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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

CONVERSA INDIGESTA MAS QUE SUSCITA REFLEXÃO


Terminado o almoço num restaurante económico, adequado à actual austeridade, três amigos, que atraíram o proprietário, emitiam palpites, entre sérios e humorísticos, de que se reproduzem de memória alguns excertos:

UM- Mas diz lá, se te dessem a escolher entre a doença de Alzheimer e a de Parkinson, qual escolherias?

DOIS- Seguiu-se hesitação … e a preferência de que optava pela de Parkinson, porque o cérebro deve estar sempre operacional.

TRÊS- o proprietário lembrou o fim da vida da mãe, imobilizada que passava todo o dia na posição em que fora colocada de manhã.

UM- Pois é nós pensamos nos que ficam, mas o paciente de Alzheimer não se sente preocupado por coisa alguma. Para ele tudo está bem. Enquanto o de Parkinson paga a cerveja e não a bebe por a entornar, o de Alzheimer bebe a cerveja e sai por se esquecer de a pagar.

AMIGO ANTÓNIO- Vocês já pensaram que o de Parkinson, mesmo que mantenha a mente totalmente lúcida, vive enclausurado numa máquina que não lhe obedece e não consegue materializar as suas vontades? Mas o de Alzheimer embora não se sinta, não seja infeliz, não tem vida como ser humano, tem apenas vida vegetal. Conheço um amigo que já deixou escrito à família que pretende, quando deixar de os reconhecer e de conversar com lógica, lhe dêem apenas medicamentos para não ter dor física mas excluam qualquer medicamento para lhe prolongar a vida incluindo os alimentos. E aqui se coloca espaço para a polémica sobre o direito ao suicídio assistido e à eutanásia.

Chegados a este ponto o DOIS ausentou-se porque só aceitava a legalidade de se terminar com a vida depois de a Igreja tomar uma posição favorável.

O AMIGO ANTÓNIO, continuou a definir a sua opinião e disse que a vida nos foi dada e é nossa responsabilidade fazer dela a melhor gestão para nosso benefício e da humanidade e é moral que tenhamos liberdade para tomarmos as decisões que achemos melhores, depois de profunda reflexão e de obtermos conselho de especialistas da nossa confiança.Tudo acaba e a nossa vida não é excepção, e é preciso aceitar o último momento com serenidade e dignidade.

Para fim de almoço não foi um bom digestivo, mas para pessoas com capacidade de pensamento foi um tema para meditação durante a tarde.

Imagem de arquivo

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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

PS defende morte e ausência da vida???

Transcreve-se um artigo de Mário Crespo de há dez meses e meio que continua a dar que pensar. Tem havido fortes indícios de que a ideia não só não foi abandonada como está a ser implementada sistematicamente, com a indiferença apática do povo mantido em coma induzido, com discussões secundárias que desviam as atenções, tal como as camuflagens em campo de batalha.

O horror do vazio
Jornal de Notícias. 2009-02-16. Por Mário Crespo


Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido.

Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia. Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte.

No meio das ideias dos mais altos responsáveis do Partido Socialista fica o vazio absoluto, fica "a morte do sentido de tudo" dos Niilistas de Nitezsche. A discussão entre uma unidade matrimonial que não contempla a continuidade da vida e uma prática de morte, é um enunciar de vários nadas descritos entre um casamento amputado da sua consequência natural e o fim opcional da vida legalmente encomendado.

Sócrates e Santos não querem discutir meios de cuidar da vida (que era o que se impunha nesta crise). Propõem a ausência de vida num lado e processos de acabar com ela noutro.

Assustador, este Mundo politicamente correcto, mas vazio de existência, que o presidente e o secretário-geral do Partido Socialista querem pôr à consideração de Portugal. Um sombrio universo em que se destrói a identidade específica do único mecanismo na sociedade organizada que protege a procriação, e se institui a legalidade da destruição da vida.

O resultado das duas dinâmicas, um "casamento" nunca reprodutivo e o facilitismo da morte-na-hora, é o fim absoluto que começa por negar a possibilidade de existência e acaba recusando a continuação da existência. Que soturno pesadelo este com que Almeida Santos e José Sócrates sonham onde não se nasce e se legisla para morrer.

Já escrevi nesta coluna que a ampliação do casamento às uniões homossexuais é um conceito que se vai anulando à medida que se discute porque cai nas suas incongruências e paradoxos. O casamento é o mais milenar dos institutos, concebido e defendido em todas as sociedades para ter os dois géneros da espécie em presença (até Francisco Louçã na sua bucólica metáfora congressional falou do "casal" de coelhinhos como a entidade capaz de se reproduzir). E saiu-lhe isso (contrariando a retórica partidária) porque é um facto insofismável que o casamento é o mecanismo continuador das sociedades e só pode ser encarado como tal com a presença dos dois géneros da espécie. Sem isso não faz sentido. Tudo o mais pode ser devidamente contratualizado para dar todos os garantismos necessários e justos a outros tipos de uniões que não podem ser um "casamento" porque não são o "acasalamento" tão apropriadamente descrito por Louçã.

E claro que há ainda o gritante oportunismo político destas opções pelo "liberalismo moral" como lhe chamou Medina Carreira no seu Dever da Verdade. São, como ele disse, a escapatória tradicional quando se constata o "fracasso político-económico" do regime. O regime que Sócrates e Almeida Santos protagonizam chegou a essa fase. Discutem a morte e a ausência da vida por serem incapazes de cuidar dos vivos.

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Monólogo de idoso

Tive um dia difícil muito propício à meditação. Esta manhã, quando ia de comboio para o almoço das Sextas estive parado na linha do comboio quase uma hora devido a um individuo que se suicidou sob os rodados de uma composição que iria duas ou três à frente da minha.

O Homem (ou mulher) foi egoísta até ao último momento, pois haveria muitas formas de por termo à vida sem prejudicar milhares de pessoas que eram transportadas nas composições que foram paradas na linha. Por outro lado, pensamos nos pensamentos trágicos que minaram aquele cérebro nos últimos tempos de vida. Quantas dificuldades insolúveis para aquela criatura.

Parecidas com estas reflexões vieram outras. Quando regressava do almoço, que decorreu perto do largo da Severa acima da Rua do Capelão, ao percorrer a pé a Rua João das Regras que desemboca na Praça da Figueira, estava uma jovem entre outras, mais ou menos graciosa e um idoso (com aspecto de ser mais «experiente» (ou «velho» ou idoso do que eu) a dizer: «a menina: é bonita, aliás na sua idade são todas bonitas».

Sem abrandar o passo que me ia levar ao Cais do Sodré para tomar o comboio, olhei rapidamente para trás e vi umas coxas semi-cobertas por uma mini-saia generosa e umas meias de malha larga e transparente , não chegando ao meio da coxa.

Imaginei o monólogo do idoso (experiente ou velho).

- Ela é mesmo atraente, mas se for com ela arrisco-me a apanhar a sida.

- Mas que me importa, tenho de morrer, se não for de sida, será de outra coisa que até pode ser pior e, ao menos, desta forma, terei momentos de grande prazer. (Ao imaginar este diálogo, pensei no suicida do comboio).

- Mas eu tinha decidido que havia de morrer saudável, sem uma doença prolongada, não fumo, não bebo em exagero, tenha cuidado com a comida.

- Mas tenho de decidir. Esta hipótese de morrer saudável não está garantida, enquanto os minutos de prazer que esta menina me pode dar, ninguém mos tira depois…

À laia de telenovela interrompida, deixo aos leitores o drama que se poderá seguir na mente ou mesmo no corpo deste idoso. E não esqueçam os dramas que devem ter afligido o suicida dos carris.

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A Vida já não é respeitada

Indivíduos matam familiares e estranhos por motivos fúteis. O marido irado «Mata mulher à frente da filha e assassina GNR», caso que foi notícia destacada, que devia fazer pensar os responsáveis pela Segurança Interna e pela Justiça na forma mais adequada de evitar o agravamento desta fobia e desrespeito da vida alheia.

Mas esse desrespeito está dentro de muitos cidadãos e, o que é mais incompreensível dentro da cabeça e do coração de muitos agentes da Justiça, como mostra a notícia «Condutor que matou peão não foi proibido de guiar». Não é com esta benevolência para o homicida que se exerce poder de dissuasão para tais desmandos. Na estrada praticam-se os piores crimes contra o ser humano, embora se possa dizer que é por negligência. Mas é uma negligência culposa, porque a arma que se tem na mão – o carro – é altamente perigosa e merece sérios cuidados que não podem ser descurados.

A última notícia que chega diz que «16 militares colhidos por automóvel ligeiro», o que mostra que grande parte dos automobilistas consideram a estrada como exclusivamente sua e inteiramente disponível para conduzirem despreocupadamente e não possuem capacidade para reagir perante qualquer obstáculo ou outro utente da estrada pública.

Perante estes desrespeitos pelas vidas alheias os agentes da autoridade, em todos os sectores relacionados com a Segurança de pessoas e de bens, deviam agir de forma mais eficaz tanto nas medidas dissuasoras como nas repressivas.

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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Porque não usufruímos a vida e o ambiente?

Transcrição do blog Sempre Jovens de uma canção cantada por uma criança. Embora haja legendas são em inglês e a autora do post, consciente da importância de uma profunda reflexão sobre o tema, teve o cuidado de fazer a tradução e publicar em separado para que possamos ler calmamente e meditar a letra. Uma bela lição.


Digam-me porquê?
No meu sonho, as crianças cantam
uma canção de amor para cada um de nós.
O céu é azul, os campos verdes e o riso é a língua do Mundo.
Depois eu acordo, e tudo o que vejo
é um Mundo cheio de gente com necessidades,
Digam-me porquê? Tem que ser assim?
Digam-me porquê? Será que há algo que eu não entendi?
Digam-me porquê? Porque eu não entendo
quando alguém precisa de alguém
nós não damos as mãos para ajudar, digam-me porquê!

Todos os dias me pergunto,
o que tenho que fazer para ser um homem.
Terei que me erguer e lutar
para provar a toda a gente quem sou eu?
Será para isso que serve a minha vida?
Para desperdiçá-la num mundo cheio de guerras?
Digam-me porquê? Tem que ser assim?
Digam-me porquê? Será que há algo que eu não entendi?
Digam-me porquê? Porque eu não entendo
quando alguém precisa de alguém
nós não damos as mãos para ajudar, digam-me porquê!
Digam-me porquê? Será que há algo que eu não entendi?

Digam-me porquê?
Porquê? Porquê? os tigres fogem
Porquê? Porquê? Nós disparamos armas
Porquê? Porquê? Nós nunca aprendemos
Pode alguém dizer-nos porque deixamos a floresta arder?
Porquê? Porquê? Dizemos que nos importamos
Porquê? Porquê? Nos erguemos e espantamos
Porquê? Porquê? Os golfinhos choram
Pode alguém dizer-nos porque deixamos o mar morrer?
Porquê? Porquê? Se somos todos iguais
Porquê? Porquê? Nós passamos a culpa aos outros?
Porquê? Porquê? Isto nunca mais acaba
Pode alguém dizer-nos porque não podemos ser só amigos
Porquê? Porquê?

Tradução adaptada da autora do post.
Fernanda Ferreira

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sábado, 27 de outubro de 2007

Apoio a jovem em dificuldade

A Internet, quando bem utilizada, pode servir para melhorar as condições de vida das pessoas, principalmente através do efeito de palavras amigas e de incentivo.

Há cerca de um mês, apareceu num post meu um comentário um tanto enigmático e fui retribuir a visita ao blog do comentador, tendo ali encontrado uns posts que denunciavam uma alma em crise e desequilíbrio, com uns comentários de amizade e apaziguamento de uma visitadora. Como tinha tempo disponível quis deixar umas palavras mas não sabia se aquilo eram desabafos de uma situação crítica ou apenas exercícios de escrita, aliás, de boa qualidade literária e boa expressão de ideias coerentes.

Mais tarde, há poucos dias, foi-me chamada a atenção para um novo post nesse blog em que o autor mostrava uma situação que mais parecia a despedida de um suicida e citava o meu nome agradecendo a minha ajuda e compreensão. Não hesitei em deixar logo ali as melhores palavras de apoio e de sugestão que me surgiram.

Apareceu um novo post mais sereno mas que mostrava ainda uma instabilidade que necessitava ser cuidada. Lá deixei novo comentário e recebi um e-mail a agradecer, o que me levou a colocar mais um comentário.

Como esses meus textos são públicos, ao alcance dos visitantes do blog, de que não cito o nome para não criar dificuldades ao seu autor, não é indiscrição dar-lhes aqui maior visibilidade com duas intenções: poderem ser considerados interessantes para pessoas em situação de crise semelhante e, por outro lado, para congregarem apoios de leitores que tragam novas palavras úteis para complementarem as minhas, escritas espontaneamente, tornando de maior utilidade.

Seguem-se os referidos comentários:

Primeiro comentário (antigo)

Uma posição muito positiva. Força amigo.
A vida é luta. As dificuldades ajudam a fazer músculo, necessário para vencer na vida.

Depois de vencer uma tempestade temos a bonança, o prazer de mais uma vitória. E a certeza de lá mais à frente o próximo obstáculo ser mais fácil de vencer por já termos experiência e musculatura melhor preparada.
Um abraço

Segundo comentário

Caro B...
Obrigado pelas palavras que me dirigiste. Eu, talvez de forma diferente da tua, quero contribuir para que o mundo seja melhor. Não podes, não devemos, desistir.
Toda a gente tem momentos difíceis. Eles nos dão a força e a alegria de os ultrapassarmos. Os grandes cientistas de que tomaste conhecimento nos estudos não tiveram êxito logo no primeiro momento. Quantas dificuldades tiveram de vencer. Vencer significa ter lutado, não desistir, continuar.

Há uns tempos, nestes diálogos que mantenho com gosto nos blogs, concluí que, sem o saber concretamente, o meu ídolo é a água dos rios. Ela tem uma estratégia de vitória e cada momento é luta para vencer dificuldades. As rochas as montanhas que se interpõem entre ela e o mar, não a fazem parar, desistir. Se não pode continuar o caminho, contorna o obstáculo. Se este é incontornável, para, pensa, ganha força e depois ou derruba o obstáculo ou lhe passa por cima. Segue sempre o caminho mais fácil, o possível, mas que a leva ao seu objectivo que está longe, invisível. Não se contenta com os pequenos objectivos parcelares, nem desanima por não ver o resultado final da sua luta.

Meu caro amigo, os sábios não vão desaparecendo, ficam porque são persistentes, têm fôlego de maratonistas, não são pusilânimes e sabem que Roma e Pavia não se fizeram num dia. As grandes obras demoram tempo a serem concluídas. E melhorar o mundo não é tarefa para os próximos dias, é para ocupar a tua geração até ao fim e, depois, ser continuada pelos vindouros. Não se pode desanimar por não ver resultados imediatos.
Caro B..., dos fracos não reza a história. Coragem, a felicidade não é um tabu inatingível. Ela depende daquilo que temos à nossa volta e da forma como o contemplamos, o melhoramos e nos servimos dele. É uma interacção com humildade e a certeza de que queremos servir a humanidade, com generosidade, espírito de bem-fazer. Se alguém não te compreende, terás de explicar melhor ou esperar melhor oportunidade. Olha a água do rio!!!

Um abraço e felicidade

Terceiro comentário

Caro B...,
Ontem fiquei grandemente preocupado com a situação psíquica de um ser humano a quem atribuo valor como pessoa e bom português. Mas, agora com estas tuas confidências públicas, estou mais tranquilo e optimista.

Foi pena teres apagado alguns posts, porque mais tarde poderias apreciar o percurso das tuas preocupações e a evolução que deste à vida.

Viver é isto, porque a vida é como os alcatruzes da nora, ora está em cima ora em baixo. É preciso nunca perder a energia para não dificultar a recuperação. Agora estás apontado ao bom caminho e é preciso ponderares e avançares serenamente sem esmorecer.

A vida das pessoas e dos Países funciona entre duas baias limitadoras e condicionantes: o amor e o medo. O medo é destrutivo, corrosivo e fonte de conflitos de toda a ordem. O amor é motivador de momentos felizes, em todos os aspectos. Mas nada é linear e natural, as influências negativas aparecem ao dobrar de cada esquina e tudo exige permanente atenção e precaução, tal como a condução em que o volante está sempre a ser solicitado por forma a manter a trajectória correcta do percurso.
Todas as pessoas merecem o nosso respeito, mas todas têm virtudes e imperfeições, pelo que é conveniente mantê-las à distância adequada, umas devem estar longe de nós e, de certa forma, ignoradas, enquanto outras podem ser autorizadas a entrar na nossa bolha privada, no nosso casulo. Não é fácil este exercício de classificação, e as desilusões acontecem. Temos de lhes dar apenas o seu valor e não dramatizarmos uma coisa que é para esquecer.

É preciso ter coragem para limpar as gavetas e deitar fora o lixo. O saber popular é muito rico e aqui lembro-me do ditado «águas passadas não movem moinhos».
Felicito-te pela tua lucidez de espírito e desejo que ponhas na ordem as tuas emoções. Escreve. Escreve muito, mas positivamente, para alimentar a decisão que tomaste. Aceita o apoio da tua mãe, mas sê tu próprio naquilo que tens de melhor. Parabéns pela tua reflexão.

Um abraço e votos de felicidade

Quarto comentário

Caro B...,
Li o teu e-mail e o comentário que Paula Raposo (pelo carinho dela e por um teu post dedicado a tua mãe, penso serem a mesma pessoa), e fico satisfeito por ver que estás a usar a tua inteligência para controlar a emotividade.

Como dizes ter apreço pelas minhas palavras, permito-me acrescentar mais umas ideias aos meus últimos comentários com a convicção de que as tomarás ou não em consideração conforme achares conveniente. O problema é teu e terás que o resolver com inteira responsabilidade, mas sendo sempre útil reflectir nas ajudas que te surjam, principalmente de pessoas que não são parte no assunto e apenas seguem, digamos que uma vocação de bem fazer.

O uso que fiz de ditados populares e do exemplo da água pode deixar transparecer uma personalidade encanecida, presa a um passado já antiquado. Realmente pertenço a uma geração bastante tolhida pelo receio da extroversão e da abertura nas ideias e nas palavras, isto é, desconfiada. Mas prezo-me de não ser bem assim. Irreverente, sempre gostei de pôr tudo em causa e de procurar perceber os porquês das situações.
A tua intenção de «fechar para balanço», silenciar-se para meditação e só depois voltar a escrever, talvez não seja melhor solução.

A meditação tem inconvenientes, quando não é seguido um método adequado ou assistida por outra pessoa com preparação e experiência, e se começa a andar à roda, sem se encontrar a melhor saída, como um burro a puxar a nora. Além dos ditados e da água do rio, refiro agora uma lição muito mais moderna. Raramente olhamos à nossa volta e retemos lições valiosas de pequenas coisas. Quando um computador começa com falhas e nos torna difícil continuar a trabalhar, a melhor solução é parar, desligar e passados uns minutos, voltar a ligar.

Para ti, que agora decidiste desligar, julgo que é bom voltares a ligar à escrita, mas não te carpires olhando apenas para o umbigo. Experimenta, durante uns dias, escrever orientado para fora de ti, para o ambiente circundante, mantendo-te desligado, quanto possível, das tuas emotividades. A escrita para ti, que gostas e tens jeito, é uma terapia contra o stress emocional. Mas procura, durante uns tempos, escrever pela positiva (com amor e sem medo) sobre pormenores que observes durante o dia, apreciando o que há de melhor, procurando compreender os porquês, encarando as várias hipóteses de explicação do fenómeno e possíveis vias para melhorares aquilo que te circunda.

A conversa com os teus botões é de evitar porque te azeda o íntimo e te torna cada vez mais difícil a saída do labirinto para a luz da paz, do amor e da felicidade. Usa a inteligência para te desviares de emotividades que nada melhoram. Procura esquecer-te de ti próprio e apreciar o exterior com o máximo de isenção, compreensão, condescendência, amor e paz. Isso vai fazer-te melhor e, depois, passarás a ver por outro prisma os problemas que agora te perturbam.

Os outros têm direito a gerir a sua vida e a procurarem aquilo que consideram melhor, o direito de arriscar e errar. Não devemos ficar pelas críticas, mas, se possível, e eles quiserem, procurar ajudá-los. Para nós, da observação dos erros alheios, deve ficar a lição e o aumento da nossa sabedoria.

Desculpa a extensão, mas as palavras são como as cerejas...

Um abraço e melhores votos

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