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domingo, 8 de março de 2009

Magalhães, assessores, analfabetismo

Ao fim de muitos meses de desperdício de recursos, em tempo perdido, custos de viagens de professores e desmotivação de professores, de alunos e de pais e perda de confiança dos portugueses na competência dos seus governantes, o Grupo parlamentar do PS admite que algumas medidas de política educativa do Governo "não correram muito bem", como diz o título de notícia do Público.

Esta confissão de fracasso tem mérito, mas mais teria se tivesse sido feita logo que os professores manifestaram o seu justificado mal-estar. E mais ainda teria se tivesse sido evitado. Como foi possível cometer tais erros e teimar em não dar o braço a torcer? Qual a colaboração dada pelos inúmeros assessores que enxameiam as alcatifas dos gabinetes? Porque não preparam as decisões segundo métodos muito experimentados do género do sugerido em pensar antes de decidir?

Outro erro de decisão foi a negociata, sem concurso público, sem supervisão, sem controlo, nem do material nem do software do Magalhães que, agora, só agora, é descoberto que está escrito em «magalhanês», em vez de o ser em língua viva de Portugal ou de um País civilizado. Têm aqui cabimento as perguntas acerca do papel dos assessores que pesam no orçamento do Estado e seria suposto que apoiariam os seus chefes na obtenção de um grau de excelência elevado. Os erros referidos na notícia Empresa responsável por software com erros instalado no Magalhães reconhece "falha humana", apesar de a empresa os querer branquear, são indesculpáveis e evidenciam incompetência, desleixo e falta de dedicação na execução das tarefas que são confiadas aos mais altos funcionários do ministério.

Nenhuma pessoa consciente gostaria de estar na pele da ministra quando for ao Parlamento responder perante os deputados, como o PSD está a pedir, segundo a notícia "Magalhães": PSD chama ministra ao Parlamento.

Como foi dito por várias pessoas esclarecidas, não se pode esperar milagres do Magalhães, porque primeiro há que ensinar as crianças a ler, escrever e contar, e, só depois, o computador constitui uma ferramenta potenciadora das capacidades já adquiridas, poupando o esforço de pesquisa e de elaboração de trabalhos. Este factor multiplicador de capacidades só funciona se não estiver eivado de erros que vão destruir o que de bom se aprendeu antes, como tem acontecido com as graves gralhas do software que os assessores não detectaram nem corrigiram a tempo. Uma vergonha. E assim se desperdiçam recursos públicos e se atrasa a aprendizagem das crianças e se dificulta a criação de confiança num símbolo de modernidade.

Mas como se pode esperar que o ensino funcione com nível de «excelência» se , como diz a notícia Portas acusa directora regional de Educação do Norte de não saber escrever. Segundo a notícia, a directora regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, a «malhadora» que fez a vida dura ao professor Fernando Charrua, mostrou não saber escrever, ao redigir um e-mail que enviou à presidente do conselho executivo do agrupamento de escolas Território Educativo de Coura. Esta é mais uma ‘gafe’ a acrescentar aos erros de português do Magalhães.

"Quando uma directora regional que tem a obrigação de se relacionar com milhares de escolas, que tem a tutela de dezenas de milhares de professores não sabe escrever português, como se pode pedir depois aos jovens que saibam escrever, ler e entender correctamente a língua de Camões", perguntou o líder do CDS/PP.

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domingo, 22 de fevereiro de 2009

«Brincadeira de mau gosto»

Há dias, recebi por e-mail este artigo. Na altura não lhe dei importância embora o considerasse com graça e estilo literário, porque pensava que fosse antigo, pois não imaginava que Margarida Moreira, depois do escândalo da perseguição a Fernando Charrua, ainda continuasse em funções. Bem mereceu uma promoção ou a nomeação para um «tacho dourado» pela sua capacidade de «malhar» em quem se refere a Sócrates sem o respeito religioso de não citar o seu nome de forma menos reverente e veneradora.

Mas agora, com a posição que tomou com os professores das escolas de Paredes de Coura, vê-se que continua no seu papel com uma coerência inquebrantável, um permanente Carnaval. Merece um slogan do género Carnaval é sempre que Margarida quiser. Enfim, a sua manutenção nestas funções será mais uma «brincadeira de mau gosto» da ministra da Educação, que bem justifica o título do artigo de Ricardo Araújo Pereira, na Revista Visão.

Circunspecção de mau gosto
Ricardo Araújo Pereira, em Visão

Julgo que a opinião da directora da DREN, Margarida Moreira, segundo a qual a ameaça a uma professora com uma arma de plástico foi uma brincadeira de mau gosto, é uma brincadeira de mau gosto. Mais uma vez se prova que a crítica de cinema é extremamente subjectiva. Eu também vi o filme no YouTube e não dei pela brincadeira de mau gosto. Vi dois ou três encapuzados rodearem uma professora e, enquanto um ergue os punhos e saltita junto dela, imitando um pugilista em combate, outro aponta-lhe uma arma e pergunta: «E agora, vai dar-me positiva ou não?» Na qualidade de apreciador de brincadeiras de mau gosto, fiquei bastante desapontado por não ter detectado esta antes da ajuda de Margarida Moreira.

Vejo-me então forçado a dizer, em defesa das brincadeiras de mau gosto, que, no meu entendimento, as brincadeiras de mau gosto têm duas características encantadoras: primeiro, são brincadeiras; segundo, são de mau gosto. Brincar é saudável, e o mau gosto tem sido muito subvalorizado. No entanto, aquilo que o filme captado na escola do Cerco mostra aproxima-se mais do crime do que da brincadeira. E os crimes, pensava eu, não são de bom-gosto nem de mau gosto. Para mim, estavam um pouco para além disso – o que é, aliás, uma das características encantadoras dos crimes. Se, como diz Margarida Moreira, o que se vê no vídeo se enquadra no âmbito da brincadeira de mau gosto, creio que acaba de se abrir todo um novo domínio de actividade para milhares de brincalhões que, até hoje, estavam convencidos, tal como eu, que o resultado de uma brincadeira é ligeiramente diferente do efeito que puxar de uma arma, mesmo falsa, no Bairro do Cerco, produz.

O mais interessante é que Margarida Moreira, a mesma que agora vê uma brincadeira de mau gosto no que mais parece ser um delito, é a mesma que viu um delito no que mais parecia ser uma brincadeira de mau gosto. Trata-se da mesma directora que suspendeu o professor Fernando Charrua por, numa conversa privada, ele ter feito um comentário desagradável, ou até insultuoso, sobre o primeiro-ministro. Ora, eu não me dou com ninguém que tenha apontado uma arma de plástico a um professor, mas quase toda a gente que conheço já fez comentários desagradáveis, ou até insultuosos, sobre o primeiro-ministro. Se os primeiros são os brincalhões e os segundos os delinquentes, está claro que preciso de arranjar urgentemente novos amigos.

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