecerem-se para negociadores e moderadores, principalmente quando se trata de regiões com interesses geoestratégicos dessas potências, quer pela posição geográfica quer pelos recursos naturais.
Foi desta forma que se resolveu a questão da Coreia do Norte que acabou por suspender a ameaça de arma nuclear que preocupava os países vizinhos e o da outra margem do Pacífico.
Também o Presidente Muamar Kadhafi deixou de integrar o «eixo do mal» para passar a ser um bom amigo de muitos Países do Ocidente, em que Portugal se inclui. O início da viragem partiu de conversações da Grã-Bretanha e França com a Líbia, antes de desencadeada a intervenção no Iraque, e o fortalecimento das relações deveu-se principalmente ao fornecimento de petróleo, quando esta fonte de energia teve grande alta de preços sustentada por muitos meses.
Quanto ao Zimbabwe, o problema interno da fome e da desejada substituição de Robert Mugabe, que se revestiu de hostilidade verbal a países vizinhos e europeus parece estar próximo de uma solução negociada e sustentável com um governo contando com nomes da oposição. A solução deveu-se a pressões de chefes de Estado, nomeadamente o da República da África do Sul. A União Africana já tinha intervindo nos casos do Sudão (Darfur) e no Quénia, o que evidencia a importância do tema deste post.
O Sara Ocidental, embora não esteja definitivamente resolvido, tem evoluído de forma pacífica, evitando a continuação da guerrilha de há mais de duas décadas. No entanto continua por realizar o referendo popular no Sarah, prometido pela ONU há mais de duas décadas.
A independência do Kosovo, embora sem colher o voto favorável de todos os sujeitos de direito internacional, está praticamente arrumado, sem a ameaça de repetição do conflito de há pouco mais de uma década.
O próprio Irão que se mostrou tão irredutível quanto à energia nuclear, já aceita solução negociada para a resolução do diferendo.
Agora, o conflito da Geórgia por causa da Ossétia do Sul e da Abkásia está em situação de cessar-fogo, com boas perspectivas de entendimento definitivo.
A Caxemira onde ainda não se efectuou o referendo prometido pela ONU em 1948, depois da primeira guerra por sua causa entre a índia e o Paquistão, e que depois originou outro conflito em 1965, tendo, a partir daí, sido palco de pequenos conflitos que raramente preocuparam demasiado os países vizinhos. Vale a pena recordar que quando foi dada a independência à Índia inglesa foram, por motivos de religião, criados dois estados, a Índia e o Paquistão. No entanto a Caxemira, onde a maioria da população é muçulmana e que, por isso, devia ter sido integrada no Paquistão ficou submetida à autoridade hindu, por o seu Administrador ter essa religião, o que originou o mal estar posterior. No conflito mais recente, em que os dois vizinhos, ambos com capacidade nuclear, deslocaram os seus lança-mísseis para perto da fronteira, houve sérias preocupações de resultados demasiado funestos. Mas as intervenções oportunas e eficientes de estadistas mundiais conseguiram acalmar os ânimos, evitando que fosse ultrapassado o ponto de não retorno.
Notícias muito recentes anunciam o restabelecimento de relações diplomáticas entre a Síria e o Líbano, com o respeito mútuo pelas respectivas soberanias, pondo fim a uma espécie de ocupação colonialista da «Sintra do Médio Oriente» pela sua vizinha Síria.
Embora informalmente, existem na comunidade internacional dos nossos dias caminhos para restabelecer e manter uma paz sustentável, no que se refere aos conflitos mais perigosos. Há nas grandes potências predisposição para pequenas cedências de parte a parte a fim de evitarem um conflito do género II Guerra Mundial que, com as actuais armas de destruição massiva, significaria o fim da humanidade.
Porém, no Sri-Lanka (antigo Ceilão e Taprobana) a guerra interna com os independentistas Tamil, embora tenha tido varia tréguas de curta duração, ainda continua, devido à teimosia irredutível da Sra Chandrika Bandaranaike Kumaratunga, filha de um dos autores da independência, Solomon Bandaranaike, assassinado em Setembro de 1959. Mas, embora frequentemente ocorram numerosas baixas não passa de um problema interno sem colocar e risco a paz mundial.
Sobre este tema, abordado com uma perspectiva diferente, pode ler-se o post «Precisam-se novas praticas» e «Os amigos são para as ocasiões» no blog de AP, em que refere de modo curioso o conflito entre a Rússia e a Geórgia, devido à Ossétia do Sul. Também podem ser consultados inúmeros posts aqui publicados sobre a vantagem de os desaguisados internacionais serem resolvidos pela via pacífica, da negociação, em vez de acções bélicas. As forças militares bem poderiam ser mantidas apenas para obter efeitos de dissuasão (evitando conflitos) e para retaliação (no caso de algum Estado incauto pisar o risco).
Links para posts referidos ao tema:
- Caxemira, um caso pendente
- Negociar, coligar em vez de utilizar as armas
- Sara Ocidental, Polisário
- A Paz pelas conversações
- Guerra a pior forma de resolver conflitos
- Paz pela negociação
- A Paz como valor supremo
- Guerra de civilizações ou guerra de tradições?
Posted by
A. João Soares
at
17:38
2
comments
Labels: conversações, cooperação, negociação, paz
sexta-feira, 7 de março de 2008
Terroristas, dissidentes ou apenas oposição?
Na Colômbia, desde 1978, já lá vão 30 anos, as Forças Armadas governamentais têm combatido as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), sem sucesso, como se vê pelas notícias mais recentes.
No Sri Lanka, que já teve os nomes de Taprobana, Serendib e Ceilão, a família Bandaranaike, sucessivamente no Governo, tem enfrentado o conflito com a população tamil, alimentado por razões étnicas e religiosas. Os Tigres Libertadores do Eeelam Tamil (LTTE) controlam totalmente a província de Jaffna, no norte e reivindicam a fusão das províncias do Norte e do Leste para constituírem um Estado a que chamam de Eeelam Tamil.
Os curdos querem criar um Estado que se estende por parte da Turquia, do Iraque e do Irão, mas têm sido contrariados com as consequentes perdas de vidas.
Além destes, há muitos outros casos, mais ou menos conhecidos, de dissidências ou de oposições menos respeitadas e mais oprimidas, que, devido à arrogância do Poder instituído, muitas vezes de forma fraudulenta, ocasionam violência excessiva e inútil de que resultam perdas de vária ordem e a criação de um clima de insegurança e de medo que nada contribui para a paz de espírito e a felicidade dos povos. E, com isso, endurecem os ódios que tornam menos viável uma resolução pacífica da situação.
Pode afirmar-se, de uma forma geral, que, em cada caso, se as partes em confronto se interessassem verdadeiramente pela felicidade dos habitantes e o desenvolvimento sócio –cultural do País, tudo se poderia resolver pacificamente pelas negociações, a bem das pessoas.
Agora na América Latina desenhou-se uma perspectiva de guerra entre a Venezuela e a Colômbia, com o perigo de atrair terceiros em apoio de um e de outro, podendo atingir dimensões de tragédia continental. Mas, entretanto, surgiram mediadores que procuraram amaciar as relações entre as partes. Oxalá seja obtido o melhor resultado e que, entretanto, a Colômbia se entenda da melhor forma com as FARC, em benefício do País em que todos devem viver em harmonia.
Sobre os perigos das guerras e as vantagens das resoluções pacíficas de conflitos já aqui foram colocados os seguintes textos, entre outros:
Negociar, coligar em vez de utilizar as armas
A Paz pelas conversações
Guerra a pior forma de resolver conflitos
Paz pela negociação.
A Paz como valor supremo
Posted by
A. João Soares
at
06:47
6
comments
Labels: conversações, negociação, paz
domingo, 15 de julho de 2007
Guerra a pior forma de resolver conflitos
Como já aqui escrevi, a mais desejável forma de resolver conflitos internacionais é o diálogo, a negociação que, através de cedências de parte a parte, conduz ao restabelecimento da confiança e de relações de convivência pacífica. O recurso à guerra arrasta inconvenientes graves para vencedor e vencido, com a destruição de recursos materiais e perdas de vidas. E no fim das hostilidades armadas, é na mesa das conversações se consolida a paz, apetecendo perguntar porque não foi por essa mesa que se tentou de início resolver o diferendo. Duas notícias vêm agora reavivar este tema: da Coreia do Norte e da Rússia. 14Nov06 - relações internacionais são interesseiras 29Nov06 - relações internacionais entre amor e medo 01Dez06 - Guerra de civilizações ou guerra de tradições? 02Jan07 - A Democratização nuclear é previsível
Coreia do Norte
Após três semanas de desenvolvimentos positivos, no âmbito das negociações entre Estados Unidos, Japão, Rússia, China e as duas Coreias, em torno da crise nuclear norte-coreana, foi conseguido o acordo de Fevereiro, em Pequim. Com ele, Pyongyang aceitou o princípio do desmantelamento do seu programa nuclear em troca de uma série de ajudas económicas e humanitárias e de garantias de segurança por parte dos EUA, além da devolução das verbas retidas durante a investigação a um banco de Macau, acusado de envolvimento no tráfico de divisas para a Coreia do Norte.
Com este avanço que estabeleceu um bom grau de confiança entre a partes em conflito, a Coreia do Norte recebeu ontem o primeiro de uma série de carregamentos de combustível acordados em troca do encerramento do reactor nuclear de Yongbyon, cujo fecho formal foi anunciado ao final do dia.
O subsecretário de Estado americano Christopher Hill, principal responsável dos EUA envolvido no dossier nuclear norte-coreano, classificou a desactivação do reactor como "um primeiro passo" na direcção certa. As 6200 toneladas que chegaram ao porto de Sonbong, no nordeste do país, representam apenas a primeira parte das 50 mil toneladas que Pyongyang receberá pelo fecho de Yongbyon. Quando concluir o desmantelamento do seu programa nuclear, Pyongyang receberá um milhão de toneladas de combustível.
Rússia
As negociações nem sempre são fáceis e isentas de tomadas de força, quer diplomáticas, quer económicas, quer apenas de propaganda, por forma a cada um dos intervenientes poder fazer valer os seus trunfos, o que tem de ser conduzido com muita perspicácia, porque o «bluff» mal conduzido pode ultrapassar o pondo de não retorno e o conflito armado torna-se inevitável. Estou convicto de que foi assim que começou a guerra no Iraque ainda em curso.
Numa decisão digna de uma pequena Guerra Fria, Vladimir Putin assinou um decreto que suspende a participação da Rússia no tratado sobre armas convencionais na Europa (CFE, na sigla inglesa), um dos mais importantes documentos da nova ordem mundial. Na prática, Moscovo deixa de fornecer informações sobre as suas forças e a recusar inspecções.
A decisão responde à expansão da NATO e segue-se a opções ocidentais que Moscovo contesta, sobretudo a iniciativa americana de construir um escudo anti-míssil na Europa de Leste e a instalação de bases militares na Roménia e Bulgária. Os países europeus criticaram o decreto presidencial, embora em tom prudente.
A atitude russa surge menos de duas semanas depois de Vladimir Putin ter visitado o presidente americano, na residência da família Bush. Na altura, apesar dos problemas entre as duas potências, a cimeira parecera bem sucedida. O que divide russos e americanos tem a ver com a segurança na Europa, sobretudo a questão do Kosovo, o escudo anti-míssil e a entrada na NATO de países que pertenceram à esfera soviética.
Para enquadrar estes aspectos, poderão ser lidos os seguintes textos aqui «linkados»:
Posted by
A. João Soares
at
11:58
2
comments
Labels: conflito, conversações, diálogo, guerra, paz

