Será que os governantes sabem disto? Será que estão preparados para liderar?
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Comandante, director, chefe, administrador, líder...
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A. João Soares
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quarta-feira, 22 de agosto de 2007
O chefe-líder
Na sequência do tema tratado em Democratas ou ditadores?, transcrevo este texto extraído do blog Filhos de um deus menor:
O chefe que eu concebo
"O chefe que eu concebo é o homem completo, homem de coração, de razão, de vontade, que ama, julga e comanda" (Antoine Redier).
Onde é que há chefes assim?
Infelizmente a ânsia do poder nas sociedades de hoje não nos deixa chefes "concebidos" por "Antoine Redier".
Hoje encontram-se, isso sim, chefes neuróticos, com elevado sentido de desumanidade. Estes chefes neuróticos, quanto mais tolhidos se sentirem pelas suas inibições, tanto menos serão capazes de se impor. A verdade é que a ânsia do poder serve-lhes de protecção contra o risco de se sentirem ou serem considerados insignificantes, forjando assim uma ideia rígida e irracional do poder que lhes foi conferido por decreto - que os leva a convencerem-se de serem capazes de superar qualquer situação, dominando-a imediatamente por mais difícil que se apresente.
Estes chefes classificam os seus superiores, iguais ou inferiores hierárquicos em dois grupos; os «fortes» e os «fracos», admirando os primeiros e desprezando os segundos. Vão também ao extremo naquilo que consideram fraqueza. Sentem maior ou menor desprezo pelas pessoas que concordam consigo ou cedem aos seus desejos e por aqueles que mostram inibições ou não dominam as suas emoções por forma a manter sempre uma expressão impassível. Mas menosprezam igualmente essas qualidades em si mesmo, ao sentirem-se humilhados quando são forçados a reconhecer os seus «fantasmas» ou as suas inibições.
Tendem a julgar que têm sempre razão, e facilmente se irritam, ainda que em pormenores ínfimos, se lhes provarem que estão errados. Hão-de saber tudo melhor do que ninguém, atitude que, por vezes, se manifesta extremamente antipática.
Outra faceta característica do perfil deste tipo de chefes reside na exigência de tudo ser feito segundo a sua vontade. Tal exigência é susceptível de constituir fonte de incessante irritação se os que dependem de si não cumprem exactamente o que deles espera ou se o não fazem no preciso momento em que lhes é ordenado.
Uma das mais vulgares atitudes que integra este perfil de chefe reside na recusa a cedências. Têm dificuldade em estar de acordo com uma opinião de nutrem ou aceitar um conselho, ainda que seja considerado acertado, e a simples ideia de assim proceder desencadeia a rebelião. Os chefes em que prevalece esta atitude tendem a reagir contra tudo e, por estrito medo de ceder, assumem a posição inversa.
Mas o mais grave reside no facto de este tipo de chefes nem sempre terem verdadeira consciência das suas atitudes autoritárias ou, pelo menos, da sua importância. Não lhes convém reconhecê-las ou modificá-las, pois estas - atitudes autoritárias - desempenham para eles notáveis funções protectoras. Tão pouco os outros devem verificá-las: correriam o risco de, nessas circunstâncias, ficarem a dar ordens no deserto ou sozinhos na "parada". Deixando assim em crise as suas necessidades prementes de impressionarem, serem admirados e respeitados. Em crise também ficariam os seus desejos de deslumbrar os outros pela sua suposta inteligência e os seus notáveis dotes de comando.
Se considerarmos que muitas carreiras/nomeações profissionais ficam dependentes das informações de mérito dadas por chefes com tal perfil, facilmente se compreende que é necessário uma reflexão sobre muitos aspectos da actual realidade social/laboral.
«Comandar não é somente fazer-se obedecer, é acima de tudo exercer uma autoridade moral da ordem mais elevada» (Les Forces Morales, publ. Of. do M. G. da França)
Postado por Paulo Sempre
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A. João Soares
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