quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
GREVE PODE SER PATRIÓTICA?
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A. João Soares
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sábado, 13 de dezembro de 2014
PATRIMÓNIO NACIONAL EM PERIGO DE EXTINÇÃO
Transcrição de notícia de «Notícias ao Minuto»,seguida de NOTA:
Prata Centro de mesa da baixela da rainha D. Maria Pia vai a leilão
21:30 - 10 de Dezembro de 2014 | Por Lusa
O centro de mesa em prata da baixela da rainha D. Maria Pia, presente de casamento do seu pai, o rei Vitor Emanuel II de Itália, vai a leilão, em Lisboa, na próxima semana, informou a leiloeira.
O centro, de autoria do ourives Augustin Adolphe Veyrat, vai à praça com uma base de licitação entre os 15.000 e os 22.500 euros, mas a Direção-Geral do Património Cultural anunciou hoje, em Diário da República, a "abertura do procedimento de classificação do centro de mesa da baixela da rainha D. Maria Pia".
À Lusa, fonte da leiloeira afirmou que "a peça de maior relevância nacional é sem dúvida o centro de mesa da baixela em prata francesa da rainha, que reaparece num leilão de arte, em Portugal, 102 anos após a sua venda, também num leilão - esse organizado pelo Banco de Portugal", em 1912.
Segundo a mesma fonte, trata-se de "uma verdadeira surpresa, que nos traz de volta, completo e praticamente intacto - com a caixa de origem -- o majestoso elemento central dessa histórica baixela exposta no Palácio Nacional da Ajuda (PNA), em Lisboa".
Em 2001 a então diretora do palácio, Isabel Silveira Godinho, fez um apelo num canal televisivo, sem qualquer retorno, para se localizar o paradeiro desta peça, que pesa 31 quilogramas e tem as dimensões de 76 X 90 X 64 centímetros.
Segundo a descrição da leiloeira, trata-se de um grupo escultórico composto por cinco "putti" (figuras) entre "motivos vegetalistas e grinaldas", com "decoração relevada, perlada, cinzelada e gravada", com as armas reais de Portugal e Saboia, três cestos encanastrados, sendo o central fixo e os laterais suspensos e amovíveis, acompanhados por globo em cristal com tampa em prata com monograma da rainha D. Maria Pia. As três taças em vidro monogramado, pertencentes a cada um dos cestos referidos, encontram-se depositadas no PNA, disse a mesma fonte.
Maria Pia de Saboia, filha do primeiro rei de Itália, casou-se aos 15 anos, em setembro de 1867, com o rei de Portugal, D. Luís. A baixela foi um dos presentes do monarca italiano à filha, que, no batismo, tinha recebido do papa Pio IX a rosa de ouro, e quem a imprensa portuguesa ora apontava como "gastadora excêntrica", ora se referia como "anjo de caridade" ou "mãe protetora dos pobres".
A rainha, face às dificuldades da época, hipotecou à Casa Burnay e ao Banco de Portugal, vários objetos de valor, nomeadamente esta peça da baixela e cerca de 367 joias, que foram à praça em 1912.
Do leilão, que se realiza segunda e terça-feira próximas, fonte da Cabral Moncada Leilões destacou à Lusa a escultura com a representação de Vajrapani, em bronze dourado, da dinastia Ming, período Yongle (1360-1424), que qualificou como "incontornável", com uma base de licitação entre 80.000 e 120.000 euros.
Outro destaque é um contador indo-português, em madeira de teca, da segunda metade do século XVII, que vai à praça com uma base entre os 25.000 e os 37.500 euros.
A mesma fonte realçou, entre as peças a rematar, um álbum de autógrafos, escritos e desenhos, de Maria Amélia de Carvalho, condessa de Burnay, que foi continuado pela filha, Sofia, condessa de Mafra, e inclui autógrafos e desenhos de diversas personalidades ligadas à cultura e à literatura, portuguesas e estrangeiras, como Rafael Bordallo Pinheiro, José Malhoa, o rei D. Carlos, António Carneiro, Columbano Bordallo Pinheiro e Almada Negreiros, entre outros. Este álbum tem uma base de licitação entre os 25.000 e os 37.500 euros.
De referir ainda o carvão sobre lã de vidro, colada em tela, "Les irrésolutions Résolues VI", assinado por Maria Helena Viera da Silva, datado de 1969, que tem uma licitação entre os 30.000 e os 45.000 euros.
Nos dois dias de leilão, à praça vão joias, pratas, livros e vinhos.
NOTA:
Portugal, depois da venda das maiores empresas nacionais como a EDP, A Portugal Telecom, a TAP e outras, está com o seu património muito reduzido. Agora entra-se pelos jóias de museu legadas pelos notáveis de séculos anteriores. Pouco resta. As Matas nacionais, os monumentos, os palácios como a «casa do regalo», ou os conventos como o «Dos Dominicanos de Alcântara», irão a caminho. Depois serão as nossas costas mais atractivas para turistas veraneantes, o muitos hotéis já são propriedade de estrangeiros e, por fim, serão os locais de exploração de recursos naturais, como as minas de urânio, de cobre, de volfrâmio, etc.
A que ficará reduzido o activo de Portugal? Que garantia teremos para pagar a dívida permanente crescente devida ao défice endémico dos nossos orçamentos?.Será que os nossos governantes pensam nisso? Qual é o grau de patriotismo que eles possuem? Agora que se fala da avaliação dos professores, qual é a avaliação prévia dos políticos candidatos aos votos dos cidadãos eleitores e dos responsáveis por instituições públicas de cuja actividade resulta a melhor ou pior qualidade de vida dos cidadãos?
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A. João Soares
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sexta-feira, 26 de junho de 2009
Socorram o Arsenal do Alfeite
Transcrevo do Blog A Tulha do Atílio este post que merece muita atenção pela incoerência que denuncia num momento em que a atenção das pessoas foi chamada para o património que os portugueses de antanho deixaram pelo Mundo, enquanto todos continuam de olhos fechados para a preservação daquilo que por cá temos de imenso valor real e sentimental. É lamentável que ocorram tais actos de banditismo criminoso de lesa Pátria.
Banditismo Criminoso no Arsenal do Alfeite.
Será possível o que acaba de me ser transmitido, e que transcrevo ?
Se não tivesse ouvido de viva voz e visto e lido com os meus olhos, não acreditaria que seria possível de acontecer, no nosso pais. Um escândalo e uma irresponsabilidade tamanha que não é admissível acontecer.
Destruir uma parte da nossa memória colectiva. Destruindo aquela que é a maior e melhor colecção mundial na área da metalomecânica e da indústria naval De onde se destacam por exemplo cinco mil moldes que existem feitos todos em madeira (!) e que serviram durante décadas para construir peça a peça navios portugueses.
Mas há mais.
Desde todo o material fotográfico relativo ao lançamento e construção de navios no Arsenal do Alfeite até toda a documentação que existe desde 1939 e até alguma que existe desde os tempos do Arsenal de Lisboa que remonta ao século XVI.
Património, máquinas, equipamento, documentação, correspondência, únicos na Europa e no mundo estão a ser destruídos e nalguns casos vendidos a preços de 1939 (por cêntimos e por poucos euros a peça)!
Tudo isto e muito mais está a acontecer, a ser feito, quase debaixo do nosso nariz, com vários silêncios cúmplices, à excepção da Comissão de Trabalhadores do Arsenal do Alfeite que tem chamado à atenção para tudo isto com muita coragem.
É urgente que o Ministério da Defesa trave esta autêntica limpeza cega no Arsenal do Alfeite. É que a transformação do mesmo em sociedade anónima não pode validar autênticos atentados à nossa memória histórica.
A história de Portugal sempre esteve muito associada ao mar. Quer o Arsenal de Lisboa, quer o Arsenal do Alfeite nesse domínio têm muita da memória histórica da nossa indústria naval.
É urgente que se ponha termo a esta autentica limpeza e destruição de moldes, equipamento, máquinas, documentação e correspondência. Todo este espólio tem de ser recuperado, reunido, catalogado, tratado, preservado e colocado ao serviço do nosso país.
Criando-se, se necessário for, uma parceria com o Município de Almada.
Porque desmantelar e limpar o Arsenal do Alfeite por si só é um crime.
Que tem de ser punido.
Doa a quem doer!
Feliciano Barreiras Duarte
Professor Universitário
ATENÇÃO: Estamos em 27 de Junho às 06h00. Peço desculpa de ter aqui transcrito este texto do deputado que usa o título de professor universitário para, de forma grosseira, querer lançar lama para instituições respeitáveis faltando à verdade. como está documentado em comentário com texto do Engenheiro Construtor Naval, Contra-Almirante Victor Gonçalves de Brito. Como prezo a VERDADE e o meu bom nome, não posso deixar de aqui colocar este apontamento, inserido em igual post no blog Do Miradouro.
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A. João Soares
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sábado, 26 de julho de 2008
ASAE precisa ser revista
A Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) foi criada para substituir três instituições com finalidades tão semelhantes e mal definidas que, perante qualquer problema, todas se desculpavam da sua inoperância dizendo que ele era da responsabilidade das outras duas. Quando a mais antiga começou a funcionar mal, em vez de ser reformulada ou extinta, foi, no clássico sistema nacional, criada outra, e assim chegou a haver três, cada qual mais ineficaz. Foi, por isso, uma boa decisão extinguir as três e criar apenas uma, a ASAE.
Entretanto esta, que começou a mostrar trabalho útil, cedo adoptou excessos criticados por todos os sectores, principalmente na indústria da restauração. Os abusos e excessos chegaram ao ponto de serem estabelecidos objectivos da actividade, não pelas inspecções a fazer ou os esclarecimentos didácticos a difundir e os melhoramentos a obter, mas no número de processos a levantar, das multas e coimas a cobrar e dos estabelecimentos a encerrar, portanto, pura acção punitiva.
Agora o Jornal de Notícias, traz as palavras de Xavier Malcata, especialista em segurança alimentar e distinguido nos EUA, considerado por unanimidade, vencedor do "International Leadership Award", pela dedicação à segurança alimentar, o qual diz que a ASAE aplica directivas europeias de forma "cega". O júri da associação afirmou que elegeu este português como "um profissional possuidor de raras capacidades de trabalho, e como um detentor de excepcional dedicação". Para o cientista, que receberá formalmente o galardão a 6 de Agosto, nos Estados Unidos, a distinção equivale a "um prémio de carreira".
Segundo as palavras de Xavier Malcata, "A ASAE foi apresentada como sendo duas coisas: acção que fiscaliza e que faz avaliação do risco dos produtos para a saúde. Mas na prática a sua intervenção é essencialmente punitiva".
Na Escola de Biotecnologia, onde faz as suas investigações e lecciona Xavier Malcata preocupa-se com, "Ensinar os produtores a trabalhar melhor: na produção e na conservação, perceber os produtos de forma racional, apurar a qualidade, evitar contaminações." A Escola já estudou, por exemplo, o queijo da Serra, a broa de Avintes, as alheiras de Trás-os-Montes, as bagaceiras de vinho verde branco - símbolos da cultura gastronómica do país. "Somos muitíssimo ricos a este nível. Temos a responsabilidade de preservar o legado que nos foi deixado", sublinha o cientista.
"Infelizmente, a ASAE, com a aplicação cega das directivas europeias, está a destruí-lo, a condená-lo à morte". E sentencia: "Se conseguirem banir os nossos produtos tradicionais será uma hecatombe. Integrar a União Europeia não pode significar - tal como não significa noutros países, como a França - abdicarmos do que nos é característico". A prioridade das actividades da ASAE "está invertida. Antes da fiscalização deveria haver investigação, formação, análises de graus de risco e da população consumidora."
Costuma dizer-se que criticar é fácil, mas Xavier Malcata não fica pela crítica, pois propõe soluções. A primeira passaria por um levantamento dos produtos, investigá-los (os que nunca foram estudados, implicariam dois anos de trabalho) e, finalmente, propor "excepções à lei devidamente consubstanciadas pela via científico-tecnológica". Ou seja, garantindo que "o risco dos produtos é aceitável". Tal proposta só poderia materializar-se com a aplicação de outra sugestão: criação de sinergias efectivas entre quem investiga e quem aplica a lei. "Como esta iniciativa não parte do Estado, a sociedade civil deveria organizar-se", sugere Malcata.
Portanto, internamente, a ASAE deve promover a formação dos seus agentes, a interacção com as universidades e outros estabelecimentos de ensino e investigação cientifica, por forma a agir inteligentemente na redução do grau de risco para a saúde dos consumidores sem, no entanto, destruir os símbolos da cultura gastronómica do país e o legado que nos foi deixado, através do cumprimento cego das directivas europeias através de acção preponderantemente punitiva. A ASAE não pode ser um estado dentro do Estado, mas deve prestar explicações pormenorizadas, aos órgãos de soberania e aos cidadãos, da forma como exerce as tarefas que lhe estão atribuídas.
Aumentar a segurança alimentar e económica, é trabalhar para benefício do povo e não deve ser visar, de forma obcecada, os produtores e os prestadores de serviços, como inimigos e malfeitores. As sugestões de Xavier Malcata devem ser aceites como um bom ponto de partida para a revisão do funcionamento da ASAE.
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A. João Soares
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